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Wagner Moura faz sua estreia como diretor com o longa “Marighella”, que chega aos cinemas em novembro

Wagner Moura faz sua estreia como diretor com o longa “Marighella”, que chega aos cinemas em novembro

Assim como o protagonista de seu filme, Wagner Moura se posiciona sem medo contra a injustiça e o autoritarismo.

Mais conhecido por seu trabalho como ator e por personagens como o Capitão Nascimento do filme “Tropa de Elite”, o traficante Pablo Escobar no seriado “Narcos” ou o inescrupuloso Olavo da novela “Paraíso Tropical”, Wagner Moura, aos 45 anos, faz sua estreia como diretor, com o filme “Marighella”, que reconstrói parte da trajetória do militante comunista, deputado federal e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar brasileira, a Ação Libertadora Nacional (ALN).

O longa chega aos cinemas do país neste dia 4 de novembro – data que marca os 52 anos do assassinato do guerrilheiro. A estreia mundial do filme ocorreu no Festival de Berlim de 2019. Lá, foi aplaudido de pé. Aqui, teve seu lançamento adiado por causa de obstáculos criados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Na entrevista que concedeu à 29HORAS, Wagner Moura fala não só do longa, como também de outros trabalhos que ele fez e pretende fazer no Brasil e no exterior. Confira a seguir os principais trechos dessa conversa:

 

Wagner Moura - Foto: Sandra Delgado

Wagner Moura – Foto: Sandra Delgado

 

Depois de ler a biografia de Marighella escrita pelo jornalista Mário Magalhães, o que te motivou a transformar aquela história em filme?
Eu sempre fui fascinado pelas histórias de resistência no Brasil. Histórias intencionalmente mal contadas, estereotipadas ou mesmo apagadas pela narrativa oficial. Inconfidência Mineira, Alfaiates, Malês, Canudos… A geração dos que resistiram à ditadura militar é a de gente com apenas 20, 30 anos a mais que eu, uma geração muito próxima, mas ao mesmo tempo muito diferente da minha. Marighella foi um dos maiores nomes da resistência à ditadura militar, o livro de Mário é um trabalho extraordinário de jornalismo que abriu a possibilidade da história desse nome, condenado ao silêncio e à injuria por tantos anos, também ser contada com honestidade nos cinemas.

Você se identifica com o Marighella por ser baiano como ele?
Marighella era um baiano inconformado, que não tolerava injustiças, desigualdades e tiranias. Um homem que não tinha medo de se expor e de se dedicar profundamente a algo em que acreditava, como eu. Ele nasceu na Baixa do Sapateiro, em Salvador, região habitada até hoje por pessoas pobres, em sua maioria negras. O que ele vivenciou formatou seu caráter, seu inconformismo, seu senso de justiça, seu amor pela cultura popular. A Bahia acompanhou Marighella até o fim.

O que foi mais difícil para você, nessa sua estreia como diretor?
Como diretor, sinceramente, foi tudo um grande prazer. Havia uma energia criativa e combativa todos os dias de filmagem. Nós todos queríamos muito contar aquela história, apesar de todas as dificuldades. Meu foco como diretor era tirar o melhor de todo mundo, fazer com que todos se sentissem desafiados e, ao mesmo tempo, animados em acordar todo dia e ir filmar. Como produtor foi mais duro, porque nós fizemos um filme grande, com um orçamento muito enxuto. Foi difícil captar dinheiro para “Marighella”. Até hoje nenhum dos produtores ganhou um tostão, apesar de sermos constantemente acusados de “ladrões da Lei Rouanet” e outras canalhices do gênero. Agradeço muito à O2 Filmes por ter segurado essa onda junto comigo. Se fosse uma produtora menos robusta, não sei se teríamos conseguido fazer esse filme…

 

Wagner Moura e Seu Jorge no intervalo das gravações de "Marighella" - Foto: Ariela Bueno | Divulgação

Wagner Moura e Seu Jorge no intervalo das gravações de “Marighella” – Foto: Ariela Bueno | Divulgação

 

E agora vem o lançamento do filme e a repercussão em meio à crítica e ao público. Você está preparado para as inevitáveis pauladas de malucos que odeiam Marighella e ainda deliram com “ameaças comunistas”?
Sempre estive. Nunca tive medo desse embate. Nosso filme não vai fugir ao enfrentamento do fascismo que tomou conta do país. Não entrar nesse confronto seria uma incoerência, inclusive com a memória de Marighella. Quando filmamos “Marighella”, a possibilidade de um sujeito como Bolsonaro se eleger presidente da República nos parecia a todos uma piada de mau gosto. Ainda havia uma confiança nas raízes democráticas que urdiram a Constituição de 88 e nos avanços que a democracia havia conquistado; uma falsa sensação de segurança. Mas, no fim das contas, a eleição de Bolsonaro foi pedagógica: nos ensinou que a democracia e a manutenção de conquistas sociais e de direitos civis são lutas diárias. O Brasil é um país com raízes racistas e autoritárias; Bolsonaro não é um alienígena, ele é um personagem de profunda conexão com o pior da nossa história. Que ele tenha sido eleito presidente do Brasil e a maioria dos brasileiros tenha ido às urnas dizer “esse é o homem que nos representa, que dirá ao mundo o que é o Brasil” é tristíssimo, mas também é uma realidade importante de ser enfrentada.

Algumas pessoas que assistiram ao filme sentiram falta de ver o processo que levou o protagonista a optar pela luta armada. Por que você optou por fazer esse recorte na história e começar com ele já atuando com a ALN (Aliança Libertadora Nacional)?
Um longa-metragem tem em média duas horas de duração. É impossível dar conta da vida de alguém nesse tempo. Marighella tem duas horas e 40 minutos, mas para mim, escolher um recorte sempre foi muito importante. Nós optamos por mostrar os anos finais de sua vida, pela fase do Marighella guerrilheiro, que durou apenas um ano dos seus 57 de vida. Ele fundou a ALN em 1968 e foi assassinado pela polícia em 1969. Carlos Marighella militou na legalidade pela justiça social e pelos direitos dos mais pobres por toda sua vida, inclusive como deputado federal. Foi preso e torturado pela ditadura de Getúlio Vargas e alvejado com um tiro pela ditadura militar, simplesmente por pertencer ao Partido Comunista. Não havia luta armada até então. De fato, esse Marighella de antes de 1964 eu não tive tempo de mostrar. Mas acredito que as razões que o levaram à guerrilha vão ficando claras com o passar do filme.

A luta armada foi uma saída radical, sem dúvida. Mas é aquela coisa: quando as coisas não se resolvem pela via política, até quando o povo tem de esperar para tomar uma atitude mais extrema? Você concorda com esse argumento do Marighella? Não teme que rememorar hoje esse episódio da história brasileira desperte ainda mais delírios na Direita, que adora associar a Esquerda a táticas violentas e antidemocráticas?
A luta armada foi para muitos a única saída. A ditadura era um regime brutal, não havia canais de comunicação, você podia ser convocado para um depoimento e nunca mais voltar para casa. A tortura era política de Estado. Comparar a luta armada contra uma ditadura militar nos anos 1960 e 1970 com os delírios milicianos de Trump e Bolsonaro é, no mínimo, falta de clareza histórica. O mundo inteiro estava consumido pelos ideais revolucionários de Cuba, da Guerra no Vietnam… Acho sempre uma covardia e uma ignorância quando leio analistas de hoje, sob a luz da história, julgando a decisão tomada nos anos 1960 por homens e mulheres que não se conformavam em viver sob a tirania de uma ditadura. Nosso filme vem de minha admiração por essas pessoas e as que as equivalem hoje.

 

Wagner Moura em "Narcos" - Foto: Diviulgação

Wagner Moura em “Narcos” – Foto: Diviulgação

 

Você tem em seu currículo atuações em vários filmes e seriados em que tudo se resolve na base da bala, como “Tropa de Elite”, “Narcos”, “Serra Pelada” e, agora, “Marighella”. O Brasil e a América Latina são o novo faroeste? Na sua opinião, arma serve para resolver alguma coisa?
Não acho que “Tropa de Elite”, “Narcos”, “Serra Pelada” e “Marighella” estejam na mesma categoria de filmes, só porque há violência em todos eles. No entanto, não há dúvidas de que o Brasil seja um país violento e que isso naturalmente se reflita no cinema que fazemos. Nossa história começa com o extermínio dos povos indígenas e a escravidão de africanos. Ou seja: a própria fundação do país está ligada a sequestro, tortura, racismo e extermínio. É lógico que seguimos carregando as sequelas disso até hoje. Quem são as maiores vítimas de violência praticada pelo Estado? Pretos e favelados. Temos a polícia que mais mata e que mais morre do mundo. O Estado entra na favela do Jacarezinho, mata 29 pessoas e isso não vira um escândalo nacional, porque normatizamos essa violência, convivemos com ela por séculos, apesar dos progressos. Somos o país que mais mata LGBTQs no mundo, um dos campeões em violência contra as mulheres… Como esperar que essa violência não faça parte da nossa produção audiovisual? A ditadura militar matou e torturou centenas de pessoas. O presidente atual é admirador confesso dessa ditadura e do seu mais notável torturador, o coronel Carlos Brilhante Ustra. O presidente até hoje comemora o Golpe de 64, lamenta a ditadura não ter matado mais 30 mil pessoas, tem ligações com a milícia do Rio de Janeiro, quer liberar o porte de armas… Enfim: não, eu acho que armas, no contexto de uma democracia, não servem para resolver nada.

Você dirigiu dois episódios da próxima temporada de “Narcos”, para a Netflix. Pretende investir na sua carreira como diretor no exterior?
Eu só aceitei o convite para dirigir “Narcos” porque eu tenho uma relação muito profunda com a série e com as pessoas que a fazem. Eu conheço bem o universo de “Narcos”, reencontrei vários colegas da equipe que estavam nas primeiras temporadas comigo, pude levar meu parceiro Adrian Teijido, que fotografou “Marighella” e que também já havia feito “Narcos”… foi ótimo. Foi como voltar à família, mesmo que em outra posição. Tenho orgulho da série e fico feliz de ter estado na primeira e na última temporada. Ah, respondendo a sua pergunta, não tenho nenhum interesse em ser um diretor contratado. Mas tenho vontade de me dirigir um dia. Só que não tenho nenhum projeto em mente ainda para realizar esse desejo.

E a quantas anda o projeto de “Sweet Vengeance”, dirigido por Brian De Palma, produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira e com você no papel principal?
Esse projeto infelizmente não vingou, mas me deu o privilégio de estabelecer uma relação com o Brian De Palma, que viu “Marighella” e me mandou um dos e-mails mais elogiosos que recebi sobre o filme.

Como tem sido o seu trabalho em “The Shinning Girls”, seriado da Apple TV que mistura ficção científica com drama policial?
Acabamos de terminar as filmagens em outubro. Eu fui muito feliz fazendo essa série. Elizabeth Moss virou uma parceira para o resto da vida. Eu tenho muito prazer em encontrar essas parcerias no cinema. Ela é uma atriz espetacular e se tornou uma amiga muito próxima. Começamos a filmar em maio, é uma série de 8 episódios. Eu faço um jornalista que se junta ao personagem dela para investigar um serial killer, feito maravilhosamente pelo Jamie Bell [de “Billy Elliot”].

 

Estreia de "Marighella" no Festival de Berlim, em 2019 - Foto: Divulgação

Estreia de “Marighella” no Festival de Berlim, em 2019 – Foto: Divulgação

 

Que tipo de projetos você busca em sua carreira internacional?
Eu sinceramente não separo o meu trabalho entre nacional e internacional. Eu busco bons projetos. Alguns dos que mais me animam são no Brasil. Ano que vem, por exemplo, vou fazer um filme com Kleber Mendonça Filho e uma série que estou produzindo para a Disney sobre Maria Bonita, que será dirigida pelo Sérgio Machado. Tenho também um projeto, ainda sem data, que estou desenvolvendo há muitos anos com o Karim Aïnouz. Fazer cinema é a mesma coisa em qualquer lugar.

Como você lida com essa nova configuração profissional, sem um contrato fixo que lhe dê segurança (como os que a Globo oferece), mas com toda a liberdade para negociar trabalhos com os mais distintas produtoras e estúdios?
Eu nunca tive um contrato fixo com a Globo, só fiz trabalhos lá com contrato “por obra”. Sempre consegui trabalhar onde quis e com quem quis.

Por fim, quando você pretende retornar ao Brasil?
O filme do Kleber deve acontecer no segundo semestre de 2022. Quero muito estar no Brasil durante as eleições.

De volta aos palcos, Diogo Nogueira prepara turnê e interpreta o pai em musical-homenagem

De volta aos palcos, Diogo Nogueira prepara turnê e interpreta o pai em musical-homenagem

Diogo Nogueira é filho do samba, literalmente. Seu pai cantou ser seu espelho e ser espelho de seu próprio pai também. “Sempre que um filho meu me dá um beijo, sei que o amor do meu pai não se perdeu, só de olhar seu olhar eu sei seu desejo, assim como meu pai sabia o meu”, diz a música “Além do Espelho”, de João Nogueira. Se estivesse vivo, o sambista, compositor e cantor completaria 80 anos neste mês de novembro. Na mesma canção citada acima, ele recitou que a vida é uma missão, mas quando o espelho é bom, ninguém jamais morreu.

João estava certo sobre muita coisa, e uma delas é mesmo que o samba continua após a morte – essa, sim, é uma ilusão. E na bonita missão de preservar a memória do patriarca, seu filho, Diogo Nogueira, interpreta o pai em um musical, com estreia prevista para o primeiro semestre do ano que vem. A iniciativa é parte da série de comemorações que marcam as oito décadas de João Nogueira, no Clube do Samba – fundado por ele em 1979 e hoje liderado pela filha Clarisse. As celebrações incluem ainda o lançamento de um livro, shows de verão, desfile do bloco do Clube e oficinas de arte gratuitas.

 

Diogo e seu pai, o sambista João Nogueira - Foto: Arquivo Pessoal

Diogo e seu pai, o sambista João Nogueira – Foto: Arquivo Pessoal

 

“Vivi com meu pai até meus 19 anos, as lembranças mais fortes são das viagens que fazíamos juntos, das idas ao Maracanã…ele era um pai presente, e muito rígido também. Interpretá-lo é uma honra e uma grande responsabilidade”, conta. A principal herança de João para Diogo é o amor ao samba, o que, inevitavelmente, estende-se ao amor pelo Rio de Janeiro, ao amor pelo mar e pela areia, ao amor pela cozinha, enfim, ao amor por amar sem medo e com muita entrega.

Hoje, aos 40 anos, Diogo faz seu próprio e intenso enredo na história do samba. Com 14 anos de carreira na música, ele já lançou dez CDs, quatro DVDs – que venderam mais de um milhão de cópias – três singles, um EP com quatro canções nas plataformas digitais e um audiovisual com três álbuns, e foi indicado ao Grammy Latino por todos os seus álbuns, prêmio que venceu por duas vezes. O cantor emplacou ainda quatro sambas-enredo na sua escola, a Portela, em carnavais consecutivos, todos com nota 10 dos jurados. “O samba é minha vida, é herança familiar, é o que eu sou.”

A exemplo de todo esse significado, Diogo Nogueira foi homenageado pela escola de samba Imperatriz Dona Leopoldina, de Porto Alegre, no enredo “Espelho, de Filho Para Pai. A Imperatriz canta Diogo para João”, que deu o título de campeã naquele ano para a escola, no Carnaval de 2016.

Feito d’água

O destino no samba parece, agora, natural para Diogo. Mas antes de iniciar na música profissionalmente, o cantor tentou carreira como jogador de futebol. Com uma contusão no joelho, acabou mesmo nos palcos. Não poderia ser diferente. O esporte, porém, não saiu da vida e da rotina do cantor, que é amante de futevôlei e surfe. “Sempre fui muito ativo, comecei a praticar esses esportes na infância, também gosto de artes marciais”, conta.

A paixão pelas ondas é tamanha que a relação com mar vai se transformar em um documentário, o “Espelho d’Água”, com produção já iniciada. Com imagens feitas em Mentawai, na Indonésia, Diogo foi em maio deste ano também para a Nicarágua para surfar e filmar. “Pretendo voltar para a Indonésia para surfar mais, e tenho o desejo de conhecer as ondas do México e de El Salvador.”

 

Diogo Nogueira surfando - Foto: Divulgação

Diogo Nogueira surfando – Foto: Divulgação

 

A proximidade com as águas se reflete em suas músicas, nos seus shows e nos videoclipes. Em dezembro do ano passado lançou “Bota Pra Tocar Tim Maia”, primeiro single do repertório do projeto audiovisual “Samba de Verão” – filmado dentro de uma balsa num palco de 500m todo cenografado na Marina Center, em Niterói, com a vista privilegiada do Rio de Janeiro e a silhueta dos morros da cidade ao fundo. Lançados já em 2021, o primeiro álbum do projeto foi “Sol”, seguido de “Céu” e “Lua”, com as participações especiais de Zeca Pagodinho e Grupo Fundo de Quintal.

Em turnê com “Samba Verão”, Diogo Nogueira voltou aos palcos e tem shows programados para este mês no Teatro Bradesco, na capital paulista, e nos Arcos da Lapa, no Rio, em dezembro. “A pandemia impactou todo o nosso trabalho, todas as equipes de som e bastidores foram muito afetadas, mas agora estamos voltando, vacinados”, celebra.

E o sol, o mar e a areia não são os únicos elementos que compõem o amor de Diogo por sua cidade natal. “Gosto de tudo no Rio de Janeiro, da boemia, da Lapa, das rodas de samba, da leveza de poder colocar um chinelo no final do dia, da infância que tive com brincadeira na rua, com pipa e pique bandeira, de Rocha Miranda, dessa beleza toda.”

Apaixonado, sim

A principal fonte de inspiração para novas músicas agora tem nome, rosto e talento também conhecidos pelo público. Namorados, a atriz Paola Oliveira é a musa de Diogo, e ela ganhou uma nova canção do cantor, “Flor de Canã”. Inspirada no rum da Nicarágua, cheio de perfume e sabor, a música – lançada no final de outubro nas plataformas digitais – celebra a bebida que o casal descobriu e o compartilhamento de muitos gostos. “A gente adora as mesmas coisas, na minha viagem para a Nicarágua descobri esse rum e não via a hora de apresentar para ela, acabei trazendo para o Brasil e ela também gostou!”. E ainda canta, apaixonado: “Morri no mojito da tchica, paixão é o silêncio que grita”.

Dos copos para a mesa, Diogo Nogueira coloca avental, arregaça as mangas e se arrisca no fogão. Durante a quarentena, explorou ainda mais o gosto pela cozinha e elencou 20 receitas que faz bem, e com muito jeito, no seu novo e-book “Diogo na Cozinha”, lançado em 2020.

 

Diogo Nogueira com o apresentador Rodrigo Hilbert, se aventurando na cozinha no programa "Tempero de Família" - Foto: Ney Coelho

Diogo Nogueira com o apresentador Rodrigo Hilbert, se aventurando na cozinha no programa “Tempero de Família” – Foto: Ney Coelho

 

Entre frutos do mar, aves, carnes e sobremesas, os pratos carregam histórias de afeto, de viagens e de muitas reuniões entre família e amigos regadas a samba e alegria. “Samba e cozinha têm tudo a ver, as rodas começam cedo e vão até tarde, é preciso muita comida para manter a energia da rapaziada, lá em casa o dia começava e terminava na cozinha.” Cortando legumes e verduras para a mãe e a avó, Diogo aprendeu a cozinhar com gosto, outro aprendizado que veio de casa, assim como a música e o carisma oriundos do pai, do samba, do Rio de Janeiro e do Brasil.

 

Samba de breque

Uma música de João Nogueira?
Além do Espelho

Uma música de Diogo Nogueira?
Flor de Caña

Uma viagem inesquecível?
Fernando de Noronha

Uma tarde perfeita?
Surfando

A receita tradicional da família Nogueira?
Caruru do João

Primeiro o samba, e depois?
Me embriagar de prazer com meu amor

Um desejo para o Brasil?
Educação e cultura

 

Diogo Nogueira - Foto: Marcos Hermes

Diogo Nogueira – Foto: Marcos Hermes

 

Maitê Proença encara seus traumas e revisita alegrias em peça autobiográfica

Maitê Proença encara seus traumas e revisita alegrias em peça autobiográfica

De 13 a 25 de novembro Maitê Proença volta aos palcos dos teatros com a peça autobiográfica “O Pior de Mim”, que será encenada em Fortaleza, Belo Horizonte e Porto Alegre. No espetáculo, que estreou em setembro de 2020 em transmissões online e pela TV e reuniu uma plateia de mais de dois milhões de pessoas, a atriz revisita a sua vida, revelando ao público sua face mais escondida. “Aquela que nem eu mesma tinha coragem de bisbilhotar”, ela diz.

Dirigida por Rodrigo Portella, a montagem é um dos trabalhos mais corajosos dessa atriz premiada, conhecida por suas personagens no teatro, na TV e no cinema, em mais de quatro décadas de atuações.

Na peça, Maitê reflete sobre traumas e memórias desde a infância. Uma autoanálise em que expõe fragilidades e feridas profundas como a morte da mãe, assassinada pelo pai da atriz em 1970, quando ela tinha apenas doze anos. Nessa época, Maitê foi viver em um pensionato com o irmão caçula; o pai, absolvido em dois julgamentos, se internou em um manicômio. Tempos depois ele se matou e o irmão mais velho também tirou a própria vida.

Além de repassar a sua história, a atriz de 63 anos, mãe de Maria e recente avó de Manuela, fala de machismo, misoginia e preconceitos que enfrentamos no nosso país. Tudo com intensidade, mas também com humor, como é próprio de sua verve.

Ansiosa para viver esse reencontro direto com o público após meses de reclusão e distanciamento na pandemia, Maitê conta também nessa entrevista sobre seu momento e suas emoções.

 

Maitê Proença em “O Pior de Mim” – Foto: Dalton Valerio

 

A peça “O Pior de Mim” foi indicada ao prêmio APTR e considerada um dos melhores espetáculos desde o início da pandemia. O que a levou a mergulhar nesse trabalho e que resposta você teve do público com as apresentações online?
Eu estava confinada como toda gente e reduzida a poucos entretenimentos. O Instagram, antes secundário, virou uma ponte para o mundo. Só havia pessoas felizes ali, cheias de amigos, bem-sucedidas, com a pele fulgurante. Inevitável se sentir um lixo por comparação. Todos nós já tão combalidos, e nas redes o mundo dos moranguinhos. Pensei: por que não mostrar o que não deu certo, as grandes frustrações, os fracassos? O público respondeu fortemente porque, ao abrir minhas mazelas, batia no mesmo lugar dentro da vida de quem assistia. O teatro faz você se visitar, mas sem que seja tão penoso, porque você revive, mas passando pelo filtro das experiências do outro. E aí, não se sente só.

O que você espera dessa turnê ao vivo em três capitais?
Estou muito feliz e ansiosa com o contato direto com o público. A peça não é para baixo, pelo contrário, ela dá vontade de sacudir a poeira e abraçar a vida, tem bom humor, energia. Vai ser maravilhoso voltar aos palcos e sentir o calor das pessoas!

O que foi mais difícil nessa imersão em que você apresenta à plateia a sua parte mais trágica?
Não conto fatos pelos fatos, mas sempre para ilustrar algo que eu não vi quando estive presa naquelas situações, e que hoje eu já consigo olhar e entender, eu consigo sanar.

Foram muitas perdas para uma criança, um trauma doloroso. O que você falaria hoje para essa menina de doze anos que se viu sozinha da noite para o dia?
Eu estou aqui para te pegar no colo hoje. Nunca é tarde.

 

Maitê Proença na sala de aula da Escola Americana de Campinas, aos nove anos - Foto: Arquivo Pessoal

Maitê Proença na sala de aula da Escola Americana de Campinas, aos nove anos – Foto: Arquivo Pessoal

 

Mesmo diante de tantas adversidades, você sempre sacudiu a poeira e foi se reinventando. O que a inspira?
Eu olho para fora e vejo o outro, vejo os pássaros, as ondas do mar, isso me inspira. O olhar para dentro é bom se a gente vai “arrumar a casa”, mas depois tem que sair dali. O umbigo é pequeno e atrofia o espírito se for só ele que conseguimos ver.

Quais lembranças você tem de Campinas, onde passou a infância?
Nasci na cidade de São Paulo porque vivíamos em Ubatuba, que era uma aldeia, e minha mãe preferiu parir em um hospital. Mais tarde fui morar em Campinas, onde tive uma infância solta, livre, campestre. A vinte minutos do centro havia montanhas e as cachoeiras mais lindas. Meus pais trabalhavam muito e eu saía pelas redondezas, de carona, de bicicleta, e me comunicava com os amigos em tupi guarani, que nós aprendemos para nos sentirmos ainda mais integrados com as belezas a nossa volta.

O que o teatro trouxe para sua vida?
A capacidade de sentir. Depois de todos esses traumas, eu teria me fechado em copas, não fosse o ofício do teatro. Na juventude, comecei a viajar bastante e depois mergulhei na dramaturgia. Por precisar dos sentimentos para desempenhar, ser atriz me salvou de um deserto emocional.

Durante a pandemia você começou a se expressar mais pelas redes e a ganhar seguidores. O que esse relacionamento significa para você?
Uma ponte contra a solidão. Sou uma pessoa que lê e tem vida interior, me mexo, canto, danço. Mas o contato humano é insubstituível.

 

Maitê Proença - Foto: Divulgação

Maitê Proença – Foto: Divulgação

 

Quais são os planos para o futuro próximo?
Não sou de grandes decisões, sigo apenas, um dia após o outro. Temo que, de outra forma, não daria conta, ficaria tudo sufocante. Aos poucos, sem muitos planos, só os pequenos, vou assimilando cada mudança sutil e me adaptando, seguindo minhas setas internas, para onde elas apontam. Mas tem coisas acontecendo. Eu me tornei produtora orgânica, com amigos, estamos plantando para vender num esquema agroflorestal. A peça “O Pior de Mim” deve virar livro num formato ampliado. E haverá uma versão revisada do meu livro “Uma Vida Inventada”, cujas edições se esgotaram há muito.

E o coração? Em março, você escreveu que buscava um amor, alguém que soubesse velejar, e hoje está feliz ao lado da cantora e compositora Adriana Calcanhoto. Que ventos trouxeram esse novo amor?
Eu estava brincando quando disse que procurava alguém, nem seria possível fazer experiências amorosas no meio de uma pandemia, sem vacinas. E a Adriana é adorável, única, mas não sabe velejar. Nem eu. Estamos aprendendo sobre os ventos com barquinhos de papel.

Como começou esse projeto bacana que você faz no Instagram, falando de grandes mulheres da história?
Foi há três anos, e desde então eu posto três vezes por semana, no Instagram e no YouTube, histórias de mulheres desbravadoras, singulares e corajosas que abriram as portas para todas nós em um mundo que já foi muito mais masculino. Mulheres na ciência, nas artes, na literatura, na política e no ativismo. Aventureiras, piratas, tem de tudo. Muita gente gosta e eu adoro porque ao pesquisar acabo também aprendendo muito com nossas precursoras. Há filmes sobre algumas delas, outras caíram no esquecimento. Quem sabe um dia eu produza, dirija, escreva um roteiro ou ainda interprete alguma dessas grandes mulheres…

 

Maitê Proença - Foto: Divulgação

Maitê Proença – Foto: Divulgação

 

Você se posicionou algumas vezes sobre o atual governo e o desmonte cultural e ambiental que vem sufocando o Brasil. Como você vê o país e as eleições de 2022?
Tudo já foi dito. É uma tragédia criminosa o que acontece na saúde. Nossas florestas vão sendo derrubadas com as consequências que temos visto em forma de incêndios, pouca chuva etc., e o futuro ainda dirá se conseguiremos reverter os estragos da ignorância. E tem a educação, para qual nenhum governo – desde Dom Pedro – deu bola, essa é a verdade. Preferem um povo desinformado, manso, manipulável. Mas com a atual administração pelo avesso, tanto a educação como as artes, que são a forma de expressão de um povo, jamais foram tratadas com tamanho desprezo. Ficaremos ainda mais atrasados em relação ao resto do mundo. Temos o país mais belo e cheio de riquezas naturais, e ainda assim somos párias. Mas sonho com o melhor para todos, acredito nas pessoas, sou otimista. Precisamos de disposição, saúde e fé na caminhada. Sempre, todo dia.

Com a liberação das fronteiras para a França, turistas apostam em roteiros fora do comum na capital do país

Com a liberação das fronteiras para a França, turistas apostam em roteiros fora do comum na capital do país

A espera de quase um ano e meio pela abertura da França trouxe uma transformação para o turismo no país. Agora, além dos clássicos, Paris reativa a liberação das fronteiras com roteiros exclusivos e fora do circuito comum. Desbravar a cidade sob um ponto de vista diferente é uma tendência do novo momento. Por isso, agências brasileiras com base na capital francesa têm recebido cada vez mais pedidos de experiências sem pressa e únicas. As empresas organizam roteiros personalizados que podem passar pelas artes, gastronomia e perfumaria.

Com sede em São Paulo e Paris, a agência Moncompass, por exemplo, realiza um tour por acervos de colecionadores. É a oportunidade de conhecer a cultura parisiense por meio de pequenos e desconhecidos museus. O tour, que geralmente passa por até três locais, é realizado por profissional credenciado pelo Ministério da Cultura e do Turismo da França. Muitos pontos eram residências de ilustres moradores e, hoje, por toda a riqueza do patrimônio, transformaram-se em museus.

 

Foto Divulgação | Jacquemart-André Musée

 

As visitas incluem lugares preciosos como o Jacquemart-André Musée, que fica em uma residência do século 19 e abriga centenas de obras de arte, como a pintura “A Virgem” e “A Criança”, do italiano Sandro Botticelli, e “A Ceia em Emaús”, de Rembrandt. A Maison Victor Hugo também pode estar no passeio, com exposições fixas e itinerantes – entre elas, a coleção de desenhos do poeta e romancista.

Uma viagem a Paris pode ser a chance de conhecer de perto o mundo da confeitaria. O Tour Pâtisserie aproxima visitantes de biscoitos, chocolates, tortas, brioches, macarons e éclairs. Conduzido por um profissional da área, o roteiro inclui ainda história, sabores e técnicas da gastronomia francesa. O tour, com duração de três horas, percorre bairros como Marais e St. Germain. Um dos programas é vivenciar um dia em um ateliê prático na École Ritz Escoffier – tradicional escola que forma profissionais há mais de 30 anos e foi iniciada por Auguste Escoffier, primeiro chef do hotel Ritz Paris e pioneiro da cozinha moderna do país.

 

Foto Gabi Alves | Tour Pâtisserie

 

Diferentes sensações

Para quem gosta de tecnologia e quer variar os roteiros, a agência Turismo Francês indica a Fly View 360, que é novidade na cidade. Equipamentos de realidade virtual levam a uma viagem inédita por lugares como Torre Eiffel, Arco do Triunfo e até pelos telhados de Montmartre – bairro boêmio de Paris –, sob diferentes ângulos e paisagens difíceis de serem avistadas presencialmente. Cada experiência dura 35 minutos e custa a partir de 19,50 euros.

Outro programa inusitado é criar o próprio perfume na Fragonard, uma das perfumarias mais tradicionais da França. O workshop de uma hora e meia é comandado por um perfumista. O encontro ocorre na loja conceito, próxima à famosa Opéra Garnier, e resgata aromas da infância e das emoções sentidas a partir dos cheiros. A programação inclui visita pelo Museu do Perfume e custa cerca de 70 euros. Sem dúvida, se você já conhece Paris ou viaja pela primeira vez à cidade, experiências diferentes fazem com que a abertura das fronteiras tenha um sabor especial.

 

Foto Anelise Zanoni | perfumaria Fragonard

 

E encontrar um hotel bem localizado na capital francesa facilita a vida do viajante, mesmo daqueles que já conhecem bem a cidade. O Hotel Plaza Étoile fica a poucos passos do Arco do Triunfo e da Avenida Champs Elysées. Moderno e compacto, é decorado com mobiliário minimalista e a diária inclui café da manhã. A cinco minutos de caminhada das Galeries Lafayette – conhecida loja de departamentos francesa –, o Hotel Hélios Ópera tem peças de designers na decoração. Alguns quartos contam com varanda com vista para prédios históricos e as opções deluxe e executivo incluem cafeteira Nespresso, roupões e chinelos personalizados.

Novos tempos, novos procedimentos

A França abriu fronteiras em julho para os brasileiros com ciclo vacinal completo. São aceitas as vacinas autorizadas pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA): Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Johnson & Johnson. Vacinados com Coronavac devem receber uma dose de reforço de um imunizante aceito pela EMA. Para entrar no país é preciso obter um passe sanitário, que pode ser solicitado no site criado pelo governo (https://br.ambafrance.org).

Hotel Hélios Ópera
75 Rue De La Victoire – 75009 Paris – France
Diárias na faixa de 160 ¤.

Hotel Plaza Étoile
21 Avenue De Wagram – 75017 Paris – France
Diárias na faixa de 150 ¤.

Escolas e ateliês da capital paulista incentivam a criatividade em aulas culturais

Escolas e ateliês da capital paulista incentivam a criatividade em aulas culturais

O confinamento de muitos meses, aliado à suspensão das aulas presenciais, incentivou muitas crianças a encontrarem novas brincadeiras que, de preferência, não envolvessem sair às ruas. Agora, com o avanço da vacinação e o retorno gradativo das atividades culturais, já é possível pensar em diversão para além da sala de casa. Em São Paulo, escolas de arte acompanham esse movimento de retomada e aliam lazer e aprendizado em aulas para todos os gostos e idades.

 

Foto Divulgação | Peça “A Christmas Carol” do Estúdio Broadway

 

No Estúdio Broadway, como o nome já anuncia, os alunos são apresentados ao universo mágico do teatro musical. Localizado no Morumbi, o espaço é dirigido pela bailarina e coreógrafa Fernanda Chamma, que esteve por trás de espetáculos como “A Família Addams” e “Mudança de Hábito”. A escola oferece aulas de canto, interpretação, jazz e sapateado para crianças a partir dos sete anos de idade. Com a proposta de formar pequenas estrelas, os cursos são ministrados por profissionais reconhecidos no segmento, como o ator e dublador Arthur Berges (de “Escola do Rock”), a bailarina Mariana Nogueira (de “Cantando na Chuva”) e a própria Chamma. As matrículas ficam abertas durante o ano todo e podem ser realizadas no site www.estudiobroadway.com.br.

Já na escola de artes criativas Gare, na Vila Mariana, os pequenos são convidados a exercitar a imaginação por meio das artes plásticas. Tem curso de desenho, pintura a guache, ilustração digital, design de moda e até oficinas de história em quadrinhos, para produção de roteiros e criação de personagens em cartum. Funcionando, no momento, em modelo híbrido, com aulas presenciais e online, a Gare possui ainda um espaço próprio para exposição dos trabalhos desenvolvidos pelos jovens artistas. Toda a programação pode ser acompanhada em www.garecultural.com.br.

E se a intenção é gastar a energia acumulada nesses meses de isolamento, uma possibilidade é apostar nas experiências lúdicas do Galpão do Circo, na Vila Anglo. Há opções para todas as faixas etárias: dos quatro aos sete anos, os alunos são introduzidos ao universo circense com brincadeiras e exercícios de coordenação motora e consciência corporal; dos seis aos nove, se aventuram em aulas de ginástica artística; e dos oito aos doze, podem se arriscar em cursos de modalidades aéreas, como trapézio e tecido acrobático. Ao final de cada módulo, o aprendizado é celebrado em apresentações abertas às famílias. A grade de aulas está disponível no site www.galpaodocirco.com.br.

 

Foto Divulgação | Apresentação de alunos do Galpão do Circo