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Ex-jogador de futebol do São Paulo e da Seleção Brasileira, Raí lidera iniciativas sociais e educativas no país

Ex-jogador de futebol do São Paulo e da Seleção Brasileira, Raí lidera iniciativas sociais e educativas no país

Raí se firma como voz ativa em prol das políticas públicas pelo esporte, pela educação e pelas cidades. O mestrando em ciência política e ex-jogador de futebol divide seu tempo entre a rotina de sua admirada fundação e a conexão Paris-Brasil

O clima é de copa do mundo ainda neste mês, mas há muitos outros assuntos para se discutir antes de o ano acabar. Se há um ex-jogador de futebol que foi capitão da Seleção Brasileira e se destacou no Brasil e na Europa que sabe refletir sobre temas para além da modalidade é Raí, natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Aos 57 anos, o tetracampeão do mundo pela Seleção Brasileira, eterno camisa 10 do São Paulo Futebol Clube e ex-atleta adorado do Paris Saint-Germain é articulado e engajado em causas sociais há décadas.

Irmão do também ex-jogador Sócrates, ídolo do Corinthians e símbolo da luta pela democracia, Raí carrega a consciência política como característica intrínseca de sua família. “Quem nos inspirou foi nosso pai, Raimundo. Ele foi autodidata, teve que sair da escola aos 13 anos, e, mesmo depois de ter filhos, estudava, adorava os filósofos gregos”, conta. Veio dessa imersão paterna na filosofia o nome dos irmãos em homenagem aos ícones da História Ocidental. Além de Sócrates, tinha também Sóstenes e Sófocles dentro de casa. Ele chegou anos depois, é o caçula, e assegurou um nome menos pomposo, mas ainda assim forte.

Conhecedor do entorno dos campos, o ex-craque foi pioneiro em se dedicar aos direitos humanos e, principalmente, à educação depois que saiu dos gramados. À frente da Fundação Gol de Letra, fundada em 1998, ao lado do parceiro de Seleção Leonardo, ele abriu as portas para a mobilização no meio esportivo. “Para alcançar um país mais justo, é preciso uma sociedade civil organizada, e os atletas não podem ficar para trás.”

Foto Stéphane Mantey

Foto Stéphane Mantey

 

Apaixonado por cinema e pela vida urbana, a sensibilidade do ex-jogador ainda se volta à arte. Ele é sócio do Cinesala, charmoso cinema de rua no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Foi ali que Raí recebeu a equipe da 29HORAS para uma conversa sobre política, cultura e, como não poderia deixar de ser, uma pitada de futebol.

Conta um pouco sobre como surgiu a ideia de montar um cinema de rua em São Paulo. O que esse espaço significa para você?
Somos quatro sócios apaixonados por cinema, principalmente aqueles de bairro, urbanos. O Cinesala virou um projeto de resistência, porque não existem opções parecidas na cidade. Quando morei em Londres, em 2006, vivia perto do Eletric Cinema (em Portobello). O Paulo Velasco, meu amigo, um dos sócios e diretor criativo do projeto, veio me visitar, e assim pensamos em montar um cinema de rua parecido com aquele. Queríamos aquela referência, pensando em dar um retorno à cidade que amamos, em construir um lugar que se articulasse à rua. Foi um apanhado de amor pela arte, pelo cinema, tudo isso em diálogo com a vida urbana. Sou apaixonado por Woody Allen e Walter Salles, que representam o que gosto nos filmes, e o Cinesala materializa o que adoro no cinema.

A sua atuação fora de campo é muito extensa há décadas, e a Fundação Gol de Letra representa seu envolvimento social. Hoje você faz mestrado em Ciência Política pela Sciences Po, em Paris. O que você está estudando e o que pretende com essa pesquisa?
Fazia um tempo que queria voltar a morar em Paris e retomar os contatos que fiz por lá. Eu me interesso muito pela área de Ciência Política, e minha experiência nos projetos sociais me instigou a querer ir além e a fundo nos estudos. Então, eu uni as duas coisas. A ideia da minha pesquisa é entender como os espaços com formação esportiva e cultural podem impactar uma cidade pequena, como alguma do Nordeste, por exemplo, que é a minha origem e a dos meus pais. Existem poucos exemplos disso no país, vemos as escolas desarticuladas dos clubes onde há práticas esportivas, e as escolas de teatro também estão fora das instituições de ensino, em outro lugar. Quero estudar casos de sucesso para construir uma política pública que integre tudo isso, que seja o centro do desenvolvimento humano e econômico de uma cidade e talvez de toda uma região. Por que não?

E de onde veio toda essa consciência social e política? Para além do seu irmão, o Sócrates, que era engajado com temas como a democracia, seus pais também discutiam esses assuntos em casa?
Éramos seis filhos homens em casa. Quem nos inspirou foi nosso pai, Raimundo, descendente de africanos. Ele foi autodidata, teve que sair da escola aos 13 anos, e, mesmo depois de ter filhos, estudava, adorava os filósofos gregos… por isso os nomes dos meus irmãos: Sócrates, Sóstenes, Sófocles. Ele sempre foi uma pessoa interessada em investigar a injustiça social do Brasil e, por causa de sua origem, quis mostrar tudo isso aos filhos. Todo ano ele nos levava para a periferia de Fortaleza, lugar onde ele cresceu. Nosso pai também estimulava muito a discussão, fazia provocações a respeito do que estava estudando… Lembro que certa vez, quando eu tinha uns 12 anos, ele me parou no corredor de casa e me perguntou “o que é cultura para você?” Naquela idade eu nem sabia o que responder, mas ele foi me explicando, era muito preocupado em despertar o conhecimento, principalmente sobre temas ligados ao coletivo.

Sua infância foi em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo…
Sou o mais novo dos filhos. Fui criado em Ribeirão, depois que meu pai já havia sido transferido para cá. Eu me identifico muito com esse espírito interiorano, livre e pé no chão. Sou um cara com essa mistura de origem nordestina com interior paulista.

Qual é a memória mais marcante que você carrega do seu irmão e também ex-jogador de futebol, Sócrates?
São muitas! Eu assistia aos treinos do Botafogo de Ribeirão Preto, quando ele jogava e eu era menino. A lembrança mais marcante para todos é o período da Democracia Corintiana, o envolvimento político dele, que me impactou também. Já os nossos momentos mais íntimos, como irmãos, conseguiríamos compartilhar apenas depois da carreira dele, porque tínhamos 11 anos de diferença. Ele vinha para São Paulo e ficava na minha casa, trocamos mais figurinhas nesse período. Eu admiro muito a coragem dele, de expor as ideias, era um cara muito autêntico, obcecado pela liberdade de todos.

Por que é raro ver jogadores de futebol envolvidos com temas sociais e políticos hoje? É difícil vê-los se posicionando até mesmo sobre assuntos importantes para o esporte, como a igualdade de condições entre as modalidades masculinas e femininas…
Isso acontece por diversas razões. A grande maioria dos jogadores vem de famílias mais humildes e não teve acesso a uma formação mais ampla para ter essa consciência, de tudo que se passa no entorno. O ponto mais preocupante é que existe uma tendência ao individualismo entre esses atletas, que vejo como algo mais geracional, seja por causa da comunicação que se dá por meio de redes sociais, ou pelo fato de que cada atleta representa uma marca, é uma empresa…tudo leva a um pensamento menos coletivo.

Você foi um jogador de futebol muito atento ao entorno. Quando foi jogar na Europa, escolheu a França também por um aspecto mais pessoal. Como a cultura francesa te atravessa? Qual é o seu lugar favorito em Paris?
Tenho uma identificação muito forte com a França. Minha primeira formação foi História e sempre fui apaixonado pela Revolução Francesa e todo aquele movimento. É um país com histórico de resistência, de origem dos direitos humanos. Quando se vive naquela sociedade, você percebe uma preocupação com o que é público. Lembro que quando fui para lá, nos anos 90, uma pessoa nos acompanhou para fazer os trabalhos domésticos e levou sua filha. Lá, a minha filha e a dela estudavam no mesmo colégio e eram acompanhadas pelo mesmo médico. Esse é o lado daquele país que eu mais admiro, esses valores intocáveis de educação pública, saúde para todos, uma vida digna… Hoje eu moro no centro de Paris, em um bairro que se chama Le Marais, no coração da cidade, é perto de tudo! Ali, o que mais gosto é andar de bicicleta. Frequento o Centro Georges Pompidou, um centro cultural que adoro e tem muita vida.

 

Foto Reprodução PSG

Foto Reprodução PSG

 

Você cresceu entre irmãos homens e hoje é pai de três filhas e avô de uma neta. Como é estar agora em um ambiente familiar tão feminino?
Tive a sorte de ter sido o caçula, tive proteção dos irmãos e de todo mundo. Viver entre tantas mulheres é um grande aprendizado. Para quem cresceu em um tempo ainda mais machista do que hoje, no meio só de homens, é uma evolução contínua e muita rica. Eu vejo como um grande privilégio! Durante a minha adolescência, convivi muito com a minha mãe, dona Guiomar, porque meu pai viajava bastante a trabalho, e esse período serviu como um estágio para o pai de mulheres que eu viria a ser (risos).

Você está à frente da Fundação Gol de Letra, ao mesmo tempo que valoriza a democracia e a horizontalidade. O que é ser um líder ou capitão para você? Quais líderes te inspiram atualmente?

Eu aprendi a desenvolver meu lado líder, porque fui um jovem muito tímido, exageradamente tímido. Ficava sem graça por tudo, não gostava de falar em público, na frente dos colegas na escola, ficava nervoso…então o esporte me ajudou bastante, na minha socialização mesmo. Aos poucos, percebi que meu lado introvertido não era um impedimento para me tornar um líder.
Falo em palestras que não existe um perfil único de liderança, são diferentes tipos de líderes! Tem aquele líder natural, como foi o Sócrates; tem o líder que cobra mais; tem aquele mais diplomático e agregador, que é o meu estilo; e ainda existem aqueles líderes que se destacam pela experiência de vida. E vai sempre ter o capitão, e eu fui no Botafogo de Ribeirão Preto, com 22 anos, depois no São Paulo por muitos anos, na Seleção Brasileira por quase quatro anos e no Paris Saint-Germain. Meus amigos na adolescência, e até mesmo eu, jamais imaginaríamos isso, então sei que é algo que se pode desenvolver. Um líder atual que admiro é Obama, ele tem uma habilidade de oratória incrível, seus discursos são sempre humanos e impactantes.

Foto Rafael Amaro

Foto Rafael Amaro

 

O legado da Fundação Gol de Letra foi justamente ter aberto portas para que outros jogadores se tornassem líderes fora de campo no país?
Quando começamos, em 1998, o estatuto da Fundação já dizia que nosso foco seria trabalhar com crianças e jovens em situação de risco social. E outro ponto importante também era mobilizar o meio esportivo. Fomos pioneiros entre os atletas que se envolvem em ações sociais, não apenas ajudando ou fazendo campanhas pontuais, o que já é uma grande ajuda, mas que estão no dia a dia de uma ONG. Algo que aprendi, depois da Gol de Letra, é que para se ter um país mais justo é preciso de uma sociedade civil organizada, e os atletas não poderiam ficar para trás.

 

Foto Rafael Amaro

Foto Rafael Amaro

 

Entre os jovens jogadores, e recentes revelações em times brasileiros e europeus, quem você vê brilhando nos próximos anos? E quais conselhos você daria a eles?
O Rodrigo, que está no Real Madrid, será referência pelo estilo de jogo e ainda vai amadurecer. O Richarlison, titular na Copa do Mundo, também se destaca. Meu conselho é que o futebol é um fenômeno de massa, um dos maiores que há, então que eles se preparem, porque se tornarão referências. Invistam na formação humana, busquem conhecimento para além do futebol!

Multitalentosa, Lucy Alves brilha como atriz na novela ‘Travessia’ e, na música, faz sucesso com seu mix de forró e pop

Multitalentosa, Lucy Alves brilha como atriz na novela ‘Travessia’ e, na música, faz sucesso com seu mix de forró e pop

Artista de múltiplos talentos, Lucy Alves fecha 2022 em um momento mais do que especial da sua vida, consolidando sua carreira musical e, como atriz, protagonizando a novela exibida no horário mais nobre da tv brasileira

Nascida em João Pessoa há 36 anos, a pequena Lucyane Pereira Alves chamava a atenção desde os 4 aninhos de idade com seu talento ao tocar violino no Projeto Formiguinhas, na Orquestra Infantil da Paraíba e na Camerata Izabel Burity. Em 2013, tornou-se nacionalmente conhecida ao brilhar com sua voz e sua sanfona no “The Voice Brasil”.

De lá para cá, muita coisa aconteceu em sua trajetória profissional, que não mais se limita à música: atualmente, a linda e arretada Lucy Alves entra toda noite na casa de milhões de brasileiros interpretando a corajosa Brisa protagonista da novela “Travessia”, da TV Globo.

Lucy Alves - Foto Luciana Izuka

Lucy Alves – Foto Luciana Izuka

 

Vivenciando um período absolutamente especial em sua jornada, ela abriu espaço em sua atribulada agenda de gravações para falar de seus projetos, de sua música, de fake news, das coisas boas que deseja para todo mundo em 2023 e da representatividade que sua presença em um papel de destaque agrega à principal novela da TV. “Precisamos nos reconhecer na TV, no cinema, na música e mostrar a cara desse país tão grande e diverso.”

Veja os principais trechos da entrevista que ela concedeu à 29HORAS:

Há menos de 10 anos, o Brasil te descobriu, no “The Voice” de 2013. De lá para cá, você lançou quatro álbuns, se apresentou duas vezes no Rock in Rio, foi indicada ao Grammy Latino, entoou na Marquês de Sapucaí o enredo da Imperatriz Leopoldinense, fez teatro, estrelou uma minissérie na Netflix e atuou em cinco novelas. E no final deste mês vai ser a convidada especial de Roberto Carlos em seu especial natalino. Lá atrás você conseguia imaginar que tudo isso um dia fosse acontecer?
Não imaginava tantas conquistas desse nível, dessa dimensão. Meus caminhos foram sendo construídos de uma forma fluída, mas claro, sempre querendo produzir e fazer o que mais amo que é arte. E aí tudo foi se conectando. Viver fazendo o que gosto é muito prazeroso e não há limites quando há desejo e sonhos. Sigo construindo e sonhando.

 

Lucy Alves como cantora e sanfoneira no "The Voice Brasil" (2013) e - Foto TV Globo | Divulgação

Lucy Alves como cantora e sanfoneira no “The Voice Brasil” (2013) e – Foto TV Globo | Divulgação

 

O que ainda te falta, já que, com apenas 36 anos, você já coleciona mais realizações do que artistas com décadas de carreira? Qual o seu sonho ainda não concretizado? Quem são seus grandes ídolos na música e nas artes dramáticas?
Pretendo fazer filmes, produzir trilhas e fazer concertos pelo mundo. Gostaria de roteirizar, atuar, cantar e produzir algum filme qualquer dia também. Eu amo nossos artistas brasileiros acima de tudo, então sempre tive muita paixão por Gilberto Gil, Gal Costa, Bethânia, Luiz Gonzaga e Sivuca. Michael Jackson, Stevie Wonder e Rosalía são outros que amo. Da nova geração aqui do Brasil, eu adoro o trabalho da Agnes Nunes, Xamã e Glória Groove. Fernanda Montenegro, Glória Pires, Marieta Severo e Antônio Fagundes são referências fortes na dramaturgia para mim. Na real, muita gente me inspira.

 

Lucy como atriz ao lado de Domingos Montagner em cena da novela "Velho Chico" (2016) - Foto Estevan Avellar | TV Globo

Lucy como atriz ao lado de Domingos Montagner em cena da novela “Velho Chico” (2016) – Foto Estevan Avellar | TV Globo

 

Nesse exato momento, você se sente mais atriz ou mais cantora? Se mais para a frente na sua trajetória profissional você tiver que optar por um desses dois caminhos, já tem alguma ideia de qual será a sua escolha? Ou você acredita que essas duas carreiras podem seguir em paralelo, indefinidamente?
Não consigo mais dissociar uma coisa da outra, na verdade. Sou uma artista de múltiplas possibilidades. Amo cantar, compor, fazer shows e adoro atuar também. Vivo experiências de vida nunca tidas nas novelas. Isso me faz crescer imensamente. Não me vejo escolhendo um ou outro. Eu sou os dois.

 

Em alguns trabalhos, aliás, você teve a oportunidade de exercitar esses seus dois talentos, como na peça “Nuvem de Lágrimas”, na minissérie “Só Se For Por Amor” e até na sua participação com leoa em “The Masked Singer”. Essa é a sua praia, é onde você se sente mais à vontade? Ou é apenas mais uma possibilidade profissional? Fale um pouco mais de como foi a experiência de atuar e cantar em “Só Se For Por Amor”.
Foram trabalhos onde pude usar muitas das ferramentas que carrego comigo. Eu gosto disso porque tenho a oportunidade de fazer as coisas que eu mais amo de uma só vez! Estar em “Só Se For Por Amor”, na Netflix, foi muito lindo. Trata-se de uma série bem brasileira com muitos talentos diferenciados envolvidos. Foi doce, leve e uma homenagem ao Brasil.

 

Lucy como atriz, cantora e sanfoneira na minissérie "Só Se For Por Amor (2022), da Netflix -Foto Netflix | Divulgação

Lucy como atriz, cantora e sanfoneira na minissérie “Só Se For Por Amor (2022), da Netflix – Foto Netflix | Divulgação

 

Você surgiu como sanfoneira, mas pouca gente sabe que você é formada em música e sabe tocar mais de dez instrumentos, como violino, piano e guitarra. Na sua autoavaliação, em qual deles você manda melhor? Em qual deles você imagina uma música quando está compondo, quando está sonhando?
Eu amo tocar instrumentos. Por muito tempo gostei muito mais de tocar do que de cantar. Eu acho que mando muito bem no bandolim, no baixo e na sanfona. Sinto muito prazer e realmente acho que mando bem. Adoro compor no piano e no violão. Sempre procuro esses dois e, depois da música pronta, vejo em qual outro instrumento ficaria mais interessante.

Você despontou nacionalmente como uma forrozeira bem “raiz”, apostando numa sonoridade tradicional e em clássicos do gênero. Mais recentemente, vem investindo em canções mais pop, com toques de piseiro e até de música eletrônica. Para onde caminha o forró, a seu ver?
O forró hoje ganhou grandes proporções e faz parte da música pop brasileira. Tive a oportunidade de viver seu lado mais raiz, com o grupo musical que tinha com a minha família o Clã Brasil, e hoje também canto e toco o forró do meu jeito, com todas as influências que absorvo por aí. O forró, assim como o samba, é um gênero forte que sempre terá a sua batida inicial mantida. Variações sobre ele sempre surgirão, afinal o novo sempre vem. Mas fico feliz com o espaço, com o reconhecimento e com o momento que o forró vem vivenciando. É um gênero muito brasileiro e representativo da nossa gente. Espero que ele ganhe fortemente o mundo, assim como o funk, por exemplo, que vem rompendo barreiras.

Em “Perigosíssima”, o álbum que você lançou em meados deste ano, você interpreta canções que revelam uma mulher independente, quente, empoderada e livre. Você também é assim, ou é mais um personagem?

Sou total “Perigosíssima”! Uma mulher assim muitas vezes é considerada um “abuso” diante da sociedade. Eu sou dona das minhas vontades e decisões, sou independente, faço o que quero e cada vez mais me utilizo disso tudo para ser empoderada e livre nesse mundo machista, misógino e, muitas vezes, repressor. Seguimos em frente!

E na TV, agora como a Brisa da novela “Travessia”, você acredita que tem algo de seu na personagem? O que a Lucy e a Brisa têm em comum?
Acho que ambas somos mulheres corajosas, destemidas, fortes e doces.

Lucy e Chay Suede em cena da novela "Travessia" rodada nos Lençóis Maranhenses - Foto Matheus Marques | TV Globo

Lucy e Chay Suede em cena da novela “Travessia” rodada nos Lençóis Maranhenses – Foto Matheus Marques | TV Globo

 

Na sua opinião, a sua presença como protagonista na principal novela do horário nobre é mais um ‘statement’ da Globo pela diversidade? Estava faltando Brasil na TV brasileira, tão rica em estrelas e galãs com traços europeus?
Acho que estava faltando mais Brasil na telinha, sim. Que bom que há esse movimento pela mudança. Precisamos nos reconhecer na TV, no cinema, na música e mostrar a cara desse país tão grande e diverso. As pessoas precisam ver que é possível. Estar na novela, nesse horário, significa falar para muita gente, e eu me sinto feliz de poder representar tantos e tantas.

Como você reage às ofensas que vêm sendo direcionadas aos nordestinos pelas pessoas que não se conformam com o resultado da eleição para Presidente da República, por exemplo?
Muito triste. O preconceito sempre existiu e, atualmente, vimos muitos que também tinham preconceito velado se expor. Ainda é uma realidade. Nós, nordestinos, ainda sofremos preconceito pelo sotaque e por vir de onde viemos. Essas atitudes só ratificam que uma nova mentalidade no nosso governo era urgente. Não dá para apoiar esse tipo de pensamento porque nós aqui queremos inclusão, amor, igualdade e não-violência. Seguimos lutando.

Lucy Alves em imagem produzida para o encarte de seu álbum "Perigosíssima" - Foto Marcelo Zilio | Divulgação

Lucy Alves em imagem produzida para o encarte de seu álbum “Perigosíssima” – Foto Marcelo Zilio | Divulgação

 

Voltando à novela mas também mantendo um pé na nossa realidade o que você acha que as fake news têm de mais perigoso e de mais danoso?
As fake news têm o poder de arruinar vidas e nos mantêm aprisionados em bolhas de inverdades, incitando a ignorância. Nosso país ainda está aprendendo a lidar com esse tipo de situação, que é uma realidade no mundo todo. Na minha opinião, só a educação e a busca incessante por fontes verdadeiras de notícias podem amenizar esse caos. Vivemos um novo momento e, de fato, uma “Travessia”. Acho que o ponto alto desse folhetim é alertar as pessoas do que não fazer, e como é importante estarmos atentos a esse novo momento para não alimentar novos desastres.

E o que você acha da imprensa sensacionalista que persegue celebridades, invade a privacidade dos famosos e expõe sua intimidade?
Acho muito triste para quem é vítima disso. Temos que ficar vigilantes 24h e às vezes nos privar de certas ocasiões para não sermos meros alvos de cliques sedentos por views, mesmo que custe a felicidade de alguém. O bagulho é louco. Vivemos com cautela exacerbada.

Nesses tempos de intolerância, divisão e polarização mas também de reflexão e de ponderação quais são os seus anseios para 2023? O que você deseja para o Brasil e para o mundo neste novo ano que logo mais se inicia?
Eu sou muito esperançosa de ver um mundo mais inclusivo e justo para todos. Queremos liberdade para ser quem somos, e poder aproveitar a vida da melhor maneira, sem medo, sem guerra, sem fome, sem injustiça. Queremos paz.

Por fim, gostaria que você tentasse explicar para as suas milhares de fãs qual é a sensação de terminar o ano sendo cortejada pelo Rei Roberto Carlos em rede nacional e ser também disputada toda noite pelo Chay Suede e pelo Rômulo Estrela?
Hahahaha! Estou muito bem mesmo. Cantar com o Rei Roberto Carlos é um sonho, e fecho 2022 com chave de ouro! Foi um ano muito, muito bom para mim! Para além de dois pares gatos e cheirosos [risos] ganhei dois amigos sensacionais. Brisa passa muito bem e Lucy também está feliz.

 

Lucy Alves - Foto: Luciana Izuka

Lucy Alves – Foto: Luciana Izuka