Ao sul de Portugal, o Alentejo reserva vinícolas que hospedam com conforto e muito sabor

Ao sul de Portugal, o Alentejo reserva vinícolas que hospedam com conforto e muito sabor

Atravessar a Ponte Vasco da Gama, sobre o Rio Tejo, e dar com os costados no Alentejo tem sido a opção de quem é ávido por paz

Lisboa, todo mundo sabe, hoje é uma das cidades mais agitadas da Europa. A de aluguéis mais altos também, segundo recente levantamento da plataforma HousingAnywhere. Inegável o borogodó da capital portuguesa, com sua vida noturna sacudida, a comida generosa, a arquitetura secular, o fado e tanta história. Mas o que torna Lisboa tão atraente também afasta quem visita Portugal em busca de sossego, discrição e exclusividade.

Atravessar a Ponte Vasco da Gama, sobre o Rio Tejo, e dar com os costados no Alentejo – viagem que dura um pulo de uma hora e meia – tem sido a opção de quem é ávido por paz. A questão nem é financeira: hospedar-se em hotéis de charme, em formosas propriedades rurais da região, está longe de ser um programa econômico. Fugir da muvuca e curtir alguns dias de prazer em meio aos vastos vinhedos e olivais, porém, vale cada centavo de euro desembolsado.

O Alentejo não é exatamente bonito, se o compararmos a outras regiões vinícolas de Portugal, como a dos Vinhos Verdes, de natureza luxuriante, ou o Douro, com suas colinas dando bossa à paisagem. Quente e seco, o Alentejo oferece vistas monótonas e planas em quase toda sua extensão, mas guarda encantos escondidos. Quem sabe das coisas os conhece. Talvez a melhor forma de camuflar-se por lá, unindo vários úteis a inúmeros agradáveis, seja escolher vinícolas que hospedam com luxo e sabor.

Torre de Palma

O hóspede do Torre de Palma Wine Hotel, em Monforte – a duas horas da capital portuguesa, quase na fronteira com a Espanha, em direção sudeste – é recebido com um coquetel no topo da construção que dá nome ao lugar. A torre foi erguida no século 14, quando a propriedade pertencia à Coroa Portuguesa. Hoje não tem o sentido de guarda e, sim, o de contemplação. Dali temos a visão infinita da planície alentejana, dos sete hectares de vinhas e da construção em forma de fortificação que nos abrigará pelos próximos dias.

 

Vista aérea do Torre de Palma, em Monforte – foto divulgação

 

A história contada pelos funcionários bem descreve a paz que se consegue ter no hotel. Uma senhora solitária reservou uma semana de estadia. Alongou-a por mais um pouco e mais um pouco… Quando se deu conta, estava ali por três meses. Passava os dias lendo, deliciando-se com a culinária da equipe do chef Miguel Laffan, dono de uma estrela Michelin, e harmonizando-a com vinhos produzidos na casa com uvas regionais como Aragonez, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Arinto e Antão Vaz.

A produção de vinhos da Torre de Palma é pequena, de até 60 mil garrafas por ano, e seus proprietários não pretendem fazê-la crescer. Não querem perder o caráter artesanal de sua elaboração, com uvas colhidas manualmente e pisadas a pé, vinificadas em uma elegante adega, aberta à visitação guiada para hóspedes e turistas avulsos.

 

Adega do Torre de Palma – foto divulgação

 

Quem não é do álcool tem à disposição aulas de equitação e passeios a cavalo pelas redondezas, workshops de gastronomia e agricultura, voo de balão, observação de pássaros, piquenique no campo, visitas a ruínas romanas e passeios guiados pela natureza. Quem é do bem-bom pode escolher o spa com diversas massagens e tratamentos ou refestelar-se no seu canto. São 19 opções de acomodação, do quarto duplo à suíte master, cada uma decorada em estilo diferente.

 

Quarto do hotel Torre de Palma – foto divulgação

 

São Lourenço do Barrocal

O hotel-fazenda São Lourenço do Barrocal, em Monsaraz, impressiona pelo aspecto pitoresco e pela tipicidade alentejana. Propriedade rural fundada há 200 anos, passou por um sensível trabalho de arquitetura que adaptou antigas instalações em comodidades para o turista, sem prejuízo às linhas originais do lugar. É uma viagem no tempo em que também nos deparamos com o moderno e com o surpreendente.

Os quartos dos trabalhadores que viviam na fazenda tranformaram-se em acomodações para hóspedes. Casas antes dedicadas aos convidados da família foram convertidas em algumas das opções mais luxuosas de estadia. O antigo canil hoje abriga o restaurante principal. Os dormitórios dedicados aos trabalhadores sazonais foram convertidos num spa com assinatura da marca austríaca Susanne Kaufmann.

 

Quarto em São Lourenço de Barrocal – foto Nelson Garrido

 

Boa parte da comida e da bebida servidas no Barrocal é produzida ali: hortaliças orgânicas, mel, azeite, vinho. Os hóspedes participam de colheitas, têm aulas sobre a produção desses víveres ou simplesmente aproveitam seu sabor a cada garfada ou gole. A vinícola é diminuta, dá conta do consumo no próprio hotel. Mas o visitante pode comprar seus rótulos na loja, que oferece não somente o que é feito na propriedade, mas privilegia a tradição gastronômica e artesanal alentejana.

 

Degustação de vinhos e azeites em São Lourenço do Barrocal – foto Ash James

 

Quem gosta de colocar a mão na massa pode participar de workshops de apicultura, arranjos florais, olaria, coquetelaria e culinária ou aprender a fiar lã de ovelha. Fãs de aventura têm a seu dispor passeios a cavalo, de bicicleta, caminhadas e outras atividades. Quem é dos programas culturais engaja-se em roteiros pelo Alentejo, guiados por historiadores.

Herdade do Sobroso

Impossível visitar a Herdade do Sobroso e não ter vontade de ficar. O lugar tem um quê tão acolhedor que tudo o que pensamos, de imediato, é passar dias à beira da piscina, sorvendo refrescantes vinhos brancos ou rosés produzidos ali, embasbacando-se com a vista, agora não mais plana. O Sobroso está na Vidigueira, região alentejana pródiga em relevos e recortes, a 190 km de Lisboa.

 

Piscina do Herdade do Sobroso, no Alentejo – foto divulgação

 

Se a natureza local flechar seu coração, é possível programar um safári fotográfico, pois a propriedade está dentro de uma área de preservação, onde vivem veados, javalis, lebres, patos selvagens e outras espécies. Em ritmo de adrenalina, é possível ainda programar passeios de balão, cavalgadas, trilhas de mountain bike ou corridas de caiaque. O spa, as aulas de ioga e de meditação realinham quem volta exausto das peripécias.

 

Restaurante do Herdade do Sobroso – foto Jeronimo Heitor Coelho

 

A oferta de vinhos é extensa, elaborada com mais de dez castas locais e algumas internacionais, como Cabernet Sauvignon e Syrah. Há várias opções de harmonização no menu do Sobroso, que conta com quitutes típicos: empadas alentejanas, queijos, embutidos e farta culinária local. Você também pode levar para casa azeites, vinagres, compotas, mel e infusões de ervas produzidos na herdade.

Mais Vinícolas do Alentejo que hospedam (ou não)

Há mais opções para quem quer fazer o roteiro vinho-aventura-descanso na região. A Herdade dos Grous é mais uma vinícola de respeito que abriga um hotel de charme com quartos e suítes lindamente decorados. A chique Herdade da Malhadinha Nova tem quartos, suítes e villas modernas e minimalistas para quem preza o sossego e a vida zen.
Estando no Alentejo, procure conhecer outras vinícolas bonitas e importantes, que não hospedam, mas garantem a visita pela qualidade dos vinhos e pela rica gastronomia. Quinta Dona Maria está em um recanto construído no século 18 pelo rei Dom João V para sua amante. Os vinhos são clássicos e espetaculares. Os salões, revestidos com a mais fina azulejaria portuguesa, fazem cair os queixos.

Já a Herdade do Rocim tem arquitetura contemporânea, produz rótulos ousados e foi uma das responsáveis por resgatar comercialmente a técnica dos vinhos de talha, tradição de mais de 2.000 anos no Alentejo. Outra jovem vinícola é a Herdade Aldeia de Cima, notável pelo look clean e pelos vinhos elegantes.

 

Quinta Dona Maria, em construção do século 18 – foto divulgação

 

Visitar a Adega Cartuxa é um passeio que boa parte dos turistas quer fazer, pela fama de seus vinhos, sobretudo o cobiçado Pêra-Manca. E a Herdade do Esporão é outro ponto forte, pelos belos vinhos, pela fina produção de azeite e pelo restaurante estrelado no Guia Michelin.

Para quem é fã da bebida de Baco, visita indispensável também deve ser feita à Herdade do Mouchão, a mais antiga da região, fundada no século 19. Apesar de espartana, sem grandes atrativos para o turista comum, é o berço um dos vinhos mais complexos e simbólicos do Alentejo.

Torre de Palma Wine Hotel
Herdade de Torre de Palma, 7450-250
Vaiamonte, Portugal
Tel. +351 245 038 890
Diárias a partir de R$ 1.600.

São Lourenço do Barrocal
7200-177 Monsaraz, Portugal
Tel +351 266 247 140
Diárias a partir de R$ 3.180.

Herdade do Sobroso
Herdade Do Sobroso, 7960-909 Pedrogão, Portugal
Tel. +351 284 456 116
Diárias a partir de R$ 1.600.

Bom de copo: dicas de espumantes para refrescar os dias mais quentes do ano

Bom de copo: dicas de espumantes para refrescar os dias mais quentes do ano

Ideias para as celebrações, os espumantes podem ser consumidos em diferentes momentos, ainda mais em dias quentes e ensolarados

O vinho convive com vários tabus no Brasil, um deles é de que os espumantes são bebidas para festas. Ora, claro que são perfeitos para as comemorações, mas por que devem ser consumidos apenas em celebrações? Para mim, os espumantes fazem parte do dia a dia, especialmente no verão.

Sempre me lembro de uma frase de meu amigo Davide Marcovitch, presidente para a América Latina da LVMH – holding francesa especializada em artigos de luxo –, que me disse: “Champagne é a bebida que transforma um momento trivial em um momento especial…”, não é bárbaro? As mais simples ocasiões podem se tornar excepcionais com uma taça.

 

foto iStockphoto

 

E não é somente Champagne, afinal há espumantes incríveis pelo mundo, especialmente no Brasil. Eu, como privilegiado que escreve sobre vinhos e não sobre parafusos, provei muitas borbulhas maravilhosas no último ano. Veja as recomendações a seguir:

• O Bebereta de Arinto e Chardonnay da Quinta do Porto Nogueira da região de Lisboa. Muito frescor com toques salinos e florais, uma delícia! Saem por R$ 200 no site www.quattroimport.com

• Quereu Rosé Brut Cuvée Reserve, chileno delicioso 100% Pinot Noir, borbulhas pequenas e persistentes. Por R$ 115, em www.premiumwines.com.br

• Estrelas do Brasil Nature, método tradicional das uvas Chardonnay, Viognier, Riesling Itálico e Trebbiano, com 30% do assemblage do vinho base fermentado em barricas usadas e mantido por, pelo menos, 36 meses em contato com as leveduras. No site www.estrelasdobrasil.com.br, custa R$ 160.

• Isadora Nature Rosé Guatambu, espetacular espumante de Chardonnay e Pinot Noir com 18 meses “Sur lies” muito fino. Por R$ 205,20, no site
www.guatambuvinhos.com.br

• Pol Roger Brut Reserve, famoso e espetacular Champagne que mostra por que Champagne é Champagne. Em www.mistral.com.br, sai por R$ 828,50.

• Saint Felicien Nature, grande surpresa positiva com a assinatura Catena. De Chardonnay e Pinot Noir, método tradicional. A R$ 286,87 também em www.mistral.com.br

• X-Bulles do Vincent Caillé, de Chardonnay e Côt, biodinâmico delicioso com cremosidade e certa austeridade. Por R$ 183 no site www.delacroixvinhos.com.br.

• Saint Felicien Nature Champagne Fleury Brut Saignée, biodinâmico 100% Pinot Noir, com muita classe e frescor, cremosidade fina. Por R$ 642, em www.delacroixvinhos.com.br

• Saint Felicien Nature Crémant de Bourgogne Brut Rosé Henri de Villamont, biodinâmico 100% Pinot Noir, com muita classe e frescor, método tradicional. R$ 250 em www.weinhausexzellenz.com.br.

Natal sem estresse: dicas de aperitivos para receber bem em casa

Natal sem estresse: dicas de aperitivos para receber bem em casa

As festas de fim de ano devem ser motivo de comemoração e de pura alegria, e São Paulo oferece tudo o que precisamos para receber bem quem nos visitará em casa

Todo ano é a mesma coisa. As missões natalinas se resumem a encontrar um presente para cada um dos parentes e amigos que estarão com a gente e a produzir uma ceia que cumpra o protocolo e agrade a todos. Na verdade, é quase isso. Sabemos que nessa semana fatídica receberemos diversas outras visitas de pessoas queridas que não poderão estar na noite de Natal, mas que fazem questão de trazer um presente ou de apenas vir dar um abraço de fim de ano.

E é dessa situação que quero falar, porque é muito fácil estar preparado para visitas em cima da hora e poder fazer dessas ocasiões uma curtição em alto astral, sem estresse. O importante é ter um kit aperitivo fácil e rápido de montar, que possa alegrar essas situações inesperadas, além de resolver também o esquenta da noite da ceia.

A minha fórmula é simples: compre ou encomende dois bons patês e algumas boas charcutarias que você possa tirar da geladeira e colocar sobre tábuas, assim que tocar a campainha. A única coisa que tem que ser fresquinha é o pão. Sugiro um bom patê de champagne e um patê en croûte (aquele com uma casca em volta). O ideal é comprar pedaços grandes o suficiente para guardar embrulhado em papel filme e cortar uma fatia de cada quando a visita chegar. Na tábua, coloque essas duas fatias, um pequeno pote com alguns cornichons (pepininhos em conserva franceses), que são vendidos onde você irá comprar os patês.

 

foto Shutterstock

 

A outra tábua é das charcutarias e tem que ser um pouco maior, pois o ideal é ter uns quatro ou cinco itens diferentes. Eu colocaria um chorizo ou um fuet espanhol, uma copa curada, um pastrami e, claro, um bom presunto cru. Você pode escolher comprar esses produtos já fatiados (em embalagens menores para abrir somente o desejado) ou em peças e, nesse caso, deve fatiar tudo na hora. Prefiro desse jeito, porque mantém todos os produtos bem frescos. Nessa tábua, também coloque um copo com um pouco de gelo no fundo e tiras de pepino e de cenoura crua para neutralizar o paladar entre um sabor forte e o outro. Para acabar de dar uma cor e um frescor nessa tábua, sugiro ainda um pote com tomates cereja cortados ao meio com algumas folhas de manjericão. E pronto, está feito o seu “kit visita surpresa”!

E é claro que nesse calor absurdo de dezembro é fundamental deixar algumas garrafas na geladeira. Indico ter duas de espumante brut e duas de rosé. O tinto, se alguém fizer questão, pode estar na adega ou na despensa, basta deixar na geladeira 5 minutos antes de servir. E durante essa semana de surpresas, se tirou uma garrafa, já repõe logo em seguida.

Com isso, não tem como você ser pego de surpresa pelas visitas. O máximo de correria que pode vir a sofrer é sair para comprar um belo pão fresquinho para acompanhar todos esses “amuse bouche”. A seguir, alguns lugares para encontrar patês e frios, fatiados ou não:

Casa Santa Luzia: Alameda Lorena, 1.471, Jardins
À Table: Rua Laplace, 749, Brooklin
Pirineus Embutidos Artesanais: Rua da Consolação, 2.915, Jardins
Antica Salumeria: Rua Pamplona, 1.783, Jardim Paulista

Bon appétit, joyeuses fêtes e um feliz 2024 a todos!

Elegância final: como harmonizar vinhos com doces e sobremesas

Elegância final: como harmonizar vinhos com doces e sobremesas

Vinhos de sobremesa são excelentes opções de presente e algumas dicas são fundamentais no momento da harmonização com os doces

O paladar de muitos brasileiros costuma recorrer com frequência aos doces, e a hora da sobremesa é aguardada com entusiasmo em muitas mesas. Como amante de vinho, ressalto que esse momento também pode ser harmonizado e existem diversos tipos de vinhos de sobremesa no mercado, como os late harvest, os botritizados, os appassimento e os fortificados. Infelizmente, não há espaço nesta coluna para falar em detalhes de cada um, já que o assunto poderia virar um livro. Mas os late harvest, que são os vinhos elaborados com uvas de colheita tardia, costumam ser os mais acessíveis e fáceis de se encontrar no país, e existem verdadeiras maravilhas nas gôndolas.

Os vinhos doces, ou de sobremesa, são ainda opções excelentes e elegantes de presentes, pois a maioria vem em meia garrafa. O importante sobre esses rótulos são as dicas de harmonização para que o resultado não decepcione.

 

foto iStockphoto

 

Fique atento a algumas dessas recomendações:
1) É fundamental que a sobremesa não seja mais doce do que o vinho, pois a harmonização não irá funcionar. O vinho ficará ácido e não produzirá um sabor agradável.
2) Sobremesas com chocolate, cada vez mais comuns, não devem ser harmonizados com vinhos doces brancos, prefira os Porto ou Banyuls.
3) Os vinhos doces podem ser a própria sobremesa, ou seja, um cálice do vinho é suficiente, eventualmente pode ser acompanhado apenas por biscoitos. Fica elegante e gostoso.
4) Com frutas, use os espumantes doces ou demi-sec.
Os moscatéis, por exemplo, são bons, baratos e ficam excelentes com frutas ou receitas à base de frutas.
5) Sorvetes não funcionam com os vinhos de sobremesa pelo fato de o gelado anestesiar as papilas gustativas.
6) Tábua de queijos fortes, como reblochon e Saint Paulin, já bem evoluídos, harmonizam excepcionalmente bem com qualquer vinho doce.
7) Os contrastes, como o dito anteriormente, são bem-vindos com os vinhos doces. O exemplo mais clássico é servir o caríssimo Sauternes com foie gras – caso é citado por muitos apreciadores, ainda que poucos tenham realmente provado essa combinação.

Lista de compras:
Casa Madeira Valduga. Chardonnay com Riesling Itálico, R$ 45 no site do produtor.

Casa Silva Late harvest. Sémillon, Gewürztraminer e Viognier, R$ 146 na importadora Sonoma.

Carmes de Rieussec 2011. Sémillon, Sauvignon Blanc e Muscadelle, R$ 275,81 na Mistral.

Vin Santo del Chianti Il Nostro. Malvasia bianca, Trebbiano Toscano e San Colombano, R$ 268 na World Wine.

Ravasqueira Late Harvest de Viognier, R$ 213 no Santa Luzia.

Os encantos da Serra Gaúcha em uma viagem de carro inesquecível

Os encantos da Serra Gaúcha em uma viagem de carro inesquecível

Após nossa deslumbrante visita à Serra Catarinense, apresentada na coluna da edição passada, a viagem continua pela BR 116 em direção à Serra Gaúcha

Vindo de Lages, em Santa Catarina, pela Regis Bittencourt, já às margens da cidade de Vacaria, o cartão de boas-vindas gaúcho não poderia ser mais bonito e acolhedor. O visual do rio Pelotas – que se avista atravessando a ponte da divisa de estado ao pé de uma serra que rasga uma floresta de araucárias centenárias – é lindo. Estamos adentrando um estado onde a influência das colônias alemã e italiana desenharam não apenas os costumes, a arquitetura e a culinária, mas também a indústria.

Logo antes de chegar a Vacaria e à beira da rodovia, encontra-se a primeira parada obrigatória: a Vinícola Campestre. Ali são produzidos os rótulos da Zanotto, que são premiados na Europa, e o lugar apresenta ainda um restaurante no mezanino envidraçado que oferece uma vista para as parreiras. Além dos vinhos e espumantes para venda e degustação, ficam expostos os sucos de uva, geleias, queijos da colônia e outros produtos regionais.

Cuidado para não se exceder e carregar demais o carro, porque a viagem é longa e há muito mais pela frente. Ainda em Vacaria, vale a pena parar na Dalaio Alimentos para levar as excelentes maçãs e experimentar os diversos tipos de queijos coloniais, são surpreendentes. O roteiro segue em direção a Caxias do Sul, que fica a 110 km e passa por São Marcos – cidade conhecida pelo apelido “cidade dos caminhoneiros”, isso porque em determinada época um a cada dois homens dessa cidadezinha era caminhoneiro.

 

Skyglass, em Canela, é uma das maiores plataformas de aço e vidro do mundo – foto divulgação

 

O ideal é se programar para chegar em Caxias entre 11h30 e 14h para almoçar maravilhosamente bem. A melhor galeteria da região é a disputada Alvorada. Trata-se do famoso galeto primo canto (baby galeto) na brasa no esquema rodízio, que começa com a sopa de capeletti seguida pelo galeto grelhado e seus acompanhamentos típicos da colônia italiana. São eles a salada de radicci (folha meia amarga) com bacon, maionese de batata, polenta frita e polenta ao forno e uma escolha de massa e de molhos variados.

Continuamos descendo para Porto Alegre e logo chegamos em Nova Petrópolis – que parece um cartão postal da Bavaria, com as casas parecendo de boneca e seus jardins de flores coloridas e milimetricamente recortados. E é dali que seguimos pela famosa estrada das hortênsias, rumo a Gramado e Canela. Essas duas cidades já estão no top 3 dos destinos turísticos do Brasil. São muitos passeios, como o Mundo de Chocolate da Lugano, com famosas paisagens do mundo feitas de chocolate maciço.

E no vale da Ferradura há uma atração recém-inaugurada. A Skyglass (foto), em Canela, que é uma das maiores plataformas de aço e vidro do mundo e que avança 35 metros para o vale. Ali, a cereja do bolo é o Abusado: um monotrilho suspenso que leva a um passeio a 360 metros de altura sobre o rio Caí.

No caminho entre Gramado e Canela, avista-se ainda o Vale dos Quilombos. O famoso hotel Laje de Pedra, com paisagem incrível para esse mesmo vale, deu lugar a um empreendimento de altíssimo luxo chamado Kempinsky. E para quem gosta de cerveja, deve conhecer a Cervejaria do Farol, pioneira na produção de brejas artesanais na Serra Gaúcha.

Se continuássemos pela estrada que sai de Canela, iríamos para São Francisco de Paula e Cambará do Sul, que é a base para explorar cânions, como o do Itaimbezinho. Mas isso é outra viagem. Até a próxima!