Cantora paulistana Mônica Salmaso traz sua casa para o palco da Vivo Rio

Cantora paulistana Mônica Salmaso traz sua casa para o palco da Vivo Rio

No dia 24, Mônica Salmaso apresenta para o público carioca seu show “Minha Casa”, com canções de Chico, Gil, Milton, Guinga, Tom Zé e Egberto Gismonti, entre outros

A paulistana Mônica Salmaso apresenta no dia 24 de fevereiro o show “Minha Casa” no palco da Vivo Rio. “Minha casa é meu norte, a identidade dos afetos, o Brasil pulsante, a força da criatividade e da resistência. Da Re-existência!”, define a cantora que, durante a pandemia, produziu 175 encontros musicais em lives exibidas pela internet, como parte do projeto “Ô De Casas”. No período pós-pandemia, ela lançou dois CDs, “Canto Sedutor” (2021), com Dori Caymmi, e “Milton” (2022), em duo com André Mehmari e participação especial de Teco Cardoso. Além disso, a artista foi a convidada da turnê “Que Tal Um Samba?”, de Chico Buarque, que percorreu o Brasil e Portugal por 10 meses em 2023. O repertório do novo show inclui pérolas como “Morro Velho” (de Milton Nascimento), “A Violeira” (de Tom Jobim e Chico Buarque) e “Saudações” (de Egberto Gismonti e Paulo César Pinheiro), “Paulistana Sabiá” (de Guinga), “Menina Amanhã de Manhã” (de Tom Zé) e “Xote” (de Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter).

 

Mônica Salmaso – foto Dani Gurgel

 

Vivo Rio
Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo, Glória.
Ingressos de R$ 60 a R$ 260.

Regentes de um novo tempo: as maestras à frente de orquestras no Brasil

Regentes de um novo tempo: as maestras à frente de orquestras no Brasil

Cada vez mais mulheres ocupam espaço em orquestras brasileiras e se tornam maestras, inspirando novas líderes de excelência na música clássica

Ainda é raro observar mulheres regentes à frente de orquestras no Brasil. Mas esse cenário começa a mudar – acrescido de outras revoluções importantes na música, como a própria abrangência do estilo clássico no país. Após a pandemia, teatros de ópera e balé seguem lotados, com um público sedento para assistir aos espetáculos.

As mudanças se personificam nos gestos, na coerência e na comunicação de algumas profissionais. Priscila Bomfim ingressou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro como pianista e após muito trabalho se tornou a primeira mulher a reger uma ópera dentro da temporada oficial. “Depois dessa estreia, outros convites surgiram para reger orquestras no país, como a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), as Orquestras Sinfônicas de Vitória (ES), de Porto Alegre (RS), de Campinas (SP), do Theatro São Pedro (SP) e da Universidade de São Paulo”, lembra.

 

Priscila Bomfim, do Theatro Municipal do Rio de Janeiro – foto Ana Clara Miranda

 

A maestra participou ainda da fundação da Orquestra Sinfônica de Mulheres do Brasil com a trompetista Luciene Portella, e há três anos dirige a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga – a primeira orquestra brasileira formada apenas por meninas da rede pública de ensino. “O trabalho de um regente é o de conduzir, ser um excelente músico e, nos dias atuais, entender como aproximar a música orquestral do público em geral”.

Mariana Menezes também acumula feitos pioneiros e relevantes. Após o mestrado em regência instrumental na University of Manitoba, no Canadá, ela retornou ao Brasil e foi a única mulher da primeira turma da Academia de Regência da maestra Marin Alsop, na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). “Como atual regente associada da Orquestra Filarmônica de Goiás, me emociona ver um público jovem e interessado. E já vejo muitas jovens maestras se inspirando e se formando em universidades e conservatórios nos últimos anos”, conta.

 

Mariana Menezes, regente da Orquestra Filarmônica de Goiás – foto divulgação

 

Neste ano, Mariana atuará como regente convidada de orquestras em outros estados, como a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica de Campinas. Priscila Bomfim fará a preparação de diversos solistas na temporada de óperas no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e regerá concertos esperados pelo público, como o espetáculo em homenagem a Chico Buarque.

A cantora italiana Laura Pausini celebra 30 anos de carreira com turnê internacional que passará por São Paulo

A cantora italiana Laura Pausini celebra 30 anos de carreira com turnê internacional que passará por São Paulo

Para celebrar suas três décadas de carreira com milhares de fãs em todo o mundo, Laura Pausini sai em turnê internacional e se apresenta em São Paulo no início de março

O ano era 1993. O tradicional Festival de Sanremo, na comuna homônima da Itália, anunciava a vencedora da categoria de artistas iniciantes: uma garota de apenas 18 anos, chamada Laura Pausini, que cantou a música inédita “La Solitudine”. Da noite para o dia, ela passou de anônima a estrela e viu sua vida mudar.

Mais difícil do que alcançar a fama é mantê-la por tantos anos, de forma sempre positiva – algo que Laura soube fazer como ninguém. A cantora chega aos 50 anos de idade em maio e já acumula três décadas de uma carreira consistente na Itália, no mundo e, claro, no Brasil – país que a abraçou e até a incentivou a aprender português, uma das cinco línguas em que é fluente.

 

foto Virginia Bettoja

 

Para comemorar o marco profissional, a artista roda o mundo com sua turnê Laura Pausini World Tour 2023/2024, que teve início na Itália e é seu grande retorno aos palcos. “Não saio em turnê desde 2019 e foi o que mais senti falta nesses anos”, conta. Além da Europa e dos Estados Unidos, Laura passa também pelo Brasil, onde se apresenta em São Paulo nos dias 2 e 3 de março, no palco do Espaço Unimed. Junto a seus clássicos, estão no repertório novidades como as canções “Un Buon Inizio” e “Davanti a Noi”, que fazem parte de seu mais recente o álbum “Anime Parallele” – lançado em outubro do ano passado.

E a cantora segue acumulando feitos e prêmios. Em 2021, foi indicada pela primeira vez ao Oscar e ganhou seu primeiro Globo de Ouro com a música “Io Sì”, trilha sonora do filme “Rosa e Momo”, da Netflix. “Durante esses anos de Covid, vivendo emoções indescritíveis, tive muito tempo para refletir sobre o meu trabalho e percebi que estava me adaptando ao ritmo de quem se contenta. Quero e preciso me dar esse presente: saber que não cheguei ao objetivo, que ainda há mais para descobrir”, reflete.

 

Laura Pausini em show da turnê em Veneza – foto Virginia Bettoja

 

Em entrevista à 29HORAS, Laura Pausini faz um balanço de sua trajetória, fala sobre sua relação com o Brasil e conta como vislumbra o futuro. Confira, nas páginas a seguir, os principais trechos dessa conversa:

Você completou 30 anos de carreira em 2023. Olhando para trás, que balanço faz das últimas três décadas? Quais foram os momentos mais marcantes?
Tenho muita sorte de poder comemorar três décadas na música e tenho essa consciência. É por isso que quando penso nesses 30 anos, me sinto orgulhosa e satisfeita. Trabalhei muito e nunca parei de tentar retribuir o amor que as pessoas sempre me deram. O Festival de Sanremo, em 1993, mudou a minha vida ao me tornar conhecida na Itália e no resto do mundo. Acredito que junto com o Grammy, o Globo de Ouro e a indicação ao Oscar, aprender línguas estrangeiras é uma das coisas mais memoráveis da minha vida, porque me moldou como mulher e cantora.

 

Com seu primeiro Globo de Ouro, em 2021 – foto Courtesy of Gentemusic

 

Quais são as suas recordações do dia, em 1993, em que sua música “La Solitudine” venceu o Festival de Sanremo?
Eu tinha apenas 18 anos, era ingênua e inocente e não tinha absolutamente nenhuma expectativa de ganhar. Nasci em uma pequena cidade italiana no meio do trigo e dos campos. Ser famosa era algo inimaginável para mim. Os italianos votaram em mim e me fizeram ganhar na noite de 27 de fevereiro. A partir desse dia, minha vida e da minha família mudou.

Você foi uma das primeiras mulheres italianas a fazer grande sucesso internacionalmente e a ganhar um Grammy, além de tantos outros prêmios importantes e indicações, como o Oscar. Qual é a responsabilidade de ser pioneira e influenciar tantas gerações seguintes?
É uma grande responsabilidade que, às vezes, me assusta. Espero não cometer erros e dar um bom exemplo levando o nome do meu país pelo mundo. E para alcançar esse propósito, tenho que ser 100% honesta e essa é a minha força. Hoje, todo mundo está em busca de notícias sensacionalistas. Isso gera um pequeno desconforto em mim, porque qualquer um pode inventar ou falar mal sem verificar se as informações são verdadeiras ou não. Então, utilizo minhas plataformas de mídia social em todas as línguas em que canto, para dizer quem realmente sou.

Como foi a maratona de shows #LAURA30, em que, em apenas 24 horas, você percorreu três cidades, dois continentes, cinco idiomas e 30 anos de música? Qual foi o grande propósito desse projeto?
O grande objetivo do projeto foi alcançar as pessoas que me acompanham nesses 30 anos. Escolhi começar em Nova York, porque é a cidade onde canto em cinco línguas diferentes graças ao seu multiculturalismo. Madri é o primeiro lugar onde cantei em espanhol e Milão representa a minha carreira na Itália. Logisticamente, foi muito difícil preparar tudo, mas valeu a pena. Foi uma das aventuras mais bonitas que já tive e me desafiou como nunca.

Você não saía em turnê desde 2019. Qual é a sensação de retornar aos palcos? O que podemos esperar dessa turnê comemorativa no Brasil? Pode dar algum spoiler?
Me sinto como uma menina na frente de uma loja de doces: feliz, curiosa e com fome!
O setlist apresenta mais de 30 músicas, do meu primeiro disco ao último. É uma turnê para celebrar três décadas de história musical compartilhada com meu público. É uma espécie de viagem, um conto feito de canções, mas também de anedotas e fotos muito pessoais e inéditas. Além disso, vou cantar algumas músicas em português, já que é a minha língua favorita!

Ao longo de sua carreira, você teve a possibilidade de fazer parcerias musicais com grandes nomes. Quais foram as mais marcantes? Com quem mais gostaria de trabalhar?
A mais emocionante foi a primeira, com Phil Collins. Eu tinha apenas 19 anos e era louca por ele. Com uma coragem desconhecida, pedi para ele colaborar comigo. Phil foi muito gentil e imediatamente escreveu para mim uma música chamada “Looking for an angel”, que cantamos muitas vezes juntos. Eu o amo imensamente e sempre serei grata a ele.

 

A cantora com Phil Collins – foto Courtesy of Gentemusic

 

Você tem uma relação muito especial com o Brasil. Quando foi a primeira vez em que esteve aqui e quais são as suas melhores recordações no país? Tem planos de vir morar no Brasil?
Minha primeira vez no Brasil foi no Rio de Janeiro, que é a minha cidade favorita no mundo. Eu tinha 19 ou 20 anos e me senti em casa andando por Ipanema. Mesmo não falando português ainda, entendi tudo. Realmente me senti uma pequena menina brasileira. Para ser sincera, tenho muita vontade de morar no Brasil. Mas, antes, eu sonho em conhecer Salvador, na Bahia. Nunca estive lá e seria maravilhoso ter tempo de desbravar essa cidade incrível.

Como foi o processo criativo e de composição do seu novo álbum “Anime Parallele”? Qual é a mensagem que você quer transmitir com esse trabalho?
É um verdadeiro álbum conceitual que conta 16 histórias de pessoas reais, diferentes entre si. É um disco que celebra a diversidade e o direito individual de cada um que, na minha opinião, devem ser respeitados por sermos cidadãos das mesmas ruas, mas de almas, sonhos e desejos diferentes. Vivemos em um mundo que divide lugares, mas não necessariamente ideias. Nesse mundo, representado pelas ruas e calçadas, quero que sempre exista respeito e amor entre as pessoas que o habitam. Eu gostaria que todos tivessem o desejo de se apaixonar pelos seres humanos que vivem simultaneamente como almas em caminhos paralelos.

O novo álbum inclui a canção “Durar (Uma Vida com Você)”, que ganhou uma versão em português com participação de Tiago Iorc. Como surgiu a ideia da parceria?
Eu admiro o trabalho do Tiago faz tempo e fiquei muito feliz quando ele aceitou o convite para cantar e adaptar a música “Durar”. Uma amiga minha, que é brasileira, me apresentou as músicas dele e fiquei encantada. É um poeta muito talentoso e sua voz combinou muito com a mensagem que quis passar com essa canção. Ele ainda aceitou ir até a Suécia para gravar o videoclipe comigo e me ajudou com a pronúncia do português, foi muito gostoso! Espero poder encontrá-lo quando chegar no Brasil e agradecer sua participação e apoio. Ele é um amigo incrível que a vida me deu.

 

A parceria de Laura e Tiago Iorc na música “Durar (Uma Vida com Você)” – foto Nicolas Loretucci

 

Como você vislumbra o seu futuro pessoal e profissional? Tem um grande sonho que ainda deseja realizar?
Os sonhos que se realizaram na minha vida são maiores do que imaginei. Tenho medo de não ser capaz de sonhar, mas estou feliz em dizer que ainda faço isso. A música ainda é algo desconhecido, sempre me faz querer saber mais. Preciso me sentir assim, sonhar que posso me desafiar todas as vezes.

Foto de capa: Leandro Emede

Jovens cineastas produzem novo videoclipe de Ed Sheeran, que se apresenta no Rock in Rio neste ano

Jovens cineastas produzem novo videoclipe de Ed Sheeran, que se apresenta no Rock in Rio neste ano

Para divulgar seu novo projeto, “Autumn Variations”, Ed Sheeran escolheu 14 fãs de diferentes países para criar e produzir seus videoclipes 

Em setembro passado, Ed Sheeran – headliner de uma das noites da edição comemorativa de 40 anos do Rock in Rio – lançou um concurso para divulgar o seu novo projeto, “Autumn Variations”, no qual iria escolher 14 fãs de diferentes países para criar e produzir os videoclipes do seu álbum. Foram inscritos mais de 4 mil videoclipes e o cantor se encarregou de selecionar os vencedores que representam 14 países, como Irlanda, Austrália, Itália, Holanda, Brasil, Japão, França, Nova Zelândia, Taiwan, México e Índia.

 

O cantor britânico Ed Sheeran – foto Creative Commons

 

Foi Beatriz Santamaria Pinha a escolhida para representar o Brasil e dirigir o clipe de “That’s On Me”, o primeiro da série, lançado em 21 de novembro e já disponível no YouTube. O clipe bem-humorado e sensível conta a história de um motociclista chamado Alger Steele – interpretado por Skip Howland – que se encontra entediado com a vida. Ele vê um comercial estrelado pelo próprio Ed, que o aconselha a se reinventar.

Quando contatada pela Warner Music Brasil, Beatriz reuniu mais quatro cineastas brasileiras para comandarem as demais áreas do videoclipe. A produtora e coordenadora de produção é a paulistana Bia Bauzys, que se mudou para os Estados Unidos aos 16 anos e se formou em cinema pela Emerson College, em Boston. Em “That’s On Me”, Bia atuou como co-produtora junto de Karen Sanovicz.

Karen, também natural de São Paulo, é formada em marketing digital e atualmente está cursando Mídia Digital no Fashion Institute of Design and Merchandising, em Los Angeles. Juntas como produtoras do clipe, Karen e Bia foram responsáveis pelo orçamento do vídeo, contratação da equipe, e por garantir prazos, conceitos e formatos adequados.

 

O ator Skip Howland em cena do videoclipe “That’s On Me” – foto reprodução

 

O departamento de arte foi comandado por Daniela Taouil, diretora de arte formada em Cinema pela FAAP, em São Paulo. Com experiência em audiovisual no Brasil, ela se mudou para Los Angeles a fim de aprimorar seus estudos em comunicação visual. Como diretora de arte do clipe, Daniela foi responsável por estruturar o conceito visual e executá-lo por meio da cenografia, produção de objetos e elementos gráficos, desenvolvendo uma unidade visual para a narrativa.

A diretora de fotografia Nicolle Batista nasceu e foi criada em Boston, Massachusetts – filha de pai brasileiro e mãe americana. Depois de se formar no Emerson College, ela se mudou para Los Angeles com a colega Kathlyn Almeida, que contribuiu como primeira assistente de câmera em “That’s On Me”.

Para a diretora desse clipe inédito, feito em parceria com outras jovens brasileiras das áreas de cinema e arte, “o espírito de perseverança e o bom humor do nosso povo são inspirações e estão presentes no videoclipe”.

 

A equipe que participou da produção do videoclipe, com a diretora Beatriz Santamaria Pinha segurando a claquete – foto acervo pessoal

Os melhores sons de 2023: uma retrospectiva com os relançamentos mais marcantes da música brasileira

Os melhores sons de 2023: uma retrospectiva com os relançamentos mais marcantes da música brasileira

Confira sugestões dos sons que brilharam no ano passado e um olhar sobre o que pode se destacar na música brasileira daqui para a frente!

Já viramos o ano e, para essa coluna inaugural de 2024, trago uma retrospectiva nem um pouco ortodoxa sobre a música brasileira. Começo com o projeto “Relicário”, do Selo Sesc, que não é apenas um show transformado em memória, é todo um registro histórico. Cada disco vem acompanhado de um precioso material que contextualiza o evento. No ano de 2023, foram quatro lançamentos, o primeiro foi João Gilberto em uma gravação de 1998 no Sesc Vila Mariana. No repertório de clássicos do samba sempre revisitados por ele, temos uma música inédita do grande Herivelto Martins com Waldemar Ressurreição, “Reo Sem Coroa”. São quase duas horas de música boa, bem gravada, com um dos nossos maiores cantando Dorival Caymmi, Ary Barroso, Pixinguinha, Tom Jobim e outras maravilhas. Se quiser o disco físico, é possível encontrá-lo nas lojas das unidades do Sesc e o libreto vale a pena! 

Os outros lançamentos são: Adoniran Barbosa no Sesc Consolação, em 1980 – um show delicioso, cheio de histórias contadas pelo maior cronista musical da paulicéia; João Bosco, em 1978, com o disco “Tiro de Misericórdia”, inteiro com as letras do genial Aldir Blanc e ainda com a ditadura militar sobre nossas cabeças; e Zélia Duncan, em 1997, no Sesc Pompéia, em um registro lindo depois do primeiro grande sucesso cheio de baladas e blues de Renato Russo e Joan Armatrading. Nesse “Relicário” vem de bônus uma entrevista com o jornalista Zuza Homem de Mello, nosso mestre, no projeto “Ouvindo Estrelas”.

 

Filipe Catto lançou o disco “Belezas São Coisas Acesas por Dentro” com o repertório de Gal Costa – foto divulgação

 

E entre os discos inéditos, obras frescas e artistas jovens, destaco a cantora e compositora baiana Assucena. Seu primeiro disco solo é o “Lusco Fusco” e saiu em novembro passado. Assucena fez parte do trio    “As Baías”, com Rafael Acerbi e Raquel Virgínia e – também no ano passado – fez uma linda homenagem à Gal Costa com o show “Rio e Também Posso Chorar”. É uma cantora romântica e contemporânea, que busca nos anos 1970 uma sonoridade pop e brasileira. Sobre a canção que abre o disco, que tem uma levada samba rock, ela disse: “É um desafio de que gosto, fincar os pés no meu tempo sonoro sem me perder de minhas raízes”. Sua voz é maravilhosa e traz ainda a produção do pernambucano Pupillo e a co-direção artística de Céu. 

Assim como Assucena, Filipe Catto é uma cantora do século 21. Gaúcha, compositora e dona de voz poderosa, Catto lançou o disco “Belezas São Coisas Acesas por Dentro” com o repertório de Gal Costa. Começou como um tributo e, hoje, é um dos shows mais incríveis da cena pop. Um repertório muito bem escolhido, romântico e roqueiro, libertário e sexy.

Muita coisa interessante aconteceu em 2023, mas o que cabe nesta coluna são essas sugestões, meus queridos leitores. Gosto sempre de lembrar o mestre Paulinho da Viola: “Quando penso no futuro, não me esqueço do passado”. O tempo é absolutamente relativo, se é que vocês me entendem. Bom ano, bom verão e boa escuta!