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Wagner Moura faz sua estreia como diretor com o longa “Marighella”, que chega aos cinemas em novembro

Wagner Moura faz sua estreia como diretor com o longa “Marighella”, que chega aos cinemas em novembro

Assim como o protagonista de seu filme, Wagner Moura se posiciona sem medo contra a injustiça e o autoritarismo.

Mais conhecido por seu trabalho como ator e por personagens como o Capitão Nascimento do filme “Tropa de Elite”, o traficante Pablo Escobar no seriado “Narcos” ou o inescrupuloso Olavo da novela “Paraíso Tropical”, Wagner Moura, aos 45 anos, faz sua estreia como diretor, com o filme “Marighella”, que reconstrói parte da trajetória do militante comunista, deputado federal e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar brasileira, a Ação Libertadora Nacional (ALN).

O longa chega aos cinemas do país neste dia 4 de novembro – data que marca os 52 anos do assassinato do guerrilheiro. A estreia mundial do filme ocorreu no Festival de Berlim de 2019. Lá, foi aplaudido de pé. Aqui, teve seu lançamento adiado por causa de obstáculos criados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Na entrevista que concedeu à 29HORAS, Wagner Moura fala não só do longa, como também de outros trabalhos que ele fez e pretende fazer no Brasil e no exterior. Confira a seguir os principais trechos dessa conversa:

 

Wagner Moura - Foto: Sandra Delgado

Wagner Moura – Foto: Sandra Delgado

 

Depois de ler a biografia de Marighella escrita pelo jornalista Mário Magalhães, o que te motivou a transformar aquela história em filme?
Eu sempre fui fascinado pelas histórias de resistência no Brasil. Histórias intencionalmente mal contadas, estereotipadas ou mesmo apagadas pela narrativa oficial. Inconfidência Mineira, Alfaiates, Malês, Canudos… A geração dos que resistiram à ditadura militar é a de gente com apenas 20, 30 anos a mais que eu, uma geração muito próxima, mas ao mesmo tempo muito diferente da minha. Marighella foi um dos maiores nomes da resistência à ditadura militar, o livro de Mário é um trabalho extraordinário de jornalismo que abriu a possibilidade da história desse nome, condenado ao silêncio e à injuria por tantos anos, também ser contada com honestidade nos cinemas.

Você se identifica com o Marighella por ser baiano como ele?
Marighella era um baiano inconformado, que não tolerava injustiças, desigualdades e tiranias. Um homem que não tinha medo de se expor e de se dedicar profundamente a algo em que acreditava, como eu. Ele nasceu na Baixa do Sapateiro, em Salvador, região habitada até hoje por pessoas pobres, em sua maioria negras. O que ele vivenciou formatou seu caráter, seu inconformismo, seu senso de justiça, seu amor pela cultura popular. A Bahia acompanhou Marighella até o fim.

O que foi mais difícil para você, nessa sua estreia como diretor?
Como diretor, sinceramente, foi tudo um grande prazer. Havia uma energia criativa e combativa todos os dias de filmagem. Nós todos queríamos muito contar aquela história, apesar de todas as dificuldades. Meu foco como diretor era tirar o melhor de todo mundo, fazer com que todos se sentissem desafiados e, ao mesmo tempo, animados em acordar todo dia e ir filmar. Como produtor foi mais duro, porque nós fizemos um filme grande, com um orçamento muito enxuto. Foi difícil captar dinheiro para “Marighella”. Até hoje nenhum dos produtores ganhou um tostão, apesar de sermos constantemente acusados de “ladrões da Lei Rouanet” e outras canalhices do gênero. Agradeço muito à O2 Filmes por ter segurado essa onda junto comigo. Se fosse uma produtora menos robusta, não sei se teríamos conseguido fazer esse filme…

 

Wagner Moura e Seu Jorge no intervalo das gravações de "Marighella" - Foto: Ariela Bueno | Divulgação

Wagner Moura e Seu Jorge no intervalo das gravações de “Marighella” – Foto: Ariela Bueno | Divulgação

 

E agora vem o lançamento do filme e a repercussão em meio à crítica e ao público. Você está preparado para as inevitáveis pauladas de malucos que odeiam Marighella e ainda deliram com “ameaças comunistas”?
Sempre estive. Nunca tive medo desse embate. Nosso filme não vai fugir ao enfrentamento do fascismo que tomou conta do país. Não entrar nesse confronto seria uma incoerência, inclusive com a memória de Marighella. Quando filmamos “Marighella”, a possibilidade de um sujeito como Bolsonaro se eleger presidente da República nos parecia a todos uma piada de mau gosto. Ainda havia uma confiança nas raízes democráticas que urdiram a Constituição de 88 e nos avanços que a democracia havia conquistado; uma falsa sensação de segurança. Mas, no fim das contas, a eleição de Bolsonaro foi pedagógica: nos ensinou que a democracia e a manutenção de conquistas sociais e de direitos civis são lutas diárias. O Brasil é um país com raízes racistas e autoritárias; Bolsonaro não é um alienígena, ele é um personagem de profunda conexão com o pior da nossa história. Que ele tenha sido eleito presidente do Brasil e a maioria dos brasileiros tenha ido às urnas dizer “esse é o homem que nos representa, que dirá ao mundo o que é o Brasil” é tristíssimo, mas também é uma realidade importante de ser enfrentada.

Algumas pessoas que assistiram ao filme sentiram falta de ver o processo que levou o protagonista a optar pela luta armada. Por que você optou por fazer esse recorte na história e começar com ele já atuando com a ALN (Aliança Libertadora Nacional)?
Um longa-metragem tem em média duas horas de duração. É impossível dar conta da vida de alguém nesse tempo. Marighella tem duas horas e 40 minutos, mas para mim, escolher um recorte sempre foi muito importante. Nós optamos por mostrar os anos finais de sua vida, pela fase do Marighella guerrilheiro, que durou apenas um ano dos seus 57 de vida. Ele fundou a ALN em 1968 e foi assassinado pela polícia em 1969. Carlos Marighella militou na legalidade pela justiça social e pelos direitos dos mais pobres por toda sua vida, inclusive como deputado federal. Foi preso e torturado pela ditadura de Getúlio Vargas e alvejado com um tiro pela ditadura militar, simplesmente por pertencer ao Partido Comunista. Não havia luta armada até então. De fato, esse Marighella de antes de 1964 eu não tive tempo de mostrar. Mas acredito que as razões que o levaram à guerrilha vão ficando claras com o passar do filme.

A luta armada foi uma saída radical, sem dúvida. Mas é aquela coisa: quando as coisas não se resolvem pela via política, até quando o povo tem de esperar para tomar uma atitude mais extrema? Você concorda com esse argumento do Marighella? Não teme que rememorar hoje esse episódio da história brasileira desperte ainda mais delírios na Direita, que adora associar a Esquerda a táticas violentas e antidemocráticas?
A luta armada foi para muitos a única saída. A ditadura era um regime brutal, não havia canais de comunicação, você podia ser convocado para um depoimento e nunca mais voltar para casa. A tortura era política de Estado. Comparar a luta armada contra uma ditadura militar nos anos 1960 e 1970 com os delírios milicianos de Trump e Bolsonaro é, no mínimo, falta de clareza histórica. O mundo inteiro estava consumido pelos ideais revolucionários de Cuba, da Guerra no Vietnam… Acho sempre uma covardia e uma ignorância quando leio analistas de hoje, sob a luz da história, julgando a decisão tomada nos anos 1960 por homens e mulheres que não se conformavam em viver sob a tirania de uma ditadura. Nosso filme vem de minha admiração por essas pessoas e as que as equivalem hoje.

 

Wagner Moura em "Narcos" - Foto: Diviulgação

Wagner Moura em “Narcos” – Foto: Diviulgação

 

Você tem em seu currículo atuações em vários filmes e seriados em que tudo se resolve na base da bala, como “Tropa de Elite”, “Narcos”, “Serra Pelada” e, agora, “Marighella”. O Brasil e a América Latina são o novo faroeste? Na sua opinião, arma serve para resolver alguma coisa?
Não acho que “Tropa de Elite”, “Narcos”, “Serra Pelada” e “Marighella” estejam na mesma categoria de filmes, só porque há violência em todos eles. No entanto, não há dúvidas de que o Brasil seja um país violento e que isso naturalmente se reflita no cinema que fazemos. Nossa história começa com o extermínio dos povos indígenas e a escravidão de africanos. Ou seja: a própria fundação do país está ligada a sequestro, tortura, racismo e extermínio. É lógico que seguimos carregando as sequelas disso até hoje. Quem são as maiores vítimas de violência praticada pelo Estado? Pretos e favelados. Temos a polícia que mais mata e que mais morre do mundo. O Estado entra na favela do Jacarezinho, mata 29 pessoas e isso não vira um escândalo nacional, porque normatizamos essa violência, convivemos com ela por séculos, apesar dos progressos. Somos o país que mais mata LGBTQs no mundo, um dos campeões em violência contra as mulheres… Como esperar que essa violência não faça parte da nossa produção audiovisual? A ditadura militar matou e torturou centenas de pessoas. O presidente atual é admirador confesso dessa ditadura e do seu mais notável torturador, o coronel Carlos Brilhante Ustra. O presidente até hoje comemora o Golpe de 64, lamenta a ditadura não ter matado mais 30 mil pessoas, tem ligações com a milícia do Rio de Janeiro, quer liberar o porte de armas… Enfim: não, eu acho que armas, no contexto de uma democracia, não servem para resolver nada.

Você dirigiu dois episódios da próxima temporada de “Narcos”, para a Netflix. Pretende investir na sua carreira como diretor no exterior?
Eu só aceitei o convite para dirigir “Narcos” porque eu tenho uma relação muito profunda com a série e com as pessoas que a fazem. Eu conheço bem o universo de “Narcos”, reencontrei vários colegas da equipe que estavam nas primeiras temporadas comigo, pude levar meu parceiro Adrian Teijido, que fotografou “Marighella” e que também já havia feito “Narcos”… foi ótimo. Foi como voltar à família, mesmo que em outra posição. Tenho orgulho da série e fico feliz de ter estado na primeira e na última temporada. Ah, respondendo a sua pergunta, não tenho nenhum interesse em ser um diretor contratado. Mas tenho vontade de me dirigir um dia. Só que não tenho nenhum projeto em mente ainda para realizar esse desejo.

E a quantas anda o projeto de “Sweet Vengeance”, dirigido por Brian De Palma, produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira e com você no papel principal?
Esse projeto infelizmente não vingou, mas me deu o privilégio de estabelecer uma relação com o Brian De Palma, que viu “Marighella” e me mandou um dos e-mails mais elogiosos que recebi sobre o filme.

Como tem sido o seu trabalho em “The Shinning Girls”, seriado da Apple TV que mistura ficção científica com drama policial?
Acabamos de terminar as filmagens em outubro. Eu fui muito feliz fazendo essa série. Elizabeth Moss virou uma parceira para o resto da vida. Eu tenho muito prazer em encontrar essas parcerias no cinema. Ela é uma atriz espetacular e se tornou uma amiga muito próxima. Começamos a filmar em maio, é uma série de 8 episódios. Eu faço um jornalista que se junta ao personagem dela para investigar um serial killer, feito maravilhosamente pelo Jamie Bell [de “Billy Elliot”].

 

Estreia de "Marighella" no Festival de Berlim, em 2019 - Foto: Divulgação

Estreia de “Marighella” no Festival de Berlim, em 2019 – Foto: Divulgação

 

Que tipo de projetos você busca em sua carreira internacional?
Eu sinceramente não separo o meu trabalho entre nacional e internacional. Eu busco bons projetos. Alguns dos que mais me animam são no Brasil. Ano que vem, por exemplo, vou fazer um filme com Kleber Mendonça Filho e uma série que estou produzindo para a Disney sobre Maria Bonita, que será dirigida pelo Sérgio Machado. Tenho também um projeto, ainda sem data, que estou desenvolvendo há muitos anos com o Karim Aïnouz. Fazer cinema é a mesma coisa em qualquer lugar.

Como você lida com essa nova configuração profissional, sem um contrato fixo que lhe dê segurança (como os que a Globo oferece), mas com toda a liberdade para negociar trabalhos com os mais distintas produtoras e estúdios?
Eu nunca tive um contrato fixo com a Globo, só fiz trabalhos lá com contrato “por obra”. Sempre consegui trabalhar onde quis e com quem quis.

Por fim, quando você pretende retornar ao Brasil?
O filme do Kleber deve acontecer no segundo semestre de 2022. Quero muito estar no Brasil durante as eleições.

Após sucesso no streaming com ‘Dom’, Gabriel Leone reflete sobre sua trajetória profissional

Após sucesso no streaming com ‘Dom’, Gabriel Leone reflete sobre sua trajetória profissional

Conversar com Gabriel Leone é a certeza de que a experiência e o aprofundamento não se associam apenas à idade. Em tempos de padrões geracionais ainda rígidos e discussões que, muitas vezes, não dão conta de rompê-los, o ator carioca comprova que é possível e absolutamente normal ser jovem e, ao mesmo tempo, experiente. Aos 28 anos, Gabriel desdobra seu trabalho em diferentes formatos: cinema, streaming, novelas e até composições musicais para produções audiovisuais.

Nascido e criado no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, o ator viu a transformação de uma região antes tranquila em um lugar onde é preciso andar atento e “não dar mole” – expressão que muitos outros bairros e cidades normalizam em decorrência da violência e da desigualdade. Essa percepção sobre seu espaço – físico, social e subjetivo – ajudou na imersão para interpretar o criminoso Pedro Dom, protagonista da série “Dom”, da Amazon Prime Video. A produção é a mais vista no streaming entre os seriados de língua não inglesa e o primeiro grande investimento da plataforma no Brasil.

 

Foto Jorge Bispo

 

“Apesar da ambientação da série ser o Rio, com uma realidade muito brasileira, com suas músicas e texturas, a narrativa se foca na relação de um pai e um filho que vivem as dores e os impactos familiares do vício em drogas, e esse drama é universal”, reflete. Inspirada no livro de mesmo nome e de autoria de Tony Bellotto, “Dom” foi distribuída para 240 países pela Amazon. “Estive no Uruguai para as filmagens da segunda temporada, lá muitos me disseram que se identificaram com a série, que viveram ou conhecem um enredo parecido em suas vidas.”

A produção é baseada na história real de Pedro Dom, um rapaz de classe média carioca que começou a usar cocaína muito cedo, e se tornou líder de uma gangue criminosa que estampou os jornais no início dos anos 2000. “Essas narrativas são chocantes por causa do racismo estrutural, drogas e crimes são associados quase sempre a pessoas pobres e negras, mas uma história como a de Pedro é muito comum.”

 

Gabriel Leone na série ‘Dom’ | Foto SerendipityInc

 

Premonições do difícil normal

O tempo tomou uma dimensão diferente com a pandemia. Desde que fomos atravessados pela nova realidade, os dias ficaram mais parecidos e as esperas, mais longas. Em 2019, Gabriel Leone esteve no Festival de Cinema de Brasília para o lançamento do longa do diretor Cláudio Assis, “Piedade” – no elenco com Fernanda Montenegro, Cauã Raymond, Matheus Nachtergaele e outros grandes atores –, mas não esperava que apenas em agosto deste ano veria a estreia do filme para o público, que foi adiada por causa do distanciamento social.

Filmado em 2017 e hoje disponível em plataformas de streamings, como a Now, “Piedade” tem um pano de fundo político, muito bem cabido ao Brasil de agora, de descaso do poder público e de exploração ambiental desenfreada. “Acima de tudo eu tinha um desejo de trabalhar com Cláudio Assis, sempre há algo biográfico em seus filmes e é um dos melhores roteiros que já li! Quatro anos depois muita coisa aconteceu e em consonância com o que o longa propõe, é curioso como foi quase premonitório”, afirma.

O filme traz a rotina dos moradores de Piedade, cidade fictícia no litoral recifense. A vida dessas pessoas é abalada pela chegada de uma grande empresa petrolífera, que quer comprar casas da região para ter acesso aos recursos naturais. “É uma produção muito importante, depois das filmagens vimos o vazamento de óleo por todo o litoral do Nordeste.”

 

Cena do filme "Piedade" com o colega Irandhir Santos - Foto Serendipityinc

Cena do filme “Piedade” com o colega Irandhir Santos – Foto Serendipityinc

 

“A música vem até mim”

É por acaso, mas também não é. Mesmo que de forma indireta, a música está presente nos trabalhos de Gabriel. O ator é protagonista do longa “Eduardo e Mônica”, ao lado de Alice Braga, inspirado na famosa canção de Legião Urbana. O filme de René Sampaio seria lançado no ano passado, mas foi outro projeto adiado com a pandemia. A expectativa é de que a estreia aconteça ainda neste semestre nos cinemas.

No papel de Eduardo, o desafio foi interpretar um garoto 10 anos mais jovem que o ator. Para isso, Gabriel Leone mergulhou ainda mais fundo nas obras de Renato Russo e sua banda. “Cresci escutando Legião Urbana, meus pais eram fãs de carteirinha, meu disco favorito deles é o ‘Dois’, que justamente tem ‘Eduardo e Mônica’ entre as canções.” A música e o teatro começaram juntos para o ator. “Fiz muitos musicais, estudei canto, comecei a tocar com o violão da minha mãe, hoje coleciono discos e é incrível poder unir os dois universos no meu trabalho, a música acaba vindo até mim”, conta. Na série “Os Dias Eram Assim”, da Globo, uma composição do ator entrou como trilha-sonora em algumas cenas, e Gabriel foi o intérprete de “Aos Nossos Filhos”, de Ivan Lins, que foi música de abertura da produção de 2017.

Outro personagem marcante, embalado pelo amor à música, foi estar na pele de Roberto Carlos, no filme “Minha Fama de Mau”, de 2019, que traz o começo da carreira de Erasmo Carlos e o surgimento da Jovem Guarda. “Temos muitos registros atuais dessas figuras, agora que estão mais velhos, mas o longa se foca no início de suas carreiras, esse foi o maior desafio, e estudamos muito para fugir de imitações, não queríamos ser covers.”

 

Caminho novo, intenso

Ainda vivemos tempos pandêmicos, mas a vida voltou a rodar. E a volta aos sets aconteceu intensamente. O ator agora termina as filmagens de “Um Lugar ao Sol”, próxima novela das 9 da Globo, com estreia prevista para novembro e que irá ao ar finalizada e com todas as cenas entregues – para evitar que fosse paralisada por causa da Covid-19 no Brasil.

“Foram oito meses de encontros muito especiais, na novela contraceno basicamente com apenas três atrizes, que são grandes referências para mim: Denise Fraga, Andréa Beltrão e Regina Braga”, diz. Neste mês, na estreia de “Verdades Secretas 2”, produção do Globoplay, Gabriel Leone também retorna para uma participação especial logo na primeira cena.

“Mesmo em pouco tempo, já vivi tantas histórias, vejo uma importância muito grande nisso, porque todos esses personagens fazem parte dessa evolução que venho construindo na minha carreira”, reflete, e elenca Pedro Dom e Miguel, da novela “Velho Chico”, de 2016, como os papeis mais marcantes até hoje. E, assim, a trajetória do jovem e experiente ator já está repleta de trabalhos e, claro, aberta para novos caminhos.

 

Cena da novela inédita "Um Lugar ao Sol" - Foto Globo | Divulgação

Cena da novela inédita “Um Lugar ao Sol” – Foto Globo | Divulgação

 

Lado A, Lado B

Uma cidade para voltar?

Roma

Um lugar para morar?

Nova York

Um filme?

Hair, de Milos Forman

Um diretor?

Paul Thomas Anderson

Uma música?

Curvas do Rio, de Elomar

Um desejo para o Brasil?

“Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam ver o dia raiar” (Guilherme Arantes)

Um sonho para realizar logo?

Ver o fim da pandemia

 

Quatro lançamentos dos streamings para curtir em setembro!

Quatro lançamentos dos streamings para curtir em setembro!

Programação das plataformas de streamings inclui novas temporadas de “Modern Love” e de “La Casa de Papel”, documentário sobre a ambientalista teen Greta Thunberg e filme com Meryl Streep ‘tretando’ com suas coleguinhas.

 

"La Casa de Papel" - Foto: Divulgação

“La Casa de Papel” – Foto: Divulgação

 

“LA CASA DE PAPEL”
Netflix

A série espanhola sobre um grupo que assalta a Casa da Moeda e o Banco Central, em Madri, está chegando ao seu final. Mas esta 5ª e última temporada será dividida em duas partes, cada uma com cinco episódios: o volume 1 (disponível a partir do dia 3 deste mês) e o volume 2, com estreia programada para dezembro. Neste ‘gran finale’, os integrantes de La Banda são colocados em situações extremas. Aquilo que começou “apenas” como um assalto está prestes a se transformar em uma verdadeira guerra!

 

Greta Thunberg em "Meu nome é Greta" - Foto: Divulgação

Greta Thunberg em “Meu nome é Greta” – Foto: Divulgação

 

“MEU NOME É GRETA”
Disney+

Ativista ambiental, a adolescente sueca Greta Thunberg é uma das mais poderosas e respeitadas vozes do planeta nos encontros internacionais que discutem a emergência climática. A garota protesta pelo direito de viver em um mundo habitável no futuro e cobra providências de grandes – e velhas – lideranças políticas falando de igual para igual com elas. O documentário, realizado pela National Geographic, mostra também como ela convive com a Síndrome de Asperger e como lida com as manifestações de ódio – que incluem xingamentos e até ameaças de morte.

 

Meryl Streep em "Let Them Talk" - Foto: Divulgação

Meryl Streep em “Let Them Talk” – Foto: Divulgação

 

“LET THEM ALL TALK”
HBO Max

Dirigido por Steven Soderbergh, este filme acompanha a famosa romancista Alice Hughes (Meryl Streep) e suas duas amigas mais antigas, Roberta (Candice Bergen) e Susan (Dianne Wiest), em uma viagem a bordo de um transatlântico para a Inglaterra, onde a escritora vai receber um prêmio literário. As amigas tentam restaurar o vínculo que as uniu nos tempos de faculdade, relembrando velhas queixas naquele estilo ‘morde e assopra’. O texto é muito bom, e as três veteranas atrizes mostram que ainda estão no auge de sua forma, com interpretações afiadas e magistrais.

 

"Modern Love" - Foto: Divulgação

“Modern Love” – Foto: Divulgação

 

“MODERN LOVE”
Amazon Prime Video

A plataforma estreou a 2ª temporada da série “Modern Love”, inspirada nas histórias publicadas em uma coluna de crônicas do jornal “The New York Times”. Cada episódio conta uma história, com elenco e locação diferentes. O segmento mais comentado dessa nova “safra” nos streamings traz Kit Harington (o John Snow de “Game of Thrones”) e Lucy Boynton (a Mary de “Bohemian Rhapsody”). Eles se conhecem em um trem na Inglaterra, se apaixonam instantaneamente e, na hora da despedida, não se beijam: apenas roçam os cotovelos, como estipula a etiqueta nesses tempos de coronavírus.

Theatro Municipal de São Paulo comemora 110 anos com programação multimídia

Theatro Municipal de São Paulo comemora 110 anos com programação multimídia

Comemorações têm início neste mês no Theatro e no ambiente virtual, com ópera multimídia, percurso sensorial, itinerância lírica e série no Youtube.

Com uma programação que marca a retomada das óperas no Theatro Municipal de São Paulo, após dois anos, o edifício – assinado pelo escritório Ramos de Azevedo em colaboração com os italianos Claudio Rossi e Domiziano Rossi – celebra 110 anos em 2021. Entre suas paredes e em seus entornos, visitantes podem festejar, ao longo do mês, esse patrimônio arquitetônico tombado, tão importante para a música, a dança e a ópera no Brasil.

 

Fachada do Theatro Municipal de São Paulo - Foto: Fabiana Stig

Fachada do Theatro Municipal de São Paulo – Foto: Fabiana Stig

 

A comemoração do aniversário começa no dia 10, com a estreia da ópera-tango “María de Buenos Aires” (1968), de Astor Piazzolla, que ganha contexto atual na concepção de Kiko Goifman – diretor de cinema que assina sua primeira produção operística –, que convidou prostitutas para atuar nas récitas e utiliza projeções e técnicas de cinema ao vivo.

No dia 12, data do aniversário do teatro, estreia “Fantasmagoria Theatro Municipal de São Paulo”, uma mistura de espetáculo-exposição-percurso, dirigida pela dupla Daniela Thomas e Felipe Hirsch, com intervenções de integrantes dos corpos artísticos da casa em diversos ambientes do edifício, e cenografia composta por peças do acervo.

 

Cena da ópera "María de Buenos Aires", em cartaz neste mês, na programação de aniversário do teatro - Foto: Ariel Bravo

Cena da ópera “María de Buenos Aires”, em cartaz neste mês, na programação de aniversário do teatro – Foto: Ariel Bravo

 

Os projetos “Carroças Líricas” e “Cine-Ópera” levam a ópera para as ruas da cidade, seja em projeções em edifícios ou pontos pré-determinados, seja por meio dos catadores de material reciclável que circulam pelo centro de São Paulo com intervenções artísticas, a partir do dia 20 de setembro. A websérie documental “Memória Viva da Capital”, com direção de André Ferazini, com previsão de lançamento no dia 23, revela, em quatro episódios, parte dos 110 anos do edifício, e é exibido no canal do Youtube do teatro.

Os ingressos para a ópera custam a partir de R$ 20 (inteira) e para o espetáculo “Fantasmagoria Theatro Municipal de São Paulo”, R$ 40 (inteira). A venda está disponível no site www.theatromunicipal.org.br.

Atriz Thaila Ayala estreia como roteirista, produtora, empreendedora e mãe

Atriz Thaila Ayala estreia como roteirista, produtora, empreendedora e mãe

Nascida em Presidente Prudente, a atriz e modelo Thaila Ayala se prepara para gestar um filho e muitos outros projetos no cinema e na moda.

Thaila Ayala é plural. Aos 35 anos, ela divide seu tempo entre as funções de atriz, modelo, produtora, empreendedora e ativista. Dona de uma inquietude que, hoje, se transformou em uma agenda cheia. “O mergulho forçado da pandemia me fez desengavetar sonhos até então adormecidos, e desde então não parei de trabalhar.”

Atualmente em “Ti Ti Ti”, novela de Maria Adelaide Amaral em reexibição na programação vespertina da TV Globo, a atriz interpreta a mimada e ambiciosa Amanda, “uma modelo como muitas que conheci no meu tempo de passarela”, comenta. Das telinhas para as telonas, Thaila comemora o lançamento do longa “Lamento”, com direção de Claudio Bittencourt e Diego Lopes, que chegou aos cinemas no final de agosto e foi indicado a melhor filme estrangeiro no Festival de Burbank, na Califórnia, e vencedor do prêmio do Público de melhor filme no Festival Katra Film Series, em Nova York.

A trama de suspense traz Marco Ricca vivendo o proprietário de um hotel que já viu seus dias de glória e muito luxo. Herdado por ele, agora o lugar não é mais o mesmo, abrigando o submundo e clientes, no mínimo, duvidosos. Thaila Ayala encarna uma prostituta que chega ao local e, após algumas horas, simplesmente desaparece, levantando suspeitas de um possível crime.

“Lamento é um filme de gênero. Nem sempre foi assim, mas hoje podemos encher a boca para falar que o nosso cinema tem de tudo. Existe uma qualidade de roteiro, de direção, um super cuidado. O longa teve uma contribuição incrível de Marco Ricca, que é um dos maiores atores que temos no Brasil. Respeitando todos os parceiros que já tive, ele foi um dos mais incríveis com que atuei.”

Com cenas fortes, que misturam violência, sexo e drama psicológico, Thaila conta que construir a personagem foi um desafio. “É um combo que o filme traz, de direção e roteiro densos. A Leticia, minha personagem, tem um mistério. É fluida, enigmática e pode ser tudo. Meu desafio foi fugir dos estereótipos e romper os estigmas que ainda costumam orbitar sobre uma garota de programa.”

 

Thaila Ayala - Foto: Luiza Ferraz | Produção e roupas: MAXILA

Thaila Ayala – Foto: Luiza Ferraz | Produção e roupas: MAXILA

 

Filha da terra

Nascida em Presidente Prudente, a distantes 558 km da capital paulista, Thaila é cidadã do mundo. Saiu de casa aos 14 anos, sem se despedir, em um ônibus com destino à metrópole. Na mala, R$ 300 e o sonho de trabalhar como modelo para contribuir com a renda familiar. Em pouco tempo, a carreira na moda deslanchou. Depois de São Paulo, foi para o Rio de Janeiro, Los Angeles e Nova York – lugares que revisitou anos depois, como atriz.

Apesar das muitas recordações cosmopolitas, a atriz ainda se sente uma menina do interior. “Prudente é minha raiz, minha base e minha tradição. Confesso que adoro a bagunça de uma cidade grande, mas sou filha da terra e preciso dela para me sentir completa”, conta. As memórias dos ares prudentinos são de muito afeto e simplicidade. “Lembro de andar de carrinho de rolimã e brincar de casinha em um terreno baldio do lado de casa. Era tudo muito genuíno e mágico.”

Hoje, 20 anos depois, a casa que compartilha com o marido, o também ator Renato Góes, no bairro carioca de Itanhangá, é retrato dos paraísos bucólicos que descobriu quando criança. “Escolhemos um lugar grande e arborizado, com cachoeira por perto e frutas no pé”. Nos muitos meses de isolamento social, foi no contato com essa natureza particular, em meio às lagoas da Barra da Tijuca, que se permitiu reenergizar. “Tive algumas crises de ansiedade nesse período, e estar em meio ao verde me reconectava à tranquilidade dos meus dias no interior. Era como voltar no tempo.”

 

Thaila Ayala - Foto: Luiza Ferraz | Produção e roupas: MAXILA

Thaila Ayala – Foto: Luiza Ferraz | Produção e roupas: MAXILA

 

E é nos veios e no ventre da terra que Thaila pretende dar à luz seu primeiro filho, Francisco. Grávida de quatro meses, a atriz sonha em deixar ao primogênito a herança do contato com a natureza e amor ao verde. “Quero que meu filho tenha o privilégio de aproveitar uma infância que seja o mais próxima possível da que eu tive em Prudente, com toda a liberdade de brincar na grama, de pés descalços e vento no rosto.”

Cachoeira criativa

É com esse mesmo carinho maternal que Thaila se refere a seus trabalhos. Além de gestar um filho, a atriz alimenta ideias e projetos há muito tempo. “Eles também são meus bebês”, comenta, entre risadas. O orgulho não é à toa. Desde sua primeira aparição na TV, como a adolescente Marcela na 14ª temporada de “Malhação”, já são quase 15 anos de carreira e um currículo que inclui inúmeras participações em novelas, filmes nacionais e internacionais, e séries em plataformas de streaming.

O plano para este segundo semestre é aumentar ainda mais essa “família”. “Além de ‘Lamento’, tenho outros quatro filmes para estrear”, diz. Dentre os títulos, estão o lúdico “Moscow”, o romance “O Garoto”, o distópico “Distrito 666” e o suspense “Inverno”. Esse último, protagonizado por ela e Renato – o primeiro do casal juntos em cena –, marca a estreia de Thaila como roteirista. “Eu sempre escrevi. Já fiz alguns cursos de roteiro em Nova York, mas muito mais por exercício e paixão. O impulso veio do isolamento, quando percebi que poderia usar o tempo ‘quarentenada’ para realizar mais esse sonho.”

Foi então que recorreu à ajuda criativa do amigo, roteirista e diretor Paulo Fontenelle. Juntos, eles delinearam a trama de suspense que deve chegar aos cinemas ainda neste ano. “A história foi 100% inspirada no momento que estamos vivendo e retrata a vida de um casal em quarentena, depois de serem atravessados por uma fatalidade misteriosa e sombria”, conta. De fato, não havia como fugir da temática pandêmica. Com a indústria cinematográfica ainda sob as restrições dos protocolos de saúde, o jeito foi rodar o filme inteiro dentro de casa. “Transformamos nossos cômodos em set de filmagem. Nós terminávamos de gravar e dormíamos com os equipamentos de iluminação ainda montados, com elementos cênicos na escrivaninha e macas de hospital encostadas no armário. Foi uma aventura.”

 

Thaila Ayala e Renato Góes no set de filmagem do longa "Inverno" - Foto: Divulgação

Thaila Ayala e Renato Góes no set de filmagem do longa “Inverno” – Foto: Divulgação

 

“Inverno” também é o primeiro projeto da Cachoeira Filmes, produtora audiovisual inaugurada por Thaila e o marido em 2020 – outro “filho” do casal gerado durante os meses de pandemia. Ainda sem previsão para novas produções da empresa, o próximo sonho é transformar a produtora em projeto social. “Temos essa ideia, ainda embrionária, de fazer da Cachoeira um espaço de incentivo a novos roteiristas, diretores e atores, que seja um suporte para jovens nomes da área.”

Ativismo está na moda

Na sua conta no Instagram – onde acumula mais de 6 milhões de seguidores –, a prudentina se autodescreve “atriz, ativista, feminista e espiritualista”. Dedicada a causas socioambientais, seu ativismo, ela explica, é mais uma herança das raízes interioranas. “A minha terra me fez militante. Foi naquele ambiente que percebi a necessidade de preservar e lutar pela natureza que ainda nos resta”, pontua.

Em agosto de 2020, a preocupação ambiental virou modelo de negócio. Ao lado das amigas e sócias – a produtora Maria Cláudia Luquet e a empreendedora Fernanda Cardamone -, lançou Amar.ca, grife com peças versáteis e 100% ecológicas. Da idealização à embalagem, Thaila acompanha de perto todas as etapas da confecção. “Quero ter certeza de que todo o processo vai refletir os valores em que acredito”. No catálogo da loja, que funciona exclusivamente online, todos os produtos possuem os selos “Eu Reciclo” e “Carbon Free”, de certificação sustentável. “Mais do que referência em estilo, queremos ser agentes de um movimento cada vez mais consciente na moda.”

 

Thaila usando peças de moletom ecológicas da grife Amar.ca - Foto: Divulgação

Thaila usando peças de moletom ecológicas da grife Amar.ca – Foto: Divulgação

 

Bem-informada e politizada, a atriz e empresária acredita que arte e o ativismo não só são um match possível, mas necessário. “Para nós, figuras públicas, que temos o privilégio desse espaço de fala e atuação, a omissão não pode ser uma opção”.

E é por isso que ela age e se movimenta. Thaila promove bazares beneficentes com lucro revertido a iniciativas sociais, faz coleta seletiva em casa, tem preferência absoluta por alimentos orgânicos e de pequenos produtores, e é madrinha do “Cidades Invisíveis”, projeto com sede em Florianópolis que, desde 2012, fomenta a capacitação e o empoderamento em comunidades vulneráveis, por meio do incentivo à produção artística.

“No fim, militância e arte se entrelaçam. Na atuação, a gente já empresta a pele e a voz a histórias que não são nossas. É, com toda certeza, um exercício poderoso e frequente de empatia, que quero sempre transbordar para a minha vida.”