Gol e Avianca se unem para formar Grupo Abra e comandar o transporte aéreo na América Latina

Gol e Avianca se unem para formar Grupo Abra e comandar o transporte aéreo na América Latina

Depois de efetivada essa união na holding Abra, os passageiros da Gol terão a chance de voar para mais destinos nos Estados Unidos (com escala em Bogotá), e os clientes da Avianca voltam a se conectar com dezenas de cidades brasileiras

Em meados de maio, o mercado foi surpreendido com a decisão dos acionistas da Gol e da Avianca de criar um grupo para unificar o controle das duas empresas. Após as aprovações regulatórias necessárias, nascerá então o Grupo Abra, com receita anual da ordem de US$ 7 bilhões e uma frota de cerca de 300 aeronaves. O anúncio deixou uma série de perguntas sem respostas, mas algumas dessas dúvidas já foram esclarecidas.

Gol e Avianca não serão uma única empresa, ao menos por enquanto. O Grupo Abra passará a controlar as duas empresas, mas os negócios continuarão separados e cada companhia segue com sua gestão independente. O Abra será uma holding, sediada no País de Gales, no Reino Unido, que terá como sócios a família Constantino (sócia majoritária da Gol) e os controladores da Avianca, entre os quais está a aérea americana United. Resta saber como fica esse aparente conflito, com a United tendo participação na holding e a American sendo dona de parte da Gol.

Em todo caso, a união pode ser benéfica para muita gente. As duas empresas ganham tamanho e poder de barganha na negociação de contratos de manutenção e leasing, por exemplo – e isso pode reduzir seus custos. Para o consumidor final, o negócio pode baratear o preço de alguns trechos. E quem tem o programa de fidelidade da Gol poderá resgatar também passagens da Avianca.

Por fim, os clientes da Gol terão mais rotas para voar. A Avianca tem 130 rotas atualmente e planeja chegar às 200 até 2023. A partir de Bogotá, opera voos para Nova York, Washington, Houston, Los Angeles, Toronto, Madri, Cidade do México, Cancún, San Salvador e diversas ilhas do Caribe, como Curaçao e Aruba.

 

Avião da Gol - Foto divulgação - Grupo Abra

Radar

Colombian connection
Por falar em Colômbia, a Viva Air começa este mês a operar voos entre a cidade de São Paulo (GRU) e Medelín. Com preços promocionais, as passagens de ida e volta estão sendo vendidas por cerca de R$ 1.600. Inicialmente, serão três frequências semanais, com saídas de SP às terças, quintas e domingos às 5h25, e de Medelín às segundas, quartas e sábados.

Rango a bordo
Liberado pela Anvisa, o serviço de bordo está de volta nos voos da Azul desde o dia 22 de maio. Na Latam, a previsão é de retomar a oferta gratuita de snacks e bebidas em 1° de junho nos voos domésticos. A Gol já reassumiu a distribuição de lanchinhos nos voos que saem de Congonhas e de Guarulhos. Para viagens partindo de Brasília e do Rio, a previsão é voltar no dia 1º de junho. Nas demais rotas, o serviço de bordo só volta em 16 de junho. E atenção: apesar da liberação do serviço de bordo, o uso de máscara continua obrigatório.

Para los Andes
A Gol voltou a operar seus voos entre São Paulo e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, suspensos por causa da pandemia em março de 2020. Até o final de julho, serão quatro frequências semanais, às segundas, quartas, sextas e domingos. A partir de agosto, passam a ser cinco voos semanais. O voo sai de Guarulhos às 10h50. Do aeroporto boliviano de Viru-Viru, a saída é às 13h55 (hora local).

Azul, Latam e Gol saem da crise da pandemia mais fortes e com boas perspectivas

Azul, Latam e Gol saem da crise da pandemia mais fortes e com boas perspectivas

Trinca de companhias aéreas brasileiras sofrem há 20 meses com a crise que a pandemia causou no setor, mas hoje respiram aliviadas e tentam trabalhar de forma mais enxuta e eficiente

As três grandes empresas aéreas brasileiras sobreviveram com dignidade à pandemia. Elas saem menores dessa crise, mas fortes e com boas perspectivas. A Gol, por exemplo, teve uma pequena redução em sua frota. Na virada de 2019 para 2020, tinha 129 aeronaves em operação, e hoje 123. Mas a empresa acaba de concluir o refinanciamento de uma dívida de R$ 1,2 bilhão, com vencimento em 2024, o que faz com que suas dívidas de curto prazo atinjam o menor patamar desde 2014.

Na Azul, a frota também encolheu, de 167 no final de 2020 para 134 hoje. Mas agora a empresa atende um total de 130 destinos – sendo que 15 deles entraram nessa lista em pleno 2021! O número de voos e o total de passageiros transportados a cada mês já estão em níveis superiores aos registrados antes da pandemia causar esse furdunço no setor. E, quanto à saúde financeira da empresa, ficou claro que as coisas andam bem por lá: a Azul até tentou comprar a operação brasileira da chilena Latam!

E, por falar nela, a Latam Brasil também teve um ligeiro encolhimento em sua frota. Os 151 do final de 2020 viraram 141 hoje, com a triste perda de onze modernos Airbus A350. Mas a empresa, que ainda está em meio a um processo de Recuperação Judicial, hoje tem uma operação mais enxuta, eficiente e rentável.

Para este ano que começa, as perspectivas são promissoras. O tráfego total do mercado doméstico deve superar os patamares pré-pandemia já no primeiro trimestre e, nas rotas internacionais – quase todas já reativadas, ainda que com frequências meio “banguelas” – a retomada infelizmente vai demorar um pouco mais. Se as varia ntes sigma, zeta e ômega (letras gregas que vêm depois de gama, delta e omicron) não melarem as previsões, as três gigantes dos céus brasileiros não enfrentarão turbulências em 2022.

 

Foto divulgação

Radar

Rapa Nui
A partir do dia 3 de fevereiro, a Ilha de Páscoa reabre fronteiras para o turismo, com a retomada dos voos regulares da Latam, suspensos em março de 2020. Para manter a crise da pandemia sob controle e continuar a proteger a saúde dos habitantes, os turistas devem ter esquema vacinal completo e o resultado negativo de um teste de RT-PCR realizado, no máximo, 48 horas antes do embarque.

 

Porcos com asas
Em fevereiro, o Palmeiras vai disputar o Mundial de Clubes em Abu Dhabi. Dados da plataforma de viagens Kayak mostram que, em dezembro, as buscas de voos para esse emirado árabe subiram 3.276% em comparação com a semana anterior à classificação do time para o torneio. O metabuscador aponta que ocorreu um aumento de 34% no preço médio das passagens. Os raros tickets estão sendo vendidos por, no mínimo, R$ 8.000.

 

Flop no ar
Que vexame a Ita, hein? Antes de completar seis meses de operação, a companhia aérea do Grupo Itapemirim já encerrou suas atividades e deixou, às vésperas do Natal, milhares de passageiros no chão. Com Certificado de Operador Aéreo (COA) suspenso pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), é improvável que a empresa volte a voar tão cedo. E, se pagar o que deve aos funcionários e convencê-los a retomar seus postos, quem vai querer voar com uma companhia dessas?

Acordo fortalece os laços entre as companhias: American e Gol

Acordo fortalece os laços entre as companhias: American e Gol

Primeiro veio a United e adquiriu 8% das ações da Azul. Depois, a Delta abocanhou 20% da Latam, e agora, como muitos já haviam previsto – inclusive esta coluna – a American Airlines injeta US$ 200 milhões (algo como R$ 1,1 bilhão) na Gol, adquirindo 5,2% das ações da aérea brasileira.

As duas empresas anunciaram em setembro a expansão de sua cooperação comercial por meio de um acordo exclusivo de compartilhamento de voos (codeshare) pelos próximos três anos e de uma maior integração de seus programas de fidelidade.

Em operação desde fevereiro de 2020, o compartilhamento de voos envolve mais de 30 destinos nos EUA e os voos que operam nos hubs da Gol em São Paulo e no Rio, integrando 34 opções de rotas brasileiras e internacionais, como é o caso de Montevidéu, no Uruguai. As malhas das duas companhias são altamente complementares. Nos últimos 10 anos, a American transportou mais de 14 milhões de passageiros entre o Brasil e os EUA.

No comunicado que anunciou essa intensificação da parceria, nada foi esclarecido sobre uma eventual entrada da Gol na aliança One World, capitaneada pela British Airways e pela American. Para a Gol, esse movimento não seria necessariamente positivo, já que a empresa tem muita sinergia com a Air France e com a KLM, que são as líderes da Sky Team, uma das alianças rivais da One World.

Na Gol, parte desse capital injetado pela American será usado para reforçar o capital de giro – o que vai permitir uma operação mais robusta – e para acelerar a conversão de toda frota para os modelos Boeing 737 MAX.

 

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Radar

Open states
O governo norte-americano anunciou que em novembro vai suspender as restrições de viagem para todos os visitantes internacionais que estejam vacinados. Os estrangeiros terão permissão para entrar nos EUA apresentando comprovante de vacinação e um teste de Covid-19 com resultado negativo feito com antecedência de três dias ao embarque. Entretanto, ainda não foram divulgadas quais vacinas serão aceitas.

Traz alfajor?
A Argentina também vai abrir suas fronteiras aéreas. A partir de 1º de outubro, os brasileiros e vizinhos como chilenos, uruguaios e peruanos já poderão entrar na terra do tango. Em novembro será a vez dos estrangeiros de outros países. Para não fazer isolamento após a chegada, os turistas precisarão ter o esquema completo de vacinação há pelo menos 14 dias, fazer PCR antes da viagem e um teste de antígenos na chegada à Argentina.

Fôlego no ar
A partir de dezembro, a Azul passará a operar o voo doméstico regular mais longo em todo o território brasileiro. Os mais de 3,2 mil quilômetros que separam Campinas e Boa Vista, a capital do estado de Roraima, serão percorridos quatro vezes por semana com aeronaves Airbus A320 em um voo de cerca de 4h25 de duração. Atualmente, esse recorde de rota mais longa pertence ao voo que liga Porto Alegre e Recife, cujo percurso de 2.955 quilômetros é feito em 4 horas, aproximadamente.

Companhias aéreas estão prontas para decolar, sinais indicam uma vigorosa e sustentável recuperação do setor

Companhias aéreas estão prontas para decolar, sinais indicam uma vigorosa e sustentável recuperação do setor

Agora vai! Depois de um ano e meio apenas taxiando no solo, com voos cancelados e aviões vazios, agora o setor de aviação está pronto para decolar enxerga sinais da retomada por todo lado. Em agosto, as companhias aéreas nacionais registraram o quarto mês consecutivo de crescimento em voos domésticos, com uma média de 1.680 partidas diárias, ou o equivalente a 70% da oferta de voos verificada no início de março de 2020.

 

foto divulgação

 

Na Azul, o tráfego doméstico de passageiros em julho deste ano foi equivalente a 101% do nível registrado em 2019. Já a capacidade doméstica da companhia foi recuperada em 104%. Os índices são medidos em RPKs e ASKs, respectivamente. A Latam Brasil teve em agosto uma oferta de assentos equivalente a 77% daquela verificada neste mesmo mês, em 2019. A companhia opera hoje em 44 aeroportos no Brasil, número semelhante ao patamar pré-pandemia.

A operação internacional permanece reduzida, na casa dos 20% do que já foi, mas até o fim do ano deve atingir 50%, com a retomada dos voos para Buenos Aires, Londres, Santiago, Milão, Lima, Londres e Boston, entre outros destinos. Na Gol, as novidades são o retorno dos voos para Montevidéu, Cancún e Punta Cana (na República Dominicana), a partir de novembro.

E as companhias estrangeiras também estão restabelecendo suas ligações com o Brasil. A Emirates, por exemplo, volta a ter voos diários entre Guarulhos e Dubai a partir de 5 de outubro; a Air Canada reativará a rota Toronto-São Paulo agora em setembro e a Qatar Airways, que antes da pandemia operava voos diários entre São Paulo e Doha, atualmente tem 10 frequências semanais nessa rota!

 

Radar

Vou de táxi
Após analisar 1.249 aeroportos do mundo todo, o site www.fleetlogging.com elaborou um estudo mostrando os aeroportos com táxi mais caro até a cidade que servem. O Japão domina a lista, com oito dos Top Ten. O mais caro de todos é o de Hiroshima, onde o passageiro desembolsa US$ 165. Na Europa, o mais caro é o de Oslo, na Noruega, onde a corrida custa US$ 145. Se você viajar para um desses lugares, desloque-se de trem entre o aeroporto e a cidade.

Força latina
O Nella Airlines Group, comandado pelo brasileiro Maurício Araújo de Oliveira Silva, desembolsou US$ 50 milhões para assumir o controle da Amaszonas Línea Aérea, que opera na Bolívia, no Chile, no Paraguai e, em pouco tempo, também no Brasil. Em breve, a Amaszonas deve retomar seus voos para São Paulo (Guarulhos), para o Rio e para Foz do Iguaçu. A Nella quer ampliar sua presença na América Latina e no Caribe

Embrágua
A Marinha do Brasil fechou um contrato de R$ 9,1 bilhões para a compra de quatro fragatas. Os navios militares serão construídos pelo consórcio Águas Azuis, formado pela Thyssenkrupp, pela Atech e pela… Embraer! Isso mesmo, a empresa famosa por seus modernos e eficientes aviões tem também um braço na indústria naval! As quatro embarcações serão produzidas em um estaleiro em Itajaí (SC) e serão entregues à Marinha entre 2025 e 2028.

EUA cogitam flexibilizar a entrada de viajantes brasileiros a partir de outubro

EUA cogitam flexibilizar a entrada de viajantes brasileiros a partir de outubro

Segundo especialistas em políticas migratórias, as restrições impostas aos viajantes do Brasil por causa da pandemia podem ser reduzidas já a partir de outubro pelos EUA; companhias aéreas agora terão de reestruturar suas malhas de voos entre os dois países

Enquanto magnatas britânicos e norte-americanos viajam pelo espaço, os brasileiros ainda não podem alçar grandes voos. Muitas fronteiras ainda permanecem fechadas para nós. Mas já dá para enxergar uma luz no fim do túnel. A França, a Suíça, o Canadá e a Colômbia já estão se abrindo para os viajantes brasileiros e, de acordo com escritório californiano de advocacia imigratória AG Immigration, os Estados Unidos devem aliviar as restrições aos brazucas já a partir de outubro.

Com o avanço da vacinação em massa no Brasil e as fortes pressões do lobby da indústria turística dos EUA, a tendência é que as autoridades migratórias norte-americanas flexibilizem o bloqueio a viajantes de vários países, como Índia, Coreia do Sul e Brasil. Anteriormente, a previsão de reabertura era para maio, e depois mudou para julho. Entretanto, devido ao atraso na vacinação no Brasil durante o primeiro semestre e o surgimento de variantes da Covid-19, a decisão foi sendo postergada. Hoje, postos consulares estadunidenses no Brasil já aceitam pedidos de vistos para estudantes, executivos e empresários.

Com isso, as grandes companhias aéreas devem reativar seus voos entre os dois países. A Delta, que ligava São Paulo a Nova York, Atlanta e Detroit, agora só segue operando voos para seu principal hub, em Atlanta. A American, que voava do Brasil para Nova York, Dallas, Miami e Los Angeles, não deve retomar os voos para a Califórnia tão cedo. E a United, que tinha serviços diários e diretos para Chicago, Washington, Houston e Nova York (Newark) não tem planos no curto prazo para voltar a voar para a capital dos EUA.

A Latam precisa definir quando e se voltará a operar a rota São Paulo-Boston, e Azul e a Gol já se preparam para reassumir suas rotas para a Flórida.

 

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Radar

 

Confuzione
A companhia Italia Trasporto Aereo (ITA) substituirá a Alitalia e começará a voar em outubro. A nova empresa inicia suas atividades com uma frota de 52 aeronaves (no passado, a companhia já chegou a ter mais de 100 aviões). Os voos de Roma para São Paulo e Rio devem ser retomados apenas no próximo verão europeu, em meados de 2022. Vamos ver como será solucionada a confusão com o nome da Ita, a mais nova empresa aérea do Brasil, do Grupo Itapemirim…

 

Perdidinha
Neste primeiro semestre de 2021, a média de extravio de bagagens caiu para 3,5 malas por mil passageiros. Segundo relatório da consultoria de aviação Sita, entre 2007 e 2020 a taxa de extravio teve redução de 81%, de 18,88 malas para 3,5 por mil unidades despachadas. Em 2007, o extravio gerou prejuízos de US$ 4,2 bilhões. Em 2020, foi de “apenas” US$ 600 milhões. A queda se deve à implementação de sistemas de rastreabilidade.

 

Dona da doha toda
Levantamento da Forward Keys revela que, no primeiro semestre de 2021, Doha ultrapassou Dubai e tornou-se o aeroporto mais movimentado do Oriente Médio. Tradicionalmente, o tráfego aéreo no aeroporto catari sempre foi mais ou menos 20% menor do que o do emirado árabe. A virada começou quando Arábia Saudita, Egito e Bahrein retiraram a proibição de que os voos da Qatar Airways sobrevoassem seus territórios.