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Mês de novembro tem Madonna, Tom Hanks, Beatles e casal em crise conjugal no streaming

Mês de novembro tem Madonna, Tom Hanks, Beatles e casal em crise conjugal no streaming

Programação das plataformas de streamings inclui o lançamento da aclamada série “Cenas de um casamento”, show da Rainha do Pop: Madonna. Uma volta ao passado com os Beatles e uma aventura emocionante e futurista estrelando Tom Hanks.

“CENAS DE UM CASAMENTO”
HBO Max

A minissérie baseada no longa homônimo dirigido por Ingmar Bergman em 1973 acompanha os altos e baixos de um relacionamento em crise. A produção discute temas como os obstáculos que o amor supera, a divisão de tarefas domésticas, a igualdade entre os sexos, os desejos de cada cônjuge, as individualidades, a paixão e as novas configurações familiares. O original sueco era estrelado por Liv Ullmann e Erland Josephson, e esta versão norte-americana tem Jessica Chastain e Oscar Issac nos papéis principais.

 

Foto Divulgação 

 

“MADAME X”
Paramount Plus

Madonna é a estrela do filme conceitual que registra um show da turnê “Madame X”, realizado em Lisboa em janeiro de 2020, pouco antes da pandemia “trancar” o planeta. A arrebatadora apresentação é centrada na instigante e audaciosa personalidade de Madame X, uma agente secreta que viaja ao redor do mundo, mudando de identidade, lutando pela liberdade e trazendo luz a lugares sombrios. No palco, a Rainha do Pop é acompanhada por cerca de 50 performers e pela Orquestra Batukadeiras, formada exclusivamente por mulheres.

 

Foto Divulgação | Streaming

 

“FINCH”
Apple TV

Neste longa, um homem, um robô e um cachorro formam uma família improvável em uma aventura poderosa e emocionante na busca de alguém para garantir que seu companheiro canino seja cuidado depois que ele partir. Tom Hanks interpreta o protagonista, um engenheiro de robótica e um dos poucos sobreviventes de um cataclismo que transformou o mundo em um deserto. Vivendo em um abrigo subterrâneo há mais de uma década, ele construiu um mundo próprio que divide com seu cão, Goodyear. Criou até um robô para fazer companhia ao bichinho.

 

Foto Divulgação 

“GET BACK”
Disney+

A série documental “Get Back”, dirigida pelo premiado Peter Jackson (o mesmo da trilogia “Senhor dos Anéis), mostra, ao longo de três episódios a intimidade, o processo criativo e as brigas dos Beatles, quarteto formado por John, Paul, George e Ringo, enquanto eles tentam escrever 14 novas músicas para seu primeiro show ao vivo em mais de dois anos, em 1969. O material bruto tinha 60 horas de filmagens jamais vistas e mais de 150 horas de áudio nunca ouvidos. O lançamento deste tesouro será nos dias 25, 26 e 27 de novembro.

 

Foto Divulgação | Beatles

 

Para além da comédia, Monica Iozzi fala sobre militância, política e assédio

Para além da comédia, Monica Iozzi fala sobre militância, política e assédio

Dona de um humor mordaz, Monica Iozzi tem opinião formada sobre quase tudo. E sempre foi assim. Nascida em Ribeirão Preto, tinha apenas oito anos quando liderou sua primeira “revolução feminista”. “Fui a primeira coroinha menina da igreja que a minha família frequentava. Nunca fui religiosa, mas queria me exibir no altar, e só via meninos ali. Então eu chamei o padre em um cantinho, argumentei indignada e ele cedeu”, lembra. Foi essa personalidade embativa que, anos depois, usou para enquadrar políticos no Congresso, na época em que foi a única repórter mulher do “CQC” – programa da Rede Bandeirantes que trazia luz à tragicomédia da política nacional.

Sempre envolvida em assuntos que, para muitos, podem parecer espinhosos, Monica Iozzi sabe muito bem aliar delicadeza e intensidade – e faz questão de mostrar isso em seus muitos e diversos projetos. Fez o Brasil rir como apresentadora do “Vídeo Show”, tornou-se ícone de empoderamento em “Dona do Pedaço” (2019), na pele da blogueira Kim Ventura, e, em dezembro, invade as telonas como Dona Luísa, mãe da dona do Limoeiro, bairro de “Turma da Mônica – Lições”.

 

Foto Carlos Sales | Styling Bruno Uchôa | Make Edu Hyde

Foto Carlos Sales | Styling Bruno Uchôa | Make Edu Hyde

 

Para 2022, ela prepara sua estreia no streaming em “Novela”, série de humor da Amazon Prime Video com produção do Porta dos Fundos, na qual interpreta uma roteirista que sonha emplacar um folhetim no horário nobre. Em seguida, chega aos cinemas como uma workaholic que tem que lidar com as delícias e as dores da maternidade, no filme de Dainara Toffoli, “Mar de Dentro”. Para completar, em janeiro do próximo ano estreia “Fala Mais Sobre Isso, Iozzi”, programa do Canal Brasil idealizado e apresentado por ela, que promete combinar política e descontração em episódios semanais com convidados ilustres. Em entrevista à 29HORAS, Monica Iozzi falou sobre militância, posicionamento político, assédio, e refletiu sobre sua carreira e os rumos do país – sem renunciar ao bom-humor de sempre.

 

Foto Globo | divulgação | Victor Pollak Kim (Monica Iozzi)

 

É impossível desvincular sua carreira do universo político. Quando criança, você já se interessava pelo tema? Na sua casa, a política era muito presente?
Minha família tem origem simples, meu pai era eletricista e minha mãe, dona de casa, então eles não se envolviam tanto nessas questões. Mas me lembro de, ainda muito pequena, começar a gostar de política por conta própria. Aos oito anos de idade, eu era meio obcecada pelo horário eleitoral. Achava aquilo tudo muito esquisito. Eu via todas aquelas figuras histriônicas e quase teatrais – se lembra do Dr. Enéas nos anos 1990? – e sentia como se estivesse acompanhando um roteiro de novela. Mas nunca foi apenas um entretenimento, algo ali já me instigava.

Um de seus trabalhos mais marcantes foi justamente nessa área, como repórter do ‘CQC’. Hoje, o programa não está mais no ar, mas os eventos tragicômicos da política continuam. Conte algum acontecimento recente que você adoraria ter tido a oportunidade de cobrir.
Sinceramente, nós estamos vivendo um momento tão assustador e distópico que todo dia surge alguma pauta absurda. É só fazer plantão no cercadinho do presidente para ter acesso a um estoque interminável de escândalos. Mas, falando de momentos específicos, acho que teria sido muito interessante cobrir os bastidores da CPI da Covid. No “CQC”, a gente adorava colocar contra a parede pessoas que davam declarações divergentes, e nessa comissão isso aconteceu aos montes. Também queria ter tido a oportunidade de acompanhar a onda de manifestações pró-regime militar que tomou o país nas últimas semanas. Essa verve enlouquecida e inacreditável de retrocesso daria um quadro, no mínimo, bizarro.

Neste momento de polarização e extremismos que estamos vivendo no Brasil, ainda é possível extrair humor da política?
Com certeza. O humor é um instrumento político poderosíssimo. Há uma capacidade transformadora e instigante no “rir do absurdo”. O que o Marcelo Adnet faz, por exemplo, com as sátiras, imitações e toda aquela ironia crítica é genial. E eu acredito muito que esse tipo de humor, consciente e ácido, tem o poder de fazer com que as pessoas comecem a prestar mais atenção nas atrocidades que estão acontecendo.

Você já chegou a comentar que se arrepende de ter aberto tanto espaço, no ‘CQC’, para as falas de Jair Bolsonaro. Se pudesse retornar ao ar, sua abordagem seria diferente? Para você, qual é o limite da liberdade de expressão?
Eu sempre me pergunto isso. Naquele momento, as matérias que eu fazia eram muito no intuito de denunciar o visível despreparo daquele, na época, deputado federal. O que não imaginava era que, ao invés disso, eu pudesse estar entregando um megafone na mão dele e dos seus discursos de ódio. Pode parecer uma comparação meio forçada, mas na Alemanha a população é proibida de fazer qualquer apologia ao nazismo. Aqui, talvez tenha chegado a hora de agirmos assim também. Não há mais escolha além de ser intolerante com pessoas intolerantes. Hoje, eu provavelmente teria preferido abafar muitos absurdos que ele disse contra a população LGBTQIA+, as mulheres, e as falas a favor da ditadura…

Na equipe do ‘CQC’, você passou três anos e meio como repórter em Brasília. Como foi a experiência de ser uma das poucas mulheres no ambiente majoritariamente masculino do Congresso?
Foram anos de muito aprendizado pessoal. Até aquele momento, eu nunca tinha trabalhado em um lugar onde o sexismo era tão claro e a misoginia, tão gritante. Para você ter uma noção, na época em que estive em Brasília, não existia nem banheiro feminino no Senado. Toda a estrutura do ambiente político foi construída de maneira a manter as mulheres, e todas as minorias, longe dali. Isso sem contar todos os galanteios desagradáveis, os “presentinhos” e os vários momentos em que me chamaram de “minha filha” e “menina” ao invés de Monica Iozzi. Por tudo isso, eu posso dizer que foi no Congresso que tomei consciência de que o feminismo seria a minha luta para a vida toda.

 

Foto Globo | Divulgação | Tata barret Os novos integrantes do Vídeo Show, Giovanna Ewbank e Joaquim Lopes, com os apresentadores Monica Iozzi e Otaviano Costa

 

Antes da pandemia, você participou da série “Assédio”, com direção de Amora Mautner. Qual é a importância de se falar sobre assédio e abuso?
Eu não conheço nenhuma mulher que nunca foi assediada. Até minha sobrinha de 13 anos já tem algumas histórias assim para contar. É preciso expor essa realidade, e a série faz isso com maestria. Também me deixa grata a forma como a produção conseguiu trazer uma mensagem de força feminina. Apesar de todas as personagens terem sofrido violência, elas estão longe de serem representadas com fragilidade. A série traz essa mensagem de que não podemos nos calar e que, unidas, conseguimos fazer com que as engrenagens comecem a mudar. Acho que muito disso vem da direção feminina, a Amora trouxe esse olhar de dentro para o tema.

Se posicionar e falar sobre política pode parecer espinhoso para muitos, mas você consegue equilibrar leveza e profundidade. Na sua rotina, o que você faz para se desligar um pouco das notícias e do que acontece no país?
É difícil me desconectar de tudo, mas toda noite eu me sento no sofá e devoro as plataformas de streaming. Tenho mergulhado fundo no cinema brasileiro, que é a área em que mais quero trabalhar na vida. Estou assistindo desde Mazzaroppi até Anna Muylaert, Renata Pinheiro e Felipe Bragança, revendo tudo, estudando e me apaixonando de novo pela nossa arte. E eu também jogo muito video-game! Tenho um aparelho que reproduz os jogos dos anos 1980 e 1990, e sou fissurada.

Essa sua dualidade também aparece nas telas. Seus próximos projetos no cinema são muito diferentes entre si. Em qual gênero você se sente mais confortável atuando?
Eu amo a magia da comédia, mas sou grata por, agora, poder explorar outros caminhos. Em “Novela”, minha personagem é leve e engraçada; em “Mar de Dentro”, vivo um drama absoluto; e em “Lições”, me delicio com a doçura maternal da Dona Luísa. Todas elas mostram lados meus que vão além do humor escrachado, que fez muitas pessoas me conhecerem. Antes de comediante, eu sou atriz, e quero experimentar de tudo.

Além da sua estreia nos streamings, um de seus próximos projetos é o “Fala Mais Sobre Isso, Iozzi”, programa sobre política que marca sua volta à TV como apresentadora. Por que esse retorno à política, por que agora e por que em um programa com esse formato?
Eu sinto que, no Brasil, ainda há muita gente que não se interessa por política, seja porque já está completamente descrente dos rumos do governo, ou porque realmente não entende como o mecanismo funciona. Meu desejo é, justamente, trazer a discussão política para mais perto do público, de uma forma didática, simplificada e que faça com que todos se sintam pertencentes a esse espaço, porque todos somos. Quero que o público se sinta em uma mesa de bar discutindo com os amigos. Juntamos uma galera incrível, de Pedro Bial a Djamila Ribeiro, Majur e Jubi do Bairro, para debater temas muito diversos e que dialogam diretamente com o nosso dia a dia, como “qual é a relação entre política e religião?” ou “o que podemos esperar da política no futuro?”.

E, para você, o que podemos esperar da política no futuro?
É difícil demais fazer qualquer tipo de previsão, mas o que eu espero é que as instituições voltem a se fortalecer no Brasil. Sem isso, é impossível começar a cavar uma saída desse buraco. E o primeiro passo para tudo voltar aos eixos é ter a nossa democracia de volta.

 

Após sucesso no streaming com ‘Dom’, Gabriel Leone reflete sobre sua trajetória profissional

Após sucesso no streaming com ‘Dom’, Gabriel Leone reflete sobre sua trajetória profissional

Conversar com Gabriel Leone é a certeza de que a experiência e o aprofundamento não se associam apenas à idade. Em tempos de padrões geracionais ainda rígidos e discussões que, muitas vezes, não dão conta de rompê-los, o ator carioca comprova que é possível e absolutamente normal ser jovem e, ao mesmo tempo, experiente. Aos 28 anos, Gabriel desdobra seu trabalho em diferentes formatos: cinema, streaming, novelas e até composições musicais para produções audiovisuais.

Nascido e criado no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, o ator viu a transformação de uma região antes tranquila em um lugar onde é preciso andar atento e “não dar mole” – expressão que muitos outros bairros e cidades normalizam em decorrência da violência e da desigualdade. Essa percepção sobre seu espaço – físico, social e subjetivo – ajudou na imersão para interpretar o criminoso Pedro Dom, protagonista da série “Dom”, da Amazon Prime Video. A produção é a mais vista no streaming entre os seriados de língua não inglesa e o primeiro grande investimento da plataforma no Brasil.

 

Foto Jorge Bispo

 

“Apesar da ambientação da série ser o Rio, com uma realidade muito brasileira, com suas músicas e texturas, a narrativa se foca na relação de um pai e um filho que vivem as dores e os impactos familiares do vício em drogas, e esse drama é universal”, reflete. Inspirada no livro de mesmo nome e de autoria de Tony Bellotto, “Dom” foi distribuída para 240 países pela Amazon. “Estive no Uruguai para as filmagens da segunda temporada, lá muitos me disseram que se identificaram com a série, que viveram ou conhecem um enredo parecido em suas vidas.”

A produção é baseada na história real de Pedro Dom, um rapaz de classe média carioca que começou a usar cocaína muito cedo, e se tornou líder de uma gangue criminosa que estampou os jornais no início dos anos 2000. “Essas narrativas são chocantes por causa do racismo estrutural, drogas e crimes são associados quase sempre a pessoas pobres e negras, mas uma história como a de Pedro é muito comum.”

 

Gabriel Leone na série ‘Dom’ | Foto SerendipityInc

 

Premonições do difícil normal

O tempo tomou uma dimensão diferente com a pandemia. Desde que fomos atravessados pela nova realidade, os dias ficaram mais parecidos e as esperas, mais longas. Em 2019, Gabriel Leone esteve no Festival de Cinema de Brasília para o lançamento do longa do diretor Cláudio Assis, “Piedade” – no elenco com Fernanda Montenegro, Cauã Raymond, Matheus Nachtergaele e outros grandes atores –, mas não esperava que apenas em agosto deste ano veria a estreia do filme para o público, que foi adiada por causa do distanciamento social.

Filmado em 2017 e hoje disponível em plataformas de streamings, como a Now, “Piedade” tem um pano de fundo político, muito bem cabido ao Brasil de agora, de descaso do poder público e de exploração ambiental desenfreada. “Acima de tudo eu tinha um desejo de trabalhar com Cláudio Assis, sempre há algo biográfico em seus filmes e é um dos melhores roteiros que já li! Quatro anos depois muita coisa aconteceu e em consonância com o que o longa propõe, é curioso como foi quase premonitório”, afirma.

O filme traz a rotina dos moradores de Piedade, cidade fictícia no litoral recifense. A vida dessas pessoas é abalada pela chegada de uma grande empresa petrolífera, que quer comprar casas da região para ter acesso aos recursos naturais. “É uma produção muito importante, depois das filmagens vimos o vazamento de óleo por todo o litoral do Nordeste.”

 

Cena do filme "Piedade" com o colega Irandhir Santos - Foto Serendipityinc

Cena do filme “Piedade” com o colega Irandhir Santos – Foto Serendipityinc

 

“A música vem até mim”

É por acaso, mas também não é. Mesmo que de forma indireta, a música está presente nos trabalhos de Gabriel. O ator é protagonista do longa “Eduardo e Mônica”, ao lado de Alice Braga, inspirado na famosa canção de Legião Urbana. O filme de René Sampaio seria lançado no ano passado, mas foi outro projeto adiado com a pandemia. A expectativa é de que a estreia aconteça ainda neste semestre nos cinemas.

No papel de Eduardo, o desafio foi interpretar um garoto 10 anos mais jovem que o ator. Para isso, Gabriel Leone mergulhou ainda mais fundo nas obras de Renato Russo e sua banda. “Cresci escutando Legião Urbana, meus pais eram fãs de carteirinha, meu disco favorito deles é o ‘Dois’, que justamente tem ‘Eduardo e Mônica’ entre as canções.” A música e o teatro começaram juntos para o ator. “Fiz muitos musicais, estudei canto, comecei a tocar com o violão da minha mãe, hoje coleciono discos e é incrível poder unir os dois universos no meu trabalho, a música acaba vindo até mim”, conta. Na série “Os Dias Eram Assim”, da Globo, uma composição do ator entrou como trilha-sonora em algumas cenas, e Gabriel foi o intérprete de “Aos Nossos Filhos”, de Ivan Lins, que foi música de abertura da produção de 2017.

Outro personagem marcante, embalado pelo amor à música, foi estar na pele de Roberto Carlos, no filme “Minha Fama de Mau”, de 2019, que traz o começo da carreira de Erasmo Carlos e o surgimento da Jovem Guarda. “Temos muitos registros atuais dessas figuras, agora que estão mais velhos, mas o longa se foca no início de suas carreiras, esse foi o maior desafio, e estudamos muito para fugir de imitações, não queríamos ser covers.”

 

Caminho novo, intenso

Ainda vivemos tempos pandêmicos, mas a vida voltou a rodar. E a volta aos sets aconteceu intensamente. O ator agora termina as filmagens de “Um Lugar ao Sol”, próxima novela das 9 da Globo, com estreia prevista para novembro e que irá ao ar finalizada e com todas as cenas entregues – para evitar que fosse paralisada por causa da Covid-19 no Brasil.

“Foram oito meses de encontros muito especiais, na novela contraceno basicamente com apenas três atrizes, que são grandes referências para mim: Denise Fraga, Andréa Beltrão e Regina Braga”, diz. Neste mês, na estreia de “Verdades Secretas 2”, produção do Globoplay, Gabriel Leone também retorna para uma participação especial logo na primeira cena.

“Mesmo em pouco tempo, já vivi tantas histórias, vejo uma importância muito grande nisso, porque todos esses personagens fazem parte dessa evolução que venho construindo na minha carreira”, reflete, e elenca Pedro Dom e Miguel, da novela “Velho Chico”, de 2016, como os papeis mais marcantes até hoje. E, assim, a trajetória do jovem e experiente ator já está repleta de trabalhos e, claro, aberta para novos caminhos.

 

Cena da novela inédita "Um Lugar ao Sol" - Foto Globo | Divulgação

Cena da novela inédita “Um Lugar ao Sol” – Foto Globo | Divulgação

 

Lado A, Lado B

Uma cidade para voltar?

Roma

Um lugar para morar?

Nova York

Um filme?

Hair, de Milos Forman

Um diretor?

Paul Thomas Anderson

Uma música?

Curvas do Rio, de Elomar

Um desejo para o Brasil?

“Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam ver o dia raiar” (Guilherme Arantes)

Um sonho para realizar logo?

Ver o fim da pandemia

 

Quatro lançamentos dos streamings para curtir em setembro!

Quatro lançamentos dos streamings para curtir em setembro!

Programação das plataformas de streamings inclui novas temporadas de “Modern Love” e de “La Casa de Papel”, documentário sobre a ambientalista teen Greta Thunberg e filme com Meryl Streep ‘tretando’ com suas coleguinhas.

 

"La Casa de Papel" - Foto: Divulgação

“La Casa de Papel” – Foto: Divulgação

 

“LA CASA DE PAPEL”
Netflix

A série espanhola sobre um grupo que assalta a Casa da Moeda e o Banco Central, em Madri, está chegando ao seu final. Mas esta 5ª e última temporada será dividida em duas partes, cada uma com cinco episódios: o volume 1 (disponível a partir do dia 3 deste mês) e o volume 2, com estreia programada para dezembro. Neste ‘gran finale’, os integrantes de La Banda são colocados em situações extremas. Aquilo que começou “apenas” como um assalto está prestes a se transformar em uma verdadeira guerra!

 

Greta Thunberg em "Meu nome é Greta" - Foto: Divulgação

Greta Thunberg em “Meu nome é Greta” – Foto: Divulgação

 

“MEU NOME É GRETA”
Disney+

Ativista ambiental, a adolescente sueca Greta Thunberg é uma das mais poderosas e respeitadas vozes do planeta nos encontros internacionais que discutem a emergência climática. A garota protesta pelo direito de viver em um mundo habitável no futuro e cobra providências de grandes – e velhas – lideranças políticas falando de igual para igual com elas. O documentário, realizado pela National Geographic, mostra também como ela convive com a Síndrome de Asperger e como lida com as manifestações de ódio – que incluem xingamentos e até ameaças de morte.

 

Meryl Streep em "Let Them Talk" - Foto: Divulgação

Meryl Streep em “Let Them Talk” – Foto: Divulgação

 

“LET THEM ALL TALK”
HBO Max

Dirigido por Steven Soderbergh, este filme acompanha a famosa romancista Alice Hughes (Meryl Streep) e suas duas amigas mais antigas, Roberta (Candice Bergen) e Susan (Dianne Wiest), em uma viagem a bordo de um transatlântico para a Inglaterra, onde a escritora vai receber um prêmio literário. As amigas tentam restaurar o vínculo que as uniu nos tempos de faculdade, relembrando velhas queixas naquele estilo ‘morde e assopra’. O texto é muito bom, e as três veteranas atrizes mostram que ainda estão no auge de sua forma, com interpretações afiadas e magistrais.

 

"Modern Love" - Foto: Divulgação

“Modern Love” – Foto: Divulgação

 

“MODERN LOVE”
Amazon Prime Video

A plataforma estreou a 2ª temporada da série “Modern Love”, inspirada nas histórias publicadas em uma coluna de crônicas do jornal “The New York Times”. Cada episódio conta uma história, com elenco e locação diferentes. O segmento mais comentado dessa nova “safra” nos streamings traz Kit Harington (o John Snow de “Game of Thrones”) e Lucy Boynton (a Mary de “Bohemian Rhapsody”). Eles se conhecem em um trem na Inglaterra, se apaixonam instantaneamente e, na hora da despedida, não se beijam: apenas roçam os cotovelos, como estipula a etiqueta nesses tempos de coronavírus.

Letícia Colin encara personagens mais sensíveis no streaming e no cinema

Letícia Colin encara personagens mais sensíveis no streaming e no cinema

Vivenciando um momento de criação intensa em sua carreira, a atriz Letícia Colin mergulha sem medo nas próprias vulnerabilidades e encara personagens sensíveis no streaming e no cinema.

Letícia fica à vontade para falar sobre tudo. A respeito de assuntos ainda tabus ou sobre o que precisa ser gritado e escancarado. E também para dar voz a uma personagem nova, com questões que não são só dela. Mas engana-se quem pensa que a fala é o único ou mais importante recurso de uma atriz e de um ator. A escuta é essencial, por meio dela a sensibilidade entra, chega às extremidades do corpo, à mente e ao coração. Um trabalho que se assemelha ao de um terapeuta ou cientista, de verdadeira pesquisa humana com afeto. “É revolucionário enxergar um personagem assim, como olhar para um paciente”, diz.
A saúde mental é tema, inclusive, das mais recentes produções que a atriz protagoniza. No papel da estilista Manu, em “Sessão de Terapia”, no GloboPlay, Letícia interpreta uma mulher que está se tornando mãe, com as dores e delícias desse caminho. Na mesma plataforma de streaming, em “Onde Está Meu Coração”, a atriz, nascida em Santo André, vive Amanda, médica e dependente química, personagem que é a grande heroína da carreira de Letícia.

 

Foto Letícia Colin – Foto Sherolin Santos

 

Com 20 anos de carreira, a atriz também encarnou outros personagens marcantes na TV, como a princesa Leopoldina na novela “Novo Mundo”, a baiana Rosa de “Segundo Sol” e a Marylin, de “Cine Holliúdy”, todos na Globo. Também cantora, brilhou em musicais como “O Grande Circo Místico” e “Hair”. A seguir, os principais trechos da conversa com a reportagem da 29HORAS.

Suas mais recentes personagens, a Amanda de “Onde Está Meu Coração” e a Manuela de “Sessão de Terapia”, são atravessadas pela depressão e pela dependência química, que as paralisam e as desconectam das relações. Como a saúde mental se relaciona com o seu trabalho?
O sofrimento psíquico é um sofrimento na carne. Tendemos a separar a mente do corpo, mas na verdade somos um só ser. Se acolhemos as nossas dores emocionais, que são comuns, democraticamente de todos nós, isso nos convoca para outro nível de diálogo. Quando olhamos para essas personagens com respeito e amor, alteramos nosso ambiente. É como diria Nise da Silveira (psiquiatra e pioneira na terapia ocupacional) – que é uma das minhas mentoras artísticas, não separo arte da vida – somos seres criativos e políticos. Falando sobre saúde mental, ela valorizou a singularidade do outro. Com seu sofrimento, teve um olhar de dedicação e muita escuta. É revolucionário olhar para um personagem assim, como olhar um paciente. Artistas e cientistas têm muito em comum, é sobre praticar a pesquisa humana com afeto. A doença expressa algo, a dor tem um imenso aprendizado e é uma manifestação da alma. Acho que as pessoas gostam dessas duas séries por isso se interessam e acompanham. Eu sempre me investiguei desde pequena e sou atriz desde muito nova. Ter o teatro e a poesia na minha vida são possibilidades de dar conta do que sinto, é abraçar o desamparo, que também é meu lugar de criação.

 

Foto TV Globo – Foto João Miguel Jr.

 

Como o público recebe essas temáticas hoje, em meio à pandemia?
Vivemos um abismo como nação, enfrentamos um vírus mortal, é muito violento para nossos corpos e nossa alma. Somos verdadeiramente torturados pelo governo federal. Precisaríamos ter uma sensação de segurança e não temos. É um momento coletivo de muita dor. “Sessão de Terapia” traz uma diversidade incrível de sofrimento, são diferentes personagens que representam camadas da população brasileira, e mostra histórias de superação dessas dores. Quando vemos esses arquétipos no divã do analista Caio (personagem de Selton Mello), nos emocionamos e nos curamos também. É um estímulo para cada um buscar ajuda, nunca se procurou tanto por terapia. O audiovisual encoraja as pessoas a falarem sobre si. O trabalho do ator é pela palavra e eu acredito muito na cura pela linguagem. Na pandemia, o brilho desses dois trabalhos é mostrar o sofrimento de forma muito humana, mostrando exemplos sem moralismos, com profundidade e cheios de facetas.

 

Foto TV Globo Divulgação

 

A Manuela é uma estilista, que acaba de se tornar mãe, e você também é mãe. Como foi o processo de imersão para viver essa personagem? Em que ela mais te tocou?
“Sessão de Terapia” é uma série feita por muitas mulheres, a roteirista Jaqueline Vargas, a autora Ana Reber, a assistente de direção Vera Haddad, a figurinista Tica Bertani, então todas nós colocamos um pouco de nossas histórias na produção. Todas tínhamos um carinho especial pela Manu. Há um aspecto muito dolorido em tornar-se mãe, e é importante falar. Existem muitas mentiras sobre a maternidade. Nós nos questionamos sim, temos medo dessa tarefa de ser mãe. E parte importante também dessa personagem foi o figurino, que sempre conta uma história. A Manu é uma estilista que faz roupas para durarem mais tempo, que pensa sobre peças e suas texturas e cores, um jeito próprio de olhar o mundo. E agora ela tenta vestir essa roupa de ser mãe, acho que costuramos muito bem tudo isso.

A depressão pós-parto, apesar de afetar muitas mulheres, não costumava ser tema de discussões até pouco tempo. O que mudou?
Nós começamos a falar e percebemos que não estamos sozinhas. Sem medo de nos mostrar vulneráveis e mergulhar nisso. É a partir do momento que sentimos a vulnerabilidade que criamos e encontramos soluções. A internet ajudou muito na união e no compartilhamento de relatos de diferentes mulheres. Antes, o audiovisual se restringia às narrativas de quem estava sob os holofotes, mas nos últimos tempos houve uma democratização do palco. Todos nós colocamos nossas questões para o mundo e para fora. Quando só os homens estavam no protagonismo, o tema não aparecia. As mulheres começaram a falar mais, isso é o feminismo, que avança.

Não sei se é porque sou paulistana, mas gostei muito de “Onde Está Meu Coração” também pela ambientação. O que você mais gosta em São Paulo? A nossa revista está na ponte-Aérea, qual é a sua relação com o Rio de Janeiro?
Gosto muito de São Paulo e tenho muita saudade. A vida faz com que a gente se desloque, e é bom isso, poder ir e vir. Essa, inclusive, é uma das maiores dores da pandemia. Tenho vontade de voltar a morar na cidade. Na série, São Paulo é uma verdadeira personagem, onde tudo é possível, mas também o lugar que te engole, de frustrações. A cidade mimetiza a Amanda, ela se perde, quase se torna invisível na imensidão urbana. Onde estão as pessoas que sofrem? Nasci em Santo André, e vivi por lá até meus 8 anos, torço para que a região tenha mais projetos de arte e fomento à cultura, tenho orgulho da cidade, ela me constitui. Hoje vivo no Rio de Janeiro, uma cidade bonita, mas que vive um momento difícil com a contaminação das milícias na política.

Ainda sobre a série, surpreende que Amanda é uma médica que acaba se viciando em crack. A dependência química atravessa todas as classes sociais, mas por que falamos pouco sobre isso?
Esse estigma é real. Quando a série coloca em primeiro plano uma protagonista que é médica, branca, rica, mas está no fundo do poço, isso causa uma inversão na cabeça das pessoas. Como essa menina chegou até ali? A resposta é simples: as drogas e a dependência química são questões de saúde, de médico, terapeutas, e não de polícia. Acontece em qualquer lugar e o tempo todo. Tem a ver com o ser humano. Temos que tratar com respeito e paciência todos de maneira igual. É sobre isso que o Estado deveria se interessar.

Como foi interpretar Amanda? Em que a personagem te mudou?
A Amanda é alguém muito próximo de cada um de nós. Cada um tem um amor, um amigo, que está em alguma fase do tratamento de uma dependência química. É muito lindo ver como as rodas de partilha, os acompanhamentos terapêuticos, funcionam e são curativos. É o poder de ouvir cada experiência humana. A Amanda é uma personagem que tem muita coragem, que recomeça muitas vezes. Ela consegue se tratar e lidar com a sua vulnerabilidade. Diante de tudo isso, insiste na vida, no seu trabalho. Para mim, ela é a grande heroína da minha carreira, os personagens ficam como amigos e conhecidos, sou muito fã da Amanda.

Voltando um pouquinho no tempo, me fale de um papel seu bastante marcante na TV, que foi a princesa Leopoldina da novela “Novo Mundo”. É diferente encarnar um personagem histórico?
Se o ponto de partida é o texto, a construção do passado, presente e futuro de um personagem acaba sempre sendo histórico, por mais que ficcional. No caso da Leopoldina, há muito material sobre ela, muitas cartas, pinturas e muitos livros. É incrível, porque foi uma mulher muito importante, mas que eu conhecia pouco. Foi muito interessante, para mim, ler as cartas que ela escrevia para a irmã, ler sobre a saudade que ela sentia da Áustria, essa distância toda que ela viveu. Passei a ter muita admiração pela figura dela, era uma amante das Artes e da Ciência, Leopoldina patrocinou a vinda de cientistas para o Brasil, foi uma das primeiras vezes que isso aconteceu na história do país. Apesar de ser uma princesa, ela tinha um coração feminista, e isso me encanta. Leopoldina deixou um legado de protagonismo. Foi bonito contar essa história.

Você terminou recentemente as gravações do longa “A Porta ao Lado”, da diretora Julia Rezende. O filme aborda diferentes acordos nas relações românticas, os conflitos desses modelos…Estamos em um momento de ruptura das relações como conhecemos?
Trabalhei com a Julia no filme “Ponte Aérea”, e é bacana falar disso justamente numa entrevista para a revista que é distribuída nesses aeroportos. Foi mais uma vez uma experiência linda, um set de muita amizade. É bom trabalhar em um espaço assim, me sinto acolhida. A Júlia é essa diretora! É muito belo sentir segurança para entrar em um personagem, é sempre um processo desafiador e até incômodo para nosso corpo. Também foi muito bom levantar um filme em plena pandemia, colocar o barco para navegar nessa travessia, com todos os cuidados e assistências. O filme é um pensamento sobre as tentativas de se relacionar no mundo contemporâneo. Como desenvolver uma relação duradoura e ter uma família? Os desejos são muitos diversos e o momento é de liberdade. Tudo é dinâmico e fluído, mas ao mesmo tempo precisamos de raiz e apego. São dois polos opostos, e o longa mergulha na tentativa desse equilíbrio.

Você teve covid-19. Como enfrentou a doença? Na sua opinião, como o Brasil está enfrentando o vírus? E como a arte está nessa trincheira?
Até hoje lido com a covid, tive sequelas e o que se chama “covid longa”. Ainda estou em tratamento e investigando as consequências em meu corpo. É um desafio para mim, mas estou me recuperando. O Estado brasileiro matou muita gente, pela insistência em medicamentos sem eficácia e por não ter acolhido as medidas corretas, então o governo federal carrega a responsabilidade dessas mortes todas. Perdemos muito! Vidas, histórias, almas, o Brasil perdeu um pouco a graça com esse descaso todo. Em alguns estados, os governadores conseguiram atuar, legislar sobre máscaras, mas poderíamos estar mais vacinados, tudo isso é uma grande ferida na nossa alma. A arte está resistindo, sobrevivendo. Temos a necessidade de nos manter próximos do pensamento crítico.