Atlanta, nos EUA, apresenta um contraste singular entre áreas verdes, prédios modernos e design criativo

Atlanta, nos EUA, apresenta um contraste singular entre áreas verdes, prédios modernos e design criativo

Poucos minutos antes de aterrissar, um tapete de verde intenso surge no canto da janela do avião. No horizonte, milhares de árvores se destacam em primeiro plano e, por curiosidade, nos fazem esquecer que o Aeroporto Internacional de Atlanta Hartsfield-Jackson, na Geórgia, nos Estados Unidos, é um dos mais movimentados do mundo.

O contraste entre a natureza e o tom frio do concreto dos prédios é comum em Atlanta. Ponto frequente para escalas de voos que percorrem o país, o destino recebe milhões de passageiros por ano, mas boa parte segue viagem sem ao menos dar uma chance para a cidade. Não sabem que, a menos de 20 quilômetros do aeroporto, está um lugar que faz parte da história dos direitos civis americanos, incluindo a trajetória de Martin Luther King, e hoje é vibrante, criativo, inovador e com gastronomia efervescente.

 

Badalada região de Atlanta Midtown - Foto divulgação

Badalada região de Atlanta Midtown – Foto divulgação

 

Para os brasileiros que retomam as viagens aos Estados Unidos, é uma grande oportunidade. Em especial porque agora, além de a companhia aérea Delta Airlines conectar Atlanta ao Brasil, a panamenha Copa Airlines tem quatro voos semanais para a capital da Geórgia e uma ligação rápida a quase uma dezena de cidades brasileiras. O cenário verde próximo ao aeroporto é replicado em lugares como Botanical Garden e o charmoso bairro Buckhead Village District, onde estão grifes mundiais, como Hermès, Dior e Christian Louboutin.

No jardim botânico, esculturas com plantas, estufas de orquídeas e horta com vista para os altos prédios permitem esquecer que a metrópole tem empresas inovadoras. Outro ponto é o Atlanta History Center, um grande museu dentro de um complexo com mais de 133 mil metros quadrados. Ali estão detalhes históricos e culturais, um extenso jardim, exposições de arte e um antigo casarão de 1928, a Swan House.

No lado agitado de Atlanta, o legado dos Jogos Olímpicos de 1996 permanece vivo. O Centennial Olympic Park exige tempo para ser contemplado, já que tem história por todos os lados. É lá onde ficam a obra com os anéis das Olimpíadas e a roda-gigante Skyview, que permite vista ampla do famoso quarteirão. Duas outras importantes atrações habitam a região: o Georgia Aquarium é uma delas e é onde você encontra uma das maiores concentrações de espécies marinhas do mundo, incluindo tubarões baleia. No fim do percurso, o World of Coca-Cola também faz bonito e permite, além de uma imersão na história do refrigerante mais famoso do mundo, degustação de dezenas de refrigerantes vendidos em diferentes países.

 

Criatividade urbana

Um exercício interessante para conhecer as inovações no design e na gastronomia de Atlanta é perambular sem pressa por Westside Provisions District e Colony Square. Em ambas é comum encontrar corredores e escadarias que levam a cenários modernos, com mobiliário colorido e criativo. Isso porque a cidade vem se renovando nos últimos anos e se apropriou de áreas abandonadas – que incluíam prédios de antigos frigoríficos e fábricas – para criar espaços de lazer, compras e gastronomia.

 

Mini-golfe no Puttshack - Foto Anelise Zanoni

Mini-golfe no Puttshack – Foto Anelise Zanoni

 

Na área de Westside, entre as lojas de decoração, está uma disputada sorveteria com aroma de caramelo, a Jeni’s Splendid Ice Creams, e descolados restaurantes de street food como Little Trouble, que trabalha com culinária asiática, e o Brown Bag, especializado em frutos do mar. A poucos passos do centro gastronômico, é possível jogar golfe indoor, beber drinques e competir com os amigos no bar de esportes Puttshack.

 

Murais da Beltline Eastside Trail - Foto Gene Philips | AtlantaPhotos.com

Murais da Beltline Eastside Trail – Foto Gene Philips | AtlantaPhotos.com

 

Ainda nessa pegada de renovação, um dos projetos mais ousados é a Beltline – antiga área de passagem de trens que se transformou em um calçadão, que é usado como pista de caminhadas e ciclovia. Nas margens estão pequenos restaurantes, cafeterias e bares, e o Ponce City Market – uma instalação contemporânea no antigo prédio da loja de departamentos Sears. O estilo industrial, com barras de ferro que atravessam paredes, contrasta com pisos coloridos e dezenas de bares, cervejarias e lojas bem iluminadas. Para quem conhece Nova York, é impossível não o comparar com o Chelsea Market.

 

Fachada do Ponce City Market - Foto Gene Philips

Fachada do Ponce City Market – Foto Gene Philips

 

Hospedagem cosmopolita

O crescimento criativo de Atlanta é proporcional à variedade de hotéis, principalmente de luxo. A poucos passos do Centennial Olympic Park, o Omni Atlanta Hotel tem quartos confortáveis com vista para o parque e tarifas a partir de US$ 229. Entre as regalias estão um amplo e disputado bar de esportes, fitness center e cafeterias. O hotel fica dentro do CNN Center.

Com vista para um cenário que mescla vegetação intensa e prédios do centro da cidade, o JW Marriott fica no bairro nobre de Buckhead e é um dos hotéis mais exclusivos. Há pouco tempo passou por repaginação, o que deixou a hospedagem mais moderna. O local tem tarifas a partir de US$ 238, piscina com raia, passeios privativos e tem passagem direta para o shopping Lenox Square.

 

Suíte Lenox do JW Marriott Atlanta Buckhead - Foto divulgação

Suíte Lenox do JW Marriott Atlanta Buckhead – Foto divulgação

 

Revista Online: Edição 148 – VCP

Revista Online: Edição 148 – VCP

Revista Online: Edição 148 – RIO

Revista Online: Edição 148 – RIO

Revista Online: Edição 148 – SP

Revista Online: Edição 148 – SP

Colônia do Sacramento preserva construções históricas, reinventa sua gastronomia e apresenta novas experiências na reabertura

Colônia do Sacramento preserva construções históricas, reinventa sua gastronomia e apresenta novas experiências na reabertura

Quem caminha pelas estreitas ruas do centro histórico de Colônia do Sacramento tem certeza de que está revivendo o passado de uma das cidades mais turísticas do Uruguai. Os raios de sol batendo no piso de pedras, as lamparinas amareladas, as construções antigas com paredes desgastadas e os plátanos que abraçam as ruas são cenários que parecem obra de arte. Embora mantenha viva sua história, o local decidiu não ficar parado – no tempo e está em plena evolução para um turismo voltado para a enogastronomia e as experiências exclusivas.

É por causa desse movimento que é fácil circular pelas ruas e encontrar hospedagens e restaurantes cada vez mais charmosos, além de um clima sem pressa para passear. Afinal, à beira do Rio da Prata e em uma das mais belas cidades uruguaias, por que precisamos correr?

É com passos lentos e olhar atento que se deve percorrer Colônia. A cidade, fundada por portugueses no século 17 e disputada por espanhóis e lusitanos, faz vizinhança com o Rio da Prata e é um saboroso refúgio especialmente para quem vem de passeios a partir de Montevidéu (a 180km) ou de Buenos Aires (a 100km).

 

Casa portuguesa no centro histórico de Colônia do Sacramento - Foto Anelise Zanoni

Casa portuguesa no centro histórico de Colônia do Sacramento – Foto Anelise Zanoni

 

No centro histórico, onde geralmente se inicia a jornada, estão muralhas que resistiram ao passado. O Portão de Campo é uma grande porta que dá as boas-vindas. É a partir dali que os visitantes seguem caminhando para pontos importantes como a Rua dos Suspiros, construída em cunha de pedra, o Farol e os museus.

Galerias de arte, lojas de artesanato e muitos bares e restaurantes surgem no caminho. No final da manhã, é comum o leve aroma de fumaça da lenha queimada. É o indicativo de que as parrillas estão aquecidas, esperando os assados.

De estilo moderno e gastronomia criativa, os bares e restaurantes reinventam a culinária do Uruguai e utilizam ingredientes locais em receitas ousadas. No Charco, bistrô à beira do rio, o cardápio é jovial e inclui tradicional provoleta, só que feita com queijo de cabra e coberta com molho de chutney de tomates. O clássico sanduíche chivito ganha lombo ao pão com ovo e recebe bacon crocante, mussarela, alface, tomate e batata cunha.

Em um passeio por Colônia do Sacramento, não fique apenas no centro histórico. Pelo contrário: ao afastar-se da rota turística, você descobre incríveis empreendimentos. O mais recente é a Plaza de Toros, reinaugurada em dezembro de 2021. O local foi construído em 1908 para receber touradas, que foram proibidas após a oitava festa toureira. Depois de ficar fechada e passar por um período de reformas, a praça recebeu nova estrutura e hoje recebe visitantes em visitas guiadas, que custam cerca de R$ 20 por pessoa.

 

Joias descobertas

A Comarca Las Liebres é um refúgio intimista. Em meio a um vasto jardim, um casarão envidraçado abriga um restaurante e um hotel com apenas duas suítes. A propriedade tem quartos com decoração leve e descontraída, espelhos com design único e banheira moderna. A hospedagem, com tarifas a partir de US$ 400, mantém uma linda biblioteca com projeção audiovisual de alta tecnologia e um terraço exclusivo com vista para Buenos Aires.

 

Vista do Comarca Las Liebres - Foto Las Liebres | divulgação

Vista do Comarca Las Liebres – Foto Las Liebres | divulgação

 

O restaurante é aberto ao público e comandado por Hugo Soca, chef que reivindicou a comida caseira como um manifesto cultural uruguaio. Os pratos são preparados com ingredientes naturais provenientes da horta orgânica da propriedade. É uma cozinha criativa, colorida e particularmente saborosa.

 

Pudim de leite do restaurante Las Liebres - Foto Fefo Bouvier

Pudim de leite do restaurante Las Liebres – Foto Fefo Bouvier

 

A poucos minutos dali e pertinho das praias, o Sheraton Colonia Golf & Resort é outro destaque. Mesmo em uma cidade tão turística, o hotel tem vida própria, especialmente porque mantém diversas opções de lazer. Com arquitetura moderna, o lugar fica no meio da natureza, cercado por campo de golfe e piscinas à beira da areia, que lembram uma praia. Restaurantes de gastronomia internacional complementam a experiência. Os quartos, com vista para os jardins, lembram que realmente é preciso tempo para aproveitar Colônia do Sacramento. As tarifas ali custam a partir de US$ 160.

 

Entre taças e lindas paisagens

A vocação para o enoturismo é evidente no Uruguai e tem se acentuado nos últimos anos. Em Colônia, a rota pelas vinícolas inclui 13 empreendimentos. A cerca de 30 minutos do centro está a Bodega Los Cerros de San Juan. Considerada a mais antiga vinícola uruguaia, fica em uma fazenda e mantém construções históricas datadas do século 19. A bodega tem visita guiada ao custo médio de R$ 40 por pessoa e inclui passeio pela área de produção e pela adega. Os almoços acontecem em um charmoso e antigo armazém que, aos finais de semana, incluem entrada, prato principal, sobremesa e dois vinhos ao custo médio de R$ 180 por pessoa.

 

Produção de vinhos da Bodega Los Cerros de San Juan - Foto Anelise Zanoni

Produção de vinhos da Bodega Los Cerros de San Juan – Foto Anelise Zanoni

 

Bem mais moderna e jovem, a Vinedos y Olivares Del Quintón traz no currículo a mistura de produção de vinhos e de azeite de oliva. No topo de uma colina, em um prédio de pedras, o empreendimento abriu para o turismo em 2020 e, atualmente, mantém 120 hectares de oliveiras e produz vinhos das uvas malbec e cabernet franc. As experiências geralmente incluem degustação de vinhos e azeites, acompanhados por pães e tábuas de frios. As visitas custam US$ 40 por pessoa.

 

Azeites da Vinedos y Olivares Del Quintón - Foto Anelise Zanoni

Azeites da Vinedos y Olivares Del Quintón – Foto Anelise Zanoni