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Neste feriado, explore a produção cultural de grandes artistas brasileiros

Neste feriado, explore a produção cultural de grandes artistas brasileiros

ESTE ANO NÃO VAI TER AQUELE BOLO, mas existem outras maneiras de celebrar o aniversário de São Paulo neste 25 de janeiro. Aproveite o feriado para conhecer melhor a produção de grande artistas brasileiros. Beatriz Milhazes expõe suas coloridas criações no Masp e no Itaú Cultural e Anelis Assumpção disponibiliza online o Museu Itamar Assumpção, com tudo sobre a vida e a obra desse genial músico, seu pai.

Mestre na tela

Itamar Assumpção foi cantor, compositor, escritor, instrumentista, ator e produtor. Para reunir e revisitar o seu legado na música brasileira e mundial, foi inaugurado um museu virtual com sua obra, vida e trajetória. Considerado um dos principais nomes da música independente e da chamada “Vanguarda Paulista”, Itamar liderou o movimento que, entre os anos de 1979 e 1985, dominou a capital paulista e foi referência para a cultura popular brasileira.

 

Acervo do Museu Itamar Assumpção (MU.ITA) 1990 – Foto Glória Flugel

 

O Museu Itamar Assumpção (MU.ITA) tem direção geral da filha do cantor, Anelis Assumpção e conta com um acervo de 2 mil itens – como fotos, vídeos, músicas, textos, figurinos e acessórios originais –, a Sala Serena, espaço dedicado à memória de uma de suas filhas; uma loja com produtos exclusivos do museu, além de exposições de curta duração. Em janeiro, o artista plástico Dalton Paula – que já teve obras no Museu de Arte Moderna de Nova York, Masp e Pinacoteca – expõe retratos de Itamar e Serena Assumpção em diálogo com sua produção e pesquisas sobre saberes tradicionais da cultura negra.

 

Ensaio fotográfico de Itamar Assumpção e a banda Isca de Polícia 1985 – Foto Oscar Bastos

 

Avenida da Arte

Uma das mais importantes artistas brasileiras da atualidade, Beatriz Milhazes ganha a maior exposição monográfica de sua carreira no Brasil; “Beatriz Milhazes: Avenida Paulista”. A mostra reúne cerca de 170 trabalhos, entre pinturas em grandes e pequenos formatos, esculturas, gravuras, colagens, além de obras inéditas que vêm de coleções privadas, sendo reveladas ao público pela primeira vez na exposição que segue em cartaz de forma conjunta no Itaú Cultural e no Masp.

A obra de Milhazes reflete formas e cores brasileiras, trazem referências artísticas desde o barroco até o modernismo e estabelecem relações entre a artista e seu entorno mais próximo, da sua cidade Rio de Janeiro e do bairro onde fica seu ateliê, o Jardim Botânico.  Atualmente, suas pinturas também estão em instituições como Centre Pompidou, em Paris, e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri.

 

Obra Maracujola, de Beatriz Milhazes – Foto divulgação

 

Explore as exposições que evidenciam a relevância de artistas brasileiros e são opções para comemorar o aniversário de São Paulo!

Casas tradicionais de música se reinventam na pandemia e apostam na gastronomia

Casas tradicionais de música se reinventam na pandemia e apostam na gastronomia

Para uma cidade com milhões de habitantes e, com certeza, milhares de apaixonados por jazz, São Paulo possui poucas casas tradicionais de música. Duas das mais tradicionais, a Jazz Nos Fundos e a Jazz B, passaram por uma intensa adaptação na pandemia. Com a impossibilidade de promover os conhecidos shows em clima intimista, a curadoria agora aposta na gastronomia e em uma experiência agradável ao ar livre para manter o jazz vivo.

 

Terraço da casa Jazz Nos Fundos, em Pinheiros – Foto divulgação

 

“A música com certeza sobreviveu a esses momentos difíceis de quarentena, mas muitos músicos não receberam nada para fazer lives e nos entreter”, conta Maximo Levy, fundador das casas Jazz Nos Fundos e Jazz B. Para valorizar quem faz música, a curadoria começou a programação de lives depois daquela intensa agenda de apresentações em canais de artistas – que vimos entre maio e julho do ano passado –, e apenas promoveu shows com bandas reduzidas recentemente. Em dezembro, a Jazz Nos Fundos transmitiu o show de Gustavo Infante, que apresentou seu álbum de estreia, e do violonista francês Nicolas Krassik. “Antes da pandemia, já fazíamos lives para o público de fora de São Paulo, é algo que adaptamos bem”.

Paella do Chef Ricardo Sanmiguel – Foto divulgação

 

Ficou claro nessa pandemia que a comida não para. De olho nisso, a Jazz B, na República, agora oferece um menu especializado em defumados feitos com lenha de árvore frutífera. São hambúrgueres, pastramis, berinjelas e tapas servidos na calçada, além de chops e bons drinks. Já na Jazz Nos Fundos, uma deliciosa paella espanhola, assinada pelo chef Ricardo Sanmiguel, é servida no arejado terraço da casa em Pinheiros, aos sábados.

Manter esses espaços vivos em meio à pandemia é possibilitar que, em breve, músicos brasileiros e estrangeiros tenham espaço para desenvolver suas paixões e nos entreter. “É garantir a oportunidade de uma geração de músicos, dos mais famosos aos mais desconhecidos”, conclui Maximo.

 

Piano da Jazz B – Foto divulgação

 

 

Porto Seguro e seus distritos são destinos com verdadeiras descobertas

Porto Seguro e seus distritos são destinos com verdadeiras descobertas

A viagem ao sul da Bahia é uma imersão na história do Brasil. Conhecida como a Costa do Descobrimento, as cidades de Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Belmonte foram o cenário do primeiro encontro entre portugueses e povos originários há mais de 500 anos. No centro histórico de Porto Seguro, é possível encontrar pinturas com a Cruz da Ordem de Cristo e o brasão de Portugal, que retratam um pouco do nosso passado.

Por ali também estão algumas das primeiras igrejas construídas no país, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, de 1549 – que já carrega o sincretismo religioso em sua história e simboliza tão bem a Bahia e o Brasil. Em região alta, a vista desse antigo colégio jesuíta tira o fôlego, aproveite para recuperá-lo e carregue as energias na barraca de acarajé da Cris – que conta com a simpatia da baiana e oferece diversos recheios para o prato típico feito com vatapá e dendê, como bacalhau e camarão – e fica localizada estrategicamente na entrada do centrinho em frente à igreja.

 

Cris com seu acarajé – Foto divulgação/Paula Calçade

 

Outras iguarias para saborear entre as igrejas e as casas históricas, são as cocadas assadas, os nibs (grãos triturados) de cacau e o suco geladinho de morangola (morango com graviola), muito fáceis de encontrar entre as lojas e barracas.

Falando em bons petiscos, não faltam opções de restaurante na cidade, mas talvez a maior descoberta seja o charmoso e escondido Os Ribeirinhos. Há 6 anos, o chef espanhol David Peregrina montou com sua esposa, a baiana Érica da Silva, um lugar que é um verdadeiro refúgio na Ilha do Pau do Macaco, no rio Buranhém, distante a uma hora de barco de Porto Seguro.

Para chegar lá, é possível agendar com os proprietários do restaurante via instagram (@osribeirinhosdeporto) ou ainda contratar um passeio mais longo pelas belezas fluviais com a empresa Irmãos Estrela Turismo – que disponibiliza diferentes embarcações para passeios como mergulhos e descanso em praias afastadas, inclusive Caraíva – e faz parada no restaurante. Entre paella, moqueca, as conhecidas linguiças artesanais e a manjubinha com limão (pequeno peixe de água doce), o lugar oferece almoço para pequenos grupos em um ambiente que exalta a sustentabilidade, com energia solar e desconexão em meio à natureza.

 

Embarcação da Irmãos Estrela Turismo atracada na Ilha do Pau do Macaco – Foto divulgação

 

De volta ao continente, descanse no Porto Seguro Praia Resort, ambiente ideal para família com atividades para crianças e serviço all inclusive para o conforto dos pais, com vista para a praia de Caruípe. O diferencial do hotel é o amplo quiosque que estende os serviços de petiscos e drinques aos hóspedes na praia.

 

Visão aérea do Porto Seguro Praia Resort – Foto divulgação

 

Distritos puro charme

Houve o tempo em que Arraial D’Ajuda e Trancoso eram vilas rústicas. Com charme e muita preservação, os distritos de Porto Seguro tem infraestrutura para receber turistas, mas ainda refletem a alma pé na areia. Em Arraial, faça um pedido para Nossa Senhora D’Ajuda com as famosas fitinhas que são amaradas no mirante atrás da Igreja da padroeira, de 1551, que fica na praça central. Perto dali, prove o delicioso sorvete de tapioca da sorveteria Oba Oba e a caipirinha de cacau, oferecida em diversas barracas do centro.

 

Igreja Matriz Nossa Senhora D’Ajuda – Foto Paula Calçade

 

O jantar fica por conta do Bistrô D’Oliveira, que reserva um ambiente agradável e um menu com apresentação contemporânea e ingredientes locais, assinado pelo chef Salmo Oliveira. Experimente a deliciosa lambreta gratinada e o camarão com caviar de tapioca, e aproveite a extensa carta de vinho.

A 28km de Arraial D’Ajuda e a 35km de Porto Seguro (em um trajeto que inclui balsa), está o charmoso distrito de Trancoso. A praia do Espelho é cercada de falésias rochosas em tons de rosa, vermelho, bege e ocre, e o mar azul torna o lugar um paraíso. O visual fica completo com os coqueirais que beiram a faixa de areia e o rio que desemboca no mar, dando um ar bucólico e ainda mais charmoso.

À noite o famoso Quadrado de Trancoso fica decorado com luzes em suas árvores, as casinhas simpáticas abrem suas portas e os restaurantes do distrito dão as caras. O Gino Gastronomia serve um delicioso jantar italiano ao ar livre. De entrada, prove o carpaccio de polvo; e entre os pratos principais, o ravioli de espinafre e ricota, o atum grelhado com redução de balsâmico e morango e a lagosta se destacam. A panacota com frutas vermelhas fecha uma noite leve e verdadeiramente praiana.

Para descasar depois da experiência gastronomia e das andanças pelo centro de Trancoso, o Hotel Boutique Bahia Bonita, na Praia do Rio Verde, traduz o encanto que tantos têm pela região. Com apenas onze suítes que unem o conforto da natureza com o luxo dos serviços, o hotel encanta com a piscina de hidromassagem, bar e restaurante com café da manhã servidos até às 13h, além dos bangalôs na areia que combinam muito bem com os diversos drinques à base de gin disponíveis no cardápio.

 

Bangalôs do Hotel Boutique Bahia Bonita, na praia do Rui Verde, em Trancoso – Foto Paula Calçade

 

Mesmo depois de tamanha imersão na natureza e conforto, é preciso voltar. Para a deprê pós viagem não ser tão intensa, os passageiros podem descansar e aguardar o voo com segurança e bom gosto no Isla Lounges Porto Seguro – novo complexo de entretenimento e varejo, com sofás, mesas, serviço de concierge e decoração inspirada na natureza – que fica localizado ao lado do aeroporto, ligado ao terminal. Assim a descompressão é mais suave e a volta para o paraíso no sul da Bahia é certa.

 

Isla Lounges Porto Seguro – Foto Marcelo Aniello

 

Cultura viva dos Pataxó

Com quase 830 hectares de vegetação nativa e fundada por três mulheres, a aldeia pataxó da Reserva Indígena da Jaqueira, em Porto Seguro, introduz viajantes a rotina de 34 famílias da etnia. Em uma visita guiada de três horas, é possível conhecer casas, a escola infantil indígena e a loja de artesanato, além de conversar com os moradores, entre eles o cacique Syratã. Ao final, todos participam do Auê, um ritual típico de agradecimento a Iamissun, o criador, e degustam um delicioso peixe assado na folha da patioba (espécie de palmeira). Para conhecer a reserva, é necessário agendar com a Pataxó Turismo, nos números (73) 3288-1256 ou (73) 99985-4430.

 

Foto Paula Calçade

 

*A repórter viajou a convite da Embratur (embratur.com.br) e da Secretaria de Cultura e Turismo de Porto Seguro (portosegurotur.com)

A designer de joias Silvia Furmanovich traduz conhecimento obtido em viagens em peças únicas

A designer de joias Silvia Furmanovich traduz conhecimento obtido em viagens em peças únicas

A floresta é objeto de desejo para além do óbvio. Está em pé e viva em joias da designer brasileira Silvia Furmanovich, que são requisitadas mundo afora. O luxo é ressignificado em sua obra – o formato, as cores e os materiais das joias e pequenas bolsas valorizam a fauna e flora de lugares onde ela esteve – e seu ateliê em São Paulo se firma como um ponto relevante do luxo no país. Silvia é a primeira representante da moda brasileira a ganhar um livro pela editora Assouline, o “Silvia FurmanovichArtNature and Adornment”.  

 

FOTO MIGUEL HERRERA

 

Com olhos de artista e coração de exploradora, a designer viaja pelo mundo em busca de inspirações e traduz suas descobertas em peças de estilo único. “Para toda coleção é feita uma imersão no universo que desejo explorar. Sempre busco conhecer profundamente a cultura local por meio das minhas viagens, em que tenho oportunidade de conversar e trocar conhecimento com artesãos. Eu levo um caderno comigo onde coloco meus pensamentos, imagens, desenhos, colagens, pinturas, pesquisas e anotações”, conta.  

Sobre o Brasil, Silvia já lançou as coleções Amazônia Bamboo e Marchetaria. “Em uma de minhas pesquisas, descobri a arte da marchetaria de madeira, que é presente no Norte do país. Depois de uma imersão, conseguimos adaptar para a escala da joalheria. Assim surgiu nossa primeira coleção com essa técnica, que se tornou nossa marca registrada.”  

O trabalho da designer parece estar de acordo com o nosso tempo, em que a preservação ambiental e a valorização local nunca estiveram tão em altaAcredito que a pandemia abriu a mente de muitas marcas e consumidores para valorizar matérias-primas locais, por causa do trânsito reduzido. Espero que isso traga uma visão verdadeira sobre a preservação das nossas reservas naturais, e valorização das tradições artesanais.” 

 

Tainá Müller, atriz protagonista de “Bom dia, Verônica” se prepara para a segunda temporada

Tainá Müller, atriz protagonista de “Bom dia, Verônica” se prepara para a segunda temporada

Uma das séries mais vistas em 2020 na Netflix traz um enredo conhecido de filmes policiais estrangeiros; um assassino rapta, tortura e mata mulheres. O ano que não acabou trouxe muitas reflexões e mobilizações nas redes sociais, mas talvez um dos temas dos longos meses – para além da Covid-19 – tenha sido o feminismo. De bandeira defendida no Big Brother Brasil pelas participantes da última edição à motor para denúncia de abuso sexual na maior emissora do país, as mulheres foram voz ativa no ano passado. E “Bom dia, Verônica” escancarou nas telas do streaming as diversas camadas dessa violência. “É uma ferida aberta, eu sabia a responsabilidade que tinha ao protagonizar um enredo como esse”, conta Tainá Müller, a Verônica da série. 

 

A atriz gaúcha tinha consciência que a produção geraria debate. “Fiquei surpresa e feliz que a repercussão foi realmente grande, o desdobramento nas redes sociais, em grupos diversos, foi enorme”, lembra. Em entrevista de sua casa – agora longe dos sets de gravação e em isolamento com sua família – Tainá vê o feminismo como uma verdadeira revolução. “É a cura do desequilíbrio, é a igualdade pelo respeito!” 

 

FOTO GUSTAVO ZYLBERSZTAJN

 

“Bom Dia, Verônica” é a adaptação do livro de 2016 de mesmo nome, de Ilana Casoye Raphael MontesA trama acompanha a jornada da escrivã Verônica Torres para encontrar um criminoso, e sua busca por justiça uma vítima de violência doméstica, vivida por Camila Morgado – que impressiona mais uma vez pela atuação impecável. Tainá Muller traz a experiência de interpretação em narrativas policiais que começou em “Tropa de Elite 2”, quando viveu uma repórter no filme de José Padilha, de 2010. “Na época, conheci muita gente do Bope, aprendi que fazer esses laboratórios é importante.” 

Assim como no filme protagonizado por Wagner Moura, o enredo de “Bom dia, Verônica” também não é fácil de digerir; a violência física e psicológica se desenrola em cenas sutis, e impactantes. Mas identificação com a ambientação da série, que se passa em São Paulo, faz os episódios serem vistos ainda mais rápido. Vale do Anhangabaú, Marginal Pinheiros e rodoviária do Tietê são cenários que tornam tudo ainda mais real.  

 

A atriz na pele da escrivã de polícia Verônica Torres – FOTOS SUZANNA TIERIE | NETFLIX

 

A cidade também é casa de Tainá Muller desde 2000, quando ela chegou à maior metrópole do país aos 18 anos. “Foi a primeira vez que peguei avião na vida, vim para fazer o trainee na MTV, e logo me senti abraçada pela vida noturna e cultural de São Paulo”, conta. Agito esse que sente muita falta em tempos pandêmicos. “Sempre fui muito a shows e foi assim que conheci meu marido (o diretor Henrique Sauer), sentimos muita falta dessas aglomerações, além da saudade que tenho de viajar ao Rio Grande do Sul e encontrar meus familiares. 

Como a todos nós, a pandemia atravessou em cheio a vida de Tainá, mudanças que a levaram de volta ao divã, depois de anos longe da terapia. “Ainda não consigo nomear as tantas transformações que 2020 me trouxe, estou elaborando tudo na análise, mas já vejo como é quase uma obrigação daqueles que puderam ficar em casa, em segurança, desenvolver um olhar crítico e sensível para o que estamos passamos”, analisa. 

O curso de pós-graduação em Filosofia, que a atriz – formada em jornalismo e ex VJ da MTV – finaliza à distância na quarentena, aguça ainda mais os sentidos de Tainá. “Tenho quase 40 anos, é tempo de colocar na balança o que realmente importa na vida, as leituras desse curso me fazem refletir muito.” 

 

Tainá em cena com Camila Morgado, na série “Bom dia, Verônica”, da Netflix – FOTOS SUZANNA TIERIE | NETFLIX

 

Coragem que vem de casa 

Com temática pesada, “Bom dia, Verônica” exigiu muito da atriz, inclusive fisicamente. “Fiz treinos de tiro, acompanhei o dia a dia de uma escrivã no Rio de Janeiro, que chegava a subir em comunidades para operações, uma rotina que também tem um significado diferente para as mulheres que estão inseridas nela”, pontua. “Lembro que ela estava com cólica um dia, mas precisava pegar o fuzil e acompanhar a equipe, era impressionante, é sobre ser uma mulher em zona de guerra.” 

Para descansar dessas imersões e das gravações da série, Tainá tentava manter uma rotina familiar perto do filho, Martin, então com três anos. “Me preparei por dois meses, gravei em quatro, era muito intenso e fiquei longe de casa, queria compensar isso”, reflete. Situação parecida com a vida da personagem que interpreta, a Verônica, e de outras tantas brasileiras reais, que se dividem entre trabalho, casa e filhos.  

De sua primeira família, a gaúcha diz trazer a coragem e o gás para seguir sonhos sem amarras. “Meus pais criaram as três filhas (ela e as irmãs Titi e Tuti Müller) para caírem no mundo, não tinha essa pretensão que a gente se casasse, era mais para seguirmos nossos sonhos, sejam quais fossem”, lembra. “Acho também que tem a ver com a coragem que as pessoas do Rio Grande do Sul têm, enxergo muito que somos criados para não desistir e perseverar, trazemos muito isso ao longo da história, trago isso comigo até hoje”, analisa. 

 

A atriz na pele da escrivã de polícia Verônica Torres na série “Bom dia, Verônica”, da Netflix – FOTOS SUZANNA TIERIE

 

Multifacetada e preparada 

Com peruca loura, vestido preto decotado e a pinta característica de Marilyn Monroe no rosto que Tainá Müller esteve nos palcos de um teatro pela última vez antes da pandemia, na peça “Os Desajustados”, escrita por Luciana Pessanha, com direção de Daniel Dantas. O espetáculo passou pelo Rio de Janeiro em 2019. O enredo tratava de uma reunião da estrela de Hollywood com o dramaturgo Arthur Miller (Isio Ghelman), o ator e cantor Yves Montand (Felipe Rocha) e a atriz Simone Signoret (Cristina Amadeo), ocorrida em 1960 no Beverly Hills Hotel, na Califórnia.  

A Marilyn é uma personagem dos sonhos de qualquer atriz: complexa, multifacetada, trágica. Foi muito desafiador encarná-la, porque todo mundo tem sua Marilyn, a ama de algum jeito, já sabe algo sobre sua vida”, reflete. “Sinto falta do teatro, penso em fazer uma peça solo em breve.” 

Sozinha ou cercada de outros atores, 2021 reserva para ela muito trabalho. Nos últimos meses, a Netflix anunciou a segunda temporada da série “Bom dia, Verônica”. “Vamos gravar assim que a vacina sair”, conta Tainá. Enquanto esperamos ansiosos pelo item mais desejado do mundo, a atriz já se prepara fisicamente para voltar a viver a escrivã Verônica Torres. “Faço exercícios físicos, comecei aulas de boxe”, diz. “Preciso estar preparada, porque esse ano será intenso, quero me movimentar!”  

 

Tainá Müller como Marilyn Monroe na peça “Os Desajustados” – FOTOS MANU TASCA