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Companhias aéreas estão prontas para decolar, sinais indicam uma vigorosa e sustentável recuperação do setor

Companhias aéreas estão prontas para decolar, sinais indicam uma vigorosa e sustentável recuperação do setor

Agora vai! Depois de um ano e meio apenas taxiando no solo, com voos cancelados e aviões vazios, agora o setor de aviação está pronto para decolar enxerga sinais da retomada por todo lado. Em agosto, as companhias aéreas nacionais registraram o quarto mês consecutivo de crescimento em voos domésticos, com uma média de 1.680 partidas diárias, ou o equivalente a 70% da oferta de voos verificada no início de março de 2020.

 

foto divulgação

 

Na Azul, o tráfego doméstico de passageiros em julho deste ano foi equivalente a 101% do nível registrado em 2019. Já a capacidade doméstica da companhia foi recuperada em 104%. Os índices são medidos em RPKs e ASKs, respectivamente. A Latam Brasil teve em agosto uma oferta de assentos equivalente a 77% daquela verificada neste mesmo mês, em 2019. A companhia opera hoje em 44 aeroportos no Brasil, número semelhante ao patamar pré-pandemia.

A operação internacional permanece reduzida, na casa dos 20% do que já foi, mas até o fim do ano deve atingir 50%, com a retomada dos voos para Buenos Aires, Londres, Santiago, Milão, Lima, Londres e Boston, entre outros destinos. Na Gol, as novidades são o retorno dos voos para Montevidéu, Cancún e Punta Cana (na República Dominicana), a partir de novembro.

E as companhias estrangeiras também estão restabelecendo suas ligações com o Brasil. A Emirates, por exemplo, volta a ter voos diários entre Guarulhos e Dubai a partir de 5 de outubro; a Air Canada reativará a rota Toronto-São Paulo agora em setembro e a Qatar Airways, que antes da pandemia operava voos diários entre São Paulo e Doha, atualmente tem 10 frequências semanais nessa rota!

 

Radar

Vou de táxi
Após analisar 1.249 aeroportos do mundo todo, o site www.fleetlogging.com elaborou um estudo mostrando os aeroportos com táxi mais caro até a cidade que servem. O Japão domina a lista, com oito dos Top Ten. O mais caro de todos é o de Hiroshima, onde o passageiro desembolsa US$ 165. Na Europa, o mais caro é o de Oslo, na Noruega, onde a corrida custa US$ 145. Se você viajar para um desses lugares, desloque-se de trem entre o aeroporto e a cidade.

Força latina
O Nella Airlines Group, comandado pelo brasileiro Maurício Araújo de Oliveira Silva, desembolsou US$ 50 milhões para assumir o controle da Amaszonas Línea Aérea, que opera na Bolívia, no Chile, no Paraguai e, em pouco tempo, também no Brasil. Em breve, a Amaszonas deve retomar seus voos para São Paulo (Guarulhos), para o Rio e para Foz do Iguaçu. A Nella quer ampliar sua presença na América Latina e no Caribe

Embrágua
A Marinha do Brasil fechou um contrato de R$ 9,1 bilhões para a compra de quatro fragatas. Os navios militares serão construídos pelo consórcio Águas Azuis, formado pela Thyssenkrupp, pela Atech e pela… Embraer! Isso mesmo, a empresa famosa por seus modernos e eficientes aviões tem também um braço na indústria naval! As quatro embarcações serão produzidas em um estaleiro em Itajaí (SC) e serão entregues à Marinha entre 2025 e 2028.

Quatro lançamentos dos streamings para curtir em setembro!

Quatro lançamentos dos streamings para curtir em setembro!

Programação das plataformas de streamings inclui novas temporadas de “Modern Love” e de “La Casa de Papel”, documentário sobre a ambientalista teen Greta Thunberg e filme com Meryl Streep ‘tretando’ com suas coleguinhas.

 

"La Casa de Papel" - Foto: Divulgação

“La Casa de Papel” – Foto: Divulgação

 

“LA CASA DE PAPEL”
Netflix

A série espanhola sobre um grupo que assalta a Casa da Moeda e o Banco Central, em Madri, está chegando ao seu final. Mas esta 5ª e última temporada será dividida em duas partes, cada uma com cinco episódios: o volume 1 (disponível a partir do dia 3 deste mês) e o volume 2, com estreia programada para dezembro. Neste ‘gran finale’, os integrantes de La Banda são colocados em situações extremas. Aquilo que começou “apenas” como um assalto está prestes a se transformar em uma verdadeira guerra!

 

Greta Thunberg em "Meu nome é Greta" - Foto: Divulgação

Greta Thunberg em “Meu nome é Greta” – Foto: Divulgação

 

“MEU NOME É GRETA”
Disney+

Ativista ambiental, a adolescente sueca Greta Thunberg é uma das mais poderosas e respeitadas vozes do planeta nos encontros internacionais que discutem a emergência climática. A garota protesta pelo direito de viver em um mundo habitável no futuro e cobra providências de grandes – e velhas – lideranças políticas falando de igual para igual com elas. O documentário, realizado pela National Geographic, mostra também como ela convive com a Síndrome de Asperger e como lida com as manifestações de ódio – que incluem xingamentos e até ameaças de morte.

 

Meryl Streep em "Let Them Talk" - Foto: Divulgação

Meryl Streep em “Let Them Talk” – Foto: Divulgação

 

“LET THEM ALL TALK”
HBO Max

Dirigido por Steven Soderbergh, este filme acompanha a famosa romancista Alice Hughes (Meryl Streep) e suas duas amigas mais antigas, Roberta (Candice Bergen) e Susan (Dianne Wiest), em uma viagem a bordo de um transatlântico para a Inglaterra, onde a escritora vai receber um prêmio literário. As amigas tentam restaurar o vínculo que as uniu nos tempos de faculdade, relembrando velhas queixas naquele estilo ‘morde e assopra’. O texto é muito bom, e as três veteranas atrizes mostram que ainda estão no auge de sua forma, com interpretações afiadas e magistrais.

 

"Modern Love" - Foto: Divulgação

“Modern Love” – Foto: Divulgação

 

“MODERN LOVE”
Amazon Prime Video

A plataforma estreou a 2ª temporada da série “Modern Love”, inspirada nas histórias publicadas em uma coluna de crônicas do jornal “The New York Times”. Cada episódio conta uma história, com elenco e locação diferentes. O segmento mais comentado dessa nova “safra” nos streamings traz Kit Harington (o John Snow de “Game of Thrones”) e Lucy Boynton (a Mary de “Bohemian Rhapsody”). Eles se conhecem em um trem na Inglaterra, se apaixonam instantaneamente e, na hora da despedida, não se beijam: apenas roçam os cotovelos, como estipula a etiqueta nesses tempos de coronavírus.

Feiras agropecuárias e rodeios são destaque da retomada de eventos no interior

Feiras agropecuárias e rodeios são destaque da retomada de eventos no interior

À medida que a vacinação avança e a pandemia parece estar finalmente indo embora, a economia começa a se reaquecer em todo o país. E, enquanto as capitais apostam em atrações culturais e eventos corporativos, no interior os destaques são as feiras agropecuárias, os rodeios e as festas sertanejas.

No Rio Grande do Sul, o grande evento deste fim de ano será a edição 2021 da Expointer, a principal feira agropecuária da região Sul. Com protocolos sanitários que permitirão a presença de 15 mil visitantes por dia, a exposição acontece entre os dias 4 e 12 de setembro na cidade de Esteio. Entre os gaúchos, a Expointer está sendo vista como a “feira da retomada”.

Dezenas de empresas do setor de máquinas agrícolas participam, e a expectativa é que tratores, colheitadeiras e afins respondam por cerca de 40% do valor dos negócios realizados. Na Expointer de 2019, antes da pandemia, as vendas das máquinas somaram mais de R$ 2,5 bilhões.

 

Jaguariúna Rodeo Festival, que está  programado para  os dias 17, 18, 24 e 25 de setembro - Foto: Divulgação

Jaguariúna Rodeo Festival, que está programado para os dias 17, 18, 24 e 25 de setembro – Foto: Divulgação

 

Em São Paulo e em Goiás, o último quadrimestre do ano será a temporada das festas de peão e megabaladas country. O Jaguariúna Rodeo Festival, por exemplo, acontece nos dias 17, 18, 24 e 25 de setembro. O evento possui mais de 30 anos de história e, em sua edição 2021, terá como pontos altos os torneios profissionais com várias modalidades de montarias e laço de bezerro, além de shows de grandes nomes da música. No dia 17, as estrelas serão a banda de forró eletrônico Barões da Pisadinha e o cantor sertanejo Gusttavo Lima. Em uma edição normal, o festival reúne 300 mil pessoas, mas este ano a plateia terá capacidade sensivelmente reduzida para permitir um mínimo de distanciamento social. Os ingressos estão à venda na plataforma www.totalacesso.com.br, com preços a partir de R$ 50.

Nos dias 12, 13 e 14 de novembro, o Caldas Country Show agita a cidade goiana de Caldas Novas com sua 15ª edição, concebida para que todos seus participantes possam cantar e dançar com seus artistas favoritos, se apresentando ao vivo. Até o momento, no entanto, as atrações musicais ainda não foram definidas.

Já na região Nordeste, a retomada dos eventos pode ser percebida com a volta dos rodeios e vaquejadas. Entre os dias 20 e 24 de outubro, o Parque Maria da Paz sedia os rodeios da 44ª edição da vaquejada da cidade de Campina Grande (PB), com premiação total de R$ 150 mil. Depois, de 10 a 14 de novembro, a cidade de Caruaru (PE) recebe a 27ª Vaquejada do Parque Haras Milanny, com prêmios que somam R$ 250 mil.

Peste suína africana pode ameaçar a suinocultura brasileira

Peste suína africana pode ameaçar a suinocultura brasileira

Enquanto a população brasileira monitora a disseminação da variante Delta do coronavírus, suinocultores ficam espertos para detectar qualquer sinal de que a peste suína africana tenha chegado ao Brasil e acometido suas criações.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e outras 21 organizações de 18 países da América Latina instalaram um comitê para definir estratégias de prevenção à peste suína africana na região. A doença, que em 2018 praticamente dizimou o rebanho de suínos da China, o maior do mundo, recentemente teve um foco detectado na República Dominicana.

O comitê continental deve lançar, em breve, uma campanha para estimular a conscientização sobre a importância dos cuidados preventivos no combate à doença, em um movimento com ações junto a produtores, governantes e a sociedade. A expectativa é que, unificando esforços nesse comitê, a região poderá monitorar com mais atenção problemas e riscos, contribuindo para a implementação mais rápida de eventuais medidas de contenção.

 

Criação de suínos - Foto: Divulgação | Agência Brasil

Criação de suínos – Foto: Divulgação | Agência Brasil

 

Caso surja algum caso suspeito de peste suína africana no Brasil, a Rede de Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) será a instituição oficialmente indicada pelo Ministério da Agricultura (Mapa) para testar e confirmar os diagnósticos. A detecção de casos da peste suína pode ser feita por ensaios sorológicos como Elisa e Imunoperoxidase, ensaios moleculares de PCR e pelo isolamento de vírus em células.

A peste suína africana é uma doença viral e hemorrágica que não oferece risco à saúde humana, mas pode ser altamente letal em criações de porcos e leitões, pois é facilmente transmissível. O impacto econômico de uma possível “epidemia” no Brasil seria catastrófico, pois a produção de carne suína envolve milhares de pequenos produtores no Sul do país e movimenta toda uma cadeia de fornecedores, processadores e transportadores. Além disso, a carne suína é um item básico na dieta dos brasileiros.

Prosa rápida

  • Agro é pop
    A cantora Beyoncé está construindo uma fazenda de maconha no estado norte-americano da Califórnia. “Explorei os efeitos do canabidiol durante minha última turnê e experimentei seus benefícios para dor e inflamação. Isso ajudou nas minhas noites agitadas e na inquietação que vem por não conseguir dormir”, disse a cantora, que também pretende investir em apicultura e na produção de mel orgânico.

 

  • Gergelim por cima
    A área cultivada com gergelim no Brasil cresceu 230% só no último ano, saltando de 53 mil hectares na safra 2018/2019 para 175 mil hectares na colheira 2019/2020. A produção cresceu 123%, saindo de 41,3 mil toneladas para 95,8 mil toneladas do grão. Em 2010, a produção nacional não passava de 5 mil toneladas. O estado de Mato Grosso, sobretudo os municípios de Canarana e Água Boa, concentra a maior parte da produção.

 

  • Tudo em dia
    A taxa de inadimplência dos produtores rurais brasileiros é muito menor do que a média da população nacional. Segundo pesquisa da Serasa Experian, o índice do pessoal do Agro é de “apenas” 15,9%, enquanto a média geral é de 37,7%. No estado de Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, a taxa de inadimplência do produtor rural é de 23,5%, enquanto o geral é mais que o dobro, 47,7%. O padrão se repete em Goiás (28% entre agricultores versus 40,2% da população geral), Mato Grosso do Sul (16,1%, ante 41,8%) e Santa Catarina (17,5%, contra 32,2%
Aos 75 anos, Alceu Valença celebra sucesso planetário com quatro novos álbuns

Aos 75 anos, Alceu Valença celebra sucesso planetário com quatro novos álbuns

Nascido em julho de 1946, o cantor, compositor, advogado, cineasta, poeta e jornalista Alceu Valença celebra seus 75 anos agora em 2021. Confinado em seu apartamento no Leblon desde o início da pandemia, aproveitou para rever toda sua obra e compor canções inéditas. Enquanto isso, o mundo todo também mergulhou nos velhos sucessos desse trovador natural de São Bento do Una, no Agreste pernambucano. Na bruma leve das paixões que vêm de dentro, mais e mais pessoas dos quatro cantos do planeta – da Suécia à Argentina, do Canadá aos Emirados Árabes – se juntaram aos fãs de Alceu após “descobrirem” e se apaixonarem por alguns de seus clássicos, como “Belle de Jour” e “Anunciação”.

Agora, com o avanço da vacinação e a flexibilização das restrições sanitárias, o músico volta aos palcos, para shows no dia 25 de setembro em São Paulo (no Espaço das Américas) e nos dias 22 e 23 de outubro na capital fluminense (na casa de espetáculos Vivo Rio).

 

Alceu Valença - Foto: Leo Aversa | Divulgação

Alceu Valença – Foto: Leo Aversa | Divulgação

 

Na entrevista a seguir, Alceu fala sobre seus novos álbuns, discute o passado e o futuro, filosofa sobre o seu DNA nordestino e tenta explicar a viralização global de seus antigos hits.

Como foi sua quarentena, foi um período produtivo?
Todo mundo aqui se contaminou com esse vírus antes da pandemia se instaurar, logo depois do Carnaval de 2020. Eu, meus dois filhos e minha mulher testamos positivo, mas tivemos sintomas leves. Para mim, esses meses de confinamento foram improdutivos e produtivos. Improdutivos porque tive de cancelar 40 shows pelo Brasil e outros 14 na Europa. Mas foi também uma fase muito produtiva, porque compus cerca de 30 novas canções. Viajo muito e, nessas turnês, nunca sou eu quem cuida do meu violão. Eu só me encontro com ele na passagem de som, pouco antes dos shows. Nesses últimos meses, trancado em casa, tive a oportunidade de me reconectar com o instrumento. Há décadas não tocava tanto violão. Como resultado desse grande encontro nasceram 4 álbuns. Dois que já estão nas plataformas digitais e mais dois que serão lançados em breve.

E como foi a escolha do repertório desses álbuns?
Cada álbum tem um roteiro sentimental, as músicas contam uma história que se formou na minha cabeça, misturando releituras de velhos sucessos, tesouros garimpados nos lados B dos meus discos e composições inéditas. O primeiro, “Sem Pensar no Amanhã”, lançado em março, começa na praia de Boa Viagem com “Belle de Jour”, sobrevoa igrejas de Olinda em “Mensageira dos Anjos”, viaja com “Táxi Lunar” e vai a Itamaracá com “Ciranda da Rosa Vermelha”. A música me levou a lugares que a quarentena me impedia de visitar. Não há vírus capaz de deter a poesia. Já “Saudade”, o segundo álbum, lançado agora em agosto, começa com o samba “Era Verão”, que fala da minha mudança do Recife para o Rio, no começo dos anos 1970. Daí eu encontro uma morena com “Tropicana”, nós nos amamos “Como Dois Animais”, vivemos os conflitos de “Tesoura do Desejo”, mergulhamos em “Solidão” e “Saudade” e, ao final, nos reconciliamos no meu Pernambuco com “Ladeiras” e “Olinda”. Nos próximos dois discos, vou explorar mais a fundo os ritmos do Nordeste profundo, com baiões, xotes, martelos agalopados, toadas e emboladas.

Pelos títulos dos álbuns, parece que você não quer falar sobre o futuro (“Sem Pensar no Amanhã”), mas aceita sem problemas falar de passado (“Saudade”). Você está em um momento nostálgico?
Quando falo de saudade, não estou me referindo a algo distante, estou falando do meu presente, de hoje, de ontem, da falta que sinto de fazer shows, de poder andar na rua, de encontrar os meus amigos. A letra dessa música é bem clara: “Saudade da estrada, saudade da rua / saudade de amigos, como eu confinados / que mesmo distantes estão ao meu lado / Respiro o presente / esqueço o passado, os meses e as horas”.

Também na faixa “Saudade”, você diz que projeta um mundo mais civilizado, com mais saúde e menos miséria. Na sua opinião, o que é que mais está faltando no mundo neste momento?
Falta empatia, falta fraternidade. Quem tem muito deveria dividir mais com quem tem pouco ou nada. A desigualdade é uma doença pior do que a Covid. A riqueza precisa ser distribuída de uma forma mais justa. A solidariedade deveria ser a seta que orienta a nossa vida no “novo normal”. Se isso acontecesse, seria um “legado positivo” da pandemia.

Alceu Valença com a bandeira de Pernambuco - Foto: Divulgação

Alceu Valença com a bandeira de Pernambuco – Foto: Divulgação

E agora que você vai enfim sair do confinamento, quais são as suas expectativas para os shows de SP (em setembro) e do Rio (em outubro)?
Estou ansioso para reencontrar a plateia. Apesar de coincidir com o lançamento do álbum “Saudade”, não serão shows de voz & violão. Estarei no palco com Leo Lira (guitarra), Tovinho (teclados), Nando Barreto (baixo), André Julião (sanfona) e Cássio Cunha (bateria). Tenho vários formatos de shows – uns mais intimistas, outros mais festeiros – mas esses agora vão ser do tipo “resumão”. Vamos passear por sucessos de todas as fases da minha carreira – como “Coração Bobo”, “Táxi Lunar”, “Cavalo de Pau”, “Anunciação” e “Papagaio do Futuro” – e por clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, como “Baião”, “Vem Morena” e “Canto da Ema”.

Como será o Carnaval em 2022? Já enxerga uma volta à normalidade?
Se dependesse de mim, o Carnaval de 2022 seria igual ao de 2020. Celebraríamos a retorno a uma vida bem próxima daquela que podíamos levar antes da pandemia, como muita alegria e muita animação. Festa é sinônimo de encontro, de gente, de confraternização, de toque e de calor humano. Em 2020, meu trio foi seguido por mais de 200 mil pessoas no Parque do Ibirapuera e outras centenas de milhares no Recife e em Olinda. Ainda não temos nada definido, mas acredito que vai ser possível fazermos festa com segurança. Nos Estados Unidos, sobra vacina porque a população parece não estar muito interessada na imunização. Mas aqui a vacinação só não é mais rápida pela falta de imunizante. Todo mundo adora vacina! Até o Carnaval, toda a população brasileira já terá recebido devidamente suas duas doses. O povo quer se proteger para se livrar da tensão causada por essa moléstia. E o Carnaval será o marco dessa “libertação”. A alegria vai ser mais contagiante do que o corona!

Após ouvir “Sem Pensar no Amanhã” e “Saudade”, me pareceu que o timbre da sua voz está ficando mais agudo. Foi só uma impressão minha?
Que curioso, alguns dizem que a minha voz ficou mais grave, enquanto outros – como você – falam que está mais aguda. A verdade é que eu estou cantando diferente nesses álbuns de voz & violão. É um canto mais macio, mais intimista, mais doce, em harmonia com o violão. Não preciso fazer força nem disputar espaço com guitarras, percussão, teclados e naipes de sopros. Imagino que seja isso o que as pessoas estejam estranhando…

Você nasceu em São Bento do Una, cresceu e se formou em Direito no Recife, fez curso de verão na Universidade de Harvard, já morou em Paris e há décadas vive no Rio de Janeiro. Onde você se sente mais à vontade? Hoje você se considera mais carioca ou pernambucano?
Sabe, meu cabra, a verdade é que eu não moro em cidades, eu namoro cidades. Meu relacionamento com elas normalmente é muito breve. Estou sempre viajando, mas em geral eu chego num lugar, vou para o hotel, me apresento de noite, faço um ou outro passeio durante o dia, visito um restaurante ou museu e é só. Quando rola uma paixão, é algo efêmero, fugaz. E, apesar de ter passado mais da metade da minha vida tendo um apartamento no Rio como meu endereço residencial oficial, ainda me sinto um pernambucano. Jamais vou perder as minhas raízes. Esse DNA está presente na minha música e impregnado na minha personalidade.

Você passou por todas – ou quase todas – as grandes gravadoras, como Som Livre, EMI, Sony, Polygram… agora está na Deck. O que piorou e o que melhorou na indústria fonográfica nesses seus 50 anos de carreira?
Por um lado, hoje é muito, mas muito mais fácil para um artista gravar seu trabalho, produzir um álbum, um clipe, sem interferências de alguém do departamento de marketing. Depois é só publicar em uma das plataformas de streaming e o mundo todo terá acesso à sua obra, sem perrengues de prensagem ou distribuição. Isso é algo que melhorou muito. Por outro lado, a concorrência hoje é imensa e, muitas vezes, seu trabalho fica perdido num mar de canções de todo tipo, dos mais diversos ritmos, gêneros e procedências. Você fica meio que refém de um algoritmo ou de um sei-lá-o-quê que define quem vai te ouvir. Muitas vezes, algo medíocre faz um sucesso enorme e um trabalho da melhor qualidade fica esquecido e escondido nesse oceano virtual de arquivos sonoros. É complicado…

Como você explica esse novo “hype” de “Anunciação”, quase 40 anos depois de seu lançamento? A canção virou trilha do ‘Big Brother Brasil’, hino da seleção brasileira de futebol feminino em Tóquio e ‘bomba’ até nas pistas de dança no Brasil e no mundo, em versão dançante. Você fatura mais com ela hoje do que faturou nos anos 1980?
A música viralizou. Foi isso o que aconteceu. De repente, saltou para 55 milhões de visualizações no YouTube e outras dezenas de milhões no Spotify, na Deezer e na Apple Music. “Belle de Jour” também virou um grande hit planetário, com mais de 175 milhões de views no YouTube. Qual a explicação? Viral não tem explicação. Não existe receita para fazer um vídeo viralizar. Simplesmente acontece. Uma vez, em Portugal, eu, a Elba [Ramalho] e o Geraldo [Azevedo] gravamos um vídeo com o celular num Miradouro com uma vista linda e postamos, certos de que aquilo ia arrebentar na internet. Nada! Outro dia, fui à padaria aqui perto de casa, no Leblon, e vi um turista francês tocando ‘Anunciação’ no clarinete. Me apresentei a ele, disse que era o autor da música e, segundo depois, estávamos fazendo um vídeo, no improviso, acompanhados por uma menina da Argentina e um canadense ao violão. Este vídeo, gravado pela Yanê, minha esposa, teve muito mais repercussão e mais likes do que aquele que produzimos em Lisboa no capricho e com grandes artistas. Vai entender… Quanto à sua pergunta sobre dinheiro, infelizmente não estou um Real mais rico por causa desse ‘boom’. As plataformas digitais remuneram muito mal os artistas. Mas fico feliz com o sucesso, por atingir um público novo e por ter ajudado a elevar o ânimo das meninas do futebol feminino.

A propósito, a que se refere a letra de “Anunciação”? Ela é apenas uma epifania sobre a chegada de uma mulher ou é um hino de esperança pela volta de dias mais felizes?
Eu não sei compor músicas sob encomenda. Para mim, não existe isso de escolher um tema, sentar e escrever uma nova canção. A inspiração vem quando ela quer, do jeito que ela quer. Eu componho como o Chico Xavier, sou tomado por um surto criativo que me leva a lugares que nem o meu inconsciente sabe explicar. “Morena Tropicana”, por exemplo, foi composta num quarto de hotel em São Paulo, numa época em que eu estava namorando uma loira. Ou seja, não tinha nem uma morena e nada tropical por perto! [risos] A inspiração veio porque me lembrei das obras de um artista plástico recifense, Sérgio Diletieri Lemos, famoso por pintar frutas tropicais como mangas, cajus, sapotis, umbus e cajás. No caso de “Anunciação”, eu tinha acabado de comprar uma flauta transversal e saí com meu novo instrumento pelas ruas de Olinda para ver se algo ali me estimularia a compor. Passei pelo sino da catedral, pelo quintal onde a roupa estava estendida no varal, depois uma amiga sussurrou no meu ouvido que a melodia que eu estava executando era muito bonita e assim foi. A música é uma colagem do que vi naquela manhã de domingo. Mas, como eu me envolvi profundamente com a campanha pelas “Diretas Já” e viajei o Brasil todo com Ulysses Guimarães e outras lideranças desse movimento na época do lançamento da música, muita gente associou a letra ao retorno da Democracia. Já falei mil vezes que a letra não tem nenhuma conotação subversiva, mas até hoje tem gente insistindo que ela tem. Não sou político e nem profeta – sou poeta!