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Fábrica de Arte em Itu expõe esboços de Tarsila do Amaral

Fábrica de Arte em Itu expõe esboços de Tarsila do Amaral

Museu exibe 203 desenhos de Tarsila do Amaral que revelam um pouco do processo de criação desta que, nos últimos anos, consolidou-se como a mais cultuada artista brasileira

Inaugurado em 2019, a Fábrica de Arte Marcos Amaro (FAMA Museu) ocupa 25 mil metros quadrados em Itu, onde funcionava a Fábrica São Pedro, de produtos têxteis. Seu acervo é composto por cerca de 1.300 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas e instalações de artistas como Aleijadinho, Carmela Gross, Cildo Meireles, Nelson Leirner e Tunga.

Outra atração do centro cultural é a exposição de longa duração “Estudos e Anotações”, que reúne um raro conjunto de 203 desenhos de Tarsila do Amaral, artista nascida em Capivari, próxima a Campinas, em 1886 que foi um dos principais nomes do Movimento Modernista.

 

Exposição no FAMA Museu

 

Tarsila do Amaral tinha o hábito de carregar consigo cadernos de anotações para desenhar. Com o lápis sobre um pedaço de papel, registrava as paisagens pelas quais passava. Produzidas entre 1910 e 1940, as obras agora expostas revelam as várias fases da artista e apresentam temas recorrentes em sua linguagem, como as vistas de viagens que ela fez pelo Brasil afora, desde as bucólicas cidades históricas mineiras, até suas andanças pela Europa e a passagem pelo deserto do Egito.

 

Estudo para Operário

 

Longe da vista do público há mais de cinco décadas, engavetado em uma coleção privada, esse conjunto de desenhos foi exibido uma única vez, em 1969, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Ao chegarem ao acervo da FAMA, com danos ocasionados pelo tempo e pela falta de cuidados museológicos, as obras foram submetidas a um minucioso processo de restauração. “Essa coleção, praticamente desconhecida, tem um valor inestimável para memória da cultura brasileira e vem contribuir, de forma efetiva e criteriosa, como ferramenta pedagógica da instituição para a formação de crianças e jovens estudantes que serão, no futuro próximo, o público de arte”, afirma Ricardo Resende, curador do museu.

A mostra inclui esboços e estudos de obras como “A Negra”, “Operários” e “A Cuca”, em nanquim, grafite e aquarela. Após receber mais de 400 mil visitantes e quebrar todos os recordes de público do Masp com a exposição “Tarsila Popular”, em 2019, a modernista atualmente é a artista brasileira mais valorizada no mercado internacional. Sua obra “A Lua” foi adquirida pelo MoMA (Museu of Modern Art) de Nova York por aproximadamente 20 milhões de dólares – o equivalente a 110 milhões de reais.

 

Estudo de A Negra, de 1923.

 

Fábrica de Arte Marcos Amaro – FAMA Museu: Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9, Itu, tel. 11 4022-4828. De quarta-feira a domingo, das 10h às 17h. As visitas devem ser previamente agendadas pelo site www.famamuseu.org. Ingressos a R$ 10.

 

Atlas do Espaço Rural Brasileiro revela as características dos produtores e estabelecimentos agropecuários

Atlas do Espaço Rural Brasileiro revela as características dos produtores e estabelecimentos agropecuários

O IBGE lançou em dezembro a 2ª edição do “Atlas do Espaço Rural Brasileiro”, elaborado a partir dos dados do Censo Agropecuário de 2017. Em quase 250 páginas, a obra traz de mapas, gráficos, tabelas e textos que compõem um perfil do produtor e dos 5.073.324 estabelecimentos agropecuários do país.

O Atlas revela que a estrutura fundiária do Brasil segue concentrada. A área média dos estabelecimentos agropecuários é de 69 hectares. 81% dos estabelecimentos agropecuários têm até 50 hectares e ocupam apenas 12,8% da área total. No outro extremo, 0,3% dos estabelecimentos têm mais de 2.500 hectares, porém ocupam 32,8% da área total.

 

 

A pecuária é a principal atividade no campo, em especial nos maiores estabelecimentos, seguida pela lavoura temporária. Juntas, são praticadas em mais de 80% dos estabelecimentos do país. Na lavoura temporária, mandioca e soja retratam os contrastes: a primeira, fortemente marcada pela produção em propriedades de até 50 hectares (64,2%), e a segunda, pelo cultivo em estabelecimentos com mais de 2.500 hectares (39,5%).

Pela primeira vez, o Censo registou dados sobre a cor ou raça do produtor dirigente dos estabelecimentos. 47,9% deles pertencem a brancos, enquanto os pardos comandam 42,6%, os pretos detêm 7,8%, os indígenas somam 0,8%, e os amarelos, 0,6%.

Em 2017, 83% dos estabelecimentos agropecuários tinham acesso à rede elétrica. Se a eletricidade se consolidou, a internet ainda é escassa no meio rural. Ela está presente em menos de 30% estabelecimentos, mas evoluiu: em 2006, apenas 1,5% dos estabelecimentos tinham acesso à internet. A publicação pode ser acessada gratuitamente em formato digital no Portal do IBGE e na Plataforma Geográfica Interativa (PGI).

 

Prosa rápida

 

Para intolerantes
A fazenda Santa Rita, em Descalvado, em São Paulo, é uma das raras que vendem leite tipo A2A2, livre de beta-caseína A1, proteína que causa alergia em parte das pessoas. A produção de leite só com beta-caseína A2 é definida por fatores genéticos. Vacas com genes “A2” sempre produzem leite “A2A2”. A fazenda tem 100% de seu rebanho certificado, e a ordenha do gado A2 é feita sempre antes do A1 – os leites nunca são misturados. O valor pago pelo litro do leite “A2A2” é 3 a 4 vezes maior do que o do comum.

Doce colheita
Estimada em 41,8 milhões de toneladas, a produção brasileira de açúcar na safra 2020/21 será a maior da história. O recorde era da safra 2016/17, com 38,7 milhões de toneladas. Segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), a supersafra, após três anos seguidos de retração, se deve à alta do dólar no Brasil e à elevação do preço do açúcar no mercado internacional.

Veneno à deriva
A região da Campanha, no Rio Grande do Sul, deve amargar uma perda de 40% na produção de uvas, segundo estimativa do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Os danos nos vinhedos foram causados pelo perigoso herbicida 2,4-D, muito utilizado nas plantações de soja da região. Ele é levado pelos ventos e, além de comprometer a produção dos vinhedos, olivais e pomares de outras frutas, pode também contaminar os rios e afetar a saúde das pessoas e dos animais que vivem na área. 

2021 começa com grandes novidades no streaming

2021 começa com grandes novidades no streaming

Netflix, Amazon, Disney+ e Starzplay têm lançamentos de peso, como um seriado baseado em livro de Stephen King, um filme dirigido e estrelado por George Clooney, um musical premiadíssimo da Broadway e muito mais

 

“THE STAND”
Starzplay
Adaptação de uma obra de Stephen King, a série de nove episódios “The Stand” é a visão apocalíptica do autor de um mundo dizimado por uma praga altamente contagiosa e envolto em uma luta elementar entre o bem (representado por personagens como a Mãe Abagail, uma mulher de 108 anos interpretada por Whoopi Goldberg) e o mal (encarnado, entre outros, pelo Homem de Preto, vivido por Alexander Skarsgård).

 

“HAMILTON”
Disney+
Sem podermos ir a Nova York, o jeito é ver pela TV mesmo o musical “Hamilton” nesta versão editada especialmente para a telinha. Sucesso há seis anos na Broadway, o espetáculo usa rap e hip hop para contar a história de Alexander Hamilton, um dos “pais-fundadores” dos Estados Unidos no século XVIII. Nesta arrojada e premiadíssima montagem, todos os protagonistas – brancos escravocratas – são interpretados por atores negros.

 

“KAKEGURUI”
Now e VivoPlay
Versão live-action de um famoso mangá e anime da TV japonesa, “Kakegurui” é ambientado em uma escola particular onde o status dos alunos é definido por suas habilidades na jogatina. O filme é centrado nas batalhas entre a gananciosa e voraz Yumeko Jabami e uns adversários para lá de bizarros. A jovem atriz Minami Hamabe conquistou o papel principal deste longa após sua atuação no filme “Let Me Eat Your Pancreas”, de 2017.

 

“SOUND OF METAL”
Amazon Prime
O baterista de uma banda de rock se desespera ao perceber que está perdendo a audição. Por este papel, o ator Rhiz Ahmed (da série “The Night Of”, da HBO) vem sendo apontado como um possível indicado ao Oscar pela crítica especializada. Exibido em cinemas dos Estados Unidos, o longa de estreia do diretor Darius Marder chega aqui exclusivamente no streaming.

 

“O CÉU DA MEIA-NOITE”
Netflix
Neste filme de ficção científica dirigido e estrelado por George Clooney, um pesquisador solitário no Ártico corre contra o tempo para impedir que Sully (Felicity Jones) e seus colegas astronautas voltem à Terra depois de uma catástrofe global. Para se preparar para este papel, Clooney teve de emagrecer bastante e deixar a barba crescer. Após perder 12 kg em poucas semanas, o ator foi hospitalizado com pancreatite.

Exames e vacinas são os novos vistos de viagem

Exames e vacinas são os novos vistos de viagem

Para garantir viagens mais seguras, companhias aéreas e autoridades migratórias vão restringir o embarque de viajantes sem atestado de vacina ou exame negativado para Covid 

O governo federal do Brasil publicou em dezembro uma portaria exigindo que, a partir deste mês de janeiro, brasileiros e estrangeiros que queiram entrar no país de avião devem apresentar à companhia aérea um teste PCR com resultado negativo para Covid-19 ao embarcar. O teste deverá ter sido feito até 72 horas antes. 

Uma nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recomendava há tempos a apresentação de um teste negativo para Covid-19 antes da entrada no Brasil, mas o governo vinha ignorando essa orientação. No dia 17 de dezembro, no entanto, editou a portaria seguindo a recomendação do órgão técnico. Nesses tempos de pandemia, resultados de exames, atestados de saúde e comprovantes de vacinação funcionam como vistos para quem quiser viajar. 

 

Agora, com o início da vacinação em vários países, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) se prepara para lançar um documento digital que vai servir de apoio à reabertura das fronteiras. A associação, que congrega 290 companhias responsáveis por mais de 80% do tráfego aéreo mundial, está desenvolvendo o Iata Travel Pass, que compartilhará informações de saúde dos viajantes entre laboratórios, companhias aéreas e autoridades alfandegárias e migratórias – o que inclui os resultados de testes RT-PCR e os comprovantes de vacinação contra a Covid-19. 

O lançamento desse documento deve ocorrer ainda neste primeiro trimestre de 2021. Por meio de um aplicativo, os viajantes criarão seu “passaporte digital” para guardar certificados de teste e vacinação e compartilhá-los com companhias aéreas e autoridades alfandegárias. A australiana Qantas e a coreana Korean já anunciaram que, em breve, não embarcarão passageiros que não comprovarem ter tomado a vacina.

 

Radar

Que venha voando
Azul, Gol e Latam se dispuseram a transportar gratuitamente as vacinas contra a Covid-19 em seus voos. A Latam Cargo se diz a primeira companhia aérea da América do Sul a obter a certificação CEIV Pharma. Isso significa que a companhia atende os mais altos padrões de qualidade para o transporte de produtos farmacêuticos com controle de temperatura. A empresa conta hoje com 30 pontos de recebimento de insumos médicos na Europa, nos EUA e no Chile, além de outros 4 que quer habilitar na China.

Agendamento
A Ita Transportes Aéreos, do Grupo Itapemirim, já solicitou slots (horários para a decolagem e pouso de voos) em vários aeroportos do país para iniciar suas operações. A empresa quer 12 pares em Belo Horizonte, 22 em Guarulhos, 9 em Congonhas, 3 no Galeão e mais 3 em Porto Alegre. Em breve, a companhia aérea fará mais solicitações, em outros aeroportos. Se tudo correr dentro do planejado, a Ita começa a voar em março.

EUA-UAI
A norte-americana Eastern Airlines deve começar a operar voos entre o Brasil e os Estados Unidos a partir de março, com voos regulares ligando Belo Horizonte a Miami, Boston e Nova York (JFK) – as cidades com maior população de brasileiros nos States. As rotas serão provavelmente servidas por aeronaves Boeing 767-300ER e as passagens já estão sendo vendidas no site da companhia, a preços na casa dos US$ 400 (cerca de R$ 2.100). 

 


 

Finalista do BBB20, Rafaella Kalimann se prepara para estrear como atriz e dá uma dica para se dar bem no reality-show

Finalista do BBB20, Rafaella Kalimann se prepara para estrear como atriz e dá uma dica para se dar bem no reality-show

Nascida em 1993 na pequena Campina Verde, no Triângulo Mineiro, Rafaella Freitas Ferreira de Castro cresceu, se transformou em Rafaella Kalimann, ganhou o mundo e hoje tem quase 20 milhões de seguidores no Instagram. Segunda colocada na edição 2020 do “Big Brother Brasil”, ela ficou nacionalmente conhecida como fada sensata e como ferrenha defensora dos direitos da mulher durante o período em que esteve confinada na Casa do reality-show. 

 

FOTO GUILHERME LIMA

 

Senhora de seu destino e dona de seu corpo, Rafaella é uma referência para garotas do país todo com seu visual turbinado por silicone, botox, apliques capilares e tatuagens. Em seu ombro esquerdo, tem gravada na pele a frase: “Espalhe a luz”. É isso o que ela faz: ilumina o cotidiano de suas seguidoras com fotos e mensagens inspiradoras. 

A influencer mora em Goiânia, mas tem também um apartamento em São Paulo e, em breve, deve ganhar um endereço no Rio de Janeiro – em maio, ela foi contratada pela Globo para atuar no remake da novela “Pantanal” e protagonizar uma produção na plataforma de streaming Globoplay.
 

Em conversa com a reportagem da 29HORASRafa fala de sua trajetória, da preparação para sua estreia como atriz na TV e ainda aproveita para dar algumas dicas a quem quiser ter uma boa performance em um reality-show.

 

Rafaella Kalimann desfilando quando adolescente – FOTO ARQUIVO PESSOAL

 

Desde pequena você queria ser modelo, estar sob os holofotes? Quais as primeiras manifestações desse desejo que você deu em casa ou na escola? Sempre se achou bonita? Que parte do seu corpo não gostava?
Isso nasceu comigo, não é algo que a certa altura despertou em mim. Desde os 6 anos de idade, já colocava os meus pais sentados no sofá e desfilava para eles, como se eles fossem uma plateia que estava ali para me ver. Na adolescência, achava que as minhas pernas eram muito grossas e que não estavam dentro do “padrão”. Depois cresci, desisti de me encaixar nesses padrões e passei a aceitar o meu biotipo. Não queria mais ser como fulana ou sicrana. Decidi ser a Rafa.

 

Você veio para São Paulo bem jovem, para modelar. Que memórias você tem desse tempo? 
Vim para São Paulo com 14 anos, após ser selecionada em um concurso que recrutava jovens modelos para bookers e agências do Brasil e do exterior. Foi uma fase muito difícil, com pouco trabalho, baixa remuneração e uma vida cheia de privações. Sou de uma família humilde, e o dinheirinho que o meu pai conseguia mandar para eu me sustentar não era suficiente nem para as coisas mais básicas. Deixei de participar de castings porque não tinha a grana da condução. Um dia, quando percebi que o meu sonho não estava evoluindo e que eu estava apenas lutando para sobreviver, resolvi dar um passo para trás e voltar para a casa dos meus pais.

 

FOTO GUILHERME LIMA

 

De volta a Minas, passou a dedicar seu tempo para se tornar uma influencer. Quem eram as suas ídolas naquele momento? Sua conterrânea Thássia Naves foi uma inspiração para essa guinada?
Assim que voltei, entrei na faculdade de Psicologia. Mas eu ainda adorava desfilar, então comecei a postar meus looks no Instagram. Meu melhor amigo fazia as fotos e eu modelava. A Thássia foi, sem dúvida, uma grande inspiração. Ela e outras poderosas blogueiras, como a Camila Coelho. Notei que havia um potencial nessa comunicação pelas redes sociais. Me aprofundei, estudei e tentei achar um nicho para mim. Me encontrei quando comecei a trabalhar no segmento de moda no atacado. Aí meu perfil no Instagram decolou tanto na quantidade de seguidores como no número de marcas interessadas em se ao meu nome.

 

Em 2013 você começou a atuar como embaixadora da ONG Missão África. Como você se envolveu com esse bonito trabalho?
Quando retornei à casa dos meus pais, não estava feliz. Mas estabeleci uma conexão muito forte com a fé, com o divino, com a palavra de Deus. E aí surgiu no meu coração um desejo de missionar. Um dia, uma conhecida postou que estava indo para a África fazer um trabalho humanitário. Entrei em contato com ela e fui muito bem recebida na ONG da qual ela fazia parte, a Missão África. Promovi um bazar para juntar os recursos necessários para financiar a minha viagem e, poucos dias depois, embarquei para Moçambique, para ajudar as populações carentes de lá.
Chegamos a uma comunidade devastada por um ciclone. As pessoas estavam famintas e saquearam o nosso caminhão, que estava levando comida, remédios e água potável para eles. Todos estavam desesperados e não aguentaram esperar. Vi que precisava fazer mais por aquela gente, e armei uma vaquinha no meu Instagram, na expectativa de levantar R$ 400 mil em quatro meses. Nos primeiros três dias, angariamos mais de R$ 700 mil! Mais uma vez, ficou claro para mim que as redes sociais não são apenas um espaço para vaidades e negócios, é também uma poderosa ferramenta de mudança social. Ela ajuda a promover o bem, quando as intenções são boas e o trabalho é sério.

 

Foto Arquivo Pessoal

 

Aí, no final de 2019, quando você já tinha 2,9 milhões de seguidores, surgiu o convite para participar do “Big Brother Brasil 2020”. O que a fez aceitar? Ficou com medo de sujar a sua imagem?
Quando recebi o convite, minha primeira reação foi sentir muito medo. Sempre amei o “Big Brother Brasil”, mas a exposição que ele provoca é algo assustador. Por um bom tempo, fiquei pesando os prós e os contras. Decidi aceitar porque aquele era um sonho que eu acalentava desde a minha infância. Não seria correto correr da raia. Eu queria muito vivenciar aquela experiência! E não me arrependo de nada. O programa é muito bem-feito, a produção é muito cuidadosa. É isso que faz a gente se soltar, se entregar. Eu aceitaria passar por tudo aquilo de novo, quantas vezes me chamassem.

 

A certa altura, você passou a liderar a ala das “Fadas Sensatas” lá na casa do “BBB20”. Quando foi que você teve o clique para assumir esse papel? O que te impeliu a confrontar aqueles machinhos tóxicos?
O clique veio de longe, lá de quando eu cheguei a São Paulo ainda menina e tive de enfrentar um universo machista e opressor. Desde essa época eu passei a exigir respeito. Naquela situação específica, a treta dos meninos nem foi diretamente comigo, mas todas nós demos as mãos e fomos para cima. Mexeu com uma, mexeu com todas! Não dá para admitir aquele tipo de comportamento. Ensinamos para eles o significado das palavras empatia e sororidade.

 

Rafa Kalimann e Thelma Assis, a campeã do “BBB20” – FOTO DIVULGAÇÃO

 

Quando a pandemia chegou ao Brasil, você estava confinada na casa do “BBB20”. Que pensamentos vieram à sua mente quando soube do que estava acontecendo aqui fora?
Percebemos que estávamos literalmente em uma bolha, isolados mesmo de todo o resto do planeta. A produção foi muito cuidadosa, nos sentimos muito protegidos, mas não tínhamos noção da gravidade da situação. Fiquei muito preocupada com meus pais, com meus avós e com as pessoas que ajudamos lá na África. Mas eu só entendi mesmo a real dimensão do problema quando saí da casa. Até aquele dia, a Covid havia matado menos de 5 mil pessoas no país. Hoje, já são quase 200 mil vidas perdidas!

 

O que você aprendeu no “BBB”? Vivemos em um mundo absolutamente polarizado e dividido. A convivência lá dentro era pior do que aqui fora? Vocês descobriram da pior maneira a importância da tolerância?
É transformador. Aprendi a importância da tolerância desde que vivi em repúblicas de modelos, com tanta gente diferente em um mesmo lugar. Lá dentro da casa do “BBB20” eu cresci muito. Me conheci melhor, senti o quanto é necessário ter fé, descobri o quanto eu gosto da minha família, adquiri muita inteligência emocional e aprendi a lidar melhor com a pesada pressão psicológica. Me diverti, vivi intensamente cada momento e tirei lições positivas até das situações mais desagradáveis. A polarização do mundo atual estava lá dentro também. E a convivência lá na casa é complicada porque ninguém está ali a passeio. Existe uma competição, existem os egos, existem as provocações, as estratégias, os segredos…

 

Quais dicas você pode dar para quem quiser ganhar o “BBB”? Se posicionar é importante? Sempre?
Minha dica é óbvia, mas é absolutamente verdadeira: seja quem você é. Não dá para enganar o público quando sua vida é acompanhada por dezenas de câmeras 24 horas por dia. Lá dentro até dá para você eventualmente iludir algum dos brothers, mas quem está assistindo aqui de fora fica sabendo de tudo. Se você encarna um personagem, fala uma coisa e faz outra, as câmeras te desmascaram e você logo é tachado de falso. E é importante também ser leal. Quem joga sujo logo sempre é julgado e condenado pelo público. Ah, e por último, eu acho que é primordial se posicionar. O público fica desconfiado se você se omite e fica em cima do muro. Quando vai votar, o telespectador quer saber de que lado você está.

 

A Manu Gavassi se tornou a sua inseparável parceira lá no “BBB20”. Aqui fora, vocês mantêm a amizade pelo que podemos ver nas redes sociais. Como você define o “match” que deu entre vocês duas?
A Manu foi o maior presente que o BBB20 me deu. Ela é uma mulher única, especial, inteligente, uma artista completa! Sem ela eu não teria suportado muita coisa que aconteceu lá dentro da Casa. A gente se apoiava muito. Encontrei nela alguém que me ouvia, me respeitava, me dava muito carinho. E sinto que essa admiração é recíproca. Aqui fora essa amizade continua, cada vez mais forte – sempre que podemos, estamos juntas.

 

Rafa Kalimann e Manu Gavassi – FOTOS DIVULGAÇÃO

 

Agora contratada da Globo, quais serão os seus próximos trabalhos na emissora? Como vem sendo a sua preparação para essa nova carreira?
A preparação é puxada e a evolução, contínua. Todo dia tenho sessões de fonoaudiologia e aulas de interpretação. Respeito muito o ofício do artista, que toca fundo o coração das pessoas. Esse é um trabalho que demanda muito cuidado e profissionalismo. A pandemia paralisou meus projetos, eles ainda estão muito embrionários, tanto na TV Globo como na GloboPlay. Por causa disso, ainda não tenho muita coisa para adiantar.

 

E 2021 vai ter casamento também? Você e o músico Daniel Caon já haviam ficado há alguns anos, não é? Como é esse novo namoro, com os dois mais maduros?
Estamos vivendo um momento gostoso, leve, sem rótulos. Nos reencontramos da maneira mais improvável: eu na casa do “BBB20” e ele na Casa de Vidro, disputando uma vaga no programa. Resolvemos dar uma segunda chance à paixão que vivemos no passado. Ele tem um jeito cativante de me colocar para cima, de fazer com que eu me sinta segura, amada e feliz. Não temos planos de casamento no horizonte. Queremos curtir esse amor sem pressa. Um passo de cada vez! 

 

Rafa Kalimann e Daniel Caon – FOTOS DIVULGAÇÃO