Centenário da Semana da Arte Moderna inspira uma extensa programação de concertos, peças teatrais, exposições e filmes em São Paulo

Centenário da Semana da Arte Moderna inspira uma extensa programação de concertos, peças teatrais, exposições e filmes em São Paulo

Realizada em fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna representou uma verdadeira revolução, e agora é celebrada com eventos por toda a cidade

Há exatamente um século, o Theatro Municipal de São Paulo sediava a Semana de Arte Moderna, importante marco da história da cultura brasileira. Entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, o evento apresentou novas ideias e conceitos artísticos, renovando a linguagem, valorizando a experimentação, a liberdade criativa e a ruptura com o passado e o academicismo. O evento marcou o início do Modernismo do Brasil.

 

Thais Aguiar na peça sobre a vida de Pagu – Foto Divulgação

 

Cada dia da semana trabalhou um aspecto cultural: pintura, escultura, poesia, literatura e música. Participaram da Semana de 22 artistas como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Victor Brecheret, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos e Emiliano Di Cavalcanti, entre outros. Na ocasião da Semana de Arte Moderna, Tarsila do Amaral se encontrava em Paris, mas sua obra tem tudo a ver com o espírito do evento e do Movimento Modernista.

Agora, para celebrar o centenário desse momento marcante da história das artes brasileiras, uma extensa programação de concertos, peças teatrais, exposições e até filmes ocupa alguns dos principais templos paulistanos da cultura. No próprio Theatro Municipal, a Orquestra Sinfônica Municipal apresenta nos dias 12 e 13 os concertos “Villa Total”, com repertório focado nas famosas “Bachianas”, compostas por Heitor Villa-Lobos.

 

Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, em apresentação no Theatro Municipal – Foto divulgação

 

No Centro Cultural Fiesp, a exposição “Era uma Vez o Moderno” reúne até maio mais de 300 obras e documentos inéditos sobre a intimidade dos artistas e pensadores modernistas, como Mário e Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Di Cavalcanti, Osvaldo Goeldi, Ismael Nery, Guilherme de Almeida e Gilberto Freire. A mostra é considerada a maior já organizada sobre o Modernismo Brasileiro e, nela, os visitantes poderão conhecer o diário de Anita Malfatti, que registra os preparativos da sua primeira exposição individual. Em um dos corredores, o personagem virtual de Mário de Andrade lê um trecho do livro “Pauliceia Desvairada”.

A exposição tem como destaques dois quadros muito significativos: “O Homem Amarelo”, um dos mais conhecidos de Anita Malfatti, e “O Mamoeiro”, de Tarsila do Amaral, no qual a artista buscou representar a realidade da época usando cores fortes e formas geométricas, influenciada pelo cubismo e pela arte do francês Fernand Léger, seu mestre.

Na Casa Guilherme de Almeida, a exposição “A Mostra de Fotografia que Não Houve na Semana de 22” reúne imagens realizadas por fotógrafos da época da Semana de 22. Na Oficina Cultural Oswald de Andrade, o diretor Roberto Lage e a atriz Thais Aguiar encenam o espetáculo “Dos Escombros de Pagu”, um texto de Tereza Freire sobre a vida de Patrícia Rehder Galvão – militante política, ilustradora, feminista, comunista e crítica literária e teatral que, na primeira metade do século passado, foi considerada ícone do Modernismo.

 

'O Homem Amarelo', de Anita Malfatti, destaque da mostra no Centro Cultural da Fiesp | Foto reprodução

‘O Homem Amarelo’, de Anita Malfatti, destaque da mostra no Centro Cultural da Fiesp | Foto reprodução

 

Nos cinemas, o centenário da Semana de 22 será marcado pela estreia de “Tarsilinha”, longa de animação dirigido por Célia Catunda e Kiko Mistrorigo, trilha sonora de Zezinho Mutarelli e Zeca Baleiro, a animação de Celia Catunda e Kiko Mistrorigo, roteiro de Fernando Salem e Marcus Pimenta e personagens dublados por Marisa Orth, Skowa e Marcelo Tas. O filme é uma aventura fantástica, inspirada na obra de Tarsila do Amaral. Na tela, Tarsilinha é uma menina de oito anos que embarca numa jornada para recuperar a memória de sua mãe. Para isso, ela precisa encontrar objetos especiais que foram roubados de uma caixa de lembranças. Em sua aventura, a garota conta com a ajuda de amigos como o Abaporu, o Saci, a Lagarta, o Sapo, o Pássaro e o Bicho Barrigudo. O filme entra em cartaz nos cinemas no dia 10 de fevereiro.

 

Acima, os personagens Tarsilinha, Sapo e Saci no desenho animado que chega aos cinemas

 

Em cartaz até o final de fevereiro, a mostra “Arte É Progresso” leva ao Teatro Viradalata quatro musicais cheios de brasilidade do dramaturgo mineiro Vitor Rocha

Em cartaz até o final de fevereiro, a mostra “Arte É Progresso” leva ao Teatro Viradalata quatro musicais cheios de brasilidade do dramaturgo mineiro Vitor Rocha

Produzida de forma 100% independente, a mostra “Arte É Progresso” propõe um resgate ao folclore brasileiro e uma ode ao teatro musical autoral nacional em peças repletas de lirismo roteirizadas, musicadas e performadas pelo mineiro Vítor Rocha

Do interior de Minas Gerais, vaga-se a pé até a Bahia para levar um menino e seu peixe de estimação, Sr. Cargas D’Água, para conhecerem o mar. Em seguida, bandeia-se do sertão do Cariri em um caminhão de pau-de-arara, em busca de um “Mágico Di Ó” que conceda chuva à terra da garoa. Por fim, invade-se uma sala de terapia onde dois ex-apresentadores mirins revelam os podres e as regalias da indústria televisiva do eixo Rio-São Paulo, em um “Bom Dia Sem Companhia”. Tudo isso, é claro, embalado pelas cantigas, lendas e provérbios do nosso folclore, reverenciados em “Se Essa Lua Fosse Minha”.

 

Vítor Rocha e a atriz Luiza Porto em “Bom Dia Sem Companhia” | Foto: Victor Miranda

 

Esse é o trajeto oferecido ao público da mostra de teatro musical “Arte É Progresso”, em cartaz de quinta a domingo no Teatro Viradalata, na zona oeste de São Paulo. Nessa viagem pelo imaginário brasileiro, a cada dia da semana os espectadores aportam em uma das quatro peças que compõem o festival – todas elas roteirizadas, musicadas e performadas por Vítor Rocha, ator e dramaturgo mineiro que, aos 24 anos, já acumula mais de 40 indicações a prêmios nacionais, dois troféus Bibi Ferreira e alguns milhares de fãs pelo país, cativados pelo lirismo simples e brasileiríssimo de suas produções. Munido de suas histórias, ele retorna aos palcos após dois anos de cortinas fechadas, para “celebrar o ‘resistir’ da cultura em tempos de medo e incerteza”.

 

Vítor Rocha interpreta o repentista Osvaldo no cordel cênico “O Mágico di Ó – O Clássico em Forma de Cordel” | Foto: Victor Miranda

 

“Atualmente, não há nada mais sucateado, fragilizado e mal-falado no nosso país do que a arte. Já ficou claro para os artistas brasileiros que se eles não se movimentarem, ninguém fará isso por eles. A saída, então, é unir forças, e é justamente isso que estamos fazendo”, explica. Produzidos de forma 100% independente, os quatro espetáculos têm movimentado, juntos, mais de 50 profissionais da cena artística, entre atores, diretores, coreógrafos, figurinistas, iluminadores e contrarregras. “Reunir todas as peças que já estreei em um único lugar é também juntar todos os artistas que me ajudaram nelas e mantê-los criando.”

Com sessões de janeiro lotadas e ingressos disputados, o plano é, um dia, conseguir levar o festival para todos os cantos do país. “Rodar todas as capitais e entregar esses vários Brasis diretamente aos brasileiros que os inspiraram. Nosso maior desejo é exaltar nossa cultura e provar que, apesar de desamparada, a arte nacional segue viva e florescendo.”

 

Vítor Rocha e elenco de “Se Essa Lua Fosse Minha” | Foto: Fabio Stamato

Com ousado projeto arquitetônico, o recém-inaugurado Teatro B32 tem programação híbrida e eventos gratuitos

Com ousado projeto arquitetônico, o recém-inaugurado Teatro B32 tem programação híbrida e eventos gratuitos

Próximo à movimentada esquina das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek, no Itaim, o Teatro B32 é um celeiro tecnológico e artístico em meio ao frenesi da metrópole. Inaugurado durante a pandemia e pensado especialmente para o “novo normal”, o espaço conta com equipamentos para transmissão de espetáculos online e uma estrutura preparada para o futuro 5G no Brasil.

Com capacidade para receber até 900 espectadores, o auditório é o primeiro do país a apresentar um palco envidraçado, que permite a integração da plateia à cidade em movimento. O ineditismo do espaço se estende à tecnologia Gala de retração das poltronas – sistema que possibilita moldar a disposição dos assentos de acordo com o evento a ser recebido. O design é obra do arquiteto Eiji Hayakawa.

 

Teatro B32 - Foto Marcelo Justo

Teatro B32 – Foto Marcelo Justo

 

Projetado para receber shows, peças teatrais, espetáculos de dança e eventos corporativos, o auditório integra o complexo cultural B32, gerido pelo empresário Rafael Birmann, e divide espaço com um centro comercial, um café, um restaurante de comida asiática e um jardim no rooftop. Na área externa, uma praça pública, concebida pelo americano Thomas Balsley (também criador do Riverside Park, em Nova York), recebe eventos gratuitos ao ar livre. A programação do espaço tem curadoria da diretora artística Sandra Rodrigues e pode ser acompanhada em www.teatrob32.com.br.

Teatro B32
Endereço: Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3.732, Itaim Bibi, São Paulo
Acesse o site para conferir a programação completa do complexo: www.teatrob32.com.br

 

Protocolo Sanitário para combate ao COVID-19
Para a sua segurança e conforto de todos, para ingressar no Teatro B32, é obrigatório a apresentação da carteirinha de vacinação contra a covid-19 ou teste negativo para Covid-19 (PCR) realizado até 48hrs antes do evento ou teste negativo para Covid-19 (antígeno) até 24hr antes do evento. Serão aceitos, aplicativos que comprovam o esquema vacinal completo e também, o próprio cartão original junto com um documento com foto. Ambos os documentos serão conferidos na portaria.

Maitê Proença encara seus traumas e revisita alegrias em peça autobiográfica

Maitê Proença encara seus traumas e revisita alegrias em peça autobiográfica

De 13 a 25 de novembro Maitê Proença volta aos palcos dos teatros com a peça autobiográfica “O Pior de Mim”, que será encenada em Fortaleza, Belo Horizonte e Porto Alegre. No espetáculo, que estreou em setembro de 2020 em transmissões online e pela TV e reuniu uma plateia de mais de dois milhões de pessoas, a atriz revisita a sua vida, revelando ao público sua face mais escondida. “Aquela que nem eu mesma tinha coragem de bisbilhotar”, ela diz.

Dirigida por Rodrigo Portella, a montagem é um dos trabalhos mais corajosos dessa atriz premiada, conhecida por suas personagens no teatro, na TV e no cinema, em mais de quatro décadas de atuações.

Na peça, Maitê reflete sobre traumas e memórias desde a infância. Uma autoanálise em que expõe fragilidades e feridas profundas como a morte da mãe, assassinada pelo pai da atriz em 1970, quando ela tinha apenas doze anos. Nessa época, Maitê foi viver em um pensionato com o irmão caçula; o pai, absolvido em dois julgamentos, se internou em um manicômio. Tempos depois ele se matou e o irmão mais velho também tirou a própria vida.

Além de repassar a sua história, a atriz de 63 anos, mãe de Maria e recente avó de Manuela, fala de machismo, misoginia e preconceitos que enfrentamos no nosso país. Tudo com intensidade, mas também com humor, como é próprio de sua verve.

Ansiosa para viver esse reencontro direto com o público após meses de reclusão e distanciamento na pandemia, Maitê conta também nessa entrevista sobre seu momento e suas emoções.

 

Maitê Proença em “O Pior de Mim” – Foto: Dalton Valerio

 

A peça “O Pior de Mim” foi indicada ao prêmio APTR e considerada um dos melhores espetáculos desde o início da pandemia. O que a levou a mergulhar nesse trabalho e que resposta você teve do público com as apresentações online?
Eu estava confinada como toda gente e reduzida a poucos entretenimentos. O Instagram, antes secundário, virou uma ponte para o mundo. Só havia pessoas felizes ali, cheias de amigos, bem-sucedidas, com a pele fulgurante. Inevitável se sentir um lixo por comparação. Todos nós já tão combalidos, e nas redes o mundo dos moranguinhos. Pensei: por que não mostrar o que não deu certo, as grandes frustrações, os fracassos? O público respondeu fortemente porque, ao abrir minhas mazelas, batia no mesmo lugar dentro da vida de quem assistia. O teatro faz você se visitar, mas sem que seja tão penoso, porque você revive, mas passando pelo filtro das experiências do outro. E aí, não se sente só.

O que você espera dessa turnê ao vivo em três capitais?
Estou muito feliz e ansiosa com o contato direto com o público. A peça não é para baixo, pelo contrário, ela dá vontade de sacudir a poeira e abraçar a vida, tem bom humor, energia. Vai ser maravilhoso voltar aos palcos e sentir o calor das pessoas!

O que foi mais difícil nessa imersão em que você apresenta à plateia a sua parte mais trágica?
Não conto fatos pelos fatos, mas sempre para ilustrar algo que eu não vi quando estive presa naquelas situações, e que hoje eu já consigo olhar e entender, eu consigo sanar.

Foram muitas perdas para uma criança, um trauma doloroso. O que você falaria hoje para essa menina de doze anos que se viu sozinha da noite para o dia?
Eu estou aqui para te pegar no colo hoje. Nunca é tarde.

 

Maitê Proença na sala de aula da Escola Americana de Campinas, aos nove anos - Foto: Arquivo Pessoal

Maitê Proença na sala de aula da Escola Americana de Campinas, aos nove anos – Foto: Arquivo Pessoal

 

Mesmo diante de tantas adversidades, você sempre sacudiu a poeira e foi se reinventando. O que a inspira?
Eu olho para fora e vejo o outro, vejo os pássaros, as ondas do mar, isso me inspira. O olhar para dentro é bom se a gente vai “arrumar a casa”, mas depois tem que sair dali. O umbigo é pequeno e atrofia o espírito se for só ele que conseguimos ver.

Quais lembranças você tem de Campinas, onde passou a infância?
Nasci na cidade de São Paulo porque vivíamos em Ubatuba, que era uma aldeia, e minha mãe preferiu parir em um hospital. Mais tarde fui morar em Campinas, onde tive uma infância solta, livre, campestre. A vinte minutos do centro havia montanhas e as cachoeiras mais lindas. Meus pais trabalhavam muito e eu saía pelas redondezas, de carona, de bicicleta, e me comunicava com os amigos em tupi guarani, que nós aprendemos para nos sentirmos ainda mais integrados com as belezas a nossa volta.

O que o teatro trouxe para sua vida?
A capacidade de sentir. Depois de todos esses traumas, eu teria me fechado em copas, não fosse o ofício do teatro. Na juventude, comecei a viajar bastante e depois mergulhei na dramaturgia. Por precisar dos sentimentos para desempenhar, ser atriz me salvou de um deserto emocional.

Durante a pandemia você começou a se expressar mais pelas redes e a ganhar seguidores. O que esse relacionamento significa para você?
Uma ponte contra a solidão. Sou uma pessoa que lê e tem vida interior, me mexo, canto, danço. Mas o contato humano é insubstituível.

 

Maitê Proença - Foto: Divulgação

Maitê Proença – Foto: Divulgação

 

Quais são os planos para o futuro próximo?
Não sou de grandes decisões, sigo apenas, um dia após o outro. Temo que, de outra forma, não daria conta, ficaria tudo sufocante. Aos poucos, sem muitos planos, só os pequenos, vou assimilando cada mudança sutil e me adaptando, seguindo minhas setas internas, para onde elas apontam. Mas tem coisas acontecendo. Eu me tornei produtora orgânica, com amigos, estamos plantando para vender num esquema agroflorestal. A peça “O Pior de Mim” deve virar livro num formato ampliado. E haverá uma versão revisada do meu livro “Uma Vida Inventada”, cujas edições se esgotaram há muito.

E o coração? Em março, você escreveu que buscava um amor, alguém que soubesse velejar, e hoje está feliz ao lado da cantora e compositora Adriana Calcanhoto. Que ventos trouxeram esse novo amor?
Eu estava brincando quando disse que procurava alguém, nem seria possível fazer experiências amorosas no meio de uma pandemia, sem vacinas. E a Adriana é adorável, única, mas não sabe velejar. Nem eu. Estamos aprendendo sobre os ventos com barquinhos de papel.

Como começou esse projeto bacana que você faz no Instagram, falando de grandes mulheres da história?
Foi há três anos, e desde então eu posto três vezes por semana, no Instagram e no YouTube, histórias de mulheres desbravadoras, singulares e corajosas que abriram as portas para todas nós em um mundo que já foi muito mais masculino. Mulheres na ciência, nas artes, na literatura, na política e no ativismo. Aventureiras, piratas, tem de tudo. Muita gente gosta e eu adoro porque ao pesquisar acabo também aprendendo muito com nossas precursoras. Há filmes sobre algumas delas, outras caíram no esquecimento. Quem sabe um dia eu produza, dirija, escreva um roteiro ou ainda interprete alguma dessas grandes mulheres…

 

Maitê Proença - Foto: Divulgação

Maitê Proença – Foto: Divulgação

 

Você se posicionou algumas vezes sobre o atual governo e o desmonte cultural e ambiental que vem sufocando o Brasil. Como você vê o país e as eleições de 2022?
Tudo já foi dito. É uma tragédia criminosa o que acontece na saúde. Nossas florestas vão sendo derrubadas com as consequências que temos visto em forma de incêndios, pouca chuva etc., e o futuro ainda dirá se conseguiremos reverter os estragos da ignorância. E tem a educação, para qual nenhum governo – desde Dom Pedro – deu bola, essa é a verdade. Preferem um povo desinformado, manso, manipulável. Mas com a atual administração pelo avesso, tanto a educação como as artes, que são a forma de expressão de um povo, jamais foram tratadas com tamanho desprezo. Ficaremos ainda mais atrasados em relação ao resto do mundo. Temos o país mais belo e cheio de riquezas naturais, e ainda assim somos párias. Mas sonho com o melhor para todos, acredito nas pessoas, sou otimista. Precisamos de disposição, saúde e fé na caminhada. Sempre, todo dia.

Escolas e ateliês da capital paulista incentivam a criatividade em aulas culturais

Escolas e ateliês da capital paulista incentivam a criatividade em aulas culturais

O confinamento de muitos meses, aliado à suspensão das aulas presenciais, incentivou muitas crianças a encontrarem novas brincadeiras que, de preferência, não envolvessem sair às ruas. Agora, com o avanço da vacinação e o retorno gradativo das atividades culturais, já é possível pensar em diversão para além da sala de casa. Em São Paulo, escolas de arte acompanham esse movimento de retomada e aliam lazer e aprendizado em aulas para todos os gostos e idades.

 

Foto Divulgação | Peça “A Christmas Carol” do Estúdio Broadway

 

No Estúdio Broadway, como o nome já anuncia, os alunos são apresentados ao universo mágico do teatro musical. Localizado no Morumbi, o espaço é dirigido pela bailarina e coreógrafa Fernanda Chamma, que esteve por trás de espetáculos como “A Família Addams” e “Mudança de Hábito”. A escola oferece aulas de canto, interpretação, jazz e sapateado para crianças a partir dos sete anos de idade. Com a proposta de formar pequenas estrelas, os cursos são ministrados por profissionais reconhecidos no segmento, como o ator e dublador Arthur Berges (de “Escola do Rock”), a bailarina Mariana Nogueira (de “Cantando na Chuva”) e a própria Chamma. As matrículas ficam abertas durante o ano todo e podem ser realizadas no site www.estudiobroadway.com.br.

Já na escola de artes criativas Gare, na Vila Mariana, os pequenos são convidados a exercitar a imaginação por meio das artes plásticas. Tem curso de desenho, pintura a guache, ilustração digital, design de moda e até oficinas de história em quadrinhos, para produção de roteiros e criação de personagens em cartum. Funcionando, no momento, em modelo híbrido, com aulas presenciais e online, a Gare possui ainda um espaço próprio para exposição dos trabalhos desenvolvidos pelos jovens artistas. Toda a programação pode ser acompanhada em www.garecultural.com.br.

E se a intenção é gastar a energia acumulada nesses meses de isolamento, uma possibilidade é apostar nas experiências lúdicas do Galpão do Circo, na Vila Anglo. Há opções para todas as faixas etárias: dos quatro aos sete anos, os alunos são introduzidos ao universo circense com brincadeiras e exercícios de coordenação motora e consciência corporal; dos seis aos nove, se aventuram em aulas de ginástica artística; e dos oito aos doze, podem se arriscar em cursos de modalidades aéreas, como trapézio e tecido acrobático. Ao final de cada módulo, o aprendizado é celebrado em apresentações abertas às famílias. A grade de aulas está disponível no site www.galpaodocirco.com.br.

 

Foto Divulgação | Apresentação de alunos do Galpão do Circo