Clássico há mais de um século, o Negroni ganha novas variações em criações autorais nos bares de São Paulo

Clássico há mais de um século, o Negroni ganha novas variações em criações autorais nos bares de São Paulo

Um clássico da coquetelaria, o Negroni se tornou um dos drinques mais pedidos pelos balcões da cidade

Há tanto para se falar sobre Negroni, mas, resumidamente, costumo dizer que é o drinque mais fácil de se preparar. Basta misturar partes iguais de gim, vermute e bitter, finalizar com casca ou rodela de laranja, e pronto! Só que, ao contrário do que toda a simplicidade faz pensar, essa é uma bebida de muitas possibilidades.

Atualmente, o mercado está repleto de marcas de gim, cada uma com suas próprias características. Há também diferentes tipos de vermute, alguns intensos, outros um pouco mais doces… até o bitter, que confere o amargor característico da bebida, hoje encontramos mais opções nas pratelerias. Então aquela receita de três partes iguais já começa a ganhar outras nuances.

Negroni com gim Tanqueray, bitter italiano e vermute tinto - Foto Tales Hidequi

Negroni com gim Tanqueray, bitter italiano e vermute tinto do Bar Negroni – Foto Tales Hidequi

 

Não menosprezo a importância de ingredientes de qualidade, muito pelo contrário, pois até o gelo tem seu papel: aqueles mais cristalinos conseguem manter a bebida gelada sem se diluir. Mas, no fim, o que vale mesmo é o gosto de cada um. Apenas uma coisa é fundamental: o equilíbrio.

Tenho um particular apreço pelo visual do Negroni. Com um vermelho intenso, o drinque acaba brilhando em qualquer mesa ou balcão. Não por acaso, é um clássico há mais de 100 anos! Diz a história que surgiu em 1919, na Itália, mais precisamente no Caffè Casoni, em Florença, pelas mãos do bartender Fosco Scarcelli. A pedido do conde Camillo Negroni, Scarcelli preparou um americano com gim no lugar de água gaseificada. Em pouco tempo, a mistura passou a ser chamada de “o drinque do conde Negroni”. O resto é história…
Se por um lado o Negroni teria nascido como a variação de outro drinque, por outro deu origem a uma série de outros. Basta trocar o gim por bourbon para se ter um Boulevardier. Com prosseco, vira um Sbagliato.

Aqui no bar Negroni, do qual sou sócio ao lado de Paulo Sousa, Leticia Andrade e Felipe Schermann, desenvolvemos ao longo desses quase sete anos diversas variações mais autorais. Há o envelhecido, que repousa por 30 dias em barril de carvalho, e resulta em uma bebida mais aveludada; um que leva infusão de caramelo; e outro com água tônica, bem refrescante, que não por acaso ganhou o nome de Frescolino. Viu só quantas potencialidades?

 

Negroni Estate do Bar Negroni - Foto Tales Hidequi

Negroni Estate do Bar Negroni – Foto Tales Hidequi

Produtores de whiskies brasileiros surpreendem cada vez mais em técnica e variedade

Produtores de whiskies brasileiros surpreendem cada vez mais em técnica e variedade

A indústria brasileira de whiskies evoluiu de uma forma inacreditável; o resultado são rótulos comparáveis aos importados

“Deus me livre!” e “melhor beber cerveja”. Essas são frases que eu mesmo já ouvi sobre os whiskies brasileiros – antes mesmo de serem provados. Para o consumidor comum, whisky feito no Brasil é sinônimo de bebida barata e de baixa qualidade. Um conceito que, atualmente, não poderia estar mais distante da realidade.

Nos últimos dez anos, a indústria da bebida por aqui evoluiu de uma forma inacreditável. Em oferta, mas, especialmente, em técnica. Hoje, nosso país possui rótulos de uma sofisticação produtiva maravilhosa. Há até whiskies defumados e envelhecidos em barris de vinho tinto chileno. E o estilo em voga é o preferido dos entusiastas: os single malts – whiskies produzidos em uma única destilaria, 100% com cevada maltada, e em alambiques de cobre.

Duas destilarias brasileiras têm se destacado. A primeira é a Union, que está localizada em Bento Gonçalves, e – incrivelmente, para a maioria de nós – foi fundada há mais de 60 anos. É uma indústria grande. A Union produz algo próximo de três milhões de litros por ano, volume equiparável a destilarias escocesas conhecidas. A The Macallan, que é gigante, a título de comparação, produz quinze milhões. Os whiskies da Union são feitos à moda dos escoceses. Destaque para o Pure Malt Turfado, que utiliza cevada turfada importada da Escócia, que traz aroma defumado à bebida.

 

Foto Divulgação

Foto Divulgação

 

A segunda destilaria que merece foco é a Lamas. É o que podemos chamar de “craft distillery”. Fica em Matosinhos, Minas Gerais, e é bem menor que a Union. Produz algo em torno de quarenta mil litros por ano. A Lamas busca produzir whiskies com identidade brasileira. Já maturou em barricas como bálsamo e amburana, e tem uma técnica de defumação da cevada que usa madeira de reflorestamento – algo sem paralelo na Escócia e que traz sabor enfumaçado de incenso ao whisky.

Seja como for, são bebidas com uma sofisticação incrível! O preço, inclusive, não fica muito atrás de um importado de entrada. São experiências capazes de abrir os olhos dos consumidores mais incrédulos! Os whiskies estão à venda nos websites das destilarias e em lojas selecionadas. Doses podem ser provadas no bar Caledonia Whisky & Co., em Pinheiros.

Brasileiros e selecionados
• Lamas Rarus – envelhecido em barris de rum.
• Lamas Nimbus – defumado com madeira de reflorestamento e maturado em barris de Bourbon.
• Union Pure Malt Turfado – enfumaçado, utiliza cevada importada turfada, da Escócia.
• Union Pure Malt Virgin Oak Finish – adocicado e puxado para a baunilha, utiliza barris virgens de carvalho americano.
• Lamas Verus – maturado em barris usados para envelhecer vinho licoroso, semelhante ao Porto.
• Union Vintage 2005 – edição especial com 16 anos de maturação.

Restaurante japonês Koni tem drinques criados especialmente para hamonizar com com sushis, sashimis, temakis e pokes

Restaurante japonês Koni tem drinques criados especialmente para hamonizar com com sushis, sashimis, temakis e pokes

O Koni tem carta de coquetéis criada especialmente para promover aquela harmonização perfeita com a culinária japonesa

Em seus três endereços, o restaurante japonês Koni tem drinques criados especialmente para harmonizar com os sushis, sashimis e combinados do cardápio. Bons exemplos dessa variedade etílica são o Siciliano Tonic (feito com gim, xarope de toranja, suco de limão siciliano e tônica), o Abacaxi Fresh (que mistura cachaça, xarope de tangerina, suco de limão, água de coco e abacaxi), o Cranberry Vodka (preparado com vodca, suco de limão, xarope de cranberry e morango) e o Maracujá Daniel, à base de Tennessee whiskey, suco de limão siciliano e maracujá.

Todos esses coquetéis também “casam” perfeitamente com outras delícias da casa, como os temakis de salmão, tilápia crocante, cebolinha, gergelim, sour cream e molho teriyaki; os picantes camarões em molho Sweet Chilli; ou ainda o Poke Pipoca, preparado com cubos de salmão, arroz shari, pipoca de camarão, maionese, molho teriyaki e cebolinha fresca.

 

Koni Maracujá - Foto Diana Cabral

Koni Maracujá – Foto Diana Cabral

 

Koni
Unidades: Rua Farme de Amoedo, 75, Ipanema, tel. 21 96994-2129 | Rua Constante Ramos, 44, Copacabana, tel. 21 3208-8815. | Avenida Ataulfo de Paiva, 320, Leblon, tel. 21 2540-5394.

Siga o Koni nas redes sociais: https://www.instagram.com/konistore/

Bom de Copo: Qual a importância das taças para o consumo de vinhos?

Bom de Copo: Qual a importância das taças para o consumo de vinhos?

Cada vinho é mais bem apreciado em determinada taça, mas não é necessário ter uma grande variedade para acertar

Muito tem se falado na publicidade e nas redes sociais sobre a importância, ou não, das taças para o consumo de vinhos. Devo dizer duas coisas importantes: as taças fazem, com certeza, muita diferença, mas não são fundamentais – beba seu vinho onde e como você quiser.

Dito isso, são inúmeras alternativas de consumo, até em latinhas, tão apropriadas para praia, campo, baladas etc. Mas a taça correta melhora muito o vinho. Isso não é frescura nem exagero. É ciência. Certa vez fui a uma degustação de taças comandada pelo próprio Georg Riedel, representante da 10ª geração da família fundadora da Riedel Crystal – a lendária grife de taças de cristal. Confesso que fui preparado para descobrir que tudo não passava de exagero, e quebrei a cara totalmente.

Homem sentindo o aroma do vinho em taça - Foto IL21 | istockphoto

Foto IL21 | istockphoto

 

Imaginem que ele colocou quatro taças na frente de cada convidado, serviu então um Chardonnay em uma taça de Gewürztraminer, e pediu para que provássemos. O vinho ao nariz não se mostrou, depois na boca era pouco exuberante, era um Chardonnay comum. Em seguida, Georg Riedel nos pediu para passarmos aquele vinho para a taça própria para Chardonnay. O vinho ganhou muito em aromas e, na boca, ficou espetacular! Diante da surpresa de todos ele repetiu a cena com um Pinot Noir, servido em taça de Cabernet Sauvignon e depois passado para a taça apropriada. Deu-se o mesmo resultado.

Riedel explicou que os diferentes aromas dos vinhos têm diferentes volatilidades. Aromas mais florais, por exemplo, são mais leves e precisam ser segurados pelo design da taça para serem mais bem percebidos, enquanto os aromas mais pesados, não, que é o caso do Chardonnay. O Gewürztraminer é floral e se for servido na taça aberta, os aromas vão embora. Isso é sensacional!

E não é preciso gastar uma fortuna para ter uma seleção de taças apropriadas para cada tipo de vinho e em quantidade necessária para seus convidados – isso seria impensável, acho que somente é possível nas propriedades dos Riedel. Em casa, procure por uma taça bojuda, ligeiramente mais fechada na borda e funcionará como coringa. Em outra oportunidade falarei a respeito do design das taças de Champagne, que também foi tema de uma conversa que tive com o Georg Riedel, mas essa é uma história que fica para outra coluna. Saúde!

Na orla de Copacabana, Marinho Atlântica oferece clássicos da alta botecagem carioca

Na orla de Copacabana, Marinho Atlântica oferece clássicos da alta botecagem carioca

Estrategicamente localizado no Posto 6, ao lado do Fairmont, o gastrobar Marinho reúne uma série de drinques espertos e ótimos petiscos

Em dois decks com vista para o calçadão de Copacabana na altura do Posto 6 funciona o Marinho Atlântica, endereço perfeito para aquele pit stop pós-praia. A cozinha é comandada pelo descendente de japoneses Meguru Baba, que já trabalhou no La Casserole, no Dalva & Dito, no Kinoshita e no Z-Deli. Aqui, ele prepara delícias como os bolovos, o frango frito, o torresmo, os caldinhos de feijão e outros clássicos da alta botecagem. Para quem prefere algo mais substancioso, tem ainda camarão VG (com purê de batata baroa e gremolata), spaghetti com frutos do mar e picadinho de carne (com arroz branco, banana à milanesa, farofa e ovo frito). A carta de drinques, assinada pelo mixologista Andy Tavares (ex-Emiliano e ex-Copacabana Palace), tem como destaques os gim-tônicas, as caipirinhas, as eternas batidas e coquetéis autorais como o Fitis Geraldo (cachaça, xarope de açúcar demerara e catuaba), versão brazuca do clássico Fitzgerald.

 

Marinho Atlântica Batidas | Foto Divulgação

Marinho Atlântica Batidas | Foto Divulgação

 

Marinho Atlântica
Avenida Atlântica, 4.206, Copacabana, tel. 21 3269-3774.
Confira mais detalhes do gastrobar no Instagram: www.instagram.com/marinhoatlantica/
Faça uma reserva no site: reservation-widget.tagme.com.br