Os vinhos brancos também têm seu lugar no inverno, especialmente os mais untuosos

Os vinhos brancos também têm seu lugar no inverno, especialmente os mais untuosos

Muito além da uva, diferentes processos de vinificação são fatores mais relevantes no momento de decidir qual vinho combina com determinada estação do ano

Uma das associações mais comuns que se faz é a de que o tinto é ideal para o inverno. Essa ideia de que o vinho tinto “esquenta” é tão forte que essa época do ano é certamente a maior vendedora desses rótulos. O curioso é que é o álcool que de fato aquece o corpo, e todo vinho tem! Há ainda a ideia de que o vinho branco refresca, porque geralmente tomamos mais geladinho. Mas essas lógicas são generalizações e é possível inovar na taça.

Os rótulos brancos também têm seu lugar no inverno, especialmente os mais untuosos – aqueles vinhos mais densos na boca. Essa característica vem mais do processo de vinificação do que da uva em questão. Vinhos que ficam algum tempo em contato com as leveduras, com as borras finas e ainda em barricas, costumam trazer esse resultado de untuosidade.

 

foto Shutterstock

 

E é importante lembrar que para acompanhar a fondue e os comuns encontros de queijo e vinho, os brancos são os mais indicados para a maioria dos queijos. De qualquer forma, gostaria de sugerir a você que faça essa experiência de provar algum dos rótulos ao lado neste inverno. Para os teimosos indico tintos também, com o perfil da estação. Saúde!

Brancos:

• Amayna Chardonnay (Mistral) – R$ 303,66
• Le Cabanon des Alexandrins Viognier Blanc (Mistral) – R$ 231,47
• Otronia 45 Rugientes Cortes Blancas (World Wine) – R$ 276
• Somontes Colheita (Premium Wines) – R$ 139
• Château Magence Blanc (de la Croix Vinhos) – R$ 200

Tintos:

• Rosso di Montalcino Castelli Martinozzi (Via Vini) – R$ 299
• La Stoppa Macchiona Emilia Rosso (Vinci Vinhos) – R$ 430,10
• Vallontano Cabernet Sauvignon (Mistral) – R$ 129,90
• De Lucca Nero d’Avola Single Vineyard (Premium Wines) – R$ 199
• Sabina Syrah (World Wine) – R$ 149

Uma seleção de ótimos vinhos até R$ 100 para agradar o paladar, sem pesar no bolso

Uma seleção de ótimos vinhos até R$ 100 para agradar o paladar, sem pesar no bolso

Está cada vez mais desafiador encontrar bons vinhos a menos de R$ 100 em mercados e empórios, mas há achados valiosos em algumas importadoras

Há 15 anos, eu costumava indicar a amigos e a leitores vinhos “abaixo de 50 paus”, que faziam o maior sucesso. Claro, quem é que pode consumir regularmente os vinhos que vemos na imprensa segmentada, com valores elevados? Eu, ao menos, não posso. Lamentavelmente, não apenas o Brasil sofreu uma enorme inflação de alimentos e bebidas de lá para cá, como o mundo também – o que tornou esse hábito ainda mais difícil.

 

foto iStockphoto

 

Para se ter uma ideia, há cerca de cinco anos, vinhos que na Europa custavam 3 ou 5 euros, hoje estão na faixa de 10 euros. Assim, os “50 paus” daquela época custam R$ 200 facilmente hoje em dia. Mas com paciência e curadoria, sempre dá para encontrar boas opções até R$ 100 em sites de importadoras, além de rótulos nacionais surpreendentes, como na lista abaixo. Saúde e aproveite!

Chile
Trofeo Sauvignon Blanc a R$ 89 na Vinci Vinhos
Trofeo Carmenère a R$ 87,90 na Vinci Vinhos
Trofeo Cabernet Sauvignon a R$ 87,19 na Vinci Vinhos

 

Trofeo Sauvignon Blanc, do Chile – foto divulgação

 

África do Sul
Robertson Chenin Blanc a R$ 93,46

 

Robertson Chenin Blanc, da África do Sul – foto divulgação

 

Argentina
La Consulta (Chardonnay, o Cabernet Sauvignon e o Malbec) a R$ 78 na Prem1umWines

 

La Consulta Malbec, da Argentina – foto divulgação

 

Portugal
Tejo Padre Pedro Tinto a R$ 69 na Via Vini
Opta Dão Rosé a R$ 86 na Via Vini
Opta Dão Tinto a R$ 86 na Via Vini

 

Opta Dão Rosé, de Portugal – foto divulgação

 

Brasil
Aurora Pinto Bandeira a R$ 95
Aurora Varietal Pinot Noir a R$ 42
Espumante Salton Brut Rosé a R$ 65
Salton Paradoxo Cabernet/Merlot a R$ 65
Salton Campanha Tannat por R$ 100

 

Salton Campanha Tannat, do Brasil – foto divulgação

Boas tendências na garrafa: vinhos frescos e leves são ideais para festas e refeições

Boas tendências na garrafa: vinhos frescos e leves são ideais para festas e refeições

Vinhos frescos e leves seguem em alta nas prateleiras e são alternativas estratégicas para diferentes momentos, como festas e para acompanhar refeições

Existem muitos modismos e potenciais preferências no mundo do vinho, que mudam rapidamente e são difíceis de acompanhar. Mas, entre as tendências mais consolidadas para 2025, já é possível observar a prevalência de vinhos mais leves e frescos, além de tintos de castas como Gamay, Pais, Garnacha de pouca extração, Grignolino, Dolcetto de pouca extração e Alvarelhão. Também há destaque para vinhos tipo “Palhete” – feitos de uvas tintas e brancas vinificadas juntas, que resultam em bebidas com leveza que acompanham a refeição sem pesar e que a qualquer momento caem bem, especialmente mais refrescados.

Acredito ainda que a onda dos orgânicos, biodinâmicos e naturais se solidificará no Brasil, como já aconteceu na Europa e nos Estados Unidos, onde deixaram de ser moda para serem tendência e se estabeleceram como premissa de consumo sustentável, especialmente entre o público mais jovem.

 

foto Courtneyk / iStockphoto

 

E os vinhos com Álcool Zero devem ganhar seu espaço, principalmente como opção para aqueles com problemas em consumir bebidas alcoólicas e que gostariam de estar mais inseridos nos contextos sociais e festivos – além, claro, daqueles que são “escalados” para dirigir e podem ainda participar de forma menos constrangedora do que bebendo refrigerante. Inclusive, já existem boas opções dessa categoria, como rótulos da Freixenet, Salton e Aurora – com ênfase para os espumantes, que são mais parecidos com os originais.

Listo, abaixo, vinhos que incorporam bem as tendências deste ano:

Clemens Busch VDP. Grosse Lage Marienburg Fahrlay Riesling Auslese – Biodinâmico com 7,5% de álcool na Premium Wines

Molitor Ockfener Bockstein Riesling – Biodinâmico de 9% de álcool na Weinhaus Exzellenz

Stefan Vetter Müller Thurgau – Natural de 9,5% de álcool na Natural Vinci

Selbach-Oster Sonnenuhr Auslese – Com 8,5% de álcool na Mistral

Hochheimer Kirchenstück Riesling Spätlese Trocken – Com 9% de álcool na Mistral

Bernkasteler Badstube Riesling Kabinett – Com 8% de álcool na Mistral

Moscato d’Asti Moncalvina – 5% de álcool na Mistral

Saravá Loureiro – Natural do Minho com 10% de álcool na Cellar

Phaunus Palhete da Aphros Wine – Biodinâmico com 10% de álcool na Cellar

Aphros Ouranos de Alvarelhão – Biodinâmico com 10,5% de álcool na Cellar

Espumantes nacionais são ótimas escolhas para brindar o novo ano

Espumantes nacionais são ótimas escolhas para brindar o novo ano

Espumantes nacionais recebem o merecido reconhecimento e são boas escolhas para as festas de final de ano

Gosto da frase que diz que o espumante é a bebida que transforma um momento trivial em especial. Concordo plenamente, nenhuma outra bebida tem esse “poder”. O espumante em si já nos leva a um sentimento de celebração e eu tenho sempre à mão algum rótulo, seja brasileiro, português, espanhol, italiano, francês, de onde for.

Quando chega o fim de ano, o mercado é inundado por ofertas de espumantes franceses, em função da enorme imagem de qualidade e status do Champagne – mas é interessante saber que na França existem também outras categorias de espumantes. O topo da lista, claro, é o Champagne AOC (Denominações de Origem), depois há a categoria Crémant, que também é AOC, assim como Alsace, Bordeaux, Bourgogne, Jura, Limoux e Loire et Savoie.

 

foto Cottonbro / Pexels

 

Os Crémant são espumantes feitos aos moldes das regras de Champagne, com a segunda fermentação em garrafa – diferenciando-se apenas a região da produção. E há ainda a categoria Vin Mousseux, que significa apenas “vinho espumante”, sendo de qualquer lugar, independente do processo e uva – não quer dizer necessariamente que é um bom rótulo.

Depois dessa explicação que pode ser útil, vem a mais importante de todas: prefira os espumantes brasileiros. São ótimos, em vários estilos, os frescos e joviais, os maduros e evoluídos, os do método tradicional como em Champagne, ou seguindo o método Charmat, em que a segunda fermentação se dá em grandes volumes em cubas. Há ainda os espumantes do método ancestral – quando o vinho não passa por segunda fermentação e produz suas bolhinhas por ser engarrafado antes do término do processo. Compartilho, a seguir, novidades interessantes para as suas festividades. Saúde!

Casa Valduga Premivm Espumante Nature (Chardonnay e Pinot Noir) – na faixa de R$ 100

Espumante Nature Vita Eterna (Chardonnay e Pinot Noir) – R$ 150

Adolfo Lona Brut Pas Dosé (Chardonnay e Pinot Noir) – R$ 140

Estrelas do Brasil Nature (Chardonnay/Trebbiano, Riesling Itálico e Viognier) – R$ 189

Vallontano Espumante Nature LH Zanini (Chardonnay e Pinot Noir) – R$ 189

Espumante Gerações Azir Antonio da Salton (Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico) – R$ 399

Espumante Casa Pedrucci Nature (Chardonnay e Pinot Noir) – R$ 145

Espumante Miolo Íride (Chardonnay e Pinot Noir) – R$ 440

Espumante Chandon Excellence Rosé Cuvée Prestige (Chardonnay e Pinot Noir) – R$ 280

Novos rótulos de vinhos brasileiros que merecem o reconhecimento

Novos rótulos de vinhos brasileiros que merecem o reconhecimento

Produtores brasileiros de vinhos diversificam terroir e uvas e surpreendem com novos rótulos, que já podem ser garimpados em empórios e na internet

O Brasil vive um momento especial no que se refere a vinhos. Novos produtores e muitos já conhecidos investem nos negócios e procuram autenticidade no que fazem. Seja no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, ou mesmo no Centro-Oeste, no Cerrado e até no interior de São Paulo – onde o conceito de colheita de inverno, ou dupla poda, permite levar a colheita para o período de inverno e seca –, as possibilidades se ampliam e incentivam empresários a terem um vinho para chamar de seu. 

 

foto divulgação

 

Assim, temos observado o surgimento de rótulos no mercado nacional que merecem ser reconhecidos, sejam da colheita de inverno ou não. É preciso garimpar esses produtores, uma vez que apresentam distribuição mais tímidas. Relaciono boas garrafas que provei recentemente e recomendo:

Vinhos da Rua do Urtigão de Rubem Ernesto Kunz, produtor de Jaguara do Sul, perto de Porto Alegre, você o encontra pelo Instagram. Recomendo seus vinhos Chardonnay Vestal, Evah Gamay, A Flor da Pele (Pinot Noir com Alvarinho) e o Ruya de Nebbiolo. São espetaculares e vinificados com suas próprias leveduras.

 

Chardonnay Vestal, da Rua do Urtigão – foto divulgação

 

Já entre as opções do Estrelas do Brasil, produtor de vinhos e espumantes na Serra Gaúcha, destaco o Estrelas do Brasil Nature, o Estrelas do Brasil Extra Brut Trebbiano e o Estrelas do Brasil Brut Negro, produzido com Pinot Noir.

 

Estrelas do Brasil Nature – foto divulgação

 

Também o Arte da Vinha do Eduardo Zenker, do qual sugiro o Francamente Franc, um vinho de fermentação natural espetacular que mostra frescor, tipicidade da casta e austeridade. E do Vinhas do Tempo, produtor de Monte Belo do Sul, recomendo seu Vinhas do Tempo Chardonnay – cremoso, cítrico, espetacular.

 

Francamente Franc, de Arte da Vinha – foto divulgação

 

Há ainda a Uvva, vinícola da Chapada Diamantina, da qual destaco o Microlote Cabernet Sauvignon, que apresenta classe, personalidade, equilíbrio, toques de ervas, de alcaçuz, é muito bem-feito!

 

Microlote Cabernet Sauvignon, da Uvva – foto divulgação

 

Além da Vivalti, vinícola de Santa Catarina, da qual indico seu Alvarinho – super gostoso, cítrico refrescante, sedutor, com toques de pêssego. Um show de vinho!

 

Alvarinho, da Vivalti – foto divulgação

 

A Entre Vilas, em São Bento do Sapucaí, não usa dupla poda, pois optou por fazer cobertura em suas vinhas e faz a colheita normal. Por lá, recomendo o Grimpa Syrah. É beber a paisagem… vinho puro e sincero de fermentação espontânea. Na familiar Cantina Mincarone, nas proximidades de Porto Alegre, destacam-se o Teroldego e o Moscato Bianco. 

 

Grimpa Syrah, de Entre Vilas – foto divulgação

 

Por fim, a Casa Possamai, da talentosa enóloga Patricia Possamai, na Serra Gaúcha, apresenta vinhos sinceros e bem executados. Recomendo o seu Insieme Barbera e o Sangue de Júpiter Sangiovese. Saúde!