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Hair Concept por Roberta Gomes inaugura novo espaço em Campinas

Hair Concept por Roberta Gomes inaugura novo espaço em Campinas

A empresária Roberta Gomes acaba de chegar em Campinas com sua marca internacional, focada em cuidados capilares personalizados.

Ela é carioca, mas vive como cidadã do mundo. Roberta Gomes tem 43 anos, mora em três países – Brasil, Estados Unidos e Emirados Árabes – e passa boa parte do seu tempo nos ares, ainda que seja muito pé no chão. “Vivo nos aeroportos, entre voos, para monitorar as fábricas e os salões”, conta. A Hair Concept, sua rede especializada em produtos e tratamento para saúde capilar, emprega 200 funcionários em doze unidades espalhadas por cinco países. Além dos três acima, Qatar e Bahrein.

 

Roberta Gomes aplicando sua tecnologia de análise de fios - Foto: Divulgação

Roberta Gomes aplicando sua tecnologia de análise de fios – Foto: Divulgação

 

Nas últimas semanas, Roberta tem circulado mais pelo Aeroporto de Viracopos, já que acaba de inaugurar um novo espaço em Campinas, no hotel Royal Palm Plaza. Aberto para hóspedes e clientes da região, o salão oferece, além dos serviços básicos de beleza, a detalhada análise diferencial dos fios e do couro cabeludo, com cuidados personalizados e uso de tecnologia de ponta. Todos os procedimentos seguem protocolos e cumprem as regras estabelecidas pela OMS e pela Prefeitura de Campinas.

“É um conceito inovador que permite recriar o cabelo saudável e perfeito com o qual você nasceu”, explica. A empresária começou cedo nessa área. E mergulhou de cabeça por necessidade própria: “Fui mãe aos 14 anos e, apesar de não recomendar essa experiência para ninguém, a maternidade precoce me fez entender que eles dependiam inteiramente de mim. Criei meus quatro filhos sozinha, por ser separada do pai deles. Isso foi um grande incentivo para entrar no ramo da beleza e me especializar em cosmetologia e tricologia.”

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

 

Depois de ter lançado várias marcas de produtos para cabelos nos Estados Unidos, onde mora desde 2008, Roberta acordou um dia com um sonho. “O Hair Concept surgiu em um sonho. Nele, a gente personalizava os produtos e cada profissional estava setorizado com uma responsabilidade, exatamente como é hoje. Foram quatorze meses para projetar esse conceito, não existia nada parecido no mundo”, conta.

A primeira unidade foi montada em 2016, na Flórida. A segunda em São Paulo e a terceira no Qatar, pois ela já atua no Oriente Médio há doze anos com a marca RG Cosmetics. “Costumo dizer que meu coração é dividido em três: Brasil, EUA e Oriente Médio”, define Roberta, que quando não está ocupada gerenciando as empresas da RG Holding, não abre mão de ficar em casa curtindo a família e aprendendo a nova arte de ser avó com Sophia, sua primeira neta, de um ano e meio.

 

Entrada do Hair Concept, em Campinas - Foto: Divulgação

Entrada do Hair Concept, em Campinas – Foto: Divulgação

Para Rachel Maia, da RM Consulting, diversidade nas empresas é uma responsabilidade social

Para Rachel Maia, da RM Consulting, diversidade nas empresas é uma responsabilidade social

A empresária Rachel Maia ajuda corporações a apostarem na representatividade no ambiente de trabalho, fazendo com que inovem e ampliem seus negócios.

No início de 2021, segundo a Companhia de Estágios, empresa de RH, as contratações de estagiários negros triplicaram no Brasil. Foram 743 admissões no primeiro trimestre em relação às 250 nos primeiros três meses de 2020, um aumento de 197%. Conjunturas melhores e abertura para debates dentro das empresas estão no centro dessa mudança.

Para Rachel Maia, da RM Consulting, priorizar a representatividade nas companhias não é questão apenas de responsabilidade social, mas também de oportunidade. “O processo de letramento social consiste em entender que as empresas não operam no vazio, mas sim nas sociedades, em que as mudanças culturais, sociais, econômicas e políticas refletem nas práticas do universo corporativo. Ter pessoas diferentes em um mesmo ambiente proporciona ter vários pontos de vista para uma mesma situação; isso é essencial para o desenvolvimento de um negócio, porque amplia a capacidade de inovação e a pluralidade do debate.”

 

Rachel Maia, empresária - Foto: Divulgação

Rachel Maia, empresária – Foto: Divulgação

 

A empresária defende o conceito de letramento social para que os colaboradores passem a refletir criticamente sobre a sociedade e entender que a falta de pluralidade é um problema estruturalmente enraizado. “A partir daí é que haverá embasamento para a criação de ações afirmativas voltadas à empregabilidade de grupos historicamente minorizados, como PcD, negros, LGBTQIA+, mulheres, dentre outros”, explica Rachel, que dá consultoria a grandes empresas, como a XP e a JBS Brasil.

Uma das poucas mulheres negras a chegar ao topo do universo corporativo na América Latina – foi CEO da Lacoste, Pandora e Tiffany –, ela hoje se dedica a projetos próprios: além da consultoria RM, Rachel é fundadora do Capacita-me, voltado à educação e empregabilidade de pessoas em vulnerabilidade socioeconômica.

Por ter transitado em diferentes espaços e testemunhado a falta de representatividade em muitos deles, a empresária considera a diversidade e a inclusão parte importante da sua jornada. “Eu fui uma outlier! Nasci na periferia, estudei em escolas públicas e encarei preconceitos por ser negra e mulher. Mas tudo isso me fez acreditar nos meus valores e lutar pela inclusão”. Rachel Maia conta ainda que vislumbra um momento em que as pessoas se sentirão desconfortáveis em ambientes predominantemente compostos por um único grupo da sociedade: classe social, gênero ou cor. “Acredito que, em breve, por meio do letramento social e da educação, as pessoas serão genuinamente agentes da transformação social.”

 

Rachel Maia, empresária - Foto: Divulgação

Rachel Maia, empresária – Foto: Divulgação

Conheça 3 livros escritos por monges modernos para te inspirar

Conheça 3 livros escritos por monges modernos para te inspirar

A sabedoria milenar do budismo pode ser acessível e prática, revelam livros lançados por monges da atualidade

As incertezas, o isolamento e as emoções que vieram com a pandemia têm tornado os brasileiros ainda mais ansiosos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior taxa de transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão.

 

Foto divulgação - Pexels Prasanth Inturi

Foto divulgação – Pexels Prasanth Inturi

 

Diante de tanta imprevisibilidade e angústia, os respiros são essenciais. Para mergulhar em águas mais acolhedoras, calmas e até divertidas, o livro de Jay Shetty, “Pense Como um Monge” (Ed. Sextante), traz tudo isso. Recém-lançada, a obra desse jovem britânico de ascendência indiana não entrega receitas prontas, mas oferece as reflexões de sua experiência singular com o budismo.

Em 2010, aos 22 anos, Jay decidiu largar o bem-sucedido mercado financeiro londrino para se tornar um monge na Índia, onde viveu durante três anos. Entretanto, um de seus mestres um dia lhe disse que ele poderia fazer muito mais pelo mundo se deixasse a sua vida monástica e passasse a compartilhar suas ideias com as pessoas. O mestre estava certo. Hoje Jay é um dos influenciadores mais impactantes de sua geração, além de coach de diversas personalidades.

No livro, o autor não prega o abandono da vida cotidiana, mas uma nova visão para encarar dificuldades e desafios como oportunidades de crescimento. “Em primeiro lugar, monges não nasceram monges. Eles são pessoas com todo tipo de origem, que decidiram se transformar. Não é preciso acender velas em casa, andar descalço ou postar fotos de si mesmo fazendo a postura da árvore no alto da montanha. Tornar-se monge é uma atitude mental que qualquer um pode adotar. Um monge é um viajante, só que a viagem é para dentro”, Jay ressalta.

 

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Outro lançamento interessante é o livro “Em Busca do Tempo Presente”, da monja francesa Kankyo Tannier, que sugere a abertura de espaços de calma e presença no nosso dia a dia, pequenos rituais de encantamento e alegria com a vida: “Conectar-se com a natureza, em vez de utilizá-la. Estar na vida em vez de usá-la como palco”.

Com sua abordagem leve e bem-humorada, que relata histórias e impressões pessoais, Kankyo desvenda a delicada magia do cotidiano que cada um de nós pode acessar para viver melhor.

 

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Já “O Bom Contágio” (Editora Best Seller), novo livro da Monja Coen, nos contamina com um vírus positivo, o da aceitação. “Somos o que somos. E o que somos é uma multiplicidade incessante de instantes, em que inúmeros sentimentos, sensações e percepções ocorrem. Libertar-se de apegos e aversões é libertar-se de si mesmo. Não é tarefa fácil. Inclui tristeza, sofrimento, angústia e luto. Luto por tudo o que criamos em torno de nós mesmos para autenticar um personagem irreal”, escreve a monja brasileira.

O contágio bom, para Coen, é espalhar e viralizar ternura e cuidado. “Aprendemos coisas boas, novos sentimentos, podemos mantê-los vivos mesmo que só por alguns momentos. Chega de reclamar, de falar mal, de mentir, de odiar. É tempo de reconexão, de realinhamento. Mudamos. Não somos mais quem éramos e nem quem seremos. Neste agora passageiro, passemos adiante a capacidade humana de regeneração, de cura, de compartilhamento, de alegria, de vitalidade e de paz. Que todos os seres se beneficiem”, ela escreve, trazendo um alento nesses tempos difíceis.

 

Foto divulgação

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Luiza Helena Trajano e sua trajetória: do empreendedorismo inovador aos projetos sociais

Luiza Helena Trajano e sua trajetória: do empreendedorismo inovador aos projetos sociais

Presidente do conselho do Magazine Luiza, uma das maiores redes do setor varejista, Luiza Helena Trajano fala de sua luta pela vacina e de seu propósito de transformar o Brasil. 

“Eu sou supernormal, meu prato preferido é arroz com feijão e macarrão, e nunca fui viciada em ginástica”, ri Luiza Helena Trajano durante uma conversa pelo Zoom. Um café virtual em que essa mulher simples e carismática, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, falou de sua rotina, de sua história e de seus sonhos.

 

Foto - @angelarezefotografia

Foto – @angelarezefotografia

 

Luiza Helena confessa ter sorte de precisar dormir pouco – vai para cama tarde da noite e acorda às 5h da manhã –, pois consegue dar conta de tanta coisa no dia. E ela realmente não para. Fez mais de 400 lives desde o início da pandemia, entre elas entrevistas para o IDV, Instituto para Desenvolvimento do Varejo, com o intuito de estimular as pequenas e médias empresas neste momento.

Não é mulher de uma causa só. Parceira do Sebrae desde 1980, conselheira em diversas entidades do terceiro setor e em empresas, ela fundou em 2013 o grupo Mulheres do Brasil para estimular a luta feminina por um país mais justo. “A gente não é partidária, a gente não é contra o homem e a gente não quer inventar a roda. Apoiamos o que já existe, queremos dar voz às mulheres e reduzir a desigualdade feminina em postos na política e nas empresas, entre várias outras questões”, explica.

O grupo, hoje com 83 mil mulheres em mais de 150 cidades, apoia 21 causas. “Temos líderes de bairros na periferia, gente trabalhando pela educação, contra a violência, pela saúde, pela igualdade racial, em muitos projetos. A gente quer ser o maior grupo político apartidário do Brasil.”

 

Grupo Mulheres do Brasil - Foto @angelarezefotografia

Grupo Mulheres do Brasil – Foto @angelarezefotografia

 

No primeiro encontro aberto do grupo neste ano, no dia 2 de março, Luiza falou para mais de 1.200 pessoas sobre o movimento “Unidos pela Vacina“. “Estamos em um trabalho 360 graus com a vacina, porque agora não adianta falar mal do governo, o brasileiro precisa parar de morrer e a economia precisa voltar; nosso objetivo é vacinar todos os brasileiros até setembro.”

Articulando junto a empresários e executivos como Paulo Kakinoff, da companhia aérea Gol, e Walter Schalka, da indústria de papel e celulose Suzano, Luiza conseguiu aviões e outros recursos para otimizar a logística dessa megaoperação. “Só a união de todos é que vai conseguir fazer isso: o poder federal, o estadual, o municipal, a sociedade civil, os empresários e o terceiro setor. O inimigo é um vírus que está aí e não vai embora, e que veio para mexer com a nossa impotência e incompetência.”

Crescimento expressivo

Outra luta de Luiza é a geração de emprego. Logo no início da pandemia, a empresária idealizou com outros líderes o movimento “Não Demita”, e criou a “Parceiro Magalu”, plataforma digital que ajuda micro e pequenos varejistas e autônomos a tocar seus negócios. Durante a crise sanitária, o Magalu, hoje com mais de mil lojas físicas, contratou mais de quatro mil funcionários, comprou seis empresas e cresceu 73% no seu e-commerce. Segundo levantamento recente feito pela Trading Plataforms, a rede está entre as 25 maiores varejistas do mundo.

A empresária atribui o sucesso ao fato de que o Magazine Luiza já vem trilhando há anos o caminho digital, além de manter um crescimento consistente e sustentável. Desde 1992 a companhia investe em inovação e tecnologia. Naquela época, o diferencial era o cliente ir à loja e poder comprar pelo computador, com o auxílio do vendedor, os produtos que não estavam expostos nas gôndolas.

Mãe de três filhos – Frederico, que é CEO da companhia desde 2016, Ana Luiza, chef de cozinha e ativista assumida da gastronomia brasileira, e Luciana, pedagoga –, Luiza conta que gerar emprego é um grande prazer da família. “Quando comprou a primeira lojinha, em 1957, a minha tia (Luiza Trajano Donato, fundadora da Magazine Luiza) não tinha nem dinheiro para pagar a prestação direito, mas a intenção era gerar emprego para a família e para a comunidade, fazer o bem para as pessoas. Esse sempre foi o nosso forte, o dinheiro é a consequência.”

Segundo a filha Ana Luiza, que fundou o IBAG, Instituto Brasil a Gosto, a importância de ter um propósito é o que ela aprendeu de mais valioso com a mãe: “Ela nos ensinou que a gente precisa fazer coisas que a gente ama, e interligadas com um propósito e um legado maior, ou seja, que o que a gente faça transforme e engrandeça o mundo”.

 

Luiza Helena em entrevista com Pedro Bial - Foto @angelarezefotografia

Luiza Helena em entrevista com Pedro Bial – Foto @angelarezefotografia

Foco nas soluções

Nascida e criada na cidade de Franca, no interior de São Paulo, Luiza começou a trabalhar aos 12 anos como balconista na loja da tia, para ganhar dinheiro e poder dar presentes para as pessoas. “Tenho o maior orgulho de ser de Franca, onde tive uma infância de interior, com muita liberdade para brincar e fazer as coisas”, diz, com seu gostoso sotaque preservado.
Aos seis anos, Luizinha, como até hoje é conhecida na cidade, já caminhava sozinha até a escola e andava de ônibus. Filha única, afirma que teve duas mães: “Minha tia, uma grande empreendedora, e minha mãe, uma mulher com uma inteligência emocional incrível, que me educou para buscar soluções, resolver as coisas”.

Deu certo. Intensa e incansável desde sempre, ela foi líder entre os colegas, representante de classe e, aos 17 anos, conquistou seu primeiro emprego na loja. Formada em Direito, passou por todos os setores até ser convidada pela tia, em 1991, a assumir o comando da empresa, que elevou a partir daí a um novo patamar, investindo em inovação, tecnologia e gestão horizontal, com foco nos valores humanos e na comunicação. “A gente tem vários rituais ligados ao respeito, à autonomia e à igualdade de oportunidades na empresa. Para nós, as pessoas estão em primeiro lugar”, diz Luiza, lembrando que há 22 anos o hino nacional é cantado pelos funcionários todas as segundas-feiras de manhã.

 

Luiza Helena Trajano no Fórum Econômico Mundial - Foto Divulgação

Luiza Helena Trajano no Fórum Econômico Mundial – Foto Divulgação

 

Correção de desigualdades

E há 22 anos o Magalu está entre as cinco melhores empresas para trabalhar no Brasil. Ela incorporou na companhia a pauta de causas sociais, a favor da mulher e da diversidade. Fez uma campanha contra violência doméstica, “Eu meto a colher sim”, e colocou uma linha para denúncias dentro da empresa, além de determinar cota para contratações de mulheres que foram vítimas desse crime. Em setembro de 2020, lançou um programa para trainees negros que causou polêmica na internet. Luiza segue quebrando paradigmas e fazendo o que precisa ser feito: “A gente tem que assumir papéis e saber que não vamos agradar todo mundo”.

“O projeto foi feito pelo Frederico e a equipe dele, e em um final de semana fomos apedrejados. Mas depois as pessoas nos deram muito apoio, ele ficou emocionado de receber gente do Brasil inteiro formada em faculdade federal e estadual e com alto nível de comunicação, de resiliência e de maturidade emocional, e ganhando 40% menos do que merecia ou até desempregada.” Vinte mil pessoas se inscreveram e vinte foram contratadas. “O objetivo era acertar uma defasagem no nosso quadro”, ela explica. Entre os cerca de 35 mil funcionários da empresa, 53% são pretos e pardos, mas apenas 16% deles ocupam cargos de liderança.

 

Foto - @angelarezefotografia

O grupo “Mulheres do Brasil” em manifestação contra a violência doméstica e o feminicídio – Foto @angelarezefotografia

 

“As cotas são um processo transitório para acertar uma desigualdade, porque senão a gente vai levar 130 anos, ou muito mais do que isso, para ajustar esse problema. Os 390 anos de escravidão e a abolição muito ruim deixaram um legado triste.” Seu sonho agora é criar um programa para admitir pessoas acima de 50 anos. “Tanta gente com experiência, conhecimento e vontade para trabalhar, acredito nessa mistura de idades e na diversidade.”

Luiza é prática, direta e assertiva. “Não fico intelectualizando, eu sento e faço.” Por isso é clara para dizer, mais uma vez, que não quer se candidatar a cargos políticos, muito menos à presidência do país, como tem sido especulado. “Jamais pensei nisso e nunca me filiei a partido político algum. Nunca falo ‘dessa água eu não bebo’, mas não tem sentido isso agora nesse momento.”

Assumida apaixonada pelo Brasil, ela já faz política com seu Mulheres do Brasil e tem uma incrível facilidade de articulação: “Eu tenho esse lado positivo, quando ligo para os políticos para falar de vacina, em dois minutos eles me atendem”.
Para 2022, o grupo começou uma campanha muito forte, para aumentar os 12% de mulheres na política. “É importante abrir essas portas, estamos muito defasadas! Acredito que qualquer nação muda quando a sociedade civil se organiza e envolve as pessoas a entrarem em movimentos apartidários e que tenham como bandeira a evolução do país.”

 

Foto - @angelarezefotografia

Luiza Helena em evento do Mulheres do Brasil – Foto @angelarezefotografia

Instituto Liberta lança documentário e campanha contra o abuso sexual infantil

Instituto Liberta lança documentário e campanha contra o abuso sexual infantil

À frente do Libertaque busca combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentesa advogada Luciana Temer acaba de lançar a campanha #nãosecaleA frase está estampada em máscaras confeccionadas por grupos de mulheres em situação de vulnerabilidade social, em projetos de geração de renda, e a ideia é que a mensagem reverbere com força em todo o Brasil. “Estamos fazendo parcerias com empresas que queiram se conectar ao tema para produção e distribuição das máscaras na rede pública de ensino. Já doamos 130 mil unidades em São Paulo, mas queremos passar essa mensagem no Brasil inteiro”, diz Luciana.

Fafá de Belém com a máscara da campanha #nãosecale

 

Ela abraçou essa causa há três anos, desde que foi convidada pelo filantropo Elie Horn para dirigir o Instituto Liberta“Quero fazer o país inteiro falar sobre o tema, estimulando a criação de políticas públicas. É um caminho que será construído a partir de um processo de conscientização da sociedade. Sem isso, a gente não vai enfrentar esse problema”.  

O Brasil tem 500 mil casos de exploração sexual infantil por ano, o que faz do país o segundo que mais prostitui suas meninas, depois da Tailândia. No entanto, apenas 10% dos casos são notificados. E muitas vezes a vítima é culpabilizada. A gente não pode se calar. O abuso e a exploração sexual infantil são coisas distintas, mas estão intimamente conectadas. E ambosão abafados pelo silêncio, que precisamos quebrar”. A advogada lembra que mais de 70% das violências acontecem dentro de casa. “com abusadores de todas as classes sociais”. 

O documentário “Um Crime Entre Nós”, produzido pelos institutos Liberta e Alana e pela Maria Farinha Filmes, mostra a naturalização dessa violência no Brasil. Dirigido por Adriana Yañez, conta com a participação de personalidades como o médico Drauzio Varella, a youtuber Jout Jout e o apresentador Luciano Huck, e está disponível gratuitamente na plataforma Videocamp. 

 

Poster do documentário “Um Crime Entre Nós”

 

O encarceramento dos criminosos é essencial, mas a solução é a educação. “Essa epidemia decorre de uma cultura machista e que objetifica o corpo da mulher e da menina. Estamos falando de uma mudança de cultura com as novas gerações, para formar pessoas mais empáticas e respeitadoras, e isso tem que acontecer na escola e nas famílias”.  

Luciana ainda frisa a importância de falar nas escolas sobre violência sexual e sexualidade, e destaca um dado científico: “O Reino Unido adotou há alguns anos uma potica pública em que as escolas têm a obrigatoriedade de tratar do assunto, discutindo de acordo com a faixa etária do aluno, e as evidências mostram os benefícios. Desde a medida preventiva, para a criança entender o que acontecese proteger e denunciar, até o fato de os jovens começarem sua vida sexual mais tarde. É uma hipocrisia pensar que falar sobre o tema nas escolas incentiva a prática sexual, é exatamente o contrário. Enquanto não tivermos um espaço de escuta e conversa vamos ter consequências sociais seríssimasA gente tem que assumir a nossa responsabilidade”, conclui.