Com o hit “Envolver”, Anitta se torna a primeira artista brasileira a conquistar o topo do Spotify Global

Com o hit “Envolver”, Anitta se torna a primeira artista brasileira a conquistar o topo do Spotify Global

A cantora Anitta alcança o topo da parada Global do Spotify, com mais de 6,3 milhões de reproduções na plataforma

Quando se fala em Anitta, os números são superlativos. A única brasileira na lista dos 15 artistas mais influentes do mundo, segundo a Billboard, ela tem 61 milhões de seguidores no Instagram e 16,1 milhões no Youtube. Só um de seus clipes, “Bang”, tem 418 milhões de views. Em apenas 24 horas, “Paradinha”, sua primeira música gravada em espanhol e focada no mercado latino, teve mais de 6 milhões de visualizações. Já o clipe “Vai Malandra” ultrapassou a marca de 500 mil visualizações no Youtube em apenas 20 minutos, convertendo-se na melhor estreia brasileira da história, com 8 milhões em menos de oito horas. Em 2017, Anitta foi o nome brasileiro mais procurado nos sites de busca. Agora, a cantora carioca alcança o topo da parada Global do Spotify com a música “Envolver”. Com mais de 6,3 milhões de reproduções, essa é a primeira vez que uma artista brasileira alcança o topo da parada de mais ouvidas mundialmente no Spotify.

 

Anitta no clipe "Vai Malandra" - Foto Eduardo Bravin

Anitta no clipe “Vai Malandra” – Foto Eduardo Bravin

 

Anitta também já foi capa da revista 29HORAS em abril de 2018, relembre a entrevista a seguir.

 

Por trás disso tudo, uma jovem carioca de 28 anos, nascida Larissa de Macedo Machado, edifica uma carreira que, na visão de especialistas de marketing, é um case muitíssimo bem-sucedido. “Sempre pensei e planejei muito. Sou focada e só dou um passo quando tenho certeza de que está tudo do jeito que eu quero”, ela diz, em uma conversa também planejada com antecipação. Com uma média de vinte shows por mês e uma carreira internacional em pleno crescimento, Anitta não sabe o que é tempo de folga. “Quando tenho, gosto de ficar em casa com a família, meu maior bem”. Recém-casada com Thiago Magalhães, de 25 anos, ela mora em uma mansão na Barra da Tijuca com o marido e sua mãe, Miriam. “Ele ama tanto a sogra que a convidou para morar junto”, ri a cantora. “Mas nós acabamos ficando a maior parte do tempo fora de casa”.

A carreira internacional, alavancada em 2017, tem feito a cantora ficar ao menos uma semana por mês nos Estados Unidos e em países da América Latina. Mas nada aconteceu por acaso em sua história. A garota que decidiu mudar seu nome aos 16 anos, por causa da minissérie global “Presença de Anita” – ela se inspirou na personagem vivida pela atriz Mel Lisboa – também focou na carreira lá fora como uma experiente estrategista. Esmiuçou a fundo o mercado antes de colocar seus pezinhos nesse terreno. “Cara, eu pesquisei muito a história de outras pessoas que fizeram carreira no exterior, analisei os erros e acertos, e vi o que deveria fazer para dar certo, sem deixar o público brasileiro. É um modelo novo, algo que ainda não foi criado, e tenho encontrado pessoas que estão me ajudando a fazer isso de uma forma incrível”.

Segundo Anitta, o processo não foi fácil. “Foram muitas viagens até que a coisa começasse a funcionar. Parecia um jogo de tabuleiro, sabe, aquele em que você volta para o início do jogo quando algo dá errado?” Se ela pensou em desistir? “Sim, mas a minha vontade era maior, sempre sonhei com uma carreira que envolvesse o Brasil e o exterior”.

Suas gravações em diferentes estilos – do pop ao sertanejo, passando pelo funk e reggaeton – com artistas de vocações diversas se somam às ações conjuntas nas redes sociais e nas parcerias comerciais (hoje são treze marcas).

 

Foto Eduardo Bravin

Foto Eduardo Bravin

 

Apenas em 2016 e 2017 Anitta lançou quinze singles, entre eles clipes com a rapper australiana Iggy Azalea (“Switch”), os cantores colombianos Maluma e J Balvin, o DJ sueco Alesso (“Is That For Me”) e os norte-americanos Major Lazer (o grupo fez “Sua Cara”, com participação de Pablo Vittar), Poo Bear (“Will I See You”), e o produtor Maejor (“Vai Malandra”). Lances meticulosamente estudados, especialmente no que tange à divulgação. Em dezembro último, o lançamento em Nova York do single “Vai Malandra”, com clipe gravado no morro do Vidigal, incluiu uma ação do Spotify, com dois enormes telões na fachada de um edifício na esquina da Sétima Avenida. Em novembro, ela já havia ganho destaque na Times Square, um dos pontos mais movimentados de Nova York, em um outdoor de lançamento do single “Downtown”, com J. Balvin.

 

Anitta e Alesso na gravação do clipe "Is That for Me" | Foto Eduardo Bravin

Anitta e Alesso na gravação do clipe “Is That for Me” | Foto Eduardo Bravin

 

 

Entrevistada em programas de rádio e televisão nos Estados Unidos e em países da América do Sul, a cantora, fluente em inglês e espanhol, conta que às vezes se confunde com os três idiomas. “É uma fase muito feliz, uma experiência incrível com o mercado espanhol e americano. É uma loucura, mas é muito bom”.

Com uma agência internacional para cuidar de suas ações lá fora, mais o time brasileiro – que envolve desde consultores e produtores a personal chef e “life coach” –, Anitta já perdeu a conta do número de pessoas que a assessora. “Há quatro anos abri uma empresa com o Renan, meu irmão, e agora tenho um CEO, que nos ajuda nessa gestão geral”. Entre as marcas que as procuram, ela diz que escolhe “as que têm a ver” com ela. “Algumas propostas grandes surgiram, mas eu recusei. Não vou porque paga mais, vou pelo que eu acredito”. Outro novo nicho de negócio é gerenciar a carreira de artistas. Como empresária musical ela tem como clientes os jovens cantores Micael e Clau. Há ainda um programa de TV pela Multishow, que começa neste mês de abril: “Anitta Entrou no Grupo”, uma espécie de competição musical com convidados.

Dinheiro, segundo ela, só é prioridade no campo profissional. “Aí sou muito planejada e controladora, fico superligada. Presto muita atenção para fazer o melhor para a carreira. Já na vida pessoal não tô nem aí”, solta. “Sou desprendida, não tô nem aí… Quer um carro, eu dou, quer uma casa, eu dou”. Na festa de final de ano da sua empresa, em dezembro, ela fez um churrasco na sua casa e sorteou um carro e uma viagem para os funcionários.

Foto Eduardo Bravin

Foto Eduardo Bravin

 

“Cara, sou muito realista, verdadeira, obstinada”, ela se autodefine. “Quando olho para trás eu tenho uma sensação de dever cumprido, e também fico orgulhosa da minha família. Minha mãe parou de trabalhar para cuidar de mim e do meu irmão. Eu não estaria aqui se ela não tivesse se dedicado tanto”.

Filha da artesã Miriam Macedo e do vendedor Mauro Machado, que se divorciou de Miriam quando Anitta tinha um ano e meio, a cantora nasceu e cresceu numa casa simples de Honório Gurgel, no subúrbio carioca. Desde pequena, queria ser cantora e famosa. Participava do coral da igreja do bairro e, em casa, vivia com microfones improvisados – frascos de shampoo e perfumes – na mão. Aos 16 anos, formada em um curso técnico de administração, foi aprovada como estagiária da Vale do Rio Doce. No mesmo período, descobriu o funk e começou a postar vídeos no Youtube. Um deles despertou a atenção da gravadora independente Furacão 2000. A partir daí, e com o sucesso do hit “Show das Poderosas”, em 2013, Anitta começou a se transformar na marca que é hoje.

Para a cantora, momentos marcantes da sua carreira foram a apresentação na abertura das Olimpíadas, em agosto de 2016, ao lado de Caetano e Gil, e o show com o tenor italiano Andrea Bocelli, em São Paulo, em outubro do mesmo ano. “As pessoas tinham dúvidas e preconceitos em relação a mim, recebi muitas críticas, mas eu me preparei e quebrei mais uma barreira, mostrei do que sou capaz”. Com Bocelli, ela foi vaiada assim que subiu ao palco do Allianz Park. Depois da apresentação, foi aplaudida de pé e, quando deixou o espaço, desabou no choro.

Mas Anitta espremeu bem o seu limão e dali fez uma superlimonada. Desde cedo ela sabe como aprender com as experiências. “Isso acontece com as pessoas de classe baixa, que estudam em escolas públicas do Brasil, onde a televisão é a maior ferramenta: você aprende a escolher coisas boas na tevê, aprende com o que tem à mão. Não existe uma forma certa de adquirir conhecimento”, pondera a cantora, lembrando que assiste muito documentário. “De todos os tipos: de guerra, de história, de animais, das coisas mais variadas. É o que eu mais vejo na tevê”.

O tempo – quase cronometrado – com Anitta está acabando e ela faz uma pausa, pensativa, quando pergunto sobre o que realmente importa na sua vida. “O principal é o amor. Não adianta nada ter o maior sucesso e dinheiro se a gente não amar e ser amado. Imagina se agora vem um terremoto e cai tudo… O que vai sobrar é a nossa família. É lá que você vai encontrar carinho, verdade. É a família que me faz ficar com os pés no chão.”

 

“Vai Malandra” marca volta da cantora ao funk

O batidão de “Vai Malandra” é um retorno às origens. “O funk é a minha porta de entrada e sou muito grata por todas as oportunidades que ele trouxe, não só para mim, mas para muita gente que nasceu nas favelas do Brasil. As pessoas não têm ideia de como o funk ajuda uma parcela que é carente de todo tipo de oportunidade”. Gravado no Morro do Vidigal, o clipe mostra Anitta de biquíni de fita isolante fazendo “quadradinho” e tomando sol na laje. A cantora foi elogiada por mostrar um close de seu bumbum com celulite na primeira cena. Em sua luta contra os padrões de beleza, ela também emprega garotas plus size como dançarinas. “Sou contra a padronização. A mulher real tem celulite. Fico feliz em saber do impacto positivo que a minha celulite teve nas mulheres. Nós devemos nos unir e parar de julgar os corpos e as escolhas umas das outras”.

 

Anitta no clipe "Vai Malandra" - Foto Eduardo Bravin

Anitta no clipe “Vai Malandra” – Foto Eduardo Bravin

Maitê Proença encara seus traumas e revisita alegrias em peça autobiográfica

Maitê Proença encara seus traumas e revisita alegrias em peça autobiográfica

De 13 a 25 de novembro Maitê Proença volta aos palcos dos teatros com a peça autobiográfica “O Pior de Mim”, que será encenada em Fortaleza, Belo Horizonte e Porto Alegre. No espetáculo, que estreou em setembro de 2020 em transmissões online e pela TV e reuniu uma plateia de mais de dois milhões de pessoas, a atriz revisita a sua vida, revelando ao público sua face mais escondida. “Aquela que nem eu mesma tinha coragem de bisbilhotar”, ela diz.

Dirigida por Rodrigo Portella, a montagem é um dos trabalhos mais corajosos dessa atriz premiada, conhecida por suas personagens no teatro, na TV e no cinema, em mais de quatro décadas de atuações.

Na peça, Maitê reflete sobre traumas e memórias desde a infância. Uma autoanálise em que expõe fragilidades e feridas profundas como a morte da mãe, assassinada pelo pai da atriz em 1970, quando ela tinha apenas doze anos. Nessa época, Maitê foi viver em um pensionato com o irmão caçula; o pai, absolvido em dois julgamentos, se internou em um manicômio. Tempos depois ele se matou e o irmão mais velho também tirou a própria vida.

Além de repassar a sua história, a atriz de 63 anos, mãe de Maria e recente avó de Manuela, fala de machismo, misoginia e preconceitos que enfrentamos no nosso país. Tudo com intensidade, mas também com humor, como é próprio de sua verve.

Ansiosa para viver esse reencontro direto com o público após meses de reclusão e distanciamento na pandemia, Maitê conta também nessa entrevista sobre seu momento e suas emoções.

 

Maitê Proença em “O Pior de Mim” – Foto: Dalton Valerio

 

A peça “O Pior de Mim” foi indicada ao prêmio APTR e considerada um dos melhores espetáculos desde o início da pandemia. O que a levou a mergulhar nesse trabalho e que resposta você teve do público com as apresentações online?
Eu estava confinada como toda gente e reduzida a poucos entretenimentos. O Instagram, antes secundário, virou uma ponte para o mundo. Só havia pessoas felizes ali, cheias de amigos, bem-sucedidas, com a pele fulgurante. Inevitável se sentir um lixo por comparação. Todos nós já tão combalidos, e nas redes o mundo dos moranguinhos. Pensei: por que não mostrar o que não deu certo, as grandes frustrações, os fracassos? O público respondeu fortemente porque, ao abrir minhas mazelas, batia no mesmo lugar dentro da vida de quem assistia. O teatro faz você se visitar, mas sem que seja tão penoso, porque você revive, mas passando pelo filtro das experiências do outro. E aí, não se sente só.

O que você espera dessa turnê ao vivo em três capitais?
Estou muito feliz e ansiosa com o contato direto com o público. A peça não é para baixo, pelo contrário, ela dá vontade de sacudir a poeira e abraçar a vida, tem bom humor, energia. Vai ser maravilhoso voltar aos palcos e sentir o calor das pessoas!

O que foi mais difícil nessa imersão em que você apresenta à plateia a sua parte mais trágica?
Não conto fatos pelos fatos, mas sempre para ilustrar algo que eu não vi quando estive presa naquelas situações, e que hoje eu já consigo olhar e entender, eu consigo sanar.

Foram muitas perdas para uma criança, um trauma doloroso. O que você falaria hoje para essa menina de doze anos que se viu sozinha da noite para o dia?
Eu estou aqui para te pegar no colo hoje. Nunca é tarde.

 

Maitê Proença na sala de aula da Escola Americana de Campinas, aos nove anos - Foto: Arquivo Pessoal

Maitê Proença na sala de aula da Escola Americana de Campinas, aos nove anos – Foto: Arquivo Pessoal

 

Mesmo diante de tantas adversidades, você sempre sacudiu a poeira e foi se reinventando. O que a inspira?
Eu olho para fora e vejo o outro, vejo os pássaros, as ondas do mar, isso me inspira. O olhar para dentro é bom se a gente vai “arrumar a casa”, mas depois tem que sair dali. O umbigo é pequeno e atrofia o espírito se for só ele que conseguimos ver.

Quais lembranças você tem de Campinas, onde passou a infância?
Nasci na cidade de São Paulo porque vivíamos em Ubatuba, que era uma aldeia, e minha mãe preferiu parir em um hospital. Mais tarde fui morar em Campinas, onde tive uma infância solta, livre, campestre. A vinte minutos do centro havia montanhas e as cachoeiras mais lindas. Meus pais trabalhavam muito e eu saía pelas redondezas, de carona, de bicicleta, e me comunicava com os amigos em tupi guarani, que nós aprendemos para nos sentirmos ainda mais integrados com as belezas a nossa volta.

O que o teatro trouxe para sua vida?
A capacidade de sentir. Depois de todos esses traumas, eu teria me fechado em copas, não fosse o ofício do teatro. Na juventude, comecei a viajar bastante e depois mergulhei na dramaturgia. Por precisar dos sentimentos para desempenhar, ser atriz me salvou de um deserto emocional.

Durante a pandemia você começou a se expressar mais pelas redes e a ganhar seguidores. O que esse relacionamento significa para você?
Uma ponte contra a solidão. Sou uma pessoa que lê e tem vida interior, me mexo, canto, danço. Mas o contato humano é insubstituível.

 

Maitê Proença - Foto: Divulgação

Maitê Proença – Foto: Divulgação

 

Quais são os planos para o futuro próximo?
Não sou de grandes decisões, sigo apenas, um dia após o outro. Temo que, de outra forma, não daria conta, ficaria tudo sufocante. Aos poucos, sem muitos planos, só os pequenos, vou assimilando cada mudança sutil e me adaptando, seguindo minhas setas internas, para onde elas apontam. Mas tem coisas acontecendo. Eu me tornei produtora orgânica, com amigos, estamos plantando para vender num esquema agroflorestal. A peça “O Pior de Mim” deve virar livro num formato ampliado. E haverá uma versão revisada do meu livro “Uma Vida Inventada”, cujas edições se esgotaram há muito.

E o coração? Em março, você escreveu que buscava um amor, alguém que soubesse velejar, e hoje está feliz ao lado da cantora e compositora Adriana Calcanhoto. Que ventos trouxeram esse novo amor?
Eu estava brincando quando disse que procurava alguém, nem seria possível fazer experiências amorosas no meio de uma pandemia, sem vacinas. E a Adriana é adorável, única, mas não sabe velejar. Nem eu. Estamos aprendendo sobre os ventos com barquinhos de papel.

Como começou esse projeto bacana que você faz no Instagram, falando de grandes mulheres da história?
Foi há três anos, e desde então eu posto três vezes por semana, no Instagram e no YouTube, histórias de mulheres desbravadoras, singulares e corajosas que abriram as portas para todas nós em um mundo que já foi muito mais masculino. Mulheres na ciência, nas artes, na literatura, na política e no ativismo. Aventureiras, piratas, tem de tudo. Muita gente gosta e eu adoro porque ao pesquisar acabo também aprendendo muito com nossas precursoras. Há filmes sobre algumas delas, outras caíram no esquecimento. Quem sabe um dia eu produza, dirija, escreva um roteiro ou ainda interprete alguma dessas grandes mulheres…

 

Maitê Proença - Foto: Divulgação

Maitê Proença – Foto: Divulgação

 

Você se posicionou algumas vezes sobre o atual governo e o desmonte cultural e ambiental que vem sufocando o Brasil. Como você vê o país e as eleições de 2022?
Tudo já foi dito. É uma tragédia criminosa o que acontece na saúde. Nossas florestas vão sendo derrubadas com as consequências que temos visto em forma de incêndios, pouca chuva etc., e o futuro ainda dirá se conseguiremos reverter os estragos da ignorância. E tem a educação, para qual nenhum governo – desde Dom Pedro – deu bola, essa é a verdade. Preferem um povo desinformado, manso, manipulável. Mas com a atual administração pelo avesso, tanto a educação como as artes, que são a forma de expressão de um povo, jamais foram tratadas com tamanho desprezo. Ficaremos ainda mais atrasados em relação ao resto do mundo. Temos o país mais belo e cheio de riquezas naturais, e ainda assim somos párias. Mas sonho com o melhor para todos, acredito nas pessoas, sou otimista. Precisamos de disposição, saúde e fé na caminhada. Sempre, todo dia.

Fazenda Terra Preta se destaca pelo seu café de origem, reconhecido no exterior

Fazenda Terra Preta se destaca pelo seu café de origem, reconhecido no exterior

Para Fernanda Silveira Maciel Raucci, o café não é apenas uma bebida incrível, com seu aroma e sabor inigualáveis. O café é a história de suas raízes. Seu pai e seu avô paterno eram cafeicultores; seu avô materno, comerciante de café; e o bisavô materno corretor de café no Brasil e na Europa. Proprietária da Fazenda Terra Preta, parte remanescente de uma centenária fazenda de café situada em Pedregulho, na região da Alta Mogiana paulista, ela vê com orgulho a quarta geração, com seus filhos Felipe e Regina, dar continuidade a esse forte vínculo familiar com o grão.

“O café corre nas minhas veias, é meu projeto de vida”, diz Fernanda, que começou a tocar a fazenda em 1990, quando eram raras as mulheres produtoras na região. “Hoje queremos aumentar a presença feminina em todos os processos do negócio, por isso criamos o grupo Cerejas do Café, que une cafeicultoras de São Paulo e Minas Gerais.”

 

Fernanda Raucci na plantação de café em sua Fazenda Terra Preta - Foto: Divulgação

Fernanda Raucci na plantação de café em sua Fazenda Terra Preta – Foto: Divulgação

 

O café Terra Preta foi destaque no concurso Florada Premiada, da marca Três Corações, focado nas cafeicultoras; conquistou o título máximo no Concurso Nacional de Cafés da ABIC; e a classificação no Cup of Excellence de 2016 e 2017. Fernanda exporta o café verde, sem torrefação, e o produto industrializado para China, Estados Unidos, Espanha e Reino Unido.

Levemente frutado, com sabor caramelo e corpo licoroso, o Terra Preta está na categoria dos cafés especiais, determinados por características sensoriais. Livres de defeitos e com pontuação acima de 80 em uma escala de 0 a 100, os especiais têm torra mais clara e sabores e aromas distintos. Fernanda explica que o café tradicional acaba sendo mais escuro porque é excessivamente torrado para esconder impurezas como grãos brocados e fragmentos.

 

O terreiro de café na fazenda Terra Preta - Foto: Divulgação

O terreiro de café na fazenda Terra Preta – Foto: Divulgação

 

Durante a pandemia, ela se surpreendeu com o alto consumo do café especial, o nicho que mais cresceu nesse período: “Mais em casa, as pessoas começaram a experimentar cafés diferenciados e aprender sobre métodos de preparo.”

Preocupada com a sustentabilidade, a fazenda alia novas tecnologias agrícolas ao respeito e cuidado com o meio ambiente, e tem vários certificados, como o Rainforest Alliance. “Trabalhamos com dedicação para oferecer nossos melhores grãos. Na torrefação, o mestre é meu filho Felipe, que conhece como ninguém cada característica, cada detalhe dos cafés, do plantio à xícara”, diz Fernanda, apaixonada por essa bebida.

Hair Concept por Roberta Gomes inaugura novo espaço em Campinas

Hair Concept por Roberta Gomes inaugura novo espaço em Campinas

A empresária Roberta Gomes acaba de chegar em Campinas com sua marca internacional, focada em cuidados capilares personalizados.

Ela é carioca, mas vive como cidadã do mundo. Roberta Gomes tem 43 anos, mora em três países – Brasil, Estados Unidos e Emirados Árabes – e passa boa parte do seu tempo nos ares, ainda que seja muito pé no chão. “Vivo nos aeroportos, entre voos, para monitorar as fábricas e os salões”, conta. A Hair Concept, sua rede especializada em produtos e tratamento para saúde capilar, emprega 200 funcionários em doze unidades espalhadas por cinco países. Além dos três acima, Qatar e Bahrein.

 

Roberta Gomes aplicando sua tecnologia de análise de fios - Foto: Divulgação

Roberta Gomes aplicando sua tecnologia de análise de fios – Foto: Divulgação

 

Nas últimas semanas, Roberta tem circulado mais pelo Aeroporto de Viracopos, já que acaba de inaugurar um novo espaço em Campinas, no hotel Royal Palm Plaza. Aberto para hóspedes e clientes da região, o salão oferece, além dos serviços básicos de beleza, a detalhada análise diferencial dos fios e do couro cabeludo, com cuidados personalizados e uso de tecnologia de ponta. Todos os procedimentos seguem protocolos e cumprem as regras estabelecidas pela OMS e pela Prefeitura de Campinas.

“É um conceito inovador que permite recriar o cabelo saudável e perfeito com o qual você nasceu”, explica. A empresária começou cedo nessa área. E mergulhou de cabeça por necessidade própria: “Fui mãe aos 14 anos e, apesar de não recomendar essa experiência para ninguém, a maternidade precoce me fez entender que eles dependiam inteiramente de mim. Criei meus quatro filhos sozinha, por ser separada do pai deles. Isso foi um grande incentivo para entrar no ramo da beleza e me especializar em cosmetologia e tricologia.”

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

 

Depois de ter lançado várias marcas de produtos para cabelos nos Estados Unidos, onde mora desde 2008, Roberta acordou um dia com um sonho. “O Hair Concept surgiu em um sonho. Nele, a gente personalizava os produtos e cada profissional estava setorizado com uma responsabilidade, exatamente como é hoje. Foram quatorze meses para projetar esse conceito, não existia nada parecido no mundo”, conta.

A primeira unidade foi montada em 2016, na Flórida. A segunda em São Paulo e a terceira no Qatar, pois ela já atua no Oriente Médio há doze anos com a marca RG Cosmetics. “Costumo dizer que meu coração é dividido em três: Brasil, EUA e Oriente Médio”, define Roberta, que quando não está ocupada gerenciando as empresas da RG Holding, não abre mão de ficar em casa curtindo a família e aprendendo a nova arte de ser avó com Sophia, sua primeira neta, de um ano e meio.

 

Entrada do Hair Concept, em Campinas - Foto: Divulgação

Entrada do Hair Concept, em Campinas – Foto: Divulgação

Para Rachel Maia, da RM Consulting, diversidade nas empresas é uma responsabilidade social

Para Rachel Maia, da RM Consulting, diversidade nas empresas é uma responsabilidade social

A empresária Rachel Maia ajuda corporações a apostarem na representatividade no ambiente de trabalho, fazendo com que inovem e ampliem seus negócios.

No início de 2021, segundo a Companhia de Estágios, empresa de RH, as contratações de estagiários negros triplicaram no Brasil. Foram 743 admissões no primeiro trimestre em relação às 250 nos primeiros três meses de 2020, um aumento de 197%. Conjunturas melhores e abertura para debates dentro das empresas estão no centro dessa mudança.

Para Rachel Maia, da RM Consulting, priorizar a representatividade nas companhias não é questão apenas de responsabilidade social, mas também de oportunidade. “O processo de letramento social consiste em entender que as empresas não operam no vazio, mas sim nas sociedades, em que as mudanças culturais, sociais, econômicas e políticas refletem nas práticas do universo corporativo. Ter pessoas diferentes em um mesmo ambiente proporciona ter vários pontos de vista para uma mesma situação; isso é essencial para o desenvolvimento de um negócio, porque amplia a capacidade de inovação e a pluralidade do debate.”

 

Rachel Maia, empresária - Foto: Divulgação

Rachel Maia, empresária – Foto: Divulgação

 

A empresária defende o conceito de letramento social para que os colaboradores passem a refletir criticamente sobre a sociedade e entender que a falta de pluralidade é um problema estruturalmente enraizado. “A partir daí é que haverá embasamento para a criação de ações afirmativas voltadas à empregabilidade de grupos historicamente minorizados, como PcD, negros, LGBTQIA+, mulheres, dentre outros”, explica Rachel, que dá consultoria a grandes empresas, como a XP e a JBS Brasil.

Uma das poucas mulheres negras a chegar ao topo do universo corporativo na América Latina – foi CEO da Lacoste, Pandora e Tiffany –, ela hoje se dedica a projetos próprios: além da consultoria RM, Rachel é fundadora do Capacita-me, voltado à educação e empregabilidade de pessoas em vulnerabilidade socioeconômica.

Por ter transitado em diferentes espaços e testemunhado a falta de representatividade em muitos deles, a empresária considera a diversidade e a inclusão parte importante da sua jornada. “Eu fui uma outlier! Nasci na periferia, estudei em escolas públicas e encarei preconceitos por ser negra e mulher. Mas tudo isso me fez acreditar nos meus valores e lutar pela inclusão”. Rachel Maia conta ainda que vislumbra um momento em que as pessoas se sentirão desconfortáveis em ambientes predominantemente compostos por um único grupo da sociedade: classe social, gênero ou cor. “Acredito que, em breve, por meio do letramento social e da educação, as pessoas serão genuinamente agentes da transformação social.”

 

Rachel Maia, empresária - Foto: Divulgação

Rachel Maia, empresária – Foto: Divulgação