Ana Thaís Matos tem opinião e será comentarista da Copa do Mundo de Futebol Feminino

Ana Thaís Matos tem opinião e será comentarista da Copa do Mundo de Futebol Feminino

No torneio disputado em campo por grandes feras do futebol feminino, os jogos do Brasil terão o reforço de uma craque a mais, atuando como comentarista nas transmissões da TV Globo: Ana Thaís Matos, uma mulher que não pipoca na hora de expor suas opiniões

A partir do dia 20 de julho, as jogadoras das seleções de 32 países entram em campo para disputar a Copa do Mundo de Futebol Feminino, na Austrália e na Nova Zelândia. Para quem estiver acompanhando o torneio pela TV, entra em cena também Ana Thaís Matos – uma comentarista que não titubeia na hora de expor suas opiniões e de “cornetar” jogadores, técnicos e juízes, sempre que necessário. Por causa dessa coragem e da pertinência de seus pitacos, já ganhou duas vezes o prêmio de melhor comentarista esportiva da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), concorrendo sempre com homens.

Em razão de seu trabalho apontando o dedo para o que está certo e errado no futebol, despertou a ira de torcedores fanáticos que não toleram uma opinião diferente da sua e é constantemente espinafrada nas redes cada vez menos sociais por haters insanos. Hoje, depois de muita terapia, ela tenta não se aborrecer mais com isso e segue sua trajetória exitosa.

 

Foto João Miguel Jr | TV Globo | Divulgação

 

Nascida no Centro de São Paulo há 38 anos e formada em Jornalismo na PUC, Ana iniciou sua carreira profissional como estagiária do jornal “Lance”, em seguida passou pelo canal BandSports e depois brilhou nas rádios Globo e CBN. Desde 2018, trabalha nos canais esportivos do Grupo Globo na TV e na internet. Em 2019, fez sua estreia como comentarista na transmissão de um jogo do Campeonato Paulista. De lá para cá, voou cada vez mais alto – esteve na Copa do Catar, participa de mesas-redondas no canal SporTV e conquistou um quadro semanal no programa “Encontro”, nas manhãs da TV Globo.

Em entrevista à 29HORAS, Ana Thaís fala de futebol, de sua luta contra a violência de gênero, de suas perspectivas para a Copa do Mundo Feminina e até de casamento. Veja a seguir os principais trechos dessa conversa:

Você defende que o esporte é um eficiente agente de transformação social e você é um bom exemplo disso, não? Como ele mudou a sua vida?
Minha família era muito simples, minha mãe trabalhava como faxineira. Nasci em São Paulo, mas cresci numa cidade pequena do litoral paulista, Itanhaém. Nesses lugares onde a presença do Estado é quase nula, as oportunidades são escassas, e é aí que entra o esporte. Ele abre portas, tira crianças e adolescentes da rua, estimula a disciplina, ensina um sentido de unidade, faz você aprender a se relacionar com outras pessoas. Para mim, foi fundamental. Eu tentei ser jogadora de futebol, mas não deu certo. Depois, estudei Jornalismo – graças a uma bolsa do Prouni – e quando me formei resolvi trabalhar com esporte, uma área que sempre me trouxe coisas boas.

Você é uma das pioneiras nessa abertura de espaços para a presença feminina no comentarismo esportivo, mas ainda falta muito para esse universo deixar de ser tão esmagadoramente masculino, não?
Estou no jornalismo esportivo desde 2009. Nesses 10-15 anos, caminhamos muito. Saímos do nada, mas ainda tem muito para acontecer. Qualquer movimento parece um grande passo, e é por isso que eu acho que devemos comemorar as nossas conquistas. Somos poucas, mas estamos abrindo o caminho para muitas outras. Quando eu cheguei na Globo, estava sozinha. Hoje somos várias! Precisamos seguir ampliando a nossa participação, mas a gente tem também de celebrar o que conseguimos e curtir o momento.

 

Ana Thaís com o uniforme que usa nas transmissões de jogos na Globo e no canal SporTV – Foto Manuella Mello | TV Globo

 

Quem foram os grandes comentaristas esportivos da TV que serviram de referência para a sua evolução profissional?
Tive a oportunidade de trabalhar com muita gente bacana, mas eu tomei como referência principalmente o trabalho de comentaristas de fora do esporte. Entre os grandes do comentarismo esportivo, admiro o Casagrande, justamente porque ele não se limita apenas a falar de esporte, tem um lado humano e uma preocupação social. E a Renata Fan foi também muito importante para mim. Eu trabalhei como produtora dela e posso dizer que é uma profissional incrível. Ela chegou como miss – é uma mulher lindíssima – e poderia pegar o caminho mais fácil, se sustentando só por isso. Mas contrariou muita gente, não foi apenas o que queriam que ela fosse. Estudou Direito e Jornalismo, é uma empresária, comanda a sua carreira e enfrentou muitas barras até chegar onde chegou. É uma mulher fenomenal. Sua trajetória foi muito inspiradora para mim.

Você estuda esquemas táticos para ter uma melhor “leitura” dos jogos?
Sempre. Antes de cada transmissão, tenho uma rotina de duas a três horas de estudo. Não uso estatísticas e números sem inseri-los em um contexto, acho que esses dados servem para embasar meu raciocínio, mas tenho de usá-los como ferramenta de apoio para o mais importante do meu trabalho, que é explicar porque um time está ganhando ou perdendo, qual o problema da equipe que está sendo derrotada, qual o ponto positivo que justifica a vitória de quem está ganhando. O jogo é uma história com começo, meio e fim, e eu decifro e traduzo essa trama para quem assiste.

Em uma entrevista recente, você disse que “está comentarista” e que gostaria de um dia voltar a ser repórter. Essa ideia ainda está de pé?
Repórter eu sempre vou ser, mas esse é um projeto que, no momento, está em ‘stand by’. Perdi o contato com todas as minhas fontes quando comecei a atuar como comentarista – não faz sentido eu ligar para uma pessoa cujo desempenho eu eventualmente vou criticar na TV. Quando comecei, nunca pensei que um dia eu seria comentarista. Trato essa posição não como um lugar que é meu e será assim para sempre. No futuro as coisas podem tomar rumos diferentes. Não me fecho para nenhuma outra possibilidade – me espelho em Fátima Bernardes, a maior comunicadora do país e a maior camaleoa. Uma mulher que teve a coragem de mudar.

 

A paulistana curte uma tarde de futebol e resenha na arquibancada do Maracanã – Foto reprodução Instagram

 

E você usa o seu espaço também para discutir questões como machismo estrutural, violência contra a mulher e a naturalização do abuso sexual. Nunca deixou de expor suas convicções sobre esses temas nos casos Robinho, Dani Alves e Cuca. Você se sentiu solitária, uma vez que parte de seus colegas da mídia, dos jogadores e das torcidas ainda insiste em “passar pano” para esses comportamentos tóxicos e criminosos?
Eu vejo uma evolução nisso. Quando a Eliza Samúdio, há 15 anos, foi aos jornais avisar que estava sendo ameaçada pelo goleiro Bruno, foi chamada de ‘Maria Chuteira’ a fim de holofotes. Só não enxerga o abuso quem não quer. Eu sempre falei e seguirei falando dessa questão de violência de gênero, não porque eu me resuma a isso, mas por achar que uma mulher no lugar que eu ocupo tem a obrigação de contar a história de uma maneira diferente do que ela vinha sendo apresentada. Esse, para mim, é um princípio básico, e nunca vou recuar ou abrir mão disso. No caso Robinho, alguns homens já vieram junto, se tocaram de que um caso de estupro não pode ficar impune. No caso Daniel Alves, ficou ainda mais óbvia a gravidade. E, no caso Cuca, revisitamos o passado para ver como esse assunto era tratado de forma condescendente. Já me senti sozinha, sim. Nem sempre sou ouvida e respeitada. Mas, hoje, creio que tem mais gente pensando como eu e lutando pelas mesmas ideias e causas que defendo.

Deve ser duro ser comentarista profissional e perceber que existe um monte de comentaristas da vida alheia opinando sobre a sua, né? Gente que diz que o seu lugar é na cozinha, e não na Copa…
Já sofri muito com coisas que ouvi e li sobre mim, mas trabalhei isso na terapia e me distanciei desse círculo de ofensas. Os haters precisam muito mais de mim do que eu deles. A minha opinião é muito importante para eles, e a deles é irrelevante para mim. Mas o que eu acho mais bizarro é o tratamento que a mídia mais sensacionalista dispensa a mim. Nesse vale-tudo por cliques, muito do que eu digo ou posto na web é distorcido para gerar polêmica. E isso acontece em especial comigo, porque essa gente parece acreditar que uma mulher jamais poderia ter dito aquilo. Isso é uma tentativa de silenciamento e uma desqualificação do meu pensamento, que apenas é valido se for reafirmado e chancelado por outra pessoa – em geral, um homem. Mas deixa para lá, segue o jogo…

Voltando para o esporte, o que falta no futebol feminino para ele ter no Brasil a popularidade e o peso que já tem em outros países?
Acho que ele precisa de investimento, de investidores que acreditem de verdade no produto. Não adianta a lei exigir que o clube tenha um time feminino e a agremiação colocar as meninas para jogar num gramado esburacado, sem estrutura para treinos, uniformes decentes e aquele apoio todo de fisioterapia, nutrição e até psicologia. A criação de equipes femininas não é um “favor” que o clube está fazendo, é uma imposição da Fifa. E essa obrigação legal precisa ser cobrada. Todo grande time deveria não só cumprir a exigência da lei, mais ir além e oferecer mais, em nome do esporte e da qualidade do espetáculo. O futebol feminino merece isso e aqui no Brasil pode ser muito maior do que é hoje. Com jogos mais atraentes, é mais fácil o investimento gerar o tão desejado retorno.

 

Ana Thaís antes do desfile 2023 da escola Mocidade Unida da Mooca – Foto reprodução Instagram

 

Quais são suas expectativas para essa Copa do Mundo da Austrália/Nova Zelândia. Quem são as candidatas mais fortes ao título?
Essa Copa será muito equilibrada. A pandemia atrapalhou a preparação de todas e “nivelou” as seleções. Uma equipe supertradicional no futebol feminino, a China, teve sua programação de treinos toda comprometida por causa dos lockdowns. Os Estados Unidos seguem sendo a potência da modalidade, mas as seleções europeias evoluíram muito, como Espanha, Alemanha, Inglaterra e França. Acho que podemos ter uma campeã inédita.

A seu ver, a seleção brasileira está em um bom caminho?
A seleção tem um trabalho de quatro anos, comandado pela técnica Pia Sundhage. Ela mudou a forma de jogo do futebol brasileiro. Abriu mão de um estilo calcado nas individualidades e no improviso em nome de um esquema mais coletivo, tático e físico. Ela fez muitos testes, rejuvenesceu o time e fez uma boa preparação, enfrentando as principais seleções do mundo. Dá para dizer que o Brasil chega forte para a competição.

Como vai ser a equipe da Globo na cobertura desse evento?
Lá na Austrália, as reportagens ficarão a cargo de Marcelo Courrege, Denise Thomaz Bastos e Gabriela Moreira. As transmissões das partidas serão ancoradas daqui do Rio. Para os jogos do Brasil, a narração será de Renata Silveira, e eu e o Caio Ribeiro seremos os comentaristas.

E, por fim, para quando é o casamento? Até quando você vai ficar iludindo o Rafael?
A mãe dele vive me cobrando: “Quando é que sai esse casório? Não enrola muito, tá?”, e um pedido da sogra a gente tem mais é que obedecer, não é? Se tudo correr dentro do planejado, o casamento será em outubro de 2024.

 

Momento em que foi pedida em casamento por Rafael Falanga, que é presidente da agremiação – Foto reprodução Instagram

Fátima Pissarra é a empresária por trás do sucesso de grandes influenciadores

Fátima Pissarra é a empresária por trás do sucesso de grandes influenciadores

Fátima Pissarra, que já representou a VEVO no Brasil e hoje é sócia da dinâmica agência Mynd, é fonte de grande expertise no mercado de entretenimento e música no país

A mulher por trás do sucesso de muita gente na internet não é propriamente workaholic, porque considera seu trabalho como verdadeiro hobby. A empresária Fátima Pissarra é sócia da Mynd, que agencia mais de 350 personalidades de diferentes segmentos do entretenimento. Jornalista por formação, especialista em marketing de influência e líder por vocação, ela se orgulha ao afirmar que está à frente da agência mais representativa do mercado brasileiro em todos os sentidos. “Desde o início contamos com 50% dos nossos colaboradores sendo pessoas pretas em todos os níveis hierárquicos, 65% mulheres e mais de 70% LGBTQIAPN+”, resume.

 

Fátima Pissarra – Foto Marcos Duarte

 

O desdobramento de seu trabalho é também muito diverso. A empresária é ainda sócia do restaurante Altar, na Vila Madalena, em São Paulo. Sob o comando da chef Carmem Virgínia, o menu do lugar celebra a cozinha de terreiro e os povos pretos, com um cardápio que inclui acarajé, galinha de cabidela, caldinhos de sururu, de feijão e de inhame. Além de se embrenhar nos negócios da gastronomia, Fátima Pissarra é responsável por relançar no Brasil a “Billboard” – icônica publicação norte-americana dos segmentos de música e entretenimento. “Nosso país estava carente de um veículo especializado em música e que também tivesse como foco o real time nas redes sociais”, avalia.

Verdadeira matriarca de uma grande família, a sempre conectada empresária troca ideias com o seu time e casting o tempo todo. Mesmo com uma agenda sempre atribulada, ela reservou um tempo para conversar com a 29HORAS sobre conceitos que dominam mercados lucrativos hoje, como marketing de influência e economia criativa, e dividiu parte de sua atarefada e gratificante rotina. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

Muito se fala em marketing de influência, mas ainda é difícil definir esse conceito. Para você, o que é marketing de influência? Todos os negócios deveriam se atentar a ele?
Com certeza devem se atentar! Nos últimos anos, o marketing de influência ganhou muita força e relevância. De modo geral, esse conceito trabalha com a exposição de produtos e marcas nas redes sociais, que gera tanto awareness (conhecimento de marca), como conversão. Se o influenciador gosta de trabalhar, é consistente, relevante e, principalmente, se une a marcas interessantes, que tenham fit com o que acredita, ele consegue atingir seus objetivos e fazer das suas redes sociais o seu meio de vida. Hoje, além de produzirem conteúdo, os influenciadores também estão se unindo às marcas para criarem produtos e gerarem experiência.

A economia criativa é outro termo que domina as discussões e as tomadas de decisão de empresários e empreendedores. Vivemos na era da economia criativa?
Mais uma vez, sim! A economia criativa tem o potencial de abrir oportunidades para diversos nichos de mercado e para a inclusão de diferentes grupos sociais. Além disso, alinhada à proposta de marketing de influência, a economia criativa permite que artistas e influenciadores sejam capazes de promover um crescimento valorizado em habilidades, talentos e competência.

A Mynd agencia diferentes artistas e influenciadores, com perfis e públicos também distintos. Como alcançar mercado para tanta gente?
O mercado de marketing de influência é muito vasto e está aberto para atender muita gente. Ainda existem muitos nichos que não possuem grandes influenciadores, com milhões de seguidores, por exemplo, como é o caso da Gastronomia. Além disso, o Brasil é um país onde as pessoas têm pouco acesso à internet. Isso significa que, com o tempo, a base de usuários ainda vai crescer, permitindo que mais criadores de conteúdo surjam e cresçam. Nós também temos um cuidado muito grande com a diversidade em nosso casting. Além de incentivarmos diferentes temas, nós buscamos trazer influenciadores plurais. Na Mynd, procuramos ter uma ampla representatividade do Brasil, com um portfólio que traz diversidade de gênero, raça, indígenas, pessoas com deficiência, para que todos possam se sentir representados cada vez mais nas campanhas, essa é a nossa essência. E, com essa diversidade, conseguimos alcançar públicos e mercados distintos.

 

A empresária com Steven Tyler, quando era representante da Vevo no Brasil – Foto Divulgação

 

O que faz e o que constitui um influenciador hoje?
Para ser um influenciador consolidado na internet, é preciso investir tempo e dedicação. Os grandes influenciadores acordam às 8 horas da manhã e gravam o dia todo. É preciso fortalecer seus nichos, entender seu propósito e interesses para, então, definir quais serão os seus pilares de influência. A principal premissa é a de que tudo que for trabalhado seja realmente genuíno. Seu posicionamento deve ser coerente com o que tem na sua vida para que o seu conteúdo seja verdadeiro. E é muito importante selecionar bem as marcas com as quais irá se aliar, para realmente se consolidar dentro de suas áreas de atuação.

Como identificar um “bom” influenciador? Como se profissionalizar no segmento?
Um bom influenciador é aquele que consegue criar endosso, que encanta o público e gera identificação. Acredito que qualquer pessoa possa ser um influenciador desde que invista tempo e recursos nessa profissão. Como disse anteriormente, é necessário encarar a atividade como um trabalho, que demanda responsabilidades e paciência para atingir seus objetivos. Ter uma boa equipe ao seu redor também facilita a caminhada.

Como é a Mynd por dentro? Como são os departamentos e as equipes?
Tenho muito orgulho do nosso modelo organizacional. Desde 2017, quando montamos a Mynd, queríamos construir uma empresa realmente representativa e diversa. Desde o início contamos com 50% dos nossos colaboradores sendo pessoas pretas em todos os níveis hierárquicos, 65% mulheres e mais de 70% LGBTQIAPN+, além de diversidade regional, indígenas e pessoas com deficiência. Estruturamos a empresa de uma maneira eficiente, capaz de prestar suporte ágil e perspicaz em todas as suas frentes de atuação, com um olhar ampliado sobre as campanhas e as marcas. A Mynd é a agência mais representativa do mercado brasileiro em todos os sentidos. Temos diversas áreas que atendem de forma dinâmica a demanda do mercado digital.

Como é a sociedade com a Preta Gil? Vocês têm perfis semelhantes para os negócios? Ela continua à frente da agência?
É maravilhoso ter a Preta como sócia! Ela é uma mulher e profissional incrível, que tem todo o meu respeito e admiração. Por questões óbvias, hoje a Preta está afastada, cuidando de sua saúde. Mas eu, ela e o Scappini sempre tomamos todas as decisões importantes do dia a dia juntos. A Preta também é uma peça fundamental para a área artística, ficando ao lado dos diretores de todos os núcleos, fazendo a gestão e falando sobre as relações, projetos e oportunidades. Ela tem um olhar incrível para novos talentos que surgem na internet.

 

Fátima Pissarra ao lado de Preta Gil e Carlos Scappini, seus sócios na Mynd – Foto Divulgação

 

Você sempre teve um olhar apurado para as tendências futuras na comunicação e na internet. Quais são os mercados e os insights que a Mynd está mirando agora?
Eu comecei minha carreira junto com o início da internet há mais de 20 anos, então a velocidade de inovar e acompanhar as novas tendências do mercado está no meu DNA e no da Mynd. Hoje, acredito muito na ‘produtificação’ dos influenciadores e nas novas linhas de negócio além da publicidade, para trazer longevidade para a carreira desses creators. Pensando nisso, criamos uma área especializada no assunto, que desenvolve toda a concepção desses produtos. Já lançamos algumas dessas linhas que foram um verdadeiro sucesso! Temos um calendário extenso para próximos projetos desse nicho e estamos muito animados com as possibilidades.

Você está trazendo a “Billboard” de volta para o Brasil. Por que agora? Qual é a previsão de lançamento?
A “Billboard” é o veículo de comunicação mais icônico no mundo da música. Nosso país estava carente de um veículo especializado em música e que também tivesse como foco o real time, por meio das redes sociais, tanto para o mercado de marcas como para o mercado da música, artistas, empresários, produtores de show, gravadoras e a cadeia em geral. Fui representante de Vevo no Brasil e adquiri grande expertise no mercado. Nossa ideia é unir a experiência em música e marketing de influência. Queremos desenvolver um formato inovador, criando projetos ousados, diferenciados e abrangentes. A previsão é que no início do segundo semestre a gente já tenha a nossa primeira edição.

 

A empresária com Marcus Buaiz e Carlos Scappini, sócios da Billboard Brasil – Foto Divulgação

 

Como você enxerga a relevância e o potencial das mídias impressas hoje?
Acredito que, apesar do crescimento gigantesco do digital, todas as mídias são importantes, relevantes e precisam ser trabalhadas juntas para se obter sucesso. As mídias são complementares e cada uma conversa com o seu público e espaço.

Como você se divide entre tantas demandas de trabalho? Como é a sua rotina?
Costumo dizer que o meu trabalho é também o meu hobby. Faço tudo com muito prazer, então é natural tê-lo na minha rotina o tempo todo. Muitos dos meus clientes viraram meus amigos, o que faz da nossa convivência algo além do horário comercial. Também tento integrar meus filhos, minha filha Carolina, de 15 anos, e os meus gêmeos Luiz e Beatriz, de 8 anos, a esse contexto, levando-os para viagens, shows e reuniões. Eu tenho muito orgulho em mostrar para eles aonde cheguei profissionalmente e como mulher. Ensino e estou sempre trazendo questões de respeito, diversidade e, principalmente, que eles sejam felizes com suas escolhas. Estou sempre conectada e trocando ideias com o meu time e o nosso casting. Considero todos uma grande família.

Para você, quais são as características mais importantes que alguém deve ter na liderança?
Para mim, dar o exemplo e enxergar com profundidade e atenção a equipe são fatores fundamentais. Na Mynd, nós valorizamos características que vão além de um currículo profissional. Desde a contratação, nós procuramos identificar skills, pois acreditamos que muito pode ser desenvolvido dentro da empresa, a partir de um bom treinamento e uma boa liderança. O olhar para a diversidade também é algo que o líder precisa ter, seja para criar e desenvolver projetos, como para captar e formar um time. Para qualquer mudança significativa, a liderança é algo muito importante, assim como o seu exemplo de como fazer as coisas serem possíveis. Nem sempre todos vão gostar de você, mas o importante é estar feliz com suas decisões e os caminhos pessoais e profissionais que irá seguir.

 

Fátima na premiação de música brasileira WME Awards by Music2! – Foto Mônica Andrade

 

Como a sua formação e os lugares em que você trabalhou antes te levaram a esse momento profissional?
Trabalho com a internet desde 1996, quando fiz parte do grupo de testes da web na Universidade Federal de Santa Catarina, onde estudei e me formei em Jornalismo. Desde então, sempre fui a pessoa à frente nesse segmento, sendo contratada por grandes empresas como BCP, Claro, Terra, Nokia e Vevo. Eu já trabalhava com projetos de música quando decidi empreender em 2012. Na época, vendia patrocínio para o Bloco da Preta. Ela sempre me dizia que eu tinha que agenciar cantores para o mercado publicitário, porque o negócio no meio musical não era organizado. Foi quando a convidei para ser minha sócia e fundamos a Mynd. Nossa primeira agenciada foi a Pabllo Vittar e, a partir disso, fomos trazendo mais gente. Em 2018, com a entrada da Gleici Damasceno, nós decidimos ampliar nossos horizontes e atender o mercado de entretenimento como um todo, nos tornando referência, por fim, no marketing de influência.

Você pensa em investir em outros negócios no futuro?
Com certeza! Em maio, eu, Carmen Virgínia e Luísa Sonza inauguramos uma unidade do restaurante Altar na Vila Madalena. No momento, ele e a Mynd já ocupam grande parte do meu tempo. Mas quem sabe no futuro, com pessoas certas ao meu lado para gerir o negócio, eu decida investir em outras vertentes.

 

Fátima Pissarra com a chef Carmem Virginia e a cantora Luísa Sonza – Foto Rogerio Gomes