Conhecido por interpretar personagens cômicos, Anderson Di Rizzi agora investe em papéis mais complexos

Conhecido por interpretar personagens cômicos, Anderson Di Rizzi agora investe em papéis mais complexos

Aos 42 anos, Anderson Di Rizzi já tem vários personagens marcados na memória de quem gosta de acompanhar as novelas da Globo – sempre em papéis leves e divertidos. Fora da TV, o ator vem investindo em trabalhos mais complexos e desafiadores. Antes da pandemia, iniciou um giro pelo país com a peça “Um Beijo para Kafka” – que narra um episódio curioso da vida do escritor tcheco – e atuou no filme “O Segundo Homem”, ambientado em um cenário distópico, em que o porte de armas é liberado no Brasil. Na produção, ele interpreta Miro, um pai de família que se une a uma legião estrangeira criada para controlar a desenfreada violência no país. Por causa da pandemia, a peça interrompeu sua turnê e o filme – que tem também Cléo Pires, Wolf Maya, Negra Li e Lucy Ramos no elenco – entrou na fase de finalização.

Enquanto isso, Di Rizzi se isolou no interior de São Paulo com a mulher (a professora Taise Galante) e os dois filhinhos pequenos: Helena e Matteo, de 3 e 1,5 anos, respectivamente. “Foi um período de introspecção, de aprendizado e de conexão com a minha família. Agora sinto que algo melhor está por chegar. Acredito que em 2021 vamos colher os frutos que plantamos em 2020, tudo vai ser diferente”, avalia. Assim seja!

Veja a seguir os principais trechos da entrevista que ele concedeu à reportagem da revista 29HORAS.

 

FOTO DESSA PIRES | STYLIST LILI GARCIA

 

Quais recordações você tem dos tempos em que morava em Campinas?
Morei na cidade até os 17 anos. Meus pais ainda vivem lá, assim como vários dos meus amigos. Até hoje eu ainda voto no mesmo colégio em que estudei. Fui dono de um salão de beleza no Jardim Guanabara. Sempre que visito a cidade, passo pelo Conjunto Bandeirantes e pelo Jardim Pacaembu, onde corria descalço, jogava bolinha de gude e empinava pipa. Minha infância foi uma fase bem feliz da minha vida. Tenho orgulho de ser campineiro.

 

Quando adolescente, você queria ser jogador de futebol e até passou pela Ponte Preta. Por que razão acabou abandonando o futebol?
Tenho um carinho especial pela Ponte Preta. Quando eu atuava nas categorias de base, jogava do meio para frente. Era um jogador de criação, mas também fazia muitos gols. Acabei me afastando do esporte por causa de um acidente de carro. Quebrei um dedo do pé e ele não cicatrizou do jeito certo. Durante anos, sentia dores, e isso acabou me desanimando.

 

Como foi a transição de jogador de futebol para ator?
Quando trabalhava em uma academia de musculação, me chamaram para trabalhar com promoção e entregar panfletos na rua. Nesse “bico”, conheci uma galera que também fazia figuração em comerciais de TV. Me juntei a eles, fiz vários jobs nessa área e tomei gosto por atuar. Como sou muito obstinado e determinado, mergulhei nesse mundo e comecei a estudar, fazer cursos, ler livros e assistir a todas as peças e filmes que podia. Depois fiz faculdade de Artes Dramáticas e, quando conquistei meu DRT (registro na Delegacia Regional do Trabalho para exercer a profissão), enfim me senti um ator de verdade. Foi uma caminhada dura. Tomei muito “não” na cara, pensei várias vezes em desistir, mas acabei indo até o fim.

 

Anderson Di Rizzi e Camila Queiroz na novela Êta Mundo Bom

Anderson Di Rizzi e a atriz Camila Queiroz na novela Êta Mundo Bom! – Foto divulgação

 

Quando revemos a sua trajetória, vêm automaticamente à nossa mente o Xavier de “Morde & Assopra”, o Palhaço de “Amor à Vida” e o Zé dos Porcos de “Êta Mundo Bom!”. Qual deles é o seu predileto?
Eu adoro todos, e gostaria de também incluir nessa lista de favoritos o professor Josué de “Gabriela”, o Juvenal de “O Outro Lado do Paraíso” e o Márcio de “A Dona do Pedaço”. Mas quem ocupa um lugar especial no meu coração é Sargento Xavier, de “Morde & Assopra”. Quando fiz o teste, o personagem nem tinha nome. A sinopse dele só tinha cinco palavras: “Um guarda medroso e atrapalhado”. Me inspirei no Mazzaropi na composição. Aí o personagem foi crescendo e acabou virando um dos principais da novela. O sucesso do Xavier abriu várias portas na minha carreira e fez com que o grande público me “descobrisse”.

 

Anderson Di Rizzi na novela Morde & Assopra com o ator Ary Fontoura

Anderson Di Rizzi na novela Morde & Assopra com o ator Ary Fontoura – Foto divulgação

 

Onde você “quarentemou”? O que foi mais difícil durante o isolamento? O que você tirou de positivo para a sua vida desse período tão peculiar?
Logo no começo da pandemia, me isolei com a minha família em Itu, onde tenho uma casa no meio do mato. Apesar de o coronavírus ter interrompido a temporada da minha peça abruptamente, eu não reclamo. Tento sempre extrair alguma coisa boa dessas situações. Depois de muito tempo viajando com a peça e gravando novelas em outras cidades, fiquei meses e meses com meus filhos e com Taise, a minha mulher. Foi legal demais acompanhar a Helena e o Matteo crescerem, perceber como eles evoluem, vê-los brincando na grama e na terra, tomando água pura direto da nascente, colhendo frutas no pé, plantando verduras na horta, interagindo com os animais, aprendendo a respeitar a natureza. Se dependesse da Helena, a gente nunca sairia de lá…
O isolamento para mim foi uma oportunidade para que eu pudesse olhar para dentro, pensar na vida, repensar paradigmas. E o distanciamento teve também reflexos positivos no meu corpo. Montei uma pequena academia em casa e tive bastante tempo para me exercitar e cuidar da parte física.

 

Quais são seus projetos para 2021?
Estou muito otimista para este ano. Acredito que vai ser diferente, cheio de coisas boas, bem melhor do que 2020. Assim que possível, vamos retomar a turnê do espetáculo “Um Beijo para Kakfa” e, no cinema, estarei em “Tô Ryca 2” (sem data de estreia) e em “O Segundo Homem”, dirigido por Thiago Luciano e ainda em fase de finalização.

 

Anderson Di Rizzi na peça "Um Beijo em Franz Kafka"

Anderson Di Rizzi na peça “Um Beijo em Franz Kafka” – Foto divulgação

 

Em “O Segundo Homem”, você interpreta um personagem que vive em um Brasil distópico onde as armas são liberadas – roteiro cada vez menos ficcional e mais realista! A seu ver, que perigos o armamento sem controle da população pode trazer à sociedade brasileira?
Tenho medo desse futuro no qual é possível comprar uma arma em um supermercado, pagar no caixa e sair por aí com ela na cintura. Tenho medo das pessoas destreinadas. Para mim, quem quiser ou precisar ter uma arma tem de, obrigatoriamente, passar por uma avaliação psicológica e ser treinado para aprender a manusear o equipamento de forma apropriada e segura. Essas são medidas razoáveis, necessárias e indispensáveis. É horrível o que acontece em alguns países que tem uma legislação frouxa no controle das armas, como os Estados Unidos. De tempos em tempos, um desajustado mata ou coloca em risco a vida de dezenas de inocentes. Não gostaria de ver essa mesma situação aqui no Brasil.

 

Anderson Di Rizzi no filme "O Segundo Homem"

Anderson Di Rizzi no filme “O Segundo Homem” – Foto divulgação

 

Na TV, você se notabilizou por papéis leves e bem-humorados, mas no teatro interpretou textos de Kafka e no cinema encarnou esse pistoleiro nada cômico. Em qual gênero você se sente mais à vontade?
Tenho um prazer enorme em fazer comédia. Foi muito divertido dar vida ao Palhaço, ao Sargento Xavier e ao Zé dos Porcos. Mas agora quero explorar outras facetas desse trabalho de interpretação. Quem for à minha peça ou assistir “O Segundo Homem” me verá de uma maneira diferente. Pretendo focar agora em papéis novos para mim. Adoraria aparecer na TV como um vilão psicopata ou como um personagem shakespeariano bem dramático. Não é só para mostrar para o público o que eu capaz, é para satisfazer uma necessidade que eu, como ator, trago dentro de mim.

 

Quais são os seus 5 atores prediletos? O que cada uma dessas feras tem que você tanto admira?
O Marlon Brando é o melhor de todos. Ele está sempre pronto para encarnar seu personagem. Não precisa de preparação nem de laboratório. O Daniel Day-Lewis é outro monstro. A entrega dele em cada papel é algo que me impressiona muito. Pena que fez poucos filmes e se aposentou precocemente. No Brasil, tenho paixão pela Fernanda Montenegro, pelo Selton Mello e pelo Wagner Moura. Ver a Fernandona em ação é uma aula, e tive a oportunidade de vivenciar isso em “O Outro Lado do Paraíso”. Cada palavra que sai da boca dela tem uma cor diferente, o repertório dela é infinito. Já o Selton e o Wagner, além de serem excelentes atores, muito versáteis, têm a minha admiração também por causa de suas posturas profissionais e pessoais, diante de questões éticas, humanas e políticas.

 

Por fim, qual é a primeira coisa que você vai fazer após tomar a vacina?
Quero ir a Campinas dar um abraço gostoso nos meus pais, com calma e sem medo. Não faço isso desde março de 2020! Em seguida, vou pegar a Taise, as crianças e fazer uma viagem bem bacana para fora do Brasil. Depois de ficar tanto tempo em confinamento, quero ir para bem longe!

 

Anderson Di Rizzi com seus filhos, Helena e Matteo

Anderson Di Rizzi com seus filhos, Helena e Matteo – Foto arquivo pessoal

 

A trajetória consagrada de Tony Ramos 

A trajetória consagrada de Tony Ramos 

Nas reprises de “Lanços de Família” e “Mulheres Apaixonadas”, o ator Tony Ramos segue em isolamento em sua casa de campo e começa trabalhos à distância 

FOTO GLOBO | ESTEVAM AVELLAR

 

Uma das grandes estreias de Tony Ramos se deu aos 19 anos. Na época, o jovem nascido Antonio de Carvalho Barbosa, na paranaense Arapongas, experimentou e se apaixonou pelo vinho nacional servido na casa da família italiana de sua esposa, Lidiane, no paulistano bairro da Vila Mariana. Hoje, Tony é um feliz proprietário de uma adega climatizada com 120 garrafas da melhor qualidade.

A meticulosidade do ator com sua bebida preferida – que aprecia somente depois de o vinho ter um momento de respiro – é a mesma que o acompanha por toda a carreira artística, uma extensa e consagrada trajetória. Aos 72 anos, o ator afirma, computa mais de 50 novelas, 30 peças e 30 filmes. “Sem falar de teleteatro e minissérie. Segundo a memória Globo, já interpretei 128 personagens”, completa ele, referindo-se ao Projeto Memória do Grupo Globo, que responde pela história da emissora carioca – onde ele dá expediente há 44 anos.

Tony, que começou leituras como preparação para a próxima novela de João Emanuel Carneiro com estreia prevista para o ano que vem, está no ar com dois folhetins em reprise: “Laços de Família”, no canal Viva, e “Mulheres Apaixonadas”, na Globo. Também escalado para viver, em 2023, o músico francano Correia do Lago em “O Selvagem da Ópera”, minissérie sobre o maestro Carlos Gomes, nascido em Campinas, o ator atendeu por telefone a Revista 29HORAS de sua casa de campo, na praia de Geribá, em Búzios.

 

Em tempos de pandemia, como tem sido os seus dias entre a sua residência, no Rio, e a casa de campo, em Búzios?

Ninguém sequer viu o meu rosto fora de casa durante a quarentena. Mantivemos o pessoal que trabalha com a gente – três pessoas na residência e duas, na casa de campo. Os funcionários só retornaram às suas funções, em um esquema de rodízio, no fim de julho. Fico na minha residência no Rio de Janeiro praticamente 90% do tempo. Quando vou para a casa de campo, a rotina segue a mesma. Tenho o meu computador com internet, acesso os e-mails. Como não tenho rede social, vivo da leitura de jornais que assino, dois de São Paulo e um do Rio, passeio com cachorro, caminho e faço exercícios. Agora, irão começar as reuniões em home office para discussões sobre a próxima novela do João Emanuel Carneiro que irei fazer. Ficarei, então, mais quieto ainda em casa.

 

FOTO GLOBO | ESTEVAM AVELLAR – Tony e Lidiane

 

Por outro lado, temos visto episódios que revelam um relaxamento do isolamento social mesmo sem uma vacina contra o vírus.

Quem me comanda é a ciência e não quem acha isso ou aquilo. O grande problema em pandemias é o achismo, que só causa desserviço. A vida é muito difícil sem a pandemia. Imagina com ela então. Eu sempre me protegi. Tem gente que se esqueceu de tomar vacina contra a poliomielite. Sabia disso? Outros não tomaram nem a BCG. Voltaram a tubercolose, o sarampo, por ignorância de quem pensa que a vacina é um aperitivo, uma brincadeira. Serei o primeiro a me candidatar a tomar a vacina contra o coronavírus, quando ela for aprovada.

 

Acredita em novo normal?

Não existe o novo normal. Normal é eu ser o que sempre fui. Trabalhador, preocupado com o próximo, com a minha família, pagador de impostos, atento ao que está à minha volta. Tenho lido na mesma medida os meus livros. Descobri o autor israelense Yuval Harari, que escreveu “21 Lições para o século 21” e “Homo Deus – Uma breve história do amanhã”. Comecei a ler o lindo livro “Escravidão” do Laurentino Gomes. Sigo assistindo a filmes, séries e novelas. A minha rotina não mudou. Sempre gostei de ficar dentro de casa. Novo é como eu me cuido frente ao vírus.

 

Qual dos cuidados novos é o mais valioso?

Vinte anos atrás, gravando a novela “Laços de Família”, no Japão, quantas vezes eu vi pelas ruas, no saguão do hotel onde ficávamos, japoneses usando máscara. E sabe o porquê? Porque estavam com gripe ou resfriado e não queriam contaminar outra pessoa. Achava aquela prática curiosa. Comentei com a minha esposa, que também me relatou ver muita gente de máscara nas estações do metrô. Eles se protegem. Mesmo quando a vacina se instalar, o uso da máscara será muito bem vinda. Eu estarei sempre com o meu kit de máscaras no carro, dentro de casa e na emissora para gravar. É simples, como andar para frente e para trás.

 

“Laços de Família”, novela iconográfica do Manoel Carlos, na qual você atuou, está de volta ao ar em Vale a Pena Ver de Novo. Qual foi o grande personagem que você viveu na carreira?

Certa vez, vi uma entrevista do Al Pacino na qual ele responde “me recuso a escolher com a idade que estou, com a carreira que tenho” a uma pergunta idêntica. É impossível eu escolher um personagem da minha vida. “Laços de Família” é uma novela iconográfica. Teve reexibições em todos os locais onde foi exibida: Itália, América Latina toda, em Portugal houve três reexibições. Com quatro anos de carreira, em 1968, desfrutei de um primeiro protagonismo na novela “Os Amores de Bob”, na TV Tupi. Aí, quando cheguei na Globo, onde estou há 44 anos, a minha história ganhou outra velocidade.

FOTO GLOBO | lado dos atores Flávio Silvino e Júlia Feldens, em “Laços de Família”.

 

Esses dias, encontrei no Instagram um perfil seu que se dizia oficial.

Não sou eu. Nunca criei um perfil. É muito pouco provável que eu tenha algo em rede social. O Ary Fontoura e o Antônio Fagundes entraram recentemente no Instagram. Mas não combina com o meu perfil. Não procuro saber nem da vida dos outros. Imagina eu ficar fotografando o meu dia a dia, isso e aquilo. Não é a minha praia.

 

Qual seria a sua praia, uma grande mania, por exemplo?

Fazer o café da manhã. As pessoas que chegavam para trabalhar na minha casa sempre se surpreendiam. Porque, às 6h30, a mesa estava posta. Sempre gostei dessa rotina. O café tem de ser mediano, ter uma certa harmonia e equilíbrio. E a água não pode estar fervendo, borbulhando.

 

Seus pais se separaram quando você era muito pequeno. E acabou sendo criado, principalmente, pela sua mãe e pela sua avó. O que mais lhe marcou nessa fase?

Sim, a vida se descortinou para mim graças às ações da minha querida avó materna, dona Maria as Dores, Dodô, e da dona Maria Antônia, a minha mãe, que está lúcida, discutindo política. Eu era muito criancinha, tinha 3 anos, quando ela se separou de meu pai. Era um tempo, isso foi em 1951, em que desquite era visto como um palavrão. Quando chegou na hora certa, lá pelos meus 13 anos, a vovó Dodô quem me disse que sexo não é pecado, argumentando que era algo normal. Ela quem veio falar comigo sobre o assunto. Pecado seria matar, roubar e não perdoar. E dizia que eu deveria saber me proteger, como fazê-lo e pedia para um tio vir conversar comigo sobre o assunto. Essa era a minha avó e Deus, com certeza, deu a ela um lugar tranquilo.

 

Como era a batalha da sua mãe para sustentar todos em casa?

Lá atrás, a minha mãe, que hoje está com 91 anos, era uma professora primária que lecionava em três turnos. E, em um deles, de forma voluntária para adultos analfabetos, à noite. Narrando aqui a história de força dela e da vovó Dodô, por si só eu exemplifico e explico o meu respeito pelas mulheres e o tanto que elas foram importantes na minha vida. E a partir do meu casamento… Bom, eu sou casado há 51 anos. Não são 51 meses! Nesses 51 anos, essa companheira chamada Lidiane é definitiva na minha vida do ponto de vista do que é uma estrutura familiar, de força em momentos alegres e tristes.

FOTO GLOBO | RENATO ROCHA MIRANDA | O ator com Christiane Torloni, em “Mulheres Apaixonadas”

 

E o que mais o emocionou ultimamente?

Me emocionei com as homenagens feitas pelo Jornal Nacional aos cidadãos mortos pela Covid-19. Para o Fantástico, eu li três cartas de familiares que escreveram ao programa relatando a perda de seus entes queridos. Eu gravava os depoimentos da minha casa, mas tive de refazê-los várias vezes porque eu ficava muito emocionado. O meu filho (Rodrigo) é cirurgião cardiovascular. Sei bem, então, como é a vida desses profissionais. Me toca profundamente também lembrar que, até o primeiro domingo de setembro, 244 médicos morreram da Covid-19.

 

Como podemos ficar melhores com o passar dos anos, como o vinho que você tanto ama?

Olha, eu sei a idade que tenho e é o que importa. Amigos dizem: “Você tem cabelo branco, mas não tanto pela sua idade”. Estou bem e me cuido para estar assim sem seguir receitas. Como carne, massa, arroz, feijão, engordo, emagreço e tomo cuidado para não ficar barrigudo demais. Agora, filosoficamente falando, é possível não transparecer no rosto uma pessoa amargurada, quando se respeita a própria vida e a do próximo, a natureza e saber que acordar é uma dádiva. Muitos poderão achar que sou ateu. Como não sou, digo com sinceridade que a iluminação que eu tenho pela vida está frente à natureza, ao acordar. A vida não é fácil. Cada um tem de descobrir dentro de si onde mora o campo de agradecimento por estar vivo. E, a partir daí, trabalhar suas dores e alegrias.

E a sua adega de vinhos, vai bem?

Agora, muito comportada. Desde fevereiro, não recebo mais ninguém em casa, para jantares ou qualquer outro encontro. Eu e Lidiane tomamos um tinto de vez em quando. Não estamos bebendo cotidianamente, mas nos finais de semana. Eu sigo preferindo os tintos. Gosto muito dos toscanos, como um Brunello, para comidas mais fortes. Também recorro a um Bordot para acompanhar uma carne muito específica. Prefiro os Bourgogne mais ligeiros (para pratos mais ligeiros) e os alentejanos também têm o seu lugar cativo. Aos domingos, em casa, se vou almoçar às 14h, abro a garrafa às 13h20, deixo ela respirando enquanto faço outra coisa ou antes do banho. E só depois aprecio o vinho.

 

FOTO GLOBO | JOÃO MIGUEL JUNIOR | Tony Ramos como Téo, também em “Mulheres Apaixonadas”

Documentário “Narciso em Férias” vai ao Festival de Veneza neste mês

Documentário “Narciso em Férias” vai ao Festival de Veneza neste mês

O DOCUMENTÁRIO “NARCISO EM FÉRIAS”, sobre a prisão de Caetano Veloso, durante a ditadura militar, foi selecionado para o 77.º Festival de Veneza, para a seção oficial Out of Competition. Escrito e dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, o filme é produzido por Paula Lavigne e João Moreira Salles.

O Festival de Veneza acontece entre os dias 2 e 12 de setembro e é o primeiro a ser realizado depois do novo coronavírus, com uma programação reduzida. “É bonito ver como a cultura resiste a pandemias, guerras, ditaduras. Realizar, nessas condições, um festival importante como o de Veneza é a afirmação de que o cinema é fundamental para enfrentarmos tudo isso”, afirma Renato Terra. Para o diretor, os filmes do festival ganham também significado de resistência e de recomeço.

Ricardo Terra, um dos diretores do documentário produzido por Paula Lavigne e João Moreira Salles (Foto: Bruno Santos -Folhapress)

Em “Narciso em Férias”, Caetano Veloso relembra sua prisão, quando ele e Gilberto Gil foram retirados de suas casas em São Paulo por agentes à paisana no dia 27 de dezembro de 1968, e levados para uma prisão no Rio de Janeiro. “As pessoas simplesmente sumiam. É a radicalização brutal de um processo de divisão do país que alimentou o ódio e o medo. Nós não chegamos nessa radicalização. Mas os elementos de ódio e de medo, que deram início a esse processo, estão por aqui hoje”, ressalta.

O formato do documentário não é óbvio e evidencia toda a maneira de se expressar do cantor e compositor: os olhares, as pausas, gestos, silêncios, as frases longas. Não há outros depoimentos e imagens de arquivo. “Pensamos muito na forma de contar essa história. E o documentário brasileiro tem contribuído para expandir esses limites do gênero. Adoraria que o filme também trouxesse a discussão sobre as possibilidades do documentário e espero que o debate brasileiro não fique pautado pelo ódio”.

O longa chega à plataforma de streaming Globoplay no dia 7 de setembro.

 

 

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Gastronomia

Felicidade que cabe numa marmitinha

Chef Giovanna Grossi, do restaurante Animus, embala em marmitinhas suas receitas reconfortantes e elaboradas com ingredientes da melhor qualidade

 

 

O Animus é o primeiro restaurante da chef Giovanna Grossi, principal nome do Bocuse D’Or no Brasil. Lá, ela prepara receitas de inspiração artística, com ingredientes em seu ápice, rigor técnico e apresentação caprichada. Agora nesses tempos de delivery, oferece marmitinhas com receitas comfort e algumas de suas criações. Tem picadinho de fraldinha, arroz, farofa de banana, couve e ovo confitado (R$ 25), moqueca de peixe e camarão com arroz, farofa de banana e tomate confitado (R$ 29), cordeiro com arroz cremoso de cogumelos, farofinha de bacon, coalhada artesanal e picles de cogumelos (R$ 27) ou ainda polvo e camarão em molho de laranja, com purê de batata doce picante assada e farofinha de bacon (R$ 35). Para os veggies, tem quinoa cremosa com caponata de berinjela, coalhada da casa e picles de cebola (R$ 22). Na seção dos parmegianas, tem bife de alcatra (R$ 24), filé de frango (R$ 20), berinjela (R$ 18) e camarão (R$ 26) – todos acompanhados de arroz com chips de batata. Rua Vupabussu, 347, Pinheiros, São Paulo, Pedidos pelo WhatsApp 98181-5270 ou pelo aplicativo Goomer.

 

Cinema

Crimes em série na serra e na telona
Thriller “Macabro”, sobre os assassinatos atribuídos a dois irmãos de Nova Friburgo nos anos 90, faz sua estreia no Brasil no autocine do Belas Artes, no Memorial.

Além de exibir clássicos da cinematografia mundial, como “Apocalypse Now”, “2001 – Uma Odisseia no Espaço” e “Cinema Paradiso”, o Belas-Artes Drive-In também está apresentando lançamentos nacionais. Exemplo disso é o thriller “Macabro”, dirigido por Marcos Prado e premiado nas mais recentes edições do Brooklyn Film Festival, em Nova York, e do Festival de Austin, no Texas. A trama do longa é inspirada na história real de Ibrahim e Henrique de Oliveira, os “Irmãos Necrófilos”, que nos anos 90 foram acusados de brutais assassinatos de oito mulheres, um homem e uma criança, na Serra dos Órgãos, em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. O filme mostra o sargento Teo (Renato Góes) em sua busca pelos suspeitos até capturá-los, em meio a uma comunidade de imigrantes suíços, extremamente religiosa e conservadora, com histórico de abuso racial e violência. Confira os horários em www.cinebelasartes.com.br. Rua Tagipuru, s/nº, Memorial da América Latina (entrada pelo portão 2), São Paulo → Ingressos em www.sympla.com.br a R$ 65 para cada carro com até 4 pessoas.

 

Lanches

Onde o porco é cultuado como merece

Rede Porks inaugura na Augusta mais uma unidade de seus bares dedicados aos chopes artesanais e petiscos à base de carne suína

 

O Baixo Augusta acaba de ganhar mais uma filial da rede curitibana Porks, especializada em petiscos elaborados com carne suína e chopes artesanais. As 11 unidades da rede comercializam mensalmente 10 toneladas de carne suína, em sandubas, beliscos como as pururuquinhas Porkspoca, o Bei com Melado (tiras de bacon crocante cobertas por melado de cana) e o Torresmo de Tira. Entre os sanduíches do cardápio da casa, destaque para o Porks Bacon Burger (R$ 12, com burger de costelinha de porco, creme de cheddar e tiras de bacon crocante) e o Pernil Municipal (R$ 12, com pernil marinado por 12h e coberto com mozzarella e cheiro verde). Já nas novidades, vale citar o Pork Burrito (R$ 16), feito com tortilha macia recheada com pernil desfiado, queijo cheddar, sour cream, cebola caramelizada e chips de batata. Para essas gostosuras descerem ainda mais fácil, a Porks oferece uma grande variedade de chopes artesanais, com preços a partir de R$8. Sem garçons e serviço informal, a casa trabalha também com delivery. Rua Augusta, 1.292, Consolação, São Paulo. Pedidos para delivery pelo app Rappi.

 

Bar

Bons drinques em chinfrosas garrafinhas

Saudades de um birinaite, né, minha filha? Tudo bem, agora a alta coquetelaria do bar Negroni está disponível para delivery, assim como suas ótimas pizzas napolitanas!

 

O bar Negroni está oferecendo para entrega suas deliciosas pizzas napolitanas e, para acompanhar, vinhos e também alguns dos drinques de sua carta de bebidas. Entre os coquetéis engarrafados, destaque para o Negroni (gim, bitter italiano e vermute tinto), para o Rooibos (gim com infusão de rooibos sul-africano, bitter italiano e vermute tinto), Di Casa (gim, bitter italiano, vermute tinto e amaro) e o Caramel (gim com infusão de caramelo, bitter italiano e vermute tinto). Cada um deles é vendido em garrafinhas de 180 ml (suficiente para duas doses) e custa R$ 68. Já entre as cinco opções de pizzas do menu, os grandes hits são a Napolitana (de mozzarella com parmesão, tomate caqui, orégano fresco e azeitonas pretas, R$ 34), a de Abobrinha Italiana (com queijo de cabra, parmesão, limão siciliano e manjericão, R$ 41) e a de Presunto Cru (presunto cru, brie, parmesão, alecrim, radicchio e limão siciliano, R$ 47). Rua Padre Carvalho, 30, Pinheiros, São Paulo. De terça a domingo das 18h às 23h. Take away pelo telefone 2337-4855 e delivery pelo app iFood.

 

 

Comidinhas

Seu novo hambúrguer favorito

Ko Burger serve suculentos sandubas preparados com a saborosa e valiosa carne de gado bovino da raça wagyu

 

A KoBurger é uma hamburgueria que tem como diferencial só trabalhar com burgers de kobe beef de excelente procedência. Ainda assim, consegue cobrar preços absolutamente razoáveis – partindo de R$ 16. Isso só é possível porque um dos sócios, Henry Nakaya, é criador de gado wagyu. Ele comanda o negócio juntamente com os empresários Gustavo Quattrone e Eduardo Cocco. As receitas da lanchonete foram desenvolvidas pelo chef Thiago Gil, que ensinou a equipe a produzir no local todos os molhos e condimentos usados na preparação dos lanches. No cardápio, a estrela é o Chef´s KoBurger (burger 100% Kobe, maionese da casa, cebola caramelizada, queijo prato, alface, cebola roxa, bacon crocante e molho barbecue no brioche – R$ 25). Já o Japanese Burger é feito com burger 100% Kobe, maionese de wasabi, picles de pepino, queijo prato, shimeji no saquê, alface e molho oriental no pão australiano (R$ 26). Quem prefere algo mais básico deve pedir o KoBurger (burger 100% Kobe no pão de brioche – R$ 16). De sobremesa, ataque o brownie de Oreo ou o de Nutella (R$ 12). Para delivery, os pedidos devem ser feitos exclusivamente pelo app iFood. Rua Padre Garcia Velho, 83, Pinheiros, São Paulo, tel. 95203-6023.

 

Sobremesa

Pudins para adoçar o confinamento

Chef Morena Leite lança pudins tentadores e em vários sabores, exclusivos para o delivery de seu restaurante, o Capim Santo.

 

O restaurante Capim Santo, com um eficiente serviço de delivery de pratos quentes criados pela chef Morena Leite (como as moquecas e as tapiocas), agora investe também na entrega de pudins inteiros, em diferentes sabores, para serem compartilhados. Eles são oferecidos em quatro opções: tradicional (de leite), de chocolate, de doce de leite e de castanha do Pará. Cada um custa R$ 59 e serve, em média, 6 pessoas. Os doces são entregues em embalagens especiais, na própria forma em que são assados, para garantir a integridade do produto e preservar seu visual. Após receber, basta desenformar e servir. Os pedidos devem ser feitos com antecedência de pelo menos 1 dia.
Avenida Brig. Faria Lima, 2.705 (Museu da Casa Brasileira), Jardim Europa, São Paulo. Pedidos pelos tels. 3816-0745 e 98189-0082 ou pelos aplicativos iFood, Rappi e Uber Eats.

 

 

 

Artes Plásticas

Exposição sem sair do carro

Na cidade onde o automóvel é o melhor amigo do homem, galerista promove mostra de pinturas para ser observada sem que seja necessário sair do veículo

A DriveThru.Art é uma exposição de arte em formato drive thru que reúne obras de 18 artistas de diferentes gerações, técnicas e pesquisas no galpão da Arca, na Vila Leopoldina. O espaço, com mais de oito mil metros quadrados, recebe até o dia 9 o projeto idealizado pelo galerista Luis Maluf juntamente com Mauricio Soares e Mário Sérgio Albuquerque. A visitação deve ser feita a bordo do seu carro, por conta do distanciamento  social imposto pelo atual cenário da pandemia. Com hora marcada, os automóveis percorrem um circuito criado por entre obras de artistas que trabalham em torno de questões contemporâneas, como a representatividade das mulheres negras e a urgência da preservação do meio ambiente. São pinturas, vídeos e fotografias de Acidum Project, Apolo Torres, Crânio, Criola, Edu Cardoso, Felipe Morozini, Gian Luca Ewbank, Hanna Lucatelli, Juneco Marcos, Luiz Escañuela, Nathalie Edenburg, Patrick Rigon, Raquel Brust, Ruas do Bem, Thasya Barbosa, Vermelho Steam, Vinicius Meio e Vinicius Parisi. “Em comum, eles apresentam pesquisas conectadas ao espírito do nosso tempo”, explica Maluf . Avenida Manuel Bandeira, 360, Vila Leopoldina, São Paulo, até o dia 9 de agosto, das 13h às 21h. www.drivethru.art

PF com grife

Batista vivencia seus dias de Chef

Com menu enxuto de receitas caseirinhas e muito bem executadas, o braço direito de Claude Troisgros trabalha com cinco opções disponíveis exclusivamente para delivery.

 

Enquanto o chef Claude Troisgros não inaugura seu pied-à-terre paulistano, o espaço onde em breve vai funcionar o restaurante Chez Claude vem servindo para que o cozinheiro paraibano Batista, seu braço direito há 38 anos, mostre seus talentos. No cardápio do DoBatista, que só trabalha em sistema de delivery com pedidos pelo aplicativo iFood, dá para escolher entre feijoada, galinhada com angu, picadinho e estrogonofe, tudo muito bem temperadinho e embalado em práticas caixas de papelão impermeável. A comida é deliciosa, feita com sabor e com alma, em porções que saciam e não empapuçam, perfeitas para o almoço ou para o jantar. A quinta
opção do cardápio é o penne do Claude, com tirinhas de filé mignon. O preço camarada é o mesmo para qualquer uma dessas alternativas: R$ 38. Ah, e não deixe de experimentar uma sobremesa que certamente vai entrar na sua lista de prediletas: os dadinhos de tapioca polvilhados com açúcar e canela e prontos para serem mergulhados em doce de leite cremoso. Hummm…Rua Prof. Tamandaré Toledo, 25, Itaim, São Paulo, tel. 3071-4228. Pedidos pelo aplicativo iFood.