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Quatro lançamentos dos streamings para curtir em setembro!

Quatro lançamentos dos streamings para curtir em setembro!

Programação das plataformas de streamings inclui novas temporadas de “Modern Love” e de “La Casa de Papel”, documentário sobre a ambientalista teen Greta Thunberg e filme com Meryl Streep ‘tretando’ com suas coleguinhas.

 

"La Casa de Papel" - Foto: Divulgação

“La Casa de Papel” – Foto: Divulgação

 

“LA CASA DE PAPEL”
Netflix

A série espanhola sobre um grupo que assalta a Casa da Moeda e o Banco Central, em Madri, está chegando ao seu final. Mas esta 5ª e última temporada será dividida em duas partes, cada uma com cinco episódios: o volume 1 (disponível a partir do dia 3 deste mês) e o volume 2, com estreia programada para dezembro. Neste ‘gran finale’, os integrantes de La Banda são colocados em situações extremas. Aquilo que começou “apenas” como um assalto está prestes a se transformar em uma verdadeira guerra!

 

Greta Thunberg em "Meu nome é Greta" - Foto: Divulgação

Greta Thunberg em “Meu nome é Greta” – Foto: Divulgação

 

“MEU NOME É GRETA”
Disney+

Ativista ambiental, a adolescente sueca Greta Thunberg é uma das mais poderosas e respeitadas vozes do planeta nos encontros internacionais que discutem a emergência climática. A garota protesta pelo direito de viver em um mundo habitável no futuro e cobra providências de grandes – e velhas – lideranças políticas falando de igual para igual com elas. O documentário, realizado pela National Geographic, mostra também como ela convive com a Síndrome de Asperger e como lida com as manifestações de ódio – que incluem xingamentos e até ameaças de morte.

 

Meryl Streep em "Let Them Talk" - Foto: Divulgação

Meryl Streep em “Let Them Talk” – Foto: Divulgação

 

“LET THEM ALL TALK”
HBO Max

Dirigido por Steven Soderbergh, este filme acompanha a famosa romancista Alice Hughes (Meryl Streep) e suas duas amigas mais antigas, Roberta (Candice Bergen) e Susan (Dianne Wiest), em uma viagem a bordo de um transatlântico para a Inglaterra, onde a escritora vai receber um prêmio literário. As amigas tentam restaurar o vínculo que as uniu nos tempos de faculdade, relembrando velhas queixas naquele estilo ‘morde e assopra’. O texto é muito bom, e as três veteranas atrizes mostram que ainda estão no auge de sua forma, com interpretações afiadas e magistrais.

 

"Modern Love" - Foto: Divulgação

“Modern Love” – Foto: Divulgação

 

“MODERN LOVE”
Amazon Prime Video

A plataforma estreou a 2ª temporada da série “Modern Love”, inspirada nas histórias publicadas em uma coluna de crônicas do jornal “The New York Times”. Cada episódio conta uma história, com elenco e locação diferentes. O segmento mais comentado dessa nova “safra” nos streamings traz Kit Harington (o John Snow de “Game of Thrones”) e Lucy Boynton (a Mary de “Bohemian Rhapsody”). Eles se conhecem em um trem na Inglaterra, se apaixonam instantaneamente e, na hora da despedida, não se beijam: apenas roçam os cotovelos, como estipula a etiqueta nesses tempos de coronavírus.

Letícia Colin encara personagens mais sensíveis no streaming e no cinema

Letícia Colin encara personagens mais sensíveis no streaming e no cinema

Vivenciando um momento de criação intensa em sua carreira, a atriz Letícia Colin mergulha sem medo nas próprias vulnerabilidades e encara personagens sensíveis no streaming e no cinema.

Letícia fica à vontade para falar sobre tudo. A respeito de assuntos ainda tabus ou sobre o que precisa ser gritado e escancarado. E também para dar voz a uma personagem nova, com questões que não são só dela. Mas engana-se quem pensa que a fala é o único ou mais importante recurso de uma atriz e de um ator. A escuta é essencial, por meio dela a sensibilidade entra, chega às extremidades do corpo, à mente e ao coração. Um trabalho que se assemelha ao de um terapeuta ou cientista, de verdadeira pesquisa humana com afeto. “É revolucionário enxergar um personagem assim, como olhar para um paciente”, diz.
A saúde mental é tema, inclusive, das mais recentes produções que a atriz protagoniza. No papel da estilista Manu, em “Sessão de Terapia”, no GloboPlay, Letícia interpreta uma mulher que está se tornando mãe, com as dores e delícias desse caminho. Na mesma plataforma de streaming, em “Onde Está Meu Coração”, a atriz, nascida em Santo André, vive Amanda, médica e dependente química, personagem que é a grande heroína da carreira de Letícia.

 

Foto Letícia Colin – Foto Sherolin Santos

 

Com 20 anos de carreira, a atriz também encarnou outros personagens marcantes na TV, como a princesa Leopoldina na novela “Novo Mundo”, a baiana Rosa de “Segundo Sol” e a Marylin, de “Cine Holliúdy”, todos na Globo. Também cantora, brilhou em musicais como “O Grande Circo Místico” e “Hair”. A seguir, os principais trechos da conversa com a reportagem da 29HORAS.

Suas mais recentes personagens, a Amanda de “Onde Está Meu Coração” e a Manuela de “Sessão de Terapia”, são atravessadas pela depressão e pela dependência química, que as paralisam e as desconectam das relações. Como a saúde mental se relaciona com o seu trabalho?
O sofrimento psíquico é um sofrimento na carne. Tendemos a separar a mente do corpo, mas na verdade somos um só ser. Se acolhemos as nossas dores emocionais, que são comuns, democraticamente de todos nós, isso nos convoca para outro nível de diálogo. Quando olhamos para essas personagens com respeito e amor, alteramos nosso ambiente. É como diria Nise da Silveira (psiquiatra e pioneira na terapia ocupacional) – que é uma das minhas mentoras artísticas, não separo arte da vida – somos seres criativos e políticos. Falando sobre saúde mental, ela valorizou a singularidade do outro. Com seu sofrimento, teve um olhar de dedicação e muita escuta. É revolucionário olhar para um personagem assim, como olhar um paciente. Artistas e cientistas têm muito em comum, é sobre praticar a pesquisa humana com afeto. A doença expressa algo, a dor tem um imenso aprendizado e é uma manifestação da alma. Acho que as pessoas gostam dessas duas séries por isso se interessam e acompanham. Eu sempre me investiguei desde pequena e sou atriz desde muito nova. Ter o teatro e a poesia na minha vida são possibilidades de dar conta do que sinto, é abraçar o desamparo, que também é meu lugar de criação.

 

Foto TV Globo – Foto João Miguel Jr.

 

Como o público recebe essas temáticas hoje, em meio à pandemia?
Vivemos um abismo como nação, enfrentamos um vírus mortal, é muito violento para nossos corpos e nossa alma. Somos verdadeiramente torturados pelo governo federal. Precisaríamos ter uma sensação de segurança e não temos. É um momento coletivo de muita dor. “Sessão de Terapia” traz uma diversidade incrível de sofrimento, são diferentes personagens que representam camadas da população brasileira, e mostra histórias de superação dessas dores. Quando vemos esses arquétipos no divã do analista Caio (personagem de Selton Mello), nos emocionamos e nos curamos também. É um estímulo para cada um buscar ajuda, nunca se procurou tanto por terapia. O audiovisual encoraja as pessoas a falarem sobre si. O trabalho do ator é pela palavra e eu acredito muito na cura pela linguagem. Na pandemia, o brilho desses dois trabalhos é mostrar o sofrimento de forma muito humana, mostrando exemplos sem moralismos, com profundidade e cheios de facetas.

 

Foto TV Globo Divulgação

 

A Manuela é uma estilista, que acaba de se tornar mãe, e você também é mãe. Como foi o processo de imersão para viver essa personagem? Em que ela mais te tocou?
“Sessão de Terapia” é uma série feita por muitas mulheres, a roteirista Jaqueline Vargas, a autora Ana Reber, a assistente de direção Vera Haddad, a figurinista Tica Bertani, então todas nós colocamos um pouco de nossas histórias na produção. Todas tínhamos um carinho especial pela Manu. Há um aspecto muito dolorido em tornar-se mãe, e é importante falar. Existem muitas mentiras sobre a maternidade. Nós nos questionamos sim, temos medo dessa tarefa de ser mãe. E parte importante também dessa personagem foi o figurino, que sempre conta uma história. A Manu é uma estilista que faz roupas para durarem mais tempo, que pensa sobre peças e suas texturas e cores, um jeito próprio de olhar o mundo. E agora ela tenta vestir essa roupa de ser mãe, acho que costuramos muito bem tudo isso.

A depressão pós-parto, apesar de afetar muitas mulheres, não costumava ser tema de discussões até pouco tempo. O que mudou?
Nós começamos a falar e percebemos que não estamos sozinhas. Sem medo de nos mostrar vulneráveis e mergulhar nisso. É a partir do momento que sentimos a vulnerabilidade que criamos e encontramos soluções. A internet ajudou muito na união e no compartilhamento de relatos de diferentes mulheres. Antes, o audiovisual se restringia às narrativas de quem estava sob os holofotes, mas nos últimos tempos houve uma democratização do palco. Todos nós colocamos nossas questões para o mundo e para fora. Quando só os homens estavam no protagonismo, o tema não aparecia. As mulheres começaram a falar mais, isso é o feminismo, que avança.

Não sei se é porque sou paulistana, mas gostei muito de “Onde Está Meu Coração” também pela ambientação. O que você mais gosta em São Paulo? A nossa revista está na ponte-Aérea, qual é a sua relação com o Rio de Janeiro?
Gosto muito de São Paulo e tenho muita saudade. A vida faz com que a gente se desloque, e é bom isso, poder ir e vir. Essa, inclusive, é uma das maiores dores da pandemia. Tenho vontade de voltar a morar na cidade. Na série, São Paulo é uma verdadeira personagem, onde tudo é possível, mas também o lugar que te engole, de frustrações. A cidade mimetiza a Amanda, ela se perde, quase se torna invisível na imensidão urbana. Onde estão as pessoas que sofrem? Nasci em Santo André, e vivi por lá até meus 8 anos, torço para que a região tenha mais projetos de arte e fomento à cultura, tenho orgulho da cidade, ela me constitui. Hoje vivo no Rio de Janeiro, uma cidade bonita, mas que vive um momento difícil com a contaminação das milícias na política.

Ainda sobre a série, surpreende que Amanda é uma médica que acaba se viciando em crack. A dependência química atravessa todas as classes sociais, mas por que falamos pouco sobre isso?
Esse estigma é real. Quando a série coloca em primeiro plano uma protagonista que é médica, branca, rica, mas está no fundo do poço, isso causa uma inversão na cabeça das pessoas. Como essa menina chegou até ali? A resposta é simples: as drogas e a dependência química são questões de saúde, de médico, terapeutas, e não de polícia. Acontece em qualquer lugar e o tempo todo. Tem a ver com o ser humano. Temos que tratar com respeito e paciência todos de maneira igual. É sobre isso que o Estado deveria se interessar.

Como foi interpretar Amanda? Em que a personagem te mudou?
A Amanda é alguém muito próximo de cada um de nós. Cada um tem um amor, um amigo, que está em alguma fase do tratamento de uma dependência química. É muito lindo ver como as rodas de partilha, os acompanhamentos terapêuticos, funcionam e são curativos. É o poder de ouvir cada experiência humana. A Amanda é uma personagem que tem muita coragem, que recomeça muitas vezes. Ela consegue se tratar e lidar com a sua vulnerabilidade. Diante de tudo isso, insiste na vida, no seu trabalho. Para mim, ela é a grande heroína da minha carreira, os personagens ficam como amigos e conhecidos, sou muito fã da Amanda.

Voltando um pouquinho no tempo, me fale de um papel seu bastante marcante na TV, que foi a princesa Leopoldina da novela “Novo Mundo”. É diferente encarnar um personagem histórico?
Se o ponto de partida é o texto, a construção do passado, presente e futuro de um personagem acaba sempre sendo histórico, por mais que ficcional. No caso da Leopoldina, há muito material sobre ela, muitas cartas, pinturas e muitos livros. É incrível, porque foi uma mulher muito importante, mas que eu conhecia pouco. Foi muito interessante, para mim, ler as cartas que ela escrevia para a irmã, ler sobre a saudade que ela sentia da Áustria, essa distância toda que ela viveu. Passei a ter muita admiração pela figura dela, era uma amante das Artes e da Ciência, Leopoldina patrocinou a vinda de cientistas para o Brasil, foi uma das primeiras vezes que isso aconteceu na história do país. Apesar de ser uma princesa, ela tinha um coração feminista, e isso me encanta. Leopoldina deixou um legado de protagonismo. Foi bonito contar essa história.

Você terminou recentemente as gravações do longa “A Porta ao Lado”, da diretora Julia Rezende. O filme aborda diferentes acordos nas relações românticas, os conflitos desses modelos…Estamos em um momento de ruptura das relações como conhecemos?
Trabalhei com a Julia no filme “Ponte Aérea”, e é bacana falar disso justamente numa entrevista para a revista que é distribuída nesses aeroportos. Foi mais uma vez uma experiência linda, um set de muita amizade. É bom trabalhar em um espaço assim, me sinto acolhida. A Júlia é essa diretora! É muito belo sentir segurança para entrar em um personagem, é sempre um processo desafiador e até incômodo para nosso corpo. Também foi muito bom levantar um filme em plena pandemia, colocar o barco para navegar nessa travessia, com todos os cuidados e assistências. O filme é um pensamento sobre as tentativas de se relacionar no mundo contemporâneo. Como desenvolver uma relação duradoura e ter uma família? Os desejos são muitos diversos e o momento é de liberdade. Tudo é dinâmico e fluído, mas ao mesmo tempo precisamos de raiz e apego. São dois polos opostos, e o longa mergulha na tentativa desse equilíbrio.

Você teve covid-19. Como enfrentou a doença? Na sua opinião, como o Brasil está enfrentando o vírus? E como a arte está nessa trincheira?
Até hoje lido com a covid, tive sequelas e o que se chama “covid longa”. Ainda estou em tratamento e investigando as consequências em meu corpo. É um desafio para mim, mas estou me recuperando. O Estado brasileiro matou muita gente, pela insistência em medicamentos sem eficácia e por não ter acolhido as medidas corretas, então o governo federal carrega a responsabilidade dessas mortes todas. Perdemos muito! Vidas, histórias, almas, o Brasil perdeu um pouco a graça com esse descaso todo. Em alguns estados, os governadores conseguiram atuar, legislar sobre máscaras, mas poderíamos estar mais vacinados, tudo isso é uma grande ferida na nossa alma. A arte está resistindo, sobrevivendo. Temos a necessidade de nos manter próximos do pensamento crítico.

 

Streaming: Julho é o mês dos encontros e reencontros

Streaming: Julho é o mês dos encontros e reencontros

Plataformas de streaming exibem a chocante história de três irmãos dos EUA separados no berço, a reconexão de um fofo casal idoso, os momentos mais hilários da vida do saudoso Bussunda e a reunião dos astros de ‘Friends’.

 

Meu Amigo Bussunda - Foto: Divulgação

Meu Amigo Bussunda – Foto: Divulgação

 

“MEU AMIGO BUSSUNDA”

Globoplay

Cláudio Besserman Vianna foi uma das figuras mais engraçadas da TV. Nos anos 1990, com o humorístico “Casseta & Planeta: Urgente!”, ele fez imitações impagáveis de Ronaldo Fenômeno, Lula e Vera Fischer, e deu vida a tipos inesquecíveis como Marrentinho Carioca e Montanha. Nos cinemas, Bussunda dublou Shrek. Morreu em 2006, na Alemanha, durante a Copa do Mundo. Neste documentário dividido em quatro episódios no streaming Globoplay, a vida desse debochado artista é recontada por sua filha Júlia Vianna e pelo colega Cláudio Manoel – o Seu Creysson.

 

Manhãs de Setembro - Foto: Divulgação

Manhãs de Setembro – Foto: Divulgação

 

“MANHÃS DE SETEMBRO”

Amazon Prime

Esta série em cinco episódios no streaming da Amazon Prime é estrelada pela cantora Liniker e está disponível em centenas de países. A trama acompanha a jornada de uma mulher trans, Cassandra (Liniker), que trabalha como motogirl em São Paulo e, nas horas vagas, atua como cover de Vanusa, famosa cantora dos anos 1970. Mas um dia sua vida dá uma guinada: uma mulher com quem ela se envolveu no passado surge com Gersinho (Gustavo Coelho), dizendo que o garoto é filho de Cassandra.

 

Nós de Novo - Foto: Divulgação

Nós de Novo – Foto: Divulgação

 

“NÓS DE NOVO”

Disney+

Em uma noite mágica, um homem idoso rejuvenesce milagrosamente e sai pelas ruas de Nova York dançando com sua esposa, que também volta aos tempos da juventude. A alegria do movimento e do ritmo da música e da dança impulsiona o casal pela vibrante paisagem urbana, onde eles revivem boas lembranças do passado. Com apenas sete minutos, esta animação emociona e comove. Ela mostra que a paixão, a euforia e o entusiasmo típicos da mocidade podem ser eternos e resistir ao passar dos anos.

 

Friends: The Reunion - Foto: Divulgação

Friends: The Reunion – Foto: Divulgação

 

“FRIENDS: THE REUNION”

HBO Max

A plataforma do grupo Warner estreia no Brasil com um recheado portfólio, que inclui a aguardada reunião dos seis amigos que, por mais de uma década, foram líderes de audiência na TV norte-americana. Neste especial, Jennifer Aniston (Rachel), Courtney Cox (Monica), Lisa Kudrow (Phoebe), Matt LeBlanc (Joey), Matthew Perry (Chandler) e David Schwimmer (Ross) revivem alguns dos momentos mais marcantes desta sitcom que marcou a vida de muita gente.

 

Três Estranhos Idênticos - Foto: Divulgação

Três Estranhos Idênticos – Foto: Divulgação

 

“TRÊS ESTRANHOS IDÊNTICOS”

Netflix

Documentário premiado dirigido por Tim Wardle relata a saga de três adolescentes nova-iorquinos que, em 1980, se encontram por acaso na faculdade e descobrem que são trigêmeos separados no nascimento. Eles adoram a notícia, viram celebridades na mídia norte-americana mas, aos poucos, vão descobrindo a chocante verdade: desde pequenininhos, eles faziam parte de um experimento comportamental sem saber e foram separados propositalmente por psiquiatras desumanos.

Conhecido por interpretar personagens cômicos, Anderson Di Rizzi agora investe em papéis mais complexos

Conhecido por interpretar personagens cômicos, Anderson Di Rizzi agora investe em papéis mais complexos

Aos 42 anos, Anderson Di Rizzi já tem vários personagens marcados na memória de quem gosta de acompanhar as novelas da Globo – sempre em papéis leves e divertidos. Fora da TV, o ator vem investindo em trabalhos mais complexos e desafiadores. Antes da pandemia, iniciou um giro pelo país com a peça “Um Beijo para Kafka” – que narra um episódio curioso da vida do escritor tcheco – e atuou no filme “O Segundo Homem”, ambientado em um cenário distópico, em que o porte de armas é liberado no Brasil. Na produção, ele interpreta Miro, um pai de família que se une a uma legião estrangeira criada para controlar a desenfreada violência no país. Por causa da pandemia, a peça interrompeu sua turnê e o filme – que tem também Cléo Pires, Wolf Maya, Negra Li e Lucy Ramos no elenco – entrou na fase de finalização.

Enquanto isso, Di Rizzi se isolou no interior de São Paulo com a mulher (a professora Taise Galante) e os dois filhinhos pequenos: Helena e Matteo, de 3 e 1,5 anos, respectivamente. “Foi um período de introspecção, de aprendizado e de conexão com a minha família. Agora sinto que algo melhor está por chegar. Acredito que em 2021 vamos colher os frutos que plantamos em 2020, tudo vai ser diferente”, avalia. Assim seja!

Veja a seguir os principais trechos da entrevista que ele concedeu à reportagem da revista 29HORAS.

 

FOTO DESSA PIRES | STYLIST LILI GARCIA

 

Quais recordações você tem dos tempos em que morava em Campinas?
Morei na cidade até os 17 anos. Meus pais ainda vivem lá, assim como vários dos meus amigos. Até hoje eu ainda voto no mesmo colégio em que estudei. Fui dono de um salão de beleza no Jardim Guanabara. Sempre que visito a cidade, passo pelo Conjunto Bandeirantes e pelo Jardim Pacaembu, onde corria descalço, jogava bolinha de gude e empinava pipa. Minha infância foi uma fase bem feliz da minha vida. Tenho orgulho de ser campineiro.

 

Quando adolescente, você queria ser jogador de futebol e até passou pela Ponte Preta. Por que razão acabou abandonando o futebol?
Tenho um carinho especial pela Ponte Preta. Quando eu atuava nas categorias de base, jogava do meio para frente. Era um jogador de criação, mas também fazia muitos gols. Acabei me afastando do esporte por causa de um acidente de carro. Quebrei um dedo do pé e ele não cicatrizou do jeito certo. Durante anos, sentia dores, e isso acabou me desanimando.

 

Como foi a transição de jogador de futebol para ator?
Quando trabalhava em uma academia de musculação, me chamaram para trabalhar com promoção e entregar panfletos na rua. Nesse “bico”, conheci uma galera que também fazia figuração em comerciais de TV. Me juntei a eles, fiz vários jobs nessa área e tomei gosto por atuar. Como sou muito obstinado e determinado, mergulhei nesse mundo e comecei a estudar, fazer cursos, ler livros e assistir a todas as peças e filmes que podia. Depois fiz faculdade de Artes Dramáticas e, quando conquistei meu DRT (registro na Delegacia Regional do Trabalho para exercer a profissão), enfim me senti um ator de verdade. Foi uma caminhada dura. Tomei muito “não” na cara, pensei várias vezes em desistir, mas acabei indo até o fim.

 

Anderson Di Rizzi e Camila Queiroz na novela Êta Mundo Bom

Anderson Di Rizzi e a atriz Camila Queiroz na novela Êta Mundo Bom! – Foto divulgação

 

Quando revemos a sua trajetória, vêm automaticamente à nossa mente o Xavier de “Morde & Assopra”, o Palhaço de “Amor à Vida” e o Zé dos Porcos de “Êta Mundo Bom!”. Qual deles é o seu predileto?
Eu adoro todos, e gostaria de também incluir nessa lista de favoritos o professor Josué de “Gabriela”, o Juvenal de “O Outro Lado do Paraíso” e o Márcio de “A Dona do Pedaço”. Mas quem ocupa um lugar especial no meu coração é Sargento Xavier, de “Morde & Assopra”. Quando fiz o teste, o personagem nem tinha nome. A sinopse dele só tinha cinco palavras: “Um guarda medroso e atrapalhado”. Me inspirei no Mazzaropi na composição. Aí o personagem foi crescendo e acabou virando um dos principais da novela. O sucesso do Xavier abriu várias portas na minha carreira e fez com que o grande público me “descobrisse”.

 

Anderson Di Rizzi na novela Morde & Assopra com o ator Ary Fontoura

Anderson Di Rizzi na novela Morde & Assopra com o ator Ary Fontoura – Foto divulgação

 

Onde você “quarentemou”? O que foi mais difícil durante o isolamento? O que você tirou de positivo para a sua vida desse período tão peculiar?
Logo no começo da pandemia, me isolei com a minha família em Itu, onde tenho uma casa no meio do mato. Apesar de o coronavírus ter interrompido a temporada da minha peça abruptamente, eu não reclamo. Tento sempre extrair alguma coisa boa dessas situações. Depois de muito tempo viajando com a peça e gravando novelas em outras cidades, fiquei meses e meses com meus filhos e com Taise, a minha mulher. Foi legal demais acompanhar a Helena e o Matteo crescerem, perceber como eles evoluem, vê-los brincando na grama e na terra, tomando água pura direto da nascente, colhendo frutas no pé, plantando verduras na horta, interagindo com os animais, aprendendo a respeitar a natureza. Se dependesse da Helena, a gente nunca sairia de lá…
O isolamento para mim foi uma oportunidade para que eu pudesse olhar para dentro, pensar na vida, repensar paradigmas. E o distanciamento teve também reflexos positivos no meu corpo. Montei uma pequena academia em casa e tive bastante tempo para me exercitar e cuidar da parte física.

 

Quais são seus projetos para 2021?
Estou muito otimista para este ano. Acredito que vai ser diferente, cheio de coisas boas, bem melhor do que 2020. Assim que possível, vamos retomar a turnê do espetáculo “Um Beijo para Kakfa” e, no cinema, estarei em “Tô Ryca 2” (sem data de estreia) e em “O Segundo Homem”, dirigido por Thiago Luciano e ainda em fase de finalização.

 

Anderson Di Rizzi na peça "Um Beijo em Franz Kafka"

Anderson Di Rizzi na peça “Um Beijo em Franz Kafka” – Foto divulgação

 

Em “O Segundo Homem”, você interpreta um personagem que vive em um Brasil distópico onde as armas são liberadas – roteiro cada vez menos ficcional e mais realista! A seu ver, que perigos o armamento sem controle da população pode trazer à sociedade brasileira?
Tenho medo desse futuro no qual é possível comprar uma arma em um supermercado, pagar no caixa e sair por aí com ela na cintura. Tenho medo das pessoas destreinadas. Para mim, quem quiser ou precisar ter uma arma tem de, obrigatoriamente, passar por uma avaliação psicológica e ser treinado para aprender a manusear o equipamento de forma apropriada e segura. Essas são medidas razoáveis, necessárias e indispensáveis. É horrível o que acontece em alguns países que tem uma legislação frouxa no controle das armas, como os Estados Unidos. De tempos em tempos, um desajustado mata ou coloca em risco a vida de dezenas de inocentes. Não gostaria de ver essa mesma situação aqui no Brasil.

 

Anderson Di Rizzi no filme "O Segundo Homem"

Anderson Di Rizzi no filme “O Segundo Homem” – Foto divulgação

 

Na TV, você se notabilizou por papéis leves e bem-humorados, mas no teatro interpretou textos de Kafka e no cinema encarnou esse pistoleiro nada cômico. Em qual gênero você se sente mais à vontade?
Tenho um prazer enorme em fazer comédia. Foi muito divertido dar vida ao Palhaço, ao Sargento Xavier e ao Zé dos Porcos. Mas agora quero explorar outras facetas desse trabalho de interpretação. Quem for à minha peça ou assistir “O Segundo Homem” me verá de uma maneira diferente. Pretendo focar agora em papéis novos para mim. Adoraria aparecer na TV como um vilão psicopata ou como um personagem shakespeariano bem dramático. Não é só para mostrar para o público o que eu capaz, é para satisfazer uma necessidade que eu, como ator, trago dentro de mim.

 

Quais são os seus 5 atores prediletos? O que cada uma dessas feras tem que você tanto admira?
O Marlon Brando é o melhor de todos. Ele está sempre pronto para encarnar seu personagem. Não precisa de preparação nem de laboratório. O Daniel Day-Lewis é outro monstro. A entrega dele em cada papel é algo que me impressiona muito. Pena que fez poucos filmes e se aposentou precocemente. No Brasil, tenho paixão pela Fernanda Montenegro, pelo Selton Mello e pelo Wagner Moura. Ver a Fernandona em ação é uma aula, e tive a oportunidade de vivenciar isso em “O Outro Lado do Paraíso”. Cada palavra que sai da boca dela tem uma cor diferente, o repertório dela é infinito. Já o Selton e o Wagner, além de serem excelentes atores, muito versáteis, têm a minha admiração também por causa de suas posturas profissionais e pessoais, diante de questões éticas, humanas e políticas.

 

Por fim, qual é a primeira coisa que você vai fazer após tomar a vacina?
Quero ir a Campinas dar um abraço gostoso nos meus pais, com calma e sem medo. Não faço isso desde março de 2020! Em seguida, vou pegar a Taise, as crianças e fazer uma viagem bem bacana para fora do Brasil. Depois de ficar tanto tempo em confinamento, quero ir para bem longe!

 

Anderson Di Rizzi com seus filhos, Helena e Matteo

Anderson Di Rizzi com seus filhos, Helena e Matteo – Foto arquivo pessoal

 

A trajetória consagrada de Tony Ramos 

A trajetória consagrada de Tony Ramos 

Nas reprises de “Lanços de Família” e “Mulheres Apaixonadas”, o ator Tony Ramos segue em isolamento em sua casa de campo e começa trabalhos à distância 

FOTO GLOBO | ESTEVAM AVELLAR

 

Uma das grandes estreias de Tony Ramos se deu aos 19 anos. Na época, o jovem nascido Antonio de Carvalho Barbosa, na paranaense Arapongas, experimentou e se apaixonou pelo vinho nacional servido na casa da família italiana de sua esposa, Lidiane, no paulistano bairro da Vila Mariana. Hoje, Tony é um feliz proprietário de uma adega climatizada com 120 garrafas da melhor qualidade.

A meticulosidade do ator com sua bebida preferida – que aprecia somente depois de o vinho ter um momento de respiro – é a mesma que o acompanha por toda a carreira artística, uma extensa e consagrada trajetória. Aos 72 anos, o ator afirma, computa mais de 50 novelas, 30 peças e 30 filmes. “Sem falar de teleteatro e minissérie. Segundo a memória Globo, já interpretei 128 personagens”, completa ele, referindo-se ao Projeto Memória do Grupo Globo, que responde pela história da emissora carioca – onde ele dá expediente há 44 anos.

Tony, que começou leituras como preparação para a próxima novela de João Emanuel Carneiro com estreia prevista para o ano que vem, está no ar com dois folhetins em reprise: “Laços de Família”, no canal Viva, e “Mulheres Apaixonadas”, na Globo. Também escalado para viver, em 2023, o músico francano Correia do Lago em “O Selvagem da Ópera”, minissérie sobre o maestro Carlos Gomes, nascido em Campinas, o ator atendeu por telefone a Revista 29HORAS de sua casa de campo, na praia de Geribá, em Búzios.

 

Em tempos de pandemia, como tem sido os seus dias entre a sua residência, no Rio, e a casa de campo, em Búzios?

Ninguém sequer viu o meu rosto fora de casa durante a quarentena. Mantivemos o pessoal que trabalha com a gente – três pessoas na residência e duas, na casa de campo. Os funcionários só retornaram às suas funções, em um esquema de rodízio, no fim de julho. Fico na minha residência no Rio de Janeiro praticamente 90% do tempo. Quando vou para a casa de campo, a rotina segue a mesma. Tenho o meu computador com internet, acesso os e-mails. Como não tenho rede social, vivo da leitura de jornais que assino, dois de São Paulo e um do Rio, passeio com cachorro, caminho e faço exercícios. Agora, irão começar as reuniões em home office para discussões sobre a próxima novela do João Emanuel Carneiro que irei fazer. Ficarei, então, mais quieto ainda em casa.

 

FOTO GLOBO | ESTEVAM AVELLAR – Tony e Lidiane

 

Por outro lado, temos visto episódios que revelam um relaxamento do isolamento social mesmo sem uma vacina contra o vírus.

Quem me comanda é a ciência e não quem acha isso ou aquilo. O grande problema em pandemias é o achismo, que só causa desserviço. A vida é muito difícil sem a pandemia. Imagina com ela então. Eu sempre me protegi. Tem gente que se esqueceu de tomar vacina contra a poliomielite. Sabia disso? Outros não tomaram nem a BCG. Voltaram a tubercolose, o sarampo, por ignorância de quem pensa que a vacina é um aperitivo, uma brincadeira. Serei o primeiro a me candidatar a tomar a vacina contra o coronavírus, quando ela for aprovada.

 

Acredita em novo normal?

Não existe o novo normal. Normal é eu ser o que sempre fui. Trabalhador, preocupado com o próximo, com a minha família, pagador de impostos, atento ao que está à minha volta. Tenho lido na mesma medida os meus livros. Descobri o autor israelense Yuval Harari, que escreveu “21 Lições para o século 21” e “Homo Deus – Uma breve história do amanhã”. Comecei a ler o lindo livro “Escravidão” do Laurentino Gomes. Sigo assistindo a filmes, séries e novelas. A minha rotina não mudou. Sempre gostei de ficar dentro de casa. Novo é como eu me cuido frente ao vírus.

 

Qual dos cuidados novos é o mais valioso?

Vinte anos atrás, gravando a novela “Laços de Família”, no Japão, quantas vezes eu vi pelas ruas, no saguão do hotel onde ficávamos, japoneses usando máscara. E sabe o porquê? Porque estavam com gripe ou resfriado e não queriam contaminar outra pessoa. Achava aquela prática curiosa. Comentei com a minha esposa, que também me relatou ver muita gente de máscara nas estações do metrô. Eles se protegem. Mesmo quando a vacina se instalar, o uso da máscara será muito bem vinda. Eu estarei sempre com o meu kit de máscaras no carro, dentro de casa e na emissora para gravar. É simples, como andar para frente e para trás.

 

“Laços de Família”, novela iconográfica do Manoel Carlos, na qual você atuou, está de volta ao ar em Vale a Pena Ver de Novo. Qual foi o grande personagem que você viveu na carreira?

Certa vez, vi uma entrevista do Al Pacino na qual ele responde “me recuso a escolher com a idade que estou, com a carreira que tenho” a uma pergunta idêntica. É impossível eu escolher um personagem da minha vida. “Laços de Família” é uma novela iconográfica. Teve reexibições em todos os locais onde foi exibida: Itália, América Latina toda, em Portugal houve três reexibições. Com quatro anos de carreira, em 1968, desfrutei de um primeiro protagonismo na novela “Os Amores de Bob”, na TV Tupi. Aí, quando cheguei na Globo, onde estou há 44 anos, a minha história ganhou outra velocidade.

FOTO GLOBO | lado dos atores Flávio Silvino e Júlia Feldens, em “Laços de Família”.

 

Esses dias, encontrei no Instagram um perfil seu que se dizia oficial.

Não sou eu. Nunca criei um perfil. É muito pouco provável que eu tenha algo em rede social. O Ary Fontoura e o Antônio Fagundes entraram recentemente no Instagram. Mas não combina com o meu perfil. Não procuro saber nem da vida dos outros. Imagina eu ficar fotografando o meu dia a dia, isso e aquilo. Não é a minha praia.

 

Qual seria a sua praia, uma grande mania, por exemplo?

Fazer o café da manhã. As pessoas que chegavam para trabalhar na minha casa sempre se surpreendiam. Porque, às 6h30, a mesa estava posta. Sempre gostei dessa rotina. O café tem de ser mediano, ter uma certa harmonia e equilíbrio. E a água não pode estar fervendo, borbulhando.

 

Seus pais se separaram quando você era muito pequeno. E acabou sendo criado, principalmente, pela sua mãe e pela sua avó. O que mais lhe marcou nessa fase?

Sim, a vida se descortinou para mim graças às ações da minha querida avó materna, dona Maria as Dores, Dodô, e da dona Maria Antônia, a minha mãe, que está lúcida, discutindo política. Eu era muito criancinha, tinha 3 anos, quando ela se separou de meu pai. Era um tempo, isso foi em 1951, em que desquite era visto como um palavrão. Quando chegou na hora certa, lá pelos meus 13 anos, a vovó Dodô quem me disse que sexo não é pecado, argumentando que era algo normal. Ela quem veio falar comigo sobre o assunto. Pecado seria matar, roubar e não perdoar. E dizia que eu deveria saber me proteger, como fazê-lo e pedia para um tio vir conversar comigo sobre o assunto. Essa era a minha avó e Deus, com certeza, deu a ela um lugar tranquilo.

 

Como era a batalha da sua mãe para sustentar todos em casa?

Lá atrás, a minha mãe, que hoje está com 91 anos, era uma professora primária que lecionava em três turnos. E, em um deles, de forma voluntária para adultos analfabetos, à noite. Narrando aqui a história de força dela e da vovó Dodô, por si só eu exemplifico e explico o meu respeito pelas mulheres e o tanto que elas foram importantes na minha vida. E a partir do meu casamento… Bom, eu sou casado há 51 anos. Não são 51 meses! Nesses 51 anos, essa companheira chamada Lidiane é definitiva na minha vida do ponto de vista do que é uma estrutura familiar, de força em momentos alegres e tristes.

FOTO GLOBO | RENATO ROCHA MIRANDA | O ator com Christiane Torloni, em “Mulheres Apaixonadas”

 

E o que mais o emocionou ultimamente?

Me emocionei com as homenagens feitas pelo Jornal Nacional aos cidadãos mortos pela Covid-19. Para o Fantástico, eu li três cartas de familiares que escreveram ao programa relatando a perda de seus entes queridos. Eu gravava os depoimentos da minha casa, mas tive de refazê-los várias vezes porque eu ficava muito emocionado. O meu filho (Rodrigo) é cirurgião cardiovascular. Sei bem, então, como é a vida desses profissionais. Me toca profundamente também lembrar que, até o primeiro domingo de setembro, 244 médicos morreram da Covid-19.

 

Como podemos ficar melhores com o passar dos anos, como o vinho que você tanto ama?

Olha, eu sei a idade que tenho e é o que importa. Amigos dizem: “Você tem cabelo branco, mas não tanto pela sua idade”. Estou bem e me cuido para estar assim sem seguir receitas. Como carne, massa, arroz, feijão, engordo, emagreço e tomo cuidado para não ficar barrigudo demais. Agora, filosoficamente falando, é possível não transparecer no rosto uma pessoa amargurada, quando se respeita a própria vida e a do próximo, a natureza e saber que acordar é uma dádiva. Muitos poderão achar que sou ateu. Como não sou, digo com sinceridade que a iluminação que eu tenho pela vida está frente à natureza, ao acordar. A vida não é fácil. Cada um tem de descobrir dentro de si onde mora o campo de agradecimento por estar vivo. E, a partir daí, trabalhar suas dores e alegrias.

E a sua adega de vinhos, vai bem?

Agora, muito comportada. Desde fevereiro, não recebo mais ninguém em casa, para jantares ou qualquer outro encontro. Eu e Lidiane tomamos um tinto de vez em quando. Não estamos bebendo cotidianamente, mas nos finais de semana. Eu sigo preferindo os tintos. Gosto muito dos toscanos, como um Brunello, para comidas mais fortes. Também recorro a um Bordot para acompanhar uma carne muito específica. Prefiro os Bourgogne mais ligeiros (para pratos mais ligeiros) e os alentejanos também têm o seu lugar cativo. Aos domingos, em casa, se vou almoçar às 14h, abro a garrafa às 13h20, deixo ela respirando enquanto faço outra coisa ou antes do banho. E só depois aprecio o vinho.

 

FOTO GLOBO | JOÃO MIGUEL JUNIOR | Tony Ramos como Téo, também em “Mulheres Apaixonadas”