Mercado Kinjo Yamato, em frente ao Mercado Municipal de São Paulo, esconde boas surpresas

Mercado Kinjo Yamato, em frente ao Mercado Municipal de São Paulo, esconde boas surpresas

Ignorado pelo grande público, o Mercado Kinjo Yamato fica em frente ao Mercado Municipal de São Paulo e tem tudo para entrar no mapa dos caçadores de boas opções gastronômicas

O Mercado Municipal de São Paulo sempre foi lugar de visitação não apenas de turistas, mas também dos próprios paulistanos que durante décadas fizeram de lá uma parada quase obrigatória. O local ganhou fama pelos quiosques de petiscos, como bolinho de bacalhau, pastel e sanduíche de mortadela – que de tão apreciado virou símbolo do lugar. Acontece que os preços foram aumentando conforme o espaço ganhou visibilidade, até o ponto em que se encontra hoje – considerado caro e sinônimo de “pega turista”.

Mas o que pouca gente sabe é que logo à frente do Mercadão – atravessando a rua da Cantareira – encontra-se o Mercado Japonês, que foi criado para dar suporte à construção do Mercadão Municipal, inaugurado em 1933. O nome Mercado Kinjo Yamato foi dado em homenagem a um distinto imigrante japonês. Originalmente, era a céu aberto e onde os produtores vendiam as sobras das colheitas de frutas e hortaliças de maneira informal.

 

Mercado Kinjo Yamato, na rua da Cantareira – foto reprodução Facebook

 

Hoje, junto ao Mercadão, o Mercado Kinjo Yamato forma o complexo Cantareira. Nesse espaço, há diversas bancas de frutas, legumes, verduras e temperos em um ambiente mais simples que o “irmão rico”, porém muito mais barato e amigável. É possível encontrar ali a excelente peixaria Cibele, já bastante conhecida e que oferece peixes e frutos do mar frescos (e entrega em domicílio). Mas o que mais chama a atenção no Kinjo é a oferta culinária. É predominante a presença de bandeiras árabes apresentando kebabs, shawarmas, falafels e esfihas.

São seis ou sete boxes de comida árabe e muitos dos que frequentam o Kinjo falam em árabe entre si. Comi um excelente kebab no pão e uma deliciosa esfiha super fininha e crocante no tamanho de uma pizza brotinho. Isso mesmo, é cortada em oito pedaços como se fosse pizza, tanto é que a embalagem é a autêntica caixa redonda. Outra opção diferente é o Box 43, que serve comida chinesa rápida e onde o carro chefe é o guioza. Entre os sabores picantes, peça o Guioza Buta, de porco, shitake e molho picante, que é surpreendente! Outra pedida de sucesso é o hambúrguer chinês, feito no bao recheado com carne de porco.

Também o que me impressionou e me deu a certeza de que o caminho para um mercado gourmet, como o Mercado de Pinheiros, está se abrindo foi o restaurante que fica no Box 06. Foi no fim do ano passado que Luiz Campiglia – até então dono e chef do conhecido e respeitado restaurante Paribar, na praça Dom José Gaspar – resolveu montar o Comida de Mercado. Ele oferece um menu sazonal com ingredientes frescos a preços muito acessíveis, e você pode encontrar pratos como um peixe serra grelhado com molho de tomate e cuscuz ou uma garoupa com molho de alho poró e risoto de cogumelos com horenso (espinafre japonês) na manteiga. E não é preciso dizer que o peixe fresco vem da banca da Cibele, claro.

Vale a visita, aproveite!

Na Argentina, Mendoza é um destino que deve ser explorado em etapas

Na Argentina, Mendoza é um destino que deve ser explorado em etapas

A apenas 3 horas de voo de São Paulo, a cidade argentina de Mendoza é um destino que deve ser explorado aos poucos, preservando a tranquilidade e a calma que a beleza da Cordilheira impõe

Mendoza é um daqueles lugares que não devem ser visitados apenas uma vez e a minha sugestão é que a cada visita você passe de três a quatro noites, de preferência a contrafluxo, evitando a maior quantidade de turistas que costuma se concentrar aos finais de semana. A ideia é conhecer duas ou três bodegas por dia, o que pressupõe degustar vários rótulos e, após três dias nesse ritmo, é possível voltar para casa satisfeito.

A província abrange regiões produtoras distintas: Maipú, Valle de Uco e Luján de Cuyo. Você pode fazer as duas primeiras em um mesmo roteiro – que estão respectivamente a 30 km da capital –, mas deixe Luján de Cuyo, que se encontra em uma altitude superior (entre 1.000 e 1.200 metros), para uma única viagem, já que está a cerca de 80 km da cidade e o trajeto pode ser cansativo.

Saindo de Mendoza, esses três terroirs se encontram em direção ao Chile e, chegando na região de Luján de Cuyo, todas as rotas que saem da estrada principal em direção à Cordilheira dos Andes atravessam intermináveis plantações de uva, com um pano de fundo único. Adentrando essas vinhas, a imensidão coberta de neve aumenta, provocando um efeito hipnótico de tão imponente. Por lá, recomendo uma visita à Bodega Septima, que produz um dos melhores Malbec da região e que impressiona pela beleza da arquitetura de suas instalações. O lugar é de bom gosto e o rooftop oferece um verdadeiro camarote para as montanhas.

 

Mendoza – foto Georges Henri Foz

 

Vale dizer que os vinhedos são mais bonitos durante o verão, mas nessa época o calor castiga os amantes de um bom tinto e ainda mais de um Malbec. Podendo escolher, opte pelo inverno, que se estende até setembro e apresenta um visual interessante com maior cobertura de neve.

Outra parada obrigatória é na premiada Pulenta, conhecida pelo seu Cabernet Franc, variedade de uva que está em alta nos cardápios do mundo todo. Não muito longe, vale ainda passar umas horas na Bressia – bodega detentora de alguns rótulos de alta qualidade, como o Profundo e o premiadíssimo Conjuro – blend de Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot.

Também acho muito agradável parar em um lugar apenas por curiosidade. Foi assim que conheci um restaurante de fachada discreta, com uma placa que dizia “Bermelón, Cocina de Mercado e Casa de Vinos”. Ao entrar, é necessário passar por uma sala de estar e por uma pequena venda de vinhos, e assim se chega a um jardim que parece um verdadeiro oásis, com um bar, uma parrilla e poucas mesas espalhadas no bonito gramado (foto). Ali, degustando ossos com tutano e cortes simples de carne acompanhados de um vinho despretensioso, tive um dos melhores momentos da viagem.

De volta a Mendoza, não faltam opções para jantar. Destaque para o Los Toneles (uma vinícola desativada), a 10 minutos de carro do centro, mas que vale pelo cenário, pela comida e pela lojinha onde se pode comprar azeites de muita qualidade. Reparem que não mencionei visitas a instituições mais conhecidas, como Catena Zapata, Chandon, Escorihuela Gascón, pois acredito que Mendoza merece mais calma. O importante é que beleza natural e bom vinho não faltam na região! Hasta luego!

Memória paulistana: bairro Campos Elíseos guarda ecos de um passado de glória

Memória paulistana: bairro Campos Elíseos guarda ecos de um passado de glória

No Campos Elíseos, bairro que já foi o orgulho de São Paulo, é possível visitar alguns templos da cultura brasileira 

O nome Campos Elíseos sugere a nobreza que essa região central representou quando era o endereço certo dos barões do café e dos empresários proeminentes do começo do século 20. A elite paulistana era fã da cultura e da arquitetura francesa e, não à toa, o nome da localidade dos mais poderosos era a tradução da mundialmente admirada avenida parisiense dos Champs-Élysées.

O bairro, maltratado assim como todo o centro da cidade, ainda guarda ecos de um passado de glória. Uma de suas mais imponentes mansões pertencia à família Alves de Lima, cujo patriarca era um dos grandes barões do café, além de presidente da Café Paulista S/A e da Cooperativa Central dos Cafeicultores. Construída na rua Guaianases, em 1912, essa mansão foi projetada pelo famoso arquiteto Ramos de Azevedo e foi batizada de Casa de Don’Anna pelo neto do barão, que reformou o imóvel em 2015, homenageando a sua avó e permitindo assim um uso comercial.

 

Ambiente do restaurante Ama.zo, nos Campos Elíseos – foto divulgação

 

E é ali que nasceu o Ama.zo – Cozinha Peruana, sob o comando do reconhecido chef peruano Enrique Paredes, em que a proposta é unir clássicos da culinária andina a sabores da Amazônia. A casa é maravilhosa por dentro e aproveite uma ida ao toalete para dar uma volta pelos cômodos luxuosos, que remontam ao ambiente chique de outrora. O restaurante se situa no incrível jardim repleto de jabuticabeiras e abacateiros, protegido por um telhado translúcido quase imperceptível. O ideal é chegar cedo (até às 12h45) em um dia bonito e começar beliscando uns chicharrones de calamares, acompanhado do ótimo pisco sour da casa.

Após escolher um dos vários ceviches de entrada, sugiro pedir o ceviche e pulpo, que mistura ceviche com polvo na brasa e mousse de batata doce e abacate. Outra pedida de sucesso é o chaufa e panceta, que traz arroz salteado ao estilo oriental com vegetais e é servido com panceta laqueada em molho teriyaki, couve frita e alho crocante. A ambientação é agradável e, na minha ida, estava tocando um trio de soft blues, apresentando J.J. Cale e Eric Clapton.

 

Ceviche com polvo do Ama.zo – foto divulgação

 

A área de jardim serve também como extensão do café inaugurado no porão da casa, denominado Café Paulista, em memória ao bisavô do atual proprietário. A visita vale muito a pena e, se estiver por lá em um sábado ou se tiver a tarde livre, aproveite para fazer um tour cultural no bairro e vá conhecer o lindíssimo Theatro São Pedro, que é uma casa centenária com uma das histórias mais ricas da música nacional, ou visite a imponente Pinacoteca do Estado, próxima aos Campos Elíseos.
Caso você esteja com menos tempo disponível, mesmo assim curioso pelo cardápio do Ama.zo, pode conhecer a filial recentemente inaugurada do restaurante no shopping Pátio Higienópolis. Aproveite!

Dia dos Namorados: use a criatividade e aproveite a data para vivenciar passeios diferentes a dois

Dia dos Namorados: use a criatividade e aproveite a data para vivenciar passeios diferentes a dois

Restaurantes e bares costumam lotar no Dia dos Namorados, assim é preciso inovar para impressionar o seu amor sem estresse

Inúmeras sugestões de bares, restaurantes e destinos românticos surgem para celebrar o amor neste Dia dos Namorados. Sempre tive restrições para indicar um lugar para comemorar a data pelo simples fato de que todos os estabelecimentos, e ainda mais os charmosos, ficam lotados, barulhentos e provavelmente com serviço sofrido. É preciso inovar para impressionar o seu amor sem estresse.

Se eu tivesse que escolher um restaurante para jantar nesse dia seria o velho e bom La Casserole, de frente para a banca de flores do Largo do Arouche. Sugiro ainda o primeiro serviço das 19h para fugir do pico do movimento. E, acredite, essa dica vale para qualquer restaurante. Mas para surpreender, proponho um programa que venho planejando faz um tempo! Alugar duas bikes e aproveitar a ciclovia que beira a Marginal Pinheiros para passar o dia na represa. Um passeio diurno e saudável a dois, sem pressa aproveitando algo que São Paulo nos oferece e nunca temos tempo para vivenciar.

 

Ciclovia do Rio Pinheiros – foto divulgação

 

É possível acessar a ciclovia do rio Pinheiros pelas pontes Cidade Universitária ou pelo Parque do Povo, dali cruze para o Parque Linear Bruno Covas, mais conhecido como Ciclovia Bruno Covas, pela passarela flutuante após a Usina da Traição. Uma vez no Parque Mário Covas, siga até o fim e cruze a passarela Friedrich Bayer, e pedale até a ponte do Socorro. Siga a ciclovia até chegar ao destino, o Parque da Barragem. O lugar é ideal para descansar, curtir o visual das águas da Guarapiranga e homenagear seu parceiro e por que não esticar uma toalha com o piquenique ou então atravessar o parque em sentido Avenida Atlântica.

Por ali, em uma viela super charmosa, fica o Kleine Gasse, um delicioso e autêntico restaurante alemão frequentado por toda a colônia alemã que ainda mora nessa região da cidade. O ambiente é simples e bucólico e a comida é deliciosa. Caso você exagere no chope, no vinho ou mesmo na feijoada e a preguiça bater, vá até a Estação Socorro, que fica a 2,5 km do restaurante, e pegue a linha 9 da CPTM. É tranquilo e, aos finais de semana, o transporte de bicicletas é livre em alguns vagões dos trens e metrôs.

E dependendo do interesse de cada um, pode-se ainda ir ao Museu do Ipiranga e ao Parque da Independência. Recém reformado em 2022, o museu conta com acervo impecável e, bem em frente, está o parque, com seu lindo jardim, a Casa do Grito, o bosque e o Monumento da Independência.

 

Vista da Represa de Guarapiranga – foto divulgação

 

Para terminar esse rolê delicioso, passe no Sebo Pura Poesia, que fica a 600 metros do museu, tome um café, um sorvete, veja os livros e aproveite. Se a fome após o pedal bater, a minha sugestão é parar no La Galetta Ipiranga, que fica a 500 metros de distância. Quem gosta de frango com polenta vai adorar! Essa delícia de programa ainda deve ser beneficiado com as temperaturas amenas do mês de junho, propícias para o amor. Sem contar que esse tipo de romance ainda traz saúde e todos nós sabemos que quem gosta cuida.

Os bistrôs de São Paulo: opções para comer muito bem em ambientes típicos franceses

Os bistrôs de São Paulo: opções para comer muito bem em ambientes típicos franceses

Com os bistrôs, a cozinha francesa e seus ambientes mais típicos parecem estar mais em alta do que nunca na capital paulista

A popularização da comida francesa chegou a São Paulo nos anos 2000 com a rede de bistrôs Le Vin, que trouxe da França o conceito de “bistronomia” – que já tinha tido o seu sucesso internacional coroado em Nova York. “Bistronomia” nada mais é do que cozinha francesa com presença de pratos clássicos em ambiente de bistrô, sem demora em ambientação despretensiosa e a preços acessíveis.

Infelizmente, o Le Vin fechou as portas em 2019, mas o caminho já estava aberto. Em 2002, o Ici Bistrô abriu as portas em Higienópolis e, em 2012, o Le Jazz inaugurou a sua primeira unidade na Rua dos Pinheiros, iniciando o movimento que levou a maioria dos restaurantes de preços na mesma faixa para o bairro. De lá para cá, foram abertos dezenas de bistrôs, sendo importante fazer uma ressalva que, na verdade, é o recado principal desta coluna.

 

Pratos do Ici Bistrô, em Higienópolis – foto Victor Collor

 

São Paulo tem um público tão grande e eclético que nessa classificação de “bistrô” encontramos dois tipos de ambientes com dois públicos diferentes. Um deles é o que mais representantes tem na cidade, tais como os da rede Le Jazz, o Bistrot de Paris, o Rendez Vous, o Canaille, o Bistrot de Ville, o Ça Va, o Bonaparte e muitos outros. Todos apresentam no cardápio os imprescindíveis steak tartare, o steak frites, o bœuf bourguignon, o steak au poivre ou à la moutarde… enfim, os clássicos. Mas também têm em comum as mesas pequenas e apertadas, assim como os jogos americanos e os guardanapos de papel.

A comida é muito boa, mas o ambiente é barulhento e a fila de espera não se acomoda ao bar, normalmente sem lugares para se sentar. Come-se bem, porém a experiência é bem diferente da outra vertente de bistrôs mais classudos e confortáveis. O preço é ligeiramente acima dos outros, uma vez que toalhas e guardanapos de pano geram um custo elevado de lavanderia e mesas e cadeiras ou sofás confortáveis também ocupam mais lugar e reduzem o volume de público. Sem contar que nessa categoria a espera conta com um lugar no bar para tomar o seu drinque ou a sua taça de vinho e, normalmente, o serviço se adequa ao público mais maduro e exigente.

 

Ambiente confortável do Ici Bistrô – foto Victor Collor

 

Nessa levada cito o Tonton, nos Jardins, o Votre, em Pinheiros, e o Ici Bistrô, em Higienópolis – agora em novo endereço na rua Mato Grosso. E é esse último que cito como meu predileto, porque além da cozinha impecável e decoração aconchegante e confortável, é o único que serve “jambonettes de grenouilles” à provençale, que é uma iguaria da cozinha francesa e da qual tinha saudades desde que o bistrô Tartar&Co fechou. Sem contar o bom gosto da trilha sonora de jazz/blues do chef proprietário Benny Novak no volume certo. Aproveite e à la prochaine!