JBS e BRF se associam a empresas da Espanha e de Israel para lançar carnes de laboratório

por | dez 3, 2021 | Agronegócio, Coluna, Negócios | 0 Comentários

Gigantes das carnes apostam em produtos que são uma alternativa mais ecológica do que as tradicionais criações de bois, porcos e aves

JBS – maior produtora de carne bovina do planeta – fechou no mês passado um investimento de US$ 100 milhões para assumir o controle da BioTech Foods, empresa espanhola que utiliza células animais para produzir alimentos. Com esse aporte, a JBS assume o controle da companhia. A ideia é iniciar em 2024 a fabricação e a comercialização de hambúrgueres, embutidos e almôndegas a partir da multiplicação em laboratórios de células bovinas, suínas e de frangos e pescados. Para dar escala a essa indústria, a atual fábrica será ampliada e um centro de pesquisas será construído no Brasil, para abrigar pelo menos 25 experts em bioengenharia.

Em paralelo a essa movimentação da JBS, a BRF também investe na produção de “carnes de laboratório”. A companhia, segunda maior fornecedora mundial de aves, fechou no final de 2020 uma parceria com a israelense Aleph Farms, que há anos desenvolve pesquisas nesse segmento, com o “patrocínio’ de grandes players do setor agroindustrial mundial, como a norte-americana Cargill e a japonesa Mitsubishi.
A meta da BRF é oferecer essa carne cultivada nos supermercados nacionais até 2024. Até lá, o desafio é chegar a um produto com preços acessíveis ao consumidor. Para tal, precisa ter biorreatores capazes de produzir carne equivalente a 40.000 cabeças de gado em menos de duas semanas.

Em um planeta onde a pecuária vem sendo vista como uma das grandes vilãs da crise ambiental, essas proteínas cultivadas em laboratório são uma alternativa inovadora e ecológica. A ideia não é eliminar as fazendas, os rebanhos, os criadouros de suínos e as granjas de aves; a proposta é que essas proteínas 2.0 coexistam com as carnes tradicionais.

 

Foto divulgação
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Prosa rápida

Cana na F-1
A partir de 2022, os motores da Fórmula 1 terão de rodar com uma mistura de 90% de gasolina com 10% de biocombustível. E os carros da equipe Ferrari serão os únicos a receber o etanol 2.0 desenvolvido pela anglo-holandesa Shell e pela brasileira Raízen. Conhecido como etanol celulósico, esse biocombustível obtido da palha e do bagaço da cana tem alta performance e produz até 86% menos emissões de gases do efeito estufa do que os combustíveis fósseis.

 

Super safra
O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2021 do Agro brasileiro está estimado em R$ 1,119 trilhão, 9,9% a mais na comparação com o de 2020, que foi de R$ 1,019 trilhão. De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, as lavouras cresceram 11%, e a pecuária, 6,2%. As lavouras representam 68% do valor total e a pecuária, 32%. Os produtos agrícolas com melhor desempenho são o algodão, o arroz, o café, a cana-de-açúcar, o milho e a soja.

 

Tradições paulistas
O governador de São Paulo, João Doria, finalmente sancionou no mês passado a Lei dos Produtos Artesanais de Origem Animal do estado, que visa desburocratizar a produção e comercialização de queijos e demais produtos artesanais, como linguiças, pães, doces, bolos, cachaças, cafés e mel. A legislação anterior não atendia às necessidades do pequeno produtor. A iniciativa partiu de estudos realizados pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

 

 

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