Vice-Presidente Comercial da DC Set Group, hub de inovação em entretenimento, detalha o impacto do setor para a economia brasileira e destaca cases de sucesso
Uma das maiores holdings de entretenimento da América Latina, a DC Set Group, fundada em 1979, é pioneira no Brasil na realização de eventos de música eletrônica. De lá para cá, seu portfólio se expandiu para a produção de grandes shows internacionais no país – entre eles, Michael Jackson, Rock in Rio, Van Halen e U2 – e hoje é formada por diferentes verticais de negócio que reúnem empresas e iniciativas ligadas à cultura e ao esporte. Atualmente, dois grandes cases de sucesso do grupo são o festival Tomorrowland Brasil e o Roxy Dinner Show, no Rio de Janeiro.
Em entrevista à 29HORAS, Leonardo Duarte, Vice-Presidente Comercial da DC Set Group, fala sobre o impacto do entretenimento na economia do país.
Leonardo Duarte, Vice-Presidente Comercial da DC Set Group – foto Caio Gallucci
Como o mercado de entretenimento se transformou nos últimos anos e como o Brasil se posiciona hoje? Estamos entre os principais mercados mundiais de entretenimento ao vivo e nos destacando em rankings globais de música, eventos e público. A indústria brasileira é reconhecida por seu dinamismo, crescimento acelerado e capacidade de inovação, posicionando o país como um dos grandes protagonistas do setor no mundo. Acompanhamos de perto as tendências globais e temos expertise e agilidade para adotar e adaptar essas transformações ao contexto local, muitas vezes acelerando sua implementação devido ao alto engajamento do público e à criatividade dos produtores brasileiros. Somos um país com uma riqueza cultural imensa e essa grande fusão de estilos nos transforma numa potência criativa!
De que forma o entretenimento ajuda a alavancar campanhas e marcas? Cite alguns exemplos recentes de ativações da DC Set. Entretenimento é cultura em movimento. E quando uma marca se associa a esse contexto, ela ganha visibilidade e relevância. Recentemente, o Fronteiras do Pensamento trouxe ao Brasil o Jonathan Haidt, autor do best-seller ‘Geração Ansiosa’. A conferência virou assunto nacional, gerou debate nas redes e ocupou espaço em diversos veículos. As marcas apoiadoras não apenas estiveram presentes, como romperam a bolha do evento e se posicionaram como impulsionadoras de discussões relevantes para a sociedade. Outro exemplo é o Tomorrowland Brasil, um fenômeno global que está indo para sua terceira edição em parceria com a DC Set. É um evento com uma comunidade engajada e marcas parceiras estão percebendo e se beneficiando do valor de fazer parte de um ecossistema com alto poder de influência cultural. O entretenimento, quando bem ativado, é um multiplicador de valor.
Como o grupo cria as estratégias de brand experience? Acreditamos que entreter é criar boas memórias e esse é nosso ponto de partida. Apenas no ano passado, cerca de 20 milhões de pessoas vivenciaram alguma das nossas experiências. Este ano, o número já aponta para um crescimento relevante. Do ponto de vista estratégico, combinamos três elementos: relevância cultural, oportunidade de mercado e eficiência de operação. Fazemos isso a partir de análises contínuas – cruzamos os dados dos nossos próprios produtos com inteligência de mercado e mapeamento das unidades de negócio para identificar espaços vazios, novas demandas e caminhos para inovação. É assim que pensamos cada projeto, como uma plataforma viva, culturalmente potente e comercialmente inteligente.
Festival Tomorrowland Brasil, em Itu, no interior de São Paulo – foto divulgação
O Roxy Dinner Show, no Rio de Janeiro, foi eleito pela revista Time como um dos “melhores lugares do mundo”. Como surgiu a ideia de transformar o Cine Roxy neste espaço de entretenimento? O Roxy é a síntese do que acreditamos: o entretenimento como força econômica e social. Quando revitalizamos o antigo Cine Roxy, não queríamos apenas recuperar um espaço histórico, queríamos mostrar como o entretenimento pode transformar uma cidade. Hoje, o Roxy é um dinner show de padrão internacional, que resgata a sofisticação da era de ouro de Copacabana e a reinventa com tecnologia, curadoria artística e gastronomia de alto nível. É bom para o Rio, porque movimenta o turismo, gera empregos e reposiciona a cidade no mapa do entretenimento global. É bom para o público, porque entrega uma experiência única. E é bom para as marcas, porque oferece uma plataforma viva para se conectar com o público em um ambiente que combina cultura brasileira, sofisticação e muita emoção.
Quais são os próximos passos da DC Set? A DC Set tem uma história de pioneirismo que começou em 1979, mas foi a partir de 2019 que entramos em um novo ciclo de expansão e diversificação. Hoje, somos um dos maiores ecossistemas de entretenimento ao vivo da América Latina, com atuação estruturada em festivais, shows, venues, conteúdo, experiências, esportes e management, e temos um portfólio robusto com mais de 20 unidades de negócio. A indústria está amadurecendo cada vez mais, e estamos na frente dessa transformação, buscando profissionalizar ainda mais cada um dos nossos equipamentos, seja para gerar mais eficiência operacional e atender um público cada vez mais exigente, seja para ampliar as possibilidades e resultados das marcas parceiras.
DC Set • Fundada em 1979, no Rio Grande do Sul • 20 unidades de negócio, com presença em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Canela e Curitiba • Atuação em 7 verticais: festivais, shows, venues, conteúdo, família, esportes e management • Mais de 20 milhões de pessoas impactadasem 2024
“Cazuza Exagerado” é uma exposição que apresenta figurinos, manuscritos e outros itens que ajudam a “explicar” a genialidade deste que foi um dos principais nomes da música brasileira nos anos 80
Em cartaz no topo do Shopping Leblon a partir do dia 12 de junho, “Cazuza Exagerado” é uma exposição que homenageia a trajetória e a contribuição para a música e cultura brasileiras de Agenor de Miranda Araújo Neto. A mostra contempla todas as fases da trajetória do cantor, compositor, poeta e cronista da geração 80, cuja vida foi interrompida precocemente, aos 32 anos, em julho de 1990, em decorrência da Aids.
A exposição ocupa uma área de 1.200 m2 e marca os 40 anos de “Exagerado”, seu primeiro álbum solo. Serão exibidos nesse espaço figurinos, objetos pessoais, cartas, manuscritos originais de letras e poemas, desenhos, documentos e um extenso material em áudio e vídeo. Nove salas ilustram a trajetória do artista, antes e depois da fama. Toda a memorabília foi reunida por Lucinha Araújo no Centro Cultural Cazuza.
A curadoria da exposição é de Ramon Nunes Mello, organizador dos livros “Cazuza – Meu Lance é Poesia” e “Cazuza – Eu Protegi teu Nome por Amor”.
foto divulgação
Shopping Leblon
Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon.
Ingressos a partir de R$ 80.
Com sua carreira até alguns anos ainda marcada pelo seu primeiro papel na TV, a minissérie “Presença de Anita”, exibida em 2001, Mel Lisboa estreia este mês no Teatro Casa Grande o espetáculo “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”, incorporando com impressionante fidedignidade essa extraordinária personagem, fazendo o público acreditar piamente que a roqueira paulistana ainda está entre nós
Depois de ser assistido por quase 90 mil espectadores em São Paulo, o espetáculo musical “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical” chega ao Rio, com estreia no dia 26 de junho no Teatro Casa Grande. Nessa montagem, a atriz gaúcha Mel Lisboa interpreta com espantosa verossimilhança a inesquecível roqueira paulistana, numa encenação que mistura história e hits como “Menino Bonito”, “Ovelha Negra”, “Todas as Mulheres do Mundo” e “Mania de Você”.
No palco, Mel impressiona a plateia com sua personificação de Rita — personagem que ela já havia encarnado na TV (na minissérie “Elis: Viver É Melhor que Sonhar”, de 2019) e em outra peça teatral – “Rita Lee Mora ao Lado” – que foi assistida pela própria cantora em 2014. Sua atuação no musical que agora estreia no Rio lhe rendeu o Prêmio Shell de melhor atriz em 2025.
foto Mauricio Nahas
Com 43 anos e dois filhos adolescentes, a atriz tem uma carreira muito profícua e eclética no cinema (com filmes como “Cães Famintos”, “Atena” e “Conspiração Condor”, que deve estrear só em 2026), no teatro (com interpretações marcantes em peças como “Misery”, “Peer Gynt” e “Dogville”) e no streaming (com participações em produções como “Maníaco do Parque”, da Amazon Prime Video, “Coisa Mais Linda”, da Netflix, e “A Vida Secreta dos Casais”, da HBO Max).
Em conversa com a reportagem da 29HORAS realizada bem no dia em que fãs lembravam os dois anos da morte de Rita, a emocionada Mel Lisboa falou sobre sua afinidade com Rita, seus projetos como produtora e outros trabalhos no teatro, como “Madame Blavatsky – Amores Ocultos” –, monólogo que ela também vai encenar durante esse seu breve retorno ao Rio, onde viveu entre os anos de 2000 e 2004. Confira nas páginas a seguir os principais trechos da entrevista.
Qual a sua explicação para esse sucesso todo de “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”?
Não existe uma explicação. Um sucesso dessa magnitude se dá por causa de muitos acertos simultâneos. Não é só em razão do texto afiado, da direção precisa, da trilha sonora fantástica, do elenco entrosado. O sucesso se deve ao inexplicável. Não existe uma fórmula para agradar crianças, adultos, idosos, fãs da Rita e gente que nunca se ligou muito no trabalho dela.
A montagem carioca vai ser idêntica à paulistana?
Absolutamente idêntica. Tudo igualzinho.
A atriz Mel Lisboa na pele da eterna Rita Lee, no espetáculo “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”, que chega ao Rio este mês – foto Priscila Prade
E o que mudou desde a estreia, em abril do ano passado em São Paulo, até hoje? Dá para dizer que é um espetáculo mutante?
Todo espetáculo é mutante e evolui com o tempo. O teatro é vivo, é orgânico. Quando a gente estreia, o espetáculo está ensaiado, mas não está pronto. Ele só fica pronto mesmo quando entra em cartaz e conta com a energia dos espectadores. A plateia é um agente ativo na evolução da montagem. Com os feedbacks que recebemos, fazemos pequenas mudanças e adaptações na luz, no figurino, na movimentação e até no texto. E, com o tempo, os atores também vão ficando mais à vontade. Hoje, por exemplo, eu brinco muito mais com a plateia do que nas primeiras apresentações. E eu sei muito bem o que funciona e o que não funciona nessa interação.
A própria Rita não teve a oportunidade de ver o espetáculo, mas o que o Roberto de Carvalho achou da montagem?
Ele ficou muito feliz. Se emocionou muito. Ele já havia acompanhado um dos nossos últimos ensaios e, na nossa estreia, ele foi com a família inteira. Gostei muito quando ele me disse que a nossa montagem estava do jeitinho que a Rita gostaria que sua autobiografia fosse encenada.
O que você e a Rita têm em comum? E o que você absorveu da Rita e incorporou ao seu jeito de ser, ao longo desse último ano de “convívio” tão intenso com ela?
Nós duas somos capricornianas e temos em comum várias características típicas das pessoas desse signo. A Rita me ensinou e me ensina um monte de coisas todo dia. Eu queria ser mais como a Rita, mas não é fácil ser parecida com uma pessoa tão ‘fora da curva’. Ele era uma mulher muito inteligente, rápida, irreverente e debochada. Eu tento ser como ela, é uma grande inspiração para mim, mas eu tenho meus limites…
foto Priscila Prade
O que foi mais difícil na hora de criar a sua Rita? Cantar foi um desafio ou você ficou à vontade, já que atuou em outros musicais?
Nunca fico à vontade cantando! O ideal seria se eu cantasse igual à Rita, mas nossas vozes são diferentes. Então eu tento reproduzir a música da voz dela, o jeito dela falar, o sotaque diferente do meu. Uma vez, recebemos na plateia um grupo de pessoas com deficiências visuais que são fãs da Rita. Eu fiquei preocupada, pois muito da minha composição vem do figurino, da caracterização, mas isso eles não enxergam. Aí, no final, uma garota desse grupo me disse uma coisa linda, que me deixou comovida. “Eu não via a Rita, mas eu ouvi a Rita”, disse ela. Voltei para casa com aquela sensação de missão cumprida.
Depois de interpretar a Rita Lee no palco e no cinema, não tem receio de ficar estigmatizada como “aquela atriz que é cover da Rita Lee”?
Minha trajetória foi marcada por duas personagens muito fortes – a Anita de “Presença de Anita” e a Rita Lee. Eu tive algo que muitos passam uma vida inteira sem ter. Me sinto uma privilegiada! E, a propósito, para mim não é problema nenhum ter a minha imagem associada à da Rita. Muito pelo contrário. Me sinto muito honrada!
Por falar nessa outra personagem forte da sua trajetória, durante anos você foi conhecida como a moça de “Presença de Anita”, mesmo depois de vários outros trabalhos. Isso te incomodava?
Quando eu te digo que me sinto privilegiada e honrada de ver a minha imagem e o meu nome associados à Rita e à Anita, essa é uma visão que tenho hoje. Até alguns anos, isso era de fato um problema, eu me questionava muito se isso era bom ou ruim, se eu havia cometido algum erro ao aceitar esses papeis. Não foi um processo fácil e suave essa mudança de pensamento, mas o fato é que hoje isso não é mais uma questão na minha cabeça. Estou muito bem resolvida com minhas escolhas.
foto Priscila Prade
Quando foi que você deixou de priorizar a TV e veio para São Paulo fazer teatro e se tornar uma musa da cena alternativa, com peças de baixo orçamento, mas muito bem recebidas pela crítica, como “Após a Chuva”, “A Boca do Lixo”, “Luz Negra” e “Cenas de uma Execução”?
Morei no Rio até 2004, onde fiz várias novelas. Em 2003 fui fazer uma peça em São Paulo e logo me identifiquei com a cidade e me encantei pelas pessoas e pelo jeito que as coisas funcionavam por lá. Aí me mudei definitivamente em 2004 e, aos poucos, fui tendo a oportunidade de trabalhar e aprender com grandes diretores e atores. Um dia, percebi que não era mais uma forasteira, eu já me sentia perfeitamente inserida na cena teatral paulistana. Hoje, de fato, sinto que pertenço a esse lugar.
Ultimamente você vem assumindo a função de produtora. Como é produzir cultura em um país que não a valoriza.
É sempre difícil, né? Precisa ter muito amor pelo teatro para entrar nessa atividade. Para mim esse foi um caminho natural. Assim como outros tantos atores e atrizes, também quero ser dona dos meus projetos. Mas isso não significa que eu não quero mais trabalhar para outros produtores, realizadores. Eu só quero que essa seja mais uma alternativa para mim, sem impedir ou anular a minha participação em projetos capitaneados ou produzidos por outras pessoas. A ideia é ampliar o leque de possibilidades, não restringi-lo.
Me fale de “Madame Blavatsky – Amores Ocultos”, peça que você produziu e vai encenar no Rio paralelamente ao musical sobre a Rita Lee?
No Rio, “Madame Blavatsky” terá apenas quatro apresentações, em noites de quarta-feira, no Teatro Prio, no Jockey Club. Se der certo, depois a gente pode voltar à cidade para uma temporada de verdade. É uma peça que brinca com os limites da ficção, investigando convenções da representação teatral e simulando, através do texto, uma incorporação mediúnica. Em cena, o espírito de Helena Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, exige retornar a um teatro, utilizando-se do corpo de uma atriz, para colocar a sua controversa história em pratos limpos.
A atriz em cena do monólogo “Madame Blavatsky – Amores Ocultos” – foto Gatú Filmes
Helena Petrovna Blavatsky foi uma mulher bem menos solar e bem mais introspectiva que a Rita Lee. Tem sido difícil incorporá-la no palco? E, neste caso, o termo “incorporar” está em seu sentido bem literal, já que você encarna o espírito dela na peça, não?
A Rita e a Blavatsky são diferentes, mas conectadas em muitos aspectos. Ambas são meio bruxas, e as duas, por serem capricornianas, têm em comum muitas das características típicas das pessoas desse signo. E as duas morreram no mesmo dia, 8 de maio, olha só! A peça tem muito metateatro, o tempo todo a gente fala do ato de fazer teatro. E, ao contrário do que acontece com o musical da Rita Lee, eu não preciso tentar falar ou me mexer como a Blavatsky. Ninguém sabe como era a voz dela, como se movia, qual era o seu gestual. Ela morreu em 1891, tudo o que temos dela são seus escritos e algumas fotos. Eu me sinto muito livre para interpretá-la. Aliás, eu não a interpreto, no palco eu sou a Mel encarnando o espírito dela.
Trazer uma mulher ucraniana aos palcos nesse momento foi uma escolha intencional por causa da situação do país, invadido pela Rússia desde 2022?
Não. A primeira vez que encenei essa peça foi como solo on-line, na pandemia, quando os teatros estavam fechados. Foi antes do início dessa guerra.
Quais outras mulheres poderosas você gostaria de viver no palco?
Várias outras, felizmente! É difícil enumerá-las. Mas digo que Medéia [de Eurípedes] é um personagem que me cativa.
Para encerrar, a Rita Lee fechou sua autobiografia dizendo se orgulhar de ter feito muita gente feliz. E você? Se orgulha de quê? De ter feito muita gente refletir? Recordar? Se divertir?
A arte tem o poder de tocar e transformar as pessoas. Eu me orgulho de, ao longo desses vinte e tantos anos de trabalho na TV e no teatro, ter auxiliado de alguma maneira na transformação de muita gente. A vida presta. É um trabalho árduo, mas que vale a pena.
Mel Lisboa com sua musa Rita Lee – foto reprodução Instagram
Novos álbuns, parcerias e encontros musicais de artistas contemporâneos celebram os grandes nomes do instrumental brasileiro
Animada com o disco de Paulo Bellinati tocando “Garoto” que acaba de sair, resolvi dedicar este espaço ao instrumental brasileiro. Começo com esse violonista, maestro, arranjador genial que, com mais dois feras chamados Swamy Jr e Daniel Murray, homenageia Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto. Compositor de clássicos como “Duas Contas” e “Gente Humilde”, era o violonista citado pela turma da bossa nova quando o assunto era modernidade. Carlos Lyra, Roberto Menescal, Tom Jobim, todos rendiam elogios a esse grande músico. O violão brasileiro, conhecido no mundo todo, deve muito a esse pioneiro.
E aqui abro um arquivo infinito que começa com outro gênio, Naná Vasconcelos. O pernambucano que tirou o berimbau da roda de capoeira e levou para o mundo todo como instrumento solista. Ele teve papel fundamental na criação do icônico “Milagre dos Peixes” e de outros trabalhos de Milton Nascimento. Fez o “Dança das Cabeças” com Egberto Gismonti e praticamente criou a world music com seus encontros sem fronteiras. A percussão no Brasil é tão gigante que não cabe nessas poucas linhas, mas posso citar ainda Guilherme Kastrup, Sergio Reze, Robertinho Silva, Wilson das Neves, Simone Sou, Vera Figueiredo, Pretinho da Serrinha… não cabe! Nem os nomes e nem os estilos muito particulares de cada um.
Amaro Freitas Trio, com Amaro Freitas (piano), Jean Helton (contrabaixo) e Hugo Medeiros (bateria e percussão) – foto João Vicente / divulgação
Os pianistas? Tia Amélia revisitada hoje pelo incrível Hércules Gomes; Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, dois pilares históricos. Os meninos inacreditáveis já ganhando o mundo: o carioca Jonathan Ferr e o pernambucano Amaro Freitas! Afrofuturismo em Ferr, que traz para os teclados a eletrônica; e um Thelonius Monk percussivo com Amaro. A mineira Luiza Mitre e sua sofisticação. Não posso sair do tema sem falar do meu querido Cristovão Bastos e seu piano canção, parceiro de Chico Buarque e gigantesco arranjador e solista. É emocionante o concerto em que homenageia Pixinguinha ao lado do mestre Proveta no clarinete.
E já que citei um soprista vamos aos maravilhosos Paulo Moura, Joana Queiroz, Sintia Piccin, Alexandre Ribeiro, Sidmar Vieira, Bocato… gerações e instrumentos diferentes e igualmente maravilhosos. Nos pífanos, além da centenária banda da família Biano que virou pop com a “Pipoca Moderna” gravada por Caetano Veloso, temos o jovem Alexandre Rodrigues que toca até John Coltrane com o pequeno instrumento de madeira que ele mesmo faz. Essa cena musical segue viva, diversa e estimulante!
Se você se interessa por essa riqueza imensa, algumas casas de shows dedicam seus palcos à diversidade instrumental brasileira. Procure em sua cidade, viaje para ver, informe-se e frequente!
Os Paralamas do Sucesso completam quatro décadas de clássicos, shows marcantes e parcerias com grandes nomes em turnê especial que passa por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre a partir deste mês
Com uma contribuição decisiva para a consolidação do rock no Brasil e para a construção de uma identidade musical nacional para o gênero, Os Paralamas do Sucesso completaram 40 anos de estradas, palcos, estúdios e muita música. Em quatro décadas, hits como “Meu Erro”, “Lanterna dos Afogados” e “Óculos” reverberaram pelas rádios e ajudaram a mobilizar uma legião de fãs que segue se renovando.
O trio formado por Herbert Vianna (guitarra e voz), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria) foi pioneiro na fusão de rock com outros estilos, como o reggae e a MPB, e surfou nas influências internacionais do punk, do new wave e do rock alternativo, criando uma sonoridade híbrida genuinamente brasileira, capaz de integrar diversos públicos à cena rock.
Da esquerda para a direita, Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone, que celebram 40 anos de música e palcos em turnê – foto Maurício Valladares
Agora, eles levam a turnê “Paralamas Clássicos – 40 anos” ao Allianz Parque, em São Paulo, no dia 31 de maio. A banda se apresenta ainda em 7 de junho, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro; 14 de junho no BeFly Hall, em Belo Horizonte; e no dia 28 de junho, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre. “Fazer shows comemorando tanto tempo de carreira é uma alegria e um atestado de longevidade da nossa arte e nossas convicções”, resume Herbert.
Em entrevista exclusiva à 29HORAS, os músicos compartilham a preparação para os próximos shows, relembram momentos marcantes de suas trajetórias e revelam os segredos para essa união longeva nos palcos e na música. Confira os principais trechos a seguir:
Como vocês pretendem passear pelo vasto repertório de 40 anos de carreira nos shows? Quais serão os recortes e os enfoques na turnê? Bi Ribeiro: Estamos preparando um roteiro que contemple todos os períodos de nossa carreira. O show tem sempre um tempo entre temas e ritmos que vamos, com a experiência, acertando. Os grandes clássicos estarão todos lá. E estamos preparando surpresas. Que serão… surpresa! (risos).
O que a passagem do tempo trouxe de melhor e de pior para a carreira musical e a sua vida pessoal de vocês? Herbert Vianna: Fazer shows comemorando tanto tempo de carreira é uma alegria e um atestado de longevidade da nossa arte e nossas convicções. A passagem do tempo traz história e experiência, o que vejo que é ótimo e muito enriquecedor.
foto Alexandre Moreira
Ainda rola um frisson antes de se apresentar para grandes audiências em estádios e arenas? O show no Rock in Rio, em 1985, foi um grande marco na história da banda. O que vocês lembram daquela experiência? B.R.: Com certeza rola a ansiedade. Ainda mais com um show tão especial. Essa será a maior apresentação solo dos Paralamas no Brasil. Já fizemos algo parecido na Argentina nos anos 1990. Sobre o Rock in Rio, foi mesmo um marco. Tínhamos apenas dois anos de carreira e tocávamos apenas em locais pequenos até então. Certamente naquele dia a ansiedade foi bem maior do que a que teremos no Allianz neste mês (risos). Mas a lembrança daqueles dois dias no RiR 1985 é de êxtase total ao final. Saímos do festival muito maiores do que éramos!
Como foi manter a química dentro da banda por tanto tempo? Qual a receita para a saúde desse bem-sucedido “casamento” de quatro décadas? B.R.: Muito amor à música, e a vontade de tocar juntos permanece até hoje. O combo é respeito mútuo, saber conviver e amizade.
Vocês foram pioneiros na fusão de rock com outros estilos, como o reggae e a MPB. Vocês enxergam que essa sonoridade híbrida brasileira persiste nos sons e nos artistas atuais? H.V.: Penso que as bandas dos anos 1990 como Chico Science e Nação Zumbi, Skank, O Rappa e Charlie Brown Jr. deram uma boa continuidade nessas fusões, cada uma com suas características. E hoje vemos muito disso sendo feito em diferentes segmentos da música, com certeza.
O vocalista e guitarrista Herbert Vianna no show histórico do Rock in Rio, em 1985 – foto divulgação
Como vocês acham que o som dos Paralamas do Sucesso ajudou a moldar o rock nacional? B.R.: Trouxemos uma proposta mais atualizada nos anos 1980, inspiradas nas bandas pós-punk inglesas. A partir daí chegamos ao reggae e à música brasileira, o que as bandas realmente ainda não faziam naquela época.
Assim como os Titãs, vocês têm um público transgeracional. Como é a interação da banda com as novas gerações? B.R.: É uma alegria total ver que nossa música transcende gerações. Ver gente bem mais jovem em shows e curtindo o som é demais, é realmente especial!
João Barone: Ao longo de todo esse tempo, tivemos um desprendimento grande, porque soubemos que o sucesso pode ser efêmero, então nunca colocamos como meta o reconhecimento do público. Para nós, é um prêmio! Ter uma música conhecida, as pessoas cantarem nos shows… é incrível! Nossa relação com o público sempre foi muito respeitosa, tratamos os fãs com tranquilidade, e continua assim com os mais novos.
Vocês surgiram na época dos LPs de vinil, pegaram o início, o meio e o fim da era dos CDs e hoje estão na nuvem e nos celulares. O que o passado tinha de melhor e de pior e o que esse novo mundo digital tem de bom e de ruim? B.R.: A magia do vinil, seu tamanho, a arte, os encartes com informações se foram. Os CDs já perderam esse enfoque de curtir um produto completo, como o vinil. Hoje, com o streaming, o lado romântico da audição e da contemplação, se foi completamente. Mas, ao mesmo tempo, o acesso a todo tipo de música e discos é sensacional. Discos saíam de catálogo e não se tinha mais acesso, era muito difícil. Ter um verdadeiro arquivo universal de todo tipo de música em seu celular é mágico!
J.B.: E a criação musical permanece nesse lugar mágico! Criar arranjos, músicas, sons e construir uma canção em cima das letras do Herbert é algo que se manteve inalterado em nosso processo, é a nossa gênese criativa, que apenas encaminhamos para as mídias vigentes. Foi assim que a gente sobreviveu a todos esses anos. Hoje em dia também usufruímos de equipamentos de ponta nos estúdios e equilibramos muito bem a inovação com a arte mais intimista.
Herbert Vianna ao lado do baterista João Barone e do baixista Bi Ribeiro em estúdio – foto Maurício Valladares
O clipe de “Ela Disse Adeus” foi estrelado por Fernanda Torres em 1998. Como é ter um vídeo protagonizado por uma atriz indicada ao Oscar? B.R.: É um orgulho e alegria imensa. Lembramos que não somos atores e ela foi nossa professora de atuação. Esse foi, segundo uma enquete da “Folha de São Paulo”, o melhor clipe brasileiro de todos os tempos. Obrigado, Fernanda Torres! E vale lembrar que ela e Débora Bloch também atuaram no clipe “Aonde Quer Que Eu Vá”. Ambos dirigidos pelo Andrucha Waddington!
Vocês já compuseram músicas de contestação falando de desigualdade (“Alagados”), de indigência cultural (“Fora de Lugar”) e de opressão (“Selvagem”). Já pensaram em escrever uma canção sobre as grandes mazelas atuais, criticando bilionários megalomaníacos, líderes políticos acéfalos ou o ódio que inunda as redes antissociais? Ou o inconformismo e a “raiva” de vocês deu aquela acalmada básica com o avançar da idade? B.R.: Isso não é premeditado. Nunca foi. São observações e vivências. Inconformismo nunca acaba, está dentro de nós. Infelizmente, as músicas citadas continuam atuais e tocamos e cantamos com total convicção ainda em nossos shows.
Herbert Vianna – foto Alexandre Moreira
As letras das músicas da banda sempre foram muito significativas. Herbert, o que faz parte de seu processo de escrever uma letra? Como é esse momento para você? H.V.: Não existe uma fórmula única. Costumo falar que são vômitos emocionais, tanto nas letras do cotidiano como nas de sentimentos pessoais. Algumas saem de uma vez e outras levam anos para serem resolvidas.
É possível elencar um show mais inesquecível ou a experiência mais marcante da carreira dos Paralamas até agora? H.V.: É uma escolha difícil! Foram muitas as experiências marcantes em nossa carreira. A primeira vez no Circo Voador, o Rock in Rio de 1985, a primeira vez no Festival de Montreux, o show no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, a gravação do nosso acústico no Parque Lage, os shows de 30 anos de carreira. São muitos momentos especiais nos palcos!
Bi Ribeiro – foto Alexandre Moreira
Vocês fariam colaborações com artistas hoje em dia? O que vocês escutam na rádio ou quem está nas suas playlists? H.V.: Escuto muito o rock clássico, reggae e artistas brasileiros. Quanto a colaborações, estamos sempre abertos a novos encontros.
J.B.: Fazemos colaborações de uma forma muito espontânea, foi assim com a parceria com Gilberto Gil, em “Novidade”, de 1987, em “Uma Brasileira”, com Djavan, teve ainda Carlinhos Brown, Marisa Monte… Foi tudo inusitado e espontâneo, não pensamos em quem chamaremos, deixamos acontecer, é muito ao acaso.
O último álbum da banda é “Sinais do Sim”, de 2017. Vocês têm material inédito, têm planos de lançar em breve um novo álbum? B.R.: Começamos a preparar esse material agora, sem pressa. E, devido à agenda de shows bem pesada dos últimos dois anos, o processo está indo no ritmo que dá.
Como vocês imaginam os próximos anos para os Paralamas? B.R.: Só conseguimos nos imaginar tocando juntos até morrer!! (risos)
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