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O turismo fluvial é uma maneira surpreendente de mergulhar em destinos naturais

O turismo fluvial é uma maneira surpreendente de mergulhar em destinos naturais

Além de econômico e pouco poluente, o turismo fluvial é uma maneira deliciosa de conhecer destinos naturais, como a floresta amazônica.

Nos cruzeiros fluviais é possível conhecer lugares praticamente recônditos, escondidos, onde só é possível chegar de barco. E de uma forma relaxante e confortável, enquanto se observa tranquilamente a mansidão do rio e o desfile de belezas ao navegar. Bastante comum em países da Europa, esse tipo de turismo começa a se tornar mais conhecido no Brasil, país que reúne as maiores bacias hidrográficas do planeta, como a do Rio Amazonas, considerado o maior e mais volumoso rio do mundo, com cerca de sete mil quilômetros de extensão e mais de mil afluentes.

Com uma mobilidade muito mais sustentável e econômica do que o transporte rodoviário, por exemplo, o turismo fluvial proporciona, a cada curva do rio, a experiência de conhecer vilarejos e comunidades ribeirinhas, vivenciar de perto a natureza e aproveitar uma viagem praticamente ao ar livre, de cara para o sol – ponto importante nesse período de pandemia.

 

Embarcação Jacaré-açu, da Expedição Katerre, percorrendo o Parque Nacional da Anavilhanas

 

Além disso, o turismo com base na água, quando bem estruturado, leva à compreensão do valor desse bem e da importância de proteger os ecossistemas, assim como as comunidades no seu entorno, que conhecem meios de subsistência mais sustentáveis​.

O município de Novo Airão, localizado a 200 km de Manaus, é o ponto de partida para explorar toda a extensão do Alto Rio Negro, seja em expedições mensais regulares de três a sete noites, ou em roteiros customizados disponíveis o ano todo. As viagens fluviais são organizadas pela Expedição Katerre, que nasceu em 2004 com o objetivo de criar experiências de ecoturismo em comunhão com as comunidades do Rio Negro.

O roteiro inclui observações diurnas e noturnas de animais – entre focagem de jacarés, macacos, preguiças, araras e outras espécies da região –, banhos de cachoeira, paradas na Reserva do Madadá, onde é possível percorrer uma trilha pela mata até alcançar um incrível conjunto de grutas, e a possibilidade de pernoitar em um mirante, com vista para a floresta, ouvindo os sons noturnos.

A Katerre conta com duas embarcações, Jacaré-açu e Jacaré-tinga, que, feitas em madeira de lei e com acabamentos em tecidos de fibras naturais, não destoam do genuíno cenário amazônico. A conexão com a natureza é profunda e feita pelas águas, enquanto se observa pássaros, botos e vilarejos ao longo do passeio. A Katerre não tem conexão de internet, o que ajuda a tornar essa viagem ainda mais exclusiva e inesquecível.

 

O transporte do futuro será cada vez mais elétrico, autônomo, conectado e compartilhado

O transporte do futuro será cada vez mais elétrico, autônomo, conectado e compartilhado

2021 desponta com tendências sustentáveis de mobilidade urbana, um tema que vem sendo repensado e reinventado. O uso da bicicleta cresce cada vez mais; a micromobilidade elétrica inova, com diferentes modais; e o transporte coletivo se renova, com interfaces digitais, como a bilhetagem eletrônica e ônibus elétricos. Além disso, os veículos autônomos, que pareciam distantes, já são uma realidade em vários países.

A Eletricz, distribuidora com sede em São Paulo, que é representante da marca KingSong, um dos maiores fabricantes de monociclos elétricos do planeta, acaba de lançar o KS-S18, equipado com um inédito projeto de suspensão ajustável a ar de acordo com o peso do condutor. Segundo Márcio Canzian, CEO da Eletricz, trata-se de uma grande revolução para o crescente mercado mundial de monociclos elétricos. “O monociclo traz mais segurança ao condutor, ao mesmo tempo em que proporciona alto desempenho. O motor permite atingir até 50 km/h de velocidade máxima e superar subidas com ângulo de até 40 graus, percorrendo tranquilamente qualquer ladeira de uma metrópole como São Paulo”, diz.

Um modal novo e inédito, criado na Nova Zelândia, é a bicicleta elétrica aquática Manta5 Hydrofoil Bike, que une tecnologia e sustentabilidade. Com um minúsculo motor elétrico de 400W movido a bateria de lítio, ela usa hidrofólios (estrutura que se sustenta no líquido devido à curvatura) e uma pequena hélice propulsora para se movimentar acima da linha d’água. Quando o ciclista pedala e impulsiona o veículo para a frente, a água passa pelos hidrofólios e gera sustentação da mesma forma que as asas do avião.

 

Foto divulgação

 

Já o carro voador, que parecia uma realidade para lá de futurista, aparece em projetos de diversas empresas, como a Embraer X, que apresentou em junho de 2019 seu protótipo em parceria com a Uber Elevate, além de marcas como a Hyundai, a Toyota e a americana Terrafugia.

Em geral com sistema de condução autônoma, motor elétrico e silencioso, o eVTOL (em livre tradução, veículo elétrico de decolagem e pouso vertical) também pode apresentar módulo terrestre para andar no chão. De acordo com pesquisa da Universidade de Michigan, as emissões desse modal são 52% mais baixas do que os veículos a gasolina. A autonomia costuma ser reduzida, indicada para rodar na cidade, em distâncias curtas.

Se trata de um projeto ainda embrionário, pois será necessário construir rotas de voo e uma infraestrutura completa nas cidades para acolher esses veículos que parecem saídos da ficção. Afinal, onde guardá-los? Nas varandas dos apartamentos, em garagens suspensas? Mesmo com todas as incertezas, a empresa de consultoria Porsche prevê que, em 2035, 23 mil eVTOLs estarão voando sobre as nossas cabeças, no mundo. Até lá, que a gente consiga, no Brasil, compartilhar com segurança, respeito e gentileza as ruas das nossas cidades. Caso contrário, não adiantará nada chegar aos céus.

Locomoção nas urnas e a mobilidade urbana

Locomoção nas urnas e a mobilidade urbana

Campanha quer sensibilizar os candidatos em defesa de pedestres, ciclistas e do uso do transporte coletivo.

Com as eleições municipais neste mês de novembro, é importante conferir os programas dos candidatos em relação a um tema muito importante: a mobilidade urbana. Todas as candidaturas e os seus respectivos programas estão disponíveis no sistema de divulgação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): http://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/

Essa é uma ótima oportunidade para discutir o futuro das cidades. E a mobilidade urbana é uma questão central nesse debate sobre as cidades que queremos. Porque se relaciona com a saúde, a sustentabilidade, a educação, a cidadania e a economia financeira. A forma como a população se locomove influi em todas essas áreas. E colabora, quando a mobilidade urbana é bem planejada, para que as cidades sejam seguras, inclusivas e saudáveis. Para todos.

Vale a pena também entrar no site da campanha Mobilidade Sustentável nas Eleições 2020 (mobilidadenaseleicoes.org.br), lançada em agosto com o intuito de ajudar outras organizações da sociedade civil a inserir os modos sustentáveis de deslocamento nos programas de governo e mandatos das candidaturas às Prefeituras e Câmaras de Vereadores para os municípios de todo país. É possível pressionar os candidatos para que eles incluam projetos focados na mobilidade urbana sustentável (bicicleta, pedestrianismo e transporte coletivo).

 

Foto cortesia cidade a pé

 

Organizado por entidades que atuam há vários anos para melhorar o transporte público, a acessibilidade nas calçadas e a oferta de ciclovias e outras infraestruturas cicloviárias, o programa pretende que a mobilidade urbana sustentável seja promovida por ações e políticas públicas que priorizem os modos mais limpos e saudáveis de deslocamento, e com medidas para acalmar o trânsito, diminuir o uso do carro e reduzir as mortes, que têm níveis alarmantes no Brasil.

A cada hora, cinco pessoas morrem em acidentes de trânsito no país, segundo um relatório divulgado em 2019 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Para mudar esse cenário, essas políticas devem ser elaboradas e implementadas com ampla participação da sociedade por meio de conselhos e atreladas a políticas urbanas que reduzam as desigualdades territoriais e sociais, ampliando o acesso a oportunidades. A Campanha Mobilidade Sustentável nas Eleições 2020 se encerrará, com o seu relatório final, em 28 de fevereiro de 2021.

Como combinar segurança sanitária e uso de modais sustentáveis em viagens pelo Brasil nos próximos meses?

Como combinar segurança sanitária e uso de modais sustentáveis em viagens pelo Brasil nos próximos meses?

Em todo o mundo, a quarentena provocada pela Covid-19 mostrou que podemos respirar um ar de melhor qualidade nos centros urbanos. A drástica redução da poluição atmosférica deixou claro que isso não é apenas possível e desejável, mas também imprescindível. Para ter saúde precisamos utilizar mais modais sustentáveis, diminuindo assim a nossa pegada de carbono.  

É o caso da bicicleta, adotada de forma maciça na Europa, e dos modais elétricos, que se encontram em alta na pós-pandemia. Em uma pesquisa feita no Reino Unido pela consultoria Venson, 45% dos entrevistados disseram que a melhoria dos níveis de poluição do ar os fez pensar na compra de um carro elétrico. Todo esse impacto ambiental positivo, causado pelo isolamento social, aumentou o interesse por transportes sustentáveis também no setor de turismo. 

Carrinhos elétricos para locomoção dentro do Botanique Hotel, na Serra da Mantiqueira

BIKES E ELÉTRICOS 

O sofisticado Botanique Hotel & SPA, na Serra da Mantiqueira, é um exemplo. O seu rigoroso protocolo de higiene e proteção contra a Covid-19 inclui a mobilidade sustentávelOs hóspedes não podem levar seus carros até os chalés – são apenas 17 habitações em uma área verde imensaenvolta por Mata Atlântica. Assim que chegam ao hotel, eles são recebidos por simpáticos funcionários que os transportam em carrinhos elétricos até os quartos. Desde a abertura, em 2012, a circulação exclusiva de modais elétricos garante que não haja emissões de poluentes e ruídos indesejáveis. A ideia também é estimular as pessoas a caminhar e pedalar – bicicletas estão disponíveis para os hóspedes, além de sugestões de trilhas na natureza. 

AUTONOMIA E PRATICIDADE 

Viajar com carros elétricos nos arredores de São Paulo é possível com Beepbeep, que opera na capital paulista, em São José dos Campos e Campinascom veículos compartilhados. Em julho, instalou uma estação no Aeroporto de Viracopos; no início de setembro, no Aeroporto de Guarulhos. Os carros são higienizados pelas equipes móveis, garantindo a segurança sanitária, e a cobrança é feita por minuto. “Nossos carros têm bateria com autonomia de 300 quilômetros e podem ser devolvidos em qualquer uma das 60 estações, nas três cidades. O cliente pode, por exemplo, começar a locação em São Paulo e encerrar em Viracopos, para pegar o seu voo”, explica André Fauri, fundador da startup. 

INTERMODALIDADE NO TURISMO 

 a Movida, de aluguel de carros, estimula a integração de modais, oferecendo bicicletas elétricas, o que é perfeito para turbinar a experiência em viagens. Ela fechou uma parceria estratégica com a start-up E-Moving e passou a ser a primeira locadora brasileira a ir além do carro, com 800 bicicletas 

A mobilidade urbana e o retorno à escola

A mobilidade urbana e o retorno à escola

O transporte ativo e a aprendizagem ao ar livre têm um papel importante no planejamento da reabertura de cada escola.

O controverso retorno às aulas presenciais nas escolas envolve não só protocolos de segurança sanitária, como distanciamento entre os alunos, medidas rígidas de higiene e preferência por atividades ao ar livre, mas também questões importantes ligadas à mobilidade urbana. Afinal, como os estudantes devem ir e vir da escola? Já que o uso do transporte coletivo está em revisão nesses tempos, qual seria a melhor forma de se mover? 

A resposta diz respeito a mais simples, saudável, econômica e sustentável forma de locomoção: o transporte ativo, ou seja, a caminhada e a bicicleta. Caminhando ou pedalando, a criança e o jovem mantêm a distância necessária nessa fase, se exercitam e ainda contribuem para melhorar a nossa qualidade do ar, que é péssima em grandes cidades brasileiras, como São Paulo. 

Projeto Green Schoolyards, nos EUA, com aulas ao ar livre

A questão é que nem sempre é possível manter a mobilidade ativa, especialmente quando as distâncias são grandes. O princípio da “cidade de 15 minutos”, criado pelo cientista franco-colombiano Carlos Moreno – em que os moradores têm acesso a tudo o que precisam a apenas 15 minutos de caminhada – está longe de ser considerado por aqui.  

No modelo desenvolvido por Moreno, que trabalha na Universidade Paris 1 Panthéon Sorbonne, em vez da cidade com uma única região central, a urbanização deve ser feita com “centros” nos variados bairros, que contam com serviços de saúde, de educação, comerciais, industriais e administrativos. Isso reduz o tempo de deslocamento e facilita a vida das pessoas. 

Se aqui essa ideia parece utópica, lá fora já é uma realidade. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, encampou com tudo a tese de Moreno. Além de ampliar as calçadas e aumentar a rede cicloviáriaela estimulou as escolas a se equipar com paraciclos e bicicletários para acolher os alunos que vão pedalando. 

No Brasil, temos vários grupos e instituições que trabalham para melhorar a mobilidade urbana de crianças e adolescentes, especialmente nesse período crítico. O Carona a Pé, criado há cinco anos pela professora Carolina Padilha, que se inspirou em outros programas similares que acontecem ao redor do mundo, estimula a caminhada à escola junto com pais e professores – uma forma de despertar adultos e crianças para a importância de andar a pé e construir uma nova relação com a cidade onde vivem.  

“Nesse período pós-pandêmico isso é ainda mais urgente, pois permite o isolamento necessário para conter a contaminação do vírus e tornar a mobilidade das cidades mais eficientes”, diz Carolina Padilha. Além disso, ela destaca, “o caminhar de uma criança é sempre cheio de descobertas, aventuras, aprendizados e uma maneira de se aproximar da natureza nas grandes cidades. Uma cidade boa para as crianças é uma cidade boa para todo mundo 

Com o intuito de colaborar com o planejamento da reabertura das escolas quando houver condições sanitárias seguras, o programa Criança e Natureza, em parceria com outras instituições, vem discutindo com especialistas de diversas áreas as contribuições que a aprendizagem ao ar livre traz para a retomada das aulas presenciais. A ONG defende a educação para as crianças em espaços abertos, que, além de evitar o contágio da Covid-19, ajuda a reconectar os alunos à natureza, com reflexos positivos em seu desenvolvimento integral e saudável. Segundo estudos, o resultado da privação da vivência da criança e do adolescente em espaços abertos e naturais provoca efeitos sobre sua saúde e desenvolvimento. Obesidade, sedentarismo, baixa motricidade e até miopia são alguns dos efeitos relacionados à restrição de circulação e movimentação em áreas ao ar livre na infância e adolescência.