Os impactos do novo Plano Diretor da cidade de São Paulo

por | ago 1, 2023 | Coluna, Mobilidade | 0 Comentários

A revisão do Plano Diretor da cidade de São Paulo impacta a mobilidade urbana. Entenda a relação do projeto com o deslocamento das pessoas

Como fica a mobilidade urbana de São Paulo com a aprovação da revisão do Plano Diretor, uma lei municipal que orienta o crescimento e o desenvolvimento urbano de todo o município? Qual é o impacto da expansão da verticalização, que vem sendo feita em vários bairros paulistanos? E o que dizer do transporte coletivo, pouco valorizado e que agora volta várias casas no tabuleiro, uma vez que a revisão incentiva a implantação de vagas de garagem nos edifícios perto dos eixos de transporte?

 

Imagem de Perdizes, antes da revisão do Plano Diretor – foto Ivan Maglio

 

O Pro Coletivo conversou com Ivan Maglio, engenheiro e doutor em saúde ambiental, pesquisador do projeto “Cidades Globais” do Instituto de Estudos Avançados e do Laboratório de Áreas Verdes da FAU/USP. Confira os principais trechos dessa conversa:

Sem limite de altura
“A aprovação da revisão do Plano Diretor deixou muitas questões em aberto, em especial no item sobre a permissão de verticalização com edificações sem limites de altura nas áreas chamadas de EETUs (Eixos de Estruturação e Transformação Urbana), em torno dos eixos de mobilidade e transportes existentes e planejados até 2029. Essa expansão poderá elevar em cerca de 150% o território da cidade a ser adensado e verticalizado”.

Efeitos negativos do uso do carro
“A própria ampliação do uso de garagens mediante simples pagamento adicional – eram antes limitadas a uma vaga por apartamento nos EETUs – irá causar mais impacto no sistema viário e vai na direção contrária de redução do uso do carro, trazendo aumento de engarrafamentos, da poluição do ar e das emissões de gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global e as mudanças climáticas”.

 

Projeção de Perdizes pós-revisão do Plano – foto Ivan Maglio

 

Impactos ambientais nos bairros
“A ampliação das áreas destinadas à verticalização e adensamento foi feita sem que nenhum estudo de impacto urbano, ambiental, econômico e de capacidade de suporte dos sistemas de transporte tenha sido realizado. Além da ausência desses estudos, a imposição da ampliação dos limites dos EETUs não considera os grandes impactos ambientais que já estão em curso na maioria dos bairros e subprefeituras, como Perdizes, Pinheiros, Vila Mariana, Butantã, Belém, Tatuapé e Santana, entre outros”.

Planejamento precisa incluir a mobilidade coletiva e ativa
“A influência de qualquer plano diretor para a melhoria da mobilidade nas grandes cidades é enorme, mas faltam vontade política, planejamento e recursos para a construção e implantação de novas linhas de metrô, a expansão da rede de corredores de ônibus e de ciclovias. Esses sistemas deveriam ser os principais pilares do planejamento urbano moderno”.

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