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De volta aos palcos, Diogo Nogueira prepara turnê e interpreta o pai em musical-homenagem

De volta aos palcos, Diogo Nogueira prepara turnê e interpreta o pai em musical-homenagem

Diogo Nogueira é filho do samba, literalmente. Seu pai cantou ser seu espelho e ser espelho de seu próprio pai também. “Sempre que um filho meu me dá um beijo, sei que o amor do meu pai não se perdeu, só de olhar seu olhar eu sei seu desejo, assim como meu pai sabia o meu”, diz a música “Além do Espelho”, de João Nogueira. Se estivesse vivo, o sambista, compositor e cantor completaria 80 anos neste mês de novembro. Na mesma canção citada acima, ele recitou que a vida é uma missão, mas quando o espelho é bom, ninguém jamais morreu.

João estava certo sobre muita coisa, e uma delas é mesmo que o samba continua após a morte – essa, sim, é uma ilusão. E na bonita missão de preservar a memória do patriarca, seu filho, Diogo Nogueira, interpreta o pai em um musical, com estreia prevista para o primeiro semestre do ano que vem. A iniciativa é parte da série de comemorações que marcam as oito décadas de João Nogueira, no Clube do Samba – fundado por ele em 1979 e hoje liderado pela filha Clarisse. As celebrações incluem ainda o lançamento de um livro, shows de verão, desfile do bloco do Clube e oficinas de arte gratuitas.

 

Diogo e seu pai, o sambista João Nogueira - Foto: Arquivo Pessoal

Diogo e seu pai, o sambista João Nogueira – Foto: Arquivo Pessoal

 

“Vivi com meu pai até meus 19 anos, as lembranças mais fortes são das viagens que fazíamos juntos, das idas ao Maracanã…ele era um pai presente, e muito rígido também. Interpretá-lo é uma honra e uma grande responsabilidade”, conta. A principal herança de João para Diogo é o amor ao samba, o que, inevitavelmente, estende-se ao amor pelo Rio de Janeiro, ao amor pelo mar e pela areia, ao amor pela cozinha, enfim, ao amor por amar sem medo e com muita entrega.

Hoje, aos 40 anos, Diogo faz seu próprio e intenso enredo na história do samba. Com 14 anos de carreira na música, ele já lançou dez CDs, quatro DVDs – que venderam mais de um milhão de cópias – três singles, um EP com quatro canções nas plataformas digitais e um audiovisual com três álbuns, e foi indicado ao Grammy Latino por todos os seus álbuns, prêmio que venceu por duas vezes. O cantor emplacou ainda quatro sambas-enredo na sua escola, a Portela, em carnavais consecutivos, todos com nota 10 dos jurados. “O samba é minha vida, é herança familiar, é o que eu sou.”

A exemplo de todo esse significado, Diogo Nogueira foi homenageado pela escola de samba Imperatriz Dona Leopoldina, de Porto Alegre, no enredo “Espelho, de Filho Para Pai. A Imperatriz canta Diogo para João”, que deu o título de campeã naquele ano para a escola, no Carnaval de 2016.

Feito d’água

O destino no samba parece, agora, natural para Diogo. Mas antes de iniciar na música profissionalmente, o cantor tentou carreira como jogador de futebol. Com uma contusão no joelho, acabou mesmo nos palcos. Não poderia ser diferente. O esporte, porém, não saiu da vida e da rotina do cantor, que é amante de futevôlei e surfe. “Sempre fui muito ativo, comecei a praticar esses esportes na infância, também gosto de artes marciais”, conta.

A paixão pelas ondas é tamanha que a relação com mar vai se transformar em um documentário, o “Espelho d’Água”, com produção já iniciada. Com imagens feitas em Mentawai, na Indonésia, Diogo foi em maio deste ano também para a Nicarágua para surfar e filmar. “Pretendo voltar para a Indonésia para surfar mais, e tenho o desejo de conhecer as ondas do México e de El Salvador.”

 

Diogo Nogueira surfando - Foto: Divulgação

Diogo Nogueira surfando – Foto: Divulgação

 

A proximidade com as águas se reflete em suas músicas, nos seus shows e nos videoclipes. Em dezembro do ano passado lançou “Bota Pra Tocar Tim Maia”, primeiro single do repertório do projeto audiovisual “Samba de Verão” – filmado dentro de uma balsa num palco de 500m todo cenografado na Marina Center, em Niterói, com a vista privilegiada do Rio de Janeiro e a silhueta dos morros da cidade ao fundo. Lançados já em 2021, o primeiro álbum do projeto foi “Sol”, seguido de “Céu” e “Lua”, com as participações especiais de Zeca Pagodinho e Grupo Fundo de Quintal.

Em turnê com “Samba Verão”, Diogo Nogueira voltou aos palcos e tem shows programados para este mês no Teatro Bradesco, na capital paulista, e nos Arcos da Lapa, no Rio, em dezembro. “A pandemia impactou todo o nosso trabalho, todas as equipes de som e bastidores foram muito afetadas, mas agora estamos voltando, vacinados”, celebra.

E o sol, o mar e a areia não são os únicos elementos que compõem o amor de Diogo por sua cidade natal. “Gosto de tudo no Rio de Janeiro, da boemia, da Lapa, das rodas de samba, da leveza de poder colocar um chinelo no final do dia, da infância que tive com brincadeira na rua, com pipa e pique bandeira, de Rocha Miranda, dessa beleza toda.”

Apaixonado, sim

A principal fonte de inspiração para novas músicas agora tem nome, rosto e talento também conhecidos pelo público. Namorados, a atriz Paola Oliveira é a musa de Diogo, e ela ganhou uma nova canção do cantor, “Flor de Canã”. Inspirada no rum da Nicarágua, cheio de perfume e sabor, a música – lançada no final de outubro nas plataformas digitais – celebra a bebida que o casal descobriu e o compartilhamento de muitos gostos. “A gente adora as mesmas coisas, na minha viagem para a Nicarágua descobri esse rum e não via a hora de apresentar para ela, acabei trazendo para o Brasil e ela também gostou!”. E ainda canta, apaixonado: “Morri no mojito da tchica, paixão é o silêncio que grita”.

Dos copos para a mesa, Diogo Nogueira coloca avental, arregaça as mangas e se arrisca no fogão. Durante a quarentena, explorou ainda mais o gosto pela cozinha e elencou 20 receitas que faz bem, e com muito jeito, no seu novo e-book “Diogo na Cozinha”, lançado em 2020.

 

Diogo Nogueira com o apresentador Rodrigo Hilbert, se aventurando na cozinha no programa "Tempero de Família" - Foto: Ney Coelho

Diogo Nogueira com o apresentador Rodrigo Hilbert, se aventurando na cozinha no programa “Tempero de Família” – Foto: Ney Coelho

 

Entre frutos do mar, aves, carnes e sobremesas, os pratos carregam histórias de afeto, de viagens e de muitas reuniões entre família e amigos regadas a samba e alegria. “Samba e cozinha têm tudo a ver, as rodas começam cedo e vão até tarde, é preciso muita comida para manter a energia da rapaziada, lá em casa o dia começava e terminava na cozinha.” Cortando legumes e verduras para a mãe e a avó, Diogo aprendeu a cozinhar com gosto, outro aprendizado que veio de casa, assim como a música e o carisma oriundos do pai, do samba, do Rio de Janeiro e do Brasil.

 

Samba de breque

Uma música de João Nogueira?
Além do Espelho

Uma música de Diogo Nogueira?
Flor de Caña

Uma viagem inesquecível?
Fernando de Noronha

Uma tarde perfeita?
Surfando

A receita tradicional da família Nogueira?
Caruru do João

Primeiro o samba, e depois?
Me embriagar de prazer com meu amor

Um desejo para o Brasil?
Educação e cultura

 

Diogo Nogueira - Foto: Marcos Hermes

Diogo Nogueira – Foto: Marcos Hermes

 

Sob nova gestão, complexo do Anhembi vai virar distrito cultural e corporativo em 2024

Sob nova gestão, complexo do Anhembi vai virar distrito cultural e corporativo em 2024

Projeto de modernização e ampliação do Anhembi prevê novos espaços para congressos e conferências, além de uma arena para shows e eventos culturais e um complexo audiovisual.

O Anhembi é um dos grandes marcos de São Paulo e, em seus 50 anos de história, foi palco de grandes eventos, como o Festival de Jazz de São Paulo e importantes encontros corporativos, que o tornaram conhecido mundialmente. Sob nova gestão, o complexo voltará a ser um propulsor para a economia da cidade, movimentando – segundo expectativas do grupo à frente do projeto – cerca de R$ 5 bilhões/ano a partir de 2024.

 

Projeto da Arena Multiuso do Distrito Anhembi - Foto: Divulgação

Projeto da Arena Multiuso do Distrito Anhembi – Foto: Divulgação

 

A GL events Brasil, multinacional francesa e um dos principais players do mercado de eventos no mundo, é a responsável pela concessão nos próximos 30 anos, e cuidará da gestão, manutenção e exploração comercial do novo espaço, o Distrito Anhembi. “Nossa missão será devolver o protagonismo deste ícone com a união do que podemos oferecer de melhor em eventos, seja de negócios ou de entretenimento, além de aproveitar todo o potencial construtivo do local, desenvolvendo a região. Para isso, investiremos mais de R$ 1 bilhão na ampliação e modernização”, afirma Rodolfo Andrade, Diretor de Desenvolvimento de Negócios e Inovação da empresa.

A concessionária vai modernizar e ampliar os espaços para eventos já existentes, como o Centro de Convenções, Conferências e Congressos, que será qualificado para suprir uma importante carência da cidade. “Haverá um espaço moderno para 15 mil pessoas, para atender o mercado local de encontros de negócios”, conta. Uma arena multiuso para 20 mil pessoas ao lado do sambódromo também faz parte do projeto. “Poderemos realizar shows e grandes festivais utilizando todo o potencial local de forma integrada, será um dos melhores equipamentos de entretenimento do mundo.”

 

Projeto de conexão do Distrito com hotel e centros comerciais - Foto: Divulgação

Projeto de conexão do Distrito com hotel e centros comerciais – Foto: Divulgação

 

O Distrito Anhembi contempla ainda hotel, edifícios com vocações corporativas e de uso misto, coworking, equipamentos de saúde e centros comerciais. “O Anhembi, que ocupa uma área de 382,5 mil m2 em uma localização estratégica de São Paulo (encontro dos eixos Norte/Sul – Leste/Oeste), ganhará também um complexo audiovisual que vai impactar diretamente a indústria criativa, oferecendo estúdios para filmes, streaming, publicidade e games.”

As obras serão iniciadas a partir do segundo trimestre de 2022 e a previsão é de que, a partir do segundo trimestre de 2024, o Centro de Convenções e o Pavilhão de Exposição sejam reinaugurados, assim como a Arena Multiuso.

Aos 75 anos, Alceu Valença celebra sucesso planetário com quatro novos álbuns

Aos 75 anos, Alceu Valença celebra sucesso planetário com quatro novos álbuns

Nascido em julho de 1946, o cantor, compositor, advogado, cineasta, poeta e jornalista Alceu Valença celebra seus 75 anos agora em 2021. Confinado em seu apartamento no Leblon desde o início da pandemia, aproveitou para rever toda sua obra e compor canções inéditas. Enquanto isso, o mundo todo também mergulhou nos velhos sucessos desse trovador natural de São Bento do Una, no Agreste pernambucano. Na bruma leve das paixões que vêm de dentro, mais e mais pessoas dos quatro cantos do planeta – da Suécia à Argentina, do Canadá aos Emirados Árabes – se juntaram aos fãs de Alceu após “descobrirem” e se apaixonarem por alguns de seus clássicos, como “Belle de Jour” e “Anunciação”.

Agora, com o avanço da vacinação e a flexibilização das restrições sanitárias, o músico volta aos palcos, para shows no dia 25 de setembro em São Paulo (no Espaço das Américas) e nos dias 22 e 23 de outubro na capital fluminense (na casa de espetáculos Vivo Rio).

 

Alceu Valença - Foto: Leo Aversa | Divulgação

Alceu Valença – Foto: Leo Aversa | Divulgação

 

Na entrevista a seguir, Alceu fala sobre seus novos álbuns, discute o passado e o futuro, filosofa sobre o seu DNA nordestino e tenta explicar a viralização global de seus antigos hits.

Como foi sua quarentena, foi um período produtivo?
Todo mundo aqui se contaminou com esse vírus antes da pandemia se instaurar, logo depois do Carnaval de 2020. Eu, meus dois filhos e minha mulher testamos positivo, mas tivemos sintomas leves. Para mim, esses meses de confinamento foram improdutivos e produtivos. Improdutivos porque tive de cancelar 40 shows pelo Brasil e outros 14 na Europa. Mas foi também uma fase muito produtiva, porque compus cerca de 30 novas canções. Viajo muito e, nessas turnês, nunca sou eu quem cuida do meu violão. Eu só me encontro com ele na passagem de som, pouco antes dos shows. Nesses últimos meses, trancado em casa, tive a oportunidade de me reconectar com o instrumento. Há décadas não tocava tanto violão. Como resultado desse grande encontro nasceram 4 álbuns. Dois que já estão nas plataformas digitais e mais dois que serão lançados em breve.

E como foi a escolha do repertório desses álbuns?
Cada álbum tem um roteiro sentimental, as músicas contam uma história que se formou na minha cabeça, misturando releituras de velhos sucessos, tesouros garimpados nos lados B dos meus discos e composições inéditas. O primeiro, “Sem Pensar no Amanhã”, lançado em março, começa na praia de Boa Viagem com “Belle de Jour”, sobrevoa igrejas de Olinda em “Mensageira dos Anjos”, viaja com “Táxi Lunar” e vai a Itamaracá com “Ciranda da Rosa Vermelha”. A música me levou a lugares que a quarentena me impedia de visitar. Não há vírus capaz de deter a poesia. Já “Saudade”, o segundo álbum, lançado agora em agosto, começa com o samba “Era Verão”, que fala da minha mudança do Recife para o Rio, no começo dos anos 1970. Daí eu encontro uma morena com “Tropicana”, nós nos amamos “Como Dois Animais”, vivemos os conflitos de “Tesoura do Desejo”, mergulhamos em “Solidão” e “Saudade” e, ao final, nos reconciliamos no meu Pernambuco com “Ladeiras” e “Olinda”. Nos próximos dois discos, vou explorar mais a fundo os ritmos do Nordeste profundo, com baiões, xotes, martelos agalopados, toadas e emboladas.

Pelos títulos dos álbuns, parece que você não quer falar sobre o futuro (“Sem Pensar no Amanhã”), mas aceita sem problemas falar de passado (“Saudade”). Você está em um momento nostálgico?
Quando falo de saudade, não estou me referindo a algo distante, estou falando do meu presente, de hoje, de ontem, da falta que sinto de fazer shows, de poder andar na rua, de encontrar os meus amigos. A letra dessa música é bem clara: “Saudade da estrada, saudade da rua / saudade de amigos, como eu confinados / que mesmo distantes estão ao meu lado / Respiro o presente / esqueço o passado, os meses e as horas”.

Também na faixa “Saudade”, você diz que projeta um mundo mais civilizado, com mais saúde e menos miséria. Na sua opinião, o que é que mais está faltando no mundo neste momento?
Falta empatia, falta fraternidade. Quem tem muito deveria dividir mais com quem tem pouco ou nada. A desigualdade é uma doença pior do que a Covid. A riqueza precisa ser distribuída de uma forma mais justa. A solidariedade deveria ser a seta que orienta a nossa vida no “novo normal”. Se isso acontecesse, seria um “legado positivo” da pandemia.

Alceu Valença com a bandeira de Pernambuco - Foto: Divulgação

Alceu Valença com a bandeira de Pernambuco – Foto: Divulgação

E agora que você vai enfim sair do confinamento, quais são as suas expectativas para os shows de SP (em setembro) e do Rio (em outubro)?
Estou ansioso para reencontrar a plateia. Apesar de coincidir com o lançamento do álbum “Saudade”, não serão shows de voz & violão. Estarei no palco com Leo Lira (guitarra), Tovinho (teclados), Nando Barreto (baixo), André Julião (sanfona) e Cássio Cunha (bateria). Tenho vários formatos de shows – uns mais intimistas, outros mais festeiros – mas esses agora vão ser do tipo “resumão”. Vamos passear por sucessos de todas as fases da minha carreira – como “Coração Bobo”, “Táxi Lunar”, “Cavalo de Pau”, “Anunciação” e “Papagaio do Futuro” – e por clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, como “Baião”, “Vem Morena” e “Canto da Ema”.

Como será o Carnaval em 2022? Já enxerga uma volta à normalidade?
Se dependesse de mim, o Carnaval de 2022 seria igual ao de 2020. Celebraríamos a retorno a uma vida bem próxima daquela que podíamos levar antes da pandemia, como muita alegria e muita animação. Festa é sinônimo de encontro, de gente, de confraternização, de toque e de calor humano. Em 2020, meu trio foi seguido por mais de 200 mil pessoas no Parque do Ibirapuera e outras centenas de milhares no Recife e em Olinda. Ainda não temos nada definido, mas acredito que vai ser possível fazermos festa com segurança. Nos Estados Unidos, sobra vacina porque a população parece não estar muito interessada na imunização. Mas aqui a vacinação só não é mais rápida pela falta de imunizante. Todo mundo adora vacina! Até o Carnaval, toda a população brasileira já terá recebido devidamente suas duas doses. O povo quer se proteger para se livrar da tensão causada por essa moléstia. E o Carnaval será o marco dessa “libertação”. A alegria vai ser mais contagiante do que o corona!

Após ouvir “Sem Pensar no Amanhã” e “Saudade”, me pareceu que o timbre da sua voz está ficando mais agudo. Foi só uma impressão minha?
Que curioso, alguns dizem que a minha voz ficou mais grave, enquanto outros – como você – falam que está mais aguda. A verdade é que eu estou cantando diferente nesses álbuns de voz & violão. É um canto mais macio, mais intimista, mais doce, em harmonia com o violão. Não preciso fazer força nem disputar espaço com guitarras, percussão, teclados e naipes de sopros. Imagino que seja isso o que as pessoas estejam estranhando…

Você nasceu em São Bento do Una, cresceu e se formou em Direito no Recife, fez curso de verão na Universidade de Harvard, já morou em Paris e há décadas vive no Rio de Janeiro. Onde você se sente mais à vontade? Hoje você se considera mais carioca ou pernambucano?
Sabe, meu cabra, a verdade é que eu não moro em cidades, eu namoro cidades. Meu relacionamento com elas normalmente é muito breve. Estou sempre viajando, mas em geral eu chego num lugar, vou para o hotel, me apresento de noite, faço um ou outro passeio durante o dia, visito um restaurante ou museu e é só. Quando rola uma paixão, é algo efêmero, fugaz. E, apesar de ter passado mais da metade da minha vida tendo um apartamento no Rio como meu endereço residencial oficial, ainda me sinto um pernambucano. Jamais vou perder as minhas raízes. Esse DNA está presente na minha música e impregnado na minha personalidade.

Você passou por todas – ou quase todas – as grandes gravadoras, como Som Livre, EMI, Sony, Polygram… agora está na Deck. O que piorou e o que melhorou na indústria fonográfica nesses seus 50 anos de carreira?
Por um lado, hoje é muito, mas muito mais fácil para um artista gravar seu trabalho, produzir um álbum, um clipe, sem interferências de alguém do departamento de marketing. Depois é só publicar em uma das plataformas de streaming e o mundo todo terá acesso à sua obra, sem perrengues de prensagem ou distribuição. Isso é algo que melhorou muito. Por outro lado, a concorrência hoje é imensa e, muitas vezes, seu trabalho fica perdido num mar de canções de todo tipo, dos mais diversos ritmos, gêneros e procedências. Você fica meio que refém de um algoritmo ou de um sei-lá-o-quê que define quem vai te ouvir. Muitas vezes, algo medíocre faz um sucesso enorme e um trabalho da melhor qualidade fica esquecido e escondido nesse oceano virtual de arquivos sonoros. É complicado…

Como você explica esse novo “hype” de “Anunciação”, quase 40 anos depois de seu lançamento? A canção virou trilha do ‘Big Brother Brasil’, hino da seleção brasileira de futebol feminino em Tóquio e ‘bomba’ até nas pistas de dança no Brasil e no mundo, em versão dançante. Você fatura mais com ela hoje do que faturou nos anos 1980?
A música viralizou. Foi isso o que aconteceu. De repente, saltou para 55 milhões de visualizações no YouTube e outras dezenas de milhões no Spotify, na Deezer e na Apple Music. “Belle de Jour” também virou um grande hit planetário, com mais de 175 milhões de views no YouTube. Qual a explicação? Viral não tem explicação. Não existe receita para fazer um vídeo viralizar. Simplesmente acontece. Uma vez, em Portugal, eu, a Elba [Ramalho] e o Geraldo [Azevedo] gravamos um vídeo com o celular num Miradouro com uma vista linda e postamos, certos de que aquilo ia arrebentar na internet. Nada! Outro dia, fui à padaria aqui perto de casa, no Leblon, e vi um turista francês tocando ‘Anunciação’ no clarinete. Me apresentei a ele, disse que era o autor da música e, segundo depois, estávamos fazendo um vídeo, no improviso, acompanhados por uma menina da Argentina e um canadense ao violão. Este vídeo, gravado pela Yanê, minha esposa, teve muito mais repercussão e mais likes do que aquele que produzimos em Lisboa no capricho e com grandes artistas. Vai entender… Quanto à sua pergunta sobre dinheiro, infelizmente não estou um Real mais rico por causa desse ‘boom’. As plataformas digitais remuneram muito mal os artistas. Mas fico feliz com o sucesso, por atingir um público novo e por ter ajudado a elevar o ânimo das meninas do futebol feminino.

A propósito, a que se refere a letra de “Anunciação”? Ela é apenas uma epifania sobre a chegada de uma mulher ou é um hino de esperança pela volta de dias mais felizes?
Eu não sei compor músicas sob encomenda. Para mim, não existe isso de escolher um tema, sentar e escrever uma nova canção. A inspiração vem quando ela quer, do jeito que ela quer. Eu componho como o Chico Xavier, sou tomado por um surto criativo que me leva a lugares que nem o meu inconsciente sabe explicar. “Morena Tropicana”, por exemplo, foi composta num quarto de hotel em São Paulo, numa época em que eu estava namorando uma loira. Ou seja, não tinha nem uma morena e nada tropical por perto! [risos] A inspiração veio porque me lembrei das obras de um artista plástico recifense, Sérgio Diletieri Lemos, famoso por pintar frutas tropicais como mangas, cajus, sapotis, umbus e cajás. No caso de “Anunciação”, eu tinha acabado de comprar uma flauta transversal e saí com meu novo instrumento pelas ruas de Olinda para ver se algo ali me estimularia a compor. Passei pelo sino da catedral, pelo quintal onde a roupa estava estendida no varal, depois uma amiga sussurrou no meu ouvido que a melodia que eu estava executando era muito bonita e assim foi. A música é uma colagem do que vi naquela manhã de domingo. Mas, como eu me envolvi profundamente com a campanha pelas “Diretas Já” e viajei o Brasil todo com Ulysses Guimarães e outras lideranças desse movimento na época do lançamento da música, muita gente associou a letra ao retorno da Democracia. Já falei mil vezes que a letra não tem nenhuma conotação subversiva, mas até hoje tem gente insistindo que ela tem. Não sou político e nem profeta – sou poeta!

Empresária, cantora e influenciadora, Preta Gil leva reflexões sobre a liberdade do corpo

Empresária, cantora e influenciadora, Preta Gil leva reflexões sobre a liberdade do corpo

Preta Gil é sinônimo de ousadia, liberdade, autenticidade e franqueza, qualidades que ela expressa em seu dia a dia, nas redes sociais e no Carnaval de rua de Salvador, de São Paulo e do Rio de Janeiro. À frente do Bloco da Preta, a cantora costuma reunir 1,5 milhão de foliões em um único dia. Preta também é referência de lutas importantes do nosso tempo, além de ser uma empresária bem-sucedida e múltipla.

Entre uma agenda recheada de shows, sociedade em agências e marcas, e ativismos nas redes sociais, a função de avó da pequena Sol, de 4 anos, é vista por Preta como “a experiência mais incrível” de sua vida: “Não é algo que você se prepara, mas quando acontece você simplesmente aprende com cada momento e a cada instante”. Casada pela segunda vez e mãe de Francisco Muller, de 25 anos, Preta foi mãe jovem, aos 20 anos, e hoje, aos 45, é uma avó entusiasmada, que está sempre com a neta, inclusive nas redes sociais.

Empresária, influencer digital e cantora, Preta Gil faz de tudo um pouco. Foto: Alex Santana

Quando começou a cantar profissionalmente, no início dos anos 2000, a cantora esbarrou em algumas questões. Tinha que encontrar a sua turma, expressar o que sempre pensou e queria aplicar os conhecimentos técnicos de publicidade em sua carreira musical.

Não é pouca coisa ser filha de Gilberto Gil, um dos maiores músicos brasileiros, e Preta soube aproveitar a rica herança musical e cultural do pai e de todos os amigos que fizeram a MPB ser o que é a partir dos anos 1970. Dele, herdou o ouvido aberto e atento: “O melhor conselho que ele me deu foi que eu precisava encontrar sozinha os meus estilos e as pessoas que somariam à minha música”.

Deu certo. O primeiro álbum de estúdio de Preta Gil , o “Prêt-à Porter”, foi lançado em 2003. A cantora tirou fotos nua para a capa e o encarte do CD, o que rendeu muitos comentários na época, já mostrando a que veio. “Se eu fosse magra, o barulho não seria tão grande”. A partir daí, ela passou a se posicionar fortemente, propondo reflexões sobre a importância de aceitar o próprio corpo e romper com padrões escravizantes de beleza.

Preta foi criança nos anos 1980, quando acompanhava alegremente a disco music, as Frenéticas e o programa do Chacrinha, expoentes culturais importantes no país, que influenciaram o estilo da carioca. A cantora também traz da infância a memória de uma casa viva e cheia de irmãos com múltiplos talentos. “O cheiro de dendê me remete àquele tempo”, lembra com carinho.

Preta, com Gilberto Gil, em seu bloco no Rio de Janeiro

Preta é filha da empresária Sandra Gadelha, é enteada de Flora, casada com Gil há 32 anos, e afilhada de Gal Costa. “Mulheres que são exemplo de força sem diminuir ninguém, elas me ensinaram a ser livre e lutar contra os preconceitos. Foi minha mãe que me mostrou o que é ser antirracista. Ela é branca, mas brigava por nós sempre!”

Vá se benzer

É justamente por causa da luta contra as discriminações que Preta Gil se tornou, entre tantas funções, influenciadora. Com 7,5 milhões de seguidores no Instagram, a cantora não deixa de postar sobre liberdade sexual, sendo apoiadora assídua da comunidade LGBT+, expressando também em suas músicas o direito de amar quem quiser.

Lançou no ano passado o clipe “Só o Amor” com a cantora e drag queen Gloria Groove, impulsionando a narrativa da personagem de Glamour Garcia, atriz trans que interpretou Britney na novela “A Dona do Pedaço”, da TV Globo. Preta Gil ainda trouxe outras mulheres trans da vida real ao clipe, com homenagens para figuras célebres como Rogéria, Roberta Close e Laerte. “Essas são verdadeiras heroínas”, enfatiza. Misturando diferentes mídias e vozes influentes, ela sabe ser estratégica para se fazer ouvir.

A cantora com os irmãos e a mãe, Sandra Gadelha. Foto: Acervo pessoal

As parcerias na música sempre foram diversas, assim como os ritmos escolhidos pela cantora. Entre suas canções há pop, samba, axé e tudo junto. Estilos que estão presentes na música “Vá se Benzer”, em parceria com Gal Costa, lançada em 2017. “Naquele momento eu precisava de uma força materna do meu lado, por isso escolhi a minha madrinha para cantar comigo”.

Para a cantora, a arte é um conjunto de expressões. Seu corpo, seus pensamentos e a direção de arte se transformam em amplificadores de sua música. “Na minha casa nunca teve isso de essa música é boa ou não, não importa… Fomos criados com ouvido aberto, eu canto o que toca o meu coração. A música tem que bater em algum lugar em você, seja no coração, na cabeça ou no quadril”.

Da Central do Brasil à Estação da Luz

Preta nasceu no Rio de Janeiro e tem em Salvador suas origens e referências culturais, já que essa é a cidade de seu pai. “Sou também apaixonada por São Paulo, é um lugar noturno e cheio de energia, me identifico”, diz ela, que hoje está sempre na ponte aérea, e por isso mantém uma casa na capital paulista.

“Lembro que nós viajávamos muito de trem do Rio para Sampa quando era pequena. Mal conseguia dormir observando tudo pelas janelas… Saíamos da Central do Brasil direto para a Estação da Luz, essa foi uma conexão que eu amava”.

Preta com o marido, Rodrigo Godoy. Foto: Divulgação

Em São Paulo, Preta Gil trabalha muito. É sócia da agência Mynd, especializada em marketing de influência e entretenimento, com clientes famosos da música, como Luísa Sonza e Pabllo Vittar. Um do trabalhos mais recentes da empresa inclui um dossiê sobre o comportamento musical do país, com tendências sobre o funk, que é referência de música brasileira no exterior.

“Também sempre fui muito ligada à internet e dizia para todos os meus amigos cantores para estarem nas redes sociais”. Foi uma das primeiras cantoras a ter Orkut e páginas próprias, há mais de uma década. “Segui as atualizações e consegui um olhar privilegiado sobre como os artistas podem se conectar com marcas de forma verdadeira no ambiente digital”, observa.

Seu diagnóstico é que o mercado de publicidade nunca foi tão sincero: “Tudo está junto, o que está na TV e na rádio está na internet. É preciso orquestrar as mensagens e as pessoas esperam espontaneidade e transparência”.

Além da sociedade na agência, Preta ainda tem uma marca própria de esmaltes e administra o Bazar da Preta, brechó beneficente que revende roupas e acessórios de famosos, como Anitta, Kelly Key, Carolina Dieckmann, Danilo Faro e Sabrina Sato, no Rio de Janeiro e em São Paulo, e reverte o valor para instituições filantrópicas.

Sangue e suor de Carnaval

Quatro gerações da família Gil, com filho e neta. Foto: Acervo pessoal

Há 11 anos na capital carioca, o Bloco da Preta iniciou a tendência de grandes blocos de rua comandados por cantores. Hoje, Tiago Abravanel, Elba Ramalho, Léo Santana, Alceu Valença, entre outros artistas de diversos estilos, arrastam multidões pelas avenidas durante o Carnaval. “É incrível ter aberto essa ala, o Carnaval é um evento acessível e democrático, para todo mundo que quiser aparecer”.

As expectativas para a festa deste ano incluem receber mais de um milhão de pessoas também no bloco em Salvador e São Paulo, além de misturar pop, funk, samba e axé na folia de todo mundo. No comando de tanta alegria, Petra Gil é sincera e feliz ao analisar a carreira: “Para mim, palavra de recompensa não é sucesso, é felicidade”.

Jogo rápido

Quais os maiores desafios da sua vida no momento?

O maior desafio é conciliar o tempo dedicado à família e dar conta dos meus muitos compromissos de trabalho. Esse equilíbrio entre as diferentes forças e demandas é um objetivo constante.

Como você descreveria a si mesma?

Sou uma pessoa feliz, sem preconceitos e fiel aos meus princípios e amigos.

Pelo que e como você gostaria de ser lembrada?

Nunca parei para pensar nisso, mas gostaria de ser lembrada como alguém que foi feliz fazendo o outro feliz.

Qual a melhor forma de começar o dia?

Com um beijo de alguém que amo que esteja por perto.

Qual a coisa mais louca que já fez?

Não sei se foi a mais louca, mas aceitar ser rainha de bateria da Mangueira foi sem dúvidas uma ousadia, o Bloco da Preta foi consequência disso. Hoje, me sinto realizada por ter deixado o Carnaval entrar na minha vida dessa forma tão intensa. Viva a Mangueira! Viva o Carnaval!

Veja nosso Ping Pong com a cantora:

Trilha sonora certa para todos os Carnavais, Ivete Sangalo completa 27 anos de carreira

Trilha sonora certa para todos os Carnavais, Ivete Sangalo completa 27 anos de carreira

O sol parece sempre brilhar para Ivete Sangalo. Na verdade, ela é a chama e o próprio astro rei da maior festa popular do país, o Carnaval. Mas sua fama e seu conhecido agito ultrapassam fevereiro e março, faz gente de toda cor, todo lugar e toda idade pular em qualquer época do ano. “É a melhor cantora do país”, gritam paulistanos mesmo debaixo da tradicional garoa da cidade, em um show ainda a dois meses dos blocos, desfiles, folias e alegorias, no Festival Eletriza, no Anhembi. A energia e a potência incidem do palco em duas horas de apresentação. Quase três décadas de carreira tornam Veveta referência e ídolo, e anunciam que, se depender dela, ainda muita festa virá pela frente.

Ivete Sangalo

Ivete comemorando os 10 anos de sua carreira solo

Se é a melhor cantora do país, Ivete não gosta de comparações e prefere não responder. É a mais popular. O que importa é incluir todo mundo na sua música: “Se relacionar bem é ter empatia. Eu quero ser respeitada e ouvida por todos, então me esforço para perceber as outras pessoas também”.

São diversas parcerias desde o início de sua carreira solo, quando saiu da Banda Eva, em 1999. Os duetos internacionais incluem a canadense Nelly Furtado, o espanhol Alejandro Sanz e até a banda de rock norte-americana Dave Matthews Band. Por aqui, os “feats” vão de Roberto Carlos, Criolo, Daniela Mercury, Maria Bethânia, Carlinhos Brown a Ludmilla, companheira do possível hit do Carnaval de 2020, ainda não divulgado.

Como se vê, o axé não é o único combustível de Ivete. Já em seu primeiro álbum, que ganhou disco de platina em 2000, com 1 milhão de cópias vendidas, a cantora apresentou outros ritmos. A balada romântica “Se eu não te amasse tanto assim”, composta por Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle, é a prova e foi cantada por grandes nomes da música brasileira como Caetano Veloso e Gilberto Gil.

E música de sucesso é o que não falta no seu repertório. Suas canções dialogam com o Brasil. Marcam acontecimentos relevantes de nossa história recente. O hit “Festa” é gatilho de felicidade e traz a lembrança do pentacampeonato na Copa do Mundo de 2002, já que foi a música da comemoração do troféu na TV e em todos os cantos. “Nunca imaginava cruzar as fronteiras da Bahia, a música que eu faço é original de onde venho. Então me deixa honrada ser compreendida e acolhida pelo país, ainda mais em clima de união. Vejo que minha música mexe com as pessoas”.

Ivete, com sua família

Desde quando começou a cantar profissionalmente, em 1993, até hoje são mais de 300 canções. Ivete já vendeu mais de 20 milhões de cópias e recebeu mais de 150 prêmios nacionais e internacionais, como o Grammy Latino. Por mês, a cantora realiza uma média de 10 intensos shows e suas redes sociais somam incríveis 45 milhões de seguidores.

Veveta maré cheia

O Brasil de Ivete é diverso e, principalmente, alegre. As raízes explicam. “É como se eu morasse em Juazeiro até hoje, aquele lugar ainda está na minha memória. O bem viver que levo vem de lá”. Na casa de infância da cantora, a música vinha do violão do pai e da voz da mãe, que ouviam e cantavam juntos a música de Clara Nunes “Conto de areia”, o que rendeu o apelido “Veveta maré cheia”, dado pelo pai para a caçula.

Havia ainda os ritmos diversos dos quatro irmãos, que desde cedo tocavam e ouviam de tudo. “Com uma casa cheia dessas, não tem como não se abrir para novos estilos… Era viola, percussão, era uma diversidade imensa”. Foi o irmão Ricardo quem percebeu o talento de Ivete e começou a agendar shows em bares de Salvador. Durante uma apresentação em Morro do Chapéu, cidade a 390 quilômetros da capital baiana, ela chamou a atenção do produtor Jonga Cunha, dono do Bloco Eva, que a convidou para integrar a banda.

Cantora desfilando na escola de samba Grande Rio, em que foi homenageada em 2017

Com o trabalho da cantora, a família passou a ter uma vida estável novamente, após anos de dificuldade causada pela morte do pai e de um dos irmãos, Marcos. Durante aquele período, Ivete e sua irmã, Cyntia, chegaram a vender marmitas feitas pela mãe, Maria Ivete. Mas com o sucesso na música, Cyntia ficou responsável pelo figurino dos shows e, hoje, a família está toda envolvida na IESSI Music Entertainment, empresa responsável pela carreira da baiana, com 40 funcionários trabalhando diretamente para ela.

Quando se casou com o nutricionista Daniel Cady, em 2008, Ivete formou um novo núcleo familiar, também repleto de alto astral. Teve o filho Marcelo, hoje com 10 anos, que já acompanha a mãe na bateria em algumas festas. “Com o tempo, ele também vai poder se encontrar nos próprios ritmos”. E há dois anos a cantora viveu uma nova experiência com a maternidade, gestou as gêmeas Helena e Marina. “Elas são diferentes, às vezes esqueço que nasceram juntas, já mostram que têm seus jeitos particulares”. Ivete ainda deseja ter mais filhos, quantos forem possíveis, em suas palavras. “Venho de uma casa cheia e gosto muito disso”.

A cantora parece ultrapassar as barreiras do envelhecimento, ou melhor, os anos passam e a disposição, feliz e simplesmente, não. Com 47 anos, Ivete mostra que envelhecer apenas é um problema se existem obstáculos, o que para ela, com uma rotina de exercícios físicos e, principalmente, simpatia, não há. “Minha fonte de juventude são meus filhos também”.

Com ternura e desenvoltura

Sair dos palcos para apresentar programas de TV foi um caminho natural. Muito amiga da apresentadora Xuxa, a cantora comandou o “Programa da Xuxa” na TV Globo em 1998, durante a licença-maternidade da apresentadora. “Naquela época, tentei transmitir a naturalidade de Xuxa, falando para o público com ternura e desenvoltura. Acho que deu certo!”.

Quatorze anos depois, Ivete voltou à televisão, mas dessa vez em horário nobre e atuando no papel de Maria Machadão na novela “Gabriela”, de Walcyr Carrasco, inspirada no livro de Jorge Amado. “Atuar foi uma das melhores experiências que tive, e foi algo inesperado e surpreendente, pois nunca havia desejado aquilo até então”.

Desde 2018, Ivete é jurada no The Voice. Na última edição, esteve ao lado de Iza, Lulu Santos e Michel Teló aconselhando cantores de todo o Brasil. Para os novos talentos, a cantora enfatiza a autenticidade, o que ela própria leva para a vida.

Ivete ao lado dos apresentadores e outros jurados do The Voice. Foto: Globo / Paulo Belote

“Digo para terem uma postura honesta com todo mundo, seja com o público, com os jurados e com outros artistas. As pessoas lembram disso, você acaba colhendo a honestidade”. Este ano, ela também estreia no programa “Música Boa”, do Multishow.

Os shows continuam lotados mesmo entre as aparições na TV e alguns foram a amostra da potência de Ivete. Gravado no Estádio do Maracanã, em 2006, o disco “Ivete no Maracanã” reuniu grandes sucessos, como “Sorte Grande”, “Abalou”, “Arerê”, “País Tropical” e “Taj Mahal”, em um show para 60 mil pessoas no Rio de Janeiro.

O DVD teve quase um milhão e meio de cópias comercializadas, batendo todos os recordes mundiais da Universal Music, desbancando U2, Amy Winehouse e outras estrelas da companhia na época. Em 2010, Ivete gravou no Madison Square Garden, em Nova York, o quarto DVD da carreira, com participações do argentino Diego Torres, do colombiano Juanes, de Seu Jorge, do britânico James Morrison e da dupla de reggaeton porto-riquenha Wisin & Yandel.

Sempre em Salvador

Os planos para fevereiro são viver intensamente Salvador, como é seu costume há 27 anos. “No Carnaval, não tem jeito, eu não saio de lá”, brinca. Neste ano, a cantora anunciou um camarote próprio para convidados no circuito Dodô (Barra-Ondina), além de seguir no Bloco Coruja, que desfi la durante o sábado, domingo e segunda e tem a cantora como atração nos três dias de folia, arrastando milhares de pessoas pelas ruas em festa.

Cantora no papel de Maria Machadão, na novela “Gabriela”

“Curto muito as festas do Rio, de Sampa e de Olinda, o Carnaval é diverso e traz muitos estilos, é natural ter bloco para todo mundo. Mas abraçamos a rota de Salvador há muito tempo e não tenho planos de sair de lá. É a minha casa”. Para Ivete Sangalo, 2020 só começa de fato após a festa popular e, para o novo ano que chegou, a baiana continua desejando alegria a seu comando: “O melhor jeito de passar o Carnaval é comigo!”, avisa.

Confira nosso Ping Pong com a cantora: