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A moda é repórter fiel de uma época, e a nossa é de urgências sociais e ambientais

A moda é repórter fiel de uma época, e a nossa é de urgências sociais e ambientais

A moda espelha as mudanças de um tempo, de uma geração, e até de uma sociedade. Em um mundo ativista, a maneira como nos vestimos diz muito sobre nós, espalha a nossa visão de mundo. Perguntas como qual a origem do material da camiseta que vestimos, qual a mensagem que determinada estampa ou cor reverbera –, ou ainda o que está por trás dela, no que diz respeito à mão de obra – são questionamentos cada vez mais frequentes. Afinal, ninguém quer usar uma roupa feita por uma marca que usa trabalho escravo em sua manufatura ou é confeccionada a partir de um material que polui nossos mares, rios e oceanos, não é mesmo? 

O setor é rápido, ágil, tem o poder de se adaptar e vem enfrentando consequências de uma produção que não se integrava às questões sobre o planeta e as pessoas. A boa notícia é que a criatividade sempre foi uma aliada, e projetos de impacto positivo vem surgindo a cada estação. 

 

Foto divulgação

 

A moda, por vocação, aponta novos caminhos e antecipa tendências. Desde a Revolução Industrial, participativamente de todas elas. Vestiu as mulheres com uniformes no pósguerra, aumentou seus ombros em sinal de força com as ombreiras nos anos 1980 e, na virada do milênio, democratizou o estilo proporcionado acesso a todos. Nas últimas décadas, em um mundo pós globalizaçãoem que a escala e lucro não combinavam com consciência e natureza, perdeu o foco e deixou de ser contemporânea de si mesma. 

Felizmente, passamos da era da máquina para a das informações e da conectividadeNesse novo mundoconectado e em rede, a moda tem uma nova função, um novo papel nesse ano que se anuncia: o de espalhar a mensagem da consciência e da responsabilidade com o meio ambiente e com a sociedade. 

Marcas e consumidores finais se encontraram em momentos de restrição e dúvidas neste ano. Se relacionaram de outra forma, em outros formatos e desenvolveram novos canais de comunicação. 2021 será de mais açãoe as marcas serão convidadas a mostrar de fato como estão colaborando para um mundo melhor. Já sabemos que sustentabilidade não é tendência, é garantia de futuro.  

Desejo a todxs um ano novo mais saudávelresponsável, inclusivo, diverso e sustentável. Vamos juntxs! 

A biodiversidade brasileira precisa ser valorizada e conservada

A biodiversidade brasileira precisa ser valorizada e conservada

Alerta biodiversidade!

No Brasil temos uma das maiores e mais ricas biodiversidades do mundo, e nossos seis biomas (Mata AtlânticaCaatingaCerradoAmazônia, Pantanal e Pampas), fundamentais para a qualidade e equilíbrio do planeta, requerem mais atenção. 

As queimadas no Pantanal este ano atingiram os maiores níveis já registrados na história, destruindo até agora cerca de 15% do bioma e áreas de preservação. Na Amazônia, um bioma úmido, onde não existe queimada que não seja causada pelo homem, também houve aumento de incêndios de proporções enormes nos últimos meses. 

Sabemos que as empresas têm um papel importante nesse cenário e integrar os biomas nos meios de produção nos mercados de moda, beleza e design, com modelos de desenvolvimento sustentável, são de fato as melhores formas de garantir subsistência para as comunidades locais e a preservação dos ecossistemas. 

Nesse sentido, surgiu o projeto Amazonia 4.0, que representa uma nova forma de organização e produção de conhecimentos para a região amazônica, em que tecnologias avançadas, formação prática e ambientes de prototipagem, fortalecem o empreendedorismo da floresta em pé. “Precisamos pensar numa Amazônia 4.0, que seja explorada com valores de ontem, mas com as tecnologias de hoje”, disse o climatologista Carlos Nobre, um dos maiores pesquisadores brasileiros sobre mudanças climáticas e grande defensor do uso sustentável dos recursos da floresta. 

O Pacto Global lançou, recentemente, um guia com 10 princípios para empresas atuarem de forma responsável no bioma amazônico e funcionam como um norteador para as corporações.  

Em tempos de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ASC)empresas dos setores de moda, beleza e design podem engajar seus stakeholders e colaborar para que a biodiversidade brasileira seja valorizada e conservada.  Para conhecer os 10 Princípios Empresariais para uma Amazônia Sustentável, acessehttps://materiais.pactoglobal.org.br/10-principios-empresariais-amazonia-sustentavel

Vamos Juntxs! 

 

Sustentabilidade: Investidores já procuram empresas mais sustentáveis e transparentes para caminhar junto

Sustentabilidade: Investidores já procuram empresas mais sustentáveis e transparentes para caminhar junto

O Environmental, Social and Governance (ESG) ou Ambiental, Social e Governança (ASG) é um índice que avalia as ações das corporações segundo suas práticas sustentáveis relacionadas ao meio ambiente, as suas condutas no que diz respeito ao pilar social, e à sua gestão como um todo.

Esse tema não é nada novo, mas até pouco tempo era exclusivo das reuniões fechadas e, hoje, começa a fazer parte do cotidiano das empresas. A agenda se abriu e todos os envolvidos na cadeia de produção começam a se familiarizar com o conceito. No caso da moda, beleza e design, setores de grande visibilidade, pela velocidade das informações, e das mídias sociais, essas três letras vêm ganhando espaço.

Pesquisas apontam crescente preocupação com a sustentabilidade nesses setores desde 2016. As mídias sociais confirmam a vocação dos três setores em espalhar mensagens, portanto estamos falando de uma tendência de consumo em que cada vez mais, empresas e consumidores estão atentos à pegada deixada pelos seus modos e hábitos. Da conscientização sobre os resíduos gerados pela indústria da moda, ao manejo de recursos naturais na movelaria, decoração e design; e a produção de embalagens de menor impacto no mercado da beleza e dos cosméticos, a necessidade de ajustes é evidente.

Quando falamos de ESG precisamos sair da superfície das discussões, pensar nos métodos e não apenas em resultados. Um produto bem avaliado sob o ponto de vista comercial, não indica, necessariamente, uma boa performance socioambiental. Uma peça best seller, uma bolsa, uma calça ou um acessório sucesso de venda não indica boas práticas. No entanto, uma empresa que pretende encontrar seu lugar de fala na jornada da sustentabilidade já está se deparando com uma rotina de questionamentos em que as vendas estão mais alinhadas ao planeta e às pessoas.

No Movimento Ecoera, temos refletido sobre as mudanças trazidas pela pandemia da Covid-19 nos mercados de moda, beleza e design, e o que já sabemos é que o novo normal coorporativo, guiado pelo ESG, será mais transparente.

Sabemos que os investidores estão em busca de empresas mais saudáveis e sustentáveis, em que o lucro e os atributos sustentáveis podem e devem caminhar lado a lado. Vamos juntxs!

 

Sustentabilidade: atributos sustentáveis na moda

Sustentabilidade: atributos sustentáveis na moda

Roupas com menor consumo de água na fabricação Damyller

A moda vem passando por grandes mudanças. De um lado, as marcas se apressam para abrir uma agenda que priorize a sustentabilidade no setor, olhando para seus impactos negativos e discutindo verdades inconvenientes, e de outro, consumidores finais que, com a pandemia, estão cada vez mais exigentes e mais preocupados com a origem das peças e com a pegada que a forma de adquirir bens deixa no meio ambiente.

A preocupação com o impacto do consumo no planeta não é de hoje. O conceito de desenvolvimento sustentável foi reconhecido internacionalmente no começo da década de 1970 na Conferência das Nações Unidas realizada em Estocolmo, na Suécia, e a ideia apontou um caminho em que as questões do desenvolvimento socioeconômico e o meio ambiente podiam e deviam andar lado a lado. Nos anos 1990, para organizar e expandir essa narrativa, foi criado o tripé da sustentabilidade ou 3Ps.

O pilar profit refere-se ao resultado financeiro da empresa, o people, ao capital humano e o planet, ao capital natural. De lá para cá, as empresas são capazes de medir seus resultados e, assim, analisar suas operações sob essa ótica integrada.

Nessa jornada em que a transparência é premissa, as corporações inseridas em toda indústria da moda podem se aproximar de toda sua cadeia de valor, ou seja, seus fornecedores e stakeholders disseminando seus valores e mostrando como olham para o futuro das próximas gerações. Na outra ponta, clientes, muitas vezes ativistas, também podem colaborar valorizando peças que carregam boas histórias em seus processos e materiais.

Mas como saber se uma marca de modjadas pelas suas dificuldades, fazem análises constantes, produzem relatórios de sustentabilidade e os publicam em seus sites, mostrando metas de melhorias no que diz respeito a emissões de carbono e ao uso de recursos naturais, como água e energia. Além disso, marcas que acreditam que a moda pode colaborar para um mundo melhor, usam suas vozes dentro e fora de seus portões para falar sobre a biodiversidade e as questões sociais, como antirracismo e igualdade de gênero.

Etiquetas de papel semente da marca Damyller

E na hora do consumo propriamente dito? Como alinhar o planeta, as pessoas e a moda no mundo pós-pandemia? Como fazer boas escolhas, aquelas, através das quais mostramos nosso posicionamento nesse novo mundo em construção?

No Movimento Ecoera, dividimos produtos e peças em algumas categorias e cada uma delas leva um atributo que confere uma porta de entrada para processos, matérias ou iniciativas que diminuem os impactos negativos e que podem funcionar como guias. São eles: Orgânicos, sem uso de defensivos químicos; Reuso, que reaproveita e reutiliza excedente de materiais, Produção Local, que promove economia local; Vegano, sem exploração e sem origem animal, Projeto Social, que incluem mão de obra de projeto social e se posicionam a favor da comunidade em toda a sua cadeia de valor; Reciclado, que utiliza matéria prima transformada; Artesanal, feito à mão, Verde, que colabora com um menor impacto no meio ambiente; e Empresa Consciente, para marcas que direcionam seus esforços baseados nos pilares cultural, ambiental, social e econômico.

Nessa nova forma de consumir, baseada em valores e propósito, a comunicação dos atributos sustentáveis de cada roupa ou acessório é fundamental. Por meio de informações consistentes nas etiquetas, nos tags ou através de selos e certificações, cada um pode tomar decisões, escolher seus looks e se vestir com mais consciência. Vamos juntos!

 

 

Sustentabilidade: passo a passo para ser um consumidor mais consciente

Sustentabilidade: passo a passo para ser um consumidor mais consciente

A humanidade já consome 30% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. Se os padrões de consumo e produção se mantiverem no atual patamar, em menos de 50 anos serão necessários dois planetas para atender as nossas necessidades de água, energia e alimentos, e não é preciso dizer que essa situação certamente vai ameaçar as novas gerações.

Se você está se perguntando o que pode fazer para colaborar, ou melhor, o que não fazer para manter uma relação responsável entre as vontades e necessidades você está no caminho certo. A tomada de consciência é o primeiro passo.

Vamos começar imaginando que cada peça que compramos teve um impacto e deixou uma pegada. Cada roupa, acessório ou objeto usou energia e água na sua fabricação e se você começar a olhar de forma mais curiosa vai acabar indo além e se perguntando onde foi feito, por quem e como.

Nessa etapa você já pode começar a escolher produtos que compra levando em consideração mais do que apenas preço e a vontade de “ter”. O consumidor da nova era, da Ecoera, coloca na conta o meio ambiente, a saúde humana e a dos animais, não se contenta com meias verdades e vai além, quer saber qual o posicionamento da marca que produziu aquela peça no que diz respeito à igualdade de gênero, aos movimentos sociais e à conservação das nossas florestas.

Mas vamos começar pelo começo. Aqui vai um passo a passo simples para você iniciar essa jornada e se tornar um consumidor mais consciente:

Etiqueta do Sou de Algodão, movimento que apoia a produção de algodão nacional

#1

Primeiro de tudo pergunte se realmente você precisa daquele produto. Aproveite para organizar seu guarda roupa ou estante ou armário da cozinha. No caso da moda, veja se a peça que deseja comprar pode ser coordenada com outras que você já tem.

#2

Sempre experimente a peça antes de adquirir ou analise suas especificidades antes de fechar a compra. Assim, não leva para casa uma roupa que não lhe cai bem ou um objeto que não lhe agrada e que vai ficar parada sem uso.

#3

Pesquise, seja curioso e busque o máximo possível de informações sobre a marca que fabricou a peça que está levando. Faça sempre as seguintes perguntas antes de finalizar uma compra: quem, como e onde foi feita a peça que vou vestir. Promova marcas que são transparentes, valorizam seus colaboradores e usam materiais mais limpos e de menor impacto ambiental.

#4

Pense a longo prazo e prefira peças de qualidade, que possam durar muito tempo. O barato sai caro. Desconfie quando o preço é muito baixo, pois o material provavelmente também é de baixíssima qualidade e a mão de obra não foi paga de forma justa.

#5

Leia a etiqueta e promova o que é feito no Brasil. Em tempos de crise e no mundo pós-pandemia, temos a oportunidade e a responsabilidade de valorizar peças nacionais, colaborar com a economia local e garantir empregos.

Em tempos de sustentabilidade e de urgências ambientais e sociais, cada um de nós pode e deve fazer parte das mudanças que o mundo pede. O consumo consciente é uma questão de hábito: pequenas mudanças em nosso dia-a-dia têm grande impacto no futuro. Vamos juntos!