No Brasil, há cerca de 300 espécies de abelhas nativas sem ferrão, que produzem méis com características únicas de sabor, textura, aroma e cor
As abelhas são guardiãs da biodiversidade do mundo. De flor em flor, por meio da polinização, elas preservam a natureza e a vida. No Brasil, há cerca de 300 espécies de abelhas nativas sem ferrão, que produzem méis com características únicas de sabor, textura, aroma e cor – muito diferentes daqueles comerciais que encontramos nas prateleiras dos mercados, elaborados por abelhas de origem europeia.
Assim como vinhos e cafés especiais, a qualidade dos méis produzidos por espécies nativas – como jataí, uruçu-amarela, mandaçaia, tiúba, manduri, emerina, jandaíra – depende do terroir, o que valoriza sua origem, complexidade e autenticidade. “O sabor, o aroma e a textura de cada mel são moldados por muitos encontros: a espécie da abelha, com seus hábitos e formas de armazenar o néctar; as flores disponíveis naquele território e naquela estação; as condições do bioma (solo, altitude, umidade, vento); o tempo de maturação dentro do ninho e, principalmente, as mãos que colhem. Cada abelha imprime no mel a sua arte, mas quem cuida da colheita também deixa sua assinatura”, explica Diulha Dillmann, fundadora da Zasm, marca de mel de abelhas sem ferrão.
A experiência sensorial oferecida pela Zasm – foto divulgação
Muito mais do que oferecer um néctar dos deuses para o paladar, as empresas que trabalham com as abelhas nativas têm um compromisso com toda a cadeia produtiva. “Trazemos méis de todas as regiões do Brasil, definimos o mel pelo terroir — não apenas pela florada — e, mais do que tudo, valorizamos os pequenos produtores, a diversidade e a sustentabilidade. Queremos cuidar das abelhas, do meio ambiente e das pessoas envolvidas nesse processo, comercializando produtos de Norte a Sul”, comenta Eugênio Basile, fundador da Mbee, que trabalha com méis de 16 espécies diferentes de abelhas, originárias de 16 estados do país – e nos próximos anos, pretende reunir pelo menos um mel de cada estado brasileiro.
Mel da Mbee – foto divulgação
A colheita deve ser a menos invasiva possível para preservar a estrutura da colmeia e poupar a energia das abelhas. “Colhemos o mel somente na primavera e no verão, quando há abundância de flores para as abelhas. Não podemos esquecer que o mel é seu alimento energético, por isso colhemos somente a parte excedente. Além disso, plantamos flores e árvores melíferas, fazendo a nossa parte para que esse ciclo virtuoso se perpetue beneficiando a todos nós”, afirma Deka Barrichello, sócia-fundadora da Beeliving, marca que surgiu da conexão da sua família com a natureza da Mata Atlântica e que atualmente conta com sete espécies diferentes, sendo a uruçu-amarela a mais presente.
Produtos da Beeliving – foto divulgação
Protagonista na mesa
A gastronomia tem sido uma grande porta de entrada para o público conhecer a riqueza dos méis das nossas abelhas nativas, que podem ter as mais diferentes notas – como florais, frutadas, cítricas, balsâmicas, fermentadas – e texturas que vão do fluido ao untuoso. “Méis de abelhas nativas são verdadeiros jardins sensoriais e iguarias para a alta gastronomia. O mandaçaia tem um sabor particular e especial, harmoniza maravilhosamente com queijos. O manduri lembra uva verde com um toque de jasmim. Tiúba tem uma acidez mais presente, vai bem na salada, salada de frutas, com própolis num shot matinal”, conta Deka, que também acredita que o mel pode ser inserido puro no dia a dia, como potencializador da nossa saúde e vitalidade.
Segundo Eugênio Basile, a gastronomia é o maior diferencial da Mbee, que está presente em restaurantes há 11 anos: “Estamos em casas premiadas do Brasil, como o Evvai, o Tuju, o Mocotó e o Aizomê em São Paulo, e o papel dos chefs na divulgação das abelhas, dos produtos artesanais e da brasilidade é fundamental para o nosso projeto”.
Pão de Mel 2.0 do Evvai, elaborado pela chef Bianca Mirabili com mel da Mbee – foto divulgação
Para a fundadora da Zasm, não basta o produto ser introduzido como mais um ingrediente. “O mel não deve entrar como coadjuvante nos menus, porque é protagonista. É possível usar nossos méis para finalizar pratos, criar contrastes em saladas, surpreender em drinques. Mas sempre com o cuidado essencial de não apagar sua presença. Consumi-lo puro já é, por si só, uma experiência sensorial completa”, finaliza Diulha, que também revela que, em julho, a marca dará seu primeiro pouso físico, no Shopping Cidade Jardim.
Atriz, diretora e ativista social e ambiental, Dira Paes celebra quatro décadas de carreira com muita versatilidade e é aclamada pela crítica e pelo público
Para colher bons frutos, é preciso semear com carinho, consciência e dedicação. Neste ano, Dira Paes colhe os frutos mais raros e especiais de sua semeadura, como ela mesma se refere à celebração de seus 40 anos de carreira. E a “coroação” dessa trajetória aconteceu em maio, com uma merecida homenagem no Festival de Cinema Brasileiro de Paris. “É um orgulho observar que são quatro décadas, mais de 40 filmes e tantas novelas, séries e peças de teatro. É uma sensação de que eu caibo no mundo inteiro”, comemora a atriz de 56 anos.
Maio também foi o mês de estreia nos cinemas de “Manas”, dirigido por Marianna Brennand e que já acumula mais de 20 prêmios internacionais, inclusive nos festivais de Veneza e de Cannes. O filme conta a história de uma jovem moradora da Ilha de Marajó, no Pará, inserida em um ambiente de violência, e Dira interpreta Aretha, delegada que atua na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência sexual na região. Para completar o mês de sucesso, viu ainda lançada a série cômica “Pablo e Luisão”, do Globoplay, criada por Paulo Vieira, na qual da vida à Conceição, mãe de Paulo. A personagem marca seu retorno ao humor, “adormecido” desde seu último papel cômico como Solineuza, no seriado de sucesso “A Diarista” (2004-2007).
foto Renan Oliveira
Multifacetada, recentemente Dira se aventurou como diretora, no filme “Pasárgada”, do qual também é protagonista, que expõe o tráfico de pássaros silvestres e a relação do ser humano com a ancestralidade e a natureza, temas tão caros à atriz paraense, que é ativista social e ambiental há mais de 25 anos.
Em entrevista exclusiva à 29HORAS, Dira Paes reflete sobre sua trajetória como artista e mulher amazônica, discute seu engajamento em causas sociais e ambientais – já de olho na COP 30, que acontece em novembro, em Belém – e adianta quais são seus próximos projetos, incluindo a protagonista da próxima novela das 21h, “Três Graças”, de Aguinaldo Silva, prevista para outubro. Confira os principais trechos desta conversa nas próximas páginas.
Em maio, você foi homenageada no Festival de Cinema Brasileiro de Paris e recebeu um prêmio pelo conjunto de sua obra. Como é ver seus trabalhos alcançando públicos internacionais?
É um sonho realizado! Fui surpreendida com esse convite muito antes de ser anunciado o Ano Cultural Brasil-França 2025 e a COP 30 em Belém, então houve uma convergência astral. Foi um presente dos deuses do teatro, dos deuses do Olimpo, aquele momento em que você tem a oportunidade de olhar para si como observadora da sua própria existência. E é um orgulho observar que são 40 anos, mais de 40 filmes e tantas novelas, séries e peças de teatro. É uma sensação de que eu caibo no mundo inteiro. Quando um filme viaja além-fronteiras, a gente vê que cabe em qualquer lugar. Tenho o desejo de que as coproduções sejam mais corriqueiras, que a gente possa sair um pouco da caixa do português e interagir com outras línguas. Esse é um caminho natural dos novos tempos.
O cinema brasileiro vive um ótimo momento, também no cenário internacional. Você acha que esse reconhecimento vem mais de fora? Enxerga uma evolução aqui no Brasil?
É um ano muito próspero, mas eu, pessoalmente, acredito que o cinema brasileiro é bem-sucedido há muito tempo. Temos que reverenciar nossos antepassados e lembrar que a primeira estrela dos musicais no mundo é brasileira e se chama Carmen Miranda. Desde a retomada do cinema brasileiro, na década de 1990, tivemos um investimento muito grande no audiovisual de Pernambuco, que frutificou em um cinema que vem contribuindo há mais de 30 anos para o cenário internacional. E eu sou fruto desses movimentos.
O público se sente atraído pelo cinema brasileiro, mas muitas vezes não pode pagar o ingresso e, com isso, a plateia não se renova. Pelo fato de os cinemas não estarem mais nas beiras das ruas, eles se tornaram muito caros. Temos que ter algum tipo de política que popularize cada vez mais as sessões para o público. Se tivermos esse incentivo, triplicamos rapidamente o alcance!
Dira Paes nas gravações da série de comédia “Pablo e Luisão”, do Globoplay – foto Léo Rosário / Globo
Você está no ar com a série de comédia “Pablo e Luisão”, criada por Paulo Vieira. O que te levou a aceitar o papel?
Paulo Vieira é uma renovação dos nossos votos com esse país, ele é aquele brasileiro que a gente tem orgulho que existe. Um belo dia, após o término da novela ‘Pantanal’, eu estava no Círio de Nazaré, conheci o Paulo e ele falou ‘eu quero que você faça a minha mãe numa série’. Fiquei feliz, porque eu já o admirava, e falei ‘quero fazer’. Mas também disse para ele: ‘Paulo, preciso ter um argumento forte para ser a escolhida para a série e não outra atriz’. E ele respondeu: ‘minha mãe queria que você fizesse ela’. É muito bom habitar o inconsciente criativo das pessoas e ser uma referência.
Na vida real, você é mãe de dois meninos. A maternidade transformou a sua forma de ver e fazer arte?
A maternidade trouxe um lado que eu não tinha, que é a vontade de voltar correndo para casa. Antes eu era mais frágil e, depois de ter filho, fiquei mais forte e hoje choro com menos facilidade. Tento ser mais salomônica, não permitindo que as emoções sejam donas de mim. Antes era muito mais voluntariosa, por causa da liberdade de estar sozinha. Você aprende a lidar com o cotidiano de uma maneira mais producente, mais rica, com propósito. Quero sempre fazer valer o dia. Minha pior sensação é a de que eu saí de casa, fiquei longe dos meus filhos e não valeu a pena, porque eles são a melhor coisa da minha vida.
Como é fazer comédia hoje no Brasil? É muito diferente do início dos anos 2000, quando fez a Solineuza?
O humor é urgente, é necessidade vital e sem ele a gente não sobrevive nesse mundo. No final do ano passado eu fiz um filme com o Pedroca Monteiro e o Marcus Majella, que deve sair esse ano e estou muito feliz de estar fazendo as pessoas felizes. Quero poder ter essa capacidade de transitar nesses mundos. Quando saiu ‘2 Filhos de Francisco’, eu estava bombando com a Solineuza. Agora estou no ar com ‘Pablo e Luisão’ e com ‘Manas’ nos cinemas. As pessoas não correlacionam esses personagens e isso me faz muito feliz, porque é uma atriz saindo do seu lugar de conforto. A Solineuza é muito atual, tanto é que foi uma comoção agora no show dos 60 anos da Globo. Eu fiquei 1 minuto e meio no ar, e nunca esperava que fosse ser do jeito que foi, com amor, com saudade. As pessoas são muito gratas quando a gente faz a família rir. E isso é muito bom de sentir.
Como Solineuza em um episódio da série de televisão “Encantado’s” deste ano – foto Fábio Rocha / Globo
Ano passado você estreou como diretora, no filme “Pasárgada”, em que também é a protagonista. Como foi atuar do outro lado da câmera?
Queria experimentar uma transgressão da minha própria existência, colocar à prova meus olhares, meu faro, minha capacidade de criação. E a pandemia deu tempo e autonomia e trouxe um existencialismo para nós. Eu preciso assumir e reconhecer que o fato de ser casada com um diretor de fotografia [Pablo Baião] facilita, então era um sonho possível. Quando começou a ideia de filmar, estávamos fazendo naquele momento 15 anos de casados e nos olhamos um dia e falamos ‘vamos fazer um filme?’. Eu queria assumir todos os riscos da experiência cinematográfica e me propus essa trajetória de criação da ideia original do roteiro, negociação com Globo Filmes, filmagem, montagem, direção e interpretação.
Por que escolheu essa história para a sua estreia como diretora?
Eu queria partir desse sentimento da solidão provocada pela pandemia. E isso combinava também com a minha idade, meu momento, com uma solidão da maturidade, quando você reconhece que amadureceu e se pergunta ‘quem é essa jovem mulher madura?’. Queria experimentar o avesso do olhar que as pessoas têm sobre mim e trazer essa mulher que não tem o apelo do sorriso – eu sei que meu sorriso é muito largo! Então, fui tateando esses vácuos dentro de mim e me peguei também com aquela sensação de ‘vou-me embora pra Pasárgada’, eu queria um paraíso para chamar de meu e achamos uma fazenda na região serrana do Rio onde ficamos reclusos e eu pude observar a liberdade dos pássaros. Quando fui pesquisar mais sobre eles e os animais silvestres, me deparei com o terceiro maior tráfico internacional do mundo – e aí eu achei o mote para o meu roteiro: a mulher solitária desconectada do paraíso, que está seca e entra na mata para ficar úmida de novo.
Dira e Humberto Carrão em “Pasárgada” – foto divulgação
Como você falou, o filme expõe a questão do tráfico de pássaros silvestres e você é muito envolvida com causas sociais e ambientais. Como uma mulher do norte do país e amazônica, quando e como você despertou para o ativismo?
A vida é troca e eu tive esse despertar muito cedo, aos 13 anos, na campanha ‘Ação da cidadania contra a fome’. Foi a minha comunhão com os direitos humanos e quando compreendi, como amazônida, o quanto há um equívoco de relação com esse bioma. Todo mundo olha pra Amazônia com o intuito de ter algo dela, nem que seja um ar puro. Mas o que você faz por ela? Com os indígenas, é impossível dar um presente e não receber alguma coisa em troca. Se ele te dá um colar de presente, você tira a sua camiseta e dá para ele. Mas as pessoas ainda tratam com exotismo uma das filosofias mais refinadas do mundo. Os indígenas não construíram templos verticais para alcançar o céu, os costumes são todos biodegradáveis, a alimentação é sem glúten, sem açúcar e praticamente sem sal, baseada em mandioca, caça, fruta e semente. Onde há problemas de propriedade rural, há todas as infrações humanitárias. O Pará tem um dos piores IDHs do país e essa equação eu não admito, não vou me calar nunca. Não podemos ser apáticos. Quem não mexe uma palha para ajudar alguém, está morto em vida.
Por falar em questões ambientais, a COP 30 será em Belém, no Pará, em novembro, seu estado natal. Você participará? Por que é tão importante ter um evento deste porte no Pará?
Estarei nas gravações da novela ‘Três Graças’ durante a COP e ainda não sei se conseguirei participar, mas já me sinto nela. O grande segredo dessa COP é que é um convite para conhecerem a Amazônia como ela é, que sustenta um povo e uma cultura originária há séculos. Não podem falar que nós somos atrasados, porque, na verdade, somos um estado altamente explorado, com uma sequência de descuido humanitário e social. E, mesmo assim, conseguimos manter nossas riquezas, nossos costumes únicos e nossa identidade regional. O Brasil não conhece o Brasil, temos um olhar americanizado, desejamos um país que não é o nosso. Temos que reconhecer a nossa sabedoria ancestral de preservar um lugar como esse há tantos séculos, apesar de toda a destruição. Temos que ouvir o que os amazônidas propõem em relação ao maior bioma tropical do mundo. Espero poder ver transformações verdadeiras acontecendo e não promoções.
O filme “Manas” também traz como cenário o Pará e questões das comunidades ribeirinhas da Ilha de Marajó, como a violência contra menores. Como conseguiram abordar um tema tão difícil de forma delicada?
Todo mundo tinha que correr para o cinema para assistir a esse filme, que aborda a violência, a falta de oportunidade, a falta de diálogo, a solidão, o Brasil gigante em terras descontínuas, onde temos comunidades a 20 horas de barquinho de capitais. Tudo o que o filme retrata acontece em qualquer lugar do mundo. Não é um assunto amazônico, é um assunto universal, urgente. A arte é pioneira em quebrar fronteiras, silêncios e ciclos. Falar divide a dor, tanto é que foi criado o manifesto ‘Manas Apoiam Manas’ e é importante ter atitudes pós-filme.
Cena do filme “Manas” – foto divulgação
O que pode adiantar sobre seus próximos projetos? Quais papéis Dira vai interpretar ainda este ano?
Deve estrear o filme ‘Agentes Especiais’, com o Majella e o Pedroca. Em outubro começa a novela ‘Três Graças’, que trará uma história de sobrevivência e resistência nesse universo feminino da família brasileira. Eu serei Lígia, mãe de Gerluce (Sophie Charlotte) e avó de Joélly (Alana Cabral). Fiz agora o filme ‘Sedução’, dirigido pelo Zelito Viana e pelo Marcos Palmeira, contracenando com o Marquinhos. Deve lançar ano que vem e é também a estreia do Marcos Palmeira na direção. Eu me senti testemunha de um momento muito especial no cinema brasileiro, que é ver o pai e o filho dirigindo um filme. São os bons ventos, uma boa onda. Temos que surfar, né? Mas com a responsabilidade que isso tudo traz.
Vice-Presidente Comercial da DC Set Group, hub de inovação em entretenimento, detalha o impacto do setor para a economia brasileira e destaca cases de sucesso
Uma das maiores holdings de entretenimento da América Latina, a DC Set Group, fundada em 1979, é pioneira no Brasil na realização de eventos de música eletrônica. De lá para cá, seu portfólio se expandiu para a produção de grandes shows internacionais no país – entre eles, Michael Jackson, Rock in Rio, Van Halen e U2 – e hoje é formada por diferentes verticais de negócio que reúnem empresas e iniciativas ligadas à cultura e ao esporte. Atualmente, dois grandes cases de sucesso do grupo são o festival Tomorrowland Brasil e o Roxy Dinner Show, no Rio de Janeiro.
Em entrevista à 29HORAS, Leonardo Duarte, Vice-Presidente Comercial da DC Set Group, fala sobre o impacto do entretenimento na economia do país.
Leonardo Duarte, Vice-Presidente Comercial da DC Set Group – foto Caio Gallucci
Como o mercado de entretenimento se transformou nos últimos anos e como o Brasil se posiciona hoje? Estamos entre os principais mercados mundiais de entretenimento ao vivo e nos destacando em rankings globais de música, eventos e público. A indústria brasileira é reconhecida por seu dinamismo, crescimento acelerado e capacidade de inovação, posicionando o país como um dos grandes protagonistas do setor no mundo. Acompanhamos de perto as tendências globais e temos expertise e agilidade para adotar e adaptar essas transformações ao contexto local, muitas vezes acelerando sua implementação devido ao alto engajamento do público e à criatividade dos produtores brasileiros. Somos um país com uma riqueza cultural imensa e essa grande fusão de estilos nos transforma numa potência criativa!
De que forma o entretenimento ajuda a alavancar campanhas e marcas? Cite alguns exemplos recentes de ativações da DC Set. Entretenimento é cultura em movimento. E quando uma marca se associa a esse contexto, ela ganha visibilidade e relevância. Recentemente, o Fronteiras do Pensamento trouxe ao Brasil o Jonathan Haidt, autor do best-seller ‘Geração Ansiosa’. A conferência virou assunto nacional, gerou debate nas redes e ocupou espaço em diversos veículos. As marcas apoiadoras não apenas estiveram presentes, como romperam a bolha do evento e se posicionaram como impulsionadoras de discussões relevantes para a sociedade. Outro exemplo é o Tomorrowland Brasil, um fenômeno global que está indo para sua terceira edição em parceria com a DC Set. É um evento com uma comunidade engajada e marcas parceiras estão percebendo e se beneficiando do valor de fazer parte de um ecossistema com alto poder de influência cultural. O entretenimento, quando bem ativado, é um multiplicador de valor.
Como o grupo cria as estratégias de brand experience? Acreditamos que entreter é criar boas memórias e esse é nosso ponto de partida. Apenas no ano passado, cerca de 20 milhões de pessoas vivenciaram alguma das nossas experiências. Este ano, o número já aponta para um crescimento relevante. Do ponto de vista estratégico, combinamos três elementos: relevância cultural, oportunidade de mercado e eficiência de operação. Fazemos isso a partir de análises contínuas – cruzamos os dados dos nossos próprios produtos com inteligência de mercado e mapeamento das unidades de negócio para identificar espaços vazios, novas demandas e caminhos para inovação. É assim que pensamos cada projeto, como uma plataforma viva, culturalmente potente e comercialmente inteligente.
Festival Tomorrowland Brasil, em Itu, no interior de São Paulo – foto divulgação
O Roxy Dinner Show, no Rio de Janeiro, foi eleito pela revista Time como um dos “melhores lugares do mundo”. Como surgiu a ideia de transformar o Cine Roxy neste espaço de entretenimento? O Roxy é a síntese do que acreditamos: o entretenimento como força econômica e social. Quando revitalizamos o antigo Cine Roxy, não queríamos apenas recuperar um espaço histórico, queríamos mostrar como o entretenimento pode transformar uma cidade. Hoje, o Roxy é um dinner show de padrão internacional, que resgata a sofisticação da era de ouro de Copacabana e a reinventa com tecnologia, curadoria artística e gastronomia de alto nível. É bom para o Rio, porque movimenta o turismo, gera empregos e reposiciona a cidade no mapa do entretenimento global. É bom para o público, porque entrega uma experiência única. E é bom para as marcas, porque oferece uma plataforma viva para se conectar com o público em um ambiente que combina cultura brasileira, sofisticação e muita emoção.
Quais são os próximos passos da DC Set? A DC Set tem uma história de pioneirismo que começou em 1979, mas foi a partir de 2019 que entramos em um novo ciclo de expansão e diversificação. Hoje, somos um dos maiores ecossistemas de entretenimento ao vivo da América Latina, com atuação estruturada em festivais, shows, venues, conteúdo, experiências, esportes e management, e temos um portfólio robusto com mais de 20 unidades de negócio. A indústria está amadurecendo cada vez mais, e estamos na frente dessa transformação, buscando profissionalizar ainda mais cada um dos nossos equipamentos, seja para gerar mais eficiência operacional e atender um público cada vez mais exigente, seja para ampliar as possibilidades e resultados das marcas parceiras.
DC Set • Fundada em 1979, no Rio Grande do Sul • 20 unidades de negócio, com presença em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Canela e Curitiba • Atuação em 7 verticais: festivais, shows, venues, conteúdo, família, esportes e management • Mais de 20 milhões de pessoas impactadasem 2024
A marca brasileira Catharine Hill mantém sua essência artística de alta performance, mas se reinventou com produtos para atender ao cliente final, como a Paleta de Sombras 30 Cores
Pioneira no desenvolvimento de itens de maquiagem artística para a caracterização em espetáculos, a Catharine Hill foi fundada em 1982 por Olga Catharina e seu marido, o químico industrial Luiz De Benedetti, com o objetivo de oferecer produtos nacionais com padrão internacional.
Ao longo de mais de 40 anos de história, a marca mantém sua essência artística de alta performance, mas se reinventou. “A transição do nosso foco exclusivo em produtos para profissionais para também atender ao cliente final foi um dos nossos maiores desafios, pois exigiu uma mudança estratégica importante na empresa”, conta Olga que, aos 83 anos, mantém o cargo de presidente.
Olga Catharina e sua filha Julia Benedetti – foto divulgação
Exemplo dessa adaptação às novas demandas é a Paleta de Sombras 30 Cores, best-seller lançado originalmente em 1995 e que acaba de chegar ao mercado totalmente repaginado, com design moderno e nova fórmula. Seguindo a tendência dos produtos multifuncionais, pode ser usada como sombra, delineador e até mesmo iluminador. “É emocionante pensar que ela foi um dos primeiros produtos de muitos maquiadores profissionais e entusiastas de maquiagem. Naquela época, ainda com sua embalagem emblemática de CD, já refletia a qualidade exigente que buscávamos”, explica Julia Benedetti, filha de Olga e CEO da Catharine Hill. Outros lançamentos recentes são o delineador Glam Eyes, em parceria com a influencer Maria Catarina, o pó para área dos olhos NoMark e um Body Splash, que reforça a entrada da marca no setor de perfumaria.
Para além dos produtos, tem a Catharine Hill Academy, braço educacional para a capacitação de profissionais no mercado da beleza, que já formou mais de 30 mil alunos desde sua fundação, em 1990. O portfólio disponibiliza cerca de 30 cursos, que vão desde automaquiagem até a profissionalização completa.
Apesar de conduzirem a empresa com muita parceria, a relação profissional entre mãe e filha é marcada por diferenças geracionais, especialmente no que se refere à tecnologia. “Tento mostrar que, se não fizermos determinados ajustes, vamos ficar para trás no mercado. Tivemos alguns atritos, mas sempre conseguimos superar, porque entra o amor na relação”, reflete Julia, que já está introduzindo a filha – neta de Olga – no negócio, na área de visual merchandising. “Saber que o legado está sendo mantido com tanto cuidado, carinho e responsabilidade me traz tranquilidade e a certeza de que a essência da Catharine Hill continua viva e em boas mãos”, finaliza a matriarca.
A versão repaginada da icônica Paleta de Sombras 30 Cores – foto divulgação
Comidas com tecnologia de ultracongelamento preservam o frescor, o sabor e a textura dos ingredientes, oferecendo opções saudáveis e gostosas
Até pouco tempo atrás, comida congelada era sinônimo de sabor artificial e baixo valor nutricional – mas isso já começa a mudar. De acordo com pesquisa da Mordor Intelligence, o mercado de alimentos congelados deve atingir US$ 555,74 bilhões até 2029, evoluindo da venda de alimentos crus para alimentos preparados, sobremesas e produtos de panificação. Hoje, a tecnologia de ultracongelamento permite congelar os alimentos rapidamente e a temperaturas extremamente baixas, preservando o frescor, o sabor e a textura dos ingredientes.
De olho nesse cenário promissor, o chef Francisco Farah e o restaurateur Pedro Granado, responsáveis pelos restaurantes Teus e Votre, em São Paulo, lançaram a SuperNova, marca de Frozen Deli. “Utilizamos segredos de restaurante e aplicamos a expertise do Teus e Votre – tudo sai da mesma cozinha de produção. Oferecemos opções desde o café da manhã, almoço e snack equilibrado, até um jantar festivo”, explica Pedro. Entre os 26 itens disponíveis, estão arroz de pato, bobó de camarão, boeuf bourguignon e croquetas de jamón.
Gnudi de ricota artesanal com ragu de linguiça caseira, da SuperNova – foto Angelo Dal Bo
Sucesso no Instagram, a Naturallis foi fundada pela chef Maria Cândida Melo Vieira – especializada em gastronomia funcional e formada na Le Cordon Bleu – e pelo administrador Christhiano Robles. “Entregamos comida de verdade em receitas 100% naturais, sem conservantes, elaboradas com o auxílio de uma nutricionista. Atendemos pessoas com dietas específicas e qualquer um que deseje comer bem de forma prática, nutritiva e prazerosa”, conta Christhiano. O cardápio da Naturallis é extenso e variado, com lanches, pratos principais, sobremesas e sucos.
Saint Peter com amêndoas, arroz integral e mix de legumes, da Naturallis – foto divulgação
Seguindo a mesma linha de comida afetiva, a Sabor de Família nasceu com o chef Caio Vieira, inspirado pela mãe, que preparava suas marmitas semanais. “A marca carrega o propósito de democratizar o acesso à alimentação saudável com preço justo e conveniência. O cardápio é pensado para toda a família, com pratos tradicionais, linha fit, massas artesanais, sopas, refeições vegetarianas, opções sem glúten e sem lactose, além de sobremesas”, detalha Haron Pinheiro, sócio e proprietário da franquia Sabor de Família na capital paulista. Além de entrega em domicílio, a marca tem lojas físicas em São Paulo e no interior do estado.
Baby beef à parmegiana com arroz e ervilhas, da Sabor de Família – foto divulgação
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