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Ícone da moda carioca, Lenny Niemeyer desenha o mais elegante beachwear do país

por | dez 28, 2021 | Entrevista, Lifestyle, Luxo, Moda, Pessoas, Pessoas & Ideias | 0 Comentários

As criações de Lenny Niemeyer rompem com o limite do calçadão e chegam ao mundo levando o glamour do Rio em três décadas de história

As curvas e o movimento dos projetos de Oscar Niemeyer combinam perfeitamente com as roupas de Lenny. O casamento da arquitetura com a moda é tão sólido que rompeu com a lógica de desfiles da São Paulo Fashion Week (SPFW) acontecerem na capital paulista. Na última edição do evento, em novembro de 2021, as criações de Lenny Niemeyer marcaram presença, mas diretamente do Museu da Ciência e da Criatividade, no Caminho Niemeyer, em Niterói. O desfile comemorou 30 anos da marca de moda praia, que é sinônimo de sofisticação na areia –, e é reconhecida por seus impecáveis biquínis, maiôs, vestidos de seda e linho.

 

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Sob o crepúsculo fluminense, a apresentação mostrou looks de costuras geométricas e a conhecida inspiração na botânica brasileira que está presente nas roupas de Lenny há três décadas. Vestidos esvoaçantes e lindamente leves presos ao corpo apenas pelo pescoço atravessaram a meia esfera branca que abriga o Museu.

A estilista natural de Santos e carioca de lar e coração rompe com regras rígidas que ainda possam existir no setor. As roupas da praia vão para o calçadão e transitam também, por que não, pelo asfalto. “Nunca olhei muito para esse limite. O que sempre percebi foi o comportamento da mulher carioca”, explica.

Foi o olhar atento ao lifestyle das moradoras do Rio que levou a paisagista de formação a desenhar o seu primeiro biquíni, nos anos 1980. Depois, ela desenvolveu produtos para grifes importantes como Fiorucci e Andrea Saletto. Em 1991, lançou em Ipanema a marca que leva seu nome – expoente da versão mais elegante do beachwear brasileiro. A seguir, Lenny Niemeyer reflete sobre a moda praia na pós pandemia, lembra os 30 anos de suas criações e compartilha seus desejos para este verão e para os próximos.

 

Foto Divulgação
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Foto Divulgação

 

Foi muito simbólico e bonito que o último desfile de sua marca, na SPFW, tenha sido no Museu da Ciência e da Criatividade, em Niterói. Como a pandemia atravessou o seu processo criativo? E, para você, como o momento impactou a moda praia e o setor como um todo?
A pandemia foi desafiadora em muitos sentidos, fez com que revisitássemos todos os processos de trabalho de todas as equipes da companhia, desde a forma de trabalhar até mesmo de nos comunicar. O negócio da moda envolve muita sensibilidade e olho no olho. Então precisamos nos reinventar na criação. Mas conseguimos passar pelo momento mais crítico sem desligar ninguém, com todos os cuidados e seguindo todos os protocolos. E, como já havíamos acelerado o digital na empresa, conseguimos até mesmo crescer em relação ao ano anterior. Em 2020 crescemos até 300% no e-commerce. Então não posso reclamar da pandemia, pois observei que a minha cliente ficou mais sensível ao consumo, usando a minha roupa na casa de campo ou praia, ou mesmo nas viagens curtas dentro do país. Não sei como foi para as outras empresas, mas crescemos em números de lojas (abrimos duas na pandemia), no digital e nas vendas da exportação.

 

Desfile na SPFW 2021 - foto Zé Takahashi | Fotosite
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Desfile na SPFW 2021 – foto Zé Takahashi | Fotosite

 

Suas criações transmitem fluidez, leveza, liberdade… Como é transportar a experiência da loja física, do contato direto com as roupas, para a compra no digital? Com tem sido esse desafio?
O segredo é ter um bom time interno cuidando de transportar todo o DNA da marca para o universo digital, por meio de uma geração de conteúdo cuidadosa e sofisticada. Eu acredito que já tínhamos esse olhar, mas com a pandemia incrementamos a nossa comunicação com mais materiais e realizando escolhas assertivas, desde a modelo que você convida para um shooting e que terá a presença perfeita até em quais mídias trabalharemos – tudo alinhado aos pilares da marca.

 

Você representa a fusão na costura da areia, do calçadão e do concreto na moda, no Brasil. Há alguns anos, o que foi preciso fazer para quebrar o preconceito que o setor tinha com a moda praia? Você enxergava alguma resistência?
Como uma paulista que veio para o Rio de Janeiro eu encontrei resistência no início, até porque a moda praia à época estava restrita à areia. Mas, ao observar a carioca e seu jeito descomplicado de vestir e de fluir da areia para o asfalto, percebi oportunidades. Meu desejo sempre foi ampliar esse uso, e acredito que o fiz usando matérias-primas nobres na praia e uma arquitetura de produto não-convencional para os padrões da época. Então posso dizer que a resistência que existia eu transpassei com propostas de uso democráticas e sofisticadas na forma, e acredito que foram bem aceitas. E aqui estamos!

 

Como você definiria o lifestyle carioca? Como a sua marca materializa esse espírito?
Ah… a carioca é leve, descontraída e de espírito livre. Acredito que a marca reforça esse estilo por meio da estamparia, das formas orgânicas da cidade com a sua arquitetura e botânica incomparáveis, e na liberdade de vestir corpos diversos com uma moda descomplicada.

 

 

Uniformes desenhados por Lenny Niemeyer para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016 - Foto divulação
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Uniformes desenhados por Lenny Niemeyer para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016 – Foto divulação

 

Em 2018, você foi a única estilista do país a receber o prêmio Designer of the Year, em Paris. Como é ser estilista no Brasil?
Se não houvesse Brasil e o Rio de Janeiro, não haveria prêmio nenhum. É um orgulho poder ser reconhecida por minhas inspirações, e ser brasileira, reconhecida lá fora, tem um grande significado para mim!

 

Com 30 anos de história, a marca produz looks pós-praia, o que seriam essas roupas? Como é romper o limite da areia e do concreto?
Roupas pós-praia são roupas que transitam tanto da areia para o asfalto como vice-versa. E essa transposição se faz em incrementar um matéria-prima nobre, como a seda e o linho, ou usar acessórios poderosos. Mas, na verdade, nunca olhei muito para esse limite. O que sempre percebi foi o comportamento da mulher carioca e interpretei seu caminhar. O uso de matérias-primas leves e nobres está em perceber que tais produtos são coerentes com o espaço natural.

 

A estilista no desfile de 30 anos da marca - foto Zé Takahashi | Fotosite
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A estilista no desfile de 30 anos da marca – foto Zé Takahashi | Fotosite

 

Nos últimos anos também é possível ver uma maior evidência para matérias-primas sustentáveis na marca. Quais seriam esses materiais? Como você enxerga essa conversa da sustentabilidade com a moda?
A sustentabilidade é o futuro na moda, na minha visão. Claro que existem limitações técnicas, principalmente na lycra. Mas, hoje, trabalhamos com a lycra biodegradável, e a lycra Econyl por meio da parceria com a Reorder. Essa lycra é originada de redes de pescas abandonadas no litoral sul do Brasil, e seu processamento de produção é altamente sustentável, não envolve tingimentos. Além disso, temos malhas de bambu e acessórios feitos de buriti, caroá e vime advindos de cooperativas familiares do norte do Brasil. Da nossa forma buscamos fazer a nossa parte – e cada vez mais olhar para um futuro responsável.

 

Você é de Santos, mas escolheu o Rio como a sua casa. Você se lembra da primeira vez em que esteve na cidade? Sua primeira impressão mudou?
Chegar ao Rio foi como voltar à minha infância. Sou de Santos, uma cidade litorânea também. Então quando cheguei por aqui eu só queria saber de ficar na praia, e me encantei absolutamente pelo mar. E a cidade foi a minha maior inspiração criativa, por suas belezas naturais e pelo ar descomplicado, um lifestyle maravilhoso de viver.

As minhas impressões mudaram no sentido de ver a capital mais cosmopolita e desenvolvida. Antes eu era mais observadora, e hoje, como moradora, sou mais atuante na comunidade… faço parte de um comitê de empresários em prol do Rio de Janeiro junto à Prefeitura, entendo meu lugar como voz e como responsável por cuidar e zelar.

 

enny em comemoração de duas décadas de suas criações - foto Miguel Sá
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Lenny em comemoração de duas décadas de suas criações – foto Miguel Sá

 

Seu livro “Delícia Receber” mostra seu lado anfitriã. Com a pandemia controlada, pretende voltar a promover festas e eventos?
Eu sempre amei receber, dançar e reunir pessoas, e sempre abri a minha casa para isso. Mas entendo que não estamos em momento de festejar, com tudo que ainda está acontecendo em nosso país. É claro que continuo recebendo amigos em casa, porém com menos gente e mais cuidado. Já fiz festas com 20 e até 700 pessoas, e o que as une absolutamente são as várias tribos, os muitos amigos, a diversão garantida.

 

Entre desfiles, coleções e prêmios, qual seria o momento mais importante da sua carreira até hoje? Você conseguiria elencar uma criação como a sua preferida?
O momento mais emblemático foi meu 1º desfile de passarela, no Palácio da Cidade (sede da prefeitura do Rio de Janeiro). Ele foi marcante porque percebi que a moda praia poderia de fato ser desfilada em uma passarela. Entre as coleções mais importantes para mim destaco a última de 30 anos, pelo olhar de toda a trajetória, de como ela foi concebida com tantas adversidades. E, principalmente, de poder voltar a desfilar presencialmente, o que eu realmente amo. Colocar esse desfile em pé foi um verdadeiro ato de resistência!

 

Como você descreveria em poucas palavras a sua coleção verão 2022? E o que você espera deste verão?
Essa coleção de verão é um olhar para o futuro, uma busca espiritual que nos leva para a luz de momentos melhores. Assim ela foi pensada e concebida!
O que eu desejo para este verão é uma moda democrática no sentido das mulheres se sentirem bem e lindas, independente dos corpos e da idade… eu espero ver a diversidade, que é a grande tendência em muitas coleções e marcas.

 

Look da coleção verão 2022 de LennY - foto Juliana Rocha
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Look da coleção verão 2022 de Lenny – foto Juliana Rocha

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