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Sabrina Parlatore aposta na carreira musical e é voz ativa na luta contra o câncer de mama

por | dez 1, 2020 | Música, Pessoas, Pessoas & Ideias | 1 Comentário

Sabrina Parlatore nasceu em São Paulo, há 46 anos. Na adolescência, viveu em Campinas e, aos 16, iniciou sua carreira profissional como modelo, com direito a várias viagens ao Japão. De volta ao Brasil, tornou-se uma das mais queridas VJs da MTV Brasil. Esse trabalho foi a concretização de dois dos sonhos dessa linda garota de rosto enigmático e corpo esguio de 1,68m: atuar na TV e trabalhar com música.
Depois passou pela Band, onde chegou a apresentar três programas ao vivo, no horário nobre, e pela TV Cultura, comandando o “Vitrine”. Na TV por assinatura, participou de grandes coberturas dos canais TNT (na transmissão das cerimônias do Oscar) e Glitz (que acompanhava os desfiles da SPFW).

Nos últimos seis anos, vem deixando sua porção formiga em modo “pause” para colocar sua faceta de cigarra no modo “on”. Nessa nova fase, investe na sua carreira de cantora. “É um caminho difícil, mas é o que eu quero para a minha vida. No fundo, acho que eu sempre quis isso”, diz.

Romântica, delicada e elegante, tem também um lado forte e guerreiro. Foi com essa valentia e com muita determinação que ela enfrentou o câncer de mama que detectou em 2015. Após superar a doença, Sabrina Parlatore decidiu compartilhar sua história para ajudar e inspirar outras mulheres que também passam por esse doloroso tratamento. Na conversa a seguir, ela fala um pouco disso tudo: de música, de TV e, como não poderia deixar de ser nesses tempos, de pandemia.

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FOTO VALERIO TRABANCO

 

Há poucos meses, muitos ex-VJs celebraram os 30 anos da estreia da MTV Brasil. Do que você mais sente falta daquele tempo em que trabalhou na emissora?
Tenho saudade daquele grupo que pensava e criava coletivamente. A gente trabalhava e produzia tudo muito junto, fisicamente junto. Tínhamos um acesso muito direto aos shows, aos artistas… A troca de experiências e de ideias era muito intensa e produtiva. Foi uma época boa demais. Hoje cada um fica muito na sua, os relacionamentos são quase todos virtuais.

 

Na sua opinião, está faltando música na TV?
A TV, hoje, é quase uma mídia obsoleta. A televisão não é mais um veículo aberto aos músicos e a quem busca por música. Claro que ainda existem alguns raros programas musicais – como o “The Voice”, que é uma competição que eu adoro assistir – mas a verdade é que o jeito de consumir música mudou. A TV não é mais o local onde as pessoas vão ouvir aquilo que querem. A internet revolucionou completamente o mercado fonográfico. As gravadoras e as TVs viraram coisas do passado. Hoje em dia os músicos produzem seu próprio conteúdo e são também o meio de comunicação, pelas suas redes sociais e por meio das plataformas de streaming.

 

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Cantando em 2017 na
competição musical “Popstar”, da TV Globo (Foto divulgação | TV Globo)

 

Na MTV, sempre que podia, você cantava em programas como o “Luau”. Antes dessas “brincadeiras”, você já havia cantado, teve uma banda na adolescência? Quando cantou profissionalmente pela primeira vez?
Eu gostava mesmo de dar umas cantaroladas… Mas essas foram as minhas primeiras “performances” como cantora. Nunca tive banda. A minha estreia em um palco foi numa curta temporada de shows que fiz no bar do Terraço Itália, em 2014. Foi ótimo, apesar da minha total inexperiência. Tive muito medo, estava insegura quanto à reação da plateia, não tinha nenhuma certeza sobre o meu talento. Mas no final acabou tudo bem. A receptividade foi ótima, tive excelentes feedbacks. Me senti estimulada a continuar.

 

E hoje, como está a sua carreira musical? Algum show ou lançamento no horizonte?
Comecei a acreditar e investir com mais dedicação nessa minha nova carreira a partir de 2017, depois de participar do programa “Popstar”, da Globo, e conseguir chegar à final. Trabalhar com música não é fácil. É um caminho difícil. Recentemente, lancei dois singles no Spotify e gravei um dueto com a Márcia Tauil para um álbum em homenagem à obra do Roberto Menescal. Agora em 2020, durante o auge do confinamento por causa da pandemia, produzi mais um clipe, com a música “Quero Você”. Eu mesma filmei a minha parte aqui em casa, e os bailarinos que dançam enquanto eu canto também gravaram suas participações em seus lares.
Enfim, tenho vários projetos, mas nada muito definido, tudo meio em “pause”. O que eu sei é que vou começar a produzir mais para o YouTube e para o Spotify. Como eu já disse, hoje em dia cada artista é quem gera seu conteúdo e comanda sua divulgação. O digital é o futuro, ou melhor, já é o presente! É onde o público está, é onde os investimentos estão, é onde eu pretendo ter uma maior presença.

 

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Sabrina entrevistando Caetano Veloso nos estúdios da MTV

 

Além da música, a que outras atividades você tem se dedicado?
Atuo como Mestre de Cerimônias para os mais variados eventos corporativos e também participo de muitas campanhas e trabalhos para ajudar e inspirar as muitas mulheres que passam pelo doloroso tratamento do câncer de mama. Em 2015, descobri que era uma delas, que eu também era uma vítima dessa terrível doença. As mulheres gostam de ouvir os meus testemunhos, querem saber como eu fiz para superar essa doença horrorosa. E não são só elas que gostam – eu também me sinto bem, fico feliz em saber que, de alguma forma, estou auxiliando na batalha delas.

 

Você trabalhou muito neste Outubro Rosa?
Sou uma ativista dessa causa já há alguns anos e percebo que o engajamento das empresas e de várias entidades ligadas à Saúde vem crescendo bastante. Acho que nunca trabalhei tanto como neste Outubro Rosa de 2020. Por causa da pandemia, foi tudo bem diferente. Cheguei a comandar da minha casa eventos acompanhados por mais de 2.000 pessoas! Essas lives são uma loucura. Fiz um montão de palestras, dei dezenas de depoimentos, gravei mensagens para campanhas de grandes marcas… Foi intenso.

 

Essa doença foi um grande choque em sua vida, não? Você ficou mais de dois anos sem menstruar, viu cair 40% do seu cabelo e ainda perdeu cílios e sobrancelhas. De que formas o câncer alterou a sua rotina?
O diagnóstico foi uma descoberta muito impactante. Eu estava com 40 anos, tranquila, não esperava isso. Ninguém espera, aliás. Tive a sorte de detectar o tumor ainda em um estágio inicial, com 95% de chances de cura, mas a desconfiança e a incerteza são sensações duras de superar: por que 95% e não 100% de chances? Mudei todos os meus planos. Parei tudo para me cuidar. Duas semanas depois da detecção, fiz uma cirurgia para a retirada do tumor e dei início à parte mais hardcore do tratamento: passei por 16 sessões de quimioterapia e 33 sessões de radioterapia. O tratamento é pesado, a recuperação é demorada e eu ainda tive sequelas. Na 11ª sessão de quimioterapia, achei que o meu corpo não estava aguentando mais. Tive falta de ar, não tinha energia para nada. Fala-se muito da queda de cabelo e dos enjoos, mas tem coisa pior. São mais de 30 sintomas…

 

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FOTO VALERIO TRABANCO

 

Você se sente 100% curada?
Hoje eu me sinto curada, sim, mas é impossível dizer que estou 100% livre da doença. Toda mulher precisa estar permanentemente alerta para o câncer de mama. Ele ataca de adolescentes a idosas. Todas estão sujeitas, ninguém está imune.

 

Qual a mensagem que você gostaria de dar às mulheres que estão sofrendo com esta terrível doença e que estão encarando a batalha contra o câncer?
Digo que elas precisam ser fortes. Física e psicologicamente. Como na música, é preciso estar atenta e forte. Peço que todas estejam sempre atentas – esta é uma tarefa para o ano todo, não só para o Outubro Rosa. É importante fazer o autoexame com frequência e fazer consultas regulares com ginecologistas e mastologistas. Eu sempre estou com os meus exames em dia, sou muito disciplinada. A prevenção e o diagnóstico precoce são os melhores remédios.

 

E quanto à pandemia, ela alterou muito a sua vida? Qual vai ser a primeira coisa que você fará depois da vacina?
Passei por maus momentos. O pior foi a perda do meu grande amigo Rodrigo Rodrigues, que morreu da maldita Covid (o apresentador do SporTV foi colega de Sabrina Parlatore no comando do “Vitrine”, na TV Cultura). O distanciamento social e o isolamento foram muito desconfortáveis. Eu tive medo, me senti frágil e vulnerável. Durante a fase mais aguda da quarentena, minha meta era apenas sobreviver. 2020 foi um ano terrível, de muitas perdas para muita gente. Mas assim é a história da Humanidade. Certamente já houve períodos até piores, com mais guerras, mais catástrofes climáticas, mais mortes. Esta não é primeira pandemia e, infelizmente, não será a última.
Aguardo ansiosamente pela vacina. Venha logo! Não vejo a hora de reencontrar amigos e familiares, de viajar sem receio, de sair à rua e respirar sem temor. Quero voltar a me sentir totalmente livre!

 

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Sabrina em seu primeiro show, no bar do Terraço Itália, em São Paulo


Non Stop

Quatro das músicas prediletas de Sabrina Parlatore para você ouvir enquanto lê esta matéria da 29HORAS

“What’s Going On”
Marvin Gaye, 1971
Adoro o “pacote completo” desta música: a letra questionadora (que fala da Guerra do Vietnã), a melodia linda e a interpretação deste cantor que é tudo de bom.

“Não Sei Dançar”
Marina Lima, 1991
“Para mim, a Marina é uma das maiores artistas que este país já teve. Ela é sempre moderna e surpreendente. Tem uma coisa estética ímpar, um timbre de voz único, uma interpretação contida e, ao mesmo tempo, eloquente.”

“Superwoman”
Stevie Wonder, 1972
“O jeito que o Stevie Wonder construiu esta canção, com duas partes totalmente diferentes e uma mais linda do que a outra, é algo de outro mundo. Como ele próprio, um ET maravilhoso!”

“For All We Know”
Johnny Hartman, 1947
“É romântica, é perfeita. Já foi gravada por artistas como Billie Holliday e Nina Simone, mas esta versão, da trilha do filme “As Pontes de Madison”, é a mais linda. Toda vez que eu a escuto, me apaixono novamente.”

 

1 Comentário

  1. Luiz

    Linda matéria essa mulher é muito talentosa , guerreira e simpática sucesso sempre para ela que merece e muito

    Responder
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