logo
logo

Hotel Mirante do Gavião oferece mergulho na cultura e na gastronomia amazônica

por | nov 9, 2020 | Hospedagem, Passeios, Turismo, Viagens | 0 Comentários

  • Save

Foto Stah

 

CERTA VEZ LI NO LIVRO “AMOR DE ÍNDIO”, do escritor nascido em Macapá, Noé Costa, que se você quer ter contato com o divino deve ir para a natureza e ficar em silêncio. Em meio ao verde e ao som da fauna e flora, o espírito se eleva. Quando se está na maior floresta tropical do mundo, isso é certamente verdade. A Amazônia nos transporta para outra dimensão, faz lembrar que somos parte de um todo, nos coloca no nosso devido lugar e tamanho.  Além de sublime, o destino que melhor se enquadra no turismo da pós-pandemia é a região amazônica. Ficar longe de grandes aglomerações urbanas, em acomodações distanciadas e curtir passeios em meio à natureza é o que está em alta no momento. A 200 quilômetros do Aeroporto de Manaus, em Novo Airão – onde se chega por meio de uma estrada (AM-070), que passa entre o rio Negro e o Solimões – o hotel Mirante do Gavião Amazon Logde proporciona tudo isso, e muito conforto, charme e imersão na cultura e biodiversidade local.

 

  • Save

Foto Jean Dallazem

 

O hotel abriga doze espaçosos bangalôs erguidos em madeira de lei que remetem a forma de barcos invertidos, e design interior incorpora materiais da floresta como revestimentos em teçume de fibras naturais, mobiliário de madeira nobre com detalhes em marchetaria, cestarias e outras belas peças de artesanato regional – muitos deles, criados pelos profissionais da Fundação Almerinda Malaquias, ONG que emprega artesãos e estimula a educação ambiental para as crianças da região amazônica em aulas no contraturno escolar. Na Fundação, é possível comprar algumas dessas verdadeiras obras de arte.

A sensação de integração completa à natureza ainda aumenta por causa das amplas janelas dos quartos do Mirante do Gavião – com vistas para o imponente rio Negro, e que deixam a luz natural entrar durante todo o dia. Para ter a ideia do tamanho do rio e da floresta que cercam o hotel, foi construído ali um mirante de 13 metros de altura. Depois de subir alguns degraus e superar o medo, faça yoga ao nascer do sol, tire fotos ou apenas contemple a visão incrível que se tem dali.

 

  • Save

Piscina do hotel e vista do restaurante CamuCamu para o rio Negro – Foto Stah

 

IMERSÃO NA FLORESTA

O Parque Nacional de Anavilhanas, que compõe o rio Negro e possui 400 ilhas, é a vista do Mirante do Gavião. Parece um labirinto, as águas negras espelhadas transformam o cenário com a variação do nível do rio. Na seca (de setembro a fevereiro) é possível desfrutar das belas praias de areias brancas que emergem por todo o arquipélago, e ficam disponíveis quase que exclusivamente para os hóspedes. Na cheia (de março a agosto), o vislumbre fica por conta das trilhas aquáticas de igapó, quando os barcos podem passear por dentro das florestas alagadas.

 

  • Save

Foto Julya Zancoper

 

Por falar em passeios, os pacotes do hotel incluem expedições na natureza. A empresa de ecoturismo Expedição Katerre se encarrega de programar trilhas, focagens e experiências com a fauna e a flora amazônica na companhia de guias locais. As propostas de vivências profundas e genuínas de contato com a floresta podem ser feitas em roteiros de 4, 5, 7 ou 8 dias rio Negro adentro. Comece com um passeio de lancha para se familiarizar, com direito a uma parada para um bom banho e mergulho. A água é ácida e de forma inusitada deixa os cabelos macios e brilhantes, uma verdadeira dica de beleza brasileira!

A visita ao Flutuante dos Botos é imperdível e coloca os visitantes em contato com os animais que são a cara da Amazônia. Estranho será se você não se apaixonar por Richard, Reginaldo, Priscila e pelos outros 12 botos cor de rosa que vivem nas águas dessa região do rio. Infelizmente em extinção, o projeto rastreia e alimenta esses golfinhos de água doce, que vivem em média 35 anos e demoram a se reproduzir.

 

  • Save

Interação com boto no Flutuante dos Botos – Foto Julya Zancoper

 

A trilha Tiririca é uma das mais tranquilas – com duração de uma hora e meia e caminhos em grande parte planos e sem obstáculos – oferece o contato com dezenas de árvores típicas, como a grande samaúma com troncos largos; a amapá, que produz um leite usado de forma medicinal por comunidades ribeirinhas; a lorariti, que possui uma madeira cheirosa usada em embarcações; e a copaíba, que tem dentro do tronco um óleo usado como cosmético na região. No hotel, é possível marcar uma relaxante massagem com esse fluído amazônico.

 

  • Save

Foto Julya Zancoper

 

Ali perto, desembarque na comunidade Tiririca. Com apenas 47 moradores, a vila ribeirinha comercializa diversos artesanatos e abriga o restaurante Canto Japiim, que leva o nome de um pássaro preto com asas amarelas. As cozinheiras e verdadeiras chefs Quezia e Marta preparam delícias com os peixes de água doce que caracterizam a gastronomia local, como pirarucu assado, farofa de tucumã, e um maravilhoso molho de tucupi – um caldo da macaxeira, como é chamada a mandioca na região norte do país.

Em todas as outras refeições, coma o melhor dos ingredientes amazônicos no CamuCamu. Em meio a uma decoração esplendorosa do Mirante do Gavião e sob a regência da chef Debora Shornik, pratos com a mais exótica e ao mesmo tempo harmônica mistura de sabores regionais são apresentados de forma contemporânea. De entrada, aposte no ceviche de tucupi com batata doce e na salada de cevadinha com cebola roxa, tomate, castanha e ricota caseira. Entre os pratos principais, os destaques são o filé de tucunaré em caldo aromático de tucupi e vinho branco (um dos mais pedidos), e o surubim, grande peixe do rio Negro com baixo teor de gordura, ao creme de castanha.

 

  • Save

Artesanato da Fundação Almerinda Malaquias – Foto Julya Zancoper

 

Quem vive essa experiência divina repleta de lindas vistas, trilhas por dentro da floresta nativa, em contato com as comunidades ribeirinhas e os animais locais, e cheia de sabor intenso, não entende a devastação que a região amazônica sofre nesses tempos. Ir para lá é sair com a certeza da importância de protegermos e cobrarmos quem deveria preservar a alma sublime do Brasil.

 

PIT STOP EM MANAUS

Para chegar ao Mirante do Gavião, desembarque e passe uma noite na capital antes de enfrentar a estrada. Na volta, faça o mesmo para ir ao aeroporto com tranquilidade. 

No centro da cidade, aproveite o restaurante Caxiri, também comandado por Debora Shornik. Experimente os bolinhos do peixe mais famoso de Manaus, o tambaqui, com cupuaçu agridoce. Essa mesma proteína ainda é explorada em forma de hambúrguer com feijão verde e cebola caramelizada no pão de açaí. Para além dos peixes, a casa ainda oferece uma deliciosa paleta de cordeiro braseada com purê de batata, e temperado com as ervas e sementes da região amazônica, chaya e puxuri. O sundae com calda de tucupi preto e sorvete e caramelo de castanha finaliza muito bem uma noite no restaurante, que tem vista para o imponente Teatro Amazonas.

 

  • Save

Bolinho de tambaqui com suco de taperebá, fruta típica da região amazônica

 

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share via
Copy link
Powered by Social Snap