Pecuarista e ativista em prol do bem-estar animal, Carmen Perez é reconhecida em todo o mundo pelas boas práticas no campo

por | dez 7, 2021 | Agronegócio, Entrevista, Ideias, Musas, Negócios, Pessoas, Pessoas & Ideias | 0 Comentários

Quando Carmen Perez assumiu a fazenda de seu avô – a Pecuária Orvalho das Flores, em Araguaiana, Mato Grosso –, encontrou animais e colaboradores compartilhando um ambiente de extrema hostilidade. “Era um manejo agressivo, que me incomodava demais.” Assim que tomou as rédeas do espaço, em 2002, decidiu seguir por novos caminhos. Hoje, aos 42 anos, a pecuarista é referência internacional em bem-estar animal e inspira fazendeiros de todo o globo a uma criação mais ética e consciente.

‘’Mais do que ativismo, essa mudança na cadeia produtiva é uma demanda mundial. Os consumidores têm exigido saber de onde vem o alimento que chegará à mesa, e é nosso dever cuidar para que ninguém sofra nesse processo’’, pontua. Por esse motivo, na Orvalho das Flores o cuidado começa logo após o nascimento dos bezerros: “Depois do parto, eles são massageados enquanto um peão coloca o brinco de identificação e faz a cura do umbigo”. Nos pastos, os bois são contidos um a um, e a marcação a fogo foi abolida – agora a identificação é feita por brincos eletrônicos, que armazenam digitalmente as informações de cada animal.

 

Carmen Perez - Foto divulgação

Carmen Perez – Foto divulgação

 

Essas e outras práticas que compõem a rotina da fazenda, como a “desmama lado a lado” – técnica na qual os bezerros são separados da mãe gradativamente, mantendo o contato visual –, são adaptações inspiradas nas teorias da zootecnista americana Temple Grandin. “Ela foi uma das primeiras a pensar e tratar os animais como seres sencientes, é minha maior referência.” E os reflexos desse novo manejo são inúmeros. “Um animal estressado não come, não emprenha, perde peso, tem baixa na imunidade. Tudo isso reflete diretamente na qualidade da carne produzida. Além de serem mais dóceis e fáceis de lidar, esses animais são mais saudáveis durante a vida e mais nutritivos para o consumo”, explica.

Desde 2019, Carmen tem viajado por propriedades de São Paulo, Mato Grosso e Pará em busca de histórias de fazendeiros que, como ela, optaram por investir em uma produção harmônica. Todas essas narrativas estão em “Quando Ouvi A Voz da Terra”, documentário produzido por ela, em parceria com o diretor Nando Dias Gomes e a jornalista Flávia Tonin, que está disponível gratuitamente no Youtube até o final deste mês. “A ideia é difundir esse modelo de produção e provar que é possível, sim, termos um agro mais humanizado no Brasil.”

 

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