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Conhecido por interpretar personagens cômicos, Anderson Di Rizzi agora investe em papéis mais complexos

por | fev 1, 2021 | Entrevista, Pessoas, Pessoas & Ideias | 0 Comentários

Aos 42 anos, Anderson Di Rizzi já tem vários personagens marcados na memória de quem gosta de acompanhar as novelas da Globo – sempre em papéis leves e divertidos. Fora da TV, o ator vem investindo em trabalhos mais complexos e desafiadores. Antes da pandemia, iniciou um giro pelo país com a peça “Um Beijo para Kafka” – que narra um episódio curioso da vida do escritor tcheco – e atuou no filme “O Segundo Homem”, ambientado em um cenário distópico, em que o porte de armas é liberado no Brasil. Na produção, ele interpreta Miro, um pai de família que se une a uma legião estrangeira criada para controlar a desenfreada violência no país. Por causa da pandemia, a peça interrompeu sua turnê e o filme – que tem também Cléo Pires, Wolf Maya, Negra Li e Lucy Ramos no elenco – entrou na fase de finalização.

Enquanto isso, Di Rizzi se isolou no interior de São Paulo com a mulher (a professora Taise Galante) e os dois filhinhos pequenos: Helena e Matteo, de 3 e 1,5 anos, respectivamente. “Foi um período de introspecção, de aprendizado e de conexão com a minha família. Agora sinto que algo melhor está por chegar. Acredito que em 2021 vamos colher os frutos que plantamos em 2020, tudo vai ser diferente”, avalia. Assim seja!

Veja a seguir os principais trechos da entrevista que ele concedeu à reportagem da revista 29HORAS.

 

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FOTO DESSA PIRES | STYLIST LILI GARCIA

 

Quais recordações você tem dos tempos em que morava em Campinas?
Morei na cidade até os 17 anos. Meus pais ainda vivem lá, assim como vários dos meus amigos. Até hoje eu ainda voto no mesmo colégio em que estudei. Fui dono de um salão de beleza no Jardim Guanabara. Sempre que visito a cidade, passo pelo Conjunto Bandeirantes e pelo Jardim Pacaembu, onde corria descalço, jogava bolinha de gude e empinava pipa. Minha infância foi uma fase bem feliz da minha vida. Tenho orgulho de ser campineiro.

 

Quando adolescente, você queria ser jogador de futebol e até passou pela Ponte Preta. Por que razão acabou abandonando o futebol?
Tenho um carinho especial pela Ponte Preta. Quando eu atuava nas categorias de base, jogava do meio para frente. Era um jogador de criação, mas também fazia muitos gols. Acabei me afastando do esporte por causa de um acidente de carro. Quebrei um dedo do pé e ele não cicatrizou do jeito certo. Durante anos, sentia dores, e isso acabou me desanimando.

 

Como foi a transição de jogador de futebol para ator?
Quando trabalhava em uma academia de musculação, me chamaram para trabalhar com promoção e entregar panfletos na rua. Nesse “bico”, conheci uma galera que também fazia figuração em comerciais de TV. Me juntei a eles, fiz vários jobs nessa área e tomei gosto por atuar. Como sou muito obstinado e determinado, mergulhei nesse mundo e comecei a estudar, fazer cursos, ler livros e assistir a todas as peças e filmes que podia. Depois fiz faculdade de Artes Dramáticas e, quando conquistei meu DRT (registro na Delegacia Regional do Trabalho para exercer a profissão), enfim me senti um ator de verdade. Foi uma caminhada dura. Tomei muito “não” na cara, pensei várias vezes em desistir, mas acabei indo até o fim.

 

Anderson Di Rizzi e Camila Queiroz na novela Êta Mundo Bom
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Anderson Di Rizzi e a atriz Camila Queiroz na novela Êta Mundo Bom! – Foto divulgação

 

Quando revemos a sua trajetória, vêm automaticamente à nossa mente o Xavier de “Morde & Assopra”, o Palhaço de “Amor à Vida” e o Zé dos Porcos de “Êta Mundo Bom!”. Qual deles é o seu predileto?
Eu adoro todos, e gostaria de também incluir nessa lista de favoritos o professor Josué de “Gabriela”, o Juvenal de “O Outro Lado do Paraíso” e o Márcio de “A Dona do Pedaço”. Mas quem ocupa um lugar especial no meu coração é Sargento Xavier, de “Morde & Assopra”. Quando fiz o teste, o personagem nem tinha nome. A sinopse dele só tinha cinco palavras: “Um guarda medroso e atrapalhado”. Me inspirei no Mazzaropi na composição. Aí o personagem foi crescendo e acabou virando um dos principais da novela. O sucesso do Xavier abriu várias portas na minha carreira e fez com que o grande público me “descobrisse”.

 

Anderson Di Rizzi na novela Morde & Assopra com o ator Ary Fontoura
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Anderson Di Rizzi na novela Morde & Assopra com o ator Ary Fontoura – Foto divulgação

 

Onde você “quarentemou”? O que foi mais difícil durante o isolamento? O que você tirou de positivo para a sua vida desse período tão peculiar?
Logo no começo da pandemia, me isolei com a minha família em Itu, onde tenho uma casa no meio do mato. Apesar de o coronavírus ter interrompido a temporada da minha peça abruptamente, eu não reclamo. Tento sempre extrair alguma coisa boa dessas situações. Depois de muito tempo viajando com a peça e gravando novelas em outras cidades, fiquei meses e meses com meus filhos e com Taise, a minha mulher. Foi legal demais acompanhar a Helena e o Matteo crescerem, perceber como eles evoluem, vê-los brincando na grama e na terra, tomando água pura direto da nascente, colhendo frutas no pé, plantando verduras na horta, interagindo com os animais, aprendendo a respeitar a natureza. Se dependesse da Helena, a gente nunca sairia de lá…
O isolamento para mim foi uma oportunidade para que eu pudesse olhar para dentro, pensar na vida, repensar paradigmas. E o distanciamento teve também reflexos positivos no meu corpo. Montei uma pequena academia em casa e tive bastante tempo para me exercitar e cuidar da parte física.

 

Quais são seus projetos para 2021?
Estou muito otimista para este ano. Acredito que vai ser diferente, cheio de coisas boas, bem melhor do que 2020. Assim que possível, vamos retomar a turnê do espetáculo “Um Beijo para Kakfa” e, no cinema, estarei em “Tô Ryca 2” (sem data de estreia) e em “O Segundo Homem”, dirigido por Thiago Luciano e ainda em fase de finalização.

 

Anderson Di Rizzi na peça "Um Beijo em Franz Kafka"
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Anderson Di Rizzi na peça “Um Beijo em Franz Kafka” – Foto divulgação

 

Em “O Segundo Homem”, você interpreta um personagem que vive em um Brasil distópico onde as armas são liberadas – roteiro cada vez menos ficcional e mais realista! A seu ver, que perigos o armamento sem controle da população pode trazer à sociedade brasileira?
Tenho medo desse futuro no qual é possível comprar uma arma em um supermercado, pagar no caixa e sair por aí com ela na cintura. Tenho medo das pessoas destreinadas. Para mim, quem quiser ou precisar ter uma arma tem de, obrigatoriamente, passar por uma avaliação psicológica e ser treinado para aprender a manusear o equipamento de forma apropriada e segura. Essas são medidas razoáveis, necessárias e indispensáveis. É horrível o que acontece em alguns países que tem uma legislação frouxa no controle das armas, como os Estados Unidos. De tempos em tempos, um desajustado mata ou coloca em risco a vida de dezenas de inocentes. Não gostaria de ver essa mesma situação aqui no Brasil.

 

Anderson Di Rizzi no filme "O Segundo Homem"
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Anderson Di Rizzi no filme “O Segundo Homem” – Foto divulgação

 

Na TV, você se notabilizou por papéis leves e bem-humorados, mas no teatro interpretou textos de Kafka e no cinema encarnou esse pistoleiro nada cômico. Em qual gênero você se sente mais à vontade?
Tenho um prazer enorme em fazer comédia. Foi muito divertido dar vida ao Palhaço, ao Sargento Xavier e ao Zé dos Porcos. Mas agora quero explorar outras facetas desse trabalho de interpretação. Quem for à minha peça ou assistir “O Segundo Homem” me verá de uma maneira diferente. Pretendo focar agora em papéis novos para mim. Adoraria aparecer na TV como um vilão psicopata ou como um personagem shakespeariano bem dramático. Não é só para mostrar para o público o que eu capaz, é para satisfazer uma necessidade que eu, como ator, trago dentro de mim.

 

Quais são os seus 5 atores prediletos? O que cada uma dessas feras tem que você tanto admira?
O Marlon Brando é o melhor de todos. Ele está sempre pronto para encarnar seu personagem. Não precisa de preparação nem de laboratório. O Daniel Day-Lewis é outro monstro. A entrega dele em cada papel é algo que me impressiona muito. Pena que fez poucos filmes e se aposentou precocemente. No Brasil, tenho paixão pela Fernanda Montenegro, pelo Selton Mello e pelo Wagner Moura. Ver a Fernandona em ação é uma aula, e tive a oportunidade de vivenciar isso em “O Outro Lado do Paraíso”. Cada palavra que sai da boca dela tem uma cor diferente, o repertório dela é infinito. Já o Selton e o Wagner, além de serem excelentes atores, muito versáteis, têm a minha admiração também por causa de suas posturas profissionais e pessoais, diante de questões éticas, humanas e políticas.

 

Por fim, qual é a primeira coisa que você vai fazer após tomar a vacina?
Quero ir a Campinas dar um abraço gostoso nos meus pais, com calma e sem medo. Não faço isso desde março de 2020! Em seguida, vou pegar a Taise, as crianças e fazer uma viagem bem bacana para fora do Brasil. Depois de ficar tanto tempo em confinamento, quero ir para bem longe!

 

Anderson Di Rizzi com seus filhos, Helena e Matteo
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Anderson Di Rizzi com seus filhos, Helena e Matteo – Foto arquivo pessoal

 

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