Novas marcas brasileiras lançam coleções que dialogam com ancestralidade afro-brasileira

por | jul 5, 2022 | Moda | 1 Comentário

Estilistas resgatam técnicas e conceitos artesanais em suas coleções para reinventar a relação com o que vestimos

Quando o líder indígena e filósofo Ailton Krenak compartilhou a ideia de que “o futuro é ancestral”, explicou que não poderíamos pensar em um futuro para a humanidade sem resgatar as cosmovisões sustentáveis das civilizações do passado. Essa visão ganhou força após as limitações impostas pela pandemia, e parece que a moda também vem refletindo sobre esse conceito com rapidez.

Para muitos estilistas e pesquisadores, o futuro da moda, além de ancestral, é feminino e artesanal. Com relação ao trabalho manual, peças em crochê e macramê já vinham ganhando força e se consolidaram há algumas estações. Antes, encontrávamos essas técnicas em estéticas ligadas ao étnico e ao rústico. Agora, o artesanato aparece em peças modernas e coloridas, em uma clara mensagem de que queremos ressignificar o passado para seguir adiante.

Um exemplo desse movimento é a Cru Macramê, marca que, por meio de suas peças artesanais e sustentáveis, ajuda a empoderar mulheres do interior do Ceará. “Muitas vivenciam uma realidade muito dura e se surpreendem com a possibilidade de ganhar dinheiro com o crochê, artesanato que aprenderam com mães e avós”, explica Gabriela Gaio-fatto, criadora da marca.

 

Roupa da marca Cru Macramê - Foto Léo São Thiago

Roupa da marca Cru Macramê – Foto Léo São Thiago

 

E Cintia Felix, estilista da AZ Marias, criou sua mais nova coleção inspirada na frase de Krenak, e as peças desfilaram na São Paulo Fashion Week (SPFW) deste ano. A marca de impacto social e ambiental também centraliza os saberes ancestrais e as mulheres, principalmente as de corpos grandes, em seu discurso.

 

Desfile da estilista Cintia Felix, à frente da AZmaria - Foto Agencia Site

Desfile da estilista Cintia Felix, à frente da AZmaria – Foto Agencia Site

 

Além dos looks, um ato que vem se tornando tradição é a entrada da mãe da estilista nos encerramentos de seus desfiles. “Quero que a minha mãe receba os aplausos junto comigo, pois é uma forma de reverenciar as batalhas de uma mulher negra 50+. Quero que essas mulheres se vejam como bonitas, como deusas, como protagonistas”, comemora.

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1 Comentário

  1. Larissa Munhoz

    Uau! Amei a matéria. E é bem isso. O futuro é ancestral e colorido e a moda manifesta isso. Voltei a crochetar depois de anos, integrando com minha atividade como terapeuta holística. Fiz um xale para usar e estou confeccionando outras peças e comercializando elas. É um honrar e um ressignificar os saberes que nos foram passados.

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