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De volta aos palcos, Diogo Nogueira prepara turnê e interpreta o pai em musical-homenagem

por | nov 1, 2021 | Cultura, Entrevista, Música, Música, Pessoas, Pessoas & Ideias | 0 Comentários

Diogo Nogueira é filho do samba, literalmente. Seu pai cantou ser seu espelho e ser espelho de seu próprio pai também. “Sempre que um filho meu me dá um beijo, sei que o amor do meu pai não se perdeu, só de olhar seu olhar eu sei seu desejo, assim como meu pai sabia o meu”, diz a música “Além do Espelho”, de João Nogueira. Se estivesse vivo, o sambista, compositor e cantor completaria 80 anos neste mês de novembro. Na mesma canção citada acima, ele recitou que a vida é uma missão, mas quando o espelho é bom, ninguém jamais morreu.

João estava certo sobre muita coisa, e uma delas é mesmo que o samba continua após a morte – essa, sim, é uma ilusão. E na bonita missão de preservar a memória do patriarca, seu filho, Diogo Nogueira, interpreta o pai em um musical, com estreia prevista para o primeiro semestre do ano que vem. A iniciativa é parte da série de comemorações que marcam as oito décadas de João Nogueira, no Clube do Samba – fundado por ele em 1979 e hoje liderado pela filha Clarisse. As celebrações incluem ainda o lançamento de um livro, shows de verão, desfile do bloco do Clube e oficinas de arte gratuitas.

 

Diogo e seu pai, o sambista João Nogueira - Foto: Arquivo Pessoal
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Diogo e seu pai, o sambista João Nogueira – Foto: Arquivo Pessoal

 

“Vivi com meu pai até meus 19 anos, as lembranças mais fortes são das viagens que fazíamos juntos, das idas ao Maracanã…ele era um pai presente, e muito rígido também. Interpretá-lo é uma honra e uma grande responsabilidade”, conta. A principal herança de João para Diogo é o amor ao samba, o que, inevitavelmente, estende-se ao amor pelo Rio de Janeiro, ao amor pelo mar e pela areia, ao amor pela cozinha, enfim, ao amor por amar sem medo e com muita entrega.

Hoje, aos 40 anos, Diogo faz seu próprio e intenso enredo na história do samba. Com 14 anos de carreira na música, ele já lançou dez CDs, quatro DVDs – que venderam mais de um milhão de cópias – três singles, um EP com quatro canções nas plataformas digitais e um audiovisual com três álbuns, e foi indicado ao Grammy Latino por todos os seus álbuns, prêmio que venceu por duas vezes. O cantor emplacou ainda quatro sambas-enredo na sua escola, a Portela, em carnavais consecutivos, todos com nota 10 dos jurados. “O samba é minha vida, é herança familiar, é o que eu sou.”

A exemplo de todo esse significado, Diogo Nogueira foi homenageado pela escola de samba Imperatriz Dona Leopoldina, de Porto Alegre, no enredo “Espelho, de Filho Para Pai. A Imperatriz canta Diogo para João”, que deu o título de campeã naquele ano para a escola, no Carnaval de 2016.

Feito d’água

O destino no samba parece, agora, natural para Diogo. Mas antes de iniciar na música profissionalmente, o cantor tentou carreira como jogador de futebol. Com uma contusão no joelho, acabou mesmo nos palcos. Não poderia ser diferente. O esporte, porém, não saiu da vida e da rotina do cantor, que é amante de futevôlei e surfe. “Sempre fui muito ativo, comecei a praticar esses esportes na infância, também gosto de artes marciais”, conta.

A paixão pelas ondas é tamanha que a relação com mar vai se transformar em um documentário, o “Espelho d’Água”, com produção já iniciada. Com imagens feitas em Mentawai, na Indonésia, Diogo foi em maio deste ano também para a Nicarágua para surfar e filmar. “Pretendo voltar para a Indonésia para surfar mais, e tenho o desejo de conhecer as ondas do México e de El Salvador.”

 

Diogo Nogueira surfando - Foto: Divulgação
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Diogo Nogueira surfando – Foto: Divulgação

 

A proximidade com as águas se reflete em suas músicas, nos seus shows e nos videoclipes. Em dezembro do ano passado lançou “Bota Pra Tocar Tim Maia”, primeiro single do repertório do projeto audiovisual “Samba de Verão” – filmado dentro de uma balsa num palco de 500m todo cenografado na Marina Center, em Niterói, com a vista privilegiada do Rio de Janeiro e a silhueta dos morros da cidade ao fundo. Lançados já em 2021, o primeiro álbum do projeto foi “Sol”, seguido de “Céu” e “Lua”, com as participações especiais de Zeca Pagodinho e Grupo Fundo de Quintal.

Em turnê com “Samba Verão”, Diogo Nogueira voltou aos palcos e tem shows programados para este mês no Teatro Bradesco, na capital paulista, e nos Arcos da Lapa, no Rio, em dezembro. “A pandemia impactou todo o nosso trabalho, todas as equipes de som e bastidores foram muito afetadas, mas agora estamos voltando, vacinados”, celebra.

E o sol, o mar e a areia não são os únicos elementos que compõem o amor de Diogo por sua cidade natal. “Gosto de tudo no Rio de Janeiro, da boemia, da Lapa, das rodas de samba, da leveza de poder colocar um chinelo no final do dia, da infância que tive com brincadeira na rua, com pipa e pique bandeira, de Rocha Miranda, dessa beleza toda.”

Apaixonado, sim

A principal fonte de inspiração para novas músicas agora tem nome, rosto e talento também conhecidos pelo público. Namorados, a atriz Paola Oliveira é a musa de Diogo, e ela ganhou uma nova canção do cantor, “Flor de Canã”. Inspirada no rum da Nicarágua, cheio de perfume e sabor, a música – lançada no final de outubro nas plataformas digitais – celebra a bebida que o casal descobriu e o compartilhamento de muitos gostos. “A gente adora as mesmas coisas, na minha viagem para a Nicarágua descobri esse rum e não via a hora de apresentar para ela, acabei trazendo para o Brasil e ela também gostou!”. E ainda canta, apaixonado: “Morri no mojito da tchica, paixão é o silêncio que grita”.

Dos copos para a mesa, Diogo Nogueira coloca avental, arregaça as mangas e se arrisca no fogão. Durante a quarentena, explorou ainda mais o gosto pela cozinha e elencou 20 receitas que faz bem, e com muito jeito, no seu novo e-book “Diogo na Cozinha”, lançado em 2020.

 

Diogo Nogueira com o apresentador Rodrigo Hilbert, se aventurando na cozinha no programa "Tempero de Família" - Foto: Ney Coelho
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Diogo Nogueira com o apresentador Rodrigo Hilbert, se aventurando na cozinha no programa “Tempero de Família” – Foto: Ney Coelho

 

Entre frutos do mar, aves, carnes e sobremesas, os pratos carregam histórias de afeto, de viagens e de muitas reuniões entre família e amigos regadas a samba e alegria. “Samba e cozinha têm tudo a ver, as rodas começam cedo e vão até tarde, é preciso muita comida para manter a energia da rapaziada, lá em casa o dia começava e terminava na cozinha.” Cortando legumes e verduras para a mãe e a avó, Diogo aprendeu a cozinhar com gosto, outro aprendizado que veio de casa, assim como a música e o carisma oriundos do pai, do samba, do Rio de Janeiro e do Brasil.

 

Samba de breque

Uma música de João Nogueira?
Além do Espelho

Uma música de Diogo Nogueira?
Flor de Caña

Uma viagem inesquecível?
Fernando de Noronha

Uma tarde perfeita?
Surfando

A receita tradicional da família Nogueira?
Caruru do João

Primeiro o samba, e depois?
Me embriagar de prazer com meu amor

Um desejo para o Brasil?
Educação e cultura

 

Diogo Nogueira - Foto: Marcos Hermes
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Diogo Nogueira – Foto: Marcos Hermes

 

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