Quem caminha pelas estreitas ruas do centro histórico de Colônia do Sacramento tem certeza de que está revivendo o passado de uma das cidades mais turísticas do Uruguai. Os raios de sol batendo no piso de pedras, as lamparinas amareladas, as construções antigas com paredes desgastadas e os plátanos que abraçam as ruas são cenários que parecem obra de arte. Embora mantenha viva sua história, o local decidiu não ficar parado – no tempo e está em plena evolução para um turismo voltado para a enogastronomia e as experiências exclusivas.
É por causa desse movimento que é fácil circular pelas ruas e encontrar hospedagens e restaurantes cada vez mais charmosos, além de um clima sem pressa para passear. Afinal, à beira do Rio da Prata e em uma das mais belas cidades uruguaias, por que precisamos correr?
É com passos lentos e olhar atento que se deve percorrer Colônia. A cidade, fundada por portugueses no século 17 e disputada por espanhóis e lusitanos, faz vizinhança com o Rio da Prata e é um saboroso refúgio especialmente para quem vem de passeios a partir de Montevidéu (a 180km) ou de Buenos Aires (a 100km).
No centro histórico, onde geralmente se inicia a jornada, estão muralhas que resistiram ao passado. O Portão de Campo é uma grande porta que dá as boas-vindas. É a partir dali que os visitantes seguem caminhando para pontos importantes como a Rua dos Suspiros, construída em cunha de pedra, o Farol e os museus.
Galerias de arte, lojas de artesanato e muitos bares e restaurantes surgem no caminho. No final da manhã, é comum o leve aroma de fumaça da lenha queimada. É o indicativo de que as parrillas estão aquecidas, esperando os assados.
De estilo moderno e gastronomia criativa, os bares e restaurantes reinventam a culinária do Uruguai e utilizam ingredientes locais em receitas ousadas. No Charco, bistrô à beira do rio, o cardápio é jovial e inclui tradicional provoleta, só que feita com queijo de cabra e coberta com molho de chutney de tomates. O clássico sanduíche chivito ganha lombo ao pão com ovo e recebe bacon crocante, mussarela, alface, tomate e batata cunha.
Em um passeio por Colônia do Sacramento, não fique apenas no centro histórico. Pelo contrário: ao afastar-se da rota turística, você descobre incríveis empreendimentos. O mais recente é a Plaza de Toros, reinaugurada em dezembro de 2021. O local foi construído em 1908 para receber touradas, que foram proibidas após a oitava festa toureira. Depois de ficar fechada e passar por um período de reformas, a praça recebeu nova estrutura e hoje recebe visitantes em visitas guiadas, que custam cerca de R$ 20 por pessoa.
Joias descobertas
A Comarca Las Liebres é um refúgio intimista. Em meio a um vasto jardim, um casarão envidraçado abriga um restaurante e um hotel com apenas duas suítes. A propriedade tem quartos com decoração leve e descontraída, espelhos com design único e banheira moderna. A hospedagem, com tarifas a partir de US$ 400, mantém uma linda biblioteca com projeção audiovisual de alta tecnologia e um terraço exclusivo com vista para Buenos Aires.
O restaurante é aberto ao público e comandado por Hugo Soca, chef que reivindicou a comida caseira como um manifesto cultural uruguaio. Os pratos são preparados com ingredientes naturais provenientes da horta orgânica da propriedade. É uma cozinha criativa, colorida e particularmente saborosa.
A poucos minutos dali e pertinho das praias, o Sheraton Colonia Golf & Resort é outro destaque. Mesmo em uma cidade tão turística, o hotel tem vida própria, especialmente porque mantém diversas opções de lazer. Com arquitetura moderna, o lugar fica no meio da natureza, cercado por campo de golfe e piscinas à beira da areia, que lembram uma praia. Restaurantes de gastronomia internacional complementam a experiência. Os quartos, com vista para os jardins, lembram que realmente é preciso tempo para aproveitar Colônia do Sacramento. As tarifas ali custam a partir de US$ 160.
Entre taças e lindas paisagens
A vocação para o enoturismo é evidente no Uruguai e tem se acentuado nos últimos anos. Em Colônia, a rota pelas vinícolas inclui 13 empreendimentos. A cerca de 30 minutos do centro está a Bodega Los Cerros de San Juan. Considerada a mais antiga vinícola uruguaia, fica em uma fazenda e mantém construções históricas datadas do século 19. A bodega tem visita guiada ao custo médio de R$ 40 por pessoa e inclui passeio pela área de produção e pela adega. Os almoços acontecem em um charmoso e antigo armazém que, aos finais de semana, incluem entrada, prato principal, sobremesa e dois vinhos ao custo médio de R$ 180 por pessoa.
Bem mais moderna e jovem, a Vinedos y Olivares Del Quintón traz no currículo a mistura de produção de vinhos e de azeite de oliva. No topo de uma colina, em um prédio de pedras, o empreendimento abriu para o turismo em 2020 e, atualmente, mantém 120 hectares de oliveiras e produz vinhos das uvas malbec e cabernet franc. As experiências geralmente incluem degustação de vinhos e azeites, acompanhados por pães e tábuas de frios. As visitas custam US$ 40 por pessoa.
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