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Com a disparada do dólar e a procura por passagens aéreas, preços médios dos bilhetes sobem quase 60%

Com a disparada do dólar e a procura por passagens aéreas, preços médios dos bilhetes sobem quase 60%

Com o fim da quarentena e com o avanço da vacinação, os brasileiros estão fazendo disparar a procura por voos domésticos e internacionais, mas a maior parte das companhias aéreas ainda não está operando todas as rotas e com frequências do período pré-pandemia. Como resultado desse descompasso entre demanda e oferta, os preços das passagens aéreas simplesmente dispararam.

Nos últimos doze meses, os preços médios dos bilhetes aéreos subiram 57%! E essa escalada ainda deve continuar, pois não é só a alta procura por viagens que está levando os preços dos bilhetes para as alturas. Como, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), 51% dos custos das empresas aéreas são atrelados ao dólar e o (des)governo brasileiro só toma atitudes que provocam a desvalorização do real ante a moeda norte-americana, a tendência é que a situação fique ainda pior no curto/médio prazo.

Todos os contratos de aluguel de aviões são feitos em dólar, todas as operações feitas fora do país são pagas em moeda estrangeira, o combustível segue preços balizados internacionalmente. Nesse último ano, o preço do querosene de aviação (QAV) subiu 91,7%! Como manter os preços inalterados, se esse combustível representa mais de 30% do custo total de um voo?

Por isso, fique esperto e acompanhe os preços daquela viagem com a qual você anda sonhando. E torça para que, na Black Friday, no próximo dia 26, as passagens para esse destino dos seus sonhos apareça com uma convidativa tarifa promocional ou pelo menos com uma considerável baixa em relação ao que vem sendo cobrado normalmente. Infelizmente é só isso o que resta a nós, passageiros: rezar.

 

Foto Divulgação | Passagens aéreas

 

Radar

Abrindo
Mais dois países reabrem suas fronteiras para brasileiros. A partir do dia 1º de novembro, não precisaremos mais cumprir quarentena ao chegarmos ao Chile. No Reino Unido, brasileiros 100% vacinados também estão dispensados desse período de isolamento. Por causa disso, a Latam volta a conectar o Brasil à Inglaterra com quatro frequências semanais operadas por Boeings 777 a partir de 2 de dezembro. Já a British Airways reativa a rota entre São Paulo e Londres na sexta-feira, 10 de dezembro, já com voos diários, operados por um moderno Airbus A350-1000.

Fechando
O México voltará a exigir dos brasileiros um visto para entrar no país. Essa decisão foi tomada devido à explosão do número de migrantes procedentes do Brasil a fim de cruzar a fronteira mexicana e ingressar nos Estados Unidos clandestinamente. Serão barrados viajantes cujo perfil não se ajuste ao de turista ou de pessoas em viagem de negócios. Só nos últimos meses, 46 mil brasileiros foram deportados pelo governo norte-americano.

Novidade em CGH
A partir do dia 16 deste mês, a Itapemirim estará presente no aeroporto de Congonhas. Serão 12 slots diários (seis pousos e seis decolagens) e a 1ª rota a ser operada será a ligação entre Congonhas e Galeão (Rio), de onde saem voos para as outras cidades conectadas pela empresa, como Brasília, BH, Fortaleza, Florianópolis, Maceió, Natal e Recife.

Sagaz e divertida, Maria Beltrão fala sobre o lançamento de seu primeiro livro “O Amor Não Se Isola”

Sagaz e divertida, Maria Beltrão fala sobre o lançamento de seu primeiro livro “O Amor Não Se Isola”

Em outubro, o canal Globo News completa 25 anos no ar, sem desligar. E Maria Beltrão é uma das jornalistas que está lá desde o começo dessa bonita história. No comando do “Estúdio i” desde 2008, com seu estilo irreverente ela traz leveza ao noticiário e fica no ar ao vivo por três horas seguidas de segunda a sexta, atuando como âncora, mestre de cerimônias e comentarista sobre os mais variados temas.

Nascida no Rio de Janeiro há 50 anos, Maria Beltrão é filha de um ministro do governo Figueiredo, morou em Londres e estudou Economia antes de enveredar pelo Jornalismo. Na entrevista que concedeu à 29HORAS, ela fala do livro que lançou durante a pandemia, da importância do jornalismo de qualidade e da praga das fake news.

 

Maria Beltrão Foto Marcelo de Jesus

 

Confira a seguir os principais trechos dessa conversa:

Desde 2008 você comanda o “Estúdio i”. Quem concebeu esse programa? Alguma outra jornalista foi testada para apresentá-lo ou desde o início o formato foi desenvolvido em cima da sua personalidade?
Lá por 2005-2006, uma pesquisa de imagem da Globo News revelou que o público do canal o achava muito sisudo, distante do espectador e um pouco arrogante. Aí a direção começou a apostar numa certa descontração e num estilo de apresentação mais espontâneo e desinibido. Eu já havia proposto anteriormente a criação de uma revista eletrônica, mas a ideia nunca vingou. Depois dessa pesquisa, começaram a formatar o “Estúdio i” e, desde o começo, ficou definido que eu seria a apresentadora. O nome vem de interatividade e informalidade. No começo, era um balaio de gatos, tínhamos de tudo: médico, comportamento, futebol e muita música. Toda tarde, uma banda diferente se apresentava no final do programa. Mas, aos poucos, essa fórmula foi mudando e o programa se tornou mais ‘hard’, com comentaristas falando das notícias mais relevantes do dia, de economia e de política. Acho que essa mudança acompanhou a evolução do telespectador, que se acostumou a assistir ao vivo sessões do Supremo, coletivas de ministros, pronunciamentos de autoridades nacionais e mundiais. O programa vai ao ar num horário em que acontece muita coisa. Não dá para ficar alheio a essas notícias todas.

Eu, quando comento com meus amigos que assisto todos os dias ao “Estúdio i”, muitas vezes ouço comentários do tipo: ‘Putz, mas esse programa poderia ser menos enrolado. Durante três horas aquela apresentadora fica muito tempo comentando o signo zodiacal da repórter, a maquiagem de fulana, o cabelo de sicrano e a paleta de cores das blusas dos convidados… Sem falar que todo mundo que chega ainda tem de falar boa tarde X, boa tarde Y, boa tarde Z, boa tarde assinantes…’ O que você tem a dizer para as pessoas que gostariam que as conversas do programa fossem mais diretas e objetivas?
Concordo com seus amigos: três horas de Maria Beltrão na TV é um exagero. Até mesmo para mim. Ficar 180 minutos comandando um programa ao vivo é extenuante. No final, eu estou sempre exausta. Pelo menos trabalho sentada, ao contrário da maioria dos outros apresentadores da Globo News! [rsrsrs] Sobre essas observações que eu faço sobre signos, cabelos e paletas de cores, esse é o meu jeito. E, pelo retorno que temos dos espectadores, a grande maioria da audiência gosta disso, quer isso. Essa irreverência é uma das principais características do programa. O ‘Estúdio i’ é assim. Eu sou assim. Isso atenua o abalo que muitas vezes uma notícia traz. Nossa proposta é levar um pouco de leveza aos espectadores, mesmo quando discutimos assuntos tristes e espinhosos. É mais ou menos como disse Charlie Chaplin: ‘Se você tivesse levado a sério os meus gracejos, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca duvidei da seriedade da plateia que me ouvia’.

Por falar em assuntos tristes e marcantes, onde estava Maria Beltrão no dia 11 de setembro de 2001?
Estava na academia. Pela escala, eu só ia entrar no ar bem mais tarde. Vi na TV que alguma coisa tinha se chocado em uma das torres do WTC. Quando estava saindo do vestiário, depois do banho, vi que a outra torre também havia sido atingida e deduzi que algo sério estava acontecendo. Nesse exato instante, meu telefone tocou e era da Globo News me convocando para ir imediatamente para o estúdio. Cheguei, rendi a Leila [Sterenberg] e fiquei “apenas” 10 horas seguidas ancorando a transmissão ao vivo. Foi muito marcante para todos que trabalhávamos lá naquela época. O canal estava completando 5 anos e aquele foi o nosso rito de iniciação em uma nova fase. Depois daquele momento, mudamos de patamar profissional.

A seu ver, o que mudou na Globo News com a chegada da CNN e com o aparecimento de canais noticiosos confiáveis em outras plataformas?
Mudou que a gente ganhou mais um motivo para fazer todo dia o nosso melhor. Eu acho que concorrência é saudável, é sempre bom. Dá uma injeção de criatividade, dá vontade de caprichar mais. E fica melhor para o telespectador, que pode perceber com mais clareza o nosso jeito diferente de fazer o nosso trabalho. Nós somos um canal de notícias brasileiro, e agora isso ficou ainda mais evidente. Trabalhamos do jeito que a nossa audiência prefere, não da maneira que o público de outro país consagrou.

Durante a pandemia, jornalistas como você nunca pararam de trabalhar. Você esteve na linha de frente! Você passou a enxergar de outra maneira a sua missão não só de informar, mas também de combater as fake news?
Acho que sim. Durante meses, eu saí de casa todo dia com medo, sem saber o que poderia acontecer – a gente não tinha nenhum conhecimento sobre essa doença. Mas o que me impulsionava a levantar toda manhã foi exatamente esse senso de serviço que você falou. Passei a valorizar ainda mais a minha profissão. Tínhamos um trabalho muito importante a fazer. Ainda mais nesse mundo tomado por fake news, que são um mal tão danoso quanto o coronavírus. Elas nasceram como “pós-verdade” e depois viraram “fatos alternativos”, mas o correto mesmo é chamá-las de fraudes ou de mentiras. É isso que elas são! E é um trabalho insano combatê-las, mas essa é a nossa tarefa: corrigir, esclarecer, explicar, passar a informação correta. Nosso compromisso é com a verdade, com os fatos, com a ciência.

 

Maria Beltrão Foto João Cotta | Divulgação

 

O que foi mais duro para você no período da quarentena? Como foi segurar em casa durante meses sua filha adolescente?
O mais difícil foi ficar meses sem encontrar fisicamente com a minha mãe. Foi muito desagradável me sentir um risco para as outras pessoas, já que eu tinha que sair de casa todo dia e enquanto todo mundo ficava confinado e se cuidando. Quanto às meninas lá de casa – a minha filha Ana (de 18 anos) e a minha enteada Bia (de 17) –, foi surpreendentemente fácil. Apesar da idade, ambas são super caseiras. Ficavam em nosso apartamento no Leblon numa boa. Às vezes batia uma angústia, mas elas são muito comportadas e souberam encarar a quarentena de uma maneira admirável.

O que te motivou a escrever seu primeiro livro, “O Amor Não Se Isola”?
No auge da pandemia, meu marido – o advogado Luciano Saldanha Coelho – propôs a todo mundo lá em casa uma brincadeira para extravasar as aflições e destravar a criatividade, baseada num exercício criado pela escritora norte-americana Julia Cameron. A missão era a seguinte: toda manhã, tínhamos que escrever três páginas sobre qualquer assunto. Eu comecei a usar essa dinâmica como catarse, para desbloquear minha mente e colocar no papel os pensamentos mais aleatórios. Um dia, mostrei para uma amiga o que havia escrito sobre o João Ubaldo Ribeiro e falei que este era apenas um dos meus textos que havia produzido. Ela leu, gostou e me disse que esse material poderia render um bom livro. Mostrei depois para o Octavio Guedes – grande jornalista e amigo maior ainda – e ele também adorou, achou apropriado o meu tom confessional, mas sem ser autocentrado. Levei a uma editora e o material acabou saindo quase sem alterações. O lançamento foi uma loucura, ainda que virtual. Poucas vezes na vida me senti tão adorada e admirada. A frase que virou o título do livro foi pinçada de uma das minhas crônicas. Durante a pandemia, notei que o confinamento distanciava fisicamente as pessoas, mas a verdade é que o amor é muito maior do que essas imposições da quarentena. Ele se adapta e dribla esses obstáculos, essas dificuldades. A gente segue sempre se relacionando com quem a gente ama via Zoom, pelo Whats ou por outros vários meios. Não há confinamento capaz de deter a força do amor.

O livro tem uma versão em audiobook, que você mesma gravou pessoalmente. E gravou também a série de podcasts sobre as histórias desses 25 anos de Globo News. Pensa em investir mais na produção de podcasts ou em uma carreira de narradora ou dubladora?
Obrigada, mas não. Sem tempo, irmão. Gravar os podcasts e o audiobook foram experiências maravilhosas, mas a partir desse momento da minha vida e da minha carreira, aos 50 anos de idade, eu quero trabalhar menos.

E no cinema? Quando a veremos atuando na telona? Quando você apresenta o Oscar na Globo não fica com vontade?
Eu? Jamais! Amo cinema, mas somente como espectadora. E nem me fale da apresentação do Oscar, porque ainda não consegui processar o luto pela perda do grande Artur Xexéo, meu mestre, meu amigo querido. É uma dor imensa. Não consigo imaginar como é que vou conseguir comandar a transmissão da cerimônia de premiação sem ele.

Agora que parece que a pandemia está chegando ao fim ou a um nível que permite que a gente pelo menos consiga conviver com ela, o que você pretende deixar para trás?
Eu não vejo a hora de deixar para trás de uma vez por todas essas restrições, todo esse distanciamento social. Não sei viver sem tocar, pegar e apertar. Eu não sou do abraço, eu sou do amasso! Comigo é na base do beijo, comigo é na base do amor…

Do alto de seus 1,80 m, qual a receita de Maria Beltrão para curar as chagas do Brasil e do mundo, acabar com a divisão, com a tristeza?
Jamais perca a esperança. Tá ruim? Vai passar. A vida opera em ciclos. Tem muito mais bem do que mal por aí. Nesse momento de trevas, o jeito é acender uma vela, e não ficar só reclamando da escuridão. Para trazermos de volta a felicidade, a fórmula é relativamente simples: basta apostar na esperança, na fé, na empatia e no amor. Sempre!

Conheça o “Stay Charlie”, um novo jeito de se hospedar em São Paulo e Porto Alegre

Conheça o “Stay Charlie”, um novo jeito de se hospedar em São Paulo e Porto Alegre

Startup apresenta soluções para uma hospedagem completa e flexível, além de potencializar venda de imóveis.

As casas não são mais apenas para descanso, hoje as residências se transformaram em escritório, academia, escola e lazer. A monotonia das quarentenas prolongadas fez crescer a busca por hospedagens em diferentes lugares e a tecnologia já acelera e descomplica aluguéis em diversas cidades pelo mundo. Nesse cenário, o Charlie – uma startup com o propósito de reimaginar a hospitalidade – mescla as praticidades do hotel com o conforto de casa, oferecendo uma experiência de estadia e serviços sob demanda para curta, média e longa duração.

 

Apartamento do Charlie, com sala e cozinha equipadas, em São Paulo - Foto: Divulgação

Apartamento do Charlie, com sala e cozinha equipadas, em São Paulo – Foto: Divulgação

 

Os apartamentos – atualmente em São Paulo e em Porto Alegre – são mobiliados e dispõem de inovações que facilitam o dia a dia do hóspede e morador. As opções contam com TV a cabo e internet sem fio de alta qualidade, cozinha equipada, além de um serviço de concierge inteligente, o Charlie, disponível durante 24 horas, que oferece informações sobre a cidade, entre outras indicações. “Ampliamos as experiências que costumam ser oferecidas em hotéis, a limpeza e o café da manhã são sob demanda, e possibilitamos refeições e kits, como para cinema e queijos e vinhos, à parte”, explica Allan Sztokfisz, CEO do Charlie.

Os valores das diárias e mensalidades variam de acordo com a localização, estrutura do prédio e design dos apartamentos. Para locações entre 30 e 90 dias, o cliente deve assinar digitalmente um contrato de temporada. A partir de 90 dias, um contrato de locação é exigido por lei, mas sem imposição de tempo mínimo de permanência. “No Charlie, o hóspede pode, realmente, ficar pelo tempo que desejar, não existe limite, a flexibilidade é muito importante. Não é necessário fiador ou seguro fiança, apenas o pagamento mensal pré-pago e uma análise prévia de crédito.”

As facilidades também são oferecidas para investidores e incorporadoras. A startup atua em parceria com a incorporadora desde a definição de qual produto será oferecido até o suporte de vendas em estandes e a operação das locações. “É uma solução completa, que agrega valor ao empreendimento. Para a incorporadora, é importante que seus clientes lucrem com a compra de seus imóveis, e o proprietário só terá o valor da taxa de administração descontada dos aluguéis arrecadados e não pagará ao Charlie nada a mais por isso”, conta. A taxa de administração inclui todos os serviços prestados pela empresa, que vão desde a preparação da unidade – que podem incluir reformas e organização geral – manutenção dos imóveis, até os trâmites de locação em si.

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Paulo Betti, ator de “Império”, se preocupa com retrocesso no setor cultural brasileiro

Paulo Betti, ator de “Império”, se preocupa com retrocesso no setor cultural brasileiro

Com uma carreira repleta de novelas, filmes e peças teatrais de sucesso, o ator Paulo Betti filosofa sobre fofocas e fake news, fala do papel fundamental das artes nesses dias sombrios e rememora a sua infância e a sua juventude entre Rafard, Sorocaba, Piracicaba e Campinas.

Toda noite, Paulo Betti invade milhões de lares brasileiros para espalhar fofocas, maledicências, boatos e futricas. E as pessoas adoram. No papel do blogueiro impiedoso Téo Pereira, o ator brilha na reexibição da novela “Império”. E há mais de quatro décadas tem sido assim. Em 1980, ele estreou na TV, na novela “Como Salvar Meu Casamento”, na extinta TV Tupi. De lá para cá, atuou em dezenas de novelas, filmes e peças teatrais. Conquistou dois prêmios Molière e três troféus Mambembe. Já foi galã, vilão e bufão.

Hoje com 68 anos, ele é um apaixonado pelo universo caipira do interior de São Paulo: nasceu em Rafard, foi batizado em Piracicaba, cresceu em Sorocaba e ainda viveu por um período em Campinas. Há anos, trocou essa paisagem (cada vez menos) bucólica pelos contornos sensuais do Rio de Janeiro. Mas ainda se orgulha de suas origens e cultiva seu lado tabaréu.

Na entrevista a seguir, ele fala à 29HORAS da praga das fake news, dos baques sofridos pelo setor cultural e do papel fundamental desempenhado pela arte na missão de trazer um pouco de luz a esses dias sinistros.

 

Foto - Divulgação

Foto – Divulgação

 

Você nasceu em Rafard, cresceu em Sorocaba e ainda passou alguns anos dando aulas de artes dramáticas na Universidade de Campinas. Que recordações guarda do Interior de São Paulo?

De fato nasci em Rafard e, com 3 anos, fui para Sorocaba. E parte da minha família foi para Piracicaba e para Campinas. Por causa disso, eu sempre ia com a minha mãe a essas cidades. Tenho um carinho imenso pelo Interior de São Paulo. É a minha praia. Sinto saudades das pessoas, das comidas e da música – adoro o cururu, o repente paulista. Tinha uma paixão muito grande pelos clubes de futebol da região: o São Bento de Sorocaba, o Nhô Quim (XV de Piracicaba) e os campineiros Guarani e Ponte Preta, a lendária. Guardo ótimas lembranças de todos esses lugares. Fui batizado em Piracicaba e, em Campinas, dava aulas sob as árvores no jardim da Unicamp.

Nos anos 1980, você participou da concepção do espetáculo “Na Carreira do Divino”, que exaltava a cultura caipira. Você acha que o Brasil precisa valorizar mais esse patrimônio?

Essa peça foi um marco na minha carreira. A montagem estreou em 1979, livremente inspirada em um livro escrito pelo professor Antonio Candido (1918-2017), “Os Parceiros do Rio Bonito”, que mostrava um estilo de vida baseado no compartilhamento. Os caipiras sempre tiveram uma tradição de ajudarem uns aos outros. Essa cultura deveria ser valorizada e incentivada. Essa forma solidária de viver é um bom exemplo, nesses tempos de individualismo exacerbado, de cada um por si. É algo que o nosso país está precisando muito neste momento.

A sua mãe, dona Adelaide, foi empregada doméstica. Até pouco tempo, essa profissão era estigmatizada e desprezada, mas agora as domésticas até protagonizam novelas e filmes no cinema. Como você vê essa mudança?

Minha mãe trabalhou por muito tempo como doméstica. E isso foi decisivo na minha formação. A família para a qual ela trabalhava me arranjou uma vaga em uma ótima escola pública para que eu pudesse estudar. Fui educado em uma escola experimental, criada para filhos de professores de outras escolas da cidade. Eu tive muita sorte. O ensino era excelente. O triste é que, naquela época, as domésticas não tinham carteira profissional, não tinham nenhum direito trabalhista e nenhuma proteção social. O que elas fazem é um trabalho muito delicado, que acontece dentro das casas das famílias. Por isso mesmo, a categoria é enorme, mas pouco articulada. Cada uma fica isolada em seu trabalho. Que bom que tudo mudou, que a profissão hoje é totalmente regulamentada e que essas bravas mulheres deixaram de ser “invisíveis”.

 

O ator na peça "Biografia Autorizada" - Foto: Divulgação

O ator na peça “Biografia Autorizada” – Foto: Divulgação

 

Você já interpretou dezenas de personagens. Quais são os seus prediletos?

Acho que os meus prediletos são aqueles que ficaram mais marcados no imaginário do público. Gosto quando um personagem se torna popular e cai na boca do povo. Foi assim com o Timóteo (de “Tieta”), com o Ypiranga Pitiguary (de “A Indomada”), com o Carlão Batista (de “Pedra Sobre Pedra”) e com o Téo Pereira (de “Império”). No cinema, com o Lamarca e com o Ed Mort.

O blogueiro Téo Pereira, criado em 2014 para a novela “Império” e agora de volta ao horário nobre, tinha tudo a ver com aquela época, quando o culto às celebridades e as fofocas estavam no auge. Atualmente nem existem mais blogueiros! Como seria o trabalho do Téo Pereira hoje?

A fofoca sempre existiu. Segundo o psicanalista José Ângelo Gaiarsa, que escreveu o “Tratado Geral Sobre a Fofoca”, muita gente respira e se alimenta de fofoca. Gaiarsa observa que, quando fazemos fofoca sobre alguém, colocamos nessa pessoa tudo o que temos de pior dentro da gente. E, ao fazermos isso, nos livramos de qualquer defeito, nos tornamos modelos de perfeição. Consequentemente, além de fazer mal ao outro, frustramos toda e qualquer possibilidade de mudança interna que possa nos ajudar a evoluir, a melhorar, a nos corrigirmos. E é assim mesmo!

O Téo ocupava um espaço que hoje é o da fake news, do jornalismo sem ética. Ele inventava notícias, distorcia fatos, destruía reputações, era maldoso. De certa forma, foi um precursor desse Gabinete do Ódio que funciona em Brasília.

Nas novelas do Aguinaldo Silva, os gays são sempre tipos exagerados, grotescos e bizarros. O que você tem a dizer àqueles que consideram que esse tipo de atuação caricata só serve para reforçar os preconceitos usualmente associados aos homossexuais?

O Aguinaldo faz novelas, ele vive de altos índices de audiência. Ele carrega nas tintas e nas características de cada personagem mesmo. E é muito bem-sucedido nisso, é um craque. E não é só ele que faz isso, o Brasil tem uma tradição nessa composição cheia de trejeitos, desde os tempos de Oscarito e Ronald Golias. Eu mesmo me considero adepto desse tipo de atuação, quando cabe. Nesse caso específico, me preocupei com a interpretação histriônica, mas foi libertador quando um parente meu gay, que mora em Votorantim, me ligou dizendo que estava adorando o personagem e que o Téo estava até ajudando na aceitação desse jeito de ser mais extravagante e carnavalesco. O Téo Pereira é a chamada “bicha louca”, e tem muita gente que é assim, ele não é uma invenção do além.

 

Paulo Betti com a atriz Letícia Birkheuer na novela "Império" - Foto: Divulgação

Paulo Betti com a atriz Letícia Birkheuer na novela “Império” – Foto: Divulgação

 

Por falar em atuações anedóticas, como você avalia a performance da Regina Duarte no papel que ela escolheu recentemente para interpretar?

A trajetória da Regina foi uma coisa trágica, sem dúvida, não tem nada de cômico. Ela vem de uma consciência política, lá do tempo do seriado “Malu Mulher”, mas foi decaindo e se metamorfoseando até se converter nesse ser amargurado que tentou justificar a Ditadura Militar e apoiou o governante que conduz o nosso país de forma desastrosa. É muito triste.

Como é que você acha que o setor cultural vai se reerguer após esse desmanche?

O setor cultural está sofrendo um grande retrocesso, um verdadeiro desmonte executado de forma absolutamente irracional. Eu acredito e luto para que consigamos reconstruir tudo o que está sendo desmantelado. Em 2022, com certeza, vamos limpar a área e as plantas voltarão a florescer.

A quarentena foi um período produtivo para você? Você gostou de encenar virtualmente seu monólogo “Biografia Autorizada”?

Logo no início da quarentena, tive a oportunidade de fazer apresentações virtuais da peça. Foi um teatro possível, uma forma de arte respirando por aparelhos. O espetáculo foi criado para narrar a minha trajetória, a minha existência, mas acabou sendo importante para a minha sobrevivência. É fundamental nos mantermos na ativa, seja do jeito que for. A arte é sempre necessária, ela é fundamental – ainda mais em tempos sombrios como este que vivemos. Oferecemos instantes de respiro e de trégua no meio dessa loucura toda. Nós vamos resistir. O belo sempre vence no final.

 

Betti com a esposa, a comediante Dadá Coelho - Foto: Divulgação

Betti com a esposa, a comediante Dadá Coelho – Foto: Divulgação

 

Como foi o confinamento com a sua esposa, a atriz e comediante Dadá Coelho, durante a quarentena? Vocês têm projetos de atuar juntos?

A nossa troca ficou ainda mais intensa, com essa convivência forçada. Como ela é comediante, eu me considero um felizardo: por causa dela, consegui rir muito durante a quarentena. Estamos pensando em fazer algo juntos, sim. Temos várias ideias na cabeça, desde peças de teatro a podcasts. Uma das possibilidades é criar algo inspirado em Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, tentando adivinhar como seria a vida desse casal de filósofos franceses nos dias de hoje.

Voltando à TV, é verdade que você vai encarnar mais uma vez o Visconde de Mauá, agora na novela global “Nos Tempos do Imperador”?

Não tem nada confirmado sobre essa participação em “Nos Tempos do imperador”, que conta a história de Dom Pedro II – contemporâneo do visconde. O que é certo é que estou escalado para a novela das 18h que virá depois dessa trama histórica. Chama-se “Além da Ilusão”, está sendo escrita por Alessandra Poggi e vai marcar a estreia da Larissa Manoela na Globo. Eu vou interpretar o dono de um cassino, casado com a Zezé Polessa.

Por fim, agora vacinado, o que você mais quer voltar a fazer? Do que mais sente saudades lá dos tempos do “velho normal”?

O que eu mais sinto falta é do teatro, do palco, dos artistas se reunindo presencialmente, com o corpo e a alma. Não vejo a hora de poder voltar com tranquilidade ao cinema, a apresentações musicais e aos estádios, claro! É tão bacana assistir a tudo isso ao vivo. Essa catarse coletiva me faz muita falta.

 

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Com humor afiado e talento para o improviso, Marcelo Adnet é uma das personalidades de 2020

Com humor afiado e talento para o improviso, Marcelo Adnet é uma das personalidades de 2020

Uma das personalidades mais influentes de sua geração, o ator, roteirista, compositor e apresentador, Marcelo Adnet, tem chacoalhado a cena política com suas paródias cheias de crítica a figuras do alto escalão do governo e seus correligionários. Depois de destilar seu humor perspicaz imitando os postulantes a presidente nas eleições de 2018 (com “Tutoriais dos Candidatos”), quebrou a internet durante a quarentena com “Sinta-se em casa”. Exibida pela Globoplay, a série teve 60 milhões de visualizações e chegou a arrancar lágrimas (de tanto rir) de Caetano Veloso, um fã notório.

A inteligência e o raciocínio ágil, além do talento para fazer rir, tem se mostrado uma arma poderosa nas mãos deste carioca de 39 anos. Formado em jornalismo pela PUC-Rio, o humorista nunca chegou a exercer a profissão, mas traz da universidade o faro jornalístico para criar uma crônica bem humorada (e sarcástica) deste Brasil de tintas surreais. Para o “Sinta-se em casa”, foram 110 episódios, criados diariamente a partir dos assuntos mais relevantes. “Elencava os temas, criava de improviso e em poucas horas estava no ar. Foi uma loucura, mas é impressionante a força que tem o conteúdo instantâneo”, lembra.

Filho do músico Francisco Adnet – de quem acredita ter herdado o senso crítico e a capacidade para o improviso – e da ex-modelo e figurinista Regina Cocchiarale, nasceu e cresceu em Botafogo, bairro da zona sul do Rio que batiza seu time de futebol e sedia a escola de samba do coração, a São Clemente. Foi para a agremiação que escreveu, em parceria com um grupo de compositores, o samba-enredo do último Carnaval.

Em uma conversa por vídeo-chamada de sua casa, onde mora com a esposa, a universitária Patrícia Cardoso, Adnet fala desse mergulho no mundo do samba-enredo, de assuntos sérios como política, pandemia e fake news, e de como tem se preparado para o maior projeto de sua vida: a paternidade.

 

Foto Sergio Zallis | TV Globo

 

“Sinta-se em casa” foi todo gravado em sua casa, de forma improvisada, somente com a ajuda da sua esposa. Quais lições você tirou dessa experiência?

A primeira é que a precariedade e a limitação podem ser fatores muito positivos para o humor. Outra foi compreender melhor a valorosa importância dos profissionais que trabalham nos bastidores. Como sentimos falta de um continuísta, de um bom áudio… Foi um grande aprendizado fazer um programa diário, em formato de crônica e sem recursos. Só eu e a Patrícia. Não tínhamos equipamento profissional, fazia do celular… Comprei um tripé para apoiar o telefone, nem isso eu tinha.

 

Foram 110 episódios diários. De onde veio tanta inspiração?

O cenário político entregou muita cena surreal, muita notícia que dá pano para manga. Mas, em paralelo ao noticiário tradicional, temos as redes sociais, que são uma fonte inesgotável de assuntos que, muitas vezes, não são absorvidos pela televisão. É muito interessante poder levar o que bombou na internet para a TV, ou fazer o inverso. Gosto desse diálogo entre mídias.

 

Qual a função do humor em um momento como este, de crise sanitária global, descrença política e discursos de ódio?

A premissa do humor é fazer rir. Mas, claro, pode ter outras funções. A crítica é muito importante e por meio do humor pode ter um efeito muito mais poderoso e abrangente do que a crítica científica ou acadêmica, por exemplo. Mas, ao mesmo tempo, também serve para aliviar as tensões, tornar assuntos complicados mais leves. Em uma pandemia, pode nos dar um respiro, nos alienar até, dessa realidade tão dura. Talvez até nos informar em meio à tanta desinformação.

 

Você tem uma capacidade incomum para o improviso, sempre cheio de referências. É um talento nato ou requer estudo?

Sempre fui monomaníaco. Tinha pequenas manias que duravam pouco, até eu abandonar e grudar em outra. Sempre fui muito curioso com todos os assuntos. Então ia fundo até exauri- lo. Futebol, xadrez, geografia, línguas…. Acho que criei um repertório.

 

Quais línguas você fala?

Uma vez pedi para meu pai para estudar russo. Ele comprou cadernos e fitas cassete e aprendi um pouco. Falo espanhol, inglês e papiamento (língua falada em Aruba e Curaçau, no Caribe). E me viro no italiano, francês, croata…

O humorista de presidente da república, no desfile da São Clemente, no Carnaval deste ano (FOTO RIOTUR)

 

Como você cria as imitações?

Meio por osmose. No “Tutorial dos Candidatos”, eu pegava um pedaço de papel e ia anotando as frases mais marcantes ou um tique que a pessoa tinha. E ficava assistindo até absorver um pouco daquilo. É um trabalho muito semelhante ao do caricaturista, que vai pegar um nariz que é grande e aumentar mais ainda.

 

Apesar de campanhas na TV, do esforço conjunto da imprensa, a sensação é que não estamos conseguindo conter a disseminação de fake news. Você enxerga uma solução para freá-las?

A solução é educação e isso demora muito. A notícia falsa é muito sedutora, mais até que o conteúdo real, que geralmente é mais maçante, por vezes até decepcionante. As fake news são bombásticas. E já existem há tempo, né? Tinha o pessoal da indústria da fofoca e os boatos sobre celebridades. Mas naquela época o prejuízo era individual e agora é coletivo. Isso é preocupante. Há governos eleitos em cima de notícia falsa. É um quadro que só vai ser resolver quando as pessoas tiverem interesse em questionar, duvidar, buscar comprovações.

 

Como avalia a condução do governo federal na pandemia?

Péssima, pouquíssimo clara, que despreza a ciência, a pesquisa e as normas internacionais. Primeiro recomenda um remédio, agora está recomendando outro. Perdeu completamente o sentido e a moral. As pessoas não ouvem o governo federal. Ele pensa uma coisa e a população, em sua grande maioria, está fazendo outra. Está usando máscara e cobra de quem não usa, fica chocada com aglomerações. O governo está dando mal exemplo, alguns seguem, mas a maioria acho que não. Não ouve nem confia mais nele.

 

Com tem sido o seu período de quarentena?

Quem pode ficar em casa, como eu, deve ficar. Eu fiquei, radical mesmo. Não peguei Covid. Eu passei muito tempo trabalhando para lá e para cá, me movimentando. Aí a vida vem e fala: “Quer ficar de preguiça, então toma”! Foi um tempo para acalmar. Assisto a filmes, faço terapia, compus um monte de samba como nunca tinha composto. Ano passado, um cara que ficava no sofá vendo televisão era um improdutivo. Este ano é um cidadão exemplar. Mas o trabalho me toma tempo também.

 

E como estão os planos para o cinema?

Tem um longa-metragem para sair no início do ano que vem, o primeiro filme que criei e co-roteirizei. Chama “Nas Ondas da Fé” e conta a história de um rapaz, que eu interpreto, do subúrbio do Rio de Janeiro, casado com sua esposa evangélica, que o leva para a igreja e, por um acaso da vida, ele se torna pastor da igreja. Cresce lá dentro a ponto de brigar com a cúpula e ter que fundar a sua própria. Uma história de altos e baixos. É uma comédia, mas que foca mais no drama dos acontecimentos.

 

Na pele de Rolando Lero, na Escolinha do Professor Raimundo (FOTO GLOBO | JOÃO COTTA)

 

 

É verdade que você será o novo diretor de humor da Globo, no lugar de Marcius Melhem?

Não. Não quero ter um cargo executivo, não tenho interesse. Eu tenho um espírito de menino, livre. Sou do samba. Acho que para mim seria péssimo.

 

Falando em samba, como foi sua aproximação com esse universo?

Acho que minha primeira imitação, ainda criança, foi de um sambista. Na faculdade fiz um samba para o trote com um amigo, o André Carvalho. Anos depois esbarrei com ele, que me falou de outro amigo, o Gabriel Machado, que já tinha composto sambas para a Mangueira e estava formando um grupo. Disputamos na São Clemente para o Carnaval deste ano e ganhamos. Foi o primeiro que assinei, na minha escola de coração, que fica em Botafogo, bairro em que nasci e vivi durante 30 anos. Foi lindo! Depois fizemos o samba da Botafogo Samba Clube, escola do que seria a terceira divisão do samba do Rio, com enredo sobre Beth Carvalho. Este ano fui convidado para ser o carnavalesco da escola e aceitei. Nosso enredo será João Saldanha. Também entregamos um samba para a Império Serrano. Concorrência dificílima, vinte sambas na disputa. A Império é uma escola gigante, tem sambas históricos maravilhosos. É uma emoção nova.

 

Soube que até no Carnaval de São Paulo terá samba seu.

Pois é. Nessa pandemia ainda fui chamado por diferentes compositores de São Paulo para fazer parte de grupos de composição. Entramos em seis disputas e ganhamos 4! Gaviões da Fiel, Dragões da Real, Rosas de Ouro e Leandro de Itaquera. Foi tudo por Whatsapp!

 

Como tem sido a experiência?

Fazer música em grupo, e popular, é um aprendizado incrível. Foi algo que pulei de cabeça, estou amando compor. Quase um sonho de menino que virou realidade. Acho super importante eu estar na Globo, mas também na Serrinha, na quadra da Impero Serrano. Estar na premiação do Emy, em Nova York, mas também na quadra da São Clemente bebendo latão.

 

FOTO SERGIO ZALLIS | TV GLOBO

 

Como é ter Caetano Veloso como fã?

Fiz a paródia da Paula Lavigne na quarentena, que rendeu um episódio especial para anunciar a live de Caetano. Acabou virando uma amizade. Tenho tanto respeito e admiração por ele…É uma das poucas pessoas que considero realmente um ídolo. Mas sou super tímido nesse sentido. Não quero mandar uma mensagem para ele. É um gênio, por que eu vou encher o saco do Caetano? O que vou falar? Ouve meu samba? Vou ficar com vergonha. Se bem que é uma boa ideia, né?

 

De onde vem sua verve artística?

Meu avô paterno era pediatra, mas contava piada muito bem. Piada clássica, de salão, coisa que eu não sei fazer. Meu pai sempre foi uma cara mais crítico, ácido, de humor super afiado. Acho que puxei mais ele, porque ao mesmo tempo que ele é tudo isso, ele também é reservado. Ele e meus tios são todos músicos. Minhas tias cantavam com Tom Jobim. Fui à casa do Tom em Nova York, lembro de ter ficado fascinado com a mesa bagunçada, caótica dele. A música sempre foi muito presente – meu pai faz jingle, música publicitária, então sempre pensei na música como ofício. Minha mãe foi modelo, mas depois figurinista. Cheguei a pensar que seria um cara de exatas, mas logo vi que não era nada disso. O dia a dia do meu pai que fazia música sob demanda me ensinou muito e ele tinha que se virar em poucos dias, tem muito a ver com improviso, com o que eu faço. Um dia tem que fazer um forró para um sabão em pó no outro dia um samba enredo, tudo isso me inspirou.

 

Sua primeira filha, Alice, nasce em breve. Como está se preparando para a paternidade?

Acho que o melhor que posso fazer é estar disponível. Então vou tirar um mês de férias para estar junto cem por cento no início. E, claro, aprendi o básico. A botar para arrotar, a trocar uma fralda. Penso que primeiro eu posso mostrar algumas coisas do mundo para ela, mas depois eu quero é que ela me mostre. Estou ansioso para que chegue esse dia.

 

Com a esposa Patrícia Cardoso, grávida de nove meses, à espera da primeira filha, Alice (FOTO BABUSKA)