Gabriel Fullen, empresário da gastronomia paulistana, vive momento de expansão de seus negócios

Gabriel Fullen, empresário da gastronomia paulistana, vive momento de expansão de seus negócios

Abrir novos empreendimentos foi o oposto do que o setor de serviços passou em 2020 e 2021. O empresário Gabriel Fullen, sócio dos recentes Localle Café, Localle Tratoria e Grand Cru Itaim, além do já conhecido Oguru, todos em São Paulo, pensou em estratégias junto a sua equipe para driblar os desafios e ainda expandir os negócios no período. “Vivemos adaptações de um ano em uma semana.”

As táticas incluíram vouchers para refeições futuras pela metade do preço – o meio para passar pelo lockdown sem demissões entre a equipe – e a expansão do delivery, que hoje representa 33% do faturamento no japonês Oguru. Algumas adaptações vieram para ficar, mas só foram possíveis por conhecer a realidade dos restaurantes. “Mesmo com muitas funções administrativas, é preciso viver o negócio com a barriga no balcão.”

 

Gabriel Fullen | Foto Mario Rodrigues

Gabriel Fullen | Foto Mario Rodrigues

 

E a proximidade é mesmo real. “Cresci no Itaim, sempre digo que não se pode ter medo de concorrência”, conta. De todos os empreendimentos dos quais está à frente, apenas uma das unidades do japonês está nos Jardins, todas as outras casas se encontram entre as ruas de seu bairro. “Observando o que há ao nosso lado, vemos o que podemos oferecer de diferencial, como o ambiente acolhedor do Tratoria com uma loja de vinhos com mais de 300 rótulos no mesmo lugar.”

Com inauguração prevista para maio, o Oguru terá mais uma casa e a primeira dentro de um shopping, no Market Place, próximo à Marginal Pinheiros. “Também vamos mudar a unidade dos Jardins para um estabelecimento maior.”

 

Restaurante Oguru | Foto Divulgação

 

 

Confeitaria Fioca, na Vila Buarque, aposta em ingredientes orgânicos e criações moderadas no açúcar

Confeitaria Fioca, na Vila Buarque, aposta em ingredientes orgânicos e criações moderadas no açúcar

Na confeitaria da chef Regina Paula, os doces são elaborados com ingredientes orgânicos, farinhas alternativas e açúcares naturais

Para a gastrônoma Regina Paula, guloseimas irresistíveis não precisam ser inimigas de uma alimentação nutritiva. É por isso que nas vitrines da Fioca, simpática confeitaria que mantém na Vila Buarque, os bolos, as tortas e os cookies expostos levam apenas ingredientes orgânicos, trazidos diretamente do sítio de sua família, no interior de São Paulo. A grande maioria das delícias também é livre de glúten, de conservantes e de corantes artificiais.

 

Frozen yogurt natural com morangos - Foto divulgação

Frozen yogurt natural com morangos – Foto divulgação

 

Além das sobremesas caprichadas – feitas com farinhas funcionais e adoçadas naturalmente com xilitol, demerara, agave, colheradas de mel ou pedacinhos de tâmaras -, o cardápio ainda inclui opções para cafés-da-manhã reforçados, almoços leves e lanches da tarde criativos. Destaque para os frozen yogurts de baixa lactose, para os cupcakes veganos, para os pãezinhos com queijo da Serra da Canastra, para os burgers de batata doce e inhame, e para os chiffons de laranja, feitos com farinha de arroz e suco natural. Para beber, a dica é experimentar o switchel da casa, bebida robusta preparada com vinagre de maçã, gengibre e mel.

Torta de limão sem lactose da confeitaria Fioca - Foto divulgação

Torta de limão sem lactose da Fioca – Foto divulgação

 

Aberta de segunda a sábado, das 11h às 18h, a Fioca também atende pedidos para delivery ou take away e recebe encomendas de bolos confeitados saudáveis para festas familiares e eventos corporativos feitas pelo WhatsApp (11) 99615-1873.

Fioca Confeitaria Saudável
Rua Barão de Tatuí, 555, Vila Buarque
Instagram: https://www.instagram.com/fiocacs/

Dos mesmos criadores do Zé Delivery, aplicativo Nana Delivery, pretende expandir operações no Brasil

Dos mesmos criadores do Zé Delivery, aplicativo Nana Delivery, pretende expandir operações no Brasil

O aplicativo de mercado “rápido e barato” capta rodada de investimentos liderada pelos fundos estrangeiros Canary e Maya Capital e planeja ampliar o projeto para outras cidades do país

A pandemia consolidou as compras de mercado feitas por meio de aplicativos. Depois de dois anos, a disputa, agora, é entre qual tecnologia entrega os produtos de forma mais rápida, oferece os melhores preços, além de boas facilidades na palma da mão. Criada no segundo semestre de 2021, a Nana Delivery, dos mesmos criadores do Zé Delivery, recebeu investimentos internacionais de US$ 3,6 milhões para expandir suas operações, iniciadas em Belo Horizonte.

“Os últimos anos aceleraram a adoção de soluções digitais, e acreditamos que isso abriu espaço para uma revolução nas compras de supermercado, que é um processo bem inconveniente para muita gente”, reflete Mariana Assis, diretora de pessoas e cofundadora da startup. Para usar o serviço, basta baixar o aplicativo da Nana no celular, escolher os produtos e fechar o pedido, recebendo a entrega em poucos minutos, com frete grátis. E para fazer tudo funcionar, a empresa tem uma rede de lojas fechadas (“dark stores”) – operação que permite armazenar produtos perto dos consumidores e ter dedicação exclusiva para entregas online, garantindo que a seleção de produtos e o envio sejam feitos rapidamente.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o varejo alimentar correspondeu, em 2020, a 7,5% do PIB nacional, com faturamento de meio trilhão de reais. No entanto, a vasta maioria dessas vendas ainda acontece no mundo físico. “Nosso grande objetivo é reverter esse cenário e tornar a conveniência acessível e barata para todas as pessoas, independente de classe social ou região que a pessoa mora.”

Com operações em quase toda a capital mineira, os sócios querem expandir o projeto. “Estamos muito felizes com esse início em Belo Horizonte. É uma das maiores capitais do Brasil e é uma ótima cidade para testarmos inovações que queremos levar para os consumidores, com comportamento parecido com outras grandes cidades do país”, afirma Lucas Montez, diretor de produto e cofundador da Nana Delivery.

 

Da esquerda à direita, Gustavo Fino, Lucas Montez, Rodrigo Vasconcelos e Mariana Assis, fundadores do Nana Delivery – Foto Gustavo Andrade

 

Com propósito sustentável, aplicativo Food To Save estimula a venda de alimentos excedentes e próximos à data de vencimento

Com propósito sustentável, aplicativo Food To Save estimula a venda de alimentos excedentes e próximos à data de vencimento

Quando o assunto é comida, nem sempre “sobrar é melhor do que faltar” – sobretudo se o destino reservado a esses excedentes é o lixo. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 30% dos alimentos produzidos no Brasil são desperdiçados. Esse índice, que equivale a aproximadamente 27 milhões de toneladas anuais, posiciona o país entre os dez que mais descartam comida no mundo.

Fundada em 2021, a Food To Save oferece alternativas a esse cenário. Operando por meio de um aplicativo, disponível gratuitamente nas versões Android e iOS, a startup intermedia a venda de alimentos excedentes e próximos à data de vencimento, oferecendo descontos de até 70% para o comprador final. Em sete meses de atuação em São Paulo e nos municípios do ABC paulista, a foodtech já evitou o descarte de aproximadamente 50 toneladas de alimentos e agora amplia suas atividades à região metropolitana de Campinas.

 

Foto Jeferson de Souza e JCOMP | FREEPIK

Foto Jeferson de Souza e JCOMP | FREEPIK

 

“Iniciativas como essa são bastante comuns e bem-sucedidas na Europa. Trazê-las ao Brasil foi um movimento natural”, explica Lucas Infante, CEO e cofundador da marca, que já foi proprietário de um supermercado na Espanha e, por anos, vivenciou o desperdício com um incômodo que converteu em modelo de negócio. “No ciclo de consumo que estamos propondo, todos saem ganhando. Ao mesmo tempo em que permitimos às empresas criar uma fonte de receita, reduzimos os preços e a emissão de gases de efeito estufa.”

Ao todo, são mais de 350 estabelecimentos cadastrados na plataforma, entre restaurantes, padarias, hortifrutis, confeitarias e supermercados. Ao final do dia, eles se comprometem em reunir alguns dos itens que seriam removidos das vitrines em “sacolas-surpresa”, que são anunciadas na app e, uma vez vendidas, podem ser retiradas no local ou entregues no endereço do usuário. “Mesmo não sendo escolhidos pelos clientes, os produtos passam por um rigoroso controle de qualidade. Contamos com uma equipe de nutricionistas que acompanha e avalia as transações de perto.”

 

Murilo Ambrogi, Lucas Infante e Fernando dos Reis - Fundadores da Food To Save | Foto Jeferson de Souza e JCOMP | FREEPIK

Murilo Ambrogi, Lucas Infante e Fernando dos Reis – Fundadores da Food To Save | Foto Jeferson de Souza e JCOMP | FREEPIK

 

No fim, apenas aquilo que está em perfeitas condições de consumo chega à mesa. A longo prazo, a meta do aplicativo – que deve expandir sua abrangência para as principais capitais do país e cidades-satélites nos próximos meses – é ser agente de uma mudança de hábitos. “Queremos que o consumidor não se prenda à estética, por isso os alimentos ali são ‘surpresa’. A ideia é, justamente, romper com essa cultura de enxergar as gôndolas dos supermercados como vitrines de moda, e incentivar um consumo menos pautado na perfeição plástica e mais preocupado com a sustentabilidade.”

 

Saiba mais sobre a Food To Save: https://www.foodtosave.com.br/

Restaurante da Tia Nice leva a culinária orgânica à periferia paulistana

Restaurante da Tia Nice leva a culinária orgânica à periferia paulistana

À frente do restaurante Organicamente Rango, Cleunice Maria de Paula leva a culinária orgânica para a periferia de São Paulo.

A chef Cleunice Maria de Paula transborda simpatia. Não é à toa que, para os vizinhos da “quebrada”, é simplesmente Tia Nice. Figura maternal e potente, ela já foi empregada doméstica, manicure e hoje comanda o Organicamente Rango, primeiro restaurante 100% natural do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. No cardápio, pratos tradicionais da culinária caseira ganham nova roupagem, com ingredientes saudáveis e uma montagem caprichada e sem frescuras.

 

Tia Nice - Foto: Léu Britto

Tia Nice – Foto: Léu Britto

 

Foi durante um curso de gastronomia vegetariana no Senac que Nice ouviu pela primeira vez o termo “desertos alimentares” (locais com difícil acesso a alimentos in natura), e descobriu que vivia em um deles. “Aqui na comunidade você não acha opção de comida saudável, não tem”, conta. Então, com a ajuda do filho e empreendedor, Thiago Vinícius – que foi vencedor neste ano do prêmio 50 Next como jovem que contribui para o mundo gastronômico –, decidiu colocar a mão na massa. Em 2019, abriu o próprio restaurante orgânico. O prêmio foi concedido pela prestigiada revista britânica “Restaurant“, que todo ano edita a lista dos World’s 50 Best.

“A maior parte dos ingredientes que eu uso para cozinhar são de agricultura familiar”, diz. Esse foi o caminho que a chef encontrou para, além de tornar os preços dos pratos mais acessíveis, criar uma rede de apoio dentro da comunidade. “Quando a gente se ajuda, todo mundo ganha”, explica.

Das carnes às opções vegetarianas, todas as delícias do menu viram pratos para delivery ou marmitas para doação. “Na pandemia, recebemos vários caminhões com ingredientes de doação. Preparamos mais de 22 mil quentinhas para as famílias”, comenta, orgulhosa. Para este ano, Nice prevê a entrega de mais de 16 mil refeições até o fim de outubro.
Os planos para o futuro são muitos. “Quero ter minha própria horta e expandir o delivery para a região de Pinheiros”, conta. Em parceria com a ONG Gastromotiva, a chef também planeja dar aulas de gastronomia para jovens de seu bairro. “Quero mostrar para eles que cozinhar salva”, finaliza.

 

Tia Nice - Foto: Léu Britto

Tia Nice – Foto: Léu Britto