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“Sou bom em doar”, Elie Horn é um dos maiores filantropos do país

por | jun 29, 2020 | Entrevista, Pessoas, Pessoas & Ideias | 1 Comentário

Elie Horn é o único brasileiro que faz parte do The Giving Pledge, programa criado por Bill Gates para incentivar bilionários a destinar ao menos metade de suas fortunas para ações filantrópicas. À frente da ONG Movimento Bem Maior, que ele fundou com quatro empresários, Horn acredita que a sua missão é implantar a cultura da doação no Brasil. Ele próprio, inspirado pelo pai, vem fazendo isso desde os 38 anos de idade. Já doou 60% do seu patrimônio.

Nascido há 75 anos em Alepo, na Síria, e vivendo no Brasil desde os oito, Elie Horn conversou pessoalmente com a 29HORAS no final de fevereiro, e há alguns dias, em plena quarentena, por email. Simples, generoso, transparente e carismático, Elie é uma revelação: um homem que vive em função do bem comum, conversa com Deus diariamente e que não vê outro propósito para a vida na Terra do que a caridade.

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Elie Horn

 

29HORAS – Você é o único brasileiro a fazer parte do The Giving Pledge, grupo de bilionários doadores criado por Bill Gates. Como aconteceu isso? 

Elie Horn – Aconteceu há uns vinte anos, quando um consultor cubano me perguntou por que eu não fazia parte do grupo. E aí eu fui. Por enquanto sou o único brasileiro, até conseguir trazer um (risos).

 

29HORAS – Por que é difícil fazer a elite brasileira doar? 

Elie Horn – Todo dia eu recebo gente e falo de filantropia e de Deus. As pessoas são boas, o problema é a inconsciência. O homem é bondoso, mas é ignorante, materialista e burguês. O que impede as pessoas de doar é o medo de se expor, de prometer e porque às vezes dói no bolso (risos).

 

29HORAS – Mas para você não dói? 

Elie Horn – Eu aprendi usando um truque. Tirar o dinheiro do bolso sempre dói, mas como o dinheiro não é mais meu (quando eu doo), aí não dói mais, porque eu passo a ser gerente e não mais o dono. Muda o enfoque, você não sofre mais.

 

29HORAS – Quando você se abriu para a filantropia? 

Elie Horn – Quando eu tinha 37 anos, o meu pai prometeu doar 100% do que ele tinha para a caridade. Eu decidi copiar meu pai. Mas eu tinha uns gurus naquela época, e eles me convenceram a fazer a doação de 60%. A maior e melhor lição da minha vida foi esse ato de meu pai, de doar toda a fortuna dele para ações sociais.

 

29HORAS – Esse valor da filantropia ficou nos seus filhos e netos? 

Elie Horn – Ficou bem gravado na primeira geração, dos meus dois filhos, essa eu tenho certeza. As outras eu não respondo, mas espero que sim. Tenho cinco netos ainda pequenos.

 

29HORAS – O Brasil é um país muito desigual. Além da filantropia, o que é urgente fazer para melhorar? 

Elie Horn – Em primeiro lugar, é preciso conscientizar a elite de que ela precisa ajudar. Um real privado vale dez reais públicos, então uma das soluções passa mesmo pelo setor privado. Outra coisa é que o governo tem que mudar a maneira de educar nas escolas, estamos muito atrasados em métodos de ensino. Precisamos de uma revolução total na educação, o que vai gerar mais saúde e menos violência. E ainda é fundamental conscientizar o povo a exigir mais educação. Esse é um processo que vai levar dez, vinte ou quarenta anos. O Brasil foi descoberto em 1500 e os Estados Unidos em 1492, e veja como eles estão. Um tem herança portuguesa, o outro anglo-saxônica. Nesse aspecto da doação, o americano é o mais generoso. Isso faz parte da cultura, taxas e impostos não são desculpas para não doar.

 

29HORAS – Como nasceu a ONG Movimento Bem Maior, que você fundou? 

Elie Horn – Com o propósito de fortalecer a filantropia no Brasil e investir em projetos e ações de educação. Somos cinco fundadores. Minha missão é essa, o resto são detalhes para chegar lá. Sou bom em doar.

 

29HORAS – Como vê esse momento de pandemia que estamos passando? 

Elie Horn – É um momento de muita reflexão e, principalmente, de união. Estou entusiasmado com o engajamento da sociedade e dos empresários como um todo, e espero que esse movimento seja contínuo, e não perceptível apenas nos momentos de crise. Não é só hoje que precisamos olhar para o próximo, nossas ações precisam se perpetuar e ganhar perenidade. Quando você ajuda alguém a comer e beber, você sente que está fazendo algo valioso. E fazer o bem é isso, começa pequeno e se torna gigante.

 

29HORAS – Quais são as ações de filantropia da Cyrela nesse momento? 

Elie Horn – Por meio do Instituto Cyrela, a companhia tem liderado diversas iniciativas de doação. Entre elas, foram realizadas duas campanhas de doações com os colaboradores e o valor acumulado foi triplicado pela companhia. A primeira foi uma doação destinada ao programa “Unidos contra a Covid-19”, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição referência em ciência e saúde. A segunda foi a doação de cestas básicas para três instituições de comunidades vulneráveis em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Ao todo, as ações de doação envolvendo o grupo Cyrela e a família Horn já arrecadaram cerca de R$ 26 milhões. Também temos feito outras atividades por meio do Movimento Bem Maior, um dos responsáveis pelo Fundo Emergencial da Saúde – Coronavírus, que ajuda vários hospitais e instituições de saúde.

 

29HORAS – O que precisamos fazer, tanto o governo como a sociedade e os empresários, para que a pandemia não cause mais mortes, especialmente entre os mais vulneráveis? 

Elie Horn – Precisamos de união entre as autoridades políticas brasileiras. A falta de união gera aumento nos óbitos causados pela Covid-19, e isso me traz muita preocupação. Só unidos vamos conseguir superar esta etapa de forma mais rápida e fortes.

 

1 Comentário

  1. Sonia Meireles

    Que belo exemplo, possa ser seguido por muitos Empresários, Governantes, etc…, faz parte de minhas orações diárias: SENHOR fazei o nosso coração semelhante ao VOSSO!

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