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Após sucesso no streaming com ‘Dom’, Gabriel Leone reflete sobre sua trajetória profissional

por | out 1, 2021 | Cinema, Entrevista, Pessoas, Pessoas & Ideias | 1 Comentário

Conversar com Gabriel Leone é a certeza de que a experiência e o aprofundamento não se associam apenas à idade. Em tempos de padrões geracionais ainda rígidos e discussões que, muitas vezes, não dão conta de rompê-los, o ator carioca comprova que é possível e absolutamente normal ser jovem e, ao mesmo tempo, experiente. Aos 28 anos, Gabriel desdobra seu trabalho em diferentes formatos: cinema, streaming, novelas e até composições musicais para produções audiovisuais.

Nascido e criado no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, o ator viu a transformação de uma região antes tranquila em um lugar onde é preciso andar atento e “não dar mole” – expressão que muitos outros bairros e cidades normalizam em decorrência da violência e da desigualdade. Essa percepção sobre seu espaço – físico, social e subjetivo – ajudou na imersão para interpretar o criminoso Pedro Dom, protagonista da série “Dom”, da Amazon Prime Video. A produção é a mais vista no streaming entre os seriados de língua não inglesa e o primeiro grande investimento da plataforma no Brasil.

 

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Foto Jorge Bispo

 

“Apesar da ambientação da série ser o Rio, com uma realidade muito brasileira, com suas músicas e texturas, a narrativa se foca na relação de um pai e um filho que vivem as dores e os impactos familiares do vício em drogas, e esse drama é universal”, reflete. Inspirada no livro de mesmo nome e de autoria de Tony Bellotto, “Dom” foi distribuída para 240 países pela Amazon. “Estive no Uruguai para as filmagens da segunda temporada, lá muitos me disseram que se identificaram com a série, que viveram ou conhecem um enredo parecido em suas vidas.”

A produção é baseada na história real de Pedro Dom, um rapaz de classe média carioca que começou a usar cocaína muito cedo, e se tornou líder de uma gangue criminosa que estampou os jornais no início dos anos 2000. “Essas narrativas são chocantes por causa do racismo estrutural, drogas e crimes são associados quase sempre a pessoas pobres e negras, mas uma história como a de Pedro é muito comum.”

 

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Gabriel Leone na série ‘Dom’ | Foto SerendipityInc

 

Premonições do difícil normal

O tempo tomou uma dimensão diferente com a pandemia. Desde que fomos atravessados pela nova realidade, os dias ficaram mais parecidos e as esperas, mais longas. Em 2019, Gabriel Leone esteve no Festival de Cinema de Brasília para o lançamento do longa do diretor Cláudio Assis, “Piedade” – no elenco com Fernanda Montenegro, Cauã Raymond, Matheus Nachtergaele e outros grandes atores –, mas não esperava que apenas em agosto deste ano veria a estreia do filme para o público, que foi adiada por causa do distanciamento social.

Filmado em 2017 e hoje disponível em plataformas de streamings, como a Now, “Piedade” tem um pano de fundo político, muito bem cabido ao Brasil de agora, de descaso do poder público e de exploração ambiental desenfreada. “Acima de tudo eu tinha um desejo de trabalhar com Cláudio Assis, sempre há algo biográfico em seus filmes e é um dos melhores roteiros que já li! Quatro anos depois muita coisa aconteceu e em consonância com o que o longa propõe, é curioso como foi quase premonitório”, afirma.

O filme traz a rotina dos moradores de Piedade, cidade fictícia no litoral recifense. A vida dessas pessoas é abalada pela chegada de uma grande empresa petrolífera, que quer comprar casas da região para ter acesso aos recursos naturais. “É uma produção muito importante, depois das filmagens vimos o vazamento de óleo por todo o litoral do Nordeste.”

 

Cena do filme "Piedade" com o colega Irandhir Santos - Foto Serendipityinc
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Cena do filme “Piedade” com o colega Irandhir Santos – Foto Serendipityinc

 

“A música vem até mim”

É por acaso, mas também não é. Mesmo que de forma indireta, a música está presente nos trabalhos de Gabriel. O ator é protagonista do longa “Eduardo e Mônica”, ao lado de Alice Braga, inspirado na famosa canção de Legião Urbana. O filme de René Sampaio seria lançado no ano passado, mas foi outro projeto adiado com a pandemia. A expectativa é de que a estreia aconteça ainda neste semestre nos cinemas.

No papel de Eduardo, o desafio foi interpretar um garoto 10 anos mais jovem que o ator. Para isso, Gabriel Leone mergulhou ainda mais fundo nas obras de Renato Russo e sua banda. “Cresci escutando Legião Urbana, meus pais eram fãs de carteirinha, meu disco favorito deles é o ‘Dois’, que justamente tem ‘Eduardo e Mônica’ entre as canções.” A música e o teatro começaram juntos para o ator. “Fiz muitos musicais, estudei canto, comecei a tocar com o violão da minha mãe, hoje coleciono discos e é incrível poder unir os dois universos no meu trabalho, a música acaba vindo até mim”, conta. Na série “Os Dias Eram Assim”, da Globo, uma composição do ator entrou como trilha-sonora em algumas cenas, e Gabriel foi o intérprete de “Aos Nossos Filhos”, de Ivan Lins, que foi música de abertura da produção de 2017.

Outro personagem marcante, embalado pelo amor à música, foi estar na pele de Roberto Carlos, no filme “Minha Fama de Mau”, de 2019, que traz o começo da carreira de Erasmo Carlos e o surgimento da Jovem Guarda. “Temos muitos registros atuais dessas figuras, agora que estão mais velhos, mas o longa se foca no início de suas carreiras, esse foi o maior desafio, e estudamos muito para fugir de imitações, não queríamos ser covers.”

 

Caminho novo, intenso

Ainda vivemos tempos pandêmicos, mas a vida voltou a rodar. E a volta aos sets aconteceu intensamente. O ator agora termina as filmagens de “Um Lugar ao Sol”, próxima novela das 9 da Globo, com estreia prevista para novembro e que irá ao ar finalizada e com todas as cenas entregues – para evitar que fosse paralisada por causa da Covid-19 no Brasil.

“Foram oito meses de encontros muito especiais, na novela contraceno basicamente com apenas três atrizes, que são grandes referências para mim: Denise Fraga, Andréa Beltrão e Regina Braga”, diz. Neste mês, na estreia de “Verdades Secretas 2”, produção do Globoplay, Gabriel Leone também retorna para uma participação especial logo na primeira cena.

“Mesmo em pouco tempo, já vivi tantas histórias, vejo uma importância muito grande nisso, porque todos esses personagens fazem parte dessa evolução que venho construindo na minha carreira”, reflete, e elenca Pedro Dom e Miguel, da novela “Velho Chico”, de 2016, como os papeis mais marcantes até hoje. E, assim, a trajetória do jovem e experiente ator já está repleta de trabalhos e, claro, aberta para novos caminhos.

 

Cena da novela inédita "Um Lugar ao Sol" - Foto Globo | Divulgação
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Cena da novela inédita “Um Lugar ao Sol” – Foto Globo | Divulgação

 

Lado A, Lado B

Uma cidade para voltar?

Roma

Um lugar para morar?

Nova York

Um filme?

Hair, de Milos Forman

Um diretor?

Paul Thomas Anderson

Uma música?

Curvas do Rio, de Elomar

Um desejo para o Brasil?

“Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam ver o dia raiar” (Guilherme Arantes)

Um sonho para realizar logo?

Ver o fim da pandemia

 

1 Comentário

  1. Elizabeth

    Gabriel é um ator e músico incríveis. Super talentoso. Impressionante sua transformação em cada personagem.

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