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Maior evento artístico do Brasil, SP-Arte acontece entre 3 e 7 de abril

por | abr 1, 2019 | Cultura | 0 Comentários

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“F.O.D.A”, 2018 – Ai Weiwei

Se existe uma temporada de arte no Brasil, a SP-Arte é o evento que marca o início dessa estação. A feira, considerada por curadores e galeristas a mais importante do país, é uma data significativa que costuma ditar o ritmo para o mercado. Neste ano, o festival parte para a sua 15ª edição com a participação de galerias renomadas de Londres, Nova York, Berlim, Paris, Lima, Santiago, além, é claro, das principais galerias nacionais.

Desde o início, em 2005, o evento acontece no Pavilhão da Bienal. Na primeira edição, a SP-Arte contava com 40 galerias nacionais e uma internacional e ocupava apenas um andar do prédio. Hoje se estende por todos os andares, com 97 galerias nacionais e 69 internacionais. O festival também deixou de ser um evento unicamente voltado para as artes visuais e agora conta com segmentos destinados à performance e ao design.

A mente por trás deste sucesso é Fernanda Feitosa. Apesar de ser advogada de formação, a carioca radicada em São Paulo sempre esteve próxima da arte. Fernanda cresceu em uma casa repleta de obras e pinturas do seu tio, que a levava, desde pequena, para ver exposições e conhecer seus colegas artistas. “Tenho uma memória afetiva com relação à arte. Até o primeiro encontro com meu marido foi na faculdade, para ver uma exposição”, conta a idealizadora e atual diretora da SP-Arte.

Ela e o marido, Heitor Martins, atual diretor presidente do Masp, buscaram se conectar mais com a grande paixão do casal, o universo das artes visuais. Os seus encontros passaram a acontecer cada vez mais em galerias, leilões, bienais e feiras de arte.
Nesse período, Fernanda fez contato com vários artistas, curadores e colecionadores, que atuavam tanto nacionalmente como no exterior. Depois de morar alguns anos fora, frequentando o circuito artístico internacional, ela percebeu uma coisa: “Por que o Brasil não tem uma feira internacional de arte?”

Foi daí que surgiu a ideia para realizar a SP-Arte. Ela abandonou o emprego de diretora jurídica em uma empresa e fez um mapeamento cauteloso de galerias, artistas, colecionadores e potenciais compradores com interesse em ajudá-la a construir o festival. Em 2004, já havia uma quantidade expressiva de galerias e artistas brasileiros transitando no exterior.

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Fernanda Feitosa, diretora e fundadora da SP-Arte

A cidade de São Paulo reunia as condições ideias para realização de um evento desse porte pela oferta cultural diversificada e de altíssima qualidade. “Aqui temos também colecionadores respeitados, que se relacionam com os de fora. Há uma teia social muito bem estruturada em São Paulo, o que possibilita o networking de várias facetas”.

Desde a sua primeira edição, em 2005, a feira acontece no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. “É um prédio icônico, de Oscar Niemeyer, que se relaciona com a história da arte moderna nacional”, conta ela, orgulhosa.

Os anos se passaram e, em 2016, a SP-Arte foi a única feira do hemisfério sul citada pelo The Art Newspaper como um dos 40 eventos comerciais de arte mais importantes do mundo. Se por um lado isso destaca o êxito da feira, por outro demonstra como o mercado ainda é concentrado na Europa e na América do Norte. O fato de estar a pelo menos oito horas de voo do eixo central de colecionadores é apenas uma das adversidades que o festival enfrenta.

A SP-Arte é uma das 200 feiras internacionais que, anualmente, competem pela atenção dos colecionadores. Com uma concorrência tão acirrada, convencer estrangeiros a participar de um evento é um desafio ainda maior, no momento em que o país apresenta sinais de recessão e violência. Mas o maior obstáculo é a tributação. “É praticamente uma barreira alfandegária”, conta Fernanda. Os impostos encarecem o preço de uma obra vinda do exterior com taxas de 48 a 53%.

De acordo com Fernanda, a SP-Arte sobrepõe esses contratempos graças à altíssima qualidade do trabalho de artistas brasileiros e ao perfil aberto dos nossos colecionadores. Para amenizar a taxação, desde 2012 o governo paulista concede a isenção do ICMS para as obras compradas durante a feira, o que tem atraído um número muito maior de colaboradores estrangeiros.

“O Brasil tem que almejar ser um país aberto ao trânsito de bens culturais”, frisa Fernanda, ferrenha defensora do potencial de transformação social da arte: “A arte confere dignidade, sensação de pertencimento, construção do caráter e da identidade do cidadão de forma inabalável”.

A idealizadora defende que a SP-Arte estimule as pessoas a participar do circuito cultural do Brasil. Ela procura desenvolver cidadãos culturalmente ativos com a realização de palestras, o estímulo para que seus parceiros façam doações a museus públicos, publicação de artigos acadêmicos e a atualização constante de sua plataforma interativa.

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