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Rádio Vozes: A voz dos mestres

por | maio 1, 2019 | Música | 0 Comentários

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Jards Macalé na turnê de seu novo álbum, “Besta Fera”

Paulinho da Viola, no samba “Dança da Solidão” canta: “Meu pai sempre me dizia, meu filho tome cuidado, quando penso no futuro não me esqueço do passado”. Essa música foi gravada também por Marisa Monte e temos uma linda versão com os dois. É uma beleza dessas que só Paulinho é capaz de fazer, um samba que faz refletir, que emociona.

Abro nossa conversa de hoje com essa citação para falar de três discos recém-lançados por artistas com no mínimo 40 anos de estrada: Jards Macalé, Jorge Mautner e Fafá de Belém.

Estão todos em plataformas digitais e tocando muito na Rádio Vozes. Jards lançou o “Besta Fera” com direção musical de Rômulo Fróes, um compositor paulista, grande cantor, e quase com a mesma turma que fez o disco de Elza Soares. É um trabalho forte que teve como single a canção “Trevas”.

Macalé é um dos pilares da música pop brasileira. Esteve ao lado de Gal Costa no “Fatal”, com Caetano no “Transa”, e tem parte de sua obra lindamente gravada por Bethânia, sem falar das versões maravilhosas todas de seu maior sucesso – “Vapor Barato”, parceria com Wally Salomão.

Jorge Mautner lançou seu disco “Não Há Abismo Em que o Brasil Caiba” com a banda carioca Tono. Um disco com toda a personalidade brejeira, acida e filosófica de Mautner com a sonoridade contemporânea da Tono, formada por Ana Lomelino, Bem Gil, Bruno di Lullo e Rafael Rocha. O título do álbum foi tirado da frase “O Brasil tem um destino tão grandioso, tão grandioso, que não há abismo que o caiba”, dita pelo filósofo português Agostinho da Silva nos anos 90 e traz canções engajadas com a atualidade, inclusive com o assassinato de Marielle Franco.

Fafá de Belém lançou o disco “Humana” com show histórico no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Com direção do jovem paraense, cantor e compositor Arthur Nogueira, a cantora se apresentou com uma banda igualmente jovem e com repertório de compositores contemporâneos. As músicas pinçadas de sua obra vieram do mesmo recorte usado no disco: humanismo, liberdade e amor.

O bis me levou às lágrimas depois de um show muito emocionante. Fafá cantou “Credo”, de Milton Nascimento e Fernando Brandt. Deixo aqui com vocês uma parte da letra dessa canção e retomo à reflexão de Paulinho da Viola, que é comum a todos esses artistas que viveram mais do que eu, portanto trazem a sabedoria do caminho.

A música transforma e inspira. Ouvir esses artistas me dá esperança. Essa da qual Milton fala em sua canção:
“Caminhando pela noite de nossa
cidade
Acendendo a esperança e apagando a
escuridão
Vamos, caminhando pelas ruas de
nossa cidade
Viver derramando a juventude pelos
corações
Tenha fé no nosso povo que ele resiste
Tenha fé no nosso povo que ele insiste”.

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