Projetos culturais que envolvem a língua portuguesa e suas histórias celebram a potência criativa na literatura, no cinema e na oralidade
Percebi nas redes sociais que imagens publicadas por fotógrafos e artistas dos países falantes da língua portuguesa revelavam pontos de contato profundos entre culturas separadas por oceanos. Os contextos eram diversos, mas havia ritmos visuais, afetos, estéticas e histórias que se entrelaçavam. A pergunta veio em seguida: como transformar essa sintonia em algo concreto?
Assim nasceu o “Nossa Língua” – um movimento de intercâmbio social, cultural e econômico capaz de estimular alianças reais entre países que compartilham um idioma — e desafios, soluções e desejos de futuro. Unindo Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial, além de comunidades como Macau (China), Goa (Índia) e Galícia (Espanha), ativamos redes de criação, circulação e colaboração em todas essas regiões.

Exposição “Nossa Língua” – foto divulgação
O propósito é posicionar a língua portuguesa como um eixo vivo da economia criativa global, que pode, e deve, ser vetor de desenvolvimento e protagonismo entre as culturas. Estamos presentes nos quatro continentes e somos a quarta língua mais falada na internet – 250 milhões de falantes espalhados pelo mundo!
O projeto conecta pessoas, territórios e oportunidades. Já se desdobrou em livro de arte, galeria virtual, exposição coletiva e documentário feito por iPhones – selecionado para o Festival de Cannes em 2016. E em plena pandemia, tivemos a primeira edição do Nossa Língua Festival, no formato online, reunindo artistas e pensadores como Kalaf Epalanga, Ondjaki, Valter Hugo Mãe e Jards Macalé.
Este ano, em que o Rio de Janeiro é reconhecido como Capital Mundial do Livro pela Unesco, acontecerá a 2ª edição do festival, dessa vez presencial, em novembro, no Museu de Arte do Rio (MAR) – celebrando a potência da língua portuguesa nas artes, na literatura, no cinema e na oralidade, mostrando que a diversidade cultural se apresenta como uma força de conexão, não de separação.
Essa vocação para a escuta, a imagem e a palavra também norteia o trabalho da Núcleo da Ideia, agência da qual sou sócia-diretora. Nossos projetos são pensados sob a ótica da cultura como ferramenta de transformação e do entretenimento como linguagem acessível e mobilizadora. Olhar para o outro com interesse genuíno é o que move nossas ideias criativas. “Nossa Língua” não é só nosso: é de quem quiser construir esse futuro com a gente.
*Luciane Araújo é idealizadora do projeto Nossa Língua e sócia-diretora da Núcleo da Ideia.


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