Deborah Secco estreia como apresentadora à frente do reality show “Terceira Metade”, que celebra todas as formas de amor

Deborah Secco estreia como apresentadora à frente do reality show “Terceira Metade”, que celebra todas as formas de amor

Aclamada por suas transformações físicas para interpretar papéis marcantes na TV e no cinema, Deborah Secco se reinventa profissionalmente e aposta também em outras facetas, como apresentadora de reality show e empresária de sucesso

Deborah Secco tem uma habilidade única de se transformar. Em 37 anos de carreira, já deu vida a dezenas de personagens marcantes e é conhecida por se entregar de corpo e alma aos seus trabalhos na TV e no cinema. Desde mudar a cor e o corte do cabelo, até emagrecer ou engordar significativamente, ela já fez de tudo.

Em 2014, por exemplo, foi elogiada por seu papel como a soropositiva Judite, no longa “Boa Sorte”, para o qual perdeu mais de 10 quilos. “Acho que o ator é uma tela em branco e tem que estar disponível para possíveis transformações”, afirma a carioca de 45 anos, que agora se prepara para viver novamente Bruna Surfistinha nas telonas e a caminhoneira Maura, no filme “Sob o Céu do Tocantins”, para o qual pretende retirar as próteses de silicone dos seios para trazer mais verdade à personagem assexuada. 

 

foto Lucas Mennezes

 

Por falar em transformações, a mais recente é a sua estreia como apresentadora no reality de relacionamento “Terceira Metade”, do Globoplay. Sob a temática inédita da poligamia, o programa confinou em uma casa à beira-mar na Bahia quatro casais dispostos a incluir um terceiro parceiro na relação – e pessoas solteiras que desejam se envolver com eles, formando “trisais”. Com a participação da psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, o objetivo é ampliar o conhecimento das pessoas sobre outras possíveis relações amorosas. “Nunca tivemos um reality para todas as formas de amar, tanto na homossexualidade quanto na bissexualidade. Falar sobre isso é necessário, porque se mostra cada vez mais presente na nossa sociedade”, explica Deborah. 

Sempre se reinventando, ela é também uma empresária de sucesso, sendo sócia das marcas Espaço Facial, Mais Cabello, Aceleraí, Is Bikini, Peça Rara e da recém-lançada Deb Cosméticos. Em entrevista exclusiva à 29HORAS, Deborah Secco compartilha sua visão sobre relacionamentos, conta como lida com as transformações radicais para dar vida a personagens únicas e ressalta seu lado empresária. Confira os principais trechos desta conversa nas próximas páginas.

Você estreou agora em julho como apresentadora do programa “Terceira Metade”, do Globoplay. Que tal essa nova tarefa de comandar um reality?
Eu venho flertando com essa faceta de apresentadora há alguns anos e é uma área que me interessa. Depois de 37 anos atuando, a dramaturgia já é algo muito controlado e familiar para mim. Então, quando eu me proponho a fazer algo diferente, me agrada muito. Na gravidez da Maria Flor, fiz um programa para o Gshow chamado ‘Deborah Secco Apresenta’, com perguntas sobre maternidade. Depois, na Copa do Mundo de 2022, fiz o ‘Tá Na Copa’ no SportTV, que também foi incrível. Eu sou uma espectadora assídua de reality há muitos anos, quando ainda não era moda assistir ao BBB. Sou uma apaixonada por esse formato! Ter um reality para chamar de meu é realmente uma grande realização!

E o que você achou da ideia de abordar a poligamia?
Achei fenomenal! Nós já temos alguns realities de relacionamento com essa temática da pegação e uma temperatura mais quente. Mas nunca tivemos um para essas formas alternativas de amar, tanto a homossexualidade como a bissexualidade. O formato da poligamia não é padrão, existem muitos modelos. Falar sobre isso é necessário, porque se mostra cada vez mais presente na nossa sociedade.

 

Deborah Secco com Regina Navarro Lins, no programa “Terceira Metade” – foto Maurício Fidalgo

 

Qual é a expectativa de retorno do público em conversas e debates?
Penso que é esse olhar para a aceitação de uma sociedade mais plural, em que existem muitas formas de amar e que elas não são feias nem erradas, são apenas diferentes e todas merecem respeito. Evoluímos muito, viemos daquele modelo monogâmico não-fiel, em que os casamentos eram arranjados pelos pais, as mulheres ficavam em casa, os homens trabalhavam e geralmente não eram fiéis. Aí chegamos no amor romântico, que a Regina Navarro Lins, minha companheira no programa, tanto fala, no qual socialmente se criou essa estrutura ficcional em que as relações entre duas pessoas se bastam por completo, uma pessoa será a salvação da outra. E a gente foi vendo na prática que não é tão perfeito quanto parece nos filmes. Na vida real, esse amor romântico tem questões geradas pela nossa vida cotidiana. E aí surge essa possibilidade da não-monogamia, de relacionamentos conversados e combinados de formas diferentes.

Qual foi seu maior aprendizado com o “Terceira Metade”? Mudou a sua percepção sobre relacionamentos?
Confesso que cheguei lá achando que eu era uma pessoa supermoderna, e saí achando que sou super careta, porque existem muitas possibilidades dentro da não-monogamia. Toda vez que me perguntam ‘você tem um relacionamento aberto?’, eu respondo ‘não, eu tenho um relacionamento vivo’. Hoje vivo um relacionamento monogâmico, mas ele é vivo. A pessoa que eu era dez anos atrás é completamente diferente da mulher que eu sou hoje, e será completamente diferente da que serei amanhã. Eu acredito em relacionamentos com combinados. E o que o programa me apresentou é que relacionamentos não-monogâmicos ou poligâmicos vivem de combinados. E acho que assim se constroem relações muito mais honestas e potentes.

Há planos de uma segunda temporada?
A gente adoraria! Tem muitos casais e solteiros disponíveis a essa estrutura, que me param e me perguntam sobre a segunda temporada. Desejo há, de todas as partes. Enquanto isso, em breve teremos também a ‘lavação de roupa suja’, que será um reencontro com todos os participantes para saber como eles estão um ano depois.

Ainda este ano, você deve começar a gravar “Bruna Surfistinha 2”. Qual será a história desse segundo filme?
Eu não posso adiantar muito, pois ainda não finalizamos o roteiro. Como no primeiro filme, é uma história ficcional, mas devemos trazê-la mais para o tempo atual, a Bruna já com as duas filhas. Se filmarmos no fim deste ano, talvez a estreia seja no fim de 2026.

 

Deborah no filme “Bruna Surfistinha” – foto divulgação

 

Além da Bruna, você está se preparando para interpretar uma caminhoneira no longa “Sob o Céu do Tocantins”, e declarou recentemente que pretende retirar o silicone dos seios para dar vida à personagem Maura. Em 2014, no filme “Boa Sorte”, você também passou por uma mudança física, em que perdeu mais de 10 quilos para viver uma soropositiva. Vale tudo pelo personagem?
Adoro fazer transformações, é uma parte do trabalho de atriz que eu gosto muito. Acho que o ator é uma tela em branco e tem que estar disponível para possíveis mudanças. A Judite, de ‘Boa Sorte’, era uma personagem à beira da morte, mas com muita vida. Eu precisava, em algum lugar, trazer essa fragilidade dela, e consegui fazer isso através do físico. Logo depois, fiz um filme [‘Entrando numa Roubada’, de 2015] em que eu engordei 20 kg para interpretar uma atriz em fim de carreira. Sobre a Maura, de ‘Sob o Céu do Tocantins’, eu acho que o meu seio entrega muito que é de silicone, não parece natural e acredito que a personagem não teria. Então, faria essa intervenção só pela falta de naturalidade mesmo.

Olhando para a sua trajetória nesses 37 anos de carreira, quais foram os momentos mais memoráveis?
O primeiro momento muito memorável foi o ‘Confissões de Adolescente’, na TV Cultura, que eu fiz aos 12 anos. Com ele, ganhei o Prêmio APCA de Atriz Revelação e tenho um fã clube fiel até hoje. Na Globo, o primeiro trabalho muito bom que eu fiz foi em ‘Laços de Família’, com a Íris. A Darlene, de ‘Celebridade’, também foi uma grande personagem e marcou o início da minha parceria com Gilberto Braga, que eu falo que é o meu autor, fizemos muitas coisas incríveis juntos. Ele me credibilizava tanto como atriz, que eu acabava acreditando (risos). Em ‘América’, fiz minha primeira protagonista de novela das oito, a Sol. E destaco também meus papéis no cinema, como a Bruna Surfistinha e a Judite. E, claro, agora esse papel de apresentadora!

Além de atriz e apresentadora, você também é empresária e está à frente de vários CNPJs. Como despertou para esse universo?
Eu comecei a me ver empresária nos filmes ‘Bruna Surfistinha’ e ‘Boa Sorte’, em que eu fui coprodutora. Fui entendendo que Deborah Secco era mais que uma pessoa, era uma marca, e virei a CEO da minha empresa. Fui gostando dessa parte burocrática  da administração de empresas e abri meu primeiro negócio, a Singu, de serviços de beleza e bem-estar em casa. Com o tempo, estudei possibilidades que faziam sentido para mim. Eu gosto de coisas reais, sou uma pessoa muito sincera para vender o que não uso.
Hoje, sou sócia de empresas como a Espaço Facial, uma clínica de procedimentos  estéticos; a Mais Cabello, de transplante e tratamento capilar, que eu já era cliente por causa da minha alopecia androgenética; e a Aceleraí, uma plataforma de democratização da publicidade – que tem como sócios também Cauã Reymond, Rodrigo Faro, Glória Pires, Murilo Benício e Giovanna Antonelli –, em que vendemos publicidades de grandes artistas para negócios fora das capitais. Temos um banco de imagens com frases gravadas como, por exemplo, ‘o menor preço’ e ‘vem pra cá’, que uma hamburgueria ou uma floricultura do interior pode usar para alavancar os negócios.

 

Deborah como a soropositiva Judite, no filme “Boa Sorte” – foto Imagem Filmes / divulgação

 

Outra empresa da qual é sócia é o Peça Rara, um brechó que vende desde roupas até itens para pet e objetos para casa. Ela mudou a sua forma de consumo?
Mudou muito, hoje o meu armário é quase 90% de peças de segunda mão e entendo o consumo de forma mais consciente. É uma empresa em que eu acredito muito, porque ajudamos a salvar o planeta, trazemos para as pessoas possibilidades de usarem marcas que não conseguiriam comprar nas lojas de origem, e oferecemos uma renda extra para quem precisa. Nós temos um processo de curadoria enorme. As peças que não passam na nossa avaliação podem ser doadas para os bazares que fazemos em nossas lojas, em que todo o valor arrecadado é destinado ao nosso Instituto Eu sou Peça Rara, que realiza ações sociais.

Você tem muita afinidade com o universo de beleza e bem-estar. É parceira da Intt – loja de cosméticos sensuais e produtos eróticos – e acaba de lançar a Deb Cosméticos…
Sim, tenho uma linha de produtos íntimos – com  gel lubrificante, sabonete, clareador, desodorante e perfume – e vibradores em parceria com a Intt, em que também participei de todo o processo de desenvolvimento, desde os cheiros até as embalagens. Fico muito feliz com essa parceria, porque eu sempre fui consumidora desse tipo de produto fora do Brasil e aqui ainda não existia esse mercado. E agora acabamos de introduzir nas farmácias a Deb Cosméticos, voltada para o público mais jovem, e o nosso primeiro lançamento são os Body Splashes.

Com tantos negócios consolidados em diversas áreas e filmes engatilhados, existem planos de voltar às novelas?
Hoje, para eu fazer uma novela, teria que ser uma personagem que valha muito a pena, como a Tieta, que é o meu grande sonho. A Maria, minha filha, está crescendo e estou começando a valorizar o tempo. Novela realmente é um trabalho que não caberia na minha rotina, com tudo isso que eu tenho para administrar. Se for para fazer, terei que reformular toda a minha vida, então tem que ser muito especial.  

 

A atriz com Lázaro Ramos em “Elas por Elas”, sua última novela – foto divulgação / Globo

Rodrigo Simas encabeça o elenco da nova montagem de “Hair”, histórico musical que estreia este mês no Teatro Riachuelo

Rodrigo Simas encabeça o elenco da nova montagem de “Hair”, histórico musical que estreia este mês no Teatro Riachuelo

Explorando novas possibilidades e novos desafios como ator, Rodrigo Simas encabeça o elenco da nova montagem do musical “Hair”, em cartaz até setembro no Teatro Riachuelo, e revela seu lado mais ousado, mais sério e mais intenso

“Cabelo quando cresce é tempo / Cabelo embaraçado é vento / Cabelo vem de lá de dentro / Cabelo é como pensamento”. A poesia de Arnaldo Antunes imortalizada na voz de Gal Costa diz muito sobre o cabelo, mas não diz tudo. No musical “Hair”, que abalou as estruturas da sociedade no final dos anos 1960 e agora ganha nova versão em cartaz a partir de 4 de julho no Teatro Riachuelo, cabelo também é um símbolo de transgressão, de irreverência e de liberdade.

Com longas madeixas, Rodrigo Simas encabeça o elenco dessa nova montagem do espetáculo. Aos 33 anos, o ator carioca que ficou famoso nacionalmente ao vencer o reality “Dança dos Famosos” e participar da novelinha teen “Malhação” em 2012 vem se notabilizando por papéis mais complexos que vem interpretando nesses últimos anos.

 

foto Andre Wanderley

 

“Eu sempre fui uma pessoa muito leve. Mas, desde os meus 27-28 anos, entrei num processo para me conhecer melhor. Isso fez com que eu me tornasse uma pessoa mais focada, intensa e carregada. Posso ainda ser bem tranquilo e superficial em alguns momentos, mas também tenho um lado mais profundo e denso, que venho gostando de explorar”, avisa o ator.

Em conversa com a reportagem da 29HORAS, Rodrigo fala sobre o desafio de interpretar um personagem tão icônico e rico como o Berger de “Hair”, confessa sua admiração e seu respeito pelos hippies, evita fazer grandes revelações sobre sua relação com a atriz Agatha Moreira e conta um pouco de como foi sua experiência na gravação da versão em áudio do romance “Orgulho e Preconceito” para a plataforma Audible. Confira nas páginas a seguir os principais trechos da entrevista.

Como você se sente protagonizando um espetáculo que, em sua estreia no Brasil, foi encenado por grandes atores como Antonio Fagundes, Sonia Braga, Ney Latorraca, Aracy Balabanian, José Wilker e Neuza Borges?
Está sendo uma honra, porque todos esses são profissionais que têm carreiras brilhantes e que eu admiro muito. Não imaginava que um dia eu teria essa oportunidade de interpretar o Berger, um personagem que me atravessa em vários aspectos. É um grande desafio para mim, e eu adoro desafios, gosto de me colocar num lugar vulnerável como ator e ter de encontrar soluções.

O que mais te estimula e te desafia nessa produção?
O canto, para mim, é algo muito instigante, é algo que eu estou indo atrás nesse momento. A musicalidade entrou na minha vida desde cedo, pelo caminho da capoeira, que é algo que eu trago em meu DNA [Rodrigo é filho do capoeirista Beto Simas]. É algo corporal. Já fiz aulas de canto em vários momentos da minha vida, mas nunca algo com muita profundidade e com continuidade. O último contato que eu tive com a música foi na preparação para atuar em “As Aventuras de José & Durval”. Agora, para atuar em “Hair”, que eu considero o meu primeiro musical de verdade [Rodrigo participou de montagens amadorísticas de “Grease”, “Mamma Mia” e “High School Musical” no início de sua carreira], tive três mentores: Dani Lima, com quem já venho tendo aulas há um bom tempo; Gilberto Chaves, um fonoaudiólogo fera de São Paulo, que é também professor de canto e preparador vocal; e o maestro Marcelo Castro, que é o diretor musical do espetáculo. É uma trinca poderosa que tem ajudado diariamente no meu aprimoramento.

 

Rodrigo Simas com parte do elenco da nova montagem do musical “Hair” – foto divulgação

 

Quantas vezes você já assistiu ao filme de 1979? Teve a oportunidade de ver alguma montagem da peça no Brasil ou no exterior?
Vi o filme algumas vezes e tive também a oportunidade de ver ao vivo a montagem brasileira de 2010, que foi igualmente adaptada pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho e tinha o elenco encabeçado pelo Igor Rickli com o Hugo Bonemer, a Letícia Colin e a Karin Hills. Fiquei muito impressionado com a força dessa tribo hippie. O filme e a peça têm a mesma essência, mas são bem diferentes. As linguagens são distintas e a adaptação para o cinema permitiu algumas pirações impossíveis no palco.

Na sua estreia mundial, “Hair” surgiu não apenas como um fenômeno ou como uma celebração da contracultura, era também um manifesto pela paz, contra a guerra do Vietnã, contra a caretice, a opressão e o capitalismo selvagem. Não acha impressionante que agora, quase 60 anos depois, o mundo esteja novamente ou ainda cheio de guerras e na mesma luta contra forças retrógradas e ultraconservadoras?
Pois é, depois de tanta mudança, voltamos todos ao mesmo lugar! Mas é por isso que eu acho que “Hair” é um espetáculo tão potente mesmo tendo sido concebido há décadas. Outro dia mesmo eu estava conversando com meus colegas da peça que o fato de sermos atores, de estarmos no palco e de sermos a favor da cultura mesmo depois de tudo que vivemos recentemente neste país, isso já é um manifesto. É de fato uma resistência e uma demonstração do quanto a arte é importante e necessária para a vida das pessoas. E o espetáculo ainda ter essa mensagem pela paz, pela liberdade e pelo amor só reforça ainda mais sua força e sua relevância nos dias de hoje.

A liberação sexual e o amor livre são duas das principais questões abordadas pela peça. Em 2023 você declarou publicamente ser bissexual. Isso facilita de alguma forma o seu trabalho de compor e interpretar o Berger, que tem uma sexualidade fluida?
Eu acho que o fato de eu ter falado disso me dá mais segurança sobre quem eu sou e isso me potencializa como ator, amplia o meu leque de possibilidades. É algo que me libera, que permite que eu seja um artista mais livre e tenha mais ousadia para experimentar e encarnar esse personagem e muitos outros. Eu fico mais à vontade e as pessoas conseguem me ver melhor no papel de alguém com o Berger.

 

Rodrigo Simas e Agatha Moreira, juntos há 7 anos – foto Fabio Rocha / TvGlobo

 

O Rodrigo gostaria de ser um hippie? Ou, melhor, você se identifica com as ideias e causas defendidas pelo movimento hippie?
Numa utopia eu gostaria, sim, de ser hippie. Mas, no mundo de hoje, ser hippie significa viver completamente à margem da sociedade. Vivemos em um sistema que cobra um preço muito alto por essa escolha. É uma opção complicada. Eu admiro quem se propõe a viver dentro desses princípios, mas precisa querer muito e ter muita convicção. Naquela época da peça, as pessoas precisavam abrir mão de menos coisas para aderir a um estilo de vida hippie. Atualmente, a gente teria que desapegar de muuuita coisa para entrar nessa.

Você e a Agatha Moreira vivem juntos há cerca de sete anos, mas em declarações recentes disseram que filhos não estão nos planos, ao menos no curto/médio prazo. Que outros projetos você tem junto com ela? Planejam atuar juntos em algum filme ou peça? Pretendem adotar um cachorro? Ou comprar um bebê reborn?
Olha, a gente vive muito o presente. Temos muita vontade de atuar juntos e temos certeza de que o universo um dia vai nos unir novamente numa novela, num palco ou em uma produção para o cinema ou para o streaming. Mas são coisas que a gente não fica planejando. Tentamos não programar o nosso futuro e levar uma vida com leveza e sem ansiedade — se é que isso é possível. A gente dá mão um para o outro sempre que eu ou ela demonstramos algum sinal de ansiedade.

Você chegou a ter contrato fixo de longa duração com a Globo, afinal esteve por mais de dez anos atuando na emissora, não? É melhor ter contrato de exclusividade ou estar sempre mais disponível para novos trabalhos?
Cada alternativa — o contrato fixo ou a ausência de vínculo de exclusividade com quem quer que seja — tem seus pontos positivos e negativos. Tive contrato com a Globo durante uns sete ou oito anos e posso afirmar com toda certeza que cresci e evoluí muito enquanto estive lá. Foi maravilhoso, fiz trabalhos que me dão muito orgulho. Quando fiz “Renascer”, já não tinha mais contrato fixo, mas foi ótimo voltar, a porta se mantém aberta. Até por causa disso, hoje eu prefiro a liberdade e estar aberto para novos projetos. Estou num momento em que eu posso dizer ‘não’ se eventualmente o personagem ou a história não me atravessam. São tantas opções no mercado, é difícil ficar atrelado a uma só produtora de conteúdo. Será que se eu ainda estivesse contratado na Globo eu teria disponibilidade e seria liberado para fazer o “Hair”, que é algo que eu estou amando?

 

O ator na novela Renascer, ao lado de Juan Paiva – foto TV Globo / Divulgação

 

E você também gravou recentemente uma versão de “Orgulho e Preconceito” para a plataforma de audiolivros Audible. Fale para a gente um pouco sobre esse trabalho.
Esse é outro projeto que eu pude fazer por estar livre para aceitar o convite. Eu já tinha assistido ao filme lá atrás, quando foi lançado, em 2005, mas essa história entrou mesmo na minha vida quando fui convidado para atuar na novela “Orgulho e Paixão”, em 2018, cuja história também é inspirada no livro de Jane Austen que deu origem ao filme. E foi justamente nessa novela que eu comecei a namorar a Agatha! Nossos personagens pertenciam ao mesmo núcleo da história. Quando a Audible me chamou, fiquei muito feliz, por seu uma trama que conheço bem. Nessa versão, interpreto um personagem que na novela foi vivido pelo Thiago Lacerda. O processo todo foi divertido e interessante, tive a oportunidade de experimentar uma nova linguagem — foi um desafio entender como é colocar toda a interpretação só na voz — e contracenar com a Julia Dalavia foi muito legal. Essa “audionovela” será disponibilizada na plataforma Audible no dia 6 de outubro.

Seus últimos trabalhos na TV foram “Renascer” (novela exibida entre janeiro e setembro de 2024) e “As Aventuras de José & Durval” (minissérie disponível na Globoplay desde agosto de 2023 e exibida na TV Globo entre outubro e novembro de 2024). Pretende voltar em breve? E no cinema e no teatro, onde poderemos te ver depois de “Hair”?
Na televisão não tenho nada engatilhado para o curto prazo. Para o cinema e o streaming eu só posso te dizer que já apareceram outros convites e possibilidades, mas este ano eu estou 100% focado em “Hair”. Ficaremos em cartaz no Rio até setembro e, em outubro, começa a temporada do musical em São Paulo, na inauguração do BTG Pactual Hall, no prédio onde funcionava o Teatro Alfa. Porém, para quem quiser me ver hoje na TV, o longa “Viva a Vida”, no qual eu contraceno com a Thati Lopes e com o Jonas Bloch, estreou há algumas semanas na Netflix.

 

Rodrigo e Felipe Simas em “As Aventuras de José & Durval” – foto Globoplay / Divulgação

Dira Paes celebra seus 40 anos de carreira, é homenageada em Paris e faz sua estreia como diretora

Dira Paes celebra seus 40 anos de carreira, é homenageada em Paris e faz sua estreia como diretora

Atriz, diretora e ativista social e ambiental, Dira Paes celebra quatro décadas de carreira com muita versatilidade e é aclamada pela crítica e pelo público

Para colher bons frutos, é preciso semear com carinho, consciência e dedicação. Neste ano, Dira Paes colhe os frutos mais raros e especiais de sua semeadura, como ela mesma se refere à celebração de seus 40 anos de carreira. E a “coroação” dessa trajetória aconteceu em maio, com uma merecida homenagem no Festival de Cinema Brasileiro de Paris. “É um orgulho observar que são quatro décadas, mais de 40 filmes e tantas novelas, séries e peças de teatro. É uma sensação de que eu caibo no mundo inteiro”, comemora a atriz de 56 anos.

Maio também foi o mês de estreia nos cinemas de “Manas”, dirigido por Marianna Brennand e que já acumula mais de 20 prêmios internacionais, inclusive nos festivais de Veneza e de Cannes. O filme conta a história de uma jovem moradora da Ilha de Marajó, no Pará, inserida em um ambiente de violência, e Dira interpreta Aretha, delegada que atua na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência sexual na região. Para completar o mês de sucesso, viu ainda lançada a série cômica “Pablo e Luisão”, do Globoplay, criada por Paulo Vieira, na qual da vida à Conceição, mãe de Paulo. A personagem marca seu retorno ao humor, “adormecido” desde seu último papel cômico como Solineuza, no seriado de sucesso “A Diarista” (2004-2007).

 

foto Renan Oliveira

 

Multifacetada, recentemente Dira se aventurou como diretora, no filme “Pasárgada”, do qual também é protagonista, que expõe o tráfico de pássaros silvestres e a relação do ser humano com a ancestralidade e a natureza, temas tão caros à atriz paraense, que é ativista social e ambiental há mais de 25 anos.

Em entrevista exclusiva à 29HORAS, Dira Paes reflete sobre sua trajetória como artista e mulher amazônica, discute seu engajamento em causas sociais e ambientais – já de olho na COP 30, que acontece em novembro, em Belém – e adianta quais são seus próximos projetos, incluindo a protagonista da próxima novela das 21h, “Três Graças”, de Aguinaldo Silva, prevista para outubro. Confira os principais trechos desta conversa nas próximas páginas.

Em maio, você foi homenageada no Festival de Cinema Brasileiro de Paris e recebeu um prêmio pelo conjunto de sua obra. Como é ver seus trabalhos alcançando públicos internacionais?
É um sonho realizado! Fui surpreendida com esse convite muito antes de ser anunciado o Ano Cultural Brasil-França 2025 e a COP 30 em Belém, então houve uma convergência astral. Foi um presente dos deuses do teatro, dos deuses do Olimpo, aquele momento em que você tem a oportunidade de olhar para si como observadora da sua própria existência. E é um orgulho observar que são 40 anos, mais de 40 filmes e tantas novelas, séries e peças de teatro. É uma sensação de que eu caibo no mundo inteiro. Quando um filme viaja além-fronteiras, a gente vê que cabe em qualquer lugar. Tenho o desejo de que as coproduções sejam mais corriqueiras, que a gente possa sair um pouco da caixa do português e interagir com outras línguas. Esse é um caminho natural dos novos tempos.

O cinema brasileiro vive um ótimo momento, também no cenário internacional. Você acha que esse reconhecimento vem mais de fora? Enxerga uma evolução aqui no Brasil?
É um ano muito próspero, mas eu, pessoalmente, acredito que o cinema brasileiro é bem-sucedido há muito tempo. Temos que reverenciar nossos antepassados e lembrar que a primeira estrela dos musicais no mundo é brasileira e se chama Carmen Miranda. Desde a retomada do cinema brasileiro, na década de 1990, tivemos um investimento muito grande no audiovisual de Pernambuco, que frutificou em um cinema que vem contribuindo há mais de 30 anos para o cenário internacional. E eu sou fruto desses movimentos.
O público se sente atraído pelo cinema brasileiro, mas muitas vezes não pode pagar o ingresso e, com isso, a plateia não se renova. Pelo fato de os cinemas não estarem mais nas beiras das ruas, eles se tornaram muito caros. Temos que ter algum tipo de política que popularize cada vez mais as sessões para o público. Se tivermos esse incentivo, triplicamos rapidamente o alcance!

 

Dira Paes nas gravações da série de comédia “Pablo e Luisão”, do Globoplay – foto Léo Rosário / Globo

 

Você está no ar com a série de comédia “Pablo e Luisão”, criada por Paulo Vieira. O que te levou a aceitar o papel?
Paulo Vieira é uma renovação dos nossos votos com esse país, ele é aquele brasileiro que a gente tem orgulho que existe. Um belo dia, após o término da novela ‘Pantanal’, eu estava no Círio de Nazaré, conheci o Paulo e ele falou ‘eu quero que você faça a minha mãe numa série’. Fiquei feliz, porque eu já o admirava, e falei ‘quero fazer’. Mas também disse para ele: ‘Paulo, preciso ter um argumento forte para ser a escolhida para a série e não outra atriz’. E ele respondeu: ‘minha mãe queria que você fizesse ela’. É muito bom habitar o inconsciente criativo das pessoas e ser uma referência.

Na vida real, você é mãe de dois meninos. A maternidade transformou a sua forma de ver e fazer arte?
A maternidade trouxe um lado que eu não tinha, que é a vontade de voltar correndo para casa. Antes eu era mais frágil e, depois de ter filho, fiquei mais forte e hoje choro com menos facilidade. Tento ser mais salomônica, não permitindo que as emoções sejam donas de mim. Antes era muito mais voluntariosa, por causa da liberdade de estar sozinha. Você aprende a lidar com o cotidiano de uma maneira mais producente, mais rica, com propósito. Quero sempre fazer valer o dia. Minha pior sensação é a de que eu saí de casa, fiquei longe dos meus filhos e não valeu a pena, porque eles são a melhor coisa da minha vida.

Como é fazer comédia hoje no Brasil? É muito diferente do início dos anos 2000, quando fez a Solineuza?
O humor é urgente, é necessidade vital e sem ele a gente não sobrevive nesse mundo. No final do ano passado eu fiz um filme com o Pedroca Monteiro e o Marcus Majella, que deve sair esse ano e estou muito feliz de estar fazendo as pessoas felizes. Quero poder ter essa capacidade de transitar nesses mundos. Quando saiu ‘2 Filhos de Francisco’, eu estava bombando com a Solineuza. Agora estou no ar com ‘Pablo e Luisão’ e com ‘Manas’ nos cinemas. As pessoas não correlacionam esses personagens e isso me faz muito feliz, porque é uma atriz saindo do seu lugar de conforto. A Solineuza é muito atual, tanto é que foi uma comoção agora no show dos 60 anos da Globo. Eu fiquei 1 minuto e meio no ar, e nunca esperava que fosse ser do jeito que foi, com amor, com saudade. As pessoas são muito gratas quando a gente faz a família rir. E isso é muito bom de sentir.

 

Como Solineuza em um episódio da série de televisão “Encantado’s” deste ano – foto Fábio Rocha / Globo

 

Ano passado você estreou como diretora, no filme “Pasárgada”, em que também é a protagonista. Como foi atuar do outro lado da câmera?
Queria experimentar uma transgressão da minha própria existência, colocar à prova meus olhares, meu faro, minha capacidade de criação. E a pandemia deu tempo e autonomia e trouxe um existencialismo para nós. Eu preciso assumir e reconhecer que o fato de ser casada com um diretor de fotografia [Pablo Baião] facilita, então era um sonho possível. Quando começou a ideia de filmar, estávamos fazendo naquele momento 15 anos de casados e nos olhamos um dia e falamos ‘vamos fazer um filme?’. Eu queria assumir todos os riscos da experiência cinematográfica e me propus essa trajetória de criação da ideia original do roteiro, negociação com Globo Filmes, filmagem, montagem, direção e interpretação.

Por que escolheu essa história para a sua estreia como diretora?
Eu queria partir desse sentimento da solidão provocada pela pandemia. E isso combinava também com a minha idade, meu momento, com uma solidão da maturidade, quando você reconhece que amadureceu e se pergunta ‘quem é essa jovem mulher madura?’. Queria experimentar o avesso do olhar que as pessoas têm sobre mim e trazer essa mulher que não tem o apelo do sorriso – eu sei que meu sorriso é muito largo! Então, fui tateando esses vácuos dentro de mim e me peguei também com aquela sensação de ‘vou-me embora pra Pasárgada’, eu queria um paraíso para chamar de meu e achamos uma fazenda na região serrana do Rio onde ficamos reclusos e eu pude observar a liberdade dos pássaros. Quando fui pesquisar mais sobre eles e os animais silvestres, me deparei com o terceiro maior tráfico internacional do mundo – e aí eu achei o mote para o meu roteiro: a mulher solitária desconectada do paraíso, que está seca e entra na mata para ficar úmida de novo.

 

Dira e Humberto Carrão em “Pasárgada” – foto divulgação

 

Como você falou, o filme expõe a questão do tráfico de pássaros silvestres e você é muito envolvida com causas sociais e ambientais. Como uma mulher do norte do país e amazônica, quando e como você despertou para o ativismo?
A vida é troca e eu tive esse despertar muito cedo, aos 13 anos, na campanha ‘Ação da cidadania contra a fome’. Foi a minha comunhão com os direitos humanos e quando compreendi, como amazônida, o quanto há um equívoco de relação com esse bioma. Todo mundo olha pra Amazônia com o intuito de ter algo dela, nem que seja um ar puro. Mas o que você faz por ela? Com os indígenas, é impossível dar um presente e não receber alguma coisa em troca. Se ele te dá um colar de presente, você tira a sua camiseta e dá para ele. Mas as pessoas ainda tratam com exotismo uma das filosofias mais refinadas do mundo. Os indígenas não construíram templos verticais para alcançar o céu, os costumes são todos biodegradáveis, a alimentação é sem glúten, sem açúcar e praticamente sem sal, baseada em mandioca, caça, fruta e semente. Onde há problemas de propriedade rural, há todas as infrações humanitárias. O Pará tem um dos piores IDHs do país e essa equação eu não admito, não vou me calar nunca. Não podemos ser apáticos. Quem não mexe uma palha para ajudar alguém, está morto em vida.

Por falar em questões ambientais, a COP 30 será em Belém, no Pará, em novembro, seu estado natal. Você participará? Por que é tão importante ter um evento deste porte no Pará?
Estarei nas gravações da novela ‘Três Graças’ durante a COP e ainda não sei se conseguirei participar, mas já me sinto nela. O grande segredo dessa COP é que é um convite para conhecerem a Amazônia como ela é, que sustenta um povo e uma cultura originária há séculos. Não podem falar que nós somos atrasados, porque, na verdade, somos um estado altamente explorado, com uma sequência de descuido humanitário e social. E, mesmo assim, conseguimos manter nossas riquezas, nossos costumes únicos e nossa identidade regional. O Brasil não conhece o Brasil, temos um olhar americanizado, desejamos um país que não é o nosso. Temos que reconhecer a nossa sabedoria ancestral de preservar um lugar como esse há tantos séculos, apesar de toda a destruição. Temos que ouvir o que os amazônidas propõem em relação ao maior bioma tropical do mundo. Espero poder ver transformações verdadeiras acontecendo e não promoções.

O filme “Manas” também traz como cenário o Pará e questões das comunidades ribeirinhas da Ilha de Marajó, como a violência contra menores. Como conseguiram abordar um tema tão difícil de forma delicada?
Todo mundo tinha que correr para o cinema para assistir a esse filme, que aborda a violência, a falta de oportunidade, a falta de diálogo, a solidão, o Brasil gigante em terras descontínuas, onde temos comunidades a 20 horas de barquinho de capitais. Tudo o que o filme retrata acontece em qualquer lugar do mundo. Não é um assunto amazônico, é um assunto universal, urgente. A arte é pioneira em quebrar fronteiras, silêncios e ciclos. Falar divide a dor, tanto é que foi criado o manifesto ‘Manas Apoiam Manas’ e é importante ter atitudes pós-filme.

 

Cena do filme “Manas” – foto divulgação

 

O que pode adiantar sobre seus próximos projetos? Quais papéis Dira vai interpretar ainda este ano?
Deve estrear o filme ‘Agentes Especiais’, com o Majella e o Pedroca. Em outubro começa a novela ‘Três Graças’, que trará uma história de sobrevivência e resistência nesse universo feminino da família brasileira. Eu serei Lígia, mãe de Gerluce (Sophie Charlotte) e avó de Joélly (Alana Cabral). Fiz agora o filme ‘Sedução’, dirigido pelo Zelito Viana e pelo Marcos Palmeira, contracenando com o Marquinhos. Deve lançar ano que vem e é também a estreia do Marcos Palmeira na direção. Eu me senti testemunha de um momento muito especial no cinema brasileiro, que é ver o pai e o filho dirigindo um filme. São os bons ventos, uma boa onda. Temos que surfar, né? Mas com a responsabilidade que isso tudo traz.

Mel Lisboa traz para o Rio o musical que celebra a vida e a obra de Rita Lee, após estrondoso sucesso em São Paulo

Mel Lisboa traz para o Rio o musical que celebra a vida e a obra de Rita Lee, após estrondoso sucesso em São Paulo

Com sua carreira até alguns anos ainda marcada pelo seu primeiro papel na TV, a minissérie “Presença de Anita”, exibida em 2001, Mel Lisboa estreia este mês no Teatro Casa Grande o espetáculo “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”, incorporando com impressionante fidedignidade essa extraordinária personagem, fazendo o público acreditar piamente que a roqueira paulistana ainda está entre nós

Depois de ser assistido por quase 90 mil espectadores em São Paulo, o espetáculo musical “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical” chega ao Rio, com estreia no dia 26 de junho no Teatro Casa Grande. Nessa montagem, a atriz gaúcha Mel Lisboa interpreta com espantosa verossimilhança a inesquecível roqueira paulistana, numa encenação que mistura história e hits como “Menino Bonito”, “Ovelha Negra”, “Todas as Mulheres do Mundo” e “Mania de Você”.

No palco, Mel impressiona a plateia com sua personificação de Rita — personagem que ela já havia encarnado na TV (na minissérie “Elis: Viver É Melhor que Sonhar”, de 2019) e em outra peça teatral – “Rita Lee Mora ao Lado” – que foi assistida pela própria cantora em 2014. Sua atuação no musical que agora estreia no Rio lhe rendeu o Prêmio Shell de melhor atriz em 2025.

 

foto Mauricio Nahas

 

Com 43 anos e dois filhos adolescentes, a atriz tem uma carreira muito profícua e eclética no cinema (com filmes como “Cães Famintos”, “Atena” e “Conspiração Condor”, que deve estrear só em 2026), no teatro (com interpretações marcantes em peças como “Misery”, “Peer Gynt” e “Dogville”) e no streaming (com participações em produções como “Maníaco do Parque”, da Amazon Prime Video, “Coisa Mais Linda”, da Netflix, e “A Vida Secreta dos Casais”, da HBO Max).

Em conversa com a reportagem da 29HORAS realizada bem no dia em que fãs lembravam os dois anos da morte de Rita, a emocionada Mel Lisboa falou sobre sua afinidade com Rita, seus projetos como produtora e outros trabalhos no teatro, como “Madame Blavatsky – Amores Ocultos” –, monólogo que ela também vai encenar durante esse seu breve retorno ao Rio, onde viveu entre os anos de 2000 e 2004. Confira nas páginas a seguir os principais trechos da entrevista.

Qual a sua explicação para esse sucesso todo de “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”?
Não existe uma explicação. Um sucesso dessa magnitude se dá por causa de muitos acertos simultâneos. Não é só em razão do texto afiado, da direção precisa, da trilha sonora fantástica, do elenco entrosado. O sucesso se deve ao inexplicável. Não existe uma fórmula para agradar crianças, adultos, idosos, fãs da Rita e gente que nunca se ligou muito no trabalho dela.

A montagem carioca vai ser idêntica à paulistana?
Absolutamente idêntica. Tudo igualzinho.

 

A atriz Mel Lisboa na pele da eterna Rita Lee, no espetáculo “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”, que chega ao Rio este mês – foto Priscila Prade

 

E o que mudou desde a estreia, em abril do ano passado em São Paulo, até hoje? Dá para dizer que é um espetáculo mutante?
Todo espetáculo é mutante e evolui com o tempo. O teatro é vivo, é orgânico. Quando a gente estreia, o espetáculo está ensaiado, mas não está pronto. Ele só fica pronto mesmo quando entra em cartaz e conta com a energia dos espectadores. A plateia é um agente ativo na evolução da montagem. Com os feedbacks que recebemos, fazemos pequenas mudanças e adaptações na luz, no figurino, na movimentação e até no texto. E, com o tempo, os atores também vão ficando mais à vontade. Hoje, por exemplo, eu brinco muito mais com a plateia do que nas primeiras apresentações. E eu sei muito bem o que funciona e o que não funciona nessa interação.

A própria Rita não teve a oportunidade de ver o espetáculo, mas o que o Roberto de Carvalho achou da montagem?
Ele ficou muito feliz. Se emocionou muito. Ele já havia acompanhado um dos nossos últimos ensaios e, na nossa estreia, ele foi com a família inteira. Gostei muito quando ele me disse que a nossa montagem estava do jeitinho que a Rita gostaria que sua autobiografia fosse encenada.

O que você e a Rita têm em comum? E o que você absorveu da Rita e incorporou ao seu jeito de ser, ao longo desse último ano de “convívio” tão intenso com ela?
Nós duas somos capricornianas e temos em comum várias características típicas das pessoas desse signo. A Rita me ensinou e me ensina um monte de coisas todo dia. Eu queria ser mais como a Rita, mas não é fácil ser parecida com uma pessoa tão ‘fora da curva’. Ele era uma mulher muito inteligente, rápida, irreverente e debochada. Eu tento ser como ela, é uma grande inspiração para mim, mas eu tenho meus limites…

 

foto Priscila Prade

 

O que foi mais difícil na hora de criar a sua Rita? Cantar foi um desafio ou você ficou à vontade, já que atuou em outros musicais?
Nunca fico à vontade cantando! O ideal seria se eu cantasse igual à Rita, mas nossas vozes são diferentes. Então eu tento reproduzir a música da voz dela, o jeito dela falar, o sotaque diferente do meu. Uma vez, recebemos na plateia um grupo de pessoas com deficiências visuais que são fãs da Rita. Eu fiquei preocupada, pois muito da minha composição vem do figurino, da caracterização, mas isso eles não enxergam. Aí, no final, uma garota desse grupo me disse uma coisa linda, que me deixou comovida. “Eu não via a Rita, mas eu ouvi a Rita”, disse ela. Voltei para casa com aquela sensação de missão cumprida.

Depois de interpretar a Rita Lee no palco e no cinema, não tem receio de ficar estigmatizada como “aquela atriz que é cover da Rita Lee”?
Minha trajetória foi marcada por duas personagens muito fortes – a Anita de “Presença de Anita” e a Rita Lee. Eu tive algo que muitos passam uma vida inteira sem ter. Me sinto uma privilegiada! E, a propósito, para mim não é problema nenhum ter a minha imagem associada à da Rita. Muito pelo contrário. Me sinto muito honrada!

Por falar nessa outra personagem forte da sua trajetória, durante anos você foi conhecida como a moça de “Presença de Anita”, mesmo depois de vários outros trabalhos. Isso te incomodava?
Quando eu te digo que me sinto privilegiada e honrada de ver a minha imagem e o meu nome associados à Rita e à Anita, essa é uma visão que tenho hoje. Até alguns anos, isso era de fato um problema, eu me questionava muito se isso era bom ou ruim, se eu havia cometido algum erro ao aceitar esses papeis. Não foi um processo fácil e suave essa mudança de pensamento, mas o fato é que hoje isso não é mais uma questão na minha cabeça. Estou muito bem resolvida com minhas escolhas.

 

foto Priscila Prade

 

Quando foi que você deixou de priorizar a TV e veio para São Paulo fazer teatro e se tornar uma musa da cena alternativa, com peças de baixo orçamento, mas muito bem recebidas pela crítica, como “Após a Chuva”, “A Boca do Lixo”, “Luz Negra” e “Cenas de uma Execução”?
Morei no Rio até 2004, onde fiz várias novelas. Em 2003 fui fazer uma peça em São Paulo e logo me identifiquei com a cidade e me encantei pelas pessoas e pelo jeito que as coisas funcionavam por lá. Aí me mudei definitivamente em 2004 e, aos poucos, fui tendo a oportunidade de trabalhar e aprender com grandes diretores e atores. Um dia, percebi que não era mais uma forasteira, eu já me sentia perfeitamente inserida na cena teatral paulistana. Hoje, de fato, sinto que pertenço a esse lugar.

Ultimamente você vem assumindo a função de produtora. Como é produzir cultura em um país que não a valoriza.
É sempre difícil, né? Precisa ter muito amor pelo teatro para entrar nessa atividade. Para mim esse foi um caminho natural. Assim como outros tantos atores e atrizes, também quero ser dona dos meus projetos. Mas isso não significa que eu não quero mais trabalhar para outros produtores, realizadores. Eu só quero que essa seja mais uma alternativa para mim, sem impedir ou anular a minha participação em projetos capitaneados ou produzidos por outras pessoas. A ideia é ampliar o leque de possibilidades, não restringi-lo.

Me fale de “Madame Blavatsky – Amores Ocultos”, peça que você produziu e vai encenar no Rio paralelamente ao musical sobre a Rita Lee?
No Rio, “Madame Blavatsky” terá apenas quatro apresentações, em noites de quarta-feira, no Teatro Prio, no Jockey Club. Se der certo, depois a gente pode voltar à cidade para uma temporada de verdade. É uma peça que brinca com os limites da ficção, investigando convenções da representação teatral e simulando, através do texto, uma incorporação mediúnica. Em cena, o espírito de Helena Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, exige retornar a um teatro, utilizando-se do corpo de uma atriz, para colocar a sua controversa história em pratos limpos.

 

A atriz em cena do monólogo “Madame Blavatsky – Amores Ocultos” – foto Gatú Filmes

 

Helena Petrovna Blavatsky foi uma mulher bem menos solar e bem mais introspectiva que a Rita Lee. Tem sido difícil incorporá-la no palco? E, neste caso, o termo “incorporar” está em seu sentido bem literal, já que você encarna o espírito dela na peça, não?
A Rita e a Blavatsky são diferentes, mas conectadas em muitos aspectos. Ambas são meio bruxas, e as duas, por serem capricornianas, têm em comum muitas das características típicas das pessoas desse signo. E as duas morreram no mesmo dia, 8 de maio, olha só! A peça tem muito metateatro, o tempo todo a gente fala do ato de fazer teatro. E, ao contrário do que acontece com o musical da Rita Lee, eu não preciso tentar falar ou me mexer como a Blavatsky. Ninguém sabe como era a voz dela, como se movia, qual era o seu gestual. Ela morreu em 1891, tudo o que temos dela são seus escritos e algumas fotos. Eu me sinto muito livre para interpretá-la. Aliás, eu não a interpreto, no palco eu sou a Mel encarnando o espírito dela.

Trazer uma mulher ucraniana aos palcos nesse momento foi uma escolha intencional por causa da situação do país, invadido pela Rússia desde 2022?
Não. A primeira vez que encenei essa peça foi como solo on-line, na pandemia, quando os teatros estavam fechados. Foi antes do início dessa guerra.

Quais outras mulheres poderosas você gostaria de viver no palco?
Várias outras, felizmente! É difícil enumerá-las. Mas digo que Medéia [de Eurípedes] é um personagem que me cativa.

Para encerrar, a Rita Lee fechou sua autobiografia dizendo se orgulhar de ter feito muita gente feliz. E você? Se orgulha de quê? De ter feito muita gente refletir? Recordar? Se divertir?
A arte tem o poder de tocar e transformar as pessoas. Eu me orgulho de, ao longo desses vinte e tantos anos de trabalho na TV e no teatro, ter auxiliado de alguma maneira na transformação de muita gente. A vida presta. É um trabalho árduo, mas que vale a pena.

 

Mel Lisboa com sua musa Rita Lee – foto reprodução Instagram

Helena Rizzo é a única chef brasileira com uma estrela Michelin, brilha no ‘MasterChef’ e estreia como professora

Helena Rizzo é a única chef brasileira com uma estrela Michelin, brilha no ‘MasterChef’ e estreia como professora

Única chef estrelada do Brasil segundo o prestigioso Guia Michelin, Helena Rizzo é bem-sucedida também como jurada e co-apresentadora do programa “Masterchef Brasil” — que acaba de estrear uma nova temporada na Band — e recentemente lançou-se como mentora de cursos online da Casa Folha para profissionais da gastronomia e para quem apenas gosta de cozinhar em casa

Ela tem uma estrela. Seja como a única mulher na edição brasileira do centenário Guia Michelin, seja pelo carisma enquanto jurada no programa de TV “MasterChef”, Helena Rizzo brilha. À frente do restaurante Maní há 19 anos, a gaúcha não é apenas uma chef. A gastronomia, mesmo que a principal, é somente uma de suas maneiras de se expressar, de fazer arte.
Daria para falar também de desenhos, pinturas, grafite, música, poesia e arquitetura, ofício ao qual ela quase se dedicou. Contudo, entre a universidade e a chance de ganhar o mundo, a sagitariana típica, nascida em dezembro de 1978, nem hesitou em agarrar a segunda opção.

Em São Paulo, seu primeiro destino, ela conciliava fotos de moda com bicos como garçonete em restaurantes badalados da época, caso do Gero, do Grupo Fasano, e do Roanne. Foi aliás nesse extinto restaurante do francês Emmanuel Bassoleil que a jovem de menos de 20 anos de idade enveredou pela cozinha. Uma passagem rápida como estagiária. Ou melhor, uma ascensão meteórica que a levou a chefiar o Na Mata Café, em uma ruazinha do Itaim Bibi.

Dessas coisas da vida, nessa mesma ruazinha, Helena tem hoje uma filial da Padoca do Maní e outra do restaurante Manioca, uma versão mais informal do Maní. No ano 2000, por sua vez, em um imóvel pegado a seus atuais negócios, o que comandava era um bistrô paulistano que fervia noite adentro. A efervescência borbulhou em ideias, um pouco de dinheiro no bolso e um belo empurrão rumo à Europa.

 

foto Melissa Haidar / Band

 

No Velho Continente, a brasileira trabalhou nos restaurantes La Torre e Sadler, na Itália. Em seguida, no premiado El Celler de Can Roca, em Girona, na Espanha. Estava ali o germe do Maní: “Quando mergulhei no universo da cozinha, aos 21 anos, tinha esse hiperfoco de trabalhar, aprender e me aprimorar. Durante os cinco anos em que morei fora do Brasil vivia exclusivamente esse universo. E nos 10 primeiros anos do Maní também”, lembra.

Enfurnada entre panelas, Helena convivia — e conviveu por muito tempo – com um bichinho chato na cabeça, uma espécie de síndrome de impostora. Por essas, evitava expor sua fase de modelo, “com medo de não me respeitarem e colocarem rótulos” e “andava sempre com roupas largas que não marcavam meu corpo”. Maquiagem, unhas pintadas e penteados? Nem pensar!

“Hoje consigo ver como foi importante essa época. Trouxe uma independência financeira bem cedo, o que possibilitou fazer estágios e não depender exclusivamente de salários advindos das cozinhas em que estagiei e trabalhei no começo da profissão. Conheci também muitas pessoas que me deram oportunidades”, reconhece. Graças ao meio da moda, “aos 21 anos já saíam matérias sobre a cozinha que fazia à frente do Na Mata Café, participava de programas de culinária na TV e era convidada para dar aulas em eventos de gastronomia.”

Para alívio geral, hoje não se trata de uma reflexão pessoal. De 2014 para cá, a ex-modelo foi eleita a melhor chef mulher do mundo pelo 50 Best Restaurants, acumulou outras diversas premiações culinárias, estrelou o “The Taste” no canal GNT (ao lado de Claude Troisgros, Felipe Bronze e André Mifano) e, desde 2021, é jurada do “MasterChef Brasil”, na Band — sucedendo a argentina Paola Carosella, que entre os anos de 2014 e 2020 foi um dos vértices do triunvirato completado por Erick Jacquin e Henrique Fogaça.

 

No programa “The Taste”, do canal GNT, em que foi jurada ao lado de Felipe Bronze, Claude Troisgros e André Mifano – foto divulgação

 

“As carreiras de modelo e cozinheira foram misturadas na minha adolescência e começo da vida adulta. E olhando lá para trás, complementares. Demorei para me enxergar dentro desse espaço e me apropriar das minhas habilidades e conhecimentos. No ‘MasterChef’, com essa rotina de chegar cedo, fazer maquiagem e cabelo, se montar, às vezes me lembra os tempos em que modelava”, conta a consagrada cozinheira, que com o “corre da cozinha” e o reconhecimento, substituiu a vergonha por bom humor e gratidão.

Entre uma coisa e outra, vale dizer, Helena acumulou mais um montão de tarefas, paixões e responsabilidades. A maior de todas se chama Manoela, tem 9 anos e é fruto do casamento com Bruno Kayapy, produtor, compositor e guitarrista da banda de rock instrumental chamada Macaco Bong.

“Todas as funções nas quais estou envolvida me trazem felicidade, angústias, aprendizados, desafios e realizações. Ter sido mãe foi a mudança mais radical na minha vida, no bom sentido. Precisei recalcular a rota, dividir o meu tempo, meu foco e suavizar as cobranças, tanto no trampo quanto na maternidade. Foi um longo processo que ainda está em curso!”, confessa a chef.

Eu quero uma casa no campo

A canção de outra gaúcha, Elis Regina, também martelou a cabeça de Helena Rizzo por muito tempo. Agora, finalmente, no interior paulista, a cozinheira tem seu próprio lugar para compor muitos rocks rurais: “O sítio está sendo a realização de um sonho, algo que sempre quis e que agora está tomando forma. Fiquei um ano e meio reformando e no final do ano passado ocupamos”.

Com cachoeira, laguinho e cozinha mega equipada com equipamentos de última geração da alemã Miele, o sítio em Piracaia é também um espaço para estudos, delírios e experimentos culinários. Desde o comecinho do Maní, há quase 20 anos, Helena se aproximou de pequenos produtores — e, não, não se trata do disco riscado, do storytelling do universo gastronômico. Mais de dez anos atrás, por exemplo, a cozinheira aprendia com Seu Zé, agricultor ecológico da região de Paraty, o que era o sistema agroflorestal, descobria também as heranças indígenas “que está nas nossas origens”.

 

Fachada do Maní, no Jardim Paulistano – foto reprodução Instagram

 

Não à toa, o plano atual é “plantar várias coisas”. “É um processo longo, até porque, não fico muito tempo lá. Tenho ido aos finais de semana, quando consigo. Devagarinho levo algumas mudas, planto, troco de lugar, faço outras mudas”, explica a agricultora em aprendizagem.

Por ora, a terra já brotou pé de jambo amarelo, de jabuticaba, de amora, de cereja-do-rio-grande e de araçá. Tem também muitas bananeiras, pitangueiras, mangueiras e goiabeiras espalhadas. E bem mais: “Já plantei mandioca, quiabo, feijão, araruta, cúrcuma, taioba. Não é um espaço que supra, por exemplo, a demanda dos restaurantes, mas algumas coisitas especiais talvez”, avisa.

Claro, não há sítio que sozinho possa suprir os menus fortemente carregados de frutas, folhas e legumes do exclusivo Maní, de três Maniocas e mais três Padocas do Maní. No entanto, Helena planejou “uma cozinha boa e penso nesse espaço como um laboratório para testes, pesquisa e, quem sabe, mais para frente, algumas oficinas”.

 

Entrada da Padoca do Maní do Shopping JK, com desenho de uma mulher feito pela própria Helena – foto divulgação

 

Se a casa no campo é seu “refúgio, cantinho de sossego, paz e espiritualidade”, os grafites que já estamparam o corredor de seu restaurante estrelado e seguem na primeira padoca, a da Rua Joaquim Antunes, somados às pinturas, desenhos e caderninhos de anotações são outras válvulas de escape que “acompanham desde sempre”: “Se tenho uma brecha, lá estou eu rabiscando algo. Não tenho nenhuma pretensão de virar artista plástica. Faço isso porque me dá imenso prazer e, também, porque é bom se desconectar da cozinha de vez em quando”.

Fora da cozinha, embora totalmente conectada a ela, a premiada chef acaba de assinar 13 aulas e 2h30 de conversas sobre produtos e processos criativos para a CasaFolha, plataforma de cursos online do jornal “Folha de São Paulo”. Primeiro nome confirmado da série de preleções com figuras de destaque no universo da Gastronomia, Helena se junta a outras personalidades que já têm cursos na CasaFolha, como o escritor Itamar Vieira Junior (que ensina escrita criativa), o cineasta José Padilha (que fala sobre a arte de contar histórias), o ex-ministro Pedro Malan (que explica como analisar a economia) e o craque Raí, com aulas sobre a mentalidade de atleta aplicada no dia a dia.

Em suas aulas, a chef traz dicas úteis não só para profissionais da culinária, mas principalmente para quem gosta de cozinhar em casa. Ela fala, por exemplo, sobre quais equipamentos ter em uma cozinha doméstica e quais técnicas culinárias funcionam no dia a dia. “Compartilho a minha caminhada na gastronomia, desde como eu comecei até criar o Maní. Falo sobre técnicas, ingredientes, liderança, criatividade na cozinha. Espero que seja útil, que ajude e inspire de alguma forma”, avisa a chef. Para assinar o serviço e assistir às aulas, acesse www.casafolha.folha.com.br.

 

Salão do Manioca do Shopping Iguatemi – foto reprodução Instagram

 

Depois dessa nova iniciativa e da abertura de duas novas unidades do restaurante Manioca no último ano (um no Itaim e outra no Shopping JK Iguatemi), Helena Rizzo não pretende alavancar ainda mais sua carreira de restauratrice: “Não tenho nenhum plano de expansão em vista”. Porém, não esconde que ter algo em Porto Alegre “sempre foi um sonho”.

Jurados são apresentadores no ‘MasterChef Brasil’ 2025

Após 10 anos à frente do talent show gastronômico, a apresentadora Ana Paula Padrão desligou-se da Band após o “MasterChef Confeitaria”, que terminou em dezembro de 2024. Para a edição 2025, que estreou dia 27 de maio, a emissora optou por seguir o modelo adotado em outros países, onde o programa é conduzido sem uma apresentadora fixa.
A ideia é que os três jurados — Helena Rizzo, Erick Jacquin e Henrique Fogaça — ocupem essa função, trazendo uma nova dinâmica às provas.

Na Band, o “MasterChef Brasil” é transmitido nas noites de terça-feira, às 22h30. Mas também é possível acompanhar a atração no canal Discovery Home & Health nas noites de sexta-feira (às 19h) e nas plataformas de streaming BandPlay e HBO Max.

 

Helena ao lado dos outros dois jurados e apresentadores do ‘MasterChef’: Henrique Fogaça e Erick Jacquin – foto Melissa Haidar / Band

 

Além do formato tradicional, a Band lançou este ano também o “MasterChef Creators”, um projeto exclusivo para o meio digital. Nesse spin-off exibido no YouTube e no aplicatico BandPlay, influenciadores digitais disputam uma competição culinária distinta.

Menu do Maní viaja do chuchu ao wagyu

Um show de gastronomia brasileira contemporânea. Assim é o menu-degustação atualmente “em cartaz” no Maní, com dez tempos. Ele é servido tanto no almoço como no jantar e inclui surpreendentes maravilhas perpetradas por Helena Rizzo e seu braço-direito, o chef belga Willem Vandeven. Entre elas, o lagostim com fitas de chuchu e pipoca de quinoa, o palmito caiçara com ovas de truta e beldroega do mar, o crudo de carapau com fígado de galinha e caqui, o namorado com tucupi preto, quiabo e castanha-do-Pará e o macio e suculento ancho de wagyu com salada de feijão-fradinho, purê de berinjela chamuscada e um toque de anchova.

Entre as sobremesas, destaque para o babá ao rum que, além de delicado e saboroso, faz o comensal ter a nítida impressão de que aquilo que parecem as ventosas típicas dos tentáculos de um polvo são, na verdade, fatias de uva Vitória.
Um banquete fabuloso como este custa R$ 680 por pessoa — mais R$ 480, se o cliente optar pela harmonização com vinhos sugeridos pela casa.

 

Baba ao rum com uvas – foto divulgação

 

Maní
Rua Joaquim Antunes, 210, Jardim Paulistano.
Reservas pelo tel. 97473-8994.