Isis Valverde protagoniza a série “Maria e o Cangaço” e estreia seu primeiro trabalho em Hollywood

Isis Valverde protagoniza a série “Maria e o Cangaço” e estreia seu primeiro trabalho em Hollywood

A atriz Isis Valverde ultrapassa as fronteiras do Brasil com o lançamento de seu primeiro filme hollywoodiano, ao lado de Sylvester Stallone. Já neste mês, ela estreia no Disney+ a série “Maria e o Cangaço” e ainda promete outras surpresas para 2025

Em 2006, um véu caía e apresentava ao Brasil Isis Valverde. Na pele da misteriosa personagem Ana do Véu, na novela “Sinhá Moça”, a atriz iniciante de apenas 19 anos fazia sua estreia na TV. O que era para ser uma trama secundária, acabou atiçando a curiosidade dos telespectadores ao longo dos capítulos, até finalmente o rosto de Ana – e de Isis – ser revelado.

Com uma beleza única e um ar inocente, a conexão com o público foi imediata e não demorou muito para que a mineira de Aiuruoca conquistasse papéis de maior destaque na TV Globo, como a divertida manicure Rakelli, em “Beleza Pura” (2008), que sonhava em ser dançarina do programa “Caldeirão do Huck” e arrancava gargalhadas com seus erros de português; a romântica Camila, em “Caminho das Índias”(2009), que largava tudo no Brasil para viver um amor quase impossível na Índia; a musa Suelen do bairro do Divino, na icônica “Avenida Brasil” (2012); a rainha do axé Sereia, protagonista da minissérie-thriller “O Canto da Sereia” (2013); e a sedutora e narcisista Ritinha, em “A Força do Querer” (2017). 

“A Ana do Véu e a Rakelli são papéis especiais para mim, foram o pontapé em um universo artístico pelo qual sempre fui tão encantada. Aprendi muita coisa sobre atuação e ter a oportunidade de contracenar com tantos artistas que foram um espelho foi a realização de um sonho”, relembra Isis.  

 

foto Ivan Erick

 

No cinema, ela também deu vida à protagonista Maria Lúcia em “Faroeste Caboclo” (2013), inspirado na canção homônima de Renato Russo, e encarnou Tereza, esposa do cantor e compositor Wilson Simonal, no filme “Simonal”, de 2019.

Hoje, com muito talento e carisma, Isis faz parte de um seleto grupo de atores que conseguiu ultrapassar os limites das telas brasileiras e fincar os pés em Hollywood. Com 38 anos de idade e 20 de carreira, a atriz estreia agora em abril seu primeiro filme internacional, “Código Alarum”, e lança a série “Maria e o Cangaço”, no Disney+, em que dá vida à icônica cangaceira Maria Bonita. Além disso, ela está envolvida nas gravações do longa “Corrida dos Bichos” e do telefilme “Quarto do Pânico”. 

“Nos últimos anos, tivemos grandes mudanças no audiovisual atreladas às novas tecnologias e é muito importante expandirmos nosso trabalho e levarmos arte e cultura ao máximo de pessoas. Cada formato pode contribuir de uma forma diferente, seja para nós como artistas ou para o público”, analisa a atriz sobre estar afastada da TV desde 2021, quando interpretou Betina em “Amor de Mãe”, e estar focada nos streamings e no cinema. 

Para completar, deve lançar ainda este ano seu segundo livro de poesias – o primeiro, intitulado “Camélias de Mim”, chegou às livrarias em 2019 e reúne 48 poemas escritos por ela. “Desde muito jovem sou encantada pelo universo literário, amava ler e escrever, mas nunca tive pretensão de ser poeta e me aprofundar nisso. O que eu quis foi dividir os meus sentimentos e me expressar na escrita, foi tudo muito orgânico”, reflete. O novo “Vermelho Rubro” trará uma coletânea de poesias que abordam reflexões sobre a vida e as nossas humanidades. O projeto conta com direção criativa de Giovanni Bianco, fotos de Hick Duarte e prefácio de Nelson Motta. 

 

Isis na pele da histórica Maria Bonita, nas gravações da série “Maria e o Cangaço”, do Disney+ – foto divulgação

 

“Este ano tem sido muito especial para mim, pois tenho começado a traçar novas metas e objetivos e quero sair também da minha zona de conforto. Apesar de ser desafiador, sinto que é o momento ideal. Estou pronta e madura para encarar novos desafios e aprender cada dia mais”, afirma.

One, two, three… action! 

Suspense, ação e muita adrenalina, em uma superprodução hollywoodiana e com elenco encabeçado por ninguém menos que Sylvester Stallone. É assim que Isis dá os primeiros passos na indústria cinematográfica mundial. “Eu costumo dizer que a minha carreira é ‘apenas uma’, em que naturalmente a nacional e internacional se complementam. Meu grande objetivo é levar meu trabalho para o maior número de pessoas possível, independentemente do local”, reflete. 

Em “Código Alarum” – em cartaz a partir do dia 3 de abril –, Joe (Scott Eastwood) e Lara (Willa Fitzgerald) são agentes secretos que vivem fora do radar, mas quando saem de férias com amigos, se tornam alvos de uma caçada brutal por um agente da CIA (Sylvester Stallone). Suspeitos de estarem ligados à Alarum, uma rede secreta de espiões, são forçados a fugir, sem saber em quem confiar. No longa, Isis Valverde interpreta Bridgette, amiga de Joe e Lara. “A Bridgette é uma francesa que se torna amiga do casal principal da história, mas acaba sendo confundida com uma grande espiã e pagando um preço alto no fim. Amei fazer e espero que o público curta também!” 

 

Bastidores do filme “Código Alarum” – foto arquivo pessoal

 

Para ela, um dos maiores desafios foi atuar em outras línguas com naturalidade e se expressar com agilidade. “Apesar de já falar inglês, sair da nossa língua nativa é muito diferente e contracenamos também em francês. Mas foi muito bacana e, claro, trabalhar com tanta gente talentosa foi um imenso prazer, uma troca única”, diz.

Além dessa estreia, 2025 está recheado de novos trabalhos importantes em fase de produção aqui no Brasil. É o caso de “Quarto do Pânico”, uma adaptação de “Panic Room” (2002), do cineasta norte-americano David Fincher, com Jodie Foster no papel principal. Com produção da Floresta – uma empresa Sony Pictures Television no Brasil –, o telefilme terá no elenco Marco Pigossi, André Ramiro e Caco Ciocler. 

Na trama, uma mulher e sua filha pré-adolescente se mudam para uma casa com um quarto blindado. Quando supostos ladrões invadem a casa, elas se refugiam no quarto, até descobrir que é justamente lá que está escondido o que eles desejam. “É um filme de prestígio e que fez muito sucesso. Então, quando surgiu a oportunidade, eu não pensei duas vezes em me aventurar no projeto”, lembra a atriz, que adianta que a história será adaptada para os tempos atuais e com um toque das produções brasileiras. “As filmagens foram muito impactantes, algo que nunca tinha vivido em outras produções. Vocês vão se surpreender!”

 

A atriz em momento descontraído nas gravações de “Quarto do Pânico” – foto Kelly Fuzaro

 

Brasil do passado e do futuro 

Completando o ano de sucesso, a atriz chega ao Disney+ neste mês com “Maria e o Cangaço”, série de seis episódios inspirada no livro “Maria Bonita: Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço”, de Adriana Negreiros, que apresenta a história de Maria Bonita sob uma nova perspectiva, com foco em sua jornada como mulher e mãe durante o movimento cangaceiro no Brasil, entre o final do século 19 e início do século 20. 

Com direção geral de Sérgio Machado e direção de Thalita Rubio e Adrian Teijido – que também é o diretor de fotografia da série e do indicado ao Oscar “Ainda Estou Aqui” (2023) –, a produção da Cinefilm conta ainda com nomes como Júlio Andrade (no papel de Lampião, líder cangaceiro e companheiro de Maria Bonita), Rômulo Braga, Mohana Uchôa, Clebia Sousa, Thainá Duarte e Geyson Luiz.

Intérprete da protagonista, Isis afirma que o projeto já está entre os seus favoritos da carreira e que exigiu muito trabalho de todos os profissionais envolvidos, especialmente por causa da caracterização dos personagens, que foi feita com todos os detalhes minuciosos. “É uma personagem que mexeu muito comigo, como mulher e como mãe. É assim com muitas mulheres que hoje representam e mostram sua força, mesmo com tantas adversidades numa sociedade que ainda está longe de ser igualitária entre homens e mulheres”, reforça.

 

Na série “Maria e o Cangaço” – foto divulgação

 

Por fim, outro longa que está em desenvolvimento é o ambicioso “Corrida dos Bichos” – dirigido por Fernando Meirelles, Ernesto Solis (autor da história) e Rodrigo Pesavento –, que apresentará o Rio de Janeiro em um futuro distópico após uma catástrofe climática. Para sobreviver às condições precárias de vida, os habitantes participam de uma versão mortal do jogo do bicho, que garante um prêmio milionário.

Apesar de não poder dar muitos spoilers, Isis garante que o filme de ficção científica será um verdadeiro acontecimento, fechando metaforicamente o ano de muito trabalho. “Fernando é um profissional ímpar com quem sempre tive vontade de trabalhar. Trazer esse universo distópico num filme brasileiro vai causar muita curiosidade no público. E a abordagem é muito interessante, é uma oportunidade para refletirmos sobre os caminhos que a humanidade vem seguindo e os rumos que certos comportamentos podem nos levar”, antecipa. Ao lado de Isis nesse projeto estão Rodrigo Santoro, Grazi Massafera, Bruno Gagliasso, Matheus Abreu, Thainá Duarte e até a popstar Anitta.  

Foto de capa: Ivan Erick

Rodrigo Santoro brilha em  “O Último Azul”, vencedor do  Urso de Prata no Festival de Berlim

Rodrigo Santoro brilha em “O Último Azul”, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim

Com uma carreira consolidada no cinema, Rodrigo Santoro celebra o bom momento do Brasil na telona e brilha em “O Último Azul”, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim

Quando encantava em novelas como “Pátria Minha” (1994) e “Explode Coração” (1995), Rodrigo Santoro era uma estrela da TV em ascensão. Mas o cinema surgiu em seu caminho, ele aproveitou as oportunidades e se tornou referência nacional quando o assunto é a sétima arte. No Festival de Berlim, realizado em fevereiro, apresentou seu novo filme, “O Último Azul”. O longa dirigido por Gabriel Mascaro ganhou o Urso de Prata Grande Prêmio do Júri, a segunda premiação mais importante do evento.

Berlim forma, ao lado de Cannes e Veneza, a trinca poderosa de festivais internacionais de cinema. Foi lá que “Central do Brasil”, de Walter Salles, e “Tropa de Elite”, de José Padilha, despontaram para o mundo. Uma semana após a premiação na cidade alemã, o Brasil conquistava seu primeiro Oscar, de filme internacional, com “Ainda Estou Aqui”, de Salles. Santoro vibra com o momento do cinema brasileiro.

 

foto Jorge Bispo

 

“O que mais me comoveu foi a volta do público brasileiro [ao cinema] que, para mim, é o movimento mais importante. O interesse do brasileiro pelas produções nacionais, uma safra de filmes interessantes, que fizeram boas bilheterias, essa relação foi o que mais me emocionou”, conta Rodrigo Santoro em entrevista exclusiva à 29HORAS.

Ele, que trabalhou com Walter Salles em “Abril Despedaçado” (2001), fica surpreso ao descobrir que uma geração que não viu o Brasil ser campeão na Copa do Mundo de futebol [o último título foi em 2002], viu o país ganhar o Oscar. “Isso é muito bonito. Uma geração que vai ver o cinema de forma diferente! Temos que honrar. Temos que falar das nossas questões, das nossas histórias, buscar o nosso espectador. Incentivar os brasileiros para que continuem indo às salas, prestigiando as produções nacionais. E o mundo é consequência.”

Reflexão na tela

Rodrigo explica como foi a experiência no Festival de Berlim: “Estive em Berlim com a première mundial de ‘300’. Mas a experiência em competição é bem específica, você faz parte de um grupo seleto, tem encontros com imprensa especializada, jantares. Fomos bem recebidos. Não sei se porque o filme era brasileiro, mas já tinha um acolhimento e simpatia. E quando estreou foi incrível. A crítica nos colocou como o melhor filme do Festival. E a gente não faz filme para ganhar prêmio. Nunca fico ali esperando [o prêmio].”

 

Rodrigo Santoro e o diretor Gabriel Mascaro com o Urso de Prata, conquistado em fevereiro no Festival de Berlim – foto divulgação

 

Ele mesmo assistiu “O Último Azul” pela primeira vez em Berlim, com o público, e após a sessão oficial uma senhora que estava na plateia o abordou. “Ela agradeceu e disse que era ela no filme! Ela sentia um êxtase de ter se visto pela primeira vez [na tela]. Isso é o que me ganha. É para isso que a gente faz filme, para gerar reflexão. Entreter sim, mas quando passa disso… parece que o filme está conversando com as pessoas.”

Protagonizado por Denise Weinberg, com Santoro, Adanilo e a atriz cubana Miriam Socarrás no elenco, “O Último Azul” é ambientado na Amazônia, em um Brasil quase distópico, onde o governo transfere idosos para uma colônia habitacional em que vão “desfrutar” seus últimos anos de vida. Antes de seu exílio compulsório, Tereza (Denise), de 77 anos, embarca em uma jornada para realizar seu último desejo.

“O trabalho da Denise é gigante. Não só dela, da Miriam e do Adanilo também. Naturalmente estamos discutindo o etarismo, mas vai além, fala sobre o direito de viver e de sonhar, e como a sociedade olha os idosos. Normalmente não existe um olhar procurando a vitalidade, o desejo, a vontade. Mas, se você der sorte, você fica idoso, se sua vida não acabar antes. É um processo natural. Querem frear o envelhecimento, mas devemos envelhecer melhor, porque envelhecer faz parte da vida. Brigar com isso não me parece a coisa mais sábia”, reflete.

 

Rodrigo Santoro e Denise Weinberg em cena do longa “O Último Azul” – foto Guillermo Garza

 

E o ator ressalta que o trabalho do cineasta Gabriel Mascaro sempre chamou sua atenção. “Quando assisti ‘Boi Neon’, primeiro filme do Gabriel, pensei ‘Nossa, que filmaço!’ Aí um amigo em comum disse que eu precisava conhecer o Gabriel. E sempre tive interesse no cinema independente brasileiro. Desde ‘Bicho de Sete Cabeças’ (2000), que foi onde minha história começou. Porque mais independente do que ‘Bicho’ e [a diretora] Laís Bodansky em uma época que nem tinha cinema no Brasil… é o meu DNA, a minha formação, quando começo a me entender como artista.”

Em “O Último Azul”, Cadu, personagem de Rodrigo Santoro, é o dono do barco que leva Tereza por uma viagem pela Amazônia. “Cadu é um olhar na contramão do que a gente está acostumado a ver da figura do masculino. Ele tem o coração partido. Ele não está com o amor dele, vive no barco, que é um símbolo de liberdade. Mas o barco é a prisão dele, está ali sofrendo, e enxerga que precisa ceder ao que sente. É um homem que fala ‘preciso seguir meu coração’. Foi um presente, afetivo, sensível e só agradeço.”

Conhecido por “mergulhar” nos personagens e se transformar para os papéis, Santoro fez uma preparação especial na Amazônia. “Fui uma semana antes das filmagens para fazer o laboratório. Saí com seu Zé, com quem aprendi o manejo do barco, e quis ver o que ele fazia. A gente ia filmar nos igarapés, e fiquei um dia inteiro lá, mas o tempo não passava e a urbanização começou a gritar. Foi quando entendi que precisava entrar naquele ritmo. Passei a observar seu Zé, entrar na calma dele, na escuta, nos sons dos pássaros. Tive a oportunidade de fazer a imersão na Amazônia com um olhar menos estrangeiro, mergulhando e ficando perto do povo ribeirinho. Foi uma viagem transformadora e inesquecível”, revela o ator, acrescentando que, depois das filmagens, passou mais 15 dias na Amazônia com a esposa, a filha e um casal de amigos.

 

O ator em sua viagem à Amazônia – foto arquivo pessoal

 

“Fala-se muito da Amazônia, mas, quando eu ia falar, sentia que não conhecia. Agora quando penso, tenho tanta memória no meu corpo e na minha mente… entendo a importância real e a majestade daquele lugar.”

De Petrópolis para o mundo

Nascido em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, Santoro queria ser médico, mas desistiu ainda na adolescência e foi cursar Comunicação Social na PUC. Fez comerciais de TV e, para as novelas, foi um pulo. Cinema? Não, ele queria fazer minissérie. “Venho da época que a gente não tinha cinema. Veio a retomada com ‘Carlota Joaquina’ (1995), mas a gente não sonhava. Eu fazia as novelas, cada vez conquistando uma personagem mais interessante, mas queria fazer uma minissérie. E aí veio ‘Hilda Furacão’ (1998).”

Foi na minissérie que viveu o Frei Malthus e contracenou com Paulo Autran. O veterano ator o indicou para Laís Bodansky, que procurava um protagonista para o longa “Bicho de Sete Cabeças”. “A Laís mandou o roteiro para o Paulo Autran, para fazer o pai do personagem principal. Ele achou que não tinha idade para o papel, mas disse para ela olhar o menino que contracenava com ele em ‘Hilda’. Ela me viu, marcou um encontro, li o roteiro e a gente se conectou. Depois, pelo que ela me contou, o Waltinho viu o ‘Bicho de Sete Cabeças’ ainda sendo montado e me chamou para um teste. As filmagens tinham acabado e eu estava na Califórnia, realizando meu sonho de surfar lá. Achei que era trote. Mas voltei, fiz o teste e aí veio ‘Abril Despedaçado’. Depois disso nunca mais parei.”

 

Com Lais Bodansky, em ‘Bicho de Sete Cabeças'(2000) – foto Marlene Bergamo

 

Da travesti Lady Di de “Carandiru” (2003), de Hector Babenco, ao vilão Jerônimo de “Bom dia, Verônica” (2024), passando por produções hollywoodianas como “Che” (2008), de Steven Soderberg, ele coleciona papéis marcantes. “Uma coisa levou a outra. Foi sempre assim comigo. Por isso foco em fazer o melhor com o que está na minha frente. No momento que escolho, tudo que tenho é isso aqui. Estou sempre recomeçando. Tem a experiência, claro, mas toda vez é a mesma sensação, começando do zero, com frio na barriga.”

De todos os trabalhos, uma lembrança especial: contracenar com a inglesa Helen Mirren (vencedora do Oscar por “A Rainha”) e a americana Anne Bancrofort (a Mrs. Robinson de “A Primeira Noite de um Homem”) em seu primeiro filme em inglês, “Em Roma na Primavera” (2003). “Elas foram incríveis comigo. Na minha experiência os grandes são assim, não precisam provar nada para ninguém.”

 

Com Hector Babenco, em ‘Carandiru’ (2003) – foto divulgação

 

O melhor papel

Leonino, Rodrigo Santoro faz 50 anos em agosto. Casado com a atriz Mel Fronckowiak e pai de Nina, de 7 anos, e Cora, de 7 meses, revela que ser pai é o papel mais profundo de sua vida. “É diário, não tem ensaio. Mas é maravilhoso. Você passa a estar na órbita de alguém, não é mais o centro. Não é sobre você. É sobre dar o amor, amar incondicionalmente, e não tem esforço nisso, acontece.”

Com a paternidade, vieram filmes como “A Turma da Mônica” — em que interpreta o Louco, seu personagem favorito dos quadrinhos — e a dublagem de “A Arca de Noé”, que considera um dos seus projetos mais emocionantes. “Sou cinéfilo desde criança. E gostava de ver desenho animado, eu baixava o volume da televisão e ficava dublando. Tenho o vinil de ‘A Arca de Noé’, ganhei dos meus pais. A música ‘Menininha’ me marcou na infância. Quando veio a ‘Arca’, é uma das músicas que canto. E, tirando no violão com a Nina, olhei para ela e entendi. Fiquei emocionado, agora como pai. Esse foi um trabalho que ultrapassou a técnica, mexeu comigo, com a minha infância, e a minha paternidade.”

Além de “O Último Azul”, Rodrigo lança este ano “O Filho de Mil Homens”, de Daniel Rezende, e “Corrida dos Bichos”, de Fernando Meirelles e Ernesto Solis. E já está de olho em novos projetos. “Estou começando a olhar as coisas fora de novo, mas o nascimento da Cora e com a Nina na escola, elas são prioridades para mim. Já viajei muito, fiz muitas coisas. Vou continuar viajando, mas vamos lidando caso a caso.”

 

Com Walter Salles, em ‘Abril Despedaçado’ (2001) – foto Christian Cravo

 

O cinema e a família são suas paixões, mas ultimamente ele também anda encantado pelo tênis. Fazer um esportista no cinema, aliás, é um sonho. “Adoraria fazer um jogador de tênis. ‘Heleno’ (2011) não é um filme sobre futebol, é a biografia dele, mas tive aulas com o [jogador] Claudio Adão, que me ensinou a ‘matar no peito’. Eu surfo, amo esporte.”

E como o ator encara a chegada dos 50 anos? Rodrigo Santoro diz que se sente mais maduro. “A maturidade traz mais calma e mais profundidade. O que te preocupava e era visto como um problema, hoje não é mais. Mas não quero perder a vontade de fazer. O Rodriguinho criança, quando está na hora, ele vem! Essa vontade, paixão e estímulo, continuam. Tem muita coisa que não fiz e posso fazer. Isso continua muito vivo dentro de mim”, finaliza.  

 

Com Zack Snyder, em ‘300’ (2006) – foto divulgação

 

Foto da capa: Jorge Bispo