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Galerìa 1212 é o novo centro cultural de Campinas

Galerìa 1212 é o novo centro cultural de Campinas

Com uma ampla varanda agradável, e vista para a Avenida Norte Sul — coração pulsante e um dos símbolos de Campinas —, é inaugurada a Galerìa 1212, um espaço multifuncional que abraça a arte e a gastronomia em suas mais variadas formas, como brechó, loja de discos, música ao vivo, bar de drinques e intervenções artísticas para atender diferentes públicos da cidade.

 

Foto Divulgação

 

O lugar é a quarta empreitada do grupo formado pelos empresários Salin Miguel, Juka Pinsetta e Antonio Carlos Diaz Diaz, que também tem como integrante a DJ e fomentadora cultural Eli Iwasa. “Quando inauguramos um novo negócio, certamente torcemos para que seja um sucesso, mas foi muito além do que estávamos esperando ou até preparados. Realmente foi um boom, uma baita explosão. Acho que as pessoas estavam carentes de algo novo e totalmente diferente do que existe aqui na região”, conta Iwasa.

Entre os destaques do espaço está o brechó Era Outra Vez, que atua em parceria com influenciadoras como Gio Morete, permitindo uma imersãonos garimpos de moda consciente, em que peças selecionadas de acervos pessoais são expostas. O brechó recebe ainda marcas como Chaouiche, Skull e Gare, de Adriana Vidotto.

Colecionadores de vinil e apreciadores de boa música também ganham uma atmosfera especial: a Show Me Your Case, loja do DJ Mimi. Com curadoria aguçada, o acervo reúne discos de música eletrônica, música brasileira, rock, soul, funk, entre clássicos e novidades. Outro espaço na Galerìa 1212 dedicado à música é a Rádio Frida, que apresenta entrevistas dinâmicas, programações musicais e outros formatos flexíveis seja ao público presente dos finais de tarde até a noite, e para a audiência de ouvintes digitais, pela plataforma Twitch.

Para acompanhar as compras e o som, o restaurante do local oferece opções como smash burgers de gado britânico, assinados por Fernando Possenti, enquanto Érica Formighieri é a responsável por pizzas desenvolvidas com ingredientes frescos, tudo acompanhado por drinques autorais. Também há o Café 56, com cardápio próprio, e uma tabacaria para completar o passeio.

 

Foto Divulgação

 

Galerìa 1212
Rua Antonio Lapa, 146, Cambuí, Campinas
Todos os dias, das 10h às 23h59

 

Acordo fortalece os laços entre as companhias: American e Gol

Acordo fortalece os laços entre as companhias: American e Gol

Primeiro veio a United e adquiriu 8% das ações da Azul. Depois, a Delta abocanhou 20% da Latam, e agora, como muitos já haviam previsto – inclusive esta coluna – a American Airlines injeta US$ 200 milhões (algo como R$ 1,1 bilhão) na Gol, adquirindo 5,2% das ações da aérea brasileira.

As duas empresas anunciaram em setembro a expansão de sua cooperação comercial por meio de um acordo exclusivo de compartilhamento de voos (codeshare) pelos próximos três anos e de uma maior integração de seus programas de fidelidade.

Em operação desde fevereiro de 2020, o compartilhamento de voos envolve mais de 30 destinos nos EUA e os voos que operam nos hubs da Gol em São Paulo e no Rio, integrando 34 opções de rotas brasileiras e internacionais, como é o caso de Montevidéu, no Uruguai. As malhas das duas companhias são altamente complementares. Nos últimos 10 anos, a American transportou mais de 14 milhões de passageiros entre o Brasil e os EUA.

No comunicado que anunciou essa intensificação da parceria, nada foi esclarecido sobre uma eventual entrada da Gol na aliança One World, capitaneada pela British Airways e pela American. Para a Gol, esse movimento não seria necessariamente positivo, já que a empresa tem muita sinergia com a Air France e com a KLM, que são as líderes da Sky Team, uma das alianças rivais da One World.

Na Gol, parte desse capital injetado pela American será usado para reforçar o capital de giro – o que vai permitir uma operação mais robusta – e para acelerar a conversão de toda frota para os modelos Boeing 737 MAX.

 

Foto Divulgação

 

Radar

Open states
O governo norte-americano anunciou que em novembro vai suspender as restrições de viagem para todos os visitantes internacionais que estejam vacinados. Os estrangeiros terão permissão para entrar nos EUA apresentando comprovante de vacinação e um teste de Covid-19 com resultado negativo feito com antecedência de três dias ao embarque. Entretanto, ainda não foram divulgadas quais vacinas serão aceitas.

Traz alfajor?
A Argentina também vai abrir suas fronteiras aéreas. A partir de 1º de outubro, os brasileiros e vizinhos como chilenos, uruguaios e peruanos já poderão entrar na terra do tango. Em novembro será a vez dos estrangeiros de outros países. Para não fazer isolamento após a chegada, os turistas precisarão ter o esquema completo de vacinação há pelo menos 14 dias, fazer PCR antes da viagem e um teste de antígenos na chegada à Argentina.

Fôlego no ar
A partir de dezembro, a Azul passará a operar o voo doméstico regular mais longo em todo o território brasileiro. Os mais de 3,2 mil quilômetros que separam Campinas e Boa Vista, a capital do estado de Roraima, serão percorridos quatro vezes por semana com aeronaves Airbus A320 em um voo de cerca de 4h25 de duração. Atualmente, esse recorde de rota mais longa pertence ao voo que liga Porto Alegre e Recife, cujo percurso de 2.955 quilômetros é feito em 4 horas, aproximadamente.

Revista Online: Edição 141 – VCP

Revista Online: Edição 141 – VCP

Para além da comédia, Monica Iozzi fala sobre militância, política e assédio

Para além da comédia, Monica Iozzi fala sobre militância, política e assédio

Dona de um humor mordaz, Monica Iozzi tem opinião formada sobre quase tudo. E sempre foi assim. Nascida em Ribeirão Preto, tinha apenas oito anos quando liderou sua primeira “revolução feminista”. “Fui a primeira coroinha menina da igreja que a minha família frequentava. Nunca fui religiosa, mas queria me exibir no altar, e só via meninos ali. Então eu chamei o padre em um cantinho, argumentei indignada e ele cedeu”, lembra. Foi essa personalidade embativa que, anos depois, usou para enquadrar políticos no Congresso, na época em que foi a única repórter mulher do “CQC” – programa da Rede Bandeirantes que trazia luz à tragicomédia da política nacional.

Sempre envolvida em assuntos que, para muitos, podem parecer espinhosos, Monica Iozzi sabe muito bem aliar delicadeza e intensidade – e faz questão de mostrar isso em seus muitos e diversos projetos. Fez o Brasil rir como apresentadora do “Vídeo Show”, tornou-se ícone de empoderamento em “Dona do Pedaço” (2019), na pele da blogueira Kim Ventura, e, em dezembro, invade as telonas como Dona Luísa, mãe da dona do Limoeiro, bairro de “Turma da Mônica – Lições”.

 

Foto Carlos Sales | Styling Bruno Uchôa | Make Edu Hyde

Foto Carlos Sales | Styling Bruno Uchôa | Make Edu Hyde

 

Para 2022, ela prepara sua estreia no streaming em “Novela”, série de humor da Amazon Prime Video com produção do Porta dos Fundos, na qual interpreta uma roteirista que sonha emplacar um folhetim no horário nobre. Em seguida, chega aos cinemas como uma workaholic que tem que lidar com as delícias e as dores da maternidade, no filme de Dainara Toffoli, “Mar de Dentro”. Para completar, em janeiro do próximo ano estreia “Fala Mais Sobre Isso, Iozzi”, programa do Canal Brasil idealizado e apresentado por ela, que promete combinar política e descontração em episódios semanais com convidados ilustres. Em entrevista à 29HORAS, Monica Iozzi falou sobre militância, posicionamento político, assédio, e refletiu sobre sua carreira e os rumos do país – sem renunciar ao bom-humor de sempre.

 

Foto Globo | divulgação | Victor Pollak Kim (Monica Iozzi)

 

É impossível desvincular sua carreira do universo político. Quando criança, você já se interessava pelo tema? Na sua casa, a política era muito presente?
Minha família tem origem simples, meu pai era eletricista e minha mãe, dona de casa, então eles não se envolviam tanto nessas questões. Mas me lembro de, ainda muito pequena, começar a gostar de política por conta própria. Aos oito anos de idade, eu era meio obcecada pelo horário eleitoral. Achava aquilo tudo muito esquisito. Eu via todas aquelas figuras histriônicas e quase teatrais – se lembra do Dr. Enéas nos anos 1990? – e sentia como se estivesse acompanhando um roteiro de novela. Mas nunca foi apenas um entretenimento, algo ali já me instigava.

Um de seus trabalhos mais marcantes foi justamente nessa área, como repórter do ‘CQC’. Hoje, o programa não está mais no ar, mas os eventos tragicômicos da política continuam. Conte algum acontecimento recente que você adoraria ter tido a oportunidade de cobrir.
Sinceramente, nós estamos vivendo um momento tão assustador e distópico que todo dia surge alguma pauta absurda. É só fazer plantão no cercadinho do presidente para ter acesso a um estoque interminável de escândalos. Mas, falando de momentos específicos, acho que teria sido muito interessante cobrir os bastidores da CPI da Covid. No “CQC”, a gente adorava colocar contra a parede pessoas que davam declarações divergentes, e nessa comissão isso aconteceu aos montes. Também queria ter tido a oportunidade de acompanhar a onda de manifestações pró-regime militar que tomou o país nas últimas semanas. Essa verve enlouquecida e inacreditável de retrocesso daria um quadro, no mínimo, bizarro.

Neste momento de polarização e extremismos que estamos vivendo no Brasil, ainda é possível extrair humor da política?
Com certeza. O humor é um instrumento político poderosíssimo. Há uma capacidade transformadora e instigante no “rir do absurdo”. O que o Marcelo Adnet faz, por exemplo, com as sátiras, imitações e toda aquela ironia crítica é genial. E eu acredito muito que esse tipo de humor, consciente e ácido, tem o poder de fazer com que as pessoas comecem a prestar mais atenção nas atrocidades que estão acontecendo.

Você já chegou a comentar que se arrepende de ter aberto tanto espaço, no ‘CQC’, para as falas de Jair Bolsonaro. Se pudesse retornar ao ar, sua abordagem seria diferente? Para você, qual é o limite da liberdade de expressão?
Eu sempre me pergunto isso. Naquele momento, as matérias que eu fazia eram muito no intuito de denunciar o visível despreparo daquele, na época, deputado federal. O que não imaginava era que, ao invés disso, eu pudesse estar entregando um megafone na mão dele e dos seus discursos de ódio. Pode parecer uma comparação meio forçada, mas na Alemanha a população é proibida de fazer qualquer apologia ao nazismo. Aqui, talvez tenha chegado a hora de agirmos assim também. Não há mais escolha além de ser intolerante com pessoas intolerantes. Hoje, eu provavelmente teria preferido abafar muitos absurdos que ele disse contra a população LGBTQIA+, as mulheres, e as falas a favor da ditadura…

Na equipe do ‘CQC’, você passou três anos e meio como repórter em Brasília. Como foi a experiência de ser uma das poucas mulheres no ambiente majoritariamente masculino do Congresso?
Foram anos de muito aprendizado pessoal. Até aquele momento, eu nunca tinha trabalhado em um lugar onde o sexismo era tão claro e a misoginia, tão gritante. Para você ter uma noção, na época em que estive em Brasília, não existia nem banheiro feminino no Senado. Toda a estrutura do ambiente político foi construída de maneira a manter as mulheres, e todas as minorias, longe dali. Isso sem contar todos os galanteios desagradáveis, os “presentinhos” e os vários momentos em que me chamaram de “minha filha” e “menina” ao invés de Monica Iozzi. Por tudo isso, eu posso dizer que foi no Congresso que tomei consciência de que o feminismo seria a minha luta para a vida toda.

 

Foto Globo | Divulgação | Tata barret Os novos integrantes do Vídeo Show, Giovanna Ewbank e Joaquim Lopes, com os apresentadores Monica Iozzi e Otaviano Costa

 

Antes da pandemia, você participou da série “Assédio”, com direção de Amora Mautner. Qual é a importância de se falar sobre assédio e abuso?
Eu não conheço nenhuma mulher que nunca foi assediada. Até minha sobrinha de 13 anos já tem algumas histórias assim para contar. É preciso expor essa realidade, e a série faz isso com maestria. Também me deixa grata a forma como a produção conseguiu trazer uma mensagem de força feminina. Apesar de todas as personagens terem sofrido violência, elas estão longe de serem representadas com fragilidade. A série traz essa mensagem de que não podemos nos calar e que, unidas, conseguimos fazer com que as engrenagens comecem a mudar. Acho que muito disso vem da direção feminina, a Amora trouxe esse olhar de dentro para o tema.

Se posicionar e falar sobre política pode parecer espinhoso para muitos, mas você consegue equilibrar leveza e profundidade. Na sua rotina, o que você faz para se desligar um pouco das notícias e do que acontece no país?
É difícil me desconectar de tudo, mas toda noite eu me sento no sofá e devoro as plataformas de streaming. Tenho mergulhado fundo no cinema brasileiro, que é a área em que mais quero trabalhar na vida. Estou assistindo desde Mazzaroppi até Anna Muylaert, Renata Pinheiro e Felipe Bragança, revendo tudo, estudando e me apaixonando de novo pela nossa arte. E eu também jogo muito video-game! Tenho um aparelho que reproduz os jogos dos anos 1980 e 1990, e sou fissurada.

Essa sua dualidade também aparece nas telas. Seus próximos projetos no cinema são muito diferentes entre si. Em qual gênero você se sente mais confortável atuando?
Eu amo a magia da comédia, mas sou grata por, agora, poder explorar outros caminhos. Em “Novela”, minha personagem é leve e engraçada; em “Mar de Dentro”, vivo um drama absoluto; e em “Lições”, me delicio com a doçura maternal da Dona Luísa. Todas elas mostram lados meus que vão além do humor escrachado, que fez muitas pessoas me conhecerem. Antes de comediante, eu sou atriz, e quero experimentar de tudo.

Além da sua estreia nos streamings, um de seus próximos projetos é o “Fala Mais Sobre Isso, Iozzi”, programa sobre política que marca sua volta à TV como apresentadora. Por que esse retorno à política, por que agora e por que em um programa com esse formato?
Eu sinto que, no Brasil, ainda há muita gente que não se interessa por política, seja porque já está completamente descrente dos rumos do governo, ou porque realmente não entende como o mecanismo funciona. Meu desejo é, justamente, trazer a discussão política para mais perto do público, de uma forma didática, simplificada e que faça com que todos se sintam pertencentes a esse espaço, porque todos somos. Quero que o público se sinta em uma mesa de bar discutindo com os amigos. Juntamos uma galera incrível, de Pedro Bial a Djamila Ribeiro, Majur e Jubi do Bairro, para debater temas muito diversos e que dialogam diretamente com o nosso dia a dia, como “qual é a relação entre política e religião?” ou “o que podemos esperar da política no futuro?”.

E, para você, o que podemos esperar da política no futuro?
É difícil demais fazer qualquer tipo de previsão, mas o que eu espero é que as instituições voltem a se fortalecer no Brasil. Sem isso, é impossível começar a cavar uma saída desse buraco. E o primeiro passo para tudo voltar aos eixos é ter a nossa democracia de volta.

 

Sagaz e divertida, Maria Beltrão fala sobre o lançamento de seu primeiro livro “O Amor Não Se Isola”

Sagaz e divertida, Maria Beltrão fala sobre o lançamento de seu primeiro livro “O Amor Não Se Isola”

Em outubro, o canal Globo News completa 25 anos no ar, sem desligar. E Maria Beltrão é uma das jornalistas que está lá desde o começo dessa bonita história. No comando do “Estúdio i” desde 2008, com seu estilo irreverente ela traz leveza ao noticiário e fica no ar ao vivo por três horas seguidas de segunda a sexta, atuando como âncora, mestre de cerimônias e comentarista sobre os mais variados temas.

Nascida no Rio de Janeiro há 50 anos, Maria Beltrão é filha de um ministro do governo Figueiredo, morou em Londres e estudou Economia antes de enveredar pelo Jornalismo. Na entrevista que concedeu à 29HORAS, ela fala do livro que lançou durante a pandemia, da importância do jornalismo de qualidade e da praga das fake news.

 

Maria Beltrão Foto Marcelo de Jesus

 

Confira a seguir os principais trechos dessa conversa:

Desde 2008 você comanda o “Estúdio i”. Quem concebeu esse programa? Alguma outra jornalista foi testada para apresentá-lo ou desde o início o formato foi desenvolvido em cima da sua personalidade?
Lá por 2005-2006, uma pesquisa de imagem da Globo News revelou que o público do canal o achava muito sisudo, distante do espectador e um pouco arrogante. Aí a direção começou a apostar numa certa descontração e num estilo de apresentação mais espontâneo e desinibido. Eu já havia proposto anteriormente a criação de uma revista eletrônica, mas a ideia nunca vingou. Depois dessa pesquisa, começaram a formatar o “Estúdio i” e, desde o começo, ficou definido que eu seria a apresentadora. O nome vem de interatividade e informalidade. No começo, era um balaio de gatos, tínhamos de tudo: médico, comportamento, futebol e muita música. Toda tarde, uma banda diferente se apresentava no final do programa. Mas, aos poucos, essa fórmula foi mudando e o programa se tornou mais ‘hard’, com comentaristas falando das notícias mais relevantes do dia, de economia e de política. Acho que essa mudança acompanhou a evolução do telespectador, que se acostumou a assistir ao vivo sessões do Supremo, coletivas de ministros, pronunciamentos de autoridades nacionais e mundiais. O programa vai ao ar num horário em que acontece muita coisa. Não dá para ficar alheio a essas notícias todas.

Eu, quando comento com meus amigos que assisto todos os dias ao “Estúdio i”, muitas vezes ouço comentários do tipo: ‘Putz, mas esse programa poderia ser menos enrolado. Durante três horas aquela apresentadora fica muito tempo comentando o signo zodiacal da repórter, a maquiagem de fulana, o cabelo de sicrano e a paleta de cores das blusas dos convidados… Sem falar que todo mundo que chega ainda tem de falar boa tarde X, boa tarde Y, boa tarde Z, boa tarde assinantes…’ O que você tem a dizer para as pessoas que gostariam que as conversas do programa fossem mais diretas e objetivas?
Concordo com seus amigos: três horas de Maria Beltrão na TV é um exagero. Até mesmo para mim. Ficar 180 minutos comandando um programa ao vivo é extenuante. No final, eu estou sempre exausta. Pelo menos trabalho sentada, ao contrário da maioria dos outros apresentadores da Globo News! [rsrsrs] Sobre essas observações que eu faço sobre signos, cabelos e paletas de cores, esse é o meu jeito. E, pelo retorno que temos dos espectadores, a grande maioria da audiência gosta disso, quer isso. Essa irreverência é uma das principais características do programa. O ‘Estúdio i’ é assim. Eu sou assim. Isso atenua o abalo que muitas vezes uma notícia traz. Nossa proposta é levar um pouco de leveza aos espectadores, mesmo quando discutimos assuntos tristes e espinhosos. É mais ou menos como disse Charlie Chaplin: ‘Se você tivesse levado a sério os meus gracejos, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca duvidei da seriedade da plateia que me ouvia’.

Por falar em assuntos tristes e marcantes, onde estava Maria Beltrão no dia 11 de setembro de 2001?
Estava na academia. Pela escala, eu só ia entrar no ar bem mais tarde. Vi na TV que alguma coisa tinha se chocado em uma das torres do WTC. Quando estava saindo do vestiário, depois do banho, vi que a outra torre também havia sido atingida e deduzi que algo sério estava acontecendo. Nesse exato instante, meu telefone tocou e era da Globo News me convocando para ir imediatamente para o estúdio. Cheguei, rendi a Leila [Sterenberg] e fiquei “apenas” 10 horas seguidas ancorando a transmissão ao vivo. Foi muito marcante para todos que trabalhávamos lá naquela época. O canal estava completando 5 anos e aquele foi o nosso rito de iniciação em uma nova fase. Depois daquele momento, mudamos de patamar profissional.

A seu ver, o que mudou na Globo News com a chegada da CNN e com o aparecimento de canais noticiosos confiáveis em outras plataformas?
Mudou que a gente ganhou mais um motivo para fazer todo dia o nosso melhor. Eu acho que concorrência é saudável, é sempre bom. Dá uma injeção de criatividade, dá vontade de caprichar mais. E fica melhor para o telespectador, que pode perceber com mais clareza o nosso jeito diferente de fazer o nosso trabalho. Nós somos um canal de notícias brasileiro, e agora isso ficou ainda mais evidente. Trabalhamos do jeito que a nossa audiência prefere, não da maneira que o público de outro país consagrou.

Durante a pandemia, jornalistas como você nunca pararam de trabalhar. Você esteve na linha de frente! Você passou a enxergar de outra maneira a sua missão não só de informar, mas também de combater as fake news?
Acho que sim. Durante meses, eu saí de casa todo dia com medo, sem saber o que poderia acontecer – a gente não tinha nenhum conhecimento sobre essa doença. Mas o que me impulsionava a levantar toda manhã foi exatamente esse senso de serviço que você falou. Passei a valorizar ainda mais a minha profissão. Tínhamos um trabalho muito importante a fazer. Ainda mais nesse mundo tomado por fake news, que são um mal tão danoso quanto o coronavírus. Elas nasceram como “pós-verdade” e depois viraram “fatos alternativos”, mas o correto mesmo é chamá-las de fraudes ou de mentiras. É isso que elas são! E é um trabalho insano combatê-las, mas essa é a nossa tarefa: corrigir, esclarecer, explicar, passar a informação correta. Nosso compromisso é com a verdade, com os fatos, com a ciência.

 

Maria Beltrão Foto João Cotta | Divulgação

 

O que foi mais duro para você no período da quarentena? Como foi segurar em casa durante meses sua filha adolescente?
O mais difícil foi ficar meses sem encontrar fisicamente com a minha mãe. Foi muito desagradável me sentir um risco para as outras pessoas, já que eu tinha que sair de casa todo dia e enquanto todo mundo ficava confinado e se cuidando. Quanto às meninas lá de casa – a minha filha Ana (de 18 anos) e a minha enteada Bia (de 17) –, foi surpreendentemente fácil. Apesar da idade, ambas são super caseiras. Ficavam em nosso apartamento no Leblon numa boa. Às vezes batia uma angústia, mas elas são muito comportadas e souberam encarar a quarentena de uma maneira admirável.

O que te motivou a escrever seu primeiro livro, “O Amor Não Se Isola”?
No auge da pandemia, meu marido – o advogado Luciano Saldanha Coelho – propôs a todo mundo lá em casa uma brincadeira para extravasar as aflições e destravar a criatividade, baseada num exercício criado pela escritora norte-americana Julia Cameron. A missão era a seguinte: toda manhã, tínhamos que escrever três páginas sobre qualquer assunto. Eu comecei a usar essa dinâmica como catarse, para desbloquear minha mente e colocar no papel os pensamentos mais aleatórios. Um dia, mostrei para uma amiga o que havia escrito sobre o João Ubaldo Ribeiro e falei que este era apenas um dos meus textos que havia produzido. Ela leu, gostou e me disse que esse material poderia render um bom livro. Mostrei depois para o Octavio Guedes – grande jornalista e amigo maior ainda – e ele também adorou, achou apropriado o meu tom confessional, mas sem ser autocentrado. Levei a uma editora e o material acabou saindo quase sem alterações. O lançamento foi uma loucura, ainda que virtual. Poucas vezes na vida me senti tão adorada e admirada. A frase que virou o título do livro foi pinçada de uma das minhas crônicas. Durante a pandemia, notei que o confinamento distanciava fisicamente as pessoas, mas a verdade é que o amor é muito maior do que essas imposições da quarentena. Ele se adapta e dribla esses obstáculos, essas dificuldades. A gente segue sempre se relacionando com quem a gente ama via Zoom, pelo Whats ou por outros vários meios. Não há confinamento capaz de deter a força do amor.

O livro tem uma versão em audiobook, que você mesma gravou pessoalmente. E gravou também a série de podcasts sobre as histórias desses 25 anos de Globo News. Pensa em investir mais na produção de podcasts ou em uma carreira de narradora ou dubladora?
Obrigada, mas não. Sem tempo, irmão. Gravar os podcasts e o audiobook foram experiências maravilhosas, mas a partir desse momento da minha vida e da minha carreira, aos 50 anos de idade, eu quero trabalhar menos.

E no cinema? Quando a veremos atuando na telona? Quando você apresenta o Oscar na Globo não fica com vontade?
Eu? Jamais! Amo cinema, mas somente como espectadora. E nem me fale da apresentação do Oscar, porque ainda não consegui processar o luto pela perda do grande Artur Xexéo, meu mestre, meu amigo querido. É uma dor imensa. Não consigo imaginar como é que vou conseguir comandar a transmissão da cerimônia de premiação sem ele.

Agora que parece que a pandemia está chegando ao fim ou a um nível que permite que a gente pelo menos consiga conviver com ela, o que você pretende deixar para trás?
Eu não vejo a hora de deixar para trás de uma vez por todas essas restrições, todo esse distanciamento social. Não sei viver sem tocar, pegar e apertar. Eu não sou do abraço, eu sou do amasso! Comigo é na base do beijo, comigo é na base do amor…

Do alto de seus 1,80 m, qual a receita de Maria Beltrão para curar as chagas do Brasil e do mundo, acabar com a divisão, com a tristeza?
Jamais perca a esperança. Tá ruim? Vai passar. A vida opera em ciclos. Tem muito mais bem do que mal por aí. Nesse momento de trevas, o jeito é acender uma vela, e não ficar só reclamando da escuridão. Para trazermos de volta a felicidade, a fórmula é relativamente simples: basta apostar na esperança, na fé, na empatia e no amor. Sempre!