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Trilha sonora certa para todos os Carnavais, Ivete Sangalo completa 27 anos de carreira

por | jan 7, 2020 | Pessoas & Ideias | 0 Comentários

O sol parece sempre brilhar para Ivete Sangalo. Na verdade, ela é a chama e o próprio astro rei da maior festa popular do país, o Carnaval. Mas sua fama e seu conhecido agito ultrapassam fevereiro e março, faz gente de toda cor, todo lugar e toda idade pular em qualquer época do ano. “É a melhor cantora do país”, gritam paulistanos mesmo debaixo da tradicional garoa da cidade, em um show ainda a dois meses dos blocos, desfiles, folias e alegorias, no Festival Eletriza, no Anhembi. A energia e a potência incidem do palco em duas horas de apresentação. Quase três décadas de carreira tornam Veveta referência e ídolo, e anunciam que, se depender dela, ainda muita festa virá pela frente.

Ivete Sangalo

Ivete comemorando os 10 anos de sua carreira solo

Se é a melhor cantora do país, Ivete não gosta de comparações e prefere não responder. É a mais popular. O que importa é incluir todo mundo na sua música: “Se relacionar bem é ter empatia. Eu quero ser respeitada e ouvida por todos, então me esforço para perceber as outras pessoas também”.

São diversas parcerias desde o início de sua carreira solo, quando saiu da Banda Eva, em 1999. Os duetos internacionais incluem a canadense Nelly Furtado, o espanhol Alejandro Sanz e até a banda de rock norte-americana Dave Matthews Band. Por aqui, os “feats” vão de Roberto Carlos, Criolo, Daniela Mercury, Maria Bethânia, Carlinhos Brown a Ludmilla, companheira do possível hit do Carnaval de 2020, ainda não divulgado.

Como se vê, o axé não é o único combustível de Ivete. Já em seu primeiro álbum, que ganhou disco de platina em 2000, com 1 milhão de cópias vendidas, a cantora apresentou outros ritmos. A balada romântica “Se eu não te amasse tanto assim”, composta por Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle, é a prova e foi cantada por grandes nomes da música brasileira como Caetano Veloso e Gilberto Gil.

E música de sucesso é o que não falta no seu repertório. Suas canções dialogam com o Brasil. Marcam acontecimentos relevantes de nossa história recente. O hit “Festa” é gatilho de felicidade e traz a lembrança do pentacampeonato na Copa do Mundo de 2002, já que foi a música da comemoração do troféu na TV e em todos os cantos. “Nunca imaginava cruzar as fronteiras da Bahia, a música que eu faço é original de onde venho. Então me deixa honrada ser compreendida e acolhida pelo país, ainda mais em clima de união. Vejo que minha música mexe com as pessoas”.

Ivete, com sua família

Desde quando começou a cantar profissionalmente, em 1993, até hoje são mais de 300 canções. Ivete já vendeu mais de 20 milhões de cópias e recebeu mais de 150 prêmios nacionais e internacionais, como o Grammy Latino. Por mês, a cantora realiza uma média de 10 intensos shows e suas redes sociais somam incríveis 45 milhões de seguidores.

Veveta maré cheia

O Brasil de Ivete é diverso e, principalmente, alegre. As raízes explicam. “É como se eu morasse em Juazeiro até hoje, aquele lugar ainda está na minha memória. O bem viver que levo vem de lá”. Na casa de infância da cantora, a música vinha do violão do pai e da voz da mãe, que ouviam e cantavam juntos a música de Clara Nunes “Conto de areia”, o que rendeu o apelido “Veveta maré cheia”, dado pelo pai para a caçula.

Havia ainda os ritmos diversos dos quatro irmãos, que desde cedo tocavam e ouviam de tudo. “Com uma casa cheia dessas, não tem como não se abrir para novos estilos… Era viola, percussão, era uma diversidade imensa”. Foi o irmão Ricardo quem percebeu o talento de Ivete e começou a agendar shows em bares de Salvador. Durante uma apresentação em Morro do Chapéu, cidade a 390 quilômetros da capital baiana, ela chamou a atenção do produtor Jonga Cunha, dono do Bloco Eva, que a convidou para integrar a banda.

Cantora desfilando na escola de samba Grande Rio, em que foi homenageada em 2017

Com o trabalho da cantora, a família passou a ter uma vida estável novamente, após anos de dificuldade causada pela morte do pai e de um dos irmãos, Marcos. Durante aquele período, Ivete e sua irmã, Cyntia, chegaram a vender marmitas feitas pela mãe, Maria Ivete. Mas com o sucesso na música, Cyntia ficou responsável pelo figurino dos shows e, hoje, a família está toda envolvida na IESSI Music Entertainment, empresa responsável pela carreira da baiana, com 40 funcionários trabalhando diretamente para ela.

Quando se casou com o nutricionista Daniel Cady, em 2008, Ivete formou um novo núcleo familiar, também repleto de alto astral. Teve o filho Marcelo, hoje com 10 anos, que já acompanha a mãe na bateria em algumas festas. “Com o tempo, ele também vai poder se encontrar nos próprios ritmos”. E há dois anos a cantora viveu uma nova experiência com a maternidade, gestou as gêmeas Helena e Marina. “Elas são diferentes, às vezes esqueço que nasceram juntas, já mostram que têm seus jeitos particulares”. Ivete ainda deseja ter mais filhos, quantos forem possíveis, em suas palavras. “Venho de uma casa cheia e gosto muito disso”.

A cantora parece ultrapassar as barreiras do envelhecimento, ou melhor, os anos passam e a disposição, feliz e simplesmente, não. Com 47 anos, Ivete mostra que envelhecer apenas é um problema se existem obstáculos, o que para ela, com uma rotina de exercícios físicos e, principalmente, simpatia, não há. “Minha fonte de juventude são meus filhos também”.

Com ternura e desenvoltura

Sair dos palcos para apresentar programas de TV foi um caminho natural. Muito amiga da apresentadora Xuxa, a cantora comandou o “Programa da Xuxa” na TV Globo em 1998, durante a licença-maternidade da apresentadora. “Naquela época, tentei transmitir a naturalidade de Xuxa, falando para o público com ternura e desenvoltura. Acho que deu certo!”.

Quatorze anos depois, Ivete voltou à televisão, mas dessa vez em horário nobre e atuando no papel de Maria Machadão na novela “Gabriela”, de Walcyr Carrasco, inspirada no livro de Jorge Amado. “Atuar foi uma das melhores experiências que tive, e foi algo inesperado e surpreendente, pois nunca havia desejado aquilo até então”.

Desde 2018, Ivete é jurada no The Voice. Na última edição, esteve ao lado de Iza, Lulu Santos e Michel Teló aconselhando cantores de todo o Brasil. Para os novos talentos, a cantora enfatiza a autenticidade, o que ela própria leva para a vida.

Ivete ao lado dos apresentadores e outros jurados do The Voice. Foto: Globo / Paulo Belote

“Digo para terem uma postura honesta com todo mundo, seja com o público, com os jurados e com outros artistas. As pessoas lembram disso, você acaba colhendo a honestidade”. Este ano, ela também estreia no programa “Música Boa”, do Multishow.

Os shows continuam lotados mesmo entre as aparições na TV e alguns foram a amostra da potência de Ivete. Gravado no Estádio do Maracanã, em 2006, o disco “Ivete no Maracanã” reuniu grandes sucessos, como “Sorte Grande”, “Abalou”, “Arerê”, “País Tropical” e “Taj Mahal”, em um show para 60 mil pessoas no Rio de Janeiro.

O DVD teve quase um milhão e meio de cópias comercializadas, batendo todos os recordes mundiais da Universal Music, desbancando U2, Amy Winehouse e outras estrelas da companhia na época. Em 2010, Ivete gravou no Madison Square Garden, em Nova York, o quarto DVD da carreira, com participações do argentino Diego Torres, do colombiano Juanes, de Seu Jorge, do britânico James Morrison e da dupla de reggaeton porto-riquenha Wisin & Yandel.

Sempre em Salvador

Os planos para fevereiro são viver intensamente Salvador, como é seu costume há 27 anos. “No Carnaval, não tem jeito, eu não saio de lá”, brinca. Neste ano, a cantora anunciou um camarote próprio para convidados no circuito Dodô (Barra-Ondina), além de seguir no Bloco Coruja, que desfi la durante o sábado, domingo e segunda e tem a cantora como atração nos três dias de folia, arrastando milhares de pessoas pelas ruas em festa.

Cantora no papel de Maria Machadão, na novela “Gabriela”

“Curto muito as festas do Rio, de Sampa e de Olinda, o Carnaval é diverso e traz muitos estilos, é natural ter bloco para todo mundo. Mas abraçamos a rota de Salvador há muito tempo e não tenho planos de sair de lá. É a minha casa”. Para Ivete Sangalo, 2020 só começa de fato após a festa popular e, para o novo ano que chegou, a baiana continua desejando alegria a seu comando: “O melhor jeito de passar o Carnaval é comigo!”, avisa.

Confira nosso Ping Pong com a cantora:

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