logo
logo

Bruno De Luca conta como construiu uma carreira de sucesso depois de mudar a rota

por | set 1, 2020 | Pessoas, Pessoas & Ideias | 0 Comentários

 

WORK HARD, PLAY HARD. O lema de Bruno De Luca é a perfeita tradução de seu estilo de vida. Aos 38 anos, o ator e apresentador de TV cresceu correndo atrás de seus sonhos e projetos, mas nunca deixou de se divertir (e muito) no caminho. Há mais de uma década à frente do programa de viagens “Vai Pra Onde?”, do canal a cabo Multishow, Bruno já rodou 52 países e se meteu nas mais loucas aventuras. Na Dinamarca, foi parar no hospital depois de provar a pimenta mais forte que se tem notícia, se jogou de um bungee jump sem corda na Suécia, passou o Natal no aeroporto de Sidney por causa de um furacão e frequentou as baladas mais animadas nos cinco continentes. Seja rodando o mundo ou comandando uma live de três horas com direito a atrações musicais direto de sua casa – como aconteceu em 15 de agosto –, ele trabalha com prazer.

Mas por trás do rapaz de jeito fanfarrão que aparece na tela, está um homem determinado. Nascido em uma família abastada – seu avô paterno, o italiano Carmelo De Luca, é o fundador da Frescatto, bem-sucedido frigorífico de pescados, onde trabalha boa parte da família – poderia se acomodar, mas decidiu trilhar um caminho próprio. Mesmo sem nenhum familiar ligado às artes, ele conta que sempre soube que esse seria o seu destino. “Via programas como ‘Balão Mágico’ e pensava que eu queria não só assistir, mas fazer parte daquilo”, lembra.

Aos nove anos, aproveitou uma viagem de um mês dos pais pela Europa e se matriculou escondido em um curso de teatro, lá fez seu primeiro teste. Quando voltaram, ele já estava escalado para a novela das 8, “Fera Ferida”, em que interpretou Uilsinho, filho dos personagens vividos por Juca de Oliveira e Vera Holtz. Depois da estreia na TV, passou pela série de casos especiais “Terça Nobre”. “Numa determinada cena eu roubei um contra plano e fiz uma cara de chocado que chamou a atenção do diretor Roberto Talma”.

Ganhou ali aquele que seria o papel mais emblemático de sua carreira, o divertido Fabinho, de Malhação, filho da dona da academia onde se passava a trama, vivida por Silvia Pfeifer. Bruno interpretou o personagem dos 12 aos 17 anos, desde a estreia da novela adolescente, em 1995, até a quinta temporada, em 1999. “Foi uma escola. Toda semana tinha um ator convidado e isso nos dava a oportunidade de contracenar com grandes mestres”, lembra.

Hiperativo e curioso, nos intervalos das suas cenas o ator gostava de se aboletar ao lado do diretor, Leandro Neri, para acompanhar o trabalho por trás das câmeras. Ali começaria a identificar sua verve de produtor, algo que se tornaria fundamental para seu sucesso profissional. Com o fim da jornada em Malhação, conhecido no Brasil todo, Bruno partiu novamente para os testes. Mas tirou a carta revés. “Fazia tudo que pintava, mas não passava em nenhum”, conta com a tranquilidade de quem já superou essa fase. “Diziam que eu estava com o rosto muito marcado. Mas acho que era desculpa. Eu estava era ruim mesmo. Era adolescente, mudando a voz… Devia estar muito esquisito”. Foi ali que começou a pensar em um plano B para a carreira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rota alternativa

Bruno não faz o tipo que paralisa diante de um desafio. Pelo contrário. Cara de pau assumido, é daqueles que se joga sem medir consequências. Depois de se matricular no curso de Jornalismo da PUC-Rio, foi bater nas portas de Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, então o todo poderoso da TV Globo) e de Luis Erlanger (diretor de jornalismo da emissora). Acabou ganhando estágio na editoria Rio. “Fui para porta de delegacia acompanhar repórteres, trabalhei ao lado de Tim Lopes, estava na redação no dia 11 de setembro… Foi uma experiência muito bacana”. Mas percebeu logo que o dia a dia da notícia não era sua praia. “Não deu. Sou muito sentimental e era muita história pesada”, lembra.

Tendo a espontaneidade a seu favor, acabou se dando bem como repórter nos programas Caldeirão do Huck, Domingão do Faustão, Vídeo Show, Big Brother Brasil e na cobertura do Rock in Rio. Acabou encontrando seu caminho no meio termo entre a reportagem e o entretenimento. “Nas viagens para produzir matérias para os programas eu percebia que eu me interessava mais por aquilo que não ia ao ar, os bastidores da produção”, recorda. Foi quando começou a carregar uma minicâmera para onde ia, registrando tudo.

 

Em 2006, passou o Réveillon em Miami com Carolina Dieckmann – colega dos tempos de Malhação que se tornou melhor amiga – e Cleo Pires. Na volta, editou as imagens, fez a trilha, inseriu dicas da cidade… Estava pronto o piloto de “Vai Pra Onde?”. Bateu, claro, na porta do diretor da Multishow e conseguiu o espaço. O piloto nunca foi ao ar, mas a série decolaria com um mote matador: um programa de viagem no estilo mochilão, voltado para os jovens, em que Bruno viajaria com o orçamento curto e narraria suas peripécias numa espécie de reality trip, ou reality show de viagem. A primeira temporada estreou em 11 de maio de 2007, começando por Recife, seguindo uma premissa básica: curtir ao máximo gastando o mínimo. Deu certo.

Depois de muito perrengue, trocou albergues xexelentos por hotéis cinco estrelas na temporada em que entrava na aba de milionários. Viagens que, por ora, estão descartadas dos planos. Diante da crise sanitária global, Bruno acredita que o novo normal do turismo será mais pé no chão. “Mais viagens de carro, dentro do Brasil, em família ou pequenos grupos de amigos. Sem ostentação e extravagâncias”. É nesta pegada low profile que vai seguir a 16ª temporada do programa, ele pretende explorar destinos para praticar o desapego, uma modalidade de turismo que se tornou tendência nos últimos anos e deverá ganhar ainda mais força no pós-pandemia. “São viagens em que o turista busca um sentido para além do lazer. Procura devolver algo para o mundo, fazendo algum trabalho social ou ajudando o meio ambiente, por exemplo”. Se tudo der certo, o destino será a Costa Rica. O país, exemplar no combate ao novo coronavírus – tem o menor número de mortos da América Latina –, é muito procurado para o ecoturismo pois reúne florestas intocadas, vulcões e praias paradisíacas banhadas pelo mar do Caribe e pelo Pacífico.

É o próprio Bruno que cuida da produção de todos os seus programas na Beyond Filmes, empresa em que é sócio de Ronaldo Nazário (o craque Ronaldo). Isso mesmo. Foi em Malhação que nasceu uma amizade improvável do moleque Bruno com um de seus ídolos. O fenômeno, então com 21 anos, fez uma participação na série e acabaram ficando amigos. Na produtora tocam juntos projetos como “Além da 9”, série documental que narra a vida do ex-jogador. A primeira temporada já está pronta para ser exibida – falta fechar com um canal – e acompanha o Ronaldo em países pelos quais passou como atleta, mas nunca teve tempo de curtir.

 

Baladeiro notório – que até meteu em algumas confusões – ele anda mais calmo. Depois de desilusões amorosas, resignado e decidido a ficar solteiro, ele encontrou o amor novamente. Há oito meses namora Sthéfany Vidal, repórter do Domingão do Faustão. Eles já se conheciam por meio de amigos em comum, mas foi em um encontro casual no fim do ano passado que os dois se aproximaram. O cupido foi Bart Simpson, o golden retriever de Bruno. “Ela gosta muito de cachorro, acabou se aproximando e ficou brincando com ele”. Conquistou não só o cão, como seu dono. “Em uma semana, ele já me apresentou para a família inteira”, lembra Sthéfany. “Bruno tem um coração enorme, não nega ajuda a ninguém”, derrete-se a namorada, que mora em São Paulo, mas tem passado a quarentena na casa dele, no Rio, uma senhora prova de fogo para ambos.

O trabalho de ator ficou em segundo plano – “Faço quando dá” –, mas vez ou outra aparecem convites irrecusáveis, como para interpretar Carlos Imperial em “Minha Fama De Mau”, cinebiografia do cantor Erasmo Carlos lançada em 2019. Figura polêmica, mas de grande relevância para a música brasileira – foi quem impulsionou a carreira do Tremendão, além de artistas como Elis Regina, Wilson Simonal e Roberto Carlos –, Imperial era conhecido pelo temperamento libertino, irreverente e o alto tom de voz. “Dizem que pareço com ele. O Erasmo, que é meu vizinho, gosta de dizer que sou ‘o Imperial do bem’”, comenta Bruno.

 

Paulista na certidão, mas carioca de coração e alma – ele tinha cinco meses quando seus pais voltaram para o Rio – Bruno é o segundo de três filhos. Thiago, de 39, o irmão mais velho, é o atual presidente da empresa da família. Marcela, a caçula de 35, é médica. Longe das câmeras é um sujeito agregador. É o amigo que cria o grupo de WhatsApp, que agita os encontros. Este mês, o canal Viva vai reprisar a primeira temporada de Malhação para comemorar os 25 anos da novela, que também ajudou a projetar a carreira de amigos como André Marques, Fernanda Rodrigues, Carol Dieckmann… Precisa dizer onde vai ser a festa?

 

Bate e volta

Qual o principal traço de sua personalidade?

A comunicação. Sou muito sociável.

O que mais aprecia nos amigos?

Lealdade.

Família é…

O principal.

Qual é seu passatempo favorito?

Ir à praia.

Um lugar para viver?

Los Angeles.

Um lugar para visitar muitas vezes?

Ibiza.

Um refúgio?

A casa dos meus pais.

Qual personagem gostaria de interpretar?

Tyler Durden, do filme Clube da Luta. Mas a versão do Edward Norton.

Uma saudade do período pré-pandemia?

De aglomerar!

Qual personalidade da vida real mais admira?

Ronaldo Nazário

Um luxo?

Saúde.

 

 

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *