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Fundadora do pós-luxo, Fernanda Ralston Semler cria consultoria para orientar criadores

por | nov 8, 2019 | Negócios | 0 Comentários

Você já ouviu falar do pós-luxo? O conceito, que designa um novo mercado, apoiado em pilares como originalidade, qualidade da matéria-prima, atemporalidade, autenticidade, propósito e mark-up coerente, se diferencia bastante do chamado luxo tradicional, escorado em grifes e preços nas alturas. Em vez da ostentação, a elegância natural. Ao contrário da marca globalizada, a peça de tiragem limitada. Despencam a superficialidade e a opulência e sobem a inovação, a durabilidade, a ética, o preço justo e o viés social.

O pós-luxo foi identificado pela empresária em 2004

Fernanda Ralston Semler criou a Après Luxe para orientar criadores a produzir bens e serviços sob uma nova ótica

A empresária Fernanda Ralston Semler, de 42 anos, é a fundadora desse movimento, identificado por ela como uma nova tendência ainda em 2004.

Depois de muita pesquisa e testes, inclusive no seu próprio hotel, o Botanique, em Campos do Jordão – que pode ser considerado o primeiro hotel pós-luxo do Brasil –, Fernanda vem disseminando esse conceito para outros empresários. À frente da plataforma Après Luxe, ela certifica marcas que estejam alinhadas com o movimento e dá consultoria para empreendedores interessados em abraçar esses valores.

“Eu vim desse mundo de luxo, depois trabalhei com marcas diversas, como Gianni Versace, e vi a mudança de público nesse setor. As pessoas realmente sofisticadas e que já passaram por essa fase do luxo tradicional buscam hoje as experiências, a tiragem limitada, as viagens com propósito. O pós-luxo é o produto inserido com cuidado onde está, que impacta de forma positiva o entorno, com mark up justo e coerente. Nem pega bem nos dias de hoje essa ostentação de pagar dez vezes o que o produto custa pelo nome”, diz Fernanda.

Agora residindo em São Paulo, depois de 14 anos morando na Serra da Mantiqueira para tocar o hotel Botanique, que completa em dezembro sete anos, Fernanda tem como objetivo descortinar esse universo para que as marcas construam laços mais empáticos com seus consumidores. Hoje, cerca de 50 itens já são certificados com o selo Après Luxe, entre serviços, produtos, restaurantes etc. São nomes como a joalheira Miriam Mamber, o iluminador Maneco Quinderé, a artista Heloisa Crocco, o designer Alfio Lisi, a ceramista Hideko Honma, o restaurante carioca Lasai, entre outros.

A empresária nota que são os millenials os mais dispostos a pagar mais por produtos que tenham ética mercadológica. Segundo uma análise recente da Deloitte, quase um terço dos jovens consumidores do luxo verifica as credenciais éticas do que consome. “É muito bonito ver uma geração que está preparada para lidar com o luxo de uma maneira diferente”. No Botanique, o público cativo tem em média 32 anos, ela observa. “Achei que seriam pessoas mais velhas, por conta do valor da diária, mas estava erradíssima”.

O hotel chegou ao break even em um ano e meio, e para ocupar as 17 incríveis suítes, cercadas por mais de um milhão de m² de natureza, ela criou há três anos o Botanique Think Tanks. “Tenho parceiros que convidam os maiores CEOs do Brasil, trazemos mediadores do Brasil e de fora e as pessoas passam de dois a três dias debatendo tendências”. Isso também é pós-luxo: conhecimento, conexões inteligentes e tempo para desfrutar tudo isso.

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