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A mobilidade urbana e o retorno à escola

por | set 14, 2020 | Coluna, Educação, Mobilidade | 0 Comentários

O transporte ativo e a aprendizagem ao ar livre têm um papel importante no planejamento da reabertura de cada escola.

O controverso retorno às aulas presenciais nas escolas envolve não só protocolos de segurança sanitária, como distanciamento entre os alunos, medidas rígidas de higiene e preferência por atividades ao ar livre, mas também questões importantes ligadas à mobilidade urbana. Afinal, como os estudantes devem ir e vir da escola? Já que o uso do transporte coletivo está em revisão nesses tempos, qual seria a melhor forma de se mover? 

A resposta diz respeito a mais simples, saudável, econômica e sustentável forma de locomoção: o transporte ativo, ou seja, a caminhada e a bicicleta. Caminhando ou pedalando, a criança e o jovem mantêm a distância necessária nessa fase, se exercitam e ainda contribuem para melhorar a nossa qualidade do ar, que é péssima em grandes cidades brasileiras, como São Paulo. 

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Projeto Green Schoolyards, nos EUA, com aulas ao ar livre

A questão é que nem sempre é possível manter a mobilidade ativa, especialmente quando as distâncias são grandes. O princípio da “cidade de 15 minutos”, criado pelo cientista franco-colombiano Carlos Moreno – em que os moradores têm acesso a tudo o que precisam a apenas 15 minutos de caminhada – está longe de ser considerado por aqui.  

No modelo desenvolvido por Moreno, que trabalha na Universidade Paris 1 Panthéon Sorbonne, em vez da cidade com uma única região central, a urbanização deve ser feita com “centros” nos variados bairros, que contam com serviços de saúde, de educação, comerciais, industriais e administrativos. Isso reduz o tempo de deslocamento e facilita a vida das pessoas. 

Se aqui essa ideia parece utópica, lá fora já é uma realidade. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, encampou com tudo a tese de Moreno. Além de ampliar as calçadas e aumentar a rede cicloviáriaela estimulou as escolas a se equipar com paraciclos e bicicletários para acolher os alunos que vão pedalando. 

No Brasil, temos vários grupos e instituições que trabalham para melhorar a mobilidade urbana de crianças e adolescentes, especialmente nesse período crítico. O Carona a Pé, criado há cinco anos pela professora Carolina Padilha, que se inspirou em outros programas similares que acontecem ao redor do mundo, estimula a caminhada à escola junto com pais e professores – uma forma de despertar adultos e crianças para a importância de andar a pé e construir uma nova relação com a cidade onde vivem.  

“Nesse período pós-pandêmico isso é ainda mais urgente, pois permite o isolamento necessário para conter a contaminação do vírus e tornar a mobilidade das cidades mais eficientes”, diz Carolina Padilha. Além disso, ela destaca, “o caminhar de uma criança é sempre cheio de descobertas, aventuras, aprendizados e uma maneira de se aproximar da natureza nas grandes cidades. Uma cidade boa para as crianças é uma cidade boa para todo mundo 

Com o intuito de colaborar com o planejamento da reabertura das escolas quando houver condições sanitárias seguras, o programa Criança e Natureza, em parceria com outras instituições, vem discutindo com especialistas de diversas áreas as contribuições que a aprendizagem ao ar livre traz para a retomada das aulas presenciais. A ONG defende a educação para as crianças em espaços abertos, que, além de evitar o contágio da Covid-19, ajuda a reconectar os alunos à natureza, com reflexos positivos em seu desenvolvimento integral e saudável. Segundo estudos, o resultado da privação da vivência da criança e do adolescente em espaços abertos e naturais provoca efeitos sobre sua saúde e desenvolvimento. Obesidade, sedentarismo, baixa motricidade e até miopia são alguns dos efeitos relacionados à restrição de circulação e movimentação em áreas ao ar livre na infância e adolescência. 

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