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Professor de História comenta eventos marcantes como o que vivemos

por | Maio 11, 2020 | Educação | 0 Comentários

Os historiadores narram eventos da humanidade, interpretando-os à luz de seu tempo. E eles terão muito trabalho para elucidar e compreender as mudanças que a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) imprimem na sociedade contemporânea. De acordo com o professor de História do Colégio Marista Arquidiocesano, em São Paulo, Cauê Caic Gomes, a humanidade atinge novos conhecimentos a partir de grandes acontecimentos históricos.

“A história nunca se repete, mas uma observação atenta permite compreender semelhanças e diferenças, traçar comparações e analogias que possam colaborar na construção de ações ou movimentos que enfrentam adversidades na atualidade”, explica o docente.

Professor Cauê Caic Gomes

Professor Cauê Caic Gomes

O professor cita alguns exemplos que ocorreram ao longo da história e que podem nos ajudar nessas comparações e na busca por respostas ao que enfrentamos:

Descoberta da Penicilina

A Europa, devastada pela Primeira Guerra Mundial, viu surgir, a partir de um experimento frustrado de Alexander Fleming, a penicilina, o antibiótico mais utilizado na contemporaneidade no tratamento contra bactérias. “Sua criação inaugurou uma nova era no campo da Medicina, mesmo em um contexto em que ascendia o autoritarismo nazista”, frisa o professor.

Criação do Departamento Nacional de Saúde Pública

No período final da Primeira Guerra Mundial eclode um vírus que, segundo estimativas, matou 50 milhões de pessoas: a Influenza A, popularmente conhecida por Gripe Espanhola. Afirma-se que tenha recebido esse nome não por ser oriunda da Espanha, pois na época havia pouca exposição de dados dos países envolvidos, mas justamente porque o país ibérico democratizava essas informações, o que orientou a imprensa a noticiar os fatos. “No Brasil, a doença matou em torno de 35 mil pessoas e propiciou a criação de um Departamento Nacional de Saúde Pública, que visava promover saúde de acesso universal e gratuita à população. Anos depois, o Departamento deu origem ao Ministério da Saúde como o conhecemos”, pontua Cauê.

Produção das obras Decamerão e Macbeth

Outro evento que tencionou a questão da saúde pública data da Idade Média e foi a chamada Peste Negra ou Peste Bubônica. De caráter mortal e excessivamente infecciosa, a doença surgiu no extremo Oriente e alastrou-se da China a partir de 1333, tendo chegado ao continente europeu no ano 1347. O incremento da atividade comercial entre Europa e Extreme Oriente propiciou o rápido alastramento da doença que, segundo historiadores medievalistas e da epidemiologia, matou 1/3 da população europeia, colapsando a saúde coletiva e impondo medidas quarentenais ao continente.

E foi nesse contexto de isolamento que alguns conseguiram ressignificar o ócio e torná-lo produtivo. “É o caso do poeta e dramaturgo Giovanni Boccacio, que redigiu o clássico Decamerão durante esse período. Anos depois, no contexto da Grande Praga de Londres (denominação que explicita outro momento do surto da epidemia), William Shakespeare redigiu Macbeth, clássico que discorre sobre a maldade humana em diversas esferas”, conta o docente.

Surgimento do Movimento negro americano

Rosa Parks, mulher negra americana, que em 1955 recusou-se a ceder seu lugar para brancos no ônibus, e que por isso foi presa, fez com que os discursos de um pastor ganhassem notoriedade. “Seu nome era Martin Luther King, e a luta engajada por essa fatalidade liderou movimentos que questionavam o racismo institucionalizado na sociedade americana, que em última instância, além de promover mudanças na estrutura étnico-racial da sociedade estadunidense, abriu portas para que em 2008 chegasse ao poder o primeiro presidente afro-americano, Barack Obama”, ressalta o professor.

Por que as pessoas resistem?

Viktor Frankl viveu os horrores de ser aprisionado em um campo de concentração nazista, na Segunda Guerra Mundial. Frankl expõe no livro “Em busca de sentido” suas experiências aterrorizantes como prisioneiro do regime nazista alemão. A obra narra a história de jovens e velhos, confinados nas prisões, possuidores de destinos condicionados para além da fatalidade, por seu ímpeto e gana em sobreviver àquele pesadelo. “O livro demonstra como jovens podiam morrer de acometimentos banais como resfriados, enquanto pessoas de mais idade, engajadas em sobreviver àquele horror, resistiam, pois tinham como sentido criar seus filhos, contar suas histórias e sobreviver ao mal dos homens”, explica Cauê.

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