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São Paulo completa 466 anos: conheça a cidade com nosso roteiro histórico

por | jan 15, 2020 | Cultura, Passeios | 0 Comentários

São Paulo é uma cidade que não nasceu apenas uma vez, mas várias. De terra sagrada dos tupiniquins à metrópole fervilhante dos arranha-céus, as transformações nunca deram trégua. Lar de italianos, japoneses, árabes, nordestinos e africanos, ela foi erguida por pessoas à procura de uma vida melhor.

Suas raízes cosmopolitas e ritmo acelerado distinguem São Paulo das demais cidades brasileiras, ao mesmo tempo que a aproximam de outras megalópoles mundo afora. No dia 25, Sampa celebra os seus 466 anos, e não há lugar melhor para comemorar tanta história do que em um passeio pela região central.

São Paulo

Visão do emblemático Copan, projeto de Oscar Niemeyer na Avenida Ipiranga. Foto: Getty Images

“O centro é esse lugar que, uma vez desvendado, torna possível que nos apossemos da cidade a partir dele. Pela densidade da história que ele abriga em seus espaços, ele nos oferece possibilidade de deixarmos de ser reféns do presente de nossa cidade. Quando compreendemos sua história, entendemos melhor nossos problemas, contradições e potencialidades como cidade”, observa Fraya Frehse, professora livre-docente em sociologia da USP, que há anos estuda as relações entre pedestres e espaços públicos centrais de grandes metrópoles do mundo e, em particular, de São Paulo. Para Frehse, um dos lugares fundamentais para entender São Paulo é o Pateo do Collegio. E é lá que vamos começar nosso passeio.

Endereço nº 1 da cidade, da construção original de 1554 restou apenas uma parede de taipa de pilão, exposta dentro do prédio, símbolo da história latente do local – a construção atual foi feita entre 1954 e 1979, reproduzindo a arquitetura da época dos jesuítas. Quem passa por lá pode fazer uma parada para um cafezinho (ou almoço!) no Café do Pateo, um verdadeiro oásis em meio à agitação. Não deixe de provar o Pão do Pateo, feito a partir de um relato de São José de Anchieta, presente em uma carta a Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus.

Palco histórico

Como na expressão “todos os caminhos levam à Roma”, em São Paulo todos os caminhos levam ao marco zero. Localizado na Praça da Sé, bem em frente à Catedral, o monumento tem um grande valor simbólico para a cidade.

O café do Pateo do Collegio. Foto: Divulgação

A praça, considerada um emblema do centro velho da cidade, é um dos pontos mais conhecidos, além de ter sido palco de muitos eventos importantes para a história do país, como o comício das Diretas Já, em 1984.

Ali pertinho, o Sebo do Messias guarda histórias de épocas diversas: dos livros didáticos franceses aos de moda e etiqueta, o lugar é praticamente um museu do livro e da música. Ao lado, a panificadora Santa Tereza, inaugurada em 1872, quando escravos ainda circulavam pela região que se chamava Largo da Misericórdia, é uma pausa interessante com seu interior preservado. Padaria mais antiga da cidade, oferece uma enorme variedade de pães, doces, salgados e pratos à la carte.

Dado o pontapé inicial, você pode continuar o roteiro em direção ao tradicional Triângulo, formado pelas atuais rua Direita, São Bento e Quinze de Novembro. “Diferentemente da região da Praça da República e entornos do Copan, essa é a mais antiga de São Paulo. Por muito tempo a cidade se concentrou apenas ali, são mais de 350 anos de história”, explica Denize Bacoccina, uma das idealizadoras e fundadoras da startup “A Vida no Centro”, ao lado do também jornalista Clayton Melo.

Sebo do Messias. Foto: Letícia Pralon.

Os empreendedores criaram a plataforma de conteúdo e impacto social há três anos, com o objetivo de valorizar o centro da cidade e suas diversas formas de ocupação. “Quem não vai ao centro há muito tempo imagina um lugar degradado e sujo. Porém, ao visitar a região, as pessoas acabam se surpreendendo positivamente”, diz Melo.

Passado não contado

Indo em direção ao Largo São Bento, onde se localizava a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, construída entre os anos de 1724 e 1737, encontramos a atual Praça Antônio Prado. Ela fez parte das obras de modernização da cidade de São Paulo pela prefeitura, que desapropriou as terras da irmandade no dia 24 de dezembro de 1903, como nos informa a Volta Negra, do Projeto Cartografia Negra.

“Nosso trabalho é justamente trazer à tona as histórias que são sistematicamente apagadas, as histórias que os monumentos não contam, e a memória de quem realmente construiu e constrói essa cidade”, informa o coletivo de jovens pesquisadores. A antiga Igreja, então, se mudou para o Largo do Paissandu, sendo inaugurada no ano de 1906, a qual é símbolo de resistência da comunidade negra na cidade e está em funcionamento até hoje.

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu. Foto: Divulgação

Saindo pela Avenida São João em direção à Rua João Brícola, 24, avista-se o Farol Santander, um dos cartões-postais da cidade. Erguido em 1947, o edifício conecta as regiões do centro velho por meio da arte e da cultura. Além da exposição fixa, que conta a história do Banco Banespa, até 2 de fevereiro você pode visitar a mostra imersiva “Tarsila para Crianças”, no 19º e 20º andar.

Escondido a sete chaves, outro destaque do famoso prédio vai para o Bar do Cofre SubAstor. Localizado no subsolo, o espaço tombado mantém as características originais do antigo cofre do Banco do Estado de São Paulo e é ideal para happy hours – também aceita reservas.

Um passeio entre décadas

Se o roteiro continua pelos arredores da Praça Ramos, histórias da década de 20 e 60 se misturam pelas ruas. O Theatro Municipal, construído em 1911 para ser palco de concertos, óperas e artistas internacionais, remonta ao enriquecimento da elite paulistana a partir do café. Ainda hoje, a música clássica, as óperas e os espetáculos de dança imperam no espaço, mas nos últimos anos uma novidade tem chamado a atenção.

Bar dos Arcos fica localizado no subsolo do Theatro Municipal

Trata-se do Bar do Arcos, mais um subsolo inusitado a ser explorado. O local é um projeto de três anos do empresário da noite paulistana Facundo Guerra e mistura o rústico da arquitetura original com objetos e adaptações contemporâneas, como os balcões comunitários – que inovam pela disposição e design iluminado.

A protagonista da casa é a cartela de drinques e coquetéis desenvolvida pela renomada bartender argentina Chula Barmaid, com bebidas com ingredientes como os xaropes de hibisco e gengibre, além de garnishes muito bem montados.

Esquina célebre

Andando um pouco mais pela Xavier de Toledo, a arquitetura modernista da década de 60 ganha mais espaço, caso da Galeria Metrópole. Entre as lojas, restaurantes e escritórios charmosos que compõem o edifício, destaque para o Prosa e Vinho, mistura de loja e bar localizada no 3º piso do edifício e que conta com um acervo de aproximadamente 400 rótulos a preços acessíveis – taças a partir de R$ 12 e garrafas a partir de R$ 40.

O Bar do Cofre, no subsolo do Farol Santander. Foto: Divulgação

Para viver um momento digno da música de Caetano, vale seguir pela São Luís até o cruzamento com a Ipiranga, bem no coração está o Edifício Copan. Muita gente tira foto daquele grande S desenhado por Niemeyer do chão, mas o que nem todo mundo sabe é que é possível subir ao terraço e fotografar a região lá do alto. E o que é melhor, é gratuito.

Sabemos que o centro de São Paulo ainda tem muito a ser explorado e, mais do que conhecer, podemos vivenciar essa história. Seja tomando um café no Pateo ou um drinque no Cofre, assistindo a um concerto no Municipal ou admirando a cidade do alto do Copan. Essas ruas, praças, avenidas e construções também são portas para experimentar, sobretudo, a rica diversidade paulistana.

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