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Rádio Vozes: Lan Lanh mostra a força dos seus tambores em “Batuque”

por | dez 27, 2018 | Música | 0 Comentários

Novo álbum de Lan Lanh, “Batuque” traz novas interpretações de versos brasileiros conhecidos

Reza a lenda que o histórico álbum “Os afro-sambas”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, foi inteiro concebido durante uma imersão de vários dias na casa do poeta.

Ambos estavam encantados com o LP “Sambas de Roda e Candomblés da Bahia”, uma coletânea de toques e cantos dos terreiros de candomblé que saiu no começo dos anos 60. Baden estava afogando mágoas de amor no violão na companhia de Vinicius, e os dois se fecharam ao redor da música. Em 1966, esse clássico LP foi lançado, uma obra-prima que inspira gerações de músicos brasileiros desde o seu lançamento.

Gosto de falar dos caminhos que a música percorre através dos tempos. E nessa viagem de hoje celebro os trinta anos de carreira de Lan Lanh, uma percussionista, compositora, arranjadora que passeia pelo pop, pelo samba e pela canção. Seu novo disco, “Batuque”, abre com “Canto de Xangô”, um dos sambas de Baden e Vinicius. Visita o que há de melhor na sofisticação do maestro pernambucano Moacir Santos e grava “Coisa nº 4”, que no disco original tinha o mestre Wilson das Neves.

Dá um acento flamenco em Jacob do Bandolim tocando cajon em “Santa Morena” e traz a festa do frevo de Osmar Macedo. Cajon, pandeiro, congas e berimbau, em interpretações cheias de energia e arranjos primorosos com o cavaquinho de 5 cordas de João Felipe e os violões de 6 e 7 cordas de Guto Menezes. Porque sim, senhoras e senhores, o batuque pode ser sofisticado, elaborado, maturado.

Se em Pernambuco a criança cresce ouvindo a alfaia do maracatu, na Bahia, mais fortemente em Salvador, o batuque dos tambores é parte do cotidiano.

E com ela, ouvidos atentos, música entrando pelos poros desde criança, não foi diferente. Lan já tocou tambores com Carlinhos Brown, fez parte da histórica banda que acompanhou Cássia Eller, montou a deliciosa Moinho com Toni Costa e Emanuele Araujo e já tocou com Cindy Lauper. Em 2018, concorreu ao Grammy com a canção “Aponte” – cantada por Maria Bethânia e que assina com Nanda Costa e Sambê.

Baiana é aquela que entra na roda de qualquer maneira, certo? Pois essa baiana aqui não só entra na roda, ela faz a roda. Num país em que o tambor demorou muito para ser também assunto de mulher, ela foi uma das primeiras.

O Ogan é aquele que faz a conexão entre as batidas do atabaque com o coração da terra, e essa é uma das maravilhas desse Brasil que podemos e devemos aproveitar. A conexão com o divino, que na verdade está dentro de nós, através da música. Já que é tempo de sol e mar, e para muitos de Bahia, deixo aqui para você, meu querido leitor viajante, uns versos do “Canto de Xangô” na versão de Vinicius:

Salve, Xangô, meu Rei Senhor

Salve meu Orixá

Tem sete cores sua cor sete dias para a gente amar

Entre no ritmo ouvindo Lan Lanh, claro! Boa viagem e até a próxima!

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